Futebol sempre cobra a presença de vilões e heróis. Pois bem, no clássico entre Cruzeiro e Corinthians, na tarde deste domingo, esses dois estereótipos deram o ar da graça. Montillo deixou o campo, na Arena do Jacaré, como o desastrado do dia, ao perder pênalti que poderia ter pelo menos garantido o empate. Paulinho ficou com as honras, ao marcar o gol da vitória por 1 a 0 que manteve sua equipe no topo da tabela.
Essas denominações muitas vezes são folclore. Mas no caso de Montillo se trata de injustiça e maldade. O argentino foi o melhor do Cruzeiro, senão o único a jogar bem (vá lá, coloco também Fábio nessa). E tinha tudo para se tornar um dos destaques do jogo. Ele correu, suou, armou, cobrou faltas, escanteios, deixou Keirrison na cara do gol no primeiro tempo. Enfim, levou o time nas costas.
No momento da consagração, mandou para o céu um pênalti inventado pelo juiz. Ok, justiça foi feita, pois a falta não existiu. Mas injustiça também prevaleceu, no que se refere a Montillo. Pior foi ver reações insensatas nas redes sociais. Teve gente que detectou má intenção do rapaz, porque estaria negociado com o Corinthians.
Esse foi balão de ensaio lançado em São Paulo, após a derrota para o Botafogo, que chegou a Minas. Montillo jogou muito, com seriedade. Se fosse venal, se fosse chinelinho, ficava em casa, se escondia. E tinha motivo de sobra, já que seu filhinho passa por momento de saúde delicada. Não se brinca com a honra das pessoas.
Montillo não tem de pagar o pato pela desintegração do Cruzeiro. Os erros se acumulam desde a eliminação na Libertadores e podem desembocar na queda para a Série B. O time novamente não foi bem – esse é o ponto central. Já o Corinthians não teve apresentação extraordinária. Para tranquilidade de Tite, funcionou a troca de Willian por Edenilson: no primeiro lance de que participou, surgiu o gol de Paulinho.
O Corinthians segue em primeiro, porém precisa ficar atento a suas oscilações. E, tem de abrir o olho, porque o quarteto carioca vem com tudo na briga pelo título.
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Cruzeiro e São Paulo fizeram um dos jogos mais movimentados do returno do Brasileiros. Seis gols, pênalti perdido, Denilson expulso pela terceira vez. Não faltou emoção nos 3 a 3 na Arena do Jacaré. Só que o resultado foi ruim para os dois. Para os mineiros, significa a permanência perto da zona de rebaixamento. Para os paulistas, o risco de perder pique na briga pelo título.
Fazia tempo que eu não via o Cruzeiro animado como no clássico desta quarta-feira. Não foi apático como em apresentações recentes. O São Paulo também teve velocidade, bom toque de bola, Luís Fabiano com ritmo melhor e mais entrosado. Ambos, porém, erraram pra burro, cochilaram em lances importantes e daí nasceram vários dos gols.
O primeiro escorregão foi na abertura do placar, com jogada de Montillo pela esquerda e o toque para Keirrison. A zaga não acompanhou e o centroavante só tocou para o gol aos 12 minutos. O São Paulo voltou a errar nos outros dois gols, ambos na etapa final e quando estava em vantagem: no lance do empate por 2 a 2, zaga e Rogério Ceni bateram cabeça e Charles mandou ver. Na jogada dos 3 a 3, cinco jogadores guardavam o primeiro pau, em cobrança de escanteio, e ninguém estava perto de Anselmo Ramon, que cumprimentou a bola de cabeça.
Nos gols do São Paulo, todos no segundo tempo, achei bobeada cruzeirense no primeiro, apesar da boa triangulação entre Dagoberto, Luís Fabiano e Cícero no toque para as redes. E também no terceiro, no levantamento para a área em que deixaram Juan livre para marcar. O segundo gol são-paulino foi uma obra-prima de Dagoberto, que fez uma fila antes de chutar.
Mas a maior mancada ficou para Paulo Godoy Bezerra. O juiz enxergou pênalti de Fábio em dividida com Cícero aos 29 do primeiro tempo e marcou pênalti. Não foi nada, o goleiro nem encostou no jogador do São Paulo. Para sorte do árbitro, Fábio defendeu a cobrança de Luís Fabiano. E Godoy foi bem na expulsão de Denilson, que se sente perseguido pelos juízes.
O Cruzeiro se salva, mas está com jeito de que será no sufoco. O São Paulo continuará na luta pelo hepta do Brasileiro. Só que precisa ser mais consistente e regular. Não dá para abusar da sorte nas rodadas que faltam.
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Diego Souza tem talento – isso não se discute. Só que às vezes foi supervalorizado e não teve estrutura para aguentar cobranças e responsabilidade. Foi assim no Palmeiras, onde aprontou poucas e boas até ser dispensado, e no Atlético-MG, com passagem sem brilho. Agora, vive fase extraordinária no Vasco, onde não é o astro da companhia.
O futebol do meia tem crescido junto com o do time, ao longo da temporada, e teve seu momento de brilho mais intenso neste domingo. Diego Souza arrasou no clássico com o Cruzeiro e fez os gols da vitória por 3 a 0. O terceiro, com direito a matada no peito, chapéu no goleiro Fábio e toque final de cabeça. Gol memorável, de placa, de craque.
Diego é um dos segredos para explicar a ascensão vascaína em 2011. Ele começou o ano em baixa, assim como o time, e se reencontrou, junto com Fernando Prass, Dedé, Rômulo, Elton e, mais tarde, com a chegada de Juninho Pernambucano. A primeira injeção de ânimo, depois de algumas surras no Estadual do Rio, veio com a conquista da Copa do Brasil. A segunda agora, com a liderança no Brasileiro, mesmo com o afastamento do técnico Ricardo Gomes.
O Vasco não é supertime, como não há nenhum na Série A nacional. Não inventa, mas joga de forma segura e soube aproveitar-se do fato de que, durante boa parte da competição, as atenções estavam voltadas para Corinthians, Flamengo e São Paulo. Sem alarde, subiu, encostou e deu o bote para a primeira colocação.
No bom duelo com o Cruzeiro, prevaleceu a confiança de um grupo que passou a acreditar em sua força. Situação inversa daquela que vive o Palestra mineiro, que se aproxima da zona de rebaixamento. Uma equipe sem tranqüilidade, mesmo que em alguns momentos tenha lampejos do futebol envolvente da primeira parte da Libertadores. Por que se perdeu?
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Gordurinhas em geral não são bem vistas. Uma das exceções está no futebol. Em campeonatos por pontos corridos, sobretudo, sempre é bom acumular ‘peso’ para queimar sem prejuízo. O Corinthians viu, na tarde deste domingo, o valor das nove vitórias e um empate nas dez rodadas iniciais. Perdeu para o Cruzeiro por 1 a 0, mas manteve a folga na liderança do Brasileiro.
A competência para fazer resultado desta vez foi do Cruzeiro. Joel Santana se mostrou ardiloso ao armar time retrancado e ao designar vários jogadores para atuarem como cães de guarda de adversários. Não foi por acaso que Jorge Henrique, Willian e Danilo tiveram pouca liberdade para agir. Com esse trio vigiado, diminuiu o poder de fogo corintiano. Por extensão, Emerson apareceu pouco no ataque.
O Corinthians teve o mérito da posse de bola. Até criou oportunidades, especialmente com Ralf, que algumas vezes tratou de surpreender, já que os demais estavam marcados. Ele participou de dois dos melhores momentos da equipe, com arremates fortes – um no primeiro tempo, outro no segundo, quando o Cruzeiro já estava em vantagem. Nessa segunda oportunidade, Fábio fez uma defesa espetacular.
O Cruzeiro parou o Corinthians como pôde, até com faltas seguidas. Apostou no erro, que quase não surgiu. Pelo menos não até 10 minutos do segundo tempo, quando Wallyson dividiu com Ralf e lascou uma bomba da intermediária. Renan se assustou com a bola a passar sobre sua cabeça e nem teve tempo de reação. Lindo gol.
O Corinthians se enroscou na eficiente estratégia do Cruzeiro, não soube aproveitar a vantagem de ter um jogador a mais, após a expulsão de Gilberto, e também pode agradecer a boa vontade do árbitro, que não deu pênalti na jogada em que Ramon desviou cruzamento com o braço.
A situação de Tite e sua turma é sossegada por causa dos 28 pontos conquistados anteriormente. E também pelo vacilos de concorrentes diretos. São Paulo e Fla empataram no sábado e o Palmeiras fez o favor de perder para o Flu. A sombra ainda não incomoda pelos lados do Parque São Jorge.
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Na manhã deste sábado, fiz um comentário aqui no blog em que questionava se a escalação de Rivaldo seria boa para ele e para o São Paulo. E prometia voltar ao tema agora à noite. Pois bem, a presença do craque veterano desde o início e quase até o finzinho do clássico de início de noite no Morumbi foi excelente para ambos.
O meia quase acabou com o jogo, na vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, assim como mostrou que não estava acabado como sugeria a resistência de Paulo César Carpegiani para lancá-lo no time com regularidade. O astro de 39 anos atuou com a cautela que o tempo e a qualidade lhe ensinaram. Soube dosar forças, segurou o fôlego e a bola quando necessário e provou que pode ser útil. Mais do que imaginava o ex-treinador.
O jogo foi divertido, movimentado, mais quente do que a gororoba do empate do Brasil com o Paraguai. O São Paulo precisava reagir, depois das três derrotas seguidas. O Cruzeiro vinha embalado com três vitórias consecutivas e estava de olho no bloco principal da classificação. Tecnicamente não foi excelente, mas teve ação. E era isso que o torcedor que enfrentou o gelo paulistano queria ver. E viu.
O São Paulo menos dizimado do que nas últimas apresentações sob comando de Carpegiani esteve mais confiante e objetivo. Sei lá se a temperatura baixa e a pressão alta influíram. Só sei que foi mais rápido e ligado do que nas derrotas recentes. Ficou em vantagem aos 20 minutos, com Dagoberto em jogada que teve participação de Rivaldo e Marlos e soube frear qualquer tentativa do Cruzeiro.
A vantagem logo no início da etapa final, com o gol de Marlos em passe de Rivaldo, deixou o São Paulo mais tranquilo. O Cruzeiro acelerou, forçou e esboçou reação quando Joel colocou Roger e Ortigoza nos lugares de Vitor e Thiago Ribeiro. O paraguaio Ortigoza no primeiro lance deixou Wallyson na cara do gol para diminuir.
O mérito do São Paulo foi o de não se abalar, ao contrário que vinha ocorrendo. Segurou a onda, mesmo com a insistência mineira, e alcançou a sexta vitória em nove rodadas. Com isso, recuperou o segundo lugar. Fica à espera de novo “chefe”.
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Algumas horas antes da final do Mundial de 2002, coloquei numa urna no Estádio de Yokohama meu voto para a escolha do melhor da competição. Não tive um segundo de dúvida para cravar o nome de Rivaldo. O meia arrasou na campanha do penta e, junto com Ronaldo, foi destaque do time de Felipão na Copa disputada na Ásia. (Ganhou o alemão Khan.) Quatro anos antes, na França, também tinha sido em minha opinião o mais eficiente com a “amarelinha”. É, portanto, daqueles jogadores para os quais tiro o chapéu.
Fiquei feliz ao vê-lo de volta ao Brasil, no início do ano, para defender o São Paulo. E me encantei com o gol que fez na estreia. Escrevi, com muito orgulho, que “esse sim é um fenômeno”. Houve ronaldistas obcecados que viram uma afronta naquele elogio. Bobagem e pobreza de espíritos, que nem Freud explicaria. Era homenagem a um astro e em nada diminuía outro gigante da bola. Enfim…
Passados alguns meses, agora interrogações dançam na minha cabeça. Será que Rivaldo tem fôlego e ritmo suficientes para comandar reação do São Paulo, num momento em que o time se encontra em baixa? Será que o peso da idade pesa, já que o tempo é implacável com qualquer um, até com craques indiscutíveis como ele? Se não arrasar no clássico com o Cruzeiro, dará razão para Carpegiani, que o esnobou? Estaria entre os extremos: acaba ou se acaba?
Não tenho respostas, nem a pretensão de prever nada. Como amante do futebol, ficarei feliz se no início da noite Rivaldo sair de campo aplaudido de pé. Ele merece, pelo conjunto da obra – e tomara venha a ser merecedor por comandar o time na retomada da briga pelo título nacional. Sei que é uma responsabilidade que Milton Cruz lhe jogou nas costas.
Era mais lógico e simples se entrasse aos poucos ainda com o ex-treinador. Não foi assim, e lamento. Agora, ao iniciar como titular é uma maneira, também, de o interino acalmar a torcida, que pedia o ídolo em campo havia tempo. Opção tática e estratégica, pois Milton está na dele – logo mais chega novo chefe e volta a ser auxiliar. Pra que se queimar com o público, então?
A presença de Rivaldo desde o início é atração adicional para o jogo, que promete ser quente na gelada São Paulo deste inverno. O tricolor amarga três derrotas consecutivas, perde espaço na classificação. O Cruzeiro acumula três vitórias enfileiradas e cresce com Joel Santana. Palpite? Triplo, evidentemente. Se bem que um empate não é nada fora de propósito.
Voltamos a conversar no final da noite.
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A oitava rodada do Campeonato Brasileiro começou com resultados importantes e que mostram tendências. O Cruzeiro de Joel Santana ganhou a terceira consecutiva, com os 2 a 0 sobre o Grêmio, e já está bem perto do bloco principal. O Inter de até outro dia contestado Falcão bateu o Atlético-PR e vai para o terceiro lugar. Os dois derrotados continuam à deriva.
Joel não descobriu a pólvora. Ao contrário, ele apenas soube acender o pavio do Cruzeiro, que andava apagado desde a eliminação na Taça Libertadores. O treinador, calejado na função, não inventou nada e tratou de recuperar a confiança de alguns titulares. Um deles, o argentino Montillo, uma das colunas do time que andava em baixa. O meia voltou a jogar bem e foi o autor dos gols contra o Grêmio, um em cada tempo, e é artilheiro do torneio, com 6 gols. Ainda participou de jogadas de ataque.
O Cruzeiro de Joel no papel é muito semelhante àquele de Cuca. Na prática, mudou. Se não é tão ofensivo quanto antes, também não se mostra apático como nas rodadas iniciais da Série A. A estagnação na zona de descenso era, de fato, passageira. É time para brigar pelas primeiras colocações em pouco tempo. Já o Grêmio precisa abrir o olho. Não adiantou muito a troca de comando; os erros continuam, embora tenha apresentado boa posse de bola no segundo tempo. Não adiantou nada, pois teve a bola, mas não criou.
O Inter também cumpriu seu papel em Porto Alegre e está no G-4, aquele tal da Libertadores. Não foi uma exibição de gala, especialmente no primeiro tempo (fraco de ambos os lados). Só que o Colorado já absorve mais a pressão e a ansiedade, ao contrário do que lhe ocorria algum tempo atrás, e teve paciência para vencer com gol de Oscar, liberado pela seleção Sub-20. O Atlético, com 1 ponto e futebol nada convincente, pode ir ligando o sinal de alerta…
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Disse várias vezes que a situação delicada do Cruzeiro era passageira e enganosa. Com Cuca ou sem ele, o time reagiria. Pois bem, o Cruzeiro renasce, agora sob o comando de Joel Santana. O “papai” descobriu a pólvora, tirou algum coelho (ops, raposa) da cartola, revolucionou o time? Nada disso. Só acalmou os jogadores, optou por esquema mais cauteloso e o resultado foram duas vitórias seguidas, a mais recente a desta noite, nos 3 a 0 sobre o Vasco.
O Vasco foi melhor no primeiro tempo, pressionou e teve chances de marcar. No segundo, o jogo seguia toada semelhante, mas mudou com o gol de Leandro Guerreiro aos 8 minutos. O Vasco sentiu, tentou reagir, voltou a criar oportunidades (numa delas Diego Souza e Fábio fez defesa extraordinária) e ainda levou mais dois gols no fim: no segundo, Montillo tocou entre as pernas de Dedé, antes de chutar para o gol, e o terceiro foi de Roger, de pênalti, em cima da hora.
Joel colocou o Cruzeiro em atitude mais defensiva – e espero que isso seja temporário, o suficiente apenas para a equipe resgatar a autoestima e subir na classificação, como já ocorreu. Pelos jogadores que tem, pode e deve jogar de forma mais solta, ousada. Como aconteceu nos primeiros meses do ano e sobretudo na fase de grupos da Libertadores. O Cruzeiro tem elenco para brigar pelo título. O Vasco continua a oscilar.
Olho vivo, Renato! O técnico Renato Gaúcho precisa preparar-se, porque já surgem mais críticas ao trabalho, pelo momento turbulento do Grêmio. O time suou para empatar em casa com o Avaí, por 2 a 2, depois de estar em desvantagem por 2 a 0. Além disso, já acumula quatro rodadas sem vencer (dois empates e duas derrotas).
Mesmo com a reação e o empate, o Grêmio deixou impressão negativa, porque cedeu pontos para time que está na zona de rebaixamento. Agora, com 8 pontos o tricolor fica em posição intermediária e pode descer mais, dependendo dos outros resultados. Se continuar nesse ritmo, Renato terá de ter santo forte para aguentar o tranco.
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Acompanhei há pouco entrevista de Cuca, em que tentou explicar o empate do Cruzeiro por 1 a 1 com os reservas do Santos, em casa. Não estava muito entusiasmado e soltou algumas frases que deram a entender que ligou o alarme pessoal. Normal. Ele está há muito tempo no futebol e sabe que, quando os resultados emperram, sobra invariavelmente para o treinador.
E os tropeços se acumulam no Cruzeiro, desde a eliminação na Libertadores, também em casa, pelo Once Caldas. Dali em diante, o time perdeu a confiança e não se acerta no Brasileiro. Em quatro rodadas, sofreu duas derrotas e empatou duas vezes. Muito pobre o saldo, que o deixa na zona de rebaixamento. Vai sair de lá, sem dúvida, mas incomoda. E a pressão existe.
Escrevi que enfrentar o time B do Santos era a chance de sair da lama – ou de pagar mico. O Cruzeiro ficou com a segunda opção. Para piorar, teve um jogador a mais durante quase todo o segundo tempo, com a expulsão de Vinicius aos 4 minutos. Na sequência, abriu vantagem, com o gol em pênalti cobrado por Montillo aos 8 minutos. Parecia que o nó seria desfeito.
Mas não foi. Mesmo com domínio de jogo, o que foi o tom no clássico em Sete Lagoas, tomou o empate, em gol de Borges quase no fim. Isso desmontou o time. O Cruzeiro saiu de campo pressionado, só que foi melhor do que o Santos. Isso, no entanto, não foi suficiente. O que carece, no momento, é de serenidade. E não sei se a demissão do treinador é o caminho.
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O Cruzeiro anda numa secura só, neste início de Campeonato Brasileiro. Não é à toa que está na 17.ª colocação, com 1 ponto e ao lado do Bahia. Só à frente, portanto, de Atlético-PR e Avaí, que não saíram do zero. Situação constrangedora para um time que até recentemente empolgava na Libertadores e era apontado até como candidato ao título continental.
Pois é justamente contra um finalista da Libertadores que o Cruzeiro tem a chance de iniciar a reação na Série A. Neste sábado, Cuca e seus rapazes recebem o Santos, na abertura da quarta rodada. Mas não é o Santos titular e sim a versão B, como se diz agora, com eufemismo, para time reserva. Muricy Ramalho, mui sensatamente, resolveu dar descanso aos principais astros da companhia, para ter todos em ordem no duelo de quarta-feira contra o Peñarol.
Oportunidade e tanto para o Cruzeiro mostrar que é falsa essa fase de turbulência, que começou com a eliminação diante do Once Caldas. O treinador terá formação bem diferente em relação àquela da derrota por 2 a 1 para o Fluminense – e mais forte. Voltam Fábio e Henrique, que estavam na seleção, Gilberto também retorna. Assim como Fabrício, que reaparece no meio-campo depois de sete meses de afastamento. Victorino está com a seleção do Uruguai e Thiago Ribeiro fica fora.
Acredito no Cruzeiro, para mim ainda é um dos fortes concorrentes no Brasileiro. Não há motivo para desespero e tem tempo de sobra para a recuperação. De qualquer modo, jogos como este são traiçoeiros, por motivo óbvio e manjado. Os reservas do Santos entrarão doidos para mostrar que mereciam estar no time de cima – e nada mais adequado do complicar um adversário de peso. O que significa que o clássico em Sete Lagoas, a partir das 18h30, poderá ser emocionante. Daí o risco de virar mico, se o Cruzeiro vacilar. Se isso acontecer, então Cuca prepare os ouvidos.
Torço para isso. Assim como torço para que o Santos se comporte, contra o Peñarol, como Muricy me disse, em entrevista publicada nesta sexta-feira, no Estadão: “Quero o time ligado, mas não pilhado. Libertadores é futebol e não guerra.” É isso. O Santos pode ganhar na bola e deixar pra lá essa história de que o título sul-americano se ganha no tapa.
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