Antero Greco - Estadao.com.br
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16.setembro.2012 12:37:56

À espera do milagre*

Na quarta-feira, 19, se festeja San Gennaro, padroeiro de Nápoles e muito popular também por aqui. A fé pelo mártir cujo sangue se liquefaz anualmente, há quase dois milênios, se difundiu em São Paulo e no sul do País por influência de imigrantes italianos e seus milhões de descendentes. A Mooca dedica o mês de setembro todo ao santo milagroso.

San Gennaro tem bases sólidas de seguidores dentre os torcedores do Palmeiras, por razões óbvias. Na infância que passei no Bom Retiro, viu muitas vezes Toninho Cazzeguai, o maior filósofo do bairro, organizar saraus para o Napolitano, como o santo era tratado no pedaço, assim mesmo, na maior intimidade, de igual para igual com os mortais. Encontros simples e alegres.

Pois soube agora que tem muito palestrino a pedir uma antecipação da graça que San Gennaro pode proporcionar-lhes, se assim for da vontade dele. A solicitação piedosa, reforçada por velas de sete dias, flores e outros mimos, é no sentido de que o santinho pouse as mãos sobre os jogadores alviverdes que entrarem em campo, na tarde de hoje, para o clássico com o Corinthians.

O jogo por si só há um século merece apelos especiais, porque não se trata de acontecimento comum. Palmeiras x Corinthians não é para iniciantes. Mas o momento é pra lá de delicado – daí as rezas redobradas. O Palmeiras está com a corda no pescoço e um pé na Segunda Divisão. O desespero espalha-se com mais velocidade do que boato de internet e, de quebra, o time desde quinta-feira ficou sem técnico, já que a diretoria concluiu que Felipão era o mal maior.

Como desgraça pouca é bobagem, terá pela frente o adversário mais tradicional, responsável por momentos memoráveis e por catástrofes só comparáveis à destruição de Pompeia pelo vulcão Vesúvio, no começo da Era Cristã. O rival histórico vai muito bem, obrigado, ganhou a Libertadores e esquenta os motores para detonar o Chelsea, no fim do ano, na disputa pelo título mundial.

Em circunstância rotineira, esse panorama já representaria muita humilhação para o Palmeiras. Agora o constrangimento pode aumentar, se se cumprir a promessa velada de jogadores alvinegros de dar mais um empurrãozinho para baixo na turma da Pompeia (nada é por acaso, dirão os fatalistas). San Gennaro, portanto, foi chamado. E nunca é demais auxílio extra de Santo Expedito…

A fé ajuda, por que não? Seja qual for o credo, vale a pena invocar forças celestiais, não como vingadoras de infiéis nem como respaldo para violência religiosa. Jogar futebol também cai bem. E disso o Palmeiras precisa muito. Parece maluquice, mas a equipe não vinha de todo mal nas últimas rodadas e algumas derrotas soaram injustas.

O interino Narciso não tem como remodelar a roda; o que conseguir hoje vale ser encarado como lucro. O torcedor deve apoiar os jogadores, se estima que mereçam. Deve ficar atento, também, no desempenho deles. Se passarem a dar sangue, a comer a bola além da conta, abrirão espaço para duas interpretações: enfim, tiveram consciência da gravidade da situação e por que não o fizeram antes?

O Corinthians é franco-atirador – ou melhor, franco-gozador, porque não tem nada a perder. Jogará praticamente com força máxima (tenta inclusive Emerson, que pegou suspensão estúpida) e surge como favorito disparado. Tem contra si a tradição do duelo de ser pródigo em reabilitar o lado que entra em crise. E, quem sabe?, a complacência de San Gennaro com os netos de seus devotos.

Mas, se nem o santo der jeito…

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 16/9/2012.)

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09.setembro.2012 13:02:39

Testes de paciência*

Não morro de amores por seleções faz muito tempo – nem por isso, me considero antipatriota. Minha nação futebolística será sempre o clube de berço, que a gente aprende a amar antes mesmo de falar ou de andar, e do qual não se separa jamais nesta visita pela terra. Ainda assim, gosto quando o Brasil joga bem, vence, conquista títulos. Não fico indiferente às vitórias nacionais e sinto orgulho dos cinco mundiais no currículo. A amarelinha viveu epopeias memoráveis.

Mas tem sido difícil apreciar a trajetória recente dela. Mano Menezes e sua turma conseguem empolgar apenas pachecos eternos, fãs eventuais (aqueles das grandes competições e que não acompanham o dia a dia dos times) ou interesseiros (pessoas que, de alguma forma, lucram com isso). O torcedor de fato, que almoça e janta o joguinho de bola, que devora as páginas de esporte e não perde uma mesa-redonda, está com os pés atrás. Esse anda irritado com a seleção e teme fiasco na Copa de 2014.

Com razão. Faz dois anos que se espera a reviravolta, após a decepção com a tropa de Dunga, e ela não dá o ar da graça. Ao contrário, à medida que avança o tempo, aumentam as dúvidas em torno do que nos espera como anfitriões da festa. É muito ponto de interrogação para pouco de exclamação, quando se vê essa rapaziada em ação e se ouvem as explicações monocórdias de Mano.

Até agora lamento as duas horas que perdi no meio do feriado para assistir a mais uma exibição medíocre. O amistoso com a África do Sul foi um engodo, uma enrolação. Em suma: uma tapeação, pra ficar na linguagem das antigas comadres do Bom Retiro. Pior pra quem botou a mão no bolso e pagou no mínimo 80 reais por cabeça pra ir ao Morumbi, fora gastos adicionais. O sujeito foi buscar divertimento e ficou fulo da vida.

Ainda por cima, Mano e os rapazes ficaram emburrados por causa das vaias. Ah, tenham dó! Diante de um time meia-boca, o Brasil jogou mal, de cabo a rabo, teve momentos de sufoco (o goleiro Diego Alves trabalhou bem), achou gol salvador com Hulk e os bonitões queriam sair sob chuva de pétalas de rosa? Descontados os espíritos de porco que assobiaram com dez minutos de jogo e foram só zoar, o resto exerceu o direito de manifestar desaprovação com o espetáculo. E o técnico, que mal saiu do banco, se quisesse ter preservado o grupo, não tirava Neymar seis minutos antes do final. Daquela forma, o empurrou para a fúria popular.

Esse negócio de “pra frente, Brasil” serve pra quem pretende engabelar o público e fingir que vai tudo bem no melhor dos mundos possíveis. Isso funcionará no Mundial; na época, o estímulo para a patriotada será insuportável, tempos de Brasil ame-o ou deixe-o. Credo! Por ora, há espaço para manifestações críticas – e foi o que fez o povo, apesar de certo exagero.

Mano precisa definir um sistema, apostar nele, nos homens que julga adequados para exercê-lo e tocar adiante, com convicção, mas sem obsessão. Não pode vacilar, como tem ocorrido desde muito antes da Olimpíada. Assim, só se desgasta, desperta raiva na torcida e dá argumentos para os que querem puxar-lhe o tapete.

E amanhã tem duelo contra a China que, alerta o professor, joga “bem mais fechada” do que a África do Sul. Tradução: tenham a santa paciência, pois deve ser outro jogo feio.

Alerta na Vila. O Santos pega o São Paulo com temor no ar: se perder de novo, o tricampeão paulista começa a temer a aproximação da turma de baixo na tabela do Brasileiro. Perigo!

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 9/7/2012.)

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07.setembro.2012 12:00:51

Seleção agora?!*

Estraga-prazeres é o sujeito que se satisfaz ao derrubar o ânimo do infeliz que dele acaso se aproxime. Nada o entusiasma, nenhuma coisa presta, empreitada alguma dará certo. Um chato por vocação, do qual sempre é bom manter distância.

Longe de mim a mais tênue intenção de azedar a alegria de qualquer cidadão. Ainda mais numa data tão bacana como o Dia da Independência. Desde garoto, sempre me encantaram os desfiles de 7 de Setembro – ficava fascinado com os tanques e os jipes militares. Mas quando saíam pelo Ipiranga ou pela avenida Tiradentes. Não entendo por que a parada foi confinada ao Sambódromo, já que o charme estava no contato com a rua.

Pois bem, conversa fiada à parte, sinto que não me tocará o coração o amistoso que logo mais a seleção fará com a África do Sul, na cidade onde Dom Pedro, nosso primeiro imperador de verdade, 190 anos atrás deu basta à dominação portuguesa. Nada contra a rapaziada de Mano Menezes, muito menos com os esforçados Bafa-bafana que aqui nos visitam. Também não desejo azedar a vibração de quem for ao Morumbi.

Mas, sem chover no molhado (uma aguinha cairia bem nesta empoeirada Pauliceia), que hora inapropriada para a exibição da turma da amarelinha! Se já faz tempo que, na visão do fanático, o scratch nacional virou estorvo, quanto mais agora, em que o Brasileiro pega fogo. Li nos fóruns de blogs, Twitter e outras bossas cibernéticas os mais irados comentários a respeito do jogo desta sexta-feira e o da segunda à noite, no Recife, diante da portentosa China.

Torcedores de Santos, São Paulo, Inter, Corinthians, Atlético, Vasco, Botafogo se irritaram com a convocação de seus astros, já que o campeonato não para. E com razão. Times brigam por título, alguns patinam ou despencam, e os poucos destaques são chamados para partidas meia-boca?! Ora essa.

“Tô nem aí com o Brasil. Tô com raiva é da Argentina”, rebate aqui ao lado o Nilson Pasquinelli, diagramador do Estadão, 100% de sangue verde nas veias. “Por quê?”, pergunto. “Porque chamou o Barcos!” Entendi… a bronca era pelo desfalque no Palmeiras. No fundo é a mesma coisa, mudou só a cor da camisa.

Tratei do tema em outras ocasiões. A seleção perdeu charme por diversos motivos. Em primeiro lugar, porque raramente se apresenta em casa, uma vez que o mandachuva anterior da CBF a transformou em produto de exportação e os árabes a levaram. A imagem ficou muito atrelada à do ex-todo-poderoso (será?). Além disso, a maioria dos convocados atua fora do país; portanto, alheia à rotina e à adrenalina dos frequentadores de estádios brasileiros.

O grupo não encanta. Neymar, Oscar, Lucas, Thiago Silva, Damião têm potencial técnico. Nenhum deles, no entanto, ostenta larga folha de serviços prestados à pátria de chuteiras. Faltam-lhes títulos e rodagem – assim como ao próprio treinador. Daí os prognósticos moderados em torno do que os espera no Mundial de 2014. No momento, vejo futuro promissor para 2018, e não escrevo com ironia.

Mas justiça se faça: a bronca não deve concentrar-se em Mano e nos moços que têm à disposição; estão a cumprir o papel deles. O treinador exerce a função para a qual foi contratado e sabe que a fritura não cessou. Os boleiros vislumbram valorização profissional a cada nova convocação.

A culpa é da cartolagem egoísta e omissa. A CBF pouco se lixa para os torneios que organiza, ao não interrompê-los quando joga a seleção. Os clubes são cordeirinhos, que se calam diante do absurdo. E o torcedor sofre.

*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 7/9/2012.)

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05.setembro.2012 12:22:09

Pra rir ou pra chorar?*

O noticiário do futebol é divertido ou revoltante. A reação, positiva ou desalentada, depende do estado de espírito do cidadão na hora em que recebe a informação. A mesma novidade pode provocar riso ou desespero; mas, de qualquer forma, sobressai pela bizarrice.

 Atualize as últimas de algumas equipes nacionais pra ver se concorda com essa tese ou se ela soa estapafúrdia. O passeio pode começar pela Gávea. O Flamengo, dias atrás, mais uma vez acertou contrato com Adriano. O clube veio com o papo de que confiava na recuperação do talento revelado em casa. No discurso de apresentação, o moço disse que só tinha de provar algo para ele mesmo e para os que lhe querem bem. Etc.

Não estreou, nem há data marcada para tanto, e já ganhou notoriedade pelo motivo habitual: faltou a um treino para esticar a folga com os amigos. Recebeu advertência, prometeu que não haverá outra pisada de bola e os cartolas aparentemente ficaram satisfeitos.

É caso para rir ou para chorar?

O Palmeiras volta a chafurdar na lama e, aos poucos, desliza para a Série B. Ou, no mínimo, vê avolumar-se o pesadelo do descenso vivido em 2002. Num movimento de desespero, anuncia o retorno de Leandro, esforçado lateral-esquerdo que integrava o elenco campeão paulista de 2008. O rapaz, 33 anos, andava meio desacorçoado, por falta de propostas, e enquanto treinava no América do Rio pensava na possibilidade de pendurar as chuteiras. Sentia que o fim da carreira era fato consumado. Um anjo da guarda fez com que lhe caísse do céu a proposta palestrina. Quer dizer, o tempo dirá se foi anjo da guarda ou amigo da onça.

É para levar na flauta ou na corneta?

O Corinthians embarcou para Florianópolis com mistão para pegar o encalacrado Figueirense. A novidade no grupo escolhido por Tite é o meia-atacante Chen Zhi-Zhao. Sim, ele mesmo, o chinesinho Zizao, contratado por empréstimo no Ano Novo e que até hoje o mais perto que esteve de debutar foi ao sentar-se no banco em duas ocasiões. Chegou como estratégia do setor de marketing alvinegro e até agora… nada.

É plá dá lisada ou plá cholá?

Tem mais. Passou meio batido, mas o Botafogo abriu as portas para Túlio Maravilha finalizar o projeto de alcançar o milésimo gol – segundo estatísticas de responsabilidade dele próprio. O atacante, 43 anos e milhões de quilômetros rodados pelos gramados, escamoteia a aposentadoria para igualar proeza rara, no Brasil reconhecida para Pelé e Romário (este já com muito boa vontade…)

Pelas contas, faltam menos de dez gols, e Túlio disputará jogos contra equipes menores para aumentar a coleção. Acenar-se a possibilidade de atuar no time de cima, quando chegar aos hipotéticos 999, e carimbar o número 1000 no Engenhão. Tem cabimento o clube prestar-se a isso?

É para gargalhada ou para pranto?

A seleção está por aqui, para portentosos amistosos, contra África do Sul e China, que vieram nos visitar. Os treinos são em Cotia, no viveiro de talentos do São Paulo, e tudo parece correr bem. A rapaziada de Mano Menezes exercita-se com alegria e disposição, e flutua num mundo à parte. Vários atletas vestirão a amarelinha, enquanto suas equipes terão duelos difíceis pelo Brasileiro (que não para) no meio e no fim de semana.

Nessa, você ri ou chora?

Para fechar a conversa: Cristiano Ronaldo ficou amuado no Real ao descobrir-se somente o 10.º mais bem pago do mundo, com rendimentos anuais de 10,2 mi. Tadinho do gajo.

Essa… só rindo mesmo.

*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 5/9/2012.) 

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29.agosto.2012 11:25:21

O bom combate*

Fora descer a lenha em bandeirinha que erra impedimentos por centímetros, tema que anda na moda por estas bandas é discutir se jogadores simulam faltas em excesso em qualquer dividida mais ríspida. Tite levantou a bandeira da moralidade, dias atrás, ao encasquetar com Neymar, em sua visão exímio acrobata nos choques com zagueiros. O treinador do Corinthians voltou à carga ontem, ao admitir que Paulo André deveria ter tomado cartão amarelo, no domingo, por rolar no chão com a mão no rosto, após encontrão normal com Luis Fabiano, no clássico com o São Paulo.

Ao criticar o zagueiro titular do time que comanda, Tite tratou de demonstrar em público que não age na base do dois pesos, duas medidas. Lembrou ainda que a regra é igual para todos. Com isso, eximiu-se da pecha de defender privilégios para seus rapazes. O próprio Paulo André, um dia antes, havia emitido nota em que reconhecia o exagero.

Atitudes bacanas de ambas as partes. Louvemos o fair-play, e que seja incentivado. Mas, vamos falar sério: era para tanto? Não. O teatrinho de Paulo André foi banal, inócuo e das coisas mais antigas do esporte bretão. (Sempre imaginei um dia usar essa expressão.) Até quando pelada de rua era sinônimo de bate-bola descontraído e não de protestos do grupo Femen, as manhas já faziam parte do jogo. “Foi falta! Não foi!”, “Foi mão na bola! Não, foi bola na mão!”, “Lateral nosso! Não foi!”, “Foi escanteio! Não, foi tiro de meta!”, “Pênalti em gol é gol!” Quantas vezes não ouvimos essas discussões? Atire a primeira pedra quem achar que é mentira.

A astúcia é uma das bases do futebol, a malícia jamais saiu de campo. São componentes lúdicos de uma atividade que nasceu como brincadeira de menino e que há séculos transforma homenzarrões em pirralhos, sejam profissionais ou amadores. Futebol sem picardia, sem discussão, sem lábia, sem polêmica, é qualquer coisa menos futebol.

Está na hora de frear a vigilância obsessiva em torno de atos banais que correm dentro de campo. Não dá para perder tempo com justiceiros, da mídia e das redes sociais, a clamar cartões, suspensões, quem sabe prisões, para boleiros que recorram a expedientes manjados e não ilícitos. Não se pode condenar ao fogo eterno quem comete pecados venais, se é que não esqueci das lições de catecismo do Liceu. A onda de cobranças beira a paranoia, sem contar a dose de hipocrisia mal disfarçada.

Não defendo salvo-conduto para o jogador que abusa dessa armadilhas. A repetição leva ao desgaste, à desmoralização no meio, com os árbitros, os treinadores, a crítica e a torcida. Deixa de ser prova de inteligência para virar demonstração de mau-caratismo. Gente assim se perde.

Bom combate, ao qual me alio, é contra o jogador violento e malvado, contra o técnico que manda bater nos rivais e que indica contratações por interesses escusos, contra o árbitro desonesto, contra o empresário sem escrúpulos, contra o cartola corrupto, que abusa da boa fé do torcedor para levar vantagem. Isso estraga o futebol, não o pecadilho eventual de um Paulo André, que só mostrou o quanto é humano e, portanto, falível.

*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 29/8/2012.)

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24.agosto.2012 11:59:44

Voluntários da pátria*

A Fifa lançou nesta semana o programa de cadastramento de voluntários para a Copa das Confederações, no ano que vem, e para o Mundial de 2014. A expectativa da entidade que controla o futebol é a de que o número de interessados chegue a 90 mil e que venham de todos os continentes. No primeiro dia, mais de 35 mil preencheram a ficha de inscrição. No evento inicial, que serve de prévia para a competição maior, 7 mil serão chamados. Depois, a vez de outros 15 mil.

O trabalho espontâneo é das atividades que mais merecem admiração. Tiro o chapéu para quem dedica parte do tempo para obras assistenciais. É um alento saber que há quem se preocupe com doentes, crianças, órfãos, velhinhos sem esperar nada além de um sorriso, se tanto. É exemplo de doação.

O trabalho voluntário também é tradicional em Copas, olimpíadas e manifestações esportivas semelhantes. A alegação dos responsáveis pela organização é a de que, dessa maneira, se dá oportunidade para pessoas de todas as idades se sentirem parte integrante de acontecimento relevante e histórico. Há o contato com gente de todo canto, é ocasião para confraternização e prestação de serviço em nome da pátria, sinal de simpatia e disponibilidade de anfitriões, etc.

Não duvido disso, já cruzei com muitos voluntários simpáticos e receptivos (e algumas “malas” também) nos Mundiais que cobri. Mas são explicações que não me comovem nem convencem. Copa das Confederações e Copa do Mundo não são ocorrências beneficentes, a realização delas não se deve a causas humanitárias, sociais, culturais ou políticas.

Trata-se de negócios – e altamente lucrativos. A cada nova edição, aumentam os valores arrecados com ingressos, direitos de transmissão para meios de comunicação, venda de produtos licenciados, marketing e publicidade. A Fifa enche as burras, e nas contas dela falar em centenas de milhões de dólares equivale a eu e você discutirmos o preço do cafezinho quente no bar da esquina.

Por que, então, não prever no orçamento um ordenado para quem trabalhar nesses eventos? Não refresca nada a Fifa estimar gastos de R$ 30 milhões com uniformes, alimentação e transporte para o batalhão que vier a ser escolhido. Era só o que faltava, negar lanchinho para a moçada e obrigá-la a pagar pela vestimenta e pelo ônibus. O custo com hospedagem fica por conta do cidadão.

O lucro não seria menos fabuloso e a Fifa daria demonstração, na prática, de que é uma entidade com profunda preocupação com justiça social. Seus cartolas poderiam depois bater no peito e dizer, com razão, que a Copa do Mundo oferece empregos, temporários mas diretos, e que parte do que foi apurado fica no próprio país-sede. Faria bem para a imagem, que ficaria menos desvinculada da avidez por grana que a marcou nos últimos tempos.

Mas milhares acham que é um grande barato trabalhar para a Fifa sem receber. Joseph Blatter e assessores – todos muito bem pagos – sabem disso. Talvez um aspone brasileiro deles pudesse soprar-lhes uma música de Adoniran Barbosa, que diz: “Tocar na banda, pra ganhar o quê? Duas mariolas e um cigarro Iolanda….”

A seleção, de novo. Mano Menezes divulgou a lista de convocados para os jogos contra África do Sul e China. Provocou alguma polêmica a presença de Cássio, goleiro do Corinthians em parte da campanha vitoriosa na Libertadores. Ao ver a relação, fico a cismar: pode ser que esse time surpreenda em 2014. Mas atualmente dá um desânimo pensar em seleção…

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, sexta-feira, dia 24/8/2012.)

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22.agosto.2012 11:26:21

Jogo de cena*

O caradurismo não sai de moda, é das atitudes mais perenes do homem. No futebol, o cinismo surgiu com o craque, o drible, o gol, o cartola e os erros do juiz. Uma combinação que se torna deliciosa, se vier seguida de intermináveis discussões, das que não resolvem nada e nas quais ninguém abre mão de convicções. É o fascínio do joguinho de bola.

Tite e Neymar mantiveram fervilhantes o gosto pela polêmica estéril e o culto da cara de pau. O técnico desceu a lenha no astro, após o clássico, ao criticá-lo pelas quedas cinematográficas a cada esbarrão e pelos pontapés traiçoeiros que estaria a desferir nos marcadores.

Tite fez pausas longas entre as frases, abaixou a voz, fixou o olhar nos interlocutores, assumiu pose de orador pronto a emitir uma sentença que abalaria o mundo para decretar que o moço é dissimulado, exemplo nefasto, pois sua atitude manhosa induz árbitro e público ao erro. No dia seguinte, Neymar foi curto e grosso, ao responder que dorme tranquilo e sossegado. Um anjinho mimoso.

Ambos desempenharam o papel de finórios, se comportaram como fariseus, como definiria Toninho Cazzeguai, o maior filósofo de boteco nascido no Bom Retiro. E não há condenação moral, que não estou aqui pra desancar ninguém; já perdi a conta de quantas vezes vi esse bafafá no futebol. É até divertido.

Tite se aborreceu com a encenação de Neymar, e está correto. O rapaz leva muita piaba, em três anos de carreira já apanhou mais do que muito veterano canela de vidro que tem por aí. Mas há momentos em que dá piruetas com maestria maior do que o Diego Hypolito, faturaria fácil medalha de ouro em qualquer olimpíada de presepadas. Com o amadurecimento aprenderá a dosar o faz de conta e a recorrer a esses expedientes com parcimônia – todo craque vez ou outra apela para artimanhas.

Só pra refrescar a memória, você lembra da “mano de Diós” de Maradona, contra a Inglaterra, na Copa de 1986? E de Pelé a enganchar-se em um zagueiro, dentro da área, cair no chão e ganhar pênalti? Waldemar Carabina, vigoroso xerife palmeirense dos anos 1960, foi vítima do Rei em episódio de tal quilate. Os dois camisas 10 não agiram corretamente, concordo e assino embaixo. Nem por isso foram encarados como nefastos ou deixaram de ser cultuados como semideuses dos gramados.

Volto ao Tite e respectiva bronca. Correto lutar contra a falta de fair-play. Mas o que pensa de Jorge Henrique, um dos mais matreiros boleiros destas bandas? O Macunaíma do Parque São Jorge se esparrama pelo chão, rola dez metros, esperneia como cabrito estouvado a cada tranco. Em suma, é um canastrão e não vi repreensão pública do professor. A torcida ri e o aplaude. Emerson Sheik mordiscou a mão de um argentino, na final da Libertadores, e saiu de campo como herói.

Ou seja, pedem-se lisura e bom-mocismo quando o calo aperta. E se faz vista grossa, se nos beneficiamos. Ética não pode ter meio-termo, nem adaptação: é ou não é. E não há ética distinta para o esportista, o médico, o verdureiro. É una e sacrossanta.

Aplaudirei de pé o técnico que numa final tirar o jogador mais casca-grossa, por não concordar com as traquinagens dele, ou que contestar um juiz por marcar um pênalti inexistente a favor de seu time ou anular um gol legítimo do rival. Esse treinador corajoso estaria a empunhar, de fato, a bandeira da moralidade. Enquanto isso não acontecer, prefiro encarar o lamento de Tite como parte do jogo de cena que dá sabor ao futebol. E ouso parafraseá-lo: “Fala muuuuito!”

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, quarta-feira, dia 22/8/2012.)

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19.agosto.2012 11:37:23

Sempre na onda*

Há jogadores que são notícia em tudo que fazem – para o bem ou para o mal. Neymar encaixa-se nesse perfil. O jovem astro santista sobressai por qualquer motivo: contrato novo, uma exibição de gala, corte de cabelo diferente, uma atuação decepcionante, a compra de iate, publicidade no ar a cada semana, um drible a mais, um gol a menos, a discussão com um técnico, uma viagem de jatinho, a convocação para a seleção e assim por diante. Em geral, sem meios-termos: ou agrada ou é espinafrado.

A semana que passou referenda a tese. Na véspera do encerramento dos Jogos de Londres, levou bordoada a torto e a direito pela derrota para o México e consequente perda da medalha de ouro. O time de Mano Menezes – treinador aí incluído – decepcionou, jogou aquém do que o torcedor desejava e mais uma vez viu bater na trave a glória olímpica. Desatenção coletiva, com uma falha inicial de Rafael. Mas o alvo preferido para descer a lenha foi Neymar.

Naquela tarde em Wembley voltaram as críticas: é mimado, produto de mídia, amarelão, folgado, jamais será Messi, some quando topa com marcação cerrada, prende demais a bola, só serve para jogar o Paulistinha, enganador. Deixo à margem dessa lista as expressões mais depreciativas, que destoam da elegância do Estadão. Ou seja, nada que fuja demais de outros episódios de derrota, seja da seleção, seja do próprio Santos. Perdeu, o culpado é Neymar. Fica fácil.

No meio da semana, vestiu a amarelinha (no caso, uma azulzinha) no amistoso com a Suécia. Teve desempenho aceitável, em Estocolmo, e foi do vestiário direto para o aeroporto local. Num jatinho, voou 14 horas até Florianópolis, onde na quinta à noite a equipe dele enfrentou o Figueirense pelo Campeonato Brasileiro. Neymar jogou, perdeu gol, fez um bem bonito, cavou expulsão de um adversário e ainda deu um presentão para Ganso fechar a conta de 3 a 1.

Mereceu elogios, com senões e uma polêmica. A desenvoltura com que voltou a vestir a camisa alvinegra não se deu porque se sentia bem e feliz, mas por ter enfrentado um rival frágil, que está na zona de rebaixamento, que não faz mal a ninguém, galinha morta e etc etc. E desencadeou uma série de reprimendas ao Santos por tê-lo exposto a desgaste ao colocá-lo em campo menos de um dia depois de jogar na Europa.

Também acho que o sensato seria deixá-lo dormir sossegado na Suécia, voltar com os demais companheiros, relaxar e partir para a luta hoje, no clássico com o Corinthians. Expurgar o jet leg, desintoxicar pelo período longo fora de casa, rever amigos, jogar conversa fora. Porém, concordo com Muricy, que não via sentido ignorar o rapaz, após a peripécia para chegar em tempo. Aí seria rematada palhaçada.

Neymar é muito jovem, e em breve espaço de carreira acumulou o que a maioria dos mortais não consegue na vida toda. Por méritos. só que provoca inveja, nem sempre percebida, jamais admitida. Inveja é desagradável, mas sentimento muito humano. Sem contar que desfila visual fora dos padrões convencionais, não teve berço de ouro, apresenta reações típicas de sua faixa etária. Mas é celebridade, aparece na tevê, no rádio, frequenta rodas exclusivas – e muitas o recebem por ter fama e dinheiro.

No campo, virou prima-dona da noite pro dia. Sorte dele, por um lado; azar, de outro. Como não temos por aqui craques maduros em ponto de bala, Neymar queimou etapas e virou a salvação da lavoura nacional. Pode vir a ser, ainda não é. Aposto na ação do tempo e em cobranças adequadas.

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 19/8/2012.)

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17.agosto.2012 10:47:07

Camisa pesada*

Quantas vezes você ouviu falar que uma camisa “pesa”? Certamente perdeu a conta. É chavão que deve ter desembarcado por aqui junto com a primeira bola e fardamentos que Charles Miller trouxe na bagagem no final do século 19. Sempre se interpretou a frase no óbvio sentido metafórico, para realçar a grandeza de determinado uniforme.

Pois agora se sabe que camisa pesa de verdade. A tão terrível revelação foi feita pelos rapazes que anteontem defenderam a seleção no amistoso com a Suécia. Eles pisaram o mítico gramado do Estádio Rasunda com uma réplica da camisa azul que o Brasil vestiu na final do Mundial de 1958, o primeiro dos cinco que conquistou ao longo do tempo.

Gabriel, Daniel Alves, Thiago Silva & Companhia Limitada entraram em campo enfeitados com a belezura reproduzida especialmente para a ocasião. E que ocasião! O jogo marcava o encerramento das atividades de um dos templos do futebol internacional. O complexo esportivo em Estocolmo desaparecerá, e em seu lugar surgirá um condomínio residencial e centro comercial. Pena.

Todos posaram para fotos, sorridentes e garbosos, a ostentar um dos símbolos da história do esporte brasileiro. Azul impecável, forte “como o manto de Nossa Senhora”, de acordo com palavras que Paulo Machado de Carvalho, lendário chefe da delegação, na época usou para animar os atletas. No lado esquerdo, o escudo da antiga CBD, a finada Confederação Brasileira de Desportos. Linda. Antes do apito inicial, tiraram aquela túnica para colocar a atual, de tecido moderno, dry fit, cientificamente elaborado com garrafas pets ou sei lá o quê.

Tiraram não é o verbo adequado. O melhor é livraram-se da camisa. O motivo foi singelo e ao mesmo tempo estarrecedor: era pesada. Feita de pano, coisinha rústica e fora de moda, ficou desconfortável nos bem modelados corpos dos moços. Eles temiam, também, que o incômodo aumentasse com o acúmulo de suor. Sabe como é? À medida que a partida avançasse, teriam os movimentos dificultados por equipamento obsoleto.

Nada contra a evolução. Não faria sentido, por exemplo, os jogadores ainda hoje irem para suas batalhas trajando paletó, camisa social, gravata e bermudas, como os boleiros de antanho. Também não dá para calçarem as chuteiras de meio quilo em cada pé, as desengonçadas chancas do tempo da Carochinha, que precisavam ser lubrificadas com sebo, assim como as bolas de capotão. As empresas de material esportivo não investiram bilhões para marcar passo.

Mas, puxa vida, se tratava de um momento raro, único, irrepetível na carreira desses homens. O destino lhes deu de presente a oportunidade de se exibirem com roupa de gala, de causar inveja. No entanto, recusaram a honraria, sob a alegação de que não lhes permitiria jogar à vontade…

A CBF aceitou o muxoxo de seus jovens delicados e tentou colocar panos quentes, com a desculpa de que não havia número na frente, e isso dificultaria a identificação para as emissoras de televisão e rádio.

Sem que se dessem conta, os jogadores tiveram atitude emblemática. À parte o fato de não conhecerem história da profissão que exercem, inconscientemente sentiram o peso dessa camisa campeã. Porque, pensando bem, não é qualquer um que pode bater bola com uniforme idêntico àquele que, num dia mágico, envolveu o físico e a arte de Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nilton Santos, Zito, Didi, Garrincha, Vavá, Zagalo e um rapazola conhecido por Pelé, futuro Rei.

É, foi melhor assim.

*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 17/8/2012.)

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13.agosto.2012 12:18:01

Fazer bonito*

Os Jogos de Londres finaram há poucas horas, as imagens de vitórias, derrotas, medalhas, recordes continuam fresquinhas e já paira no ar a expectativa do que ocorrerá no Rio, dentro de quatro anos. Um sentimento a tomar forma é o de que o Brasil precisa “fazer bonito” na Olimpíada da qual será anfitrião. Por fazer bonito se entende organizar impecavelmente a festa, como ocorreu nas edições mais recentes, e frequentar o pódio com maior regularidade. Manda o figurino que os donos da casa sobressaiam no quadro geral – quer dizer, pelo menos ostentem colocação honrosa, quando não se trata de potência esportiva. Foi assim com a Grécia, em 2004, imagina-se o mesmo no nosso caso.

O Brasil provavelmente estabelecerá marca nova com o desempenho de seus atletas – pode-se prever coleção de medalhas mais vasta do que as 17 na bagagem da delegação no retorno da aventura na Inglaterra. Há projetos em andamento para tal, e quantias generosas cairão na conta das confederações para garantir que a turma de cá possa fazer bonito diante dos gringos. O hino nacional será tocado em muitas ocasiões, animem-se os pachecos. E ouvirão à exaustão outro bordão do momento que voltará à cena: “fazer história”.

Não há dúvida de que, como hospedeiro afável, o brasileiro receberá os estrangeiros com amabilidade. Os visitantes sairão daqui encantados com simpatia, calor humano, paisagens, comida farta e variada, com instalações modernas para as competições e muito jogo de cintura para resolver imprevistos. Não se deve temer fiascos nesse aspecto, tampouco haverá catástrofes nos resultados. Judô, futebol, vôlei, vôlei de praia, iatismo, natação beliscarão galardões, como de praxe.

Mas fazer bonito está além de ter todos os equipamentos em funcionamento ou de cumprir ao pé da letra as exigências do Comitê Olímpico Internacional. E não significa também apenas aparecer bem na classificação final, com tantas medalhas de ouro, prata ou bronze – provas de eficiência e competitividade. Isso só vale para dirigentes almofadinhas que se eternizam no poder com discurso oco.

Fazer bonito, na parte material, é construir arenas, estádios, pistas, piscinas, ginásios, conjunto habitacional (a Vila) que se harmonizem com a arquitetura da cidade, que não agridam o bolso do contribuinte, que melhorem o cotidiano do cidadão, que se transformem, após a cerimônia de encerramento, em benefícios permanentes. Símbolos de nova mentalidade cívica e esportiva. Fazer bonito é não largar como sucata obras que consomem bilhões, é oferecer um legado à população e não promessas vazias como as do Pan de 2007. Fazer bonito é ter transparência nos orçamentos, nos gastos; não tripudiar do nosso dinheiro, do nosso discernimento.

Fazer bonito, no campo esportivo, não é necessariamente colecionar medalhas. Não adianta turbinar resultados; não leva a nada forjar uma realidade dourada, com trocadilho e tudo. Mostrar que o País saltou de 17 para 25, 30, 40 medalhas só terá valor, se for consequência de mudança de postura, se sinalizar uma tendência e não se for apenas fenômeno pontual. Isso será enganação.

Fazer bonito é aproveitar a onda de entusiasmo com os Jogos e difundir o esporte como parte indissociável da educação, da saúde, da integração social. Fazer bonito é disseminar instalações esportivas pelo Brasil, é olhar a base e não somente o atleta de alto rendimento, aquele já forjado. Uma geração olímpica não se faz em quatro anos – e o País perdeu tempo demais. Os chineses não deram salto de qualidade em 2008 porque iniciaram projeto em 2004. Eles começaram bem antes.

Fazer bonito é pensar em medalhas em 2020, 24, 28… como desdobramento de plano para sermos nação saudável, instruída. Assim é fazer bonito. O resto é somente encenação. Disso estamos cansados – e, parece, o governo também. Amém.

*(Minha crônica no Estado de hoje, dia 13/8/2012.)

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