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Sei que grande parte dos amigos que visitam meu blog é jovem. Talvez por isso, não tenham noção exata da importância de Nilton Santos. Mas, se curtem futebol, provavelmente ouviram falar dele e sabem que é considerado um dos maiores, senão o mais brilhante, lateral-esquerdo da história do futebol brasileiro. Bicampeão do mundo, não foi por acaso que ganhou o apelido de Enciclopédia, pois sabia tudo e mais um pouco.

Nilton Santos completou 87 anos na semana passada e há muito luta contra o Alzheimer, mal que corrói lentamente e faz a pessoa flanar em outra dimensão ainda em vida. O elegante craque do passado, símbolo do Botafogo e de lealdade a uma camisa, enfrenta dificuldades financeiras, conforme revelou reportagem de Silvio Barsetti, no Estadão de hoje.

Para diminuir um pouco o aperto, um amigo para o qual Nilton Santos repassou muitas de suas relíquias pessoais anunciou que levará a leilão objetos históricos do ídolo de sempre. Será uma forma de arrecadar dinheiro para dar dignidade aos dias que lhe restam. Tomara que gente de sensibilidade arremate camisas, chuteiras e outros itens. Quem sabe algum museu não se interesse.

Mas o que me levou a este breve comentário foi uma constatação: como é difícil, neste país jovem e emergente, ter uma velhice digna, com condições decentes. O sujeito dedica os anos mais produtivos ao trabalho, faz sua contribuição para a Previdência, na esperança de ter retorno razoável na fase descendente e curtir em sossego um período de calmaria.

Ilusão. Quando mais precisa, vê a renda diminuir de forma drástica e o padrão de vida degradar-se. Nilton Santos jogou bola, teve fama (e não tanto dinheiro quanto boleiros de hoje), conhecimentos e enfrenta dificuldades. Imagine um operário, um dos tantos milhões de anônimos com os quais cruzamos. Que perspectiva terá quando for ancião?

Nossa economia cresce, logo viraremos Primeiro Mundo, mas voltamos as costas para nossos velhinhos.

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Não sou de jogar confete em treinadores, da mesma forma que não desço a ripa neles por qualquer derrapada dos times. Mas há momentos em que fazem as escolhas certas, dão a mexida fundamental na equipe. Como aconteceu na tarde deste domingo no Engenhão, no clássico entre Botafogo e São Paulo. Osvaldo de Oliveira trocou Loco Abreu por Herrera e se deu bem: o argentino fez três na vitória por 4 a 2.

O São Paulo foi bem na primeira parte do jogo: tocou a bola, o meio-campo estava estável, Lucas e Luís Fabiano davam trabalho para Jefferson. Não foi por acaso que ficou em vantagem, com o gol de Jadson. Os donos da casa encontravam dificuldade para criar e viam Loco Abreu dispersivo, descalibrado.

A história começou a mudar alguns minutos antes do intervalo. Mais precisamente, no momento em que Oswaldo mandou Herrera aquecer para voltar do intervalo no time. Tiro preciso. Herrera fez os gols de empate e o final, fora incomodar a zaga tricolor. O São Paulo ainda voltou a ficar na frente, com o gol de Luís Fabiano, mas desabou a partir do segundo empate (Vítor Júnior, em cobrança de falta, iniciou a virada botafoguense).

O time de Leão foi do céu ao inferno no jogo, o que não é incomum ultimamente. Largou com todo gás, envolveu o adversário, conseguiu saltar à frente duas vezes. Tudo o que se espera de um pretendente ao título. Da mesma forma, desanda de uma hora para outra, se abre no meio-campo e deixa a defesa exposta. E dá-lhe sobrecarga sobre Dênis, Douglas, Paulo Miranda, Rhodolfo e Cortez, que não são nada excepcionais.

Com erros ou não, foi o jogo mais movimentado e com lances de emoção na primeira rodada do Brasileiro. O resultado coloca interrogação sobre Leão e sua turma. E serve para de alento para Oswaldo e seus pupilos, malhados após derrapadas no Estadual e na Copa do Brasil. E deixa Loco Abreu com a pulga atrás da orelha…

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 O segundo clássico da decisão do Campeonato Carioca foi, na prática, um ensaio para os dois novos jogos que o Fluminense fará contra o Boca Juniors, pelas quartas de final da Taça Libertadores. Depois dos4 a1 da semana passada, só com muita fé para acreditar em reação estupenda do Botafogo. A conta era favorável demais aos tricolores e ficou ainda maior com o1 a0 e a conquista do estadual.

O Botafogo entrou com duas toneladas de peso nas costas. Primeiro, foi a castanhada de uma semana atrás e a obrigação de fazer pelo menos3 a0. Depois, os2 a1 para o Vitória, que o tiraram do caminho da inédita conquista na Copa do Brasil. Tropeçadas doídas em poucos dias, difícil de ignorar.

Mesmo assim, até que tentou a reviravolta e foi à frente. Bastou metade de primeiro tempo para perceber que a façanha ficaria para outra ocasião. O Fluminense soube segurar bem qualquer resquício de ânimo do adversário, para não correr risco nenhum. E esse foi seu maior mérito, num campo pesado e com compromisso internacional pela frente.

Para aumentar a cautela, Deco sentiu dores, saiu e deixa no ar outra interrogação. Já tem a baixa certa do Fred. Complicado perder outro jogador essencial ao esquema do Abel. Por isso, o Flu não acelerou, apostou no tempo (e no placar) que lhe era favorável e se acalmou de vez com o gol de Rafael Moura aos 17 minutos. Ali acabou a decisão.

Costumo dizer na televisão que não gosto de argentinos. Pura provocação e dor de cotovelo. Eles são ótimos, sabem jogar bola como poucos e, no caso do Boca Juniors, impõem respeito e até metem medo com merecimento. Ainda assim, dá para acreditar na possibilidade de o Flu chegar às semifinais.

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13.maio.2012 11:46:46

Razão e emoção*

Hoje haverá decisões de Estaduais pelo Brasil afora, como você pode conferir nesta página mesmo. Basta dar uma passeada nos textos abaixo da crônica e constatar como há expectativa em todo canto. Dia, portanto, de torcedores fazerem festa, comemorarem mais uma taça doméstica. Domingo, também, de fãs que amargarão a decepção do título que escapou, do momento de glória que se perdeu. De tristeza. Enfim, outra data especial para quem foi fisgado desde a infância pelo fascinante jogo de bola e dele jamais conseguiu, nem quer, livrar-se.

A reação dos fãs todos conhecemos – radical, como deve ser toda paixão. Mas, e a dos atletas, os atores principais desse teatro, que mexem com emoção, sonho e fantasia de milhões de pessoas? Irão ao êxtase, com a eventual conquista? Chorarão junto com seus seguidores, na hipótese da derrota?

Pode ser preconceito de minha parte – e rezo para fugir de prevenções e julgamentos precipitados. Mas boto fé na primeira alternativa, pois a euforia com objetivo alcançado vem fácil. E não me surpreenderá se vir conformismo, para não dizer indiferença, após tropeço fatal.

Por que faço essa divagação? Porque estou com duas imagens fortes na cabeça, desde o meio da semana. Não sei se você acompanhou a final da Liga Europa, disputada na quarta-feira em Bucareste, entre o Atlético de Madrid e o Athletic Bilbao, um tira-teima espanhol. Os madrilenhos venceram (3 a 0, com autoridade) e levantaram o troféu. Assim que soou o apito final, fixei atenção nos perdedores. Vários rapazes do time basco desabaram, desconsolados, enquanto outros choravam sem pudor. Os rostos estampavam dor imensa pela queda.

Algum coração mais racional talvez alegue que foi atitude exagerada, não era para tanto. Discordo. O choro daqueles homens transbordou dignidade, amor-próprio, identificação com o clube, respeito à camisa e sobretudo solidariedade com o torcedor de Bilbao. As lágrimas resgataram uma série de valores primordiais, que se dissiparam num mundo prático e com calendário carregado, que abafa atitudes simples ao propor novo desafio já no final de semana seguinte. Uma roda-viva estonteante.

Imaginei-me no lugar dos simpatizantes do Athletic e senti orgulho. Com o pranto, os jogadores dividiram com o público o carinho pela agremiação. E se mostraram conscientes do golpe profundo que, naquela partida, proporcionaram aos que os incentivaram nas arquibancadas ou em casa. Depois, sim, vida que segue. Porém, com cabeça erguida e com a alma lavada pelo lamento.

O outro episódio marcante ocorreu na mesma quarta-feira, mas à noite. O Botafogo caiu na Copa do Brasil, ao falhar diante do Vitória (1 a 2), no duelo no Engenhão. Desilusão que se somava àquela de três dias antes, com os 4 a 1 para o Flu, na primeira parte da final do Carioca.

Loco Abreu, um dos poucos botafoguenses que falaram, tratou de diminuir o impacto negativo da desclassificação. Num exercício de autocontrole e, para provar que a tragédia não fora tão devastadora, lembrou que Copa do Brasil, pênaltis, campeonatos há todos os anos. Irreversível, comparou, tinha sido a morte do avô, que partira para sempre, num caminho sem volta. Ainda frisou que se deveria separar esporte e vida. Bem contido.

A postura de Loco Abreu é a de milhares que vivem do futebol, que apelam para a “cabeça erguida” após desencanto. Não detectei mercenarismo nem pouco caso nesse distanciamento com a “galera”. Mas escassez de sensibilidade, ou a tal da razão.

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 13/5/2012.)

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Criou-se um clima de suspense, nos últimos dias, em torno do que poderia apresentar o Fluminense diante do Botafogo. Havia dúvida, no ar, por causa de algumas baixas tricolores. O técnico Abel Braga entrou na onda e ainda na sexta-feira fazia cara de desconsolo, como se sua equipe entraria enfraquecida para a primeira parte da final do campeonato do Rio. Encenação.

O Fluminense jogou mais empolgado do que nunca, levou um susto aos 8 minutos do primeiro tempo, com o gol de Renato, e depois se impôs, sobrou, virou, goleou por 4 a 1 e já encomenda o chope para a festa do título estadual. A vantagem é enorme para o duelo de volta – e o Bota tem de apelar para todos os santos e… jogar muito mais bola do que hoje.

O Botafogo pecou pela ilusão de potência. A vantagem inicial fez com que acreditasse no mito da invencibilidade. Afinal, até este domingo sustentava série de 23 jogos sem perder, proeza única dentre os grandes times do Brasil na temporada que corre.  Talvez por isso, inconscientemente, relaxou e apostou na vitória como consequência natural da superioridade.

Foi o grande engano. O Flu superou ausências, compensadas, com sobra, pelo talento de jogadores como Deco, Fred, Rafael Sóbis e de Thiago Neves, um dos que sustentaram o ponto de interrogação da escalação. E não só: o Flu teve conjunto, eficiência, tranquilidade – primeiro para chegar ao empate num golaço de Fred, ainda antes do intervalo.

Mas o Flu se impôs mesmo na etapa final. Sobretudo depois de ficar com um jogador a mais, já que Lucas foi expulso aos 11. Rafael Sóbis fez aos 12 e aos 18 e Marcos Júnior fechou a conta aos 38. Na semana que vem, só o mais fanático torcedor do Botafogo irá ao estádio para ver se seu time ganha pelo menos por três de diferença para provocar os pênaltis. Será? Difícil, muito difícil…

 

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A 33.ª rodada do Brasileiro pode marcar o fim do sonho do título para o Botafogo e complicar para o São Paulo até a luta por vaga na Libertadores. O time carioca escorregou mais uma vez, ao perder para o Figueirense por 1 a 0 no Engenhão. Com isso, permanece com 55 pontos e torce para que Corinthians e Vasco, ambos com 58, também tropecem neste domingo. O tricolor levou virada histórica, nos 4 a 3 para o Bahia, tem 50 pontos e está em oitavo.

O jogo entre tricolores foi espetacular, daqueles de arrancar o fôlego no segundo tempo. No primeiro, até que não aconteceu muita coisa, exceto o bonito gol de Wellington para o São Paulo aos 21 minutos. O time de Leão soube tocar a bola, segurou o ânimo do Bahia e deu a impressão de que finalmente venceria, depois de oito rodadas de jejum. Soube segurar-se até o intervalo, sem maiores sobressaltos no estádio Pituaçu.

A etapa final começou quente, com gols em dois minutos: o Bahia empatou logo no primeiro, com Souza, mas Lucas recolocou o São Paulo à frente, aos 2, com outro gol bonito. Cícero, aos 14, fez 3 a 1, e parecia ter jogado a pá de cal na equipe de Joel Santana, então com 36 pontos e apavorada com a sombra do rebaixamento.

O que se viu dali em diante foi de arrepiar. Primeiro o São Paulo levou susto ao tomar bola na trave aos 21, depois Lulinha diminuiu aos 24. Aquele gol reacendeu o Bahia, que se mandou para o ataque, num esquema um tanto camicase. Deu certo, aos 29, com o empate (Fahel). A blitz se manteve até que aos 38 Luiz Eduardo, contra, deixou os baianos na vantagem definitiva. Festa tremenda dos donos da casa e uma certeza para o São Paulo: o título de 2011 foi para o espaço. E, se vacilar mais, vaga para a Libertadores de 2012 também morrerá.

Vaias no Engenhão. Enroscada também ficou a situação do Botafogo, ao não ter forças para reagir ao gol sofrido aos 5 minutos do primeiro tempo (Júlio César). O alvinegro criou e perdeu chances (Loco Abreu teve pelo menos duas oportunidades para empatar), errou na marcação, pecou por insegurança e ainda saiu de campo vaiado. O técnico Caio Júnior teve de ouvir ainda insultos, por ter optado por esquema menos ousado do que em outras ocasiões.

O Botafogo caiu três vezes, nas últimas quatro rodadas ¬– derrotas para Santos (2 a 0), Avaí (3 a 2) e Figueirense (1 a 0) e só ganhou do Cruzeiro (1 a 0). Claro que ainda tem chances de título e na rodada seguinte enfrenta o Vasco. O problema é a queda de desempenho. Quem cresce é o Figueirense, com 53 pontos e que se permite sonhar no mínimo com Libertadores.

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Seria a noite da consagração do Botafogo, o momento de saltar duas casas e assumir a liderança do Brasileiro na reta final. Mas a moçada de Caio Júnior comeu bola, perdeu para o Santos por 2 a 0, na Vila Belmiro, e fez a alegria de Corinthians e Vasco, que continuam à frente. O resultado também manteve esperança para Flamengo, São Paulo e Fluminense, que vêm atrás na fila. Para o Santos, serviu para deixá-lo menos intranquilo, após vários tropeços.

O Botafogo escorregou porque teve atuação abaixo do esperado para quem brigava pela liderança. E ainda por topar com um Neymar inspirado. O rapaz pulou o compromisso de fim de semana, por estar suspenso, e voltou com tudo. Armou, driblou, apanhou, fez um gol, desperdiçou umas duas chances. E sobretudo bagunçou com a defesa alvinegra. Joga demais e deixou descansado o técnico Muricy Ramalho, que ficou de molho, em tratamento de problema nas costas.

O Santos precisou só de meio tempo para liquidar com o jogo. Neymar fez gol de antologia aos 15 minutos, ao dançar na frente de zagueiros e tocar de biquinho certeiro, sem chance para Jefferson. Aos 28, o artilheiro Borges cumprimentou as redes, em outra bonita jogada. O Botafogo ficou grogue, ao ver o campeão da América reviver bons momentos da temporada.

Caio Júnior mexeu no time – logo na etapa inicial tirou o Bruno, que levava baile de Neymar, e colocou Leo para reforçar a marcação. Não surtiu grande efeito. Na segunda fase, ainda arriscou com Herrera no lugar de Elkeson (apagadinho) e perto do fim tirou Caio do banco e o colocou na vaga de Marcelo Mattos, para ver se armava blitz. Não aconteceu nada. Aconteceu apenas ver o Santos seguro e mais próximo do terceiro gol.

O Botafogo volta pra casa cismado: o Santos havia perdido cinco dos últimos seis jogos. Precisava recuperar-se justamente hoje? Pois é…

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Escrevi no Estadão desta quarta-feira que o caminho do Corinthians na reta final do Brasileiro teoricamente era o menos árduo dentre aqueles que brigam pelo título. Com a ressalva de que teria de fazer a parte que lhe cabe. Pois bem, falhou no primeiro de três duelos mais complicados que vêm em sequência. A derrota por 2 a 0 para o Botafogo foi merecida e serviu para manter embolada essa corrida maluca. O ainda líder jogará depois com Cruzeiro e Internacional, ambos fora de casa.

O Botafogo desta quarta no Pacaembu foi o Corinthians do domingo no próprio Pacaembu. No final de semana, a turma de Tite encurralou o Atlético-GO no primeiro tempo e construiu o placar de 3 a 0 que lhe garantiu vitória e retomada da ponta. Pois o Bota fez o mesmo, como visitante: não se intimidou, não deu espaço, fez os mesmos três gols, mas só dois valeram, já que num tremendo erro a arbitragem anulou o primeiro, dando impedimento de Marcelo Mattos.

O time de Caio Júnior bloqueou Alex e Danilo, e aí matou criatividade e ousadia corintianas. Além disso, explorou bem as jogadas de Elkeson e Maicosuel, que deixaram tontos Fábio Santos e Alessandro. A pressão resultou em gol, aos 11, de Loco Abreu, de cabeça. O Corinthians acordou, mas sem a eficiência e a solidariedade do domingo. Pouco incomodou Renan (fez uma defesa em cobrança de falta) e ainda levou o segundo, aos 34, com Maicosuel.

Tite tratou de fechar espaços nas beiradas do campo e o Corinthians ficou menos vulnerável no segundo tempo. Além disso, Danilo, Alex e Willian conseguiram escapar um pouco da marcação e deram mais trabalho a Renan, que cobriu à altura a ausência do titular Jefferson. O Botafogo perdeu Cortês por segundo amarelo, aos 14 minutos, e recuou mais do que se esperava. Porém, suportou a pressão.

Para mostrar atrevimento, Tite ainda colocou Adriano no lugar de Moradei, para tornar o ataque mais consistente. Só que o centroavante, ainda lento e sem nenhum ritmo, pouco apareceu, embora tenha sido saudado com entusiasmo pelo público como o salvador. (Sem querer pegar no pé, mas estaria o Imperador apenas com 3 kg acima do peso?) O Corinthians teve em torno de 20 escanteios, mas não soube usar desse recurso de bola parada.

Agora, torce para o Vasco tropeçar diante do Atlético-PR. E nisso terá a companhia do Botafogo, que, com 49 pontos, mais do que nunca está no páreo. Vale lembrar que ainda tem o jogo com o Santos para disputar, o que pode levá-lo a 52 pontos em 29 rodadas.

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Rivaldo é daqueles jogadores extraordinários, boleiro à moda antiga, dos que demoram a pendurar as chuteiras e encantam mais à medida que se aproxima a aposentadoria. A maestria do pentacampeão do mundo, um fenômeno da bola, foi decisiva para fazer com que o São Paulo roubasse dois pontos do Botafogo, na tarde deste domingo, no Engenhão, e voltasse para casa com 2 a 2. Ele fez o gol do empate e quase marca o da virada.

Mas não foi apenas isso. Rivaldo foi aposta de Adilson Batista na volta do intervalo, depois de ver seu time levar um vareio do Botafogo na primeira fase e perder por 2 a 0. O veterano meia, 39 anos, entrou no lugar de Juan e ajeitou o meio-campo paulista. De seus pés saíram muitos dos melhores lances do time, na etapa final, e seus deslocamentos deixaram atônitos os marcadores do Botafogo. Rivaldo também se apresentou para cobrar faltas, escanteios, para fazer passes e apareceu na área, aos 46 minutos, para desviar de cabeça falta cobrada por Rogério Ceni. Dois minutos depois, encobriu o goleiro Renan e a bola quase entra.

O astro fez a balança pender para o lado de sua equipe e salvou o fim de semana tricolor. Fosse apenas pela primeira parte do clássico, o São Paulo mereceria perder diante de um adversário direto na briga pelo título. O Botafogo foi muito superior, dominou, ganhou o meio-campo e ainda contou com arrancadas espetaculares de Elkeson e Maicosuel que desmontaram o rival. Não foi por acaso que abriu 2 a 0, gols de Loco Abreu (o segundo, de pênalti.)

O uruguaio ainda teve chance de decidir o jogo, em lance incrível que desperdiçou no segundo tempo, e o Botafogo perdeu fôlego. O São Paulo, ao contrário, melhorou com Rivaldo – e depois com a entrada de Henrique no lugar de Marlos. Na segunda participação, o jovem campeão mundial Sub-20 diminuiu, ao aproveitar rebote do goleiro Renan. O gol, aos 21 minutos, animou o tricolor a partir para a reação, que se consolidou no fim com Rivaldo.

O Botafogo oscilou, durante o jogo, entre o primeiro e o quarto lugares, que é a posição em que ficou ao término da rodada. Com os 2 a 0 (e com empates de Corinthians e Vasco) assumia a ponta, com 47 pontos. Depois, como os outros concorrentes venceram e o São Paulo empatou, a equipe de Caio Júnior desceu para quarto, com 45 pontos. Mas com um jogo ainda por realizar (contra o Santos). Está na briga pelo título.

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Vasco e São Paulo vão dormir nas primeiras colocações do Brasileiro. Ambos fizeram sua parte, no início da noite deste sábado, golearam com autoridade e com a vontade de quem está mais do que nunca na briga pelo título. O Vasco fez 4 a 0 no Grêmio, em São Januário, foi para 45 pontos e assumiu a liderança. O Tricolor lascou 4 a 0 no Ceará, no Morumbi, e assumiu o segundo lugar, com 44. Com isso, jogam pressão sobre Corinthians, agora terceiro com 44, e Botafogo, o quarto, com 40.

As duas vitórias foram irretocáveis e servem para reafirmar o bom momento dos dois ponteiros. O Vasco ignorou a necessidade de reação do Grêmio e deu as cartas logo com 4 minutos, no gol de Elton. Essa vantagem atiçou a equipe de Celso Roth, que pressionou, deu calor, mas baqueou com o gol de Diego Souza aos 33.

Na etapa final, o Grêmio voltou a insistir, mas levou aquela ducha fria, com o gol de Eder Luiz aos 6 minutos. Com 3 a 0, não teve alternativa, senão a de fechar-se, na tentativa de evitar vexame maior. Não deu, pois ainda tomou o quarto, com Fagner aos 16 minutos. Daí em diante, também o Vasco tirou o pé e deixou o tempo correr.

Algo semelhante ocorreu no Morumbi. O Ceará optou por postura defensiva e optou pelo contra-ataque, com o bom Osvaldo. Porém, segurou o São Paulo até os 42 minutos do primeiro tempo, quando Juan fez 1 a 0. Dois minutos depois, embalado pelo gol, o anfitrião aumentou, com o outro lateral, o paraguaio Piris. Foi o suficiente para desnortear o adversário.

O domínio foi mais acentado no segundo tempo e o placar foi liquidado com Casemiro aos 21 minutos e Rivaldo (que entrou no lugar de Henrique) aos 26. O veterano camisa 10 ainda fez uma jogada excepcional aos 42, ao dar passe de letra para Cícero, que mandou a bola para as arquibancadas.

Esses resultados tornam mais interesantes os clássicos estaduais deste domingo. O Corinthians se vê na obrigação de bater o Santos e o Botafogo entra pressionado pela necessidade de empurrar o Flamengo definitivamente para fora da briga pelo título. Independentemente do que ocorrer, Vasco e São Paulo assistem de camarote.

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