Sei que este Brasileiro é maluco e imprevisível. Já escrevi e falei a respeito disso várias vezes. Mas, salvo reviravolta espetacular, a briga finalmente se reduziu a dois concorrentes, Corinthians e Vasco, 61 pontos por cabeça, contra 56 de Flu e Figueirense e 55 de Fla e Botafogo. Pois ambos jogam hoje e, na teoria, terão dificuldade diante de adversários assustados. O líder visita o Ceará na zona da degola e o vice-líder será recebido pelo Palmeiras que faz de tudo para aproximar-se dos últimos colocados.
Os dois primeiros colocados são favoritos, apesar de atuarem fora de casa. Algumas sutilezas, no entanto, existem nos dois compromissos. O Corinthians pega rival que joga praticamente a última cartada para manter-se na Série A. Com 35 pontos, o Ceará pode enterrar-se de vez com nova derrota. Estão mais próximos dele o Cruzeiro (37 e que enfrenta o lanterna Avaí) e Atlético-MG (39, que amanhã recebe o Coritiba). Nada difícil imaginar vitórias mineiras. Seria praticamente impossível superá-los nas rodadas finais.
O Ceará está, portanto, com a corda no pescoço. Vai depender dele tentar safar-se dessa, e a prova maior de reação é diante de quem está no topo da tabela. Essa tensão tanto pode complicar como ajudar o Corinthians, que tem sofrido nos duelos com a turma de baixo (ganhou raspando de Cruzeiro, Avaí e Atlético-PR, além de perder para o América). Tite não terá Paulinho e Jorge Henrique, aposta de novo em Willian, Emerson e Liedson. Além disso, conta com Adriano no banco. O rapaz é uma incógnita, pois ainda parece deslocado no time.
O Vasco tem clássico, no estádio do adversário, mas não deve sentir-se intruso. Ao contrário, das arquibancadas receberá apoio quase total. Há muito as torcidas são “irmãs”, o que significa não ter confusão. Desta vez, ambas estarão unidas por essas ironias do futebol. Os vascaínos logicamente porque sonham com seu time campeão; os palmeirenses, porque sabem que derrota de sua equipe pode prejudicar o projeto corintiano de chegar ao título.
Dentro de campo, a história é outra, ainda assim favorável em tese ao Vasco. O Palmeiras faz a campanha mais ridícula do segundo turno (10 pontos ganhos), ainda tem risco de cair (embora não muito grande) e não se acerta. O ambiente também não é dos melhores e ainda contará com vigilância de seus fãs, hoje menos dispostos a vê-lo jogar bem. O Vasco está bem perto da força total. A grande baixa é Juninho Pernambucano.
Um fato curioso pode ocorrer, e ainda assim tenho lá minhas dúvidas: corintiano vibrará com gol palmeirense? Talvez. Palmeirense não festejará gol corintiano? Certamente não.
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O Flamengo trouxe má notícia para aqueles que ainda torcem o nariz para o Brasileiro. Com a vitória por 1 a 0 sobre o Ceará, no começo da noite deste sábado, foi a 51 pontos e igualou-se a Corinthians e Vasco, na ponta do campeonato. A diferença está no número de vitórias: 15 para o Corinthians, 14 para o Vasco e 13 para o Fla. Com isso, torna mais empolgante a reta final da competição. O resultado é também um golpe para quem não gosta do sistema atual de disputa. Faltam nove jogos, para a maioria dos competidores, e há seis ou sete na briga. É ruim?
A vitória foi extraordinária, na estratégia rubro-negra de chegar a mais um título nacional. A exibição nem tanto. O Flamengo não jogou o fino, e ainda assim o suficiente para ganhar de um rival que se aproxima com perigo da zona de rebaixamento. Com 32 pontos, o Ceará pode terminar a 30.ª rodada entre os quatro últimos, se Cruzeiro (31) e Atlético-MG (30) vencerem.
No primeiro tempo, o time de Vanderlei Luxemburgo criou pelo menos duas chances excelentes para marcar, só que Deivid e Alex Silva desperdiçaram. O mesmo Deivid, que a turma costuma pressionar, tratou de se redimir e fez o gol da vitória, aos 40, ao aproveitar cruzamento de Thiago Neves. Uma cabeçada bem colocada, com ligeiro vacilo de Fernando Henrique.
O segundo tempo prometia ser mais quente, mas deu uma esfriada porque o árbitro André Castro mostrou vermelho para Ronaldinho Gaúcho e Heleno aos 5 minutos. Os dois se estranharam na lateral, no campo de ataque do Flamengo, e o juiz achou melhor expulsá-los. Uma advertência resolvia a questão, que nem foi tão grave assim. Pra mim, exagero.
O Fla perdeu criatividade, se resguardou, o Ceará partiu pra cima no sufoco, também teve oportunidade para empatar. Só não contava esbarrar na pontaria e no goleiro Felipe. No finalzinho, Osvaldo também foi expulso, por simular pênalti. Levou amarelo, ironizou e levou o vermelho. Ora, como ousa desrespeitar a autoridade?!
O Ceará está com sinal vermelho aceso e o Flamengo voltou a ver o verde.
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Demorou cinco rodadas, mas o Palmeiras voltou a ganhar no Brasileiro. O time de Felipão fez 1 0 no Ceará, na noite desta quinta-feira, no Canindé e continua fora do bloco principal, já que está em sétimo lugar, com 38 pontos, 8 a menos do que o líder Vasco. Mesmo assim, o resultado faz com que volte a sonhar com vaga na Libertadores do ano que vem.
O Palmeiras venceu, mas não teve futebol muito diferente do que vinha mostrando. De novo, passou a maior parte do tempo das bolas levantadas para a área pelo Marcos Assunção, sejam lançamentos, cobranças de falta ou de escanteio. O que é pouco para quem pretende ter maiores pretensões no campeonato. Para não parecer má vontade, vale registrar que o meio-campo foi mais participativo, a defesa ficou menos exposta e o ataque apareceu mais.
A consequência da postura mais alerta foi domínio no primeiro tempo. O Palmeiras deu raras ocasiões para o contra-ataque do Ceará, criou mais chances do que em apresentações recentes, deu trabalho ao goleiro Fernando Henrique e ficou em vantagem com gol contra de Thiago Matias, aos 43 minutos. O zagueiro desviou sem intenção cabeçada de Luan, após cruzamento de Márcio Araújo (olha aí, não foi o Assunção…)
No segundo tempo, o Palmeiras diminuiu o ritmo, teve mais dificuldade para superar a marcação cearense e só incomodou duas vezes: aos 2 minutos, numa bicicleta de Kleber que passou raspando o travessão e aos 41 minutos, com Maikon Leite (tinha entrado um minuto antes no lugar de Fernandão) tocando para o gol; Eusébio salvou em cima da risca. Os dois times reclamaram de pênalti por mão na bola – e ambos tinham razão porque houve as faltas.
Não foi partida para guardar na memória. Mas o fato de voltar a vencer pode recolocar o Palmeiras no rumo. E, como ninguém se dispõe a disparar na frente… O Ceará, com 27, está na região da pasmaceira, em que nada acontece. Porém, se aproxima da zona do descenso.
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Vasco e São Paulo vão dormir nas primeiras colocações do Brasileiro. Ambos fizeram sua parte, no início da noite deste sábado, golearam com autoridade e com a vontade de quem está mais do que nunca na briga pelo título. O Vasco fez 4 a 0 no Grêmio, em São Januário, foi para 45 pontos e assumiu a liderança. O Tricolor lascou 4 a 0 no Ceará, no Morumbi, e assumiu o segundo lugar, com 44. Com isso, jogam pressão sobre Corinthians, agora terceiro com 44, e Botafogo, o quarto, com 40.
As duas vitórias foram irretocáveis e servem para reafirmar o bom momento dos dois ponteiros. O Vasco ignorou a necessidade de reação do Grêmio e deu as cartas logo com 4 minutos, no gol de Elton. Essa vantagem atiçou a equipe de Celso Roth, que pressionou, deu calor, mas baqueou com o gol de Diego Souza aos 33.
Na etapa final, o Grêmio voltou a insistir, mas levou aquela ducha fria, com o gol de Eder Luiz aos 6 minutos. Com 3 a 0, não teve alternativa, senão a de fechar-se, na tentativa de evitar vexame maior. Não deu, pois ainda tomou o quarto, com Fagner aos 16 minutos. Daí em diante, também o Vasco tirou o pé e deixou o tempo correr.
Algo semelhante ocorreu no Morumbi. O Ceará optou por postura defensiva e optou pelo contra-ataque, com o bom Osvaldo. Porém, segurou o São Paulo até os 42 minutos do primeiro tempo, quando Juan fez 1 a 0. Dois minutos depois, embalado pelo gol, o anfitrião aumentou, com o outro lateral, o paraguaio Piris. Foi o suficiente para desnortear o adversário.
O domínio foi mais acentado no segundo tempo e o placar foi liquidado com Casemiro aos 21 minutos e Rivaldo (que entrou no lugar de Henrique) aos 26. O veterano camisa 10 ainda fez uma jogada excepcional aos 42, ao dar passe de letra para Cícero, que mandou a bola para as arquibancadas.
Esses resultados tornam mais interesantes os clássicos estaduais deste domingo. O Corinthians se vê na obrigação de bater o Santos e o Botafogo entra pressionado pela necessidade de empurrar o Flamengo definitivamente para fora da briga pelo título. Independentemente do que ocorrer, Vasco e São Paulo assistem de camarote.
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O São Paulo tem sido anfitrião finíssimo, ao permitir com frequência que o convidado saia do Morumbi com empate ou com vitória. Mas, neste sábado, precisa quebrar o protocolo e ganhar do Ceará. Essa é a condição obrigatória para manter-se na briga pelo título brasileiro de 2011. Depois, vai emendar sequência da pesada, com jogos contra Corinthians, Botafogo e Flamengo.
Adilson Batista e seus jogadores sabem que mesmo empate é alternativa ruim para os planos atrevidos do São Paulo. Nas últimas rodadas, o time desperdiçou algumas chances importantes para retomar a dianteira e permanecer lá. Não ficou tão atrás na corrida pela taça porque os demais não dispararam. Por isso, inicia o fim de semana em terceiro lugar, com 41 pontos, um atrás do Vasco e a dois do Corinthians.
O treinador mexe mais uma vez na formação titular, assim como havia acontecido constantemente sob o comando de Paulo Cesar Carpegiani. Desta vez, não contará com Dagoberto. O artilheiro e referência da equipe cumpre suspensão.
Em compensação, o São Paulo tem como novidade a presença, desde o início, de Henrique, destaque do Brasil na campanha do penta mundial Sub-20 (e eleito o melhor da competição). Ele formará dupla de ataque com Lucas. Taí uma dobradinha que pode render coisa boa. Os dois são rápidos, atrevidos e cheios de vontade. Bom sinal.
As rodadas seguintes também definirão o rumo do São Paulo, pois tem duelos que valem “18 pontos”, já que se trata de concorrentes diretos ao título. No meio da semana, recebe o Corinthians, no domingo que vem vai ao Engenhão pegar o Botafogo, e no dia 2 de outubro tem o Flamengo em casa. É a hora do vai ou racha para o tricolor.
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A tabela do Brasileiro, por esses acasos do futebol, previu para o Corinthians uma série de jogos contra times que não fazem boa campanha. Ou seja, era chance de ouro para firmar a excelente fase das rodadas iniciais e disparar na liderança. Engano quase total.
A ‘sequência fácil’ teve derrota para o Avaí e empates com Atlético-PR, Santos e, neste domingo, Ceará. Foram 4 pontos acumulados e 8 que bateram asas. O favoritismo se confirmou apenas diante do América-MG, e mesmo assim numa vitória mirrada, suada, por2 a1 no Pacaembu. Retrospecto para deixar todo mundo com um pé atrás.
O líder do campeonato decepcionou outra vez. O cenário era favorável para o jogo com o Ceará, pois Tite tinha à disposição praticamente força total. Júlio César e Alessandro de volta e Liedson como alternativa no banco de reservas. O rival vinha de três derrotas em seguida na Série A, compensadas com2 a1 sobre o São Paulo pela Sul-Americana.
O Corinthians jogou como se previa na primeira etapa, quando pressionou, criou chances e marcou os dois gols. Abriu o placar com Paulinho, aos 24 minutos, numa jogada que teve participação especial de Danilo. Em seguida, um susto, com o empate obtido com Osvaldo, após vacilo gigante do sistema defensivo. Logo após a saída, Alex deixou tudo normal outra vez, com um golaço, talvez o mais bonito da rodada.
Tudo levava a crer que o Corinthians cumpriria seu papel de mandante sem mais sobressaltos. Daí veio a bobagem de tirar o pé do acelerador no segundo tempo. Melhor para o Ceará, que avançou devagarinho, testou até onde podia ir. E foi até novo empate, aos 40 minutos, com Rudinei. Num momento em que o anfitrião não tinha mais forças para reagir. Pouco antes, o Ceará tivera gol anulado, em lance duvidoso.
Os vacilos só não arrancaram o Corinthians da liderança porque seus mais diretos concorrentes também pisam na bola. O Flamengo cedeu empate ao Figueirense depois de abrir2 a0 de vantagem e o São Paulo no sábado só evitou vexame maior contra o Atlético-PR, no Morumbi, ao marcar2 a 2 em cima da hora. O trio continua na briga pelo título, mas tem a companhia do Vasco, que sobe como quem não quer nada.
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O jogo que Ceará e São Paulo fizeram agora há pouco, em Fortaleza, teve ritmo forte e se mostrou revelador. O time da casa correu demais, do começo ao fim. A equipe paulista aguentou até onde pôde, mas sentiu o desgaste e vários jogadores ‘pregaram’. Resultado: Ceará 2 a 1 mais próximo da vaga para a fase internacional da Copa Sul-Americana.
O Ceará mandou na partida, tomou a iniciativa, criou as melhores oportunidades diante de um São Paulo assustado e com algumas baixas. A principal delas – fora Lucas e Casemiro, com seleções – foi Dagoberto, poupado porque não estava em boas condições. O time de Vagner Mancini só teve dificuldade para marcar porque esbarrou em excelente atuação de Rogério Ceni. O goleiro fez, ao longo do jogo, pelo menos meia dúzia de boas defesas.
O Ceará ainda tomou susto, com o gol de Rivaldo aos 23 minutos do primeiro tempo, mas teve ânimo para empatar com Rudinei, nos descontos. Na etapa final, o São Paulo ficou sem Rodholfo, que também não suportou o baque e perdeu Denilson logo aos 2 minutos, por cartão vermelho. A velocidade foi de novo a marca da partida, com o Ceará em cima e o São Paulo tentando responder. A correria fez Fernandinho e Rivaldo também jogarem a toalha.
A vitória foi definida aos 48, com um chute de Marcelo Nicácio embaixo do gol, depois de aproveitar bola que bateu na trave. O São Paulo volta derrotado, embora ainda na briga pela vaga, mas com uma interrogação: por que tem sofrido tanto com desgaste físico de seus jogadores. De certa forma, mais até do que outros concorrentes na Série A.
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Vejam só como é vida de treinador. O Ceará voltou para o segundo tempo com a corda toda, na tentativa de empatar o jogo com o São Paulo, já que era chato estar em desvantagem (1 a 0) em casa. Com cinco minutos, pregou uns três sustos no Rogério Ceni e sua turma. Lá no banco, Paulo César Carpegiani arregalou os olhos, coçou a cabeça e deve ter pensado. “A coisa vai ficar feia.”
O técnico tricolor não teve dúvida: chamou o zagueiro Bruno Uvini e o colocou em campo no lugar de Marlos. Justamente o Marlos, alvo constante da ira dos torcedores, mas autor daquele gol salvador. Justo na tarde em que o Marlos estava jogando bem. Substituição, portanto, arriscada, sinal de medo de que a casa fosse cair. Melhor, portanto, reforçar a defesa e mandar o ataque às favas.
Pois não é que deu certo?! O São Paulo apagou o fogo do Ceará em pouco tempo, reequilibrou o jogo, retomou o ritmo que lhe era mais conveniente e ainda criou jogadas de perigo. Não muitas, é verdade, mas teve lá suas chances. Numa delas, Lucas fez o segundo gol e liquidou o desafio fora de casa. Quinta vitória, liderança absoluta.
A decisão de Carpegiani pode ter desencadeado temor nos torcedores do São Paulo e se mostrou, afinal, acertada. Técnico tem dessas, e acho interessante quando arrisca. O erro faz parte do jogo, com o perdão do trocadilho. Melhor isso do que ficar estático.
Carpegiani me fez lembrar de frase antiga de Otto Glória, treinador brasileiro que fez sucesso ao dirigir Portugal no Mundial de 1966. “Técnico é besta ou bestial”, dependendo do resultado. Carpegiani desta vez foi “bestial” e serviu de mote para a minha coluna de amanhã no “Estadão”.
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Vi diversos jogos do Flamengo neste ano. Posso afirmar, sem muita margem de erro, que a partida com o Ceará, na noite desta quarta-feira, em Fortaleza, foi uma das melhores, senão a mais intensa até agora. O time de Vanderlei Luxemburgo pressionou, chutou 26 vezes ao gol, criou inúmeras oportunidades, chegou a abrir vantagem de 2 a 0, mas foi desclassificado ao permitir o empate de 2 a 2.
Quase tudo aconteceu no primeiro tempo: gols, expulsão de Ronaldo Angelim, discussão entre jogadores, policiais e o árbitro Sandro Meira Ricci. E também a maior parte do bombardeio do Flamengo, que foi pra cima a toda velocidade, desde o primeiro minuto. Um ritmo alucinado, que chegou a flertar com a classificação com os gols de Thiago Neves, aos 19 e aos 27 minutos. Fora a ameaça de aumentar a diferença.
O Ceará, assustado com a avalanche rubro-negra, só conseguiu respirar quando perdia por 2 a 0. E Washington teve sua noite de glória, ao marcar também duas vezes, aos 35 e aos 41 minutos. Entre um gol e outro dos cearenses houve um episódio que tirou os flamenguistas do sério: aos 38, Ronaldo Angelim dividiu com Osvaldo, que caiu. Meira Ricci mostrou o segundo amarelo ao zagueiro e, claro, o vermelho. Muito rigor. Foi um Deus-nos-acuda e por pouco não sai pancadaria na saída para o intervalo.
O Flamengo foi incansável, continuou em cima no segundo tempo e encontrou um paredão em Fernando Henrique, velho conhecido dos tempos de Flu. Ronaldinho Gaúcho, criticado na partida anterior, foi bem, com passes importantes e boa movimentação. Enfim, esteve ligado, como todo o time, que fica pelo meio do caminho.
O Ceará até agora é o azarão, o que corre por fora na briga pelo título. Como franco-atirador, alcança a semifinal sem ter nada a perder. Tecnicamente é inferior ao Coritiba, mas assim era também contra o Flamengo e deu no que deu…
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Dois grandes do futebol brasileiro correm risco nesta quarta-feira. Flamengo e Palmeiras, premiados com tudo quanto é título, estão em situação delicada na Copa do Brasil. Espera aí: estou sendo injusto. O Fla vive momento difícil na competição, depois de perder para o Ceará em casa por 2 a 1. O Palmeiras embicou na plataforma de lançamento e tomou o rumo do espaço com os 6 a 0 para o Coritiba, na semana passada, no Paraná.
O Flamengo coloca à prova seu elenco badalado, mas contestado, no duelo contra o Vovô, às 21h50, em Fortaleza. O campeão carioca vacilou demais no Engenhão e só não se enroscou de vez porque conseguiu ainda fazer um gol, quando perdia por 2 a 0. Não se encontra diante de barreira intransponível, a diferença nem é tão grande. O problema é que não tem mostrado futebol convincente, embora tenha sido sua única derrota até agora na temporada.
O técnico Wanderlei Luxemburgo sabe que o trabalho no Estadual será relegado a segundo plano, se não seguir adiante na Copa do Brasil. É o desafio pessoal do treinador, já que desde 2004 não conquista uma taça nacional (a última foi o Brasileiro daquele ano, com o Santos). Sob vigilância da torcida está também Ronaldinho Gaúcho, que desembarcou como estrela maior da companhia, no início do ano, e não tem feito exibições de encher os olhos.
O Flamengo pode chutar desconfianças para escanteio, se de fato for mais ousado e equilibrado. O Ceará está embalado, com o resultado da semana passada e com o título cearense. O ambiente só foi agitado pelo Nicácio, que andou pedindo muito para acertar e foi afastado do jogo. Que hora mais inadequada para o sujeito acertar a vida!
Vida confusa é a do Palmeiras. O time vinha bem, no Paulista e na Copa do Brasil. Em cinco dias, desmontou. Primeiro, foi eliminado pelo Corinthians nas semifinais. Depois, a sova histórica para o Coritiba. Tem maluco que acha possível o time viver uma noite de sonho e sair de campo com resultado mais improvável do que eu fazer a mega-sena. O máximo que tem de fazer é uma despedida honrosa, digna, para iniciar o Brasileiro menos abalado.
Estou de olho no Coritiba, que se ajustou na Série B, ganhou com um pé nas costas o Paranaense e pode dar salto de qualidade tremendo ao avançar na Copa do Brasil. Torço para que seja um dos destaques do ano. Quem sabe a começar pelo título da Copa do Brasil?
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