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Estava dando uma sapeada por sites espanhóis e me deparei com entrevista do Cristiano Ronaldo publicada nos principais jornais esportivos daquelas bandas. O português prepara-se para a disputa da Eurocopa, mas falou menos de sua seleção e mais do Real Madrid, de seu desempenho pessoal na temporada, de Barcelona, de Messi. Só não lhe pediram sugestões para acabar com o desemprego na Espanha e uma fórmula para pagar a dívida grega…

O CR7, em sua escancarada imodéstia, se concedeu nota 10 no plano individual e 9 no coletivo. O pontinho que se subtraiu foi porque faltou ao Real (e a ele, claro) o título da Copa dos Campeões. E ainda considerou bem possível enfim desbancar Messi na escolha de melhor do mundo, troféu que o argentino levou para casa nas últimas três temporadas. “Mas, como não sou o júri, não tenho certeza disso.”

Cristiano Ronaldo, em sua elevadíssima autoestima, fala o que lhe vem na telha. Por isso, provoca polêmicas e divide opiniões. Há quem o idolatre, assim como existem muitos que o rejeitam. Não me situo em nenhum dos grupos; só sei que se trata de um tremendo jogador. É dos melhores, senão o mais vibrante, boleiro português que vi em ação. (Desconto, aqui, a lenda Eusébio, considerado português, por causa da época colonialista, mas nascido em Moçambique.)

Exageros à parte, o moço não está errado no resumo e na projeção que fez. Jogou muito, na temporada recém-encerrada, em que sua equipe levou a taça de campeã. Até o último momento disputou com o Messi a liderança da artilharia. O argentino garantiu o troféu “Pichichi”, com 50 gols, quatro a mais do que Cristiano. Ambos estiveram muito acima da média dos demais.

A pretensão de ser o melhor do mundo também faz sentido e ganha força com a ausência do Barcelona na final da Copa dos Campeões. A derrapada diante do Chelsea provavelmente contará. Mas o Real Madrid também pisou na bola, diante do Bayern, com Cristiano Ronaldo e demais estrelas. Se o time tivesse chegado à decisão, o português daria alguns passos à frente do rival argentino. Ele ainda tem a seu favor a disputa da Euro-2012, que chama a atenção.

Falta mais de meio ano para a definição a respeito do destaque do futebol em 2012. Mas, salvo alguma surpresa, a briga outra vez ficará entre essas duas estrelas. Qualquer um dos dois jogaria no meu time. E no seu?

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Você vai acompanhar hoje a final da Copa dos Campeões da Europa? Se curte futebol, arrumará um espaço na agenda e reservará parte do sábado para ver o que aprontarão Bayern e Chelsea, em Munique. Vale a pena, a festa costuma ser boa e com doses de emoção. Pra mim não há favorito, mas os alemães têm a vantagem de jogarem em casa. Isso pode contar.

Seja qual for o campeão, será legítimo e merecido. Não houve polêmica a cercar a trajetória de nenhum dos dois pretendentes ao orelhudo troféu. Desta vez, não se pode dizer que este ou aquele foi protegido, que a arbitragem favoreceu e coisas do gênero. Ganharam o direito de ir ao capítulo decisivo por méritos dentro de campo.

Já se discutiu muito a respeito da semifinal. Dei minha opinião, aqui no blog, na coluna no Estadão e na ESPN. Não escondo que, para minhas convicções, preferia ver o Barcelona outra vez na reta de chegada. Pelo futebol tecnicamente (quase) impecável e pela beleza, o time catalão é o que mais me encantou nos últimos anos. Me fez viajar no tempo e recordar de época em que se via, por aqui, qualidade semelhante.

Mas esbarrou em ferrolho do Chelsea, perdeu uma e empatou outra. Enfim, faltou-lhe aquela centelha de fantasia e eficiência que cintilou em outros momentos. Uma pena para Messi e seus acólitos. Porém, em nenhum instante isso tirou o valor do Chelsea. Só o considero menos glamouroso do que o Barça – e aí não vai demérito para ninguém.

O Real também despontava como forte candidato, pelo que fez na temporada. José Mourinho montou uma equipe agressiva, goleadora. Que, no entanto, não superou o entusiasmo do Bayern, com quem fez dois jogos muito equilibrados. O time bávaro pode não ser também tão charmoso quanto o espanhol, mas tem técnica. Em minha opinião, até melhor que o Chelsea.

Os dois finalistas sofreram baixas, o que nivela ainda mais o tira-teima deste sábado. Não se deve desprezar o currículo do Bayern, em sua nona final – ganhou quatro e perdeu outras tantas. O Chelsea, que tenta se estabelecer entre os grandes do continente, vai à segunda decisão (caiu em 2008 diante do Manchester United).

Jogo pra ver – e depois de olho no Brasileirão.

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Você pensa que técnico vai pro espaço apenas no Brasil? Está enganado. Os europeus, tão incensados, já há algum tempo derrubaram o mito de que mantêm treinadores por períodos significativos. A Roma dá o exemplo mais recente para desmentir essa antiga imagem.

Menos de um ano atrás, o espanhol Luis Enrique desembarcou na capital da Itália com a missão de transformar a Roma numa espécie de Barcelona do calcio. O técnico chegou com referência importante, pois cuidava dos juvenis do badalado clube catalão. E não escondeu de ninguém que a intenção era revolucionar o futebol local. Os torcedores que aguardassem.

O respaldo vinha também da nova cúpula da Roma, negociada para um grupo comandado pelo norte-americano Thomas DiBenedetto, de origens italianas. O gringo ficou encantado com o desafio de Luis Enrique e deixou que seus representantes ‘domésticos’ cuidassem de tudo.

A aventura terminou nesta quinta-feira, 337 dias depois de o espanhol ter assinado contrato por duas temporadas. Luis Enrique reuniu jogadores e comissão técnica, após o treino da manhã, e avisou a todo mundo que estava deixando o barco. A despedida ocorre no domingo, na visita ao Cesena, na última rodada do Campeonato Italiano. Fala-se que Vincenzo Montella, ex-jogador romanista, pode ser o sucessor.

A passagem foi breve e frustrante. Luis Enrique não deu cara ao time, acumulou decepções (como as duas derrotas por 2 a 1 para a superrrival Lazio), levou várias surras (4 a 0 para Juventus, 4 a 1 para a Atalanta, 4 a 2 para Lecce e Cagliari), não disputou título nenhum e não se classificou nem para a próxima Liga Europa. Diante disso, admitiu que não se sentia mais à vontade para continuar. Ah, claro, também alegou que mulher e filho não se adaptaram a Roma.

O que isso significa? Duas coisas: 1 – é preciso parar com a história de vender a ideia de que qualquer time pode virar um Barcelona. A fórmula original não surgiu do nada nem deu certo por acaso. 2 –  ”Projeto” é a palavra mais oca e sem sentido no futebol.

Arrivederci!

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A torcida e os jogadores do Barcelona prometiam homenagem daquelas para Pep Guardiola, na despedida do treinador no Camp Nou. O encarregado do presente foi Lionel Messi. E o argentino exagerou: fez os gols na vitória por 4 a 0 sobre o Espanyol, no clássico catalão, neste sábado. Uma farra para ninguém botar defeito e uma saideira marcante.

Messi esteve mais endiabrado do que de costume. Abriu a sessão nostalgia com gol de falta, no primeiro tempo. Os outros vieram na etapa final, com dois de pênalti e um com seu carimbo especial de destruir defesa adversária. Chegou a 50 no Campeonato Espanhol, a 72 na temporada e já fez 252 com a camisa gloriosa do Barça.

O astro também continua à frente na disputa particular com Cristiano Ronaldo  pela artilharia do Campeonato Espanhol. O português fez um nos 2 a 1 do campeão Real Madrid sobre o Granada e foi a 45. São números expressivos de dois dos melhores jogadores do mundo na atualidade.  Uma ‘briga’ saudável, que só faz os dois crescerem.

A exibição de Messi lava a alma dos catalães, cuja magia foi colocada em dúvida por causa dos tropeços na Copa dos Campeões e na liga doméstica. Como se “A Pulga” e seus companheiros, assim como Pep Guardiola, precisassem provar algo. Trata-se de um grupo extraordinário, que vai sempre arrancar aplausos de quem gosta de futebol.

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O sonho de muito cidadão é chegar aos 40 no auge da profissão e cheio da grana. Pois Pep Guardiola atingiu esse objetivo, aos 41, completadosem janeiro. Otreinador mais badalado do futebol internacional, nos últimos anos, confirmou hoje que sai do comando do Barcelona, depois de quatro temporadas. Ele alegou desgaste e parte para novos desafios na profissão – no caso, por opção e não por dispensa.

Guardiola tem consciência de que é uma pérola solta no mercado. Convites normalmente não faltam para técnicos medianos – imagine para um sujeito que conquistou 13 títulos em tão pouco tempo! Está com a vida feita e vai para onde quiser. Tem condições de dar-se ao luxo de escolher entre ofertas milionárias. Os endinheirados que brincam de donos de equipes vão correr atrás dessa grife.

Pode-se alegar que Guardiola fez fama e fortuna porque contou com uma geração extraordinária no Barça. É verdade. Se tivesse cabeças de bagre a sua disposição talvez ainda estivesse gramando em busca de espaço. Mas é igualmente justo frisar que ele amalgamou os talentos, encontrou uma fórmula quase imbatível – sei, sei, o Chelsea desmente a afirmação – e transformou a equipe catalã num espetáculo fora do comum.

Guardiola surpreendeu, quando assumiu, ao dispensar Ronaldinho Gaúcho, então símbolo de um Barcelona que já ensaiava esse estilo baseado no toque de bola. Pareceu uma heresia – e, mais tarde, se provou atitude das mais acertadas e saneadoras. O Barça ganhou irreverência, mas dentro de campo, e eficiência. Os títulos espanhois, europeus e mundiais confirmaram a precisão do tino do treinador.

Já vi, em blogs e em outras mídias, a sugestão de Guardiola para treinar a seleção brasileira. Fosse algumas décadas atrás, consideraria uma heresia, um desrespeito à tradição dos colegas brasileiros. Hoje em dia, com a globalização da bola cada vez mais intensa, provocaria um ou outro olhar enviesado.E muita aprovação. Porque imediatamente se associa Guardiola a jogo bonito e eficiente.

Se fosse os argentinos, aceitaria a sugestão que li de meu amigo e colega de Estadão, o Wagner Vilaron: contratava o espanhol, porque ele certamente sabe como poucos como fazer Lionel Messi ser o astro da companhia.

Mas, se quer mostrar que é bom mesmo, tenho um desafio: vem pra cá dirigir uns times complicados (preciso dizer quais?), que há muito tentam reencontrar o caminho da glória. Se desse jeito neles, então mereceria caminhões de dinheiro, estátua e beatificação. E depois voltava para o Barcelona, onde certamente tem portas escancaradas.

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Impérios caem, grandes times desabam – é da vida, faz parte do futebol. Nesta terça-feira, o Barcelona poderoso, envolvente e estonteante mais uma vez não conseguiu se desenredar de uma marcação obsessiva, não foi eficiente nem criativo. Amargou empate de 2 a 2 com o Chelsea e viu virar fumaça o sonho de mais um título europeu. Os ingleses, com sua tática de todo mundo atrás e bola pra frente quando der, estará em Munique no mês que vem.

Não se tira mérito de quem elimina o Barça. No mínimo, teve petulância, o que já é muito, quando se enfrenta uma equipe que inibe adversários com facilidade. O Chelsea entrou como franco-atirador nessa fase, já estava no lucro desde o duelo sofrido com o Napoli em casa, quando soube devolver os 3 a 1 e se garantiu na prorrogação.

Di Matteo e seus jogadores não tinham nada a perder diante do Barcelona, o favorito disparado nos prognósticos e nas casas de apostas de Londres mesmo. O lucro começou no jogo de ida, com a vitória por 1 a 0, na base do “segura atrás e seja o que Deus quiser”. E se consolidou com o empate em cima da hora, conseguido com o gol de Fernando Torres, durante muito tempo um peso morto e agora jogador decisivo. Como tem de ser um atacante.

O jogo em Barcelona foi plasticamente feio, repetitivo e monótono. Mesmo quando estava com 11 (achei excessiva a expulsão de Terry), a equipe inglesa ficou atrás e não teve pudor de mostrar qual seria a estratégia. Com um a menos, então, e com 2 a 1 no placar, foi um acinte. Ok, deu certo, para alegria de quem acha que futebol é resultado apenas. Não acho, e não será agora que modificarei meu pensamento.

O pecado mortal do Barcelona foi o de ter perdido o controle, ao levar o gol de Ramires (lindo, por sinal). Perdeu também a confiança, após o erro de Messi (mandou o pênalti no travessão). Enervou-se, mostrou insegurança pouco comum (mas a mesma do jogo anterior e do clássico de sábado com o Real Madrid), e ainda como castigo supremo tomou o segundo.

Nem tudo na vida sai como a gente quer. No cotidiano, nem sempre sobressai o melhor. Por que seria diferente no futebol? Só não vale dizer que o Barça é uma farsa ou que Messi é produto de marketing. Nem entro nessa discussão, que me soa estúpida e sinal de inveja.

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Sabe o que achei mais interessante nas duas derrotas seguidas e em poucos dias que o Barcelona sofreu? Elas revelaram uma equipe formada por seres humanos, como eu e você; portanto, normais e sujeitos a altos e baixos, a falhas, a insegurança. Não são semideuses – e isso não se mostra consolador? O supertime não é composto por um bando de robôs.

O clássico deste sábado não entra na antologia dos confrontos entre Barça e Real, mas foi bacana, teve tensão, emoção, estratégia e catimba. A moçada de José Mourinho pegou carona no que aprontou o Chelsea, na quarta-feira, em Londres, repetiu a dose e não é que deu certo? O treinador português bloqueou o meio-campo, botou um monte de gente em cima do trio Xavi, Iniesta e Messi, deixou os contra-ataques por conta de Cristiano Ronaldo e Benzema.

O Real se inspirou nos ingleses, mas jogou muito mais. Tanto que começou a desmontar o Barcelona com o gol de Khedira aos 18 minutos do primeiro tempo. A vantagem pressionou os catalães, que voltaram a se enroscar e a dar sinais de nervosismo, igualzinho ao que ocorrera no campo do Chelsea. Consequência disso? Travou, os passes saíam, mas não resultavam em nada. Pior, foram poucos os chutes a gol.

Um Barcelona irreconhecível, mais parecido com a maioria dos adversários com os quais topa. Faltaram criatividade, mobilidade, ousadia. A marcação em cima de Messi passou por revezamento, mas sobretudo Pepe se saiu bem na missão ingrata. Desta vez, sem apelar para a truculência, foi um dos melhores em campo. E o argentino percebeu que a vida não será fácil daqui para a frente, já que o título espanhol foi pro espaço e o europeu está por um fio.

O Barça até esboçou reação, quando Pep Guardiola mandou Xavi para o banco e colocou Alexis Sanchez, mais um atacante. O chileno fez o gol de empate, aos 25 do segundo tempo, mas Cristiano Ronaldo fez a torcida baixar a crista ao fazer, logo em seguida, o gol da vitória. O português endiabrado tem 42 gols. É um fenômeno!

Os sete pontos de vantagem (88 a 81), e com poucos jogos pela frente, são abismo insuperável entre os dois inimigos. Real pode preparar logo a festa de campeão. Resta saber, agora, se vai trombar com o Barcelona na final da Copa dos Campeões. Ambos precisam reagir. O Real sinalizou neste sábado que tem força. E o Barça? Como diz um amigo meu, perder não tem problema, chato é se começar a acostumar. Aí danou tudo.

 

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O Chelsea bateu o Barcelona por 1 a 0, em casa, e merece fazer festa. Não é toda hora que algum time consegue passar por Messi &Cia, nos tempos que correm. Deu um bom passo para a final da edição deste ano da Copa dos Campeões da Europa, que tem o nome pomposo de Uefa Champions League. Tem de curtir o momento, isso é óbvio e natural.

Mas o mundo não acabou, muito menos a magia do time catalão.  O que se viu em Londres, nesta quarta-feira, foi a milionésima prova de que o futebol fascina porque é dos poucos esportes em que os mais fracos têm chance, com o perdão do lugar-comum. Muita gente tem birra com o Barça porque se trata de uma equipe extraordinária. Por isso, quando tropeça vira motivo para euforia. Atitude pequena, mas compreensível.

O Barcelona jogou contra o Chelsea o futebol envolvente e atrevido de sempre. Quem pôde acompanhar o jogo, constatou que os espanhóis dominaram (68% de posse de bola), criaram chances de gol, chutaram, mandaram duas bolas na trave, a zaga inglesa salvou uma em cima da linha e o goleiro Petr Cech fez pelo menos três defesas espetaculares.  A novidade foi o Barça ficar um pouco tenso nop segundo tempo.

O Chelsea teve uma chance, uma, no final do primeiro tempo, aproveitou, Drogba marcou e assim venceu. Então, fez a ‘partida perfeita’, como pretendiam seus jogadores e o técnico Di Matteo? Depende. Se o objetivo era ganhar, sim. Mas, se a análise se concentrar na essência do jogo de bola, não. Os ingleses se defenderam como puderam – o que não é demérito – e atacaram quando deu, o que foi pouco frequente. Isso é esquema típico de time pequeno, e às vezes dá certo, como aconteceu nesta primeira parte da semifinal europeia.

Há uma onda, que considero positiva, de resgatar o futebol bonito e bem jogado. O mérito é do Barcelona, que resolveu jogar à antiga moda brasileira. Estava mais do que na hora de isso acontecer. Só que, por ser muito superior aos demais e perfeito, também desperta inveja. Sentimento que leva a contradições, como a de achar que fez bem o Chelsea, ao apelar para o jogo medroso, retrancado.

Como não engulo esses modernismo, prefiro ainda o futebol em que predomina a habilidade. Por essa razão, espero que o Barcelona na semana que vem possa vencer com autoridade. De preferência com muitos gols, para acabar com a bobagem de que futebol bonito não vale, se não vier associado com vitórias.

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Que Real Madrid e Barcelona fazem uma disputa e os outros 18 concorrentes da Série A espanhola têm outra, todo mundo sabe. Não é de hoje que o torneio se limita à alternância dos dois gigantes no topo. O campeonato deste ano, porém, tem desafio ainda mais especial, na corrida pela artilharia entre Cristiano Ronaldo e Messi. Faltam cinco rodadas para o encerramento e ambos lideram, com 41 gols – marca pra lá de expressiva.

O português e o argentino se impulsionam mutuamente. A vontade de um superar o outro só tem feito bem para a dupla – e, claro, para os respectivos clubes. Cristiano faz um (como nos 3 a 1 deste sábado diante do Gijon) e passa à frente. Um pouco mais tarde, a resposta de Messi: dobradinha nos 2 a 1 de virada em cima do Levante e retoma a igualdade. Tem sido assim desde o início da temporada e nenhum deles dá sinal de diminuir o ritmo.

Os torcedores é que se divertem – os de Real, Barça e os demais. O português quase não folga; o argentino, idem. Cristiano raramente se machuca; Messi tampouco. O atacante do Real Madrid leva poucos cartões, toma cuidado para evitar suspensões; o genial camisa 10 do Barça não faz por menos. Por isso, os dois fominhas são presença constante. “Fominhas” em parte, pois se notabilizam também pelas assistências para os companheiros.

Cristiano Ronaldo e Messi correm velozmente para atingir o auge na carreira, com a vantagem de serem novos ainda. O português completou 27 anos em fevereiro e o argentino fará 25 em junho. Ou seja, têm ainda muito gramado para correr, muitas defesas para atormentar, muitos gols para comemorar, muitos troféus para conquistar. São fora de série; a desvantagem de Ronaldo é a de que Messi atua num time ainda mais extraordinário do que o Real.

A dupla mortífera tem encontro marcado para a noite do próximo sábado, no Camp Nou, para o clássico que pode definir a competição ou deixá-la aberta nas quatro rodadas que faltarão em seguida. O Real Madrid, 85 pontos (107 gols a favor 29 contra), visita o Barça, vice-líder com 81 (93 gols pró e 24 sofridos).

Vitória da turma de José Mourinho significa preparar o espumante para o título. Derrota para a moçada de Pep Guardiola, o que não é nada improvável, fará crescer ansiedade na arrancada. Campeonato bom esse, apesar de limitar-se a dois times. Os outros assistem de camarote e se limitam a aplaudir. Fazer o quê? É o que lhes resta.

 

 

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Sei que a conversa rolou no domingo à noite, mas continua atual e vale um comentário. Pois então, vamos trocar umas ideias aqui.

Andrés Sanchez, em sua proverbial sabedoria, afirmou ao pessoal da Mesa Redonda, da TV Gazeta, que é “balela” esse negócio de estilo Barcelona de jogar. O dirigente acha que o time espanhol encanta porque vive uma fase fora de série, com Messi, Xavi e Iniesta. Na visão dele, antes dessa turma o Barça não era de nada e vai voltar a ser comum daqui a algum tempo.

Ok. Nenhum time consegue ser excepcional a vida toda. Seria insano imaginar supremacia eterna. Isso não existe na vida e, por extensão, nem no esporte. Equipes de futebol, assim como nações, povos e culturas, vivem ciclos. O de agora, no caso do esporte, é do Barcelona, com sua moçada que diverte qualquer plateia. Uma hora passa, como tudo.

Daí a desdenhar o que faz o Barcelona é muito simplório, denota desconhecimento de futebol. Ou é sinal de cultura esportiva que se limita a papo de botequim em fim de tarde. Parece a história da raposa e as uvas verdes. Meu time (ou meu país) não joga dessa forma porque ela não é tão boa quanto parece. Está mais para enganação.

Uma visão estreita do mundo, que seria irrelevante e passaria batida, se Sanchez fosse um zé-mané. Porém, preocupa por se tratar do diretor de seleções da CBF. Quer dizer, o sujeito que teoricamente traça diretrizes e metas para as equipes que representam o Brasil. Dá para esperar pouco…

O Barcelona tem sua maneira de jogar, que não é nova (já falei disso muitas vezes), mas eficiente e merece destaque. Tem de ser exaltada. Os dirigentes catalães tentam incutir esse estilo nas categorias de base. Talvez não consigam manter o padrão de qualidade por décadas, talvez venha a faltar talento para o Barcelona – o que é natural, já que não se encontram Messis, Iniestas e Xavis a todo momento.

Em todo caso, é sempre melhor tentar a inovação do que apenas cruzar os braços e classificar de “balela” um time que destoa dos demais.

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