O Atlético-MG tem jogado o fino da bola. É preciso reconhecer que a rapaziada de Cuca sobra diante de adversários, domésticos, nacionais e internacionais. Na Libertadores, atropelou o São Paulo duas vezes e fica à espera de rival para as quartas de final. No Mineiro, está a um passo do título, após os 3 a 0 de hoje sobre o Cruzeiro.
O clássico no Independência foi mais uma demonstração do requinte com que Ronaldinho Gaúcho e companhia desfilam pelos gramados. Apesar de pegado e duro no primeiro tempo, com sete cartões amarelos, o Galo foi superior, criou as melhores oportunidades e ficou em vantagem, com o gol de Jô.
Não mudou o panorama na etapa final. Quer dizer, até melhorou para o Atlético, com a expulsão de Bruno Rodrigou aos 9, depois de levar o segundo amarelo. O Cruzeiro ensaiou reagir, mas não teve como; ao contrário, ao se abrir, dava espaço para contragolpes do Atlético. E a tarefa foi liquidada com gols de Tardelli e Marcos Rocha.
Até o juiz sentiu o peso do Atlético. Luis Flávio de Oliveira passou o bastão para o reserva, dez minutos antes do final, por contusão na coxa. Perdeu os derradeiros momentos de mais uma exibição da equipe que, no momento, regala o público com o futebol mais divertido e contundente do país.
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Quem disse que torcedores do Cruzeiro e do Atlético não conseguem unir-se? Ainda mais num dia em que as duas equipes medem forças? Pois, os fãs dos maiores times de Minas fizeram coro conjunto, neste domingo, por uma causa comum: o desrespeito com que foram tratados no novo Mineirão, um dos primeiros estádios a ficarem prontos para a Copa do Mundo de 14.
Pronto?! Isso é modo de dizer, força de expressão, retórica para exaltar eficiência oficial. O concreto de fato foi levantado, o elefante está vistoso, bonito, reluzindo. Um luxo de mais de 700 milhões de reais. Uma casa para dar orgulho para o povo mineiro. A prova de que o trabalho foi feito com afinco, sem enrolação e dentro dos prazos.
Tudo bacana, mas só no discurso, na conversa fiada, na propaganda populista, no marketing. Porque, na prática, o que se viu neste domingo foi uma sucessão de erros, de improvisos, de descaso. De abuso, contra a paciência, a boa fé, o bolso do consumidor. O torcedor foi tratado, mais uma vez, com desrespeito, como cidadão de quinta categoria. Como lixo.
O relato não é meu, mas dos muitos companheiros que estiveram no Mineirão. Quem faz essa afirmação não sou eu, mas os torcedores, de Galo e Raposa, que se animaram a ver suas equipes na casa recém-inaugurada, na “arena” (abomino essa denominação) de Primeira Mundo, e se sentiram enganados, iludidos, logrados. Está nos sites, está nas redes sociais.
É estarrecedor o que se lê e se vê: confusão no entorno, trânsito caótico, falta de informação para localização dos assentos, problemas com ingressos. E sobretudo infraestrutura precária. Faltou água para beber, água para os banheiros. Faltou comida para o público comprar, houve abuso de ambulantes. Um refrigerante por 6, 8 reais?! Um copinho de água por 4! Um salgadinho, desses bem meia-boca, por 10 reais?! Estacionamento por 30 reais?!?!
O que é isso? Como querem estimular a convivência das torcidas, como querem mudar o perfil do frequentador, como imaginam alterar o comportamento de quem frequenta estádios, se são vistos como ralé, como gentinha? Como exigir atitude cavalheiresca de quem se desespera porque levou o filho pequeno para divertir-se e o viu chorando porque não havia água?
Não cola a conversa de que são pequenos ajustes a serem feitos. Isso não convence mais. Não foram feitos estudos para a obra? Não houve licitação para explorar a área comercial? Não houve exigências mínimas para o atendimento do cliente? Não se prometeu uma estrutura digna? Para onde empurraram esses compromissos?
O novo Mineirão ressurge, com velhos hábitos. Hábitos reprováveis numa conjuntura antiga – até vistos como consequência de desgaste, de mentalidade superada. Tinha um quê de folclórico até. Agora, com o dinheiro que se gastou e com a proposta de modernização, isso é de se lamentar. E ainda nos empurram goela abaixo slogans do tipo “Imagine a festa!”
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Torcedor gosta de pegar no pé de craque do time adversário, pra ver se consegue irritá-lo e, assim, tirar a concentração dele. Às vezes, dá certo. Na maioria dos casos, porém, esse comportamento só atiça a fera e o resultado é devastador. O tiro sai pela culatra.
O Cruzeiro foi vítima desse estratagema na noite de sábado. Assim que Neymar botou os pés no gramado do Estádio Independência, ouviu assobios e coros pouco gentis. Mal tocava na bola, as vaias se repetiam. Ele era o alvo preferido do torcedor mineiro. Nem ligou.
Aliás, não só pouco se importou com as provocações como fez o que se espera de um jogador acima da média: jogou muito. Fez três gols e deu o passe para mais um, na goleada por 4 a 0. Sem contar que perdeu pelo menos mais duas chances e arrematou diversas vezes. Deixou Fábio sem saber o que fazer, assim como desmontou a defesa rival.
Ou seja, mais uma vez funcionou a tática predileta do Santos de Muricy Ramalho: aguentar a pressão, roubar a bola e mandá-la para Neymar, à espera de que ele resolva. E, como costuma acontecer, ele deu conta do recado e saiu de campo consagrado como o melhor da partida.
O mais bacana, porém, veio assim que soou o apito final: Neymar trocou a camisa, como de praxe, e ouviu aplausos vindos das arquibancadas. De alguns torcedores santistas, é verdade. Mas de muitos fãs do Cruzeiro. Que não são bobos nem nada e souberam reconhecer o trabalho do craque.
Isso é futebol, feito de provocação, mas feito essencialmente de reconhecimento a quem tem valor. E foi o que fez a torcida do Cruzeiro em relação a Neymar.
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O Campeonato Brasileiro chegou a um estágio em que há equipes sem muito o que fazer. Não almejam título nem vaga para a Libertadores. Ao mesmo tempo, são remotas as chances de rebaixamento. Por isso, ficam no lusco-fusco, no chove não molha, à espera do fim do ano. Em geral, é um tédio acompanhar os jogos de equipes nessa situação.
Casos de Santos e Cruzeiro. Ambos têm agora 43 pontos, depois de 33 jogos disputados, e não vai pra lugar nenhum. Parece que se arrastam e não veem a hora de sair de férias de fato. Porque, na prática, já botaram o pé no freio. Por isso, voltaram a decepcionar nesta quinta, em partidas antecipadas da rodada que prossegue no fim de semana e vai até a outra quarta.
O Cruzeiro perdeu para a Ponte Preta por 1 a 0, em Campinas, e aparentemente sequer se abalou. Passou a maior parte do jogo absorto, alheio ao que ocorria ao redor, como na derrota para o Palmeiras, dias atrás. Foi visitante cordial, bem comportado, não deu trabalho para o anfitrião. Tomou o gol (Roger) aos 34 minutos do primeiro tempo, assustou-se um pouco, mas bem pouco, esboçou reação, mas viu que estava difícil e ficou por isso mesmo. Melhor para a Ponte, que também foi a 43 pontos e está aliviada.
O Santos não foi muito diferente. Recebeu o Náutico, para público pequeno na Vila Belmiro, e só não foi o horror como no domingo, em derrota para a Ponte Preta. Mas ficou perto disso. No primeiro tempo, sobretudo, jogou uma bola bem murcha, e só não ficou em desvantagem porque Kieza perdeu pênalti, que resvalou na trave.
No segundo, melhorou um pouco e, em dois lances, esbarrou no goleiro Gideão. No mais, tocou pra cá e pra lá, correu, sem objetivo. Jogo truncado, feio, que interessou ao time pernambucano, que se contentava pelo menos com um ponto (foi a 42) e está perto também de ficar “a passeio”.
Neymar, que caiu muito e jogou isolado, saiu de campo bravo com os companheiros, ao reclamar que tem gente que não se mexe. Reclamou bem. O Santos caminha para terminar o ano do centenário apagadinho, apagadinho.
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O Palmeiras continua na parte de baixo da tabela. Não sai da zona de rebaixamento tão já. Mas voltou a ter esperança de salvação, com a vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro, na noite deste sábado, em Araraquara. Os gols que mantiveram vivo o sonho de reagir na arrancada final do Brasileiro foram marcados por Barcos, ambos no segundo tempo.
O argentino e Marcos Assunção voltaram a desequilibrar e se firmam cada vez mais como as referências de um grupo com poucas estrelas. O volante e capitão jogou na base do esforço e aquém das condições físicas ideais. Mesmo assim, foi decisivo, pois de uma cobrança de falta, sua marca registrada, nasceu o primeiro dos gols de Barcos, na metade do segundo tempo. Além disso, foi importante para cadenciar o ritmo da equipe.
Barcos vive período extraordinário da carreira, e não foi por acaso que passou a ter chances na seleção do país dele. Tem sido o jogador mais importante no ataque verde. E não só pelos gols, também pela movimentação, os passes, a maneira como atrai marcadores. Quando está em campo, comprovadamente melhora a produção do time. Dizem que andou pedindo aumento – se o fez, tem todo direito e com toda razão. Esse merece, porque tem alta produtividade.
O Palmeiras não foi exuberante, e nem seria diferente. Na fase em que se encontra o importante é vencer, sair do sufoco, chegar às rodadas finais em condições de safar-se do rebaixamento. Gilson Kleina optou por formação aparentemente ofensiva, com Barcos, Betinho e Luan mais adiantados, enquanto Márcio Araújo, Patrik Vieira e Marcos Assunção cuidavam de fechar espaços. A defesa em uma linha de quatro.
Estratégia simples, sem nenhuma invenção, e que deu certo. Funcionou também porque o Cruzeiro outra vez se mostrou tímido, raras vezes tomou iniciativa, criou pouco, não incomodou Bruno, que fez só uma defesa mais destacada. Por isso, circula pelo meio da tabela e não tem pretensões maiores, nem mesmo para brigar por vaga na Libertadores.
Melhor para o Palmeiras, que foi a 32 pontos e ficou a quatro de distância do Bahia. Recebeu ajuda adicional do Corinthians, com o empate de 1 a 1 com os baianos. Já é alguma coisa. Agora, precisa fazer a parte dele contra Internacional, Botafogo, Fluminense, Flamengo, Atlético-GO e Santos. Difícil? Sim, mas não impossível.
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Li há pouco artigo assinado por José Geraldo Azevedo, no site “Justiça Desportiva”, em que se revela que a Comissão de Arbitragem da CBF decidiu afastar alguns juízes e bandeirinhas por erros cometidos no final de semana, na 30.ª rodada do Brasileiro. Sobrou para os apitadores dos jogos de Fluminense, Atlético-MG e Flamengo, os que mais renderam polêmicas. A turma passará por reciclagem, a maneira mais moderna e polida da velha e manjada “geladeira”.
Um dos atingidos é Nielsen Nogueira Dias, que cometeu lambanças bravas e que resultaram na virada do Fluminense sobre a Ponte Preta, em São Januário. O líder jogou mais do que o time campineiro, mas saiu do 1 a 0 para os 2 a 1 por decisões polêmicas e, pelo menos a segunda, equivocadas.
Por motivo semelhante, sai de cena Flávio Guerra, que esteve no comando de Atlético-MG 2 x Sport 1, também de virada. Os responsáveis pela arbitragem entenderam que ele foi mal ao ignorar dois lances que os pernambucanos reclamaram como pênaltis a seu favor.
O terceiro a levar um gancho, sempre segundo informações iniciais do “Justiça Desportiva”, é o auxiliar Bruno Boschilia, que anulou gol legítimo de Liedson, no sábado, no empate do Flamengo com o Cruzeiro.
Os três casos tiveram muita repercussão e tomaram mais espaço, em jornais, tevês, internet e fóruns de debates, do que propriamente os jogos, as estratégias das equipes. Enfim, tiraram o destaque que se deveria dar para o futebol, para a bola rolando.
A Comissão, com isso, espera mandar para escanteio as dúvidas a respeito da lisura do Brasileiro. Não sei se resolve, mas é a velha história: “a mulher de César não pode só ser honesta. Ela também tem de parecer honesta”.
Sei de uma coisa: a arbitragem anda um desastre. E, se todos os que cometerem erros forem punidos, teremos de importar árbitros e bandeirinhas para as rodadas finais. Imaginou se o tribunal esportivo decidisse pedir os teipes dos jogos e anular as vantagens obtidas por causa dos lances polêmicos? Calma, calma, sei que isso não pode ocorrer. Foi apenas uma reflexão.
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A 30.ª rodada do Brasileiro começou neste sábado com três jogos em que os seis envolvidos marcaram passo. Até quem venceu não alterou a trajetória na Série A. Flamengo e Cruzeiro ficaram no 1 a 1 no Engenhão, mesmo resultado do duelo entre Lusa e Corinthians no Canindé. O Atlético-GO bateu o Inter em Goiânia, mas segue a segurar a lanterna. Os gaúchos travam no projeto de brigar por vaga na Taça Libertadores.
O clássico no Rio foi movimentado, os goleiros (Felipe e Fábio) apareceram bem nos momentos mais complicados. Tecnicamente, porém, Flamengo e Cruzeiro não surpreenderam. Ao contrário, ressaltaram dificuldades e oscilações que os deixam em zona intermediária.
Os gols saíram no primeiro tempo: Liedson para os rubro-negros e Everton igualou. No lance do gol do Flamengo, a arbitragem considerou normal o toque no braço de Vagner Love, que serviu de “passe” para Liedson. No entanto, anulou gol do próprio “Levezinho”, no segundo tempo, por impedimento que não houve. O Fla tem 36 pontos e ainda se sente ameaçado. O Cruzeiro está com 40 e não vai pra lugar nenhum.
Derrapada feia foi a do Internacional. Ganhar do Atlético-GO era obrigação para um clube que ainda sonha com voo maior em 2013 e que no meio da semana tinha batido o Atlético-MG. E quase seguiu o script, ao sair na frente com Fred. Depois, deu pane geral e o Dragão ganhou com gols de Adriano, Ricardo Bueno e Luciano. Serviu só para animar, porque a última posição ainda é do Atlético, com 23 pontos. O Inter parou nos 45 e corre o risco de perder de vista Vasco e São Paulo.
Lusa e Corinthians ensaiaram bom no jogo só no primeiro tempo, num Canindé em noite fria. Nessa fase saíram os gols, de Marcelo Cordeiro e Douglas. Depois, o ritmo caiu e a partida se arrastou na etapa final. A Lusa tem 37 pontos e ainda precisa de mais alguns para consolidar a permanência na elite. O Corinthians está com 43 e fica tranquilo.
As emoções mais fortes ficam mesmo para o domingo, em que estará com tudo a luta pelo título e a agonia de alguns (como Palmeiras e Sport) para fugirem do quase inevitável descenso.
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O quarteto principal do Brasileiro não esmorece na corrida pelo título. Todos venceram neste sábado e mantiveram inalterada suas posições. Por isso mesmo, sinalizam final de temporada empolgada. O São Paulo, quinto colocado, também ganhou e conserva esperança de brigar por uma vaga para a próxima edição da Taça Libertadores.
O líder puxa a fila, evidentemente. O clássico com o Botafogo mostrou que, mesmo se houver altos e baixos, há jogadores que decidem. E isso é fundamental numa campanha que se pretende vitoriosa. No início da noite, no Engenhão, prevaleceu o talento de Diego Cavalieri e Fred. Mais uma vez, e redundantemente. Nas mãos do goleiro morreram algumas boas oportunidades criadas pelo Botafogo. Nos pés do atacante se concentraram a esperança de gol. Ele não falhou, e de novo garantiu o resultado: 1 a 0. Foi a 62 pontos
Espetacular foi Ronaldinho na goleada do Atlético-MG sobre o Figueirense, que já vai de mãos dadas com o Atlético-GO para a Série B. O gaúcho fez três dos seis gols e ainda participou de mais dois, os de Réver e de Bernard. Carlos César fechou a conta a dez minutos do final.
Galo impecável, como deve ser um time que comandou a classificação por muito tempo e andava meio cabisbaixo, com perda de muitos pontos. E não se diga que tudo ficou mais fácil porque Jackson foi expulso no primeiro tempo. O Figueirense não suportaria mesmo a força do rival, que tem 56 pontos.
Suada a vitória do Grêmio sobre o Cruzeiro, em Porto Alegre. E de virada. O Cruzeiro saiu na frente, com Anselmo Ramon, ainda na etapa inicial. O Grêmio martelou, insistiu, esbarrou em belas defesas de Fábio, mas reagiu, a partir dos 21 do segundo tempo, com Marcelo Moreno e depois com Marquinhos (aos 32). Com isso, se sustenta em terceiro, com 53 pontos. O Cruzeiro tem 36, está em queda livre.
O Vasco penou pra se livrar do lanterna Atlético-GO, em Goiânia. O gol do 1 a 0 decisivo veio apenas aos 41 minutos do segundo tempo, com Juninho Pernambucano. E olha que o time goiano jogou com dez desde os 21 da primeira fase, porque Gustavo foi expulso de tanto reclamar com a arbitragem. O Atlético ainda terminou com 9, pois Ricardo Bueno levou vermelho quase no final do jogo. O Vasco tem 50 pontos. O Atlético-GO, 20, já faz as malas de volta para a Segunda Divisão.
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Dois jogadores rodados, experientes, calejados sobressaíram até agora na terceira rodada do returno. Elano e Seedorf, já trintões, resolveram as paradas para Grêmio e Botafogo, na noite desta quarta-feira, contra Atlético-GO (2 a 1) e Cruzeiro (3 a 1), respectivamente. Ambos fizeram dois gols e saíram de campo como destaques. Merecidamente.
Seedorf deixou a torcida cruzeirense de boca aberta, no clássico disputado no Independência. O holandês, 36 anos e fininho quase como no início de carreira, comandou a virada do Botafogo. O Cruzeiro saiu na frente, com gol de Tinga (outro veterano ainda com fôlego), mas foi surpreendido com gols em dois minutos: aos 30, Fellype Gabriel mandou a bola para a área e Seedorf emendou de primeira. Aos 32, de novo Fellype Gabriel fez o passe e Seedorf tocou rasteiro, no canto direito, sem chance para o Fábio.
Pouco? Teve mais na etapa final. Seedorf continuou a controlar o jogo, como capitão virou referência na equipe e ainda fechou a exibição com passe longo e sob medida para Jadson completar o serviço. Mereceu aplausos até dos adversários, ao final do jogo, pela elegância e pelo fôlego em dia. Foi o jogador que fez a diferença.
Como foi fundamental Elano em outra vitória do Grêmio, em forte ascensão no Brasileiro. Embora não seja um “vovô” (tem 31 anos), já está no bloco dos mais vividos do grupo montado por Vanderlei Luxemburgo. Não é o jogador apático dos últimos meses de Santos e até a pontaria está mais calibrada, como mostrou no lance do primeiro gol, em cobrança de falta perfeita, que não permitiu nem que Márcio se mexesse.
Elano dobrou a conta antes dos 20 minutos (aos 19), ao completar passe de Zé Roberto (outro veterano que ainda gasta a bola). O fôlego de Elano durou até os 30 da etapa final, quando foi substituído por Marco Antônio. Saiu nos braços do povo, aplaudido por mais de 45 mil tricolores que foram ao Olímpico.
Gosto de ver atletas já na parte final da carreira desequilibrarem. Quando têm talento, compensam o peso da idade com toques precisos, chutes certeiros e gols. Ora, por que não?
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O clássico mineiro, no domingo, teve torcida única. Nem por isso, foi tranquilo. O Estádio Independência foi ocupado apenas por fãs do Cruzeiro, mandante do jogo, e ainda assim houve tumultos. No segundo tempo, ocorreu paralisação de quase dez minutos, depois que objetos foram lançados dentro do campo e copos d’água atingiram o árbitro.
A atitude atrevida e mal-educada foi de uma burrice sem tamanho. Os cretinos que agiram daquele forma podem prejudicar justamente a equipe que dizem amar. Porque, se houver um pingo de seriedade na organização do Brasileiro, o tribunal esportivo tem de punir o Cruzeiro. A responsabilidade pela ordem era dele e, o que é pior, não se pode nem alegar que os distúrbios foram provocados por adversários. A não ser que o Galo teve agentes infiltrados…
A confusão também reforça a evidência de que a opção por arquibancadas tomadas só por uma facção não resolve o problema da violência. Essa decisão é um atestado de incompetência do Estado de garantir a segurança do cidadão. E também um jeito preguiçoso de lidar com um problema grave. É a vitória do vandalismo sobre o comportamento civilizado.
Quando pessoas que ocupam cargos importantes vêm a público e alegam que, diante da rivalidade de cruzeirenses e atleticanos, não há alternativa senão a da torcida única, é o mesmo que dizer para os baderneiros: “Ok, vocês nos venceram. Não podemos fazer nada.” É demonstração de fraqueza, de falta de preparo para lidar com gente. É comodismo também.
Essa é a senha para que se alastrem brigas pela cidade – e houve vários incidentes antes do bom jogo disputado no início da noite. Além disso, faz com que a torcida que vá ao estádio se sinta “dona” do pedaço, a ponto de agredir quem estiver dentro do gramado. Numa lógica cretina, os torcedores que se comportaram daquele jeito também passavam o recado. “A gente manda aqui, a gente pode fazer o que quiser.”
A saída é trabalhar com inteligência, bom senso e rigor. A polícia tem recursos para identificar os focos de tensão e desarmar brigas. Os torcedores mais violentos são conhecidos. A melhor demonstração da presença do Estado é a garantia da segurança. Com isso, aqueles que vão apenas para torcer se sentirão protegidos. Os que vão para brigar se sentirão intimidados.
Torcida única é um sacrilégio para um clássico dessa envergadura.
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