Antero Greco - Estadao.com.br
ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

15.abril.2013 17:25:14

Questão de atitude*

Dois registros de final de semana. 1- Na tarde de ontem, a televisão mostrou Henrique a acompanhar a goleada de 4 a 1 do Palmeiras sobre o Guarani das arquibancadas do Pacaembu, junto com o filhinho. 2 – No início da noite de anteontem, Paulo Henrique Ganso postou no Tweeter o seguinte comentário: “Aproveitando o sábado em casa…”

O que zagueiro e meia tiveram em comum na penúltima rodada do Paulista? Não estavam escalados para os compromissos das respectivas equipes. E no que se distinguiram? Um foi ao campo, o outro ficou no aconchego do lar, distante dos companheiros que perderam para o XV de Piracicaba no Morumbi.

As atitudes dos atletas ajudam a entender por que Palmeiras e São Paulo vivem momentos distintos: um surpreendeu prognósticos pessimistas e se classificou por antecipação na Libertadores. O outro lidera o torneio local, mas tem a pesar-lhe a ameaça de ficar fora da competição continental, para frustração e cobrança da torcida. Alviverdes ressurgiram; tricolores se deparam com período de nuvens carregadas.

Tomo os gestos isolados de titulares de clubes importantes como referências simbólicas e não como explicação em si, para o bem ou para o mal dos times. Não significa que Henrique seja profissional exemplar, por aproveitar a tarde de outono com a ida ao campo, enquanto Ganso se revelou folgado por preferir o bem-bom doméstico. Seria simplório encará-los dessa maneira.

Mas não é incorreto interpretar o programa que cada um escolheu como dica do que ocorre nos bastidores. O limitado Palmeiras busca na união o ânimo para sair do buraco em que se meteu ao cair para Série B nacional e após a surra por 6 a 2 para o Mirassol dias atrás. Por isso, o capitão considerou necessário ver o jogo ao vivo. O talentoso São Paulo resvala para o isolamento individual numa fase delicada e decisiva. Não parece aglutinado em torno de ideal comum. Astral que desestimula o jogador a marcar presença a não ser por obrigação.

Situação de palestrinos e tricolores à parte, faz tempo me incomoda postura relaxada de boleiros da banda de cá. A maioria vê como lazer toda ocasião em que esteja fora de uma partida. Por contusão, suspensão ou simplesmente por opção tática ou de planejamento. Errado agir assim – diga-se, com a devida conivência de treinadores e dirigentes. Repouso para o grupo todo é no dia seguinte; na hora do jogo, o elenco precisa comparecer ao local do trabalho, ou seja, o estádio. Só não vai quem estiver impedido por problema físico grave.

Repare como os europeus, ou o pessoal da NBA, prestigiam em peso o desempenho das agremiações. Vão todos ao estádio ou ao ginásio, porque faz parte das tarefas. É fundamental seguir o desempenho dos colegas, analisar in loco as artimanhas dos rivais; enfim, atualizar-se. E ação de marketing com patrocinadores e especialmente com o público.

Por aqui o sujeito fica bravo, se lhe disserem que não é pra ficar no ócio. Tempos atrás, ouvi jogador conhecido (omito o nome por delicadeza) admitir, sem maldade e consciência, que faria um churrasquinho com a família no domingo, pois tinha recebido o terceiro amarelo. “Bom curtir uma folguinha”. Dá pra entender?

Questão de atitude 2. O Corinthians é seguro na Libertadores e candidato ao bi. Já no Estadual flerta com o tédio. Como na derrota para o Linense por 2 a 1. Vai que a sonolência em um campeonato contamine a caminhada no outro… Bom abrir o olho.

*(Minha crônica no Estado de hoje, segunda-feira, dia 15/4/2013.)

Tags: , , , , , ,

Comentários (22) | comente

E não é que o Palmeiras foi bem nesta quarta-feira diante do Botafogo?! Foi bem. Jogou de maneira correta, superou lesões de titulares ainda no primeiro tempo, fez 2 a 0 sem atropelo e se mantém no bloco principal do Paulista. E teve em Leandro, autor dos gols, um dos destaques. O público pequeno no Pacaembu não se decepcionou.

Tenho feito críticas ao Palmeiras, e é bom escrever quando merece elogios. Caso do jogo de hoje. Por diversos motivos, Gilson Kleina mexeu na equipe e começou com uma formação mais interessante do que as anteriores. Sobretudo com Henrique e Vilson na zaga, com Leo Gago, Wesley e Charles no meio, além de Leandro e Kleber na frente.

Teve de mudar, antes do intervalo, porque Henrique e Kleber se contundiram. Gostei também quando colocou Patrik Vieira (no lugar de Charles) em campo. O rapaz torna o time mais rápido, a tendência é a de ganhar posição.

Não foi nada exuberante o desempenho palestrino, assim como não se mostrou o marasmo e a descoordenação dos jogos contra Paulista e São Caetano. Desta vez, tocou a bola, não teve afobação, esperou as oportunidades. Ganhou em casa como se deve.

Leandro mostrou oportunismo nos gols – o primeiro, na etapa inicial, com ajuda do goleiro Rafael. O importante é que pode tornar-se a referência no ataque, mais do que Kleber. Ele ainda carece de mais precisão nos passes. Mas ganha confiança e participou de outras jogadas de perigo.

Enfim, um resultado para baixar a poeira, acalmar o ambiente e dar um respiro para Kleina e seus jogadores. E ânimo para o clássico com o Santos, no fim de semana.

Tags: , , , , ,

Comentários (2) | comente

Imaginava-se que o Palmeiras jogaria de ressaca, ainda na onda das comemorações pelo título da Copa do Brasil. Mas foi o São Paulo quem teve dor de cabeça, no clássico disputado no início da noite deste domingo, em Barueri. O tricolor, agora sob direção de Ney Franco, teve dificuldade para segurar o adversário e teve de se satisfazer com empate de 1 a 1, no sufoco.  Resultado que o mantém no bloco principal e deixa o rival ainda na zona de descenso.

O Palmeiras terminou o jogo com um a menos (Henrique foi expulso acertadamente aos 8 do segundo tempo), e ainda com 19 chutes a gol, contra 6. Só que uma dessas conclusões deu vantagem para o São Paulo aos 12 minutos do primeiro tempo. Em cobrança de falta cometida por Valdivia, o centroavante Luís Fabiano se antecipou à zaga e completou para o gol.

O bom início são-paulino, no entanto, logo foi anulado pelo Palmeiras desfalcado – não jogaram Thiago Heleno, Marcos Assunção, Barcos –, porém animado. A taça conquistada no meio da semana, em Curitiba, devolveu autoconfiança a um grupo antes desacreditado. E a turma de Felipão passou a tomar iniciativa do jogo, apesar de ainda ter sofrido outra baixa (Maurício Ramos sentiu a coxa e saiu antes do intervalo).

O segundo tempo se desenhava favorável ao São Paulo. E ficaria melhor com a expulsão de Henrique. Só que as coisas mudaram. O Palmeiras se superou, enquanto o meio-campo tricolor, com Denilson, Casemiro, Cícero e Jadson, sumia. Jadson ficou encarregado de criar e o fez à sua maneira: com altos e baixos. Assim, Osvaldo e Luís Fabiano ficaram isolados.

O Palmeiras teve chance de empatar em pênalti cometido pelo estreante Rafael Tolói, mas Valdivia permitiu a bela defesa de Denis. A insistência palmeirense valeu perto do fim do jogo, com o empate de Mazinho, depois de ele mesmo ter obrigado Denis a se esticar para evitar o gol. O São Paulo, atordoado, só esboçou reação aos 45, com Rodrigo Caio cabeceando para fora, livre e embaixo do gol.

O que se viu, em resumo: um Palmeiras mais vibrante e um São Paulo vacilante.

Tags: , , , , , , ,

Comentários (23) | comente

Tapetão é dos recursos mais condenáveis no futebol. Mas há situações em que recorrer ao tribunal esportivo se mostra atitude válida e sensata. E é o que o Palmeiras tem de fazer no caso de Henrique. O cartão vermelho que tomou, na confusão quase no fim do jogo com o Grêmio, foi episódio claro da “lei da compensação”. O árbitro Ricardo Ribeiro havia expulsado dois jogadores do time gaúcho e resolveu dar uma equilibrada ao tirar o capitão palmeirense.

O episódio pode ser esclarecido por imagens resgatadas da televisão. Para recordar: Barcos ia em direção à área, quando sofreu falta de Rondinelli. O juiz considerou que o lance deveria ser punido com vermelho (pra mim, o amarelo bastava) e revoltou os jogadores do Grêmio.

Na sequência – e aí as tevês vacilaram um pouco –, Edilson e outro jogador tricolor acertam Barcos, já caído dentro da área. Henrique, que acompanhava o lance, corre para tirar satisfações ao ver o companheiro sendo chutado. No meio do caminho, leva um tranco de leve de Gilberto Silva, de quem se libera, e chega perto de Edilson. Daí, toma o soco, que resulta na expulsão do agressor.

No rolo todo, o esquentado foi Edilson, ele prejudicou o Grêmio e ainda pode tomar sanção mais dura do tribunal. Rondinelli, não; ele fez falta de jogo, apelou para recurso arriscado, mas sem agredir. E Henrique, como capitão, tratou de proteger Barcos. O juiz, por sinal fraco, teve reação muito comum, que é a de fazer uma ligeira média, para parecer neutro. E não foi.

Ricardo Ribeiro, aliás, faz parte da escola que fecha os olhos para jogadas ríspidas – e houve muitas no clássico desta quinta-feira – e mostra zelo excessivo na hora da comemoração. Não vacilou meio segundo para mostrar amarelo para Valdivia, que tirou a camisa na hora de festejar o gol da classificação. Foi um desabafo por tudo que sofreu recentemente.

Sei, sei, os legalistas dirão que é recomendação da Fifa. Mas, acima de tudo, a entidade recomenda que se coíba a violência – e nesse aspecto sua senhoria falhou. Como falhou na expulsão de Henrique.

Tags: , , ,

Comentários (46) | comente

Ora, ora, ora, e não é que o Palmeiras contrariou todos os prognósticos, bateu o Grêmio por 2 a 0 fora de casa e ficou pertinho de mais uma final da Copa do Brasil?! Uma proeza e tanto, obtida na raça, no suor e contra um adversário que era favorito, pelo momento, pelo futebol que apresentava, pelo fato de atuar diante de sua torcida. Mazinho aos 41 minutos do segundo tempo e Barcos, aos 44, trataram de derrubar o favoritismo tricolor.

Para quem gosta de duelos entre técnicos, foi mais uma que Felipão aprontou para cima de Vanderlei Luxemburgo, seu rival histórico. E Felipão se deu bem já na escalação, ao colocar Henrique no meio, no lugar de Márcio Araújo. O zagueiro se comportou de acordo com o figurino, deu mais estabilidade ao setor, aliviou a missão de Marcos Assunção, que ficou mais livre para apoiar o ataque. Daniel Carvalho também teve mais liberdade, mas jogou pouco, foi um personagem que destoou do restante, e deu lugar para Mazinho. No lado do Grêmio, a figura apagada foi Kleber, que voltou a ser escalado como titular, após contusão.

Resultado da opção palmeirense: primeiro tempo amarrado, com poucas oportunidades de gol. A melhor coube ao Grêmio, com uma cobrança de falta, aos 42 minutos, que Fernando mandou na trave. Ninguém aproveitou o rebote. O time paulista ficou apenas à espreita para ver o que acontecia.

E o Palmeiras não mudou muito de comportamento na etapa final. Apostou na paciência, para ficar no lugar-comum jogou no erro do Grêmio. As brechas, porém, apareceram apenas perto do apito de encerramento. A primeira, em jogada de Cicinho, que deixou Mazinho livre para fazer 1 a 0. Depois, cruzamento da esquerda que Barcos escorou e pegou Vítor no contrapé.

A vantagem verde agora é significativa, importante, porém não é definitiva. O Grêmio terá de jogar o peso de sua tradição na Copa do Brasil para sair da enrascada. Caso típico do favorito, do candidato ao título, que vê o chão ruir diante de um rival mais limitado, porém mais aplicado e eficiente.

 

Tags: , , , , , , ,

Comentários (19) | comente

A fase do São Paulo não é das melhores, principalmente quando joga em casa. Mas, como desgraça pouca é bobagem, Adilson Batista tem praticamente um time fora de ação para o jogo com o Figueirense, no sábado, em Florianópolis. A turma de baixas é significativa, a começar de Denilson, Fernandinho, Bruno Uvini e Cañete, machucados. Mais Piris e Lucas, nas seleções de Paraguai e Brasil, respectivamente. E termina com Jean, Juan e Wellington suspensos. Não coloco o Luís Fabiano nessa lista, porque ele nem estreou.

Adilson naturalmente recorre a  modificações, na eterna busca da formação ideal. Desta vez, será obrigado a usar da criatividade para montar um time razoável  na tentativa de recuperar-se da derrota para o Fluminense (2 a 1, no Morumbi). Uma delas é deslocar João Filipe para a direita, na ausência de alternativas. O rapaz diz que encara o desafio, mas pede um desconto para a torcida. Torcida, aliás, que anda impaciente, com razão.

A compensação, se é possível encarar dessa forma, fica para a presença de Henrique. O rapaz foi destaque na campanha do penta mundial da seleção brasileira Sub-20, foi eleito melhor jogador do torneio disputado na Colômbia e ando mais inquieto que cavalo novo. Assim que voltou da competição, dez dias atrás, pediu oportunidade e ensaiou uma rebelião. Sossegou ao receber um contrato melhor e a promessa de aproveitamento.

A chance apareceu agora, e se Adilson não recuar vai formar dupla de ataque com Marlos, se Dagoberto também for poupado (está com febre). Henrique é um dos jovens com bom potencial e, se não sentir o peso da responsabilidade e contar com paciência do treinador, logo vira opção confiável. O que não tem sido lá muito confiável é o futebol do São Paulo, que de vacilo em vacilo vai ficando para trás na briga pelo título. Ok, tem tempo para reação, mas não pode demorar.

 

 

Tags: , , ,

Comentários (20) | comente

Comentários recentes

  • Ramiro: Antero, concordo quando vc diz que tem maldade no sentido de estarem passando o vídeo como se ele tivesse...
  • Ramiro: Os pensamentos citados dos caras, FIFA e CBF, mostram o quanto são pilantra esses caras, e o quanto eles...
  • Douglas Mendonça: Voce é ótimo!! Admiro muito o seu trabalho na ESPN e agora conhecendo essa sua coluna fico ainda...
  • Antero Greco: Renato, obrigado pela mensagem. Fica a sua informação, sem o texto, porque não costumo publicar...
  • Antero Greco: ?????

Arquivo

Seções

Blogs do Estadão