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Vira e mexe torcidas se mobilizam para sair à caça de baladeiros. Em geral, esses movimentos repressores surgem em momentos de baixa de suas equipes. O diagnóstico preliminar, apressado e superficial indica que a gandaia é responsável pela queda de desempenho. Então, o remédio seria vigiar, controlar atletas e denunciar os abusos deles. Dessa forma, acredita-se, os folgados pensarão duas vezes antes de pecar e vão empenhar-se mais nos treinos.

Esse raciocínio é de uma ingenuidade chocante e embute um comportamento fascista preocupante. Não leva a nada além de tensão entre torcidas e atletas, bate-bocas, agressões, rupturas. Não conheço um jogador que tenha deixado de “ir para a noite” por causa de marcação cerrada dos fãs. Nem antigamente nem hoje, com todo o aparato de câmeras disponíveis em celulares, canetas, relógios, anéis. Essa besteira toda criada para nos controlar.

Aliás, alguém já se deu conta de como tentam seguir nossos passos? É controle para tudo: crachá para entrar no trabalho, para visitar amigos em prédios comerciais (e residenciais também), câmeras de vigilância na rua, nos supermercados, nos edifícios, nos clubes, nos estádios, nos hospitais, nas casas. Fichas a preencher em crediários, em sites, no diabo a quatro. Dados nossos que nem sabemos nãos mãos de quem vão parar. Em qualquer lugar em que vamos antes de mais nada nos consideram suspeitos. Chega disso!

Pois bem. Quem quer abusar vai encontrar formas de fazê-lo. Sei de jogador famoso, que atuava no Exterior até bem pouco tempo atrás, que se encheu de ser visto em boates. Em vez de parar com as farras, sabem o que fez? Passou a dar festanças fechadas, em casa. Os excessos eram os mesmos, só que não mais em público. O desempenho dele em campo sabe no que resultou? Na mesma mediocridade de quando era flagrado na rua…

O que os vigilantes precisam entender é que a seleção, no futebol e na vida, se dá naturalmente. Jogador ruim será sempre ruim, com balada ou sem. Vá lá, digamos que, com balada, piore um pouco. Jogador bom será sempre bom. Ok, com excessos pode acelerar o declínio da carreira. Cada um faz seu destino. Vai depender da consciência do atleta saber até onde pode ir. Os inteligentes dosarão; os desmiolados, não. E pagarão por isso.

Torcedor deve cobrar de seus dirigentes transparência na administração do clube, nas contratações, na definição de comissão técnica e de projetos. Não adianta sair à caça de jogadores que estejam na noite e reprimi-los, achando que aí está a solução. De que serve um grupo comportadinho, enclausurado, muitas vezes triste e que não ganha nada? Lembram-se da seleção no ano passado? Ninguém saía da concentração. Deu no que deu.

É lugar-comum, mas continua atual: liberdade, com responsabilidade, ainda é um caminho saudável, em qualquer atividade. No caso do futebol, acrescento que um grande time se faz com bons jogadores, não necessariamente com jogadores bonzinhos.

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17.junho.2011 10:55:26

Alguém explica?*

Como apaixonado por futebol, assim como você, preferia agora discutir o belo empate do Santos contra o Peñarol, anteontem, pela final da Libertadores. O time brasileiro ficou perto do tri, para honra de sua história gloriosa. Seria mais empolgante, também, falar do líder São Paulo, do vice-líder Corinthians e do imprevisível Palmeiras, ali entre os quatro.

Mas vou ser sincero: se na coluna de hoje eu me pusesse a abordar só a bola rolando, iria me sentir traidor. Isso mesmo: estaria a enganar a você e a mim. Na ordem natural das coisas, o mundo do futebol deveria girar em torno dos astros, dos treinadores, das polêmicas a respeito de quem é melhor, se o juiz errou ou com quem ficará o título. Era assim; agora não mais, infelizmente.

Por aqui, o esporte mais popular do mundo virou assunto de Estado e de interesse público, por causa dos preparativos para a Copa que a Fifa jogou no nosso colo. Não passa dia sem que sejamos surpreendidos por medidas que desafiam o bom senso e atingirão nosso bolso, em nome da boa organização do evento previsto para 2014.

Abro o Estado de ontem e vejo que é aprovada isenção de ISS para a Fifa, que já havia recebido outras benesses. O texto final carece de ajustes, mas o essencial está lá: a dona da Copa, que nem brasileira é, fica livre de imposto que toda empresa daqui paga. (Em São Paulo, todo mês religiosamente repasso 5% para a Prefeitura, sem perdão.)

Veja que curioso. A Fifa vira e mexe se zanga com algum governo que mete o bedelho na estrutura do futebol. Ela diz que isso é inadmissível, pois não se pode permitir que a política interfira no esporte. E pune o país em questão. Está certo que em geral ela propõe represálias para Confederações poderosas como as de Cochinchina, Longistão, Beleléu… O Brasil teve CPIs sobre futebol, há uma década, e não sofreu sanções.

Pois a Fifa apolítica, que celebrou um Mundial na Argentina sob ditadura sangrenta, dá seus pitacos em governos soberanos. Basta ver as exigências que faz de participação oficial para as Copas e as isenções fiscais que pede. Quer dizer, governo não pode intervir no futebol, mas a Fifa pode fazer com que estados deixem de arrecadar impostos.

Abro também a Folha de S. Paulo de quinta-feira e leio que o governo federal pretende manter sob sigilo os custos das obras para a Copa de 2014 e para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Trocando em miúdos, é o seguinte: os gastos só serão fornecidos para órgãos competentes – os Tribunais de Contas –, quando o governo achar conveniente, e sob a condição de que não se tornarão públicos. Ficam fechados a sete chaves.

Dessa forma, não se saberá, por exemplo, se houve estouro em algum orçamento para esses eventos.
A alegação para a inclusão desse item na Medida Provisória 527 (que trata especificamente das duas competições) é a de que se corria risco de fraudes nas licitações. Agora, tudo se torna mais controlável. Também se diz que a constituição prevê sigilo, sempre que houver interesse do Estado e da sociedade.

Sei que assunto tão delicado foi estudado por gente muito mais preparada do que eu, que não passo de reles palpiteiro de esportes. Mas, preso à minha ignorância, me assaltam dúvidas. Uma delas: quanto mais transparentes forem as contas e as concorrências públicas, tanto melhor para todos? Ou não?

Não é de interesse da sociedade saber para onde vai seu dinheiro? Não é melhor para o governo escancarar o jogo, num momento em que as obras para a Copa despertam ceticismo no povo e nos deixam com um pé atrás? Não lutamos tanto contra censura e pelo estado democrático, justamente para debatermos com os governantes temas importantes para nossa vida? Já querem tornar eternos certos papéis oficiais. Agora, também os gastos para Copa e Olimpíada, que não são tão essenciais assim, ficarão trancados, longe de olhos curiosos?

Sei que é alta a probabilidade de estarmos a travar batalha perdida. Sei que são cada vez menos os órgãos de imprensa que se permitem fazer questionamentos. Sei que, à medida que se aproximar a Copa, com clima ufanista, serão vistos como chatos e antipatriotas Jucas, Trajanos, Calazans, Mauro Cézares, Salins e Malias da vida e outros que rechaçam o jornalismo chapa-branca. Mas esses, tanto quanto você e eu, são como o macaco Sócrates, do Planeta dos Homens, e candidamente afirmam: “Eu só queria entender”.

*(Texto da minha coluna publicada no Estado de hoje, 17/6/2011.)

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O Inter ganhou do Emelec por 2 a 0, no Beira Rio, na noite desta terça-feira, fechou a fase em primeiro lugar no Grupo 6 (13 pontos) e segue adiante na Libertadores. Não fez mais do que a obrigação para uma equipe tecnicamente superior a seu adversário. Mas teve dificuldade, pois os gols surgiram só no segundo tempo, com Rafael Sobis (aos 6) e Leandro Damião (aos 38).

Não foi uma exibição impecável dos colorados. A equipe de Paulo Roberto Falcão emperrou na primeira etapa, sobretudo porque a criação no meio-campo, a cargo de D’Alessandro e Andrezinho, não funcionou. O sistema defensivo, em compensação, não ficou exposto, mesmo com um ou outro susto (normais) do rival equatoriano.

Gostei da postura do Inter na segunda fase. Está certo que o gol de Rafael Sobis logo no começo desestruturou o Emelec, que precisava da vitória para se garantir. Mas os atuais campeões sul-americanos tiveram o mérito de serem mais objetivos, práticos e rápidos. O time se soltou, criou, empurrou o Emelec para seu próprio campo.

As oportunidades surgiram com frequência e o segundo gol foi apenas consequência do domínio. É a segunda partida de Falcão no comando do Inter e, aos poucos, ele ajusta o esquema tático. Já disse que não pretende inventar e que jogará o simples. Tomara, mas para tanto é preciso ter as peças adequadas. Os resultados ajudam nessa caminhada.

Falcão, por enquanto, tem estreias (no Campeonato Gaúcho e na Libertadores) com o pé esquerdo. Epa, com o pé direito, dirá você! Para mim, que sou canhoto, é o esquerdo. Cada um olha o seu lado…

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15.abril.2011 11:10:58

Lionel, o Messias*

Você certamente já sabe, de cor e salteado, que nas próximas semanas (a começar de amanhã)haverá quatro duelos consecutivos entre Real Madrid e Barcelona, dois dos mais badalados times do mundo. E, aqui entre nós, paparicados e incensados com toda razão, porque por tradição investem pesado em estrelas de várias grandezas. Morro de inveja de seus torcedores, metidos a esnobes. Por obrigação, mas sobretudo por satisfação, assistirei a essa maratona do clássico. Infelizmente, só pela telinha da televisão.

Se as boas fadas permitissem, não teria remorso algum de botar a mão no bolso e pagar para ver, nos estádios, a quadra de confrontos, que valem por Campeonato Espanhol, Copa do Rey e Uefa Champions League. Desfalcava meu saldo bancário com prazer, pois seria dinheiro bem gasto. Apelava para o cartão de crédito e depois me virava, quando chegasse a fatura salgada, com IOF aumentado e tudo o mais.

Mas sabe por que não choraria qualquer euro investido nesse capricho? A perspectiva de ver Messi em ação, a poucos metros de mim, compensaria qualquer sacrifício financeiro. Não é motivo justo? Você faria o mesmo? Se curte futebol, tenho certeza que sim. Se a gente paga para ver tanto perna de pau…

Faz algum tempo que pretendia escrever a respeito do camisa 10 em torno do qual gira o Barcelona. Faltava oportunidade, que surge agora com a enxurrada de tira-teimas entre a Catalunha e Castela. Graças a Deus, a anjos, arcanjos e querubins, o futebol periodicamente dá à luz um gênio. O que contribui para seu permanente e renovado fascínio.

Imaginou se cultuássemos apenas os mitos dos anos 1950, 60,70? Com todo o carinho que nos merecem Pelé, Garrincha, Di Stefano, Didi, Eusébio, Ademir, Tostão e tantos outros, viveríamos num tédio cósmico. O joguinho da bola teria ficado em segundo plano, num mundo com tantos apelos, reais e virtuais.

Por isso, quando menos percebemos, nos deparamos com Romário, Zico, Platini, Zidane, Ronaldo, Ronaldinho, Maradona e outros diamantes de altíssima pureza. Eles realimentam nossa paixão pelo futebol, independentemente de preferências pessoais e noves fora polêmicas.

Pois a bola da vez chama-se Lionel Messi, argentino que em junho fará 24 anos, com 1m69 da mais sublime categoria. Cada vez que o vejo em campo fico na expectativa de encantar-me com uma jogada inventiva, com um golaço, com dribles desconcertantes, com passes precisos, preciosos, apreciáveis. Messi é o solista de orquestra afinadíssima vestida de azul e grená. Impressionante o que esse moço joga!

Uma desfaçatez a simplicidade, a leveza e o senso de equilíbrio do craque. Messi domina a bola com doçura, toca nela com tanta suavidade que não deve provocar-lhe nenhum arranhão. Não me lembro de episódio em que ele a tenha maltratado. Artista e objeto têm uma intimidade sublime – um é extensão do outro. Entendem-se à perfeição, são cúmplices, se divertem e têm consciência do fascínio sobre a plateia.

Messi lembra o João Bobo, boneco que levava petelecos, se inclinava, mas não caía. Cada tranco e ele ali, balançando com sorriso zombeteiro! O mesmo que Messi mostra toda vez que um zagueiro desesperado tenta pará-lo a tapas e pontapés. Ele sacode o corpo pra cá e pra lá, endireita-se e segue em frente. Não cava faltas, não se esparrama como saco de batatas. Desmoraliza marcadores da maneira mais elegante e humilhante: com a cabeça erguida, atenção fixada no gol, sua obsessão. Não é à toa que fez 48 na atual temporada.

Francesco de Gregori, responsável por dezenas de obras-primas da moderna música popular italiana (uma desconhecido por aqui, uma pena), muitos anos atrás fez uma canção em que falava de um garoto que pretendia ser jogador de futebol. Num verso, De Gregori dizia que “um craque se conhece pela coragem, pelo altruísmo e pela criatividade”. Essas características ajudam a definir Messi: valente, generoso e imaginativo.

Vida longa para Messi, Messias da bola e mais uma prova de que Deus existe e é apaixonado por futebol.

*(Texto da minha coluna publicada no Estado de hoje, dia 15/4/2011)

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A gente define grande jogador pela técnica acima da média. É consenso. Mas o sujeito para brilhar precisa contar também com a ajuda de anjo da guarda, fada madrinha, pai de santo, duende ou sei lá que entidade com poderes extraordinários. Caso contrário, não adianta ser bom de bola. Com zica, não há talento que resista.

Taí o Ronaldinho Gaúcho que não me deixa mentir. Ele não fez ainda uma apresentação inesquecível pelo Flamengo, mas entra pra história como o jogador que decidiu a Taça Guanabara de 2011. Com o gol de falta, desatou o nó diante do Boavista, garantiu o 1 a 0 e a volta olímpica. Foi um tapinha mortal, já no segundo tempo. À maneira de Zico e Petkovic, como lembraram os rubro-negros. Ou de Zenon, Rogério Ceni, Marcos Assunção e tantos especialistas da bola parada.

Merece, portanto, a badalação que houve depois do jogo e que certamente dominará as mesas-redondas da noite deste domingo e os jornais de segunda-feira? Sim, merece. O futebol vive desses momentos, tem seus heróis da hora – e o de agora é Ronaldinho Gaúcho. Os céticos ou aqueles que enxergam futebol como ciência que me perdoem, mas há momentos em que cabem os exageros. Se esporte é emoção, por que reprimi-la?

Quantas vezes a gente não incensou um jogador esforçado, meia-boca, que roubou a cena numa determinada partida? Muitas, não é mesmo? Então, hoje é a vez de Ronaldinho Gaúcho, bom pra burro e que estava precisando de uma levantada de bola.

Não é nenhum pecado, pois o mesmo aconteceu até recentemente com Ronaldo. Várias vezes, já no Corinthians, o Fenômeno recém-aposentado passava a partida em branco. Até que, de repente, aparecia para um passe decisivo ou para mandar a bola para o gol. E no dia seguinte aparecia: “Ronaldo salva.” Pois hoje é “Ronaldinho decide.”

Espero que o brilho na primeira parte do Estadual do Rio estimule Ronaldinho e seja permanente. Há muito que quem ama o futebol (com licença, me incluo nessa) torce para que o gaúcho reapareça com força total e encante. Porque também tem o seguinte: o tempo vai passando e daqui a pouco, num vapt-vupt, chegará o dia em que ele vai pendurar as chuteiras. Como qualquer mortal. Então, pés à obra, Ronaldinho!

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25.fevereiro.2011 12:39:05

Ninguém é santo*

O assunto da semana aparentemente é de uma chatice maior do que discurso de aspone em festa de fim de ano na firma. Só se fala em racha no Clube dos 13, rebelião destes ou daqueles, revolução no futebol brasileiro, novos tempos… Um blablabá interminável, que tem por base avidez por dinheiro, briga política, busca de poder e disputa por audiência de televisão. O que, no fundo, é tudo a mesma coisa. A pitada de ridículo, também ligado ao tema, vai para a polêmica em torno do destino da Taça das Bolinhas, o que está mais para birra de criança do que para mérito esportivo.

A discussão dos principais times brasileiros parece essencialmente prática. Os cartolas estariam preocupados com as finanças de suas agremiações e, para tanto, empenham-se em batalhas árduas por melhor remuneração nos contratos com a mídia, sobretudo as emissoras de tevê abertas. Fosse só isso, tratar-se-ia de controvérsias rotineiras no mundo dos negócios e mera obrigação dos dirigentes/administradores.

Os debates, porém, ultrapassam esse patamar. Diferenças entre os digníssimos donos da bola sempre existiram, como em qualquer associação. Muitos se suportavam em nome dos interesses comuns. Esses interesses, agora, tomam rumos diferentes com a perspectiva de transações mais valiosas e diversificadas (contratos separados para tevês a cabo, pay-per-view, internet, telefonia celular). Ou sobretudo com a possibilidade de mudança na relação comercial com alguns meios de comunicação.

Aí a porca começou a torcer o rabo. Não é segredo que há embate feroz entre Globo e Record, hoje as mais influentes redes de tevê do país. Ambas se digladiam por números sempre mais significativos no ibope e têm o esporte como produto formidável para cativar audiência. Por isso, garimpam competições para transmitir – o Campeonato Brasileiro de futebol é o principal objeto de desejo.

Pela tradição e pela excelência no trabalho, a Globo sempre teve a preferência, até para saber de antemão o que eventuais concorrentes estariam dispostos a oferecer. O trâmite desta vez mudou e o Clube dos 13 resolveu receber propostas fechadas para as edições de 2012 a 2014 do torneio. A Globo teria ainda o benefício de ver seu contrato reconfirmado se os valores apresentados por outras redes não forem superiores a 10% do que ela espera pagar. Basicamente é isso – só para entender o caso e sem enveredar por pormenores técnicos e jurídicos.

Com o processo em andamento, entraram em campo simpatias, predileções e conveniências de clubes e seus mandachuvas. A CBF também tem a sua (adivinha qual?) e jogou com as armas de que dispõe. Não foi de graça que reconheceu o Fla campeão nacional de 1987, ao lado do Sport. A adesão rubro-negra (a do Corinthians havia tempos estava no papo) a essa causa era fundamental, por seu apelo popular. Sem contar que estava passada com o Clube dos 13 e com vários times que em 2010 derrotaram Kléber Leite, o candidato da casa, e preferiram continuar com Fabio Koff no comando.

Não está claro o desfecho da cisão, e muita pressão vai rolar. Só não caia na conversa de que há mocinhos de um lado e bandidos de outro. Não é guerra santa, nem há ideologia envolvida. Andrés Sanchez não é novo Dom Quixote. Todos olham para si e fazem parcerias de ocasião. Business

Não tenho nada com a disputa das TVs. Mas pena que prevaleça por aqui a mentalidade da “exclusividade”, do só eu posso ter o evento e não quero ninguém a incomodar-me. Nos EUA, três redes abertas mostram NFL, com direito a chamadas para jogos (diferentes) a serem transmitidos na concorrência. Têm tal procedimento por estratégia, e todos faturam – emissoras, anunciantes, clubes, torcedores, telespectadores. Isso é profissionalismo, é capitalismo inteligente.

Não é assim. No tuíter, Ronaldo mostra desalento ao afirmar que jogador não tem direito a aposentadoria (com a ressalva de que não advoga em causa própria). Claro que tem: basta contribuir para o INSS por 35 anos, como qualquer trabalhador. Ou requerer o benefício com 65 anos de idade.

*(Texto da minha coluna no Estado de hoje, 25/2/2011)

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24.fevereiro.2011 16:11:14

Uma sugestão para Ronaldo

Ronaldo lamentou, via tuíter, que jogador não tenha direito a aposentadoria. Com a ressalva de que não advogou em causa própria – acredito, pois renda é o que não lhe falta. Lembrou ainda que “93% da categoria recebe salário mínimo”. Não sei os números exatos, mas a classe à qual pertenceu até a semana passada é formada, em enorme maioria, por “operários da bola” e não por galácticos e popstars da bola.

Mas o craque que agora vive seus dias de aposentado cometeu um equívoco. Jogador de futebol, como qualquer cidadão e trabalhador, pode aposentar-se pelo INSS. Para requerer o benefício, porém, precisa contribuir (pagar um tanto por mês) por 35 anos no mínimo ou chegar aos 65 de idade. O valor do benefício final vai variar de acordo com uma série de fatores – e em geral fica bem aquém do que imaginávamos e merecíamos. Infelizmente.

Ronaldo, embora milionário graças a seu talento, também tem esse direito – justo, sagrado até, desde que tenha dado sua parcela. A minha foi descontada do salário durante 38 anos e um mês, na bucha. Recentemente, virei um aposentado. E, felizmente, sem a necessidade de intermediários.

Jogador não exerce profissão de risco, o que o incluiria numa categoria especial. Além disso, ao pendurar as chuteiras, por volta dos 30 e tantos anos de idade, não se transforma num incapacitado para a vida. Cronologicamente, é jovem ainda; portanto, em condições de tocar a rotina em outra atividade. E continuar a pagar o INSS, com o carnê que pode ser encontrado em qualquer papelaria ou ser pago pela internet.

Ronaldo talvez tenha confundido jogador de futebol com algumas castas especiais, que nem vale a pena a gente falar porque dá enjoo, mas você sabe quais são. Por isso, achou que parar na profissão significa automaticamente receber aposentadoria do INSS. A realidade não é essa.

O Fenômeno não me lê, nem sabe quem eu seja; conversamos uma ou outra vez, nada além disso. Mas me atrevo a fazer uma sugestão ao ídolo de tanta gente: por que não aproveitar a popularidade e liderar campanha de conscientização dos atletas, no sentido de que contribuam para o INSS desde de o primeiro contrato? E também fiscalizem se os clubes recolhem a parte que lhes cabe.

Também poderia sugerir a colegas mais abastados que completem a aposentadoria oficial com um plano de previdência privada. Seria uma atitude louvável. Quem sabe, não poderia ter ajuda de Romário e Darnlei, hoje deputados, bem de vida, mas que conhecem as agruras dos bagrinhos do futebol? Taí a ideia.

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Fluminense e Internacional tiveram posturas diferentes na segunda apresentação na Libertadores deste ano. O campeão brasileiro jogou fora outros dois pontos como mandante, no 0 a 0 com o Nacional do Uruguai (na estreia emperrou nos 2 a 2 com o Argentinos Juniors). O campeão sul-americano deu uma sova no Jaguares, do México, com 4 a 0, na primeira em casa, depois de arrancar 1 a 1 com o Emelec, na semana passada no Equador.

O que me preocupa é que o Flu se enroscou outra vez diante de um rival que se fechou. A diferença do Nacional para o Argentinos Juniors ficou no poder de fogo: os uruguaios são mais limitados que os vizinhos argentinos e pouco incomodaram o Ricardo Berna. Fossem mais atrevidos, o sufoco no Engenhão (pouco mais de 10 mil pagantes) teria sido maior.

Dou um desconto para Muricy Ramalho, que anda com várias baixas, sobretudo no ataque. A equipe até que dominou, pressionou, criou algumas chances. Mas aquém do que se esperava para quem entrou como a pretensão de ser protagonista na competição e brigar pelo título.

Pior do que isso: sentiu a pressão da torcida. Time que pretende classificar-se não pode perder pontos em casa. Como deixou quatro pontos para trás, terá de recuperá-los como visitante. Tomara até lá Fred, Emerson estejam de volta, e Conca tenha recuperado a forma. Desse jeito, o sonho da Libertadores não passa da fase de grupos.

Inter esmagador. A torcida do Inter ficou um tanto apreensiva com a ausência do D’Alessandro, fora por contusão. Mas o susto passou já no primeiro tempo, com os dois gols do argentino Bolatti. E recuperou a confiança na etapa final, com o bom futebol do time e os gols de Leandro Damião e, em seguida, de seu substituto Oscar. Desta vez, os colorados não poderão reclamar de Celso Roth e sua preferência por marcação forte no meio-campo: o Inter foi pra cima o tempo todo. Ainda bem.

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20.setembro.2010 13:18:30

Templo da perdição

Tenho birra com estatísticas que viram argumento para justificar qualquer tese e rechear textos ou transmissões esportivas com “informação diferenciada”. Também não sou supersticioso. Jamais! Isola, pé-de-pato, mangalô três vezes! Mas não resisti à tentação de dividir com vocês uma curiosidade em relação ao Palmeiras. Incômoda, é verdade, mas que pode servir para alguma reflexão ou para gastar um tempo em conversa de botequim.

Desde que voltou a usar o Pacaembu para mandar seus jogos, o Palestra tem quebrado a cara. Em dez jogos em que lá se exibiu, após o fechamento do Parque Antártica, coleciona 3 vitórias, 3 empates e 4 derrotas. Ganhou de Santos (2 x 1), Atlético-PR (2 x 0) e Vitória (3 x 0, pela Sul-Americana). Os empates foram com Botafogo (2 x 2), Corinthians (1 x 1) e Vasco (0 x 0). As derrotas: 0 x 1 (Flamengo), 0 x 3 (Atlético-GO), 2 x 3 (Cruzeiro) e 0 x 2 (São Paulo).

Retrospecto fraco, que leva o torcedor a achar que o estádio municipal dá zica a seu time. O templo sagrado do futebol paulista virou templo da perdição para os palestrinos. Não há dúvida de que faz falta o aconchego do velho campo no bairro de Perdizes, à espera de liberação para a grande reforma. Mas será que se trata apenas de localização? Não seria simplista afirmar que o Palmeiras que agora joga de aluguel perdeu um trunfo?

Pois o Pacaembu foi cenário de grandes conquistas verdes. De memória, cito três episódios de festa. O primeiro só os mais veteranos vão lembrar: o Paulista de 1963. Foi contra o Noroeste e o Palmeiras tinha jogadores como Djalma Santos, Djalma Dias, Julinho, Servílio, Vavá, Ademir da Guia. Nove anos mais tarde, outro título paulista (empate com o São Paulo) e na equipe estavam Leão, Luís Pereira, Dudu, Ademir, Levinha, César. Em 1994, no tetra do Brasileiro (sobre o Corinthians) jogavam Roberto Carlos, César Sampaio, Zinho, Rivaldo, Edmundo, Evair. Todos defenderam a seleção brasileira em algum momento.

No derrota de domingo para o São Paulo, pelo Brasileiro, o Palmeiras teve em campo Tadeu, Luan, Vítor, Fabrício, Tinga, Maurício Ramos, Danilo… E olhe que não jogaram Edinho, o novo Rivaldo, Dinei, Márcio Araújo… Ainda tem quem venha falar em azar?! Isso tem outro nome.

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Não tenho nenhum constrangimento de afirmar que Fluminense e Flamengo fizeram um dos jogos mais empolgantes da edição deste ano do Brasileiro. Tecnicamente não foi um primor, mas não faltaram emoção e gols, que no fim das contas é do que o torcedor gosta. Ouvi rojões aqui por perto, assim que acabou o clássico. Desconfio que não foram tricolores nem rubro-negros perdidos em São Paulo que comemoraram os 3 a 3 do Engenhão. Esses fogos estavam com jeito de alvinegro centenário, cada vez mais folgado na liderança.

O Fluminense, sem Deco, concentrou esperanças em Conca, o solista que costuma dar ritmo ao time. Só que o argentino foi bem marcado por Williams, apareceu menos do que o habitual e não resolveu. O desequilíbrio veio das duas defesas, que falharam muito e foram decisivas para o festival de gols e alternância de placar. Sorte de quem esteve no estádio Olímpico do Rio. Aliás, não há jeito de ele lotar, mesmo com partidas atraentes… Mistério.

O Flamengo reage, o suficiente para diminuir as frustrações desta temporada. Já o Flu dá sinais de desgaste. Não é por acaso que conseguiu apenas 13 dos últimos 30 pontos que disputou. A esta altura deveria ver os concorrentes ao título bem longe. No entanto, com 42 pontos, está teoricamente a 2 apenas do Corinthians, que tem o clássico com o Vasco para disputar, em 13 de outubro.

As próximas três rodadas apontarão o rumo de Muricy Ramalho e seus jogadores – Atlético-MG na quarta no Engenhão; domingo tem Vitória no Barradão e no dia 29 recebe o Avaí. Se não ganhar as três, adeus ao sonho do bi nacional.

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