A história é velha, mas sempre dá o que pensar. Vagner Mancini demitiu-se do cargo de técnico do Cruzeiro minutos depois da eliminação na Copa do Brasil. A derrota em casa para o Atlético-PR foi a gota d’água para a saída, depois de sete meses de clube. O presidente Gilvan Tavares estava ao lado e ouviu a breve explicação do profissional que pegou o boné. Até aí, tudo se passou conforme manda o figurino nessas ocasiões.
O que me chamou a atenção veio em seguida. Mancini não queria da entrevista, mas cedeu à insistência dos repórteres, respondeu a duas perguntas e ficou mais um tempo na sala de imprensa para ouvir o que o cartola tinha a dizer. Tavares admitiu que vinha sendo pressionado, por manter o demissionário, e deixou escapar que o clube já negociava com “alguns nomes” para reposição. Epa!
Eis o ponto: o Cruzeiro tinha um técnico em atividade normal, pelo menos na aparência, mas paralelamente entrava em contato com este ou com aquele para sondar se topava o emprego. Quer dizer, enquanto ouvia palavras de conforto – sei lá, algo como “Confiamos em você” –, Mancini era fritado em fogo nada brando. Achava que tinha respaldo de gente que apostava em “projeto” e, pelas costas, estava sendo empurrado para a boca do forno.
Não quero discutir se o trabalho do Mancini era satisfatório. Estava na média, e dentro de limitações atuais do Cruzeiro, mas não vem ao caso. A questão é a seguinte: é correto fingir que tudo vai bem e manobrar para a queda do treinador? Não se trata de hipocrisia?
O episódio revela pela enésima vez como faltam confiança e respeito na relação entre treinador e clube – e isso é recíproco. Um e outro sabem, desde o início, que a parceria será marcada em geral por meias palavras, olhar enviesado e cobranças. São raros os dirigentes que seguram o rojão, quando o time oscila, e a solução mais óbvia é dispensar o técnico.
Fala-se que é da vida. Ok. Por isso, também, não se chamar um treinador de mercenário, se ele abandona o time durante uma competição por ter recebido oferta melhor. Como provavelmente ocorrerá com aquele que vier a ser contratado para o lugar de Mancini. E assim o círculo vicioso jamais se romperá. E ainda falam em profissionalismo, planejamento e outros blablablás sem conteúdo…
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O mundo está de cabeça para baixo. Pelo menos é o que dão a entender protestos de jogadores do Vasco e do Cruzeiro. Elencos dois times tradicionalíssimos andam irritados com atrasos nos salários e resolveram botar a boca no trombone. Os cariocas recusaram concentração para o jogo com o Bangu e os mineiros divulgaram carta em que lamentam declarações pouco sutis do presidente do clube ao falar de pagamentos.
O Cruzeiro está com rombo no caixa e não depositou o dinheiro da turma no dia combinado. Os atletas não interromperam a programação de treinos, mas um empresário fez a informação tornar-se pública. Daí aparece o presidente Gilvan de Pinho Tavares para explicar a situação. Para mostrar que o fato não seria tão grave ou preocupante, o cartola optou pela galhofa, em entrevista coletiva. Para tanto, observou que esses empregados estão preocupados porque “ganham uma miséria, que vai fazer falta”.
Salário é sagrado para quem trabalha. Não importa se as cifras são altas ou baixas. Sejam 100 reais, sejam 1 milhao, o que está acertado, o que consta em contrato, precisa ser honrado. O Cruzeiro tem o direito de não aceitar pretensões salarias, na hora de fazer o convite para um jogador integrar seu elenco. Mas, uma vez fechada a negociação, não pode descumprir sua parte. Muito menos pode fazer ironia a respeito do tema.
Ao agir dessa maneira, o dirigente dá a entender que o clube faz um favor ao pagar salários. Parece que administrar uma agremiação seria um passatempo e que todos os envolvidos estão a divertir-se. Uma grande brincadeira, em que o dinheiro é de mentirinha. Os jogadores reagiram e criticaram a postura. E reagiram com elegância.
O pessoal do Vasco foi um pouco mais duro, porque reclama vencimentos de dezembro, 13.º e parte dos direitos de imagem. Houve promessas de quitação, não cumpridas. Por isso, a decisão de se apresentarem apenas na manhã desta quarta-feira, para o jogo da noite com o Bangu pela primeira fase do Estadual do Rio.
A tomada de consciência dos jogadores é definitiva? Tomara. A época das senzalas acabou em 13 de maio de 1888. Ou pelo menos assim é o que diz a história do Brasil.
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Cruzeiro e Palmeiras são duas das maiores instituições do futebol brasileiro e têm origem comum. Ambos foram fundados por imigrantes italianos e seus descendentes. Os Palestra Itália levaram décadas para se firmar. Agora, rezam para que o ano termine logo, se possível sem humilhações maiores. Os dois descem a ladeira da Série A, sem freios, e têm o rebaixamento como ameaça sempre mais próxima.
A situação pior é a do Palestra mineiro. O Cruzeiro desmorona, e não é de agora. Desde a eliminação na Libertadores não encontrou mais o rumo. O que parecia crise passageira de identidade se transformou em indigência dentro de campo. A prova de descontrole, insegurança e limitação veio com a surra de5 a1 para o Flamengo no Engenhão. E, de quebra, a entrada no bloco dos quatro últimos, ou seja, na turma do descenso.
O Cruzeiro ensaiou surpresa ao ficar em vantagem com gol de Anselmo Ramon aos 22 minutos. E ainda poderia ter aumentado, se Vitorino não desperdiçasse pênalti aos 30. O Flamengo reagiu com Deivid aos 35 minutos e virou com outro do centroavante aos 3 da etapa final. O Cruzeiro sentiu o baque, se desmilinguiu e abriu caminho para Thiago Neves completar a farra, com gols aos 9, 12 e 24. Anselmo Ramon levou vermelho aos 28.
O roteiro do Palmeiras contra o Coritiba, na Arena Barueri, não foi muito diferente. Com uma diferença: o time de Felipão mal incomodou o goleiro Vanderlei. A equipe paranaense foi mais segura e objetiva desde o começo, criou chances, soube aproveitar pelo menos duas – uma com Davi no primeiro tempo e outra com Leandro no segundo – e o desespero palmeirense fez o resto.
O Palmeiras ainda ficou sem João Vitor, expulso (justo ele, que foi pivô de briga com torcida), e limitou seu repertório a Marcos Assunção e suas bolas paradas. Numa pobreza técnica de dar dó. Saiu de campo cabisbaixo, vaiado, humilhado.
Só falta Felipão ou jogadores dizerem de novo que se sentem envergonhados. Pode até ser. Mas a vergonha maior não é deles, e sim de milhões de palmeirenses. Triste.
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Futebol sempre cobra a presença de vilões e heróis. Pois bem, no clássico entre Cruzeiro e Corinthians, na tarde deste domingo, esses dois estereótipos deram o ar da graça. Montillo deixou o campo, na Arena do Jacaré, como o desastrado do dia, ao perder pênalti que poderia ter pelo menos garantido o empate. Paulinho ficou com as honras, ao marcar o gol da vitória por 1 a 0 que manteve sua equipe no topo da tabela.
Essas denominações muitas vezes são folclore. Mas no caso de Montillo se trata de injustiça e maldade. O argentino foi o melhor do Cruzeiro, senão o único a jogar bem (vá lá, coloco também Fábio nessa). E tinha tudo para se tornar um dos destaques do jogo. Ele correu, suou, armou, cobrou faltas, escanteios, deixou Keirrison na cara do gol no primeiro tempo. Enfim, levou o time nas costas.
No momento da consagração, mandou para o céu um pênalti inventado pelo juiz. Ok, justiça foi feita, pois a falta não existiu. Mas injustiça também prevaleceu, no que se refere a Montillo. Pior foi ver reações insensatas nas redes sociais. Teve gente que detectou má intenção do rapaz, porque estaria negociado com o Corinthians.
Esse foi balão de ensaio lançado em São Paulo, após a derrota para o Botafogo, que chegou a Minas. Montillo jogou muito, com seriedade. Se fosse venal, se fosse chinelinho, ficava em casa, se escondia. E tinha motivo de sobra, já que seu filhinho passa por momento de saúde delicada. Não se brinca com a honra das pessoas.
Montillo não tem de pagar o pato pela desintegração do Cruzeiro. Os erros se acumulam desde a eliminação na Libertadores e podem desembocar na queda para a Série B. O time novamente não foi bem – esse é o ponto central. Já o Corinthians não teve apresentação extraordinária. Para tranquilidade de Tite, funcionou a troca de Willian por Edenilson: no primeiro lance de que participou, surgiu o gol de Paulinho.
O Corinthians segue em primeiro, porém precisa ficar atento a suas oscilações. E, tem de abrir o olho, porque o quarteto carioca vem com tudo na briga pelo título.
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Cruzeiro e São Paulo fizeram um dos jogos mais movimentados do returno do Brasileiros. Seis gols, pênalti perdido, Denilson expulso pela terceira vez. Não faltou emoção nos 3 a 3 na Arena do Jacaré. Só que o resultado foi ruim para os dois. Para os mineiros, significa a permanência perto da zona de rebaixamento. Para os paulistas, o risco de perder pique na briga pelo título.
Fazia tempo que eu não via o Cruzeiro animado como no clássico desta quarta-feira. Não foi apático como em apresentações recentes. O São Paulo também teve velocidade, bom toque de bola, Luís Fabiano com ritmo melhor e mais entrosado. Ambos, porém, erraram pra burro, cochilaram em lances importantes e daí nasceram vários dos gols.
O primeiro escorregão foi na abertura do placar, com jogada de Montillo pela esquerda e o toque para Keirrison. A zaga não acompanhou e o centroavante só tocou para o gol aos 12 minutos. O São Paulo voltou a errar nos outros dois gols, ambos na etapa final e quando estava em vantagem: no lance do empate por 2 a 2, zaga e Rogério Ceni bateram cabeça e Charles mandou ver. Na jogada dos 3 a 3, cinco jogadores guardavam o primeiro pau, em cobrança de escanteio, e ninguém estava perto de Anselmo Ramon, que cumprimentou a bola de cabeça.
Nos gols do São Paulo, todos no segundo tempo, achei bobeada cruzeirense no primeiro, apesar da boa triangulação entre Dagoberto, Luís Fabiano e Cícero no toque para as redes. E também no terceiro, no levantamento para a área em que deixaram Juan livre para marcar. O segundo gol são-paulino foi uma obra-prima de Dagoberto, que fez uma fila antes de chutar.
Mas a maior mancada ficou para Paulo Godoy Bezerra. O juiz enxergou pênalti de Fábio em dividida com Cícero aos 29 do primeiro tempo e marcou pênalti. Não foi nada, o goleiro nem encostou no jogador do São Paulo. Para sorte do árbitro, Fábio defendeu a cobrança de Luís Fabiano. E Godoy foi bem na expulsão de Denilson, que se sente perseguido pelos juízes.
O Cruzeiro se salva, mas está com jeito de que será no sufoco. O São Paulo continuará na luta pelo hepta do Brasileiro. Só que precisa ser mais consistente e regular. Não dá para abusar da sorte nas rodadas que faltam.
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Diego Souza tem talento – isso não se discute. Só que às vezes foi supervalorizado e não teve estrutura para aguentar cobranças e responsabilidade. Foi assim no Palmeiras, onde aprontou poucas e boas até ser dispensado, e no Atlético-MG, com passagem sem brilho. Agora, vive fase extraordinária no Vasco, onde não é o astro da companhia.
O futebol do meia tem crescido junto com o do time, ao longo da temporada, e teve seu momento de brilho mais intenso neste domingo. Diego Souza arrasou no clássico com o Cruzeiro e fez os gols da vitória por 3 a 0. O terceiro, com direito a matada no peito, chapéu no goleiro Fábio e toque final de cabeça. Gol memorável, de placa, de craque.
Diego é um dos segredos para explicar a ascensão vascaína em 2011. Ele começou o ano em baixa, assim como o time, e se reencontrou, junto com Fernando Prass, Dedé, Rômulo, Elton e, mais tarde, com a chegada de Juninho Pernambucano. A primeira injeção de ânimo, depois de algumas surras no Estadual do Rio, veio com a conquista da Copa do Brasil. A segunda agora, com a liderança no Brasileiro, mesmo com o afastamento do técnico Ricardo Gomes.
O Vasco não é supertime, como não há nenhum na Série A nacional. Não inventa, mas joga de forma segura e soube aproveitar-se do fato de que, durante boa parte da competição, as atenções estavam voltadas para Corinthians, Flamengo e São Paulo. Sem alarde, subiu, encostou e deu o bote para a primeira colocação.
No bom duelo com o Cruzeiro, prevaleceu a confiança de um grupo que passou a acreditar em sua força. Situação inversa daquela que vive o Palestra mineiro, que se aproxima da zona de rebaixamento. Uma equipe sem tranqüilidade, mesmo que em alguns momentos tenha lampejos do futebol envolvente da primeira parte da Libertadores. Por que se perdeu?
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Gordurinhas em geral não são bem vistas. Uma das exceções está no futebol. Em campeonatos por pontos corridos, sobretudo, sempre é bom acumular ‘peso’ para queimar sem prejuízo. O Corinthians viu, na tarde deste domingo, o valor das nove vitórias e um empate nas dez rodadas iniciais. Perdeu para o Cruzeiro por 1 a 0, mas manteve a folga na liderança do Brasileiro.
A competência para fazer resultado desta vez foi do Cruzeiro. Joel Santana se mostrou ardiloso ao armar time retrancado e ao designar vários jogadores para atuarem como cães de guarda de adversários. Não foi por acaso que Jorge Henrique, Willian e Danilo tiveram pouca liberdade para agir. Com esse trio vigiado, diminuiu o poder de fogo corintiano. Por extensão, Emerson apareceu pouco no ataque.
O Corinthians teve o mérito da posse de bola. Até criou oportunidades, especialmente com Ralf, que algumas vezes tratou de surpreender, já que os demais estavam marcados. Ele participou de dois dos melhores momentos da equipe, com arremates fortes – um no primeiro tempo, outro no segundo, quando o Cruzeiro já estava em vantagem. Nessa segunda oportunidade, Fábio fez uma defesa espetacular.
O Cruzeiro parou o Corinthians como pôde, até com faltas seguidas. Apostou no erro, que quase não surgiu. Pelo menos não até 10 minutos do segundo tempo, quando Wallyson dividiu com Ralf e lascou uma bomba da intermediária. Renan se assustou com a bola a passar sobre sua cabeça e nem teve tempo de reação. Lindo gol.
O Corinthians se enroscou na eficiente estratégia do Cruzeiro, não soube aproveitar a vantagem de ter um jogador a mais, após a expulsão de Gilberto, e também pode agradecer a boa vontade do árbitro, que não deu pênalti na jogada em que Ramon desviou cruzamento com o braço.
A situação de Tite e sua turma é sossegada por causa dos 28 pontos conquistados anteriormente. E também pelo vacilos de concorrentes diretos. São Paulo e Fla empataram no sábado e o Palmeiras fez o favor de perder para o Flu. A sombra ainda não incomoda pelos lados do Parque São Jorge.
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Na manhã deste sábado, fiz um comentário aqui no blog em que questionava se a escalação de Rivaldo seria boa para ele e para o São Paulo. E prometia voltar ao tema agora à noite. Pois bem, a presença do craque veterano desde o início e quase até o finzinho do clássico de início de noite no Morumbi foi excelente para ambos.
O meia quase acabou com o jogo, na vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, assim como mostrou que não estava acabado como sugeria a resistência de Paulo César Carpegiani para lancá-lo no time com regularidade. O astro de 39 anos atuou com a cautela que o tempo e a qualidade lhe ensinaram. Soube dosar forças, segurou o fôlego e a bola quando necessário e provou que pode ser útil. Mais do que imaginava o ex-treinador.
O jogo foi divertido, movimentado, mais quente do que a gororoba do empate do Brasil com o Paraguai. O São Paulo precisava reagir, depois das três derrotas seguidas. O Cruzeiro vinha embalado com três vitórias consecutivas e estava de olho no bloco principal da classificação. Tecnicamente não foi excelente, mas teve ação. E era isso que o torcedor que enfrentou o gelo paulistano queria ver. E viu.
O São Paulo menos dizimado do que nas últimas apresentações sob comando de Carpegiani esteve mais confiante e objetivo. Sei lá se a temperatura baixa e a pressão alta influíram. Só sei que foi mais rápido e ligado do que nas derrotas recentes. Ficou em vantagem aos 20 minutos, com Dagoberto em jogada que teve participação de Rivaldo e Marlos e soube frear qualquer tentativa do Cruzeiro.
A vantagem logo no início da etapa final, com o gol de Marlos em passe de Rivaldo, deixou o São Paulo mais tranquilo. O Cruzeiro acelerou, forçou e esboçou reação quando Joel colocou Roger e Ortigoza nos lugares de Vitor e Thiago Ribeiro. O paraguaio Ortigoza no primeiro lance deixou Wallyson na cara do gol para diminuir.
O mérito do São Paulo foi o de não se abalar, ao contrário que vinha ocorrendo. Segurou a onda, mesmo com a insistência mineira, e alcançou a sexta vitória em nove rodadas. Com isso, recuperou o segundo lugar. Fica à espera de novo “chefe”.
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Algumas horas antes da final do Mundial de 2002, coloquei numa urna no Estádio de Yokohama meu voto para a escolha do melhor da competição. Não tive um segundo de dúvida para cravar o nome de Rivaldo. O meia arrasou na campanha do penta e, junto com Ronaldo, foi destaque do time de Felipão na Copa disputada na Ásia. (Ganhou o alemão Khan.) Quatro anos antes, na França, também tinha sido em minha opinião o mais eficiente com a “amarelinha”. É, portanto, daqueles jogadores para os quais tiro o chapéu.
Fiquei feliz ao vê-lo de volta ao Brasil, no início do ano, para defender o São Paulo. E me encantei com o gol que fez na estreia. Escrevi, com muito orgulho, que “esse sim é um fenômeno”. Houve ronaldistas obcecados que viram uma afronta naquele elogio. Bobagem e pobreza de espíritos, que nem Freud explicaria. Era homenagem a um astro e em nada diminuía outro gigante da bola. Enfim…
Passados alguns meses, agora interrogações dançam na minha cabeça. Será que Rivaldo tem fôlego e ritmo suficientes para comandar reação do São Paulo, num momento em que o time se encontra em baixa? Será que o peso da idade pesa, já que o tempo é implacável com qualquer um, até com craques indiscutíveis como ele? Se não arrasar no clássico com o Cruzeiro, dará razão para Carpegiani, que o esnobou? Estaria entre os extremos: acaba ou se acaba?
Não tenho respostas, nem a pretensão de prever nada. Como amante do futebol, ficarei feliz se no início da noite Rivaldo sair de campo aplaudido de pé. Ele merece, pelo conjunto da obra – e tomara venha a ser merecedor por comandar o time na retomada da briga pelo título nacional. Sei que é uma responsabilidade que Milton Cruz lhe jogou nas costas.
Era mais lógico e simples se entrasse aos poucos ainda com o ex-treinador. Não foi assim, e lamento. Agora, ao iniciar como titular é uma maneira, também, de o interino acalmar a torcida, que pedia o ídolo em campo havia tempo. Opção tática e estratégica, pois Milton está na dele – logo mais chega novo chefe e volta a ser auxiliar. Pra que se queimar com o público, então?
A presença de Rivaldo desde o início é atração adicional para o jogo, que promete ser quente na gelada São Paulo deste inverno. O tricolor amarga três derrotas consecutivas, perde espaço na classificação. O Cruzeiro acumula três vitórias enfileiradas e cresce com Joel Santana. Palpite? Triplo, evidentemente. Se bem que um empate não é nada fora de propósito.
Voltamos a conversar no final da noite.
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A oitava rodada do Campeonato Brasileiro começou com resultados importantes e que mostram tendências. O Cruzeiro de Joel Santana ganhou a terceira consecutiva, com os 2 a 0 sobre o Grêmio, e já está bem perto do bloco principal. O Inter de até outro dia contestado Falcão bateu o Atlético-PR e vai para o terceiro lugar. Os dois derrotados continuam à deriva.
Joel não descobriu a pólvora. Ao contrário, ele apenas soube acender o pavio do Cruzeiro, que andava apagado desde a eliminação na Taça Libertadores. O treinador, calejado na função, não inventou nada e tratou de recuperar a confiança de alguns titulares. Um deles, o argentino Montillo, uma das colunas do time que andava em baixa. O meia voltou a jogar bem e foi o autor dos gols contra o Grêmio, um em cada tempo, e é artilheiro do torneio, com 6 gols. Ainda participou de jogadas de ataque.
O Cruzeiro de Joel no papel é muito semelhante àquele de Cuca. Na prática, mudou. Se não é tão ofensivo quanto antes, também não se mostra apático como nas rodadas iniciais da Série A. A estagnação na zona de descenso era, de fato, passageira. É time para brigar pelas primeiras colocações em pouco tempo. Já o Grêmio precisa abrir o olho. Não adiantou muito a troca de comando; os erros continuam, embora tenha apresentado boa posse de bola no segundo tempo. Não adiantou nada, pois teve a bola, mas não criou.
O Inter também cumpriu seu papel em Porto Alegre e está no G-4, aquele tal da Libertadores. Não foi uma exibição de gala, especialmente no primeiro tempo (fraco de ambos os lados). Só que o Colorado já absorve mais a pressão e a ansiedade, ao contrário do que lhe ocorria algum tempo atrás, e teve paciência para vencer com gol de Oscar, liberado pela seleção Sub-20. O Atlético, com 1 ponto e futebol nada convincente, pode ir ligando o sinal de alerta…
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