Nos últimos dias, ouvi muita gente que os jogos do Grêmio nas oitavas de final da Libertadores serão importantes para definir o futuro de Vanderlei Luxemburgo. Respeito muito o trabalho de treinadores, sejam quais forem, mas detecto aí uma inversão. Acima do destino desse profissional está o do clube, que para mim – e, tenho certeza, para os torcedores – é o que importa. Técnico vêm e vão; os times ficam.
Portanto, o fã do Grêmio tem de torcer por sucesso diante do Independiente de Santa Fé, seja no primeiro duelo, em casa, como no segundo, na Colômbia. Se passar para as quartas de final, ótimo e bola pra frente. Se cair, deverá repensar sua estratégia, com ou sem Luxemburgo, com mudanças ou não no elenco, vasto e caro.
Entendo que se justifique a pressão sobre o treinador, porque ele dispõe de muitos jogadores experientes, rodados, campeões em vários lugares e que vieram a peso de ouro. Esperava-se mais da equipe, que ficou fora da briga pelo título estadual e passou raspando na fase de grupos do torneio continental.
A cobrança aumenta na mesma proporção em que, do lado de lá, o Inter tem enorme chance de beliscar outra taça local e com Dunga em ascensão. Inevitáveis, então, as comparações entre os dois velhos rivais e seus respectivos comandantes. Mas, na boa, o que interessa é o Grêmio avançar. Será ótimo para todos, incluído aí Luxemburgo.
A tarefa é difícil? De certa forma, sim. Como se trata de duas partidas apenas, em que o gol fora de casa tem peso duplo para efeito de desempate, qualquer vacilo pode tornar-se fatal. Para o representante brasileiro o problema adicional é a ausência de Zé Roberto. E que problema! O veterano meia é a alma da equipe, com sua sabedoria e movimentação constante e sempre inteligente. Baixa terrível.
Cabe a André Santos a tarefa de ajudar Elano a guiar os colegas no meio-campo. E que Barcos desemperre e volte a fazer gols inapeláveis. Se isso acontecer, o Grêmio segue adiante, no caminho do tri da América.
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Vanderlei Luxemburgo não é um frade capuchinho e passa imagem antipática para muita gente. Ou seja, é personagem controvertido no futebol. Mas, mesmo quem não goste dele não deve considerar normal as agressões de que foi alvo, na noite de quinta-feira, após o empate com o Huachipato que deu a vaga ao Grêmio na Libertadores.
Violência sempre, sempre, é desagradável, não deve ser aceita como meio de resolver diferenças. E se torna mais grosseira e covarde quando se vê jovens atletas atacando um sexagenário como o treinador brasileiro. Dar socos e pontapés é cena grotesca, é manifestação antissocial, antidesportiva. Quem vibrou com aquilo deveria colocar-se no lugar de Luxemburgo ou de algum parente. E verá como provoca indignação.
Não sei o que Luxemburgo disse, assim que terminou o jogo. Ele garante que apenas cumprimentou o árbitro. E, mesmo se tivesse feito alguma ironia, não se justificava o destempero do massagista do Huachipato, um senhor com cabelos brancos e claramente mais velho do que o técnico brasileiro. Muito menos a reação truculenta do treinador clube chileno, que ajudou a tornar mais quente o ambiente.
O mais lamentável de tudo é ver que um jogo normal, sem lances polêmicos, sem violência entre os jogadores, tenha terminado como espetáculo de gladiadores. Isso servia para a Roma Antiga, não para os tempos de hoje, numa competição que se pretende ser das mais importantes do esporte. Aquilo nem na várzea acontece.
Só que Libertadores e outras competições internacionais na América do Sul continuam a ser confundidas com rixas entre países, se assemelham a guerras e besteiras do gênero. Isso acontece pela cultura de impunidade incentivada por décadas de omissão dessa entidade frágil e omissa que é a Confederação Sul-Americana de Futebol.
Os cartolas da região são compadres, mais interessados em perpetuar-se no cargo do que em promover o esporte. Brincam de espelhar-se nos colegas europeus, mas na prática agem como coronéis que parecem divertir-se de ver os servos a brigarem entre si.
E, sem ser preconceituoso, repare nos times que ultimamente têm se envolvido em batalhas: são Arsenal, Tigre, Huachipato e outros menos votados. Ou sejam, agremiações sem tradição, que levam para a Libertadores ou para a Sul-Americana a ideia de que vale tudo para ganhar. E nesse vale tudo todos perdem.
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Tem horas em que a gente fica com certo “bode” de futebol, por causa de tanta falcatrua e picaretagem. Ainda bem que restam jogos memoráveis pra dar um bico no baixo-astral. Como aconteceu no começo da noite desta quinta-feira, com o espetáculo que torcida e time do Palmeiras proporcionaram no Pacaembu. De arrepiar, pelo resultado (vitória por 1 a 0 e classificação) e mais pela sintonia e emoção das duas partes.
O Palmeiras não ganhou do Libertad na técnica e na criatividade. Ao contrário, teve muitos chutões, encontrões, divididas, bolas espirradas. E, por incrível que pareça, o mérito da turma de Gilson Kleina residiu justamente nesse comportamento. Que não foi sinal de covardia, de antijogo, mas de dedicação e reconhecimento dos próprios limites.
Mas essa postura não signficou também retranca. O Palmeiras foi à frente, como pôde, como conseguia, na base do entusiasmo, da correria, da busca por resgatar a autoestima. Esse grupo tem deficiências, não se pode negar – e sou dos mais críticos a apontá-las. Só que nessa partida as falhas são relevadas, por respeito à seriedade do grupo.
Não dá pra destacar quem foi o melhor – a entrega foi generalizada. O esforço de Marcelo Oliveira contagiou Maurício Ramos, que animou Henrique, que encorajou Juninho, que se estendeu para Charles (o autor do gol decisivo), que tranquilizou Fernando Prass (uma defesa extraordinária com os pés). Todo mundo correu. Até a expulsão correta de Wesley contribuiu para aumentar a dramaticidade do resultado.
O Palmeiras é o azarão dos brasileiros na Libertadores. E continua a sê-lo. Mas o entusiasmo dele bem podem servir de exemplo para Fluminense e Grêmio, que decidem vaga na última rodada. E principalmente o São Paulo, que tem desafio gigantesco contra o Atlético-MG. O Palmeiras mostrou que é possível.
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Grêmio e Palmeiras, que têm andado próximos no noticiário ultimamente, tiveram pontos semelhantes e divergências na estreia na Libertadores. Ambos deram a largada na competição no mesmo dia, quinta-feira, com placares idênticos, porém de significados diferentes. Os gaúchos perderam por 2 a 1, em casa, enquanto os paulistas venceram por 2 a 1, também como mandantes.
O ponto em comum: foram a campo com diversos estreantes, com formação inédita, no máximo ensaiada um pouco em treinamentos. O Palmeiras mostrou Weldinho, Marcelo Oliveira, Vílson, turma que entrou na base da emergência. O Grêmio mostrou para a torcida André Santos, Adriano, Barcos, Welliton, alguns dos atletas recentemente desembarcados para comporem um elenco repleto de alternativas.
As novidades influíram nos times, mas tiveram sua importância diminuída ou aumentada, de acordo com a conveniência. Para os alviverdes, a falta de conjunto não interferiu tanto no desempenho. Já para os tricolores, ela foi um dos motivos para a derrota. Nas duas situações são meias-verdades, lugares-comuns do futebol. Uma equipe não pode passar imune a elementos novos (Palmeiras), como também não pode creditar a recém-integrados boa parcela de culpa por deslize (Grêmio).
Levadas em conta circunstâncias como locais, adversários distintos, situações de jogo peculiares, é possível dizer que sobrou ao Palmeiras o que faltou ao Grêmio: dedicação, empenho, reconhecimento das limitações. Um jogou diante de seu público com a convicção de que é franco-atirador, não está na turma dos favoritos e tinha de provar capacidade para não dar vexame. O outro inconscientemente foi para o desafio como se tivesse apenas de cumprir uma formalidade e carimbar os primeiros três pontos.
Em consequência disso, o Palmeiras correu, suou, tomou sufoco em vários momentos, se desdobrou. Porque tinha necessidade de vencer, precisava senão afastar pelo menos diminuir um pouco a desconfiança que há em torno de si. O Grêmio, ao contrário, não acreditou no entusiasmo do Huachipato, demorou para se dar conta do que acontecia no jogo. E, ao acordar, já era tarde: tinha sido dominado e a derrota foi justa.
Ok, foi apenas a largada. Não significa que um tenha encontrado o caminho e o outro se candidate ao fiasco. O Palmeiras tem de melhorar muito e certamente passará por modificações. O Grêmio precisa voltar a ser uma equipe, e não somente um bloco de jogadores de qualidade. A derrota pode ser o estopim para o crescimento, desde que seja tomada como alerta e aviso. Há tempo de sobra para reagir.
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Que os otimistas me desculpem, mas não acredito em reforços por baciada. Muita gente achou interessante o negócio que o Palmeiras acaba de anunciar ¬ a transferência de Barcos para o Grêmio em troca de cinco jogadores mais uma parte em dinheiro. O principal argumento para considerar a transação proveitosa foi o fato de virem para o Palestra, de uma só tacada, Marcelo Moreno (o melhorzinho dessa turma e que não quer vir), Leandro, Leo Gago, Vilson e Rondinelli.
Trata-se de uma ilusão. Time grande (caso do Grêmio) não cede tantos atletas num acordo, desde que os considere valiosos e importantes para compor o elenco. Se liberou, é porque não valiam mais a pena, nem pagavam os custos. Muito menos cede assim por um jogador mediano como o Barcos. Nem que fosse um Neymar ou alguém desse calibre, um clube de tradição não se desfaz de profissionais por atacado.
Por outro lado, uma equipe igualmente importante (o Palmeiras) não arremata um grupo de boleiros de um rival dessa maneira. Não contrata sequer de equipes pequenas, como se fazia antigamente. Salvo engano, a última vez que algo parecido aconteceu com o Palmeiras foi no final dos anos 70, ou começo dos 80, quando trouxe um quarteto do Marília (Jorginho, Carlos Alberto, Luís Sílvio e outro de que não me recordo agora).
O Palmeiras não fez um negócio da China. Nem o Grêmio, pois Barcos é um atacante eficiente, mas nenhum superastro. Para o tricolor, compensou para diminuir o elenco e ter menos gente descontente com a reserva. No caso do time paulista, quero ver, daqui a alguns meses, quantos desses cinco ainda estarão sendo utilizados com regularidade.
A saída de Barcos permite algumas interpretações. Uma delas é a de que a política do “bom e barato”, tão desastrosa sob a guarda de Mustafá Contursi (que ainda dá as cartas no clube), está de volta. Paulo Nobre herdou dívidas e a saída, aparente, que encontrou para abatê-las foi a de se desfazer de salários altos, como Barcos e Marcos Assunção. O Palmeiras está com caixa baixo.
Também se pode depreender que o Palmeiras já não atraia gente de ponta. Caso do Barcos, que não é nenhum suprassumo, mas sobressaiu num elenco pobre e desmoralizado. Se sentiu valorizado, ensaiou ir embora, pediu aumento, jurou fidelidade e no primeiro aceno remou rumo a novo destino. Ok, se não tinha mais vontade de ficar, melhor mesmo que saísse. Mas não precisava ter dito várias vezes que amava o clube. E infelizmente faltou alguém convencê-lo de que o projeto novo é forte e bom
As primeiras atitudes da nova diretoria provocam impacto, mas não positivo. O torcedor esperava ver anunciadas contratações de peso. Em vez disso, vieram nomes de segunda linha ou moedas de troca. Por isso, o fã alviverde continuará a dividir-se entre esperança e temor. Sentimentos próprios de quem percebe que o tempo passa e uma agremiação tão vitoriosa pode perder o trem da história.
A conferir.
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Foi um susto e tanto: assim que Elano fez o gol que daria a vitória do Grêmio sobre a LDU, torcedores mais entusiasmados fizeram a primeira avalanche no novo estádio tricolor. Primeira que ensaiam transformar em última, pois um pedaço do alambrado cedeu ao impacto e pessoas caíram no fosso que separa a arquibancada do gramado. Por sorte, a altura era pequena e as escoriações, superficiais.
O incidente remeteu à tragédia de Santa Maria. Deus nos livre e guarde de situações semelhantes! A direção gremista interditou a área e promete estudos a respeito da estrutura da casa recém-inaugurada. Engenheiros e arquitetos foram convocados para análises.
Ao mesmo tempo, ficou suspensa a estabanada alegoria que caracteriza a comemoração de gols do Grêmio. A Brigada Militar já havia vetado a coreografia, desde o fechamento do Olímpico, em dezembro, e ainda assim os mais fanáticos resolveram colocá-la em prática, para manter a tradição. Acredita-se que, sem o balé radical, não há risco de espectadores se machucarem.
Certo, desejamos participar de atividades públicas em paz e com segurança. Fora a turma do miolo mole, ninguém com a cabeça em ordem pretende ver um jogo de futebol com a intenção de provocar confusão ou ser vítima dela. Queremos voltar para casa sãos, e satisfeitos pelo lazer. Mas a proibição, se levada adiante, reforça a tendência de limitar, mais e mais, a espontaneidade nas arenas esportivas. Em nome do bem coletivo, baixam-se normas que encaixotam a emoção e pasteurizam a felicidade.
Repare como avançam as restrições. Já há algum tempo, não se permitem bandeiras nos estádios. Acabou o espetáculo bonito de vermos símbolos dos clubes, de variados formatos e tamanhos, a enfeitarem as sociais e as numeradas. Aquele colorido dava tremendo ar de festa. Ah, mas os mastros eram usados como armas! Eram um perigo! Quer dizer que, em vez de combaterem eventuais desordeiros, se eliminou o estandarte?!
Bebida também não pode, sob a alegação de que o pessoal enche a cara e parte para a briga. Meia-verdade. A cerveja que se consome no recinto do espetáculo não é a vilã de desentendimentos mais sérios. Baderneiros por vocação chegam em bandos, calibrados e enfumaçados, e passam pela triagem da entrada, onde deveriam ser barrados. Além disso, batalhas ocorrem pela certeza de impunidade. Quantos são os casos registrados de castigo para desordeiros?
Há a censura. Meses atrás, um árbitro se negou a começar jogo do Náutico ao se enfurecer com uma faixa exposta pelos fãs locais. Achou que era ofensiva. A polícia interveio, o cartaz foi recolhido e, posteriormente, aberto mais pra cima na arquibancada mesmo. Boa! Já se cogitou, até, de processar quem proferisse palavrões. Imagine, seriam milhares de ações por semana!
A avalanche gremista comporta risco, como tantas manifestações da vida. A vida é risco permanente. O homem tem instinto de preservação; o sobressalto de quarta fará com que haja moderação no futuro. No velho Olímpico, foram raros os episódios com ferimentos. Por isso, a diretoria do Grêmio disse, no final da tarde, que o veto é temporário. Menos mal.
Autoridades têm de combater os violentos. Já as arquibancadas devem pulsar de contentamento, devem ser tribunas livres. Os estádios não podem assemelhar-se a templos religiosos, em que recolhimento e silêncio são imprescindíveis. O que escrevo?! Até igrejas têm música e dança, pois Deus é alegria. Por que os estádios devem ser circunspectos e taciturnos?
*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 1/2/2013.)
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O placar não passou de mero detalhe, mesmo assim positivo. O importante nos 2 a 1 do Grêmio sobre o Hamburgo, na noite deste sábado, foi a festa: bonita, empolgada, à altura da nova casa tricolor. A inauguração do estádio, o primeiro da safra que terá uma fila até o Mundial de 2014, deu até uma certa esperança de que, a médio prazo, os principais clubes do Brasil percebam a necessidade de se modernizarem. Caso contrário, perdem o trem da história.
A torcida do Grêmio compareceu, toda pomposa, ao local que sucede o velho e caloroso Olímpico como alçapão. Entusiasmo do começo ao fim – e espero que a cena, de casa lotada, se repita muitas e muitas vezes. Como acontece com naturalidade e rotina na terra do Hamburgo, o convidado para a festa para reviver a final do Mundial de Clubes de 1983.
E, como naquele ano, em que fez um frio danado no Japão, o resultado foi favorável aos brasileiros. Coube a André Lima a honra de estufar oficialmente pela primeira vez as redes novinhas em folhas do campo. O gol veio aos 9 minutos, com direito à dancinha com que o goleiro do Mazembe comemorou a vitória sobre o Inter, no Mundial de 2010.
Os alemães empataram com Westermann aos 25 minutos da segunda etapa e Marcelo Moreno fez o gol que fechou a conta aos 42. Àquela altura o Grêmio estava com oito jogadores diferentes daqueles que iniciaram o jogo – incluído o autor do gol. Tantas mudanças era um privilégio que o anfitrião se outorgou, para fazer com o máximo possível de atletas pisassem no gramado (que tem falhas). Para irem se acostumando…
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Os ares de renovação da Copa de 2014 começam a produzir efeitos. E dos bons. Vários estádios, particulares e públicos, estão a ser erguidos pelo País e, noves fora o problema de quem vai pagar a conta, certamente trarão aspecto de modernidade, pelo menos física.
O primeiro a apresentar casa nova é o Grêmio, mesmo que não esteja incluído na lista de sedes do Mundial. O campo, pronto, pintado e liberado, será inaugurado neste sábado, com amistoso com o Hamburgo, num “revival” da final do Mundial de Clubes de 1983. As instalações são muito bonitas – quem pôde vê-las de perto se sentiu como se estivesse naqueles teatros do futebol europeu que costumamos admirar por aqui.
Parabéns ao Grêmio, que seja feliz e vitorioso como o foi no histórico e já saudoso Olímpico. Entre 2013 e 2014, virão à luz também os estádios do Atlético-PR, do Inter, do Corinthians, do Palmeiras. O São Paulo promete reformar o Morumbi. Grandes clubes merecem palcos decentes e à altura de suas respectivas histórias.
Só uma coisa me incomoda: a mania de chamar campo de futebol de “arena”. Não me agrada, acho modismo sem graça e copiado de fora. O que não falta, agora, é Arena do Grêmio, Arena Corinthians, Arena Palestra, Arena da Baixada. Por que não “Novo Olímpico”, para o Grêmio, “Novo Palestra Itália” e assim por diante?
Trata-se de brecha para a venda do nome? Os tais naming rights, em mais uma cópia dos gringos? Sei lá. Sei que, independentemente do marketing, o que importa é o nome com o qual o torcedor vai identificar o estádio. No caso do Palmeiras, será “Palestra”, como sempre (para os mais velhos eternamente “Parque Antártica”). No do Corinthians, provavelmente Itaquerão, apesar dos protestos dos dirigentes. Veremos no caso do Grêmio.
Mas, no momento, interessa a festa do tricolor gaúcho. Sucesso e vida longa do Novo Olímpico.
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O colombiano Rentería deu trabalho ao Grêmio quando jogava no Internacional. Ele saiu do Sul, rodou por aí (teve passagem até pelo Santos), voltou para casa e… mais uma vez atravessou o caminho do velho rival. Com os dois gols que marcou nos minutos finais, garantiu a vitória por 3 a 1, despachou a equipe de Vanderlei Luxemburgo e colocou o Millonarios na semifinal da Copa Sul-Americana. O próximo adversário é o Tigre, da Argentina.
O estádio El Campin, nos 2640 metros de altitude de Bogotá, viveu noite memorável, inesquecível para os torcedores do Millonarios e tormentosa para os fãs do Grêmio. O time da casa precisa ganhar por dois gols de diferença, se quisesse seguir adiante na competição, pois havia perdido por 1 a 0 em Porto Alegre. Ou devolver o placar e definir nos pênaltis.
Tarefa complicada, que ficou ainda mais delicada, depois de Werley abrir o marcador no primeiro tempo. Era tudo que o Grêmio queria, uma vantagem folgada, que lhe permitisse esvaziar o ânimo dos anfitriões. O Millonarios, então, partiu pra cima, pressionou, jogou na base do tudo ou nada. À espera de uma noite milagrosa.
Caramba, e não é que a graça aconteceu?!?! A casa do Grêmio começou a ruir aos 15 da etapa final, com o gol de empate marcado por Cosme. Impressionante como o Millonarios passou a acreditar na possibilidade da virada. Que veio e na medida exata, com os gols de Rentería aos 35 e aos 48, em cobrança de pênalti contestado pelo tricolor gaúcho. E, na minha opinião, contestado com razão.
O Grêmio fica, assim, de mão abanando, e precisa se desdobrar para terminar o Brasileiro em segundo lugar e garantir vaga direta para a Libertadores. O São Paulo pega a Universidad Catolica, na outra semifinal. E aqui faço um mea-culpa: esculhambei o Millonarios, quando derrotou o Palmeiras. Pode não ser uma maravilha, mas o time colombiano se mostrou competente e atropelou dois brasileiros. Merece estar na briga pelo título.
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O Fluminense mantém velocidade máxima na corrida pelo título de 2012 e está folgado para fazer a festa em dezembro. É tão líder quanto as polêmicas em torno das arbitragens do Brasileiro. A juizada tem errado muito, e não é de agora. Mas parece que extrapolou neste campeonato. Um festival de mancadas, que alimenta as mais diversas teorias de conspiração.
E, pra variar, quem está na frente é o alvo preferido dessas teorias. No caso, o Flu, que enfileira cinco vitórias em seguida, após os 2 a 1 de virada sobre a Ponte Preta, na noite deste domingo, em São Januário. O tricolor leva saraivada de críticas porque o juiz Nelson Nogueira Dias errou em seu favor, nos lances que originaram os gols.
O juiz errou mesmo, não discuto. Só não entro na tese de arranjos. Em anos anteriores, foi assim com São Paulo, Corinthians, Flamengo, Santos… Nelson usou da famigerada opção de interpretação, no lance em que a bola bateu no braço de Luan. Ele entendeu como pênalti, lá pelos 28 minutos do segundo tempo, e Fred empatou.
E pisou feio na bola, ao enxergar falta de Renê Júnior em Marcos Júnior, quando foi justamente o contrário. Eram 43 minutos, e na bola levantada para a área da Ponte, o zagueiro Gum subiu para mandar para o gol e garantir o Flu com 68 pontos. Naquele lance, vacilaram o árbitro e o bandeirinha, pois o lance foi sob o nariz dele.
Ok, o árbitro teve influência decisiva no resultado do jogo – e não vai mudar nada. Nessa o tribunal esportivo não entra em ação. Mas, erros à parte, o Flu jogou mais do que a Ponte o tempo todo. O time de Campinas saiu na frente, com golaço de Luan no começo, e depois levou sufoco até o fim. Tanto que o goleiro Edson Bastos, com defesas espetaculares, foi um dos destaques do jogo. Pra mim, o melhor em campo.
O Flu tem duas etapas decisivas nesta semana. Topa com Grêmio e em seguida com o Atlético-MG. Se se livrar de ambos, já pode encomendar as faixas.
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