A maioria das pessoas que assistiram por aqui à final da Copa dos Campeões provavelmente não tinha a mínima afinidade com Chelsea e Bayern de Munique. Mas garanto que bateu frio na barriga de muitas na hora dos pênaltis que serviram para apontar o novo dono da Europa. Não tem como fugir, até quem não gosta de futebol tende a roer unhas, ao ver um título sendo definido assim. Dá angústia danada, e difícil optar entre ficar a favor do cobrador ou do goleiro. Por solidariedade, e um tanto por espírito de porco, costumo torcer para o goleiro se sair bem.
Se houve adrenalina por causa dos gringos, imagino como será esta quarta-feira para fãs de Corinthians, Vasco, Fluminense, convocados para traçar os respectivos destinos na Taça Libertadores. Pelo menos um dos três vai para a semifinal, e não se trata de hipótese fora de propósito que o avanço ocorra por meio das benditas penalidades máximas, como diziam os narradores de rádio de outros tempos. Para que a angústia se torne real, o Flu tem de ganhar do Boca por 1 a 0, no Engenhão, enquanto Corinthians e Vasco não podem sair do 0 a 0 no Pacaembu. Daí, é rezar, fazer mandinga, promessa, fechar os olhos…
Os dois resultados são plausíveis, pelas características das equipes envolvidas nas disputas. E pelo equilíbrio mostrado na semana passada. Se bem que não cravo com convicção, pois há tendência de atrevimento maior, por ser o lance derradeiro para todos, nesta fase, e isso desemboca em maior probabilidade de que saiam gols, vários até.
Começo pelo clássico brasileiro em São Paulo. A lógica indica o Corinthians a pressionar, por obrigação, por impulso da torcida, para não ver o sonho da América mais uma vez morrer no meio do caminho. A responsabilidade maior fica para Tite e sua rapaziada. O Vasco se considera franco-atirador, e lhe basta um gol, por exemplo (1 a 1), para voltar para casa com a vaga no bolso.
O técnico corintiano sabe disso e resolveu não alterar o time em relação àquele que esteve em São Januário. A aposta recairá de novo na harmonia entre os setores. O sistema defensivo se mantém como ponto forte, com a devida proteção de Ralf e Paulinho. A criação e a conclusão estarão a cargo do quarteto de trintões formado por Alex, Danilo, Jorge Henrique e Emerson.
Tite confia neles, na mesma medida em que não sente segurança em Willian e sobretudo Liedson, antes o dono do ataque e agora afundado em névoa intensa. Não é imprescindível ter um “camisa 9″, mas quem saiba finalizar. Liedson, por coincidência, era o 9 e o goleador. De um momento para outro, definhou. E não há quem preencha esse espaço.
Significa que o Corinthians passará em branco de novo? Não necessariamente, pois pode se valer de chutes colocados de Alex, de cabeceio de Danilo, das traquinagens de Jorge e Emerson. Ou, principalmente, das aparições surpreendentes de Paulinho na área, desde que se livre da marcação, o que não aconteceu no Rio. E o Vasco de olho nos contragolpes. Mesmo assim, não vejo pênaltis como desfecho improvável para o duelo.
Paciência e obstinação – além de pontaria certeira – são imprescindíveis para o Flu. O Boca tomou gosto pela Libertadores, ganhou em casa, adora ser carrasco de brasileiros. Quadro perfeito para começo de noite de sofrimento para Almir, Marcelo, Nando e tantos tricolores que conheço.
E na Copa do Brasil? Ares de pênaltis em Coritiba x Vitória (0 a 0), maré mais mansa para São Paulo em Goiás (2 a 0 na ida) e tensão em Barueri, para Palmeiras x Atlético-PR (2 a 2).
*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 23/5/2012.)
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O Atlético-PR ficou duas vezes em vantagem, no jogo disputado com o Palmeiras, na noite desta quarta-feira, em Curitiba. E cedeu em ambas. O empate por 2 a 2, no jogo de abertura das quartas de final da Copa do Brasil, foi bom para o time paulista e transfere para o paranaense a responsabilidade no duelo de volta, na semana que vem em São Paulo. A rapaziada de Felipão se garante até com igualdade por 1 a 1. Vitória serve para qualquer lado.
O jogo foi movimentado, quente (apesar do tempo frio), com arbitragem confusa do catarinense Paulo Henrique Bezerra e com várias momentos de emoção. O Palmeiras falhou seguidamente na marcação, na primeira parte da etapa inicial, e deixou o Atlético-PR descer com frequência para o ataque. A consequência foi o gol de Bruno Mineiro aos 16.
O alviverde percebeu que a tática de manter-se atrás seria inútil, arriscou e empatou com bonito gol de Barcos aos 21. Mal teve tempo para comemorar e aos 23 Edigar Junio deixou o Atlético-PR de novo em vantagem, mas em jogada que começou com lançamento para Guerron em impedimento. Os palmeirenses reclamaram, sem merecer a atenção do juiz.
Como chiaram também com empurrão que Cicinho teria sofrido na área, na tentativa de pegar rebote de bola que bateu no travessão, depois de cobrança de Marcos Assunção. O Atlético desperdiçou, com Liguera, a chance de ir para o intervalo com 3 a 1, pois o uruguaio perdeu chance praticamente na cara do goleiro Bruno.
O jogo teve panorama diferente na segunda fase, quando Felipão resolveu tirar João Vítor e Mazinho e colocou Luan e Maikon Leite. Os dois que entraram fizeram o time tornar-se mais leve e ágil. O Atlético sentiu a pressão, naturalmente se encolheu e tomou o empate definitivo, em chute forte de Maikon Leite. Pouco antes, o Palmeiras tinha mandado outra bola na trave.
A torcida paranaense reclamou com o técnico Carrasco (expulso por empurrar Valdivia numa reposição de bola), por perceber que o Atlético-PR poderia ter vencido. Os fãs do Palmeiras notaram o óbvio: com menos volantes, e com Valdivia inspirado, fica mais vibrante e ousado.
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O Palmeiras é um mistério difícil de ser decifrado. Quando deveria comemorar uma vitória tranquila, expõe as feridas e as discordâncias internas. Foi o que aconteceu na noite desta quarta-feira.
Poucos minutos depois da goleada de 4 a 0 sobre o Paraná e a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil, Felipão soltou os cachorros sobre a diretoria por causa de contratações. O treinador mais uma vez se mostrou magoado pela falta de reforços de bom nível e sugeriu que dirigentes deveriam vir a público e explicar para os torcedores que não há dinheiro para contratação. Em vez disso, deixam para ele a responsabilidade por indicar atletas de baixo custo e que não deram certo, casos de Gerlei, Ricardo Bueno, Fernandão e outros.
A reação de Felipão se encaixa bem num antigo ditado popular: “Em casa em que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão.” O Palmeiras faz tempo que não tem uma política agressiva de marketing e vive com dinheiro contadinho. Por extensão, não contrata jogadores de peso e, em consequência, não ganha títulos. Sem conquistas, arrecada menos… e assim o círculo vicioso se autoalimenta e o clube não sai do lugar. Ou melhor, perde terreno.
Junte-se a isso uma diretoria fraca, omissa em episódios importantes, e um treinador que faz tempo perdeu a paciência, e o resultado é esse saco de gatos em que se transformou o Palmeiras. Que pode até chegar à final da Copa do Brasil – o que considero difícil, neste momento –, mas que não se destaca por harmonia. Êta agremiação complicada!
O jogo. Dentro de campo, a tarefa foi tranquila. Sustos só no início, quando o Paraná tentou aproveitar contra-ataques e teve uma chance com Douglas Tanque. Mas o primeiro gol, de Mazinho aos 25 minutos, esfriou o adversário e o Palmeiras não se sentiu mais ameaçado. Bobagem, mesmo, só a de Henrique, que se desentendeu com o Tanque e ambos foram expulsos.
No segundo tempo, Felipão tirou Barcos e colocou Roman, para recompor a zaga, e confiou nos lançamentos de Marcos Assunção e na movimentação de Mazinho. Deu certo: um passou, o outro completou para o gol, aos 6 minutos. Missão cumprida, que teve ainda os gols de Valdivia aos 16 e Maikon Leite aos 27 só para virar festa para o torcedor.
O desafio será maior, na próxima fase, pois pega o Atlético, outro paranaense e que vem embalada por desclassificar (e deixar em crise) o Cruzeiro.
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A piada é antiga – e de gosto duvidoso. Mas serve para o tema de hoje. O sujeito chega em casa, flagra a mulher com outro, no sofá, e resolve acabar com o problema. Como? Pegando o sofá e o levando para bem longe… Daí, volta satisfeito com a solução e com o fim da traição.
O futebol tem sido o sofá do Palmeiras. O time largou bem no ano, com invencibilidade e etc, e desandou na reta final do Paulista, sobretudo a partir da derrota no clássico com o Corinthians. Erros antigos reapareceram, jogadores negaram fogo, a estratégia de jogo não funcionou, o desequilíbrio emocional prevaleceu. Enfim, o retorno do show de horrores.
Felipão e diretoria, então, agiram. E de que forma? Em primeiro lugar, começaram a liberar jogadores, como alternativa para “depurar” o elenco. Ok, isso acontece, embora seja estranho fazer reformulação com pouco mais de um quarto da temporadaem andamento. Jáescrevi a respeito e considero falta de planejamento.
A surpresa maior, porém, veio agora. A pedido da comissão técnica, com a anuência dos cartolas, o Palmeiras transferiu seis mandos de jogos do Pacaembu para a Arena Barueri no Campeonato Brasileiro (hoje joga lá contra o Paraná, mas pela Copa do Brasil). Não foram alegados motivos técnicos consistentes para tal mudança. Ficou no ar a sensação de que se trata de superstição (o time tem bom retrospecto naquele campo) e uma forma de fugir a eventual pressão da torcida.
No Pacaembu, estádio central e de longe o preferido dos fãs (na ausência do Palestra Itália), haveria mais público, renda maior, mais calor. E, quando o time vai bem, mais incentivo. Mas, como a equipe tem acumulado decepções, também sofre mais com seus torcedores ao jogar no estádio municipal paulistano.
Quer dizer, antes de ajustar o time, melhor levá-lo pra longe. Assim como o sofá da anedota…
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É espantosa a capacidade da torcida do Palmeiras de ser intolerante com seus jogadores. Em vez de estar ao lado deles, em momentos ruins, prefere pressioná-los, insultá-los, agredi-los. Os fãs mais radicais entraram numa roda viva de violência que não anula, mas só reforça e completa o trabalho lerdo e improdutivo de várias gerações de cartolas no Palestra Itália.
Vi pela tevê cenas deprimentes na chegada da delegação palmeirense em Curitiba, onde nesta quarta-feira enfrenta o Paraná pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Um grupelho vestido com camisas verdes apelava para a velha, inútil e covarde tática de xingar atletas, dirigentes e Felipão. Na visão de mundo estreita deles, em que a porrada é o melhor argumento, essa é a maneira adequada de estimular o grupo a reagir, após a eliminação no Campeonato Paulista.
Os alvos preferidos foram o treinador e Deola. O goleiro teve de ouvir coros toscos, com alguma coisa que rimava como “honre a camisa do Marcão”. Como se ele estivesse a conspurcar o nome do clube e do antecessor, que se aposentou no final do ano. Deola está marcado por ter errado no primeiro gol do Guarani, no domingo, em Campinas.
Deola carrega fardo pesado. Um tempo atrás, achei que ele cresceria, sem a sombra de Marcos. Parece que ocorre o contrário. A “memória” do ex mexe, sobretudo com a torcida, que espera ver no rapaz a ‘reencarnação’ do antigo titular.
Deola não é Marcos – e isso a torcida tem de entender. Não se pode criar uma expectativa dessa envergadura. E, o mais importante, ninguém nunca disse que Deola seria o novo Marcos, como aconteceu com Barrichello, por exemplo, eleito para ser o herdeiro de Senna. Comparações impossíveis.
O mais revoltante, no entanto, foi a insinuação de que Deola não veste com dignidade a camisa do Palmeiras. No final de 2010, ele foi insultado por torcedores por ter sido o melhor em campo, numa partida em que seu time perdeu para o Fluminense. O resultado afastava o Corinthians na briga pelo título e os fanáticos queriam que o time entregasse. Deola pegou tudo o que foi possível, numa demonstração de profissionalismo e respeito ao Palmeiras.
Provavelmente alguns desses rapazes que foram ao aeroporto pedir “honra” tenham sido os mesmos que xingaram o goleiro que naquela tarde honrou a história do clube. Hipócritas.
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Coritiba e Vasco fizeram na noite desta quarta-feira uma das finais mais emocionantes da história de duas décadas da Copa do Brasil. O time paranaense venceu por 3 a 2, resultado insuficiente para dar-lhe o título inédito em Curitiba. Taça que foi para a equipe carioca, pela primeira vez também, por ter vencido o primeiro jogo por 1 a 0 e pelos gols que fez fora de casa. E, de quebra, a vaga para a Libertadores da América.
A decisão da competição resgatou o Vasco, que passou a primeira década do século 21 praticamente em branco e imerso, na maior parte do tempo, em crises internas e técnicas. O novo campeão começou o ano sob pressão, com fiascos domésticos, e soube reagir, sobretudo na Copa. O técnico Ricardo Gomes pegou um rabo de foguete daqueles e, sem alarde, recolocou o time no rumo certo. O prêmio veio talvez antes do que imaginasse.
O jogo foi dramático do primeiro ao último minuto. O Vasco aumentou a diferença em seu favor com o gol de Alecsandro aos 12 minutos, em jogada de contra-ataque que teve a participação de Diego Souza e Éder Luís. O Coritiba foi valente, a ponto de conseguir a virada, ainda no primeiro tempo, com os gols de Bill aos 29 e Davi aos 44.
A empolgação do Coxa esfriou com o gol de empate, marcado por Éder Luís. Deu pra perceber que o frio baixou firme nas arquibancadas onde estava a torcida local. Mas o calor voltou com o golaço de William aos 21. Dava tempo até para o quarto gol, porém o Vasco soube segurar o jogo, cozinhou o galo, fez o tempo passar e se fechou. O Coritiba tentou na base de muito esforço e pouca técnica. Teve de contentar-se com o vice.
Foi um momento importante para os dois times. Ambos enfrentaram problemas e deram a volta por cima. O Vasco dois anos atrás estava na Série B, o Coritiba retornou para a elite neste ano. Ou seja, ambos viveram momentos infernais e mostraram, na Copa do Brasil, que são fortes o suficiente para conquistas importantes.
Desta vez, foi o Vasco quem fez a festa. E mostrou que vive, e brilha, sem Eurico Miranda. Para quem imaginava que as glórias se foram com a antigo caudilho, a taça conquistada nesta quarta-feira é a pá de cal. Ao Coritiba resta o consolo de que pode fazer um belo Campeonato Brasileiro.
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Estou ansioso para ver no que vai dar o Coritiba x Vasco da noite desta quarta-feira, em Curitiba. O Vasco tem a vantagem do empate, o que nunca é desprezível num duelo decisivo. Mas o 1 a 0 da ida, em São Januário, não é insuperável, ainda mais quando se trata de confronto entre duas equipes que se equivalem. Pois é, nenhuma das duas está acima da outra. Pra início de conversa, o campeão sai no tempo normal. Não haverá pênaltis.
O que esse equilíbrio significa? Significa que o Coritiba tem todo direito de sonhar com o título – e que não é objetivo impossível de alcançar. A derrota por diferença mínima não foi um desastre. O técnico Marcelo Oliveira e seus jogadores sabem disso. Como Ricardo Gomes e sua tropa têm consciência de que o tempo vai esquentar hoje.
Um só vai fazer a festa e, por extensão, se garante na Libertadores do ano que vem. Muito bem. Mas, independentemente disso, ambos saem vencedores. O fato de chegarem à decisão consolidou reação de um e de outro. O Coritiba tem crescido, desde a disputa da Série B. Vive fenômeno semelhante àquele que beneficiou Corinthians, Palmeiras, Grêmio, Atlético-MG depois de superarem o “limbo” da Segundona e darem voos altos nas temporadas seguintes.
O Coxa não tem um elenco brilhante, não há craques. Mas a homogeneidade o fez destacar-se no plano doméstico, com a conquista invicta no Campeonato Paranaense, e a bela campanha na Copa do Brasil. Está no lucro, talvez mais cedo do que pudesse imaginar, depois do inferno vivido na queda, no final de 2009. Se ganhar a Copa e não dormir no ponto, fará barulho também no Campeonato Brasileiro.
A largada do Vasco em 2011 foi um desastre. Derrotas humilhantes para times pequenos, no Estadual do Rio, troca de comando (saiu PC Gusmão), crise, bronca da torcida. O time aos poucos se refez, terminou a competição local de maneira digna, e pôde concentrar-se na Copa do Brasil, da qual não aparecia como um dos favoritos. Ricardo Gomes chegou e, sem alarde, ajeitou o time. Agora está a um passo de colher dividendos.
Palpite? Qualquer um pode ser infeliz. E, com sinceridade, ambos merecem respeito. Mas, para não dizerem que fiquei no muro, repito o que falei ontem na ESPN: tem jeito de Coritiba.
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Está certo que eram apenas os times reservas. Mas os 5 a 1 do Coritiba em cima do Vasco, na tarde deste domingo, em Curitiba, servem como aperitivo e tanto para o jogo que ambos fazem, na quarta-feira, na decisão da Copa do Brasil. Está certo que o time carioca tem a vantagem de jogar pelo empate, depois do 1 a 0 em casa. Mas a esta altura Ricardo Gomes e seus jogadores devem estar com a pulga atrás da orelha. Vai que se repete algo do gênero?
Não imagino uma surra dessas no duelo entre os titulares. O Coritiba tem time bom, atrevido e ganhou confiança com os 6 a 0 que aplicou no Palmeiras nas quartas de final. Além disso, terá a responsabilidade de tirar a diferença, o que nem sempre é tarefa simples numa final. Mas o comportamento dos reservas deve ser levado em conta por Marcelo Oliveira e demais atletas. É com confiança que o Coxa pode festejar um título inédito.
Os dois treinadores certamente usarão o jogo do Campeonato Brasileiro como modelo. Ricardo Gomes, para mostrar a seu elenco como uma equipe pode perder o rumo. Marcelo Oliveira, para provar que não se perde competição de véspera. Para o torcedor do Vasco, sugiro calma, que a sova de hoje não é razão para crise. Ao fã do Coritiba, digo que não custa nada sonhar, não paga imposto pensar que o título da Copa do Brasil é possível.
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Vasco e Coritiba não fizeram um jogão, na noite desta quarta-feira, no Rio. Esperava mais, por aquilo que têm feito os finalistas da Copa do Brasil. Mas o duelo valeu para mostrar que há equilíbrio nessa decisão, em que o time carioca saiu na frente com a vitória por 1 a 0. Alecsandro foi o herói vascaíno, com o gol marcado aos 6 minutos do segundo tempo.
Vantagem é vantagem, diria o conselheiro Acácio, personagem criado por Eça de Queiroz que invariavelmente dizia o óbvio. Claro que o Vasco entrará em campo menos pressionado e pode beneficiar-se com o empate, como ocorreu com o Santos no Paraguai. A diferença, porém, teoricamente é pequena e o Coritiba tem time para recuperar-se.
A partida teve dois momentos bem distintos: no primeiro tempo, foi amarrrada, truncada, com um festival de passes errados e poucas chances para ambos os lados. O Vasco ressentiu-se, por exemplo, da ausência de Éder Luís, jogador mais veloz do que Diego Souza e Alecsandro, apesar de menos talentoso. Os anfitriões travaram na marcação paranaense. O Coritiba, em contrapartida, poucas vezes rondou o gol de Fernando Prass, que apareceu numa boa defesa só aos 17 minutos, em chute de Bill.
Na etapa final, o ritmo foi mais agradável, por causa do gol do Vasco logo no início. O Coritiba abriu-se, foi para cima e chutou mais vezes, embora sua melhor oportunidade tenha aparecido aos 46, quando Emerson desperdiçou a chance do empate. O Vasco teve o mérito de não perder a cabeça e de esfriar o Coxa. Pra mim, disputa ainda aberta.
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O duelo que Vasco e Coritiba farão à noite, em São Januário, colocará dois times com pontos de semelhança e algumas diferenças. Os finalistas da Copa do Brasil passaram por sufoco, em sua história recente, com experiência na Série B. Voltaram aparentemente mais amadurecidos, como aconteceu anteriormente com Palmeiras, Grêmio, Corinthians. Ambos também são orientados por treinadores em busca do primeiro título importante em suas carreiras. Ricardo Gomes e Marcelo Oliveira, ex-jogadores, ainda não ostentam no currículo uma taça como esta.
Há desencontros nos elencos. O Vasco recorreu a atletas rodados e com nome, na tentativa de remontar o elenco, depois de final de ano decepcionante e início de 2011 preocupante. Hoje, conta com nomes como os de Felipe, Diego Souza, Alecsandro, que aparentemente podem dar-lhe maior poder de fogo e de criatividade. O histórico deles permite essa avaliação, mesmo com os altos e baixos que já enfrentaram.
O Coritiba compensa com conjunto. Nesta primeira parte da temporada é a equipe mais regular – independentemente da qualidade dos torneios que disputou e dos rivais que pegou. O sucesso no Estadual e na Copa do Brasil são sinais de que pode sonhar com voos altos. Só não pode cometer erro semelhante ao de outros times que conquistaram a Copa do Brasil e depois relaxaram. Isso não é permitido para quem saiu recentemente da divisão de acesso.
Complicado, arriscado e até injusto apontar favorito numa final inédita e até certo ponto surpreendente como esta. Mas, pelo fato de definir em casa, vejo o Coritiba com ligeira vantagem. Vai depender da forma como se comportar no jogo de hoje. Se levar para o Paraná um placar ‘normal’ – entendam-se empate ou derrota por diferença mínima –, dá para sonhar.
Só não pode levar surra como aquela que aplicou no Palmeiras. Aí seria demais.
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