Antero Greco - Estadao.com.br
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Os pragmáticos não costumam ter dúvidas: se ganhou, é porque é bom. Eles que me desculpem, mas pra mim nem sempre vence o melhor, sobretudo no futebol. E, mais ainda, em competições de tiro curto, como Eurocopa, Copa América e Mundiais. Uma equipe, por uma série de fatores, pode se dar bem justo naquele momento, leva a taça e não acrescenta.

Assim vejo a Espanha de hoje. Ganhou a Euro de 2008 e foi campeã do mundo na África. E daí? O que trouxe de novo, de diferente, de revolucionário para o futebol? A rigor, nada. Ou, para não ser injusto, teve o mérito de apostar num sistema em que a posse de bola é fundamental. Posse de bola e passes curtos, boa marcação e recomposição quando é atacada. Sofre poucos gols e é sovina no ataque, pois também anota pouco.

Esse sistema, elogiado num primeiro momento dois anos atrás, agora se revela tedioso, contido, irritante. A Fúria só enfurece quem aprecia futebol jogado com alegria, atrevimento, esperteza e ousadia. Não é nem cópia do que faz o Barcelona. O time catalão também toca muito a bola, mas com altivez e malícia, com objetividade. Não é por acaso (e por Messi, claro) que tem um dos melhores ataques do futebol mundial.  A Fúria é só controle do jogo.

Tem sido assim, foi dessa forma mais uma vez, no duelo com a França, pelas quartas de final da Eurocopa. Sem risco de errar, e sem exagerar, a partida mais chata e aborrecida do campeonato europeu de seleções. Bocejo do começo ao fim, de parte a parte.

Esperava mais dos espanhóis, porque têm jogadores de qualidade para ser mais ofensivos. Mas começo a achar que não irão além disso, até o momento em que quebrarem a cara. Afinal, são campeões aqui e ali; então, pra que mudar? É a linha do pragmatismo, do futebol de resultados…

Os franceses têm feito um bom trabalho de reconstrução, desde a aventura africana. Só que se contaminaram com o jeito espanhol e criaram menos do que em jogos recentes. Resultado: tomaram um gol de Xabi Alonso aos 18 do primeiro tempo e não tiveram criatividade para safar-se da marcação e criar. E tomaram outro, também de Xabi Alonso, aos 45 da etapa final, de pênalti.

O mundo anda mesmo de cabeça para baixo. Tanto que é a Alemanha quem mostra o futebol que mais me agrada, que mais me leva ao Brasil do passado, em que havia toque de bola, posse de bola, mas rapidez no ataque. E gols, muitos gols…

 

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Desculpem-me o lugar-comum, mas esta lembro como se fosse hoje, pois estava lá. Guadalajara, 21 de junho de 1986, vi no Estádio Jalisco um dos grandes jogos da história das Copas e que terminou mal para o Brasil: a derrota para a França, nos pênaltis (4 a 3), depois de empate por 1 a 1 no tempo normal que se estendeu para a prorrogação. Pela segunda vez seguida (agora nas quartas de final), uma equipe dirigida por Telê Santana caía em Mundiais.

Os dois times chegaram para aquele duelo com retrospecto muito bom. A seleção brasileira havia vencido seus quatro jogos anteriores, sem levar gol: Espanha (1 a 0), Argélia (1 a 0), Irlanda do Norte (3 a 0) e Polônia (4 a 0). Os franceses haviam se livrado de Candá (1 a 0), URSS (1 a 1), Hungria (3 a 0) e a então campeã Itália (2 a 0). De um lado, Zico. De outro, Platini.

Na verdade, Zico mais ou menos. O Galinho sofria com dores nas costas e entrava durante os jogos, já que não tinha condições suficientes para aguentar o ritmo o tempo todo. Foi assim também contra os franceses. O camisa 10 substituiu Muller, no segundo tempo, e na primeira participação fez passe para Branco, que sofreu pênalti. Zico bateu e Bats defendeu.

O confronto estava 1 a 1, faltavam poucos minutos para o término do tempo normal e aquele pênalti poderia ter garantido a vitória e a vaga. Não deu. O clásico foi muito bom, desde o início, com chances para os dois lados. Careca aos 17 minutos deixou o Brasil em vantagem e Platini (aniversariante do dia) empatou aos 40, no único gol sofrido pela seleção no torneio. O empate persistiu no tempo adicional (e Sócrates teve chance de fazer o segundo).

Até que nos pênaltis… deu França. Sócrates bateu o primeiro e Bats defendeu. Alemão, Zico e Branco converteram, mas Júlio César chutou o último na trave. Para os franceses, marcaram Stopyra, Amoros, Belone. Platini mandou para o espaço, mas Fernandez, na cobrança derradeira, marcou e fez os Bleus avançarem para a semifinal.

O Brasil tinha um time interessante, mas nem sombra daquele de 82. Oscar havia perdido a posição, Júnior jogava no meio, Cerezo foi cortado dias antes da estreia, Sócrates e Zico andavam ‘baleados’ e Falcão era reserva. Ainda assim, não era ruim, longe disso. Carlos; Josimar, Júlio César, Edinho e Branco; Elzo, Alemão, Júnior (Silas) e Sócrates; Muller (Zico) e Careca.

Eu cobri a Copa pelo Estado e confesso que a tristeza foi bem menor do que a que senti no maldito Itália 3 x Brasil 2 disputado no Sarriá, quatro anos antes. Mesmo assim, deu frustração, por Telê, Zico, Sócrates, Falcão, Oscar, Júnior e tanta gente boa que de novo ficou pelo caminho… Passei a olhar com mais simpatia pela Argentina de Maradona, que jogou demais no México.

(Este comentário foi inspirado num post de meu amigo Sidney Garambone @garamba que li, há pouco, no Tuíter, e é também uma homenagem ao saudoso Edson Luiz dos Santos, o Magrão, meu companheiro naquela jornada mexicana.)

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