Houve época em que o brasileiro se identificava tanto com alegria que esse sentimento se estendia para o futebol. Dentro e fora de campo, na mesma proporção, contavam o prazer e a emoção que vinham dos dribles, da malícia e dos gols. Os tempos mudaram, parece que ficamos menos expansivos, e os reflexos aí estão: nosso jogo de bola virou uma coisa chata e monótona, as arquibancadas foram tomadas por gente violenta.
Nós nos deixamos dominar por tristeza, além de incontornável sentimento de inferioridade no esporte em que somos (ainda) os únicos pentacampeões mundiais. Tanto que só conseguimos exaltar o que rola na Europa. E, pior do que isso, torcemos, fazemos força para que batam asas os poucos astros, os raros jogadores que servem de referência para atrair público.
Tenho acompanhado com atenção, e aflição, o noticiário em torno da iminente transferência de Neymar. A cada novo detalhe impecável que leio no Estado sobre os encontros entre dirigentes, empresários, agentes, marqueteiros e a tropa de choque do Barcelona, confesso que me dá um aperto danado. Pego o jornal na esperança de ler que tudo virou fumaça, que os espanhóis recolheram a papelada, fizeram as malas e foram cantar em outra freguesia. E, no entanto, me frustro com mais e mais pormenores, que levam a crer que o acordo se torne irreversível.
A satisfação do pessoal que vai lucrar com a transação não me surpreende. Eles enxergam cifrões e não uma bola. O desalento pega mesmo quando vejo que até o Santos – ou, agora, principalmente o Santos – está louquinho para se desfazer do rapaz. Não porque se decepcionou com ele. Longe disso. Mas porque precisa de dinheiro, o bendito combustível que move a vida.
Um ano e meio atrás, quando Luís Álvaro de Oliveira anunciou que Neymar não sairia antes de 2014, e olhe lá!, vislumbrei o início da grande revolução no futebol nacional. Ali estavam um cartola e um clube dispostos a remar contra a maré, a dar as costas para os euros e a apontar o caminho para os demais. Com ações de marketing bem-sucedidas, seria enfim possível segurar as pérolas por diversas temporadas e não entregá-las aos gringos na primeira oferta. Ilusão. O Santos também capitulou, ou está bem próximo de ceder.
Como desencanto pouco é bobagem, corro atrás de reações de fãs, crítica, boleirada e respectivos professores, pra constatar o óbvio: regozijo amplo, geral embora não irrestrito, pois a melhor novidade que pintou por aqui na década está com pé e meio fora do País. Com apenas 21 anos! Idade em que começaria a deslanchar, a crescer, a dar retorno maior, será repassado para os tubarões da bola, cuja voracidade não se satisfaz jamais, que vai em busca de presas onde quer que surjam, e não desistem enquanto não as capturarem.
Os bem-intencionados alegam que Neymar poderá crescer, evoluir, concorrer com os maiorais de sua categoria para um dia vir a ser o melhor do mundo. Alegam também que não lhe acrescentam nada torneios pobres como os que há por estas bandas. Ou ainda se argumenta que é importante o aprimoramento, já que em 2014 teremos o Mundial e ele é imprescindível para o sucesso da seleção. Como se pudesse vir a ser o salvador de um time sem carisma.
Nossa autoestima anda em baixa mesmo. Craque é pra segurar de todo jeito, para usufruir o máximo, para dar inveja aos outros. Astro tem de ser chamariz para publicidade, mídia e plateias, além de ponto de partida para formação de grandes times. Estrela divulga o clube, faz com que seja conhecido, admirado, respeitado. Bons jogadores são fundamentais para campeonatos de valor.
E o que fazemos? Empurramos, quase enxotamos Neymar – o “monstro”, o “cai-cai” -, para daqui a algum tempo babarmos com ele a correr por campos estrangeiros. Vamos aplaudir pela telinha da tevê, repetiremos à exaustão a cantilena de que o futebol aqui não tem jeito e não mudaremos nada, nunca!
O brasileiro curte tristeza na bola.
*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 22/5/2013.)
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Uma regra preciosa do Jornalismo e da Psicanálise ensina que é fundamental deixar a pessoa falar, falar, falar. Pois assim, numa entrevista ou numa sessão de terapia, ela expõe o pensamento, abre o coração, desnuda a alma (para ficar em lugares-comuns ainda em uso). Enfim, revela-se. Mais peso têm as palavras se a personagem for pública.
Aí está Jerôme Valcke para comprovar a premissa. O francês ocupa cargo relevante na Fifa – como secretário-geral, está abaixo só do presidente, Joseph Blatter. Portanto, suas atitudes, decisões e declarações contam e repercutem. Por não se tratar de barnabé de quinto escalão, um pronunciamento dele soa oficial.
E não é que Valcke solta outra pérola, desta vez com teor polêmico superior à da famosa frase “O Brasil tem de tomar um pé no traseiro” (no que se referia a obras para 2014)? O dirigente explicou, em simpósio na Suíça, que preparar Mundial em país com várias esferas de governo (federal, estadual e municipal) é mais complicado do que em nações com poder centralizado.
“Vou dizer algo que é maluco”, sublinhou Valcke. “Mas menos democracia, às vezes, é melhor para organizar uma Copa”, reforçou. “Quando se tem um chefe de estado forte, que pode decidir, como Putin, em 2018, fica mais fácil para nós.” Outra indireta pra cá?
A manifestação de Valcke espalhou-se num instante, provocou barulho e saia-justa, a ponto de fazê-lo voltar atrás de novo. Em nota publicada ontem, explicou que foi mal interpretado, que jamais abdicou de postura democrática, etc, etc. Quem sabe, assim como no episódio da gafe com o Brasil, a culpa vá para os tradutores traidores?
O estrago está feito, o lapso expôs outro tanto das convicções do alto executivo e permite conjeturar que tema tão delicado tenha sido debatido anteriormente a portas fechadas. Não é elucubração sem sentido imaginar beneplácito da Fifa com regimes autoritários. Ela se escuda em neutralidade política para historicamente ignorar situações de exceção, desde que não interfiram em seus interesses financeiros.
A dona da bola aceitou uma Copa na Itália fascista em 1934, ignorou a anexação da Áustria pela Alemanha de Hitler (os jogadores austríacos tiveram de defender as cores nazistas no Mundial de 1938, na França) e fechou os olhos para as torturas e os desaparecimentos de presos políticos na Argentina do general Rafael Videla em 1978. Fora as inúmeras competições de seleções de base que patrocinou em localidades com liberdade democrática sufocada.
Evidente que se apresenta tarefa amena tratar com políticos que sejam “donos” de uma nação. Isso implica menos gente para dar palpites, menos choques de interesses, como o próprio Valcke admitiu no depoimento agora desmentido. Necessidade menor de prestar esclarecimentos à sociedade. Mas sempre com fair-play no jogo, claro…
A Fifa aprecia reinar soberana onde desembarca com a trupe, com a família. Suas determinações e exigências soam implacáveis e indiscutíveis. Basta ver como pede isenções amplas, como impõe condições, como lucra com voracidade. Ela manda e pronto. Fica à vontade para determinar que o Mané Garrincha, em Brasília, será chamado de Estádio Nacional na Copa das Confederação e no Mundial, embora oficialmente não “vete” o nome popular. Sente-se forte para proibir, se quiser, a venda de acarajé nos arredores da Fonte Nova (ou Arena, sei lá).
Democracia, de fato, é um estorvo.
Casca de banana. A CBF arruma jogos mequetrefes para a seleção que se tornam cascas de banana: provocam falsa ilusão positiva (como em goleadas contra Iraque e China) ou desencadeiam onda pessimista. Como no empate por 2 a 2 com o Chile. A partida de anteontem, em BH, serviu para acordos com patrocinadores, mostrou grupo de jogadores destreinados, que não formaram time, e espetáculo fraco. Com vaias e desgaste para atletas e para a comissão técnica. Perda de tempo e energia.
*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 26/4/2013.)
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A seleção brasileira faz nesta noite, em Belo Horizonte, mais um desses amistosos de discutível utilidade, pois não conta com jogadores que atuam no exterior. E, se o propósito é afinar o time para a Copa das Confederações, o jogo com o Chile perde sentido. Fica como desculpa – a ser aceita só com generosa dose de boa vontade -, a chance de Felipão observar atletas caseiros para preencher a lista dos que disputarão a competição programada para junho.
Provocou alarido a afirmação do treinador, em entrevista à Folha de S. Paulo, de que a presença de volantes marcadores e criativos é opção bem aceita por torcedores e crítica, mas de serventia duvidosa para a equipe. Em sua visão, a função primordial desses rapazes é a de dar guarida ao sistema defensivo, são uma espécie de bastião da área. Não é à toa que chega a utilizar até três cães de guarda nas equipes que dirige.
A postura do treinador frustra quem imagina ver o Brasil ligeirinho e solto, com meio-campistas como Ramires e Paulinho, aos quais recorreu na reestreia no cargo, contra a Inglaterra. A derrota reforçou-lhe a convicção de que a segurança vem em primeiro lugar. Algo como: esse negócio de jogar bonito serve pra vender imagem, para os analistas escreverem poesia. Quem tem de fazer gols são os atacantes. Tenho dito e não se discute mais.
Surpresa pra você o que diz agora o técnico? Pra mim, nenhuma. Lembro que, tão logo Felipão divulgou a relação inicial de convocados para ir para Londres, escrevi aqui que era agradável ver jogadores de meio com características mais técnicas. Ainda externei minha torcida para que não se tratasse de lapso da parte dele e que ousasse trilhar esse caminho. Foi lapso mesmo.
Não se pode negar, porém, coerência. Pegue a carreira de Luiz Felipe Scolari e constatará que, na maior parte das vezes, jogou com formação tradicional, com zagueiros, laterais ou alas, volantes marcadores, um (às vezes dois) meia de criação e atacantes. Fórmula simples, sem invenção, que lhe valeu títulos dos mais variados matizes – até o penta mundial, em 2002.
Querer que mude agora é sonho – as pessoas tendem a consolidar convicções ao longo da vida e chega um ponto em que não abrem mão delas. Não têm sequer vontade de testar alternativas diferentes daquelas que já conhecem. E aqui não vai crítica, nem preconceito com idade de quem quer que seja; apenas constatação. Veja em sua profissão.
Por falar em 2002, Felipão lembrou que aquela seleção vitoriosa tinha Gilberto Silva e Kleberson, clássicos volantes de contenção, como se diz hoje em dia, em lugar de cabeça de área. Algumas vezes, contaram ainda com o reforço adicional de Edmilson. Verdade. Lembrou ainda que, em 1994, jogavam Mauro Silva e Dunga no meio de campo na campanha do tetra.
Mas tanto numa como noutra ocasião havia atacantes que arrasavam. Nos Estados Unidos, Romário foi incontrolável e Bebeto, funcional. Na Ásia, o trio Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho arrasou adversários. Ou seja, mesmo com vários atletas com a incumbência de fechar espaços na defesa, a compensação vinha com astros ofensivos, com definidores de qualidade acima da média.
Esse detalhe faz diferença? Em geral sim, mas não é regra. O Brasil já teve craques de encher os olhos e não venceu (1982, com Falcão, Zico e Sócrates, entre outros, e 2006 – Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, de novo, são exemplos). Como não é indesmentível a tese de Felipão de que grupo vencedor tenha de ser necessariamente pegador. Em 1990 (Dunga e Alemão) e 2010 (Felipe Melo e Gilberto Silva), preocupou-se com marcação e não venceu. Em compensação, no tri, em 58, 62 e 70, havia marcadores como um Zito ou um Clodoaldo – e olhe lá. E ambos fizeram gols nas Copas.
O que se espera de Felipão é bom senso na escolha dos nomes, que leve os melhores. No mais, o risco será dele: se vencer, terá sido perseverante. Se perder, um cabeça-dura.
*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 24/4/2013.)
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No meio da semana, o Santos jogou pela Copa do Brasil, se classificou e Muricy Ramalho deu as explicações de praxe. A entrevista ia na base do papo vem, papo vai, até que o técnico deu a entender que iria aposentar-se no fim do ano, tão logo terminasse o contrato atual. A ideia passou a cutucar-lhe a cachola após o problema de saúde que o fez ficar de molho por alguns dias em hospital aqui de São Paulo. O susto o levou a considerar a hipótese de curtir mais a vida ao lado da família, depois de tanta estrada, e longe do stress provocado pela profissão. Epa, ali estava uma novidade e tanto!
Muricy pareceu bem sincero no depoimento, mas à medida que falava me batia a certeza: ele não vai parar. Pelo menos não tão já. Encerrar carreira é das decisões mais difíceis na vida de todo cidadão que curte a profissão, seja qual for. Ficar em atividade, enquanto houver saúde, disposição e mercado, gratifica, oxigena o cérebro, empolga.
Quando comecei a batucar em antiga Olivetti Lettera, neste mesmo Estadão, nos tenebrosos idos de 1974, com versos de Camões e receitas de bolo a denunciar espaços do jornal roubados pela censura, companheiros experientes advertiam que enveredava por um “vício” pior do que cachaça. Achei folclórica a predição, afinal verdadeira. Na marvada nunca me liguei, por opção e estômago indócil, mas do jornalismo não nunca cogitei abrir mão, ainda mais com internet, blog e outras bossas.
Pendurar a pena é complicado, ao se tomar gosto por escrever. Porém, pelo que presenciei em inúmeras ocasiões nestas quatro décadas, o sujeito afastar-se do banco de reservas e do joguinho de bola só com camisa de força, por absoluta falta de condições físicas ou por ausência cortante de convites. Uma vez dentro da ciranda, não há como sair. Ser treinador de futebol vicia. Não sou eu quem afirma, mas gente do meio.
Cria-se dependência voraz e não tem terapeuta que dê jeito. Reza a lenda que professores de ponta ganham os tubos – e muitos recheiam vários pés de meia. Taí um ótimo motivo para seguir em frente. No entanto, tem preço: constantes mudanças de casa, pois não se escolhe a cidade para treinar; pressão de dirigentes, torcedores e empresários; a necessidade de lidar com ego de atletas; acostumar-se a ouvir “burro e imbecil” como qualificações mais suaves. E as demissões de uma hora para outra, fora os calotes de clubes maus pagadores?
Treinadores desenvolvem formas de compensação, criam escudos invisíveis, na base de discursos prontos – para início de trabalho, momentos de alegria, fases críticas e debandada. Num instante falam em dar um tempo, reciclar-se, sair de circulação. Tão logo recebem proposta, largam o pijama, botam agasalho e vão à luta.
Lembro de Rubens Minelli, então no auge da fama, no fim dos anos 1970, anunciar que ia pra casa assim que comemorasse o cinquentenário em 78. Conversa. Vinte e tantos anos mais tarde continuava a dirigir grupos de atletas e hoje se diverte como comentarista. Jamais largou a bola. Telê Santana, Osvaldo Brandão, e mais recentemente Zagallo, só passaram a ver futebol no sofá, quando o corpo se recusou a mais aventuras.
Zico roda o mundo nas mais diversas andanças; Falcão largou empregão na Globo, depois de 15 anos, e voltou à rotina cigana e instável de treinador; Luxemburgo tomou cachações no Chile, e vê se pensa em parar! Não!
Moral da história. Muricy pesou o que disse e chegou à conclusão de que “ainda é cedo” para parar. Eu sabia! Pois essa cachaça é difícil de largar.
*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 21/4/2013.)
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Dois registros de final de semana. 1- Na tarde de ontem, a televisão mostrou Henrique a acompanhar a goleada de 4 a 1 do Palmeiras sobre o Guarani das arquibancadas do Pacaembu, junto com o filhinho. 2 – No início da noite de anteontem, Paulo Henrique Ganso postou no Tweeter o seguinte comentário: “Aproveitando o sábado em casa…”
O que zagueiro e meia tiveram em comum na penúltima rodada do Paulista? Não estavam escalados para os compromissos das respectivas equipes. E no que se distinguiram? Um foi ao campo, o outro ficou no aconchego do lar, distante dos companheiros que perderam para o XV de Piracicaba no Morumbi.
As atitudes dos atletas ajudam a entender por que Palmeiras e São Paulo vivem momentos distintos: um surpreendeu prognósticos pessimistas e se classificou por antecipação na Libertadores. O outro lidera o torneio local, mas tem a pesar-lhe a ameaça de ficar fora da competição continental, para frustração e cobrança da torcida. Alviverdes ressurgiram; tricolores se deparam com período de nuvens carregadas.
Tomo os gestos isolados de titulares de clubes importantes como referências simbólicas e não como explicação em si, para o bem ou para o mal dos times. Não significa que Henrique seja profissional exemplar, por aproveitar a tarde de outono com a ida ao campo, enquanto Ganso se revelou folgado por preferir o bem-bom doméstico. Seria simplório encará-los dessa maneira.
Mas não é incorreto interpretar o programa que cada um escolheu como dica do que ocorre nos bastidores. O limitado Palmeiras busca na união o ânimo para sair do buraco em que se meteu ao cair para Série B nacional e após a surra por 6 a 2 para o Mirassol dias atrás. Por isso, o capitão considerou necessário ver o jogo ao vivo. O talentoso São Paulo resvala para o isolamento individual numa fase delicada e decisiva. Não parece aglutinado em torno de ideal comum. Astral que desestimula o jogador a marcar presença a não ser por obrigação.
Situação de palestrinos e tricolores à parte, faz tempo me incomoda postura relaxada de boleiros da banda de cá. A maioria vê como lazer toda ocasião em que esteja fora de uma partida. Por contusão, suspensão ou simplesmente por opção tática ou de planejamento. Errado agir assim – diga-se, com a devida conivência de treinadores e dirigentes. Repouso para o grupo todo é no dia seguinte; na hora do jogo, o elenco precisa comparecer ao local do trabalho, ou seja, o estádio. Só não vai quem estiver impedido por problema físico grave.
Repare como os europeus, ou o pessoal da NBA, prestigiam em peso o desempenho das agremiações. Vão todos ao estádio ou ao ginásio, porque faz parte das tarefas. É fundamental seguir o desempenho dos colegas, analisar in loco as artimanhas dos rivais; enfim, atualizar-se. E ação de marketing com patrocinadores e especialmente com o público.
Por aqui o sujeito fica bravo, se lhe disserem que não é pra ficar no ócio. Tempos atrás, ouvi jogador conhecido (omito o nome por delicadeza) admitir, sem maldade e consciência, que faria um churrasquinho com a família no domingo, pois tinha recebido o terceiro amarelo. “Bom curtir uma folguinha”. Dá pra entender?
Questão de atitude 2. O Corinthians é seguro na Libertadores e candidato ao bi. Já no Estadual flerta com o tédio. Como na derrota para o Linense por 2 a 1. Vai que a sonolência em um campeonato contamine a caminhada no outro… Bom abrir o olho.
*(Minha crônica no Estado de hoje, segunda-feira, dia 15/4/2013.)
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Neymar incomoda. Ou melhor, o sucesso de Neymar por estas bandas provoca desconforto, para usar termo educado e da moda, embora inveja, ciúme, cobiça e até ingenuidade se adequassem à perfeição. À medida que o rapaz se mostra à vontade em casa, atrai maior número de fãs e fecha contratos milionários, cresce a corrente dos que desejam vê-lo fora do Brasil a todo custo. A alegação rotineira se volta para o desenvolvimento técnico e tático que a experiência europeia lhe proporcionaria, além de benefícios inestimáveis para a seleção, “que não pode fazer feio” na Copa de 2014.
A onda, até um tempo atrás, era compará-lo a Messi. Pelo visto, tanto os que o idolatram quanto os que torcem o nariz até para as variações de cortes e tonalidades de cabelo dele, resolveram deixá-la para trás, por ser descabida. O argentino atingiu estágio superior por pertencer a uma categoria, especial e limitadíssima, de superastros. Que talvez Neymar não venha a integrar, sei lá. Sei que tem talento de sobra, e isso deveria nos orgulhar e não nos inquietar.
A tendência agora é cotejá-lo com Lucas. Ambos têm praticamente a mesma idade, surgiram como estrelas nas respectivas equipes – Santos e São Paulo – e viveram trajetória semelhante, pelo menos nas seleções de base. Na principal, Neymar há muito é titular. Por esbanjarem qualidade, chamaram a atenção de estrangeiros, que até o momento conseguiram carregar apenas Lucas. O Paris Saint-Germain despejou um caminhão de dinheiro no Morumbi, para tê-lo como integrante de elenco milionário. Por aqui, a torcida tricolor ainda aguarda, com ansiedade, que os euros sejam revertidos para reforçar o time.
Lucas cava espaço no PSG, participou da aventura da eliminação na Copa dos Campeões, e isso basta para ressurgir o coro dos que sonham ver Neymar distante, sem se darem conta de como a aridez local aumentará após a saída. O argumento corriqueiro indica que, em breve, Lucas será maior que Neymar.
Mesmo? Tenho dúvidas. Lucas ganhará visibilidade, certamente, porque a turma da Europa trabalha com profissionalismo para vender suas competições. Nem sempre o peixe é tão bom quanto se apregoa. Mas, como aparece limpinho, com frescor e a preço razoável, tem aceitação no mercado. E passa a impressão de que é de primeira. Isso pode acontecer com Lucas, que nem precisa de tanta publicidade, ao contrário de muito gringo que deita e rola por lá.
Mas Neymar é melhor – e nisso não vai demérito nenhum para o ex-são-paulino. O ídolo santista dribla, ousa, inventa, finaliza, tem visão de jogo extraordinária. É goleador, garçom, e desenvolve também senso tático que só os dotados de inteligência esportiva refinada apresentam. Evolui, mesmo com as repetidas disputas contra rivais de menor expressão, no Paulista e na Copa do Brasil. Não está cabisbaixo.
Cada um a sua maneira, e no ritmo próprio, terá sucesso. Antes de acatarmos como sensato o canto das sereias que o empurram para o exílio, por que não exigimos profissionalismo e transparência dos dirigentes, por que não forçamos para que elaborem planos de carreira honestos para as revelações, por que não lutamos por campeonatos decentes e competitivos? Assim, com o tempo, será possível manter Neymar e outros craques, além de trazer gente de fora. Mas é mais fácil assumir o conformismo e achar que aqui nunca mudará.
Acomodação que permite que um símbolo nacional – o complexo do Maracanã – seja desfigurado e entregue de bandeja. Como tantos outros.
*(Minha crônica publicada em parte da edição do Estado de hoje, sexta-feira, 12/4/2013. Depois, foi atualizada.)
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Leandro, do Palmeiras, e Luan, do Atlético-MG, têm algumas particularidades em comum. Ambos são jovens promessas do futebol brasileiro, marcaram gols importantes pelas respectivas equipes no domingo, festejaram o momento de alegria intensa e… levaram cartões amarelos. Em ambos os casos, por “conduta antidesportiva”, seja lá o que isso for.
Essa atitude vaga, de larga interpretação e contornos pouco precisos, permite às Suas Senhorias dos gramados advertir os atletas, se considerarem que exageraram na euforia. E, claro, com devido respaldo de seus superiores e da casta especial de analistas de arbitragem, composta de ex-colegas que em geral comungam dos mesmos critérios.
As faltas dos moços? Leandro, 19 anos, fez o gol da vitória palestrina por 2 a 1 sobre a Ponte, resultado que derrubou longa invencibilidade da brava adversária, até então insuperável no Campeonato Paulista. Assim que mandou a bola para as redes, colocou a mão no ouvido direito, como se dissesse para o público: “E agora, ninguém vai dizer nada?” Gesto quase tão antigo quanto o esporte, repetido por tantas gerações de boleiros.
Céus! Isso configura afronta e pode incitar à violência, na avaliação de quem faz as regras do jogo. O profissional não tem direito de comportar-se de maneira tão indigna! Então, os zelosos juízes não vacilam em mostrar-lhe, por meio daquele cartãozinho, o quanto desaprovam a indelicadeza. Foi o que fez Luís Vanderlei Martinucho, todo garboso. É para os saidinhos aprenderem que não se brinca com coisa séria como o futebol. Ora!
Reação semelhante teve Wanderson Alves de Souza, responsável pelo bom andamento dos trabalhos entre Atlético-MG e Boa, pelo Campeonato Mineiro. Luan, 22 anos, anotou golaço, o terceiro dos 4 a 0 finais e o segundo dele na partida, e ficou rodando, rodando, a imitar aviãozinho. Lembrou o técnico Zagallo lá por 1990 e tantos. Na interpretação do senhor do espetáculo, demorou muito para voltar ao meio do campo. Por isso, lascou-lhe a admoestação.
O curioso é que Luan levou algumas pancadas na partida e os agressores passaram incólumes. E ele mesmo, depois, também deu uma sapatada num marcador e o árbitro fechou os olhos. Se aplicasse outro amarelo, viria o vermelho de brinde. Como fica a critério do apitador definir o que vale ou não, vida que segue. Bater é do jogo; quebrar canelas, risco normal. Mas exaltar-se na hora do gol fere a moral e os bons costumes.
Coitado do César Maluco, que se pendurava nos alambrados nos anos 1970. Hoje, seria um pária. Coitado do Serginho Chulapa, do Romário, do Edmundo. Acho que até o Pelé iria se estrepar, porque socar o ar, após os gols, poderia soar ofensivo, agressivo…
Jogadores e formadores de opinião, quem tenha mínima influência, deveriam unir-se e fazer campanha para o basta à hipocrisia, à caretice e à cara de pau disseminadas no futebol. Punição para os brucutus, para técnicos que mandam bater, para dirigentes pilantras, para juízes desonestos, para arruaceiros de arquibancadas. E liberdade para a vibração intensa, exagerada na razão de existir o futebol: o gol. Gol sempre é farra, adrenalina, risos e lágrimas de alegria!
Verde renasce. Por falar em entusiasmo, o Palmeiras supera limitações com suor e raça. A moçada de Gilson Kleina não prima pela técnica, mas tem corrido mais do que equipes estreladas e encrencadas. Os 2 a 1 sobre a Ponte dão esperança de que pode avançar na Libertadores. Nesta semana, a decisão é com o Libertad.
*(Minha crônica no Estado de hoje, segunda-feira, dia 8/4/2013.)
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Político que adapta convicções conforme a música que toca no poder? O mulherengo juramentado? O carreirista compulsivo? O maria vai com as outras? Nenhum desses tipos é mais volúvel do que o torcedor. O fã ardoroso é personagem clássico, eterno, sempre reincidente no futebol, e muda de humor de um dia pra outro, de uma hora pra outra – ou, o mais comum, num mesmo jogo. Ontem, xingava um jogador, hoje o transforma em ídolo, semideus, herói, para amanhã voltar a detoná-lo, a ponto de enxotá-lo da equipe, do clube, do país.
Uma das primeiras lições que o candidato a astro precisa aprender é como lidar com a inconstância do fanático. Se o sujeito se abalar demais com a variação de ânimo do frequentador de arquibancadas, se estrepa fácil. Se der trela idêntica aos aplausos e aos xingamentos, perde o rumo em dois tempos, sem acréscimos, nem prorrogação nem pênaltis. Um dos segredos para o sucesso – além de jogar bem, claro – é aguentar o tranco em momentos críticos. E ter bom senso.
A cabeça do Rogério Ceni talvez esteja um trevo nesta semana, em função do vaivém do astral dos tricolores. No espaço de cinco dias, cometeu pênalti na derrota para o Corinthians, machucou o pé na falta fatal em Pato, encarou tratamento intensivo, viajou, marcou um (também de pênalti) contra o The Strongest e engoliu frango memorável, nos 2 a 1 em La Paz. De quebra, o time está por um fio na Taça Libertadores; basta um empurrãozinho e desce a ladeira. Só Jesus salva – com vitória estrondosa sobre o Atlético-MG combinada com derrota ou empate dos bolivianos. Fácil?
O mínimo que li nas redes sociais, pois com regularidade dou uma bisbilhotada nesse termômetro moderninho da opinião pública, foram sugestões para Rogério Ceni aposentar as luvas. Os mais abusados não medem as palavras e detonam as duas décadas de serviços prestados como se fossem bananas de dinamite que em segundos implodem prédios. Os mais gentis rodeiam, floreiam e propõem ao Mito que se dedique a tarefas novas no São Paulo. Jeito sutil de avisar que chegou a época de passar o bastão e de mudar de lado no balcão.
A decisão de aposentar-se é passo delicado para qualquer cristão comum, quanto mais para atleta. Poucos chegam em plena atividade aos 35, 36 anos, e raros aos 40 (exemplo de Rogério e dispersas exceções). No relógio biológico, são jovens, com muito o que curtir e produzir na vida. No esporte, é o fim de linha, já que pernas, músculos, nervos, pulmões, reflexos não seguem a velocidade do raciocínio. Chato pra caramba.
A hora H, no entanto, implica decisão íntima, séria, que vai respeitada sempre. Conselhos valem apenas se forem pedidos pelo interessado, e olhe lá. Com a rodagem por campos, aviões, hotéis, o profissional da bola tem de contar com discernimento para interpretar os sinais do próprio corpo. E coragem para dizer “Deu!”, se for o caso. No entanto, se ainda se sente bem, se tem mercado a disputá-lo, se conta com o respaldo de torcida, companheiros, técnicos, dirigentes, ok, siga em frente e seja feliz.
Injusto e doloroso, tanto para protagonistas como para coadjuvantes, é perder o trem da história e virar sombra de si mesmo. Você, eu conhecemos episódios de campeões que, sem notar, perderam espaço, caíram no esquecimento, viraram motivo de gozação. A multidão sabe ser generosa, mas sobretudo sabe ser impiedosa. Reputações construídas com suor e retidão se destroem num piscar de olhos. Tudo porque o tempo é marcador implacável e a todos subjuga.
*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 7/4/2013.)
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O resultado do clássico que São Paulo e Corinthians fazem logo mais não vai alterar a vida de nenhum dos dois no Campeonato Paulista. A classificação para a fase seguinte é tão certa quanto afirmar que hoje se comemora a Páscoa. Interessa saber em qual posição cada um terminará após 19 rodadas. Não há o que temer, pelo menos no torneio paroquial.
Mas o duelo no Morumbi importa – e muito. Em primeiro lugar, porque se trata na atualidade da rivalidade mais acirrada por estas bandas. Os clubes cresceram demais, nas últimas décadas, e acumulam títulos, torcidas, provocações e gozações. Não faz bem, nem para um lado para outro, vacilar no Majestoso. Questão de princípios e autoestima.
Por extensão, o desempenho neste domingo especial terá reflexos no ânimo de cada turma para desafios marcados no meio de semana pela Libertadores. E compromissos decisivos, sobretudo para o São Paulo. O time de Ney Franco está por um fio na competição, tem 4 pontos (contra 12 do classificado Atlético) e na quinta enfrenta em La Paz dois adversários: o The Strongest, não tão forte assim, e a altitude, essa sim danada para derrubar favoritos. Até empate pode arrasar com as chances de classificação, dependendo do que tiver ocorrido um dia antes no jogo que o Galo fará em Belo Horizonte com o Arsenal.
A pressão sobre o treinador tricolor diminuiu um tico, pois a vida no estadual segue mansa. O nó está no plano internacional. Pode contar muito pouco terminar em primeiro lugar por aqui e ver fugir o objetivo maior. Por isso, Ney enfrenta dilema para definir a escalação. Se optar por time reserva, pode levar uma coça e carregar a bronca dos fãs para a Bolívia. Se preferir força máxima, como é a tendência, há o risco de sofrer baixas – e dá-lhe dor de cabeça na viagem. A história da cruz e da caldeirinha, ou do se ficar o bicho pega, se correr o bicho come, entre céu e inferno e outras expressões populares. Escolha a que lhe agradar.
O panorama para o Corinthians é um tanto diferente, mas com aspectos em comum com o rival. Assim como o São Paulo, não se admite tropeço, ao mesmo tempo em que se teme acidente de percurso. O campeão da América e do mundo levou sustos, com contusões – casos mais significativos os de Cássio, Paulinho, Pato e Renato Augusto. Este último fica de molho por semanas, o centroavante está pronto, apesar do temor de que sinta falta de ritmo (será só isso mesmo?). O goleiro se recompôs, da mesma forma que o meio-campista.
O Corinthians tem a seu favor a bonança com as conquistas magníficas de 2012 e com a perspectiva de depender só de si para seguir no rumo do bi continental. O entrave é a visita ao Millonarios. As chances de classificação, porém, são muito generosas.
Esta conversa toda me leva a algumas suposições. Arriscado não poupar ninguém a esta altura. O ideal é apelar só para aqueles que estejam tinindo. Independentemente de escalações, não imagino espetáculo morno. Insossos não têm sido os enfrentamentos desses gigantes. Tomara a tendência se mantenha e não sejamos frustrados com outro 0 a 0.
Aleluia! A malhação do Judas por tradição ocorre por volta de meio-dia do sábado de Aleluia. A pequena torcida do Palmeiras que esteve no Pacaembu por pouco não estendeu o ritual para o início da noite e teria como alvo o time todo, além de Gilson Kleina. Para salvação geral, Marcelo Oliveira fez em cima da hora o gol da vitória sobre o Linense. Que sufoco! Tomara seja a ressurreição palestrina.
*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo de Páscoa, dia 31/3/2013.)
Tags: Campeonato Paulista, Coluna Antero Greco, Corinthians, Ney Franco, São Paulo, Taça Libertadores, Tite
Romário tem usado a tribuna da Câmara, em Brasília, para bulir com personagens importantes do esporte. Há muito o alvo preferido do deputado tem sido a Confederação Brasileira de Futebol e seus dirigentes, que a conduzem como nos tempos das capitanias hereditárias. Ao expor de modo ferino pontos frágeis da cartolagem, o ex-atacante semeia simpatia no eleitorado. Tomou gosto.
O astro da campanha do tetra mundial concedeu interessante entrevista ao repórter Sílvio Barsetti, que você leu na edição de ontem deste caderno. Disse coisas sensatas, disparou a torto e a direito, constatou que o comando atual da CBF é nefasto e atreveu-se a sugerir Andrés Sanchez como nome ideal para ocupar o cargo. Em dobradinha com Raí.
Pois nesse aspecto Romário pisou na bola e desperdiçou clara chance de gol. O ex-presidente do Corinthians, de estilo bocudo e rude, teve papel relevante no clube dele, fato inquestionável. Mas, vê-lo como alternativa aos métodos arcaicos do mundo da bola doméstica, como novidade para o que há décadas está por aí, é um equívoco, uma distorção.
Sanchez não está à margem do sistema; ao contrário, faz parte dele – e como! Não se pode relevar que era carne e unha com o ex-mandachuva da CBF, aquele que hoje curte doce exílio. Ambos tiveram estreitos laços de amizade, a ponto de o corintiano ter chefiado a delegação brasileira na Copa da África e de ter sido escolhido como diretor de seleções.
A ação de Sanchez foi fundamental para a implosão do Clube dos 13, agremiação de clubes que ensaiava incomodar o alto comando. Ele destroçou a entidade, como um tanque, para alívio da CBF e parceiros. Em troca, recebeu de bandeja o presente de abrigar a abertura do Mundial de 2014. Com isso, escancaram-se as portas oficiais para o tão sonhado estádio para o Corinthians. Nos bastidores, se falava que estava sendo preparado para assumir a CBF em futuro próximo. Entrou pelo cano ao se mostrar entrave aos projetos da dobradinha José Maria Marin/Marco Polo del Nero.
Sanchez não desponta como a guinada moralizadora que imagina Romário, que no início demorou um tanto pra perceber como era nociva a antiga cúpula da CBF. Talvez o deputado tenha chutado o primeiro nome que lhe veio à cabeça. Prefiro essa do que outra hipótese. Assim como Raí não seria bom vice. Por motivo simples: não é parte do establishment. É independente, tem discernimento e senso crítico. Características intragáveis para o coronelismo do futebol de cá.
Ronaldo, esse sim teria caminho livre. Faz só dois anos que trocou as chuteiras pelo paletó, mas parece que foi há séculos que mudou de lado no balcão, pois age como um dirigente veterano. Totalmente integrado ao meio. De tal forma que não vê conflitos éticos em ter uma agência que atua em eventos e em carreiras esportivas, em trabalhar como integrante do Comitê Executivo Local da Copa e logo mais como comentarista de televisão na Copa das Confederações.
O Fenômeno vai longe no ramo.
Que casa! Já escrevi diversos artigos sobre o Palmeiras, a maioria indignados. Hoje, reproduzo singelos versos de “A Casa”, sucesso de Vinicius de Moraes para a criançada. Atuais e certeiros. “Era uma casa muito engraçada/Não tinha teto, não tinha nada./Ninguém podia entrar nela, não/Porque na casa não tinha chão./Ninguém podia dormir na rede/Porque na casa não tinha parede./Ninguém podia fazer pipi/Porque penico não tinha ali./Mas era feita com muito esmero/Na rua dos bobos, número zero.”
*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 29/3/2013.)
Tags: Andres Sanchez, CBF, Coluna Antero Greco, Romário
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