Antero Greco - Estadao.com.br

Antero Greco

Há momentos em que penso que Arnaldo Tirone é um grande gozador, uma pessoa com senso de humor acima de media. Um artista, um showman. Depois, bate a dúvida, para em seguida vir a certeza de que ele fala sério. Mesmo que sejam coisas disparatadas.

A mais recente li poucas horas atrás, aqui mesmo no site do Estadão. O dirigente sob cuja administração o Palmeiras sofreu a segunda humilhação do rebaixamento afirmou que o elenco está entre os cinco melhores do País, “tranquilamente”. E, empolgado, enfatizou que a queda ocorreu por azar, basicamente por uma longa fase de oscilação.

Um dirigente não pode falar uma coisas dessas, num momento em que a torcida ainda se sente humilhada, espezinhada, machucada com o vexame dado no Brasileiro. Num período em que virou gozação para os rivais, e em que vê o São Paulo a um dois passos de um título internacional e o Corinthians preparar-se para a disputa do Mundial de Clubes.

Declarações desse tipo agridem o bom senso dos palestrinos, que se sentem uns parvos. Como pode ser considerado excelente um grupo que foi um fiasco na Série A e que, mal terminou a competição, já tem mais de uma dúzia de baixas? A diretoria dispensas diariamente; daí, aparece o presidente para dizer que, apesar disso, a qualidade é de primeira?

O temor de fiasco em 2013 só aumenta. A diretoria não passa firmeza e age como se desconhecesse a importância do cargo que ocupa e da etapa delicada na vida da instituição. Com esse comportamento dá pistas a respeito das contratações que virão por aí. Meu Deus!

Tirone deve ser boa gente, disso nem me atrevo a falar, pois pouco o conheço, e jamais o atacaria em termos pessoais. Mas, como presidente, entrará para a história como um dos piores em 100 anos de Palestra. Por isso, está mais do que na hora de tirar férias definitivas do clube e, assim, ficar à vontade para tomar sol na praia.

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Não sou chegado em autoajuda – assim como não tenho nada contra quem recorre a ela. Também não sou um otimista de carteirinha. Por isso, afirmo com tranquilidade que a derrota por 3 a 1 para o São Paulo pode ser ótima referência para o Corinthians, na disputa do Mundial de Clubes, dentro de alguns dias, no Japão. Basta que Tite e seus rapazes tirem lições do que aconteceu na tarde deste domingo no Pacaembu.

O resultado foi desastroso? Sim, sobretudo do ponto de vista da rivalidade. E pelo fato de o São Paulo ter entrado com reservas e jogar muito mais, enquanto o Corinthians optou por força máxima e jogou bem menos. A vitória tricolor foi merecida, pois dominou praticamente o jogo todo, com um senão: o juiz anulou erradamente gol de Jorge Henrique, que deixaria o primeiro tempo terminar no empate por 2 a 2.

O Corinthians ensaiou um bom começo, quando até ficou em vantagem, com o gol de Paolo Guerrero. Mas foi o peruano quem passou apreensão para os companheiros, ao sofrer contusão e sair de campo antes do intervalo. Teve jogador alvinegro que claramente passeou em campo, com receio de se machucar e fora fora do Mundial. Na boa, não condeno, pois o medo é sentimento humano e muitas vezes incontrolável.

O São Paulo não tinha nada a perder, já que os titulares viram o clássico das numeradas ou do banco de reservas. Por isso, foi à frente, forçou, teve ânimo para virar, com gols de Douglas e Maicon, duas vezes. Envolveu o Corinthians e estimulou o torcedor a gritos de olé!, a partir da metade da etapa final.

Para o Corinthians, o que importa, agora, é ver onde errou. Wallace, por exemplo, jogou mal, e merece uma boa conversa de Tite. Outro que pode ouvir conselhos (só não sei se vai acatá-los) é Jorge Henrique para evitar bobagem no Japão. Costuma ser catimbeiro que só, mas desta vez se deu mal ao levar vermelhor por chutar Casemiro. (Eu daria amarelo, mas a maioria dos árbitros interpretaria como agressão para expulsão.)

Enfim, bom que o Corinthians embarque com a guarda alta, com alerta ligado, do que sair de casa descontraído e leve demais. Adrenalina na medida certa pode ajudar no Mundial. E melhor tomar olé! agora, em casa, do que no Oriente.

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Não houve surpresa, e o Palmeiras se despediu da Série A de forma coerente com o que apresentou durante a competição: com futebol medíocre, de segunda classe, de uma pobreza franciscana. Os 3 a 1 que levou do Santos, na noite de sábado, na Vila Belmiro, foram até piedosos. Se Neymar e a turma dele forçassem um pouco mais, fechariam o ano com uma surra homérica sobre um rival abatido, constrangido e envergonhado. Foram comedidos.

Deu pena ver o Palmeiras em ação pela última vez em 2012. O time entrou já derrotado e, por ironia, com a horrenda camisa amarelo marca-texto. (Tiveram, talvez, o pudor de não pedir para os atletas usarem o verde históric.) O placar, na verdade, não faria diferença. Os jogadores escalados por Gilson Kleina cumpriram como penitência o compromisso derradeiro do calendário. A maioria, se pudesse, evitaria expor-se ao vexame final.

Sabe aquele respiro do moribundo antes de bater as botas? Pois é. Veio com o gol de Maikon Leite aos 4 minutos do primeiro tempo. Algum otimista poderia pensar que a saideira seria com cabeça erguida e três pontos. Miragem que desapareceu antes do intervalo, ao levar os três gols, um de Victor Andrade e dois de Neymar (um deles de pênalti que sofreu de Román, também expulso por causa do lance, um grotesco puxão no camisa 11 dentro da área).

O Santos claramente tirou o pé na fase final. Provavelmente por solidariedade profissional. Seria desumano bater num adversário sem rumo e sem forças. O clássico que já teve Pelé e Ademir da Guia frente a frente virou um treino para os santistas, com toques pra cá e pra lá. Para os palmeirenses parecia jogo de gato e rato.

O Palmeiras vai de mala e cuia para a Segunda Divisão com 22 derrotas em 38 apresentações! Um retrospecto indefensável. Não há erros de arbitragem suficientes para amenizar um dos retrospectos mais pífios da história de um clube à beira de completar 100 anos. O time e principalmente os torcedores passaram humilhação inédita. A queda em 2002 tinha uma atenuante: foi um campeonato de um turno. Neste, prevaleceu incompetência das bravas.

Um gesto, único, de grandeza que a diretoria poderia ter era o de apresentar renúncia coletiva assim que terminou a partida. Uma forma de assumir responsabilidade e mostrar que o caminho estava livre para a reformulação. Mas, em vez disso, é bem capaz que algum cartola tenha ficado em Santos e seja visto, neste domingo, a tomar sol, “para desestressar”.

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Meus amigos, o que me chamou a atenção, neste domingo, foi o esforço dos times que lutam para permanecer na elite nacional. Lusa, Bahia, Náutico e Sport suaram sangue, em jogos emocionantes. O Náutico foi o único que matematicament se salvou. Um dos outros três vai acompanhar Atlético-GO, Figueirense e Palmeiras na Série B de 2013.

A Portuguesa parecia topar com uma missão impossível, a de bater o Inter em Porto Alegre. Pois a armada lusitana se mandou para o Sul com a cara e a coragem e volta para casa com três pontos, nos 2 a 0 obtidos com os gols de Luís Ricardo e Marcelo Cordeiro. A turma de Geninho aproveitou-se do momento instável do rival e foi a 44 pontos. Está a um da permanência – basta empatar com a Ponte no Canindé no domingo e o pesadelo do descenso desta vez será espantado.

Bahia e Náutico fizeram um jogo tenso no Pituaçu. Os anfitriões curtiram a felicidade da salvação durante 27 minutos, dos 6 aos 33 da etapa final. Gabriel abriu o marcador, de pênalti, e assim levava o Bahia para 46 pontos e liquidava com qualquer risco. Mas Dimba empatou, tirou dois pontos dos baianos e deu ao Náutico aquele que faltava. Com 46, vai se divertir no clássico pernambucano com o Sport. O Bahia precisa arrancar um ponto na visita que fará ao Atlético, em Goiânia.

Emoção, adrenalina, tensão não faltaram no Recife. O Sport, o mais complicado dessa turma toda, recebeu o campeão Fluminense e tomou gol de Fred na metade do primeiro tempo. A torcida empurrou os jogadores pra frente e o empate veio segundos antes do intervalo.

A etapa final foi uma avalanche sobre o tricolor, com chances claras para virar: em duas ocasiões Elivelton e Valencia tiraram em cima da linha. E, antes do apito final, Diego Cavalieri também mostrou por que foi o melhor goleiro do Brasileiro. De dar dó a reação dos torcedores do Sport, que ficou com 41 pontos e, por tabela, livrou a pele do Coritiba (perdeu para o Cruzeiro, mas tem 45 pontos). Agora o Sport só se salva se ganhar do Náutico e se Bahia ou Portuguesa perderem. Uma combinação difícil.

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O Palmeiras tem hoje o penúltimo ato na elite nacional, antes de mergulhar novamente no purgatório da bola. A despedida para o público doméstico está marcada para o Pacaembu, no jogo de tom melancólico contra o Atlético-GO, seu colega de infortúnio na Série A deste ano e rival na disputa da Segundona em 2013.  Sem trocadilho, é um baixo-astral.

Mas aí é que entra o desafio: o torcedor palestrino deve mostrar neste domingo o quanto é ligado ao time, o tanto que o respeita e a confiança que tem em renascimento o mais rapidamente possível. A melhor maneira de mostrar carinho, portanto, é indo ao estádio. O Pacaembu lotado é a forma mais inteligente e delicada de provar amor e de protestar.

Amor pelas cores verde e branca (e, se possível, sem o horroroso amarelo marca-texto). Amor por uma história de quase cem anos, de muitas conquistas e também de alguns tropeços.  Amor por um símbolo, por um clube que mereceu em diversas ocasiões a distinção de “Academia”, pela qualidade do futebol que ostentava.  Essa ideia deve ser reverenciada por quem de fato se sente ligado ao Palmeiras.

E o protesto, elegante e civilizado, será sentido por aqueles que deixaram a equipe à deriva, que não souberam conduzi-la como merecia. E, de preferência, que agora deixem o caminho livre para novas propostas, para uma retomada ousadia e profissional. E sobretudo que seja administrado por quem o respeita. Um Palmeiras novo é que deve surgir dessa queda. E é esse Palmeiras diferente que o torcedor tem de exigir – já a partir do jogo com o Atlético-GO.

O palmeirense tem oportunidade neste domingo de provar que não vão destruir a paixão dele. E que ela permanece inalterada, independentemente da Divisão que o time disputar. Por isso, dará o abraço solidário no Pacaembu

 

 

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Atlético-GO, Figueirense e Palmeiras formam a trinca de rebaixados para a Série B. Falta um para completar a quadra. A briga aparentemente está entre Sport (40), Lusa (41) e Bahia (43). Ok, esses são os mais ameaçados. Mas não se pode esquecer de Coritiba e Náutico (45).  Por incrível que pareça, ambos ainda correm risco.

Para facilitar a conversa: Náutico e Coritiba precisam só de um ponto, nos jogos que restam e tem campanhas muito parecidas. Com 46, e com 13 vitórias, levam vantagem nos critérios de desempate em relação aos outros três ameaçados.  No momento, o Náutico está à frente do Coritiba pelo saldo de gols (menos 8 e menos 9).

O perigo está na eventualidade de duas derrotas ­– o Náutico visita o Bahia e encerra participação no clássico com o Sport. Já o Coritiba sai para jogar com o Cruzeiro e tem o Figueirense como hóspede na rodada de encerramento.  Se estacionarem nos 45 pontos, abrem frente para ser superados pelos demais.

Como isso é possível? Vamos lá.

O Sport tem 40 pontos e joga com Fluminense (casa) e Náutico (como visitante). Se ganhar os dois, termina participação com 46 pontos.

A Lusa está com 41 pontos, visa o Inter e tem a Ponte no Canindé. Dois triunfos a deixarão com 47 pontos.

O Bahia acumula 43 pontos e joga com Náutico (casa) e Atlético-GO (fora). Ganhando as duas vai para 49 pontos.

Isso tudo é teoria, eu sei. Mas alternativas possíveis.

 

 

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18.novembro.2012 20:51:30

Palmeiras e a queda anunciada

O palmeirense está triste – entendo e tem minha solidariedade. Hoje e sempre. Não é fácil aguentar a via-crúcis da Segunda Divisão mais uma vez, em uma década. Mas, depois que passar o impacto da queda, provavelmente vai concordar comigo: foi merecida. O time perdeu o rumo, antes mesmo da conquista da Copa do Brasil, não se encontrou mais e se arrastou durante meses em busca de uma reação que nunca ocorreu.

O empate com o Flamengo, na tarde deste domingo, em Volta Redonda, não foi determinante para o rebaixamento. Assim como não foram os resultados dos jogos de outros rivais nessa corrida maluca. O 1 a 1 foi apenas mais um capítulo desse esfacelamento que vem de longa data. O Palmeiras caiu por si só, e pelo acúmulo de erros, dentro e fora de campo. Principalmente, por incompetência administrativa.

O time que entrou no gramado do Estádio da Cidadania para pegar o Flamengo foi um arremedo, parecia um catadão de casados e solteiros. Tem jogador sem condições de vestir a camisa verde (tomara que seja aposentada a horrorosa amarelo marca-texto), sem contar aqueles que tremeram, o que é compreensível. Na verdade, o boleiro é a parte mais fraca nessa cadeia de presepadas em que o clube se meteu.

Quem pôde acompanhar o jogo constatou: a equipe precisava desesperadamente da vitória – que nem lhe dava garantia de salvação – e ainda assim passou o primeiro tempo todo sem uma chance de gol. Nem um lancezinho mais perigoso! Foi um espetáculo deprimente. E olha que o Flamengo mostrava apatia gigante. Vagner Love ainda perdeu gol em cima da hora.

Na primeira ocasião em que testou Paulo Vítor o Palmeiras se deu bem: Vinicius aos 17 minutos deixou o time paulista em vantagem, em falha do goleiro. Mais tarde, Maikon Leite teve a chance de liquidar com o placar, ao ficar sozinho na cara do gol e… chutou pra fora. Tanta incapacidade foi castigada aos 44 minutos, com o gol de Vagner Love. Que ficou até sem graça para comemorar.

O negócio agora é tocar a vida, levantar a cabeça, pedir mudanças para 2013 e tocar a vida.

 

 

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Mas tem cada uma que acontece com o Neymar nesta temporada! Ele passou mais tempo com a seleção do que com o Santos, durante o Brasileiro, por causa de compromissos com a seleção. Daí participa de jogo sem importância nenhuma (o deste sábado com o Figueirense), toma amarelo bobo e desfalca a equipe no clássico com o Corinthians na próxima rodada.

Ok, o duelo regional também não vai alterar a vida nem de santistas nem de corintianos. Mas conta a rivalidade local. Além disso, com Neymar em campo o Santos fica muito mais forte e, de tabela, vira teste bom para o rival, na fase de preparação para o Mundial. E, sempre é bom lembrar, Neymar é atração adicional sempre que está em campo.

O lance que o tirou da penúltima apresentação alvinegra em 2012 veio aos 25 minutos do segundo tempo. Ele partia com a bola dominada, foi calçado, caiu, pediu pênalti e irritou Cláudio Francisco Lima e Silva. O árbitro não só ignorou a reclamação do astro como lhe mostrou cartão por simulação. E com isso o obrigou a descanso forçado.

O episódio foi das poucas coisas mais relevantes em um jogo para cumprir tabela. O Santos não sobe nem desce significativamente na classificação geral. A Libertadores, o objetivo que ainda lhe restava semanas atrás, virou fumaça. Para o Figueirense tratou-se de mais um capítulo na despedida da elite. Tanto que foram muitos os reservas escalados.

A vitória foi construída com facilidade, num jogo até arrastado na Vila Belmiro. Felipe Anderson fez a jogada do primeiro gol, que Pato Rodriguez concluiu, aos 43 minutos da etapa inicial. Depois, foi o próprio Felipe Anderson quem aumentou a diferença, aos 18 da fase final: 2 a 0. Os jogadores dos dois times já estão em fase pré-férias. Pior para os torcedores.

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14.novembro.2012 12:16:12

Mártir pra quê?*

Está cheio de torcedor miolo mole à solta pelo mundo. Em nome da paixão pelo futebol, esse tipo acha que vale qualquer atitude exagerada. Por isso, a cada semana elege vilões ou heróis para sua equipe. E inverte os papéis dos personagens de uma rodada para outra, ao sabor do vento, ou das vitórias e derrotas. Na maioria das vezes, não passa de folclore. Há situações, porém, em que o amor cego a leva a ameaças, tragédias. Mortes.

Muita gente no Palmeiras anda com medo. A vida de pessoas comuns, mas ligadas ao clube, mudou por causa de intimidações, na maior parte anônimas, que recebem nestes dias duros que antecedem o quase inevitável rebaixamento. Há quem tenha jurado infernizar a rotina de cartolas, e têm o presidente Arnaldo Tirone como alvo principal. Os avisos de guerra estariam nas pichações e no ataque à loja oficial na sede social.

O cartola se sente acuado – e não é para menos. A administração que encabeça tem responsabilidade pelos tropeços da equipe, como teve méritos na conquista da Copa do Brasil. Se foi exaltada naquele episódio feliz, não surpreende enfrentar cobranças nesta hora angustiosa. Mas, assim como Tirone e turma não eram deuses meses atrás, não se justifica a demonização de agora. São executivos, que tinham objetivos a alcançar. Falharam? Então, assumam e sumam. Sair de cena será atitude generosa, para que reflitam e se reciclem.

Inadmissível é considerar a pressão violenta como mera bravata de desocupados. Nunca se sabe do que é capaz alguém que aposta na impunidade para extravasar frustração. Há os que entendam só a linguagem da violência; para esses, não resta forma de cobrar a não ser com brutalidade. Começam com palavrões, provocações, emboscadas, invasões e não se sabe onde vão terminar.

Vi uma entrevista, após a derrota para o Fluminense, em que Tirone trata de mostrar naturalidade diante da intimação bandida. O presidente se saiu com a constatação de que morrer “é destino inevitável de todo mundo” e se disse disposto a virar mártir palmeirense.

Epa, que conversa é essa?! A Humanidade tem mártires de sobra, homens que deram a vida por causas religiosas, políticas, filosóficas, e assim alteraram a história. Os gestos de coragem e caráter deles se eternizaram, são exaltados até hoje. Embora em muitos casos tenham virado só motivo para feriado…

O futebol não precisa de mártires, está recheado de figuras clássicas e perenes, como os craques, os carrascos, os pernas de pau, os juízes “ladrões”, os técnicos “burros”, os cartolas. Apesar de alguns serem polêmicos, sempre remetem a vida e sentimento. Nada de morte, sobretudo como consequência de postura de torcedor covarde. Não se admite isso, nem em sonho.

Há decepção com o descaminho palestrino – justa e compreensível. A torcida tem direito de demonstrar descontentamento, com protesto, com vaia, até com o abandono do time. Pode pedir, à maneira de Raul Gil, para o dirigente pegar o banquinho e sair de fininho. Jamais agir com violência.

Fred na amarelinha. Treinador tem cismas – e com Mano Menezes não é diferente. O regente da seleção deixou Fred na geladeira por um ano. Mas enfim reconheceu a fase excepcional do artilheiro do Brasileiro. Por isso, o incluiu na lista de convocados para o jogo com a Argentina, na semana que vem, em Buenos Aires. Gesto sensato do técnico, ao olhar para quem decide. Tomara que Fred tenha voltado para ficar de vez, assim como Kaká, que hoje enfrenta a Colômbia.

*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 14/11/12.)

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Título definido, na parte de cima da classificação permanece aberta a briga pelo vice, entre Grêmio (66) e Atlético (65). A tensão maior, claro, está na zona de rebaixamento. Atlético-GO e Figueirense já foram despachados para a Série B. Palmeiras (33), Sport (37), Bahia (40) e Lusa (40) também fazem contas para driblar a degola.  Os quatro têm 9 vitórias

Convido você para uma avaliação rápida. O Bahia recebe a Ponte, na próxima rodada. Pega, portanto, um time que está em situação praticamente definida. Com 46 pontos e 12 vitórias, precisa de mais um ponto para ver-se livre de qualquer fantasma. Situação idêntica à de Santos (46 pontos e 11 vitórias), Coritiba (45 pontos e 13 vitórias) e Náutico (45 pontos e 13 vitórias).

Acredito, portanto, em vitória do Bahia diante da Macaca. Na pior das hipóteses, empate. Depois, o Bahia recebe o Náutico e fecha participação em visita ao Atlético-GO. Um triunfo e empate são resultados plausíveis. O Bahia pode ficar, então, entre 45 e 49 pontos.

A Lusa enfrenta o Grêmio, em casa. Empate é boa alternativa. Depois, pega o Inter em Porto Alegre; se perder, é normal. (Como não será espanto, se perder do Grêmio e empatar com o Inter.) Encerra participação diante da Ponte, no Canindé, e nesse cado deve trabalhar com a hipótese de vitória. Pontuação final: 44.

O Sport no papel tem caminho espinhento. Considero-o favorito diante do Botafogo, no próximo final de semana, em casa. Empate com o Flu, também na Ilha, não é coisa do outro mundo. Chegará ao fecho, no clássico doméstico diante do Náutico, nos Aflitos, com 41 pontos. A vitória o leva a 44 pontos, talvez ao lado da Lusa, mas com a vantagem de 11 vitórias contra 10 dos paulistas. E a permanência na Série A. Possível? Sim, mas complicado.

E o Palmeiras? Tem de ganhar os três jogos (Flamengo, Atlético-GO e Santos) e torcer para que o Sport faça no máximo 5 pontos, enquanto Bahia e/ou Lusa consigam só 2. Ou o Palmeiras tem de ganhar dois jogos e empatar um e rezar para que o Sport obtenha só 3 pontos, enquanto Bahia e/ou Lusa não devem pontuar até o fim. Você acredita nessas combinações?

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