O Atlético-MG tem jogado o fino da bola. É preciso reconhecer que a rapaziada de Cuca sobra diante de adversários, domésticos, nacionais e internacionais. Na Libertadores, atropelou o São Paulo duas vezes e fica à espera de rival para as quartas de final. No Mineiro, está a um passo do título, após os 3 a 0 de hoje sobre o Cruzeiro.
O clássico no Independência foi mais uma demonstração do requinte com que Ronaldinho Gaúcho e companhia desfilam pelos gramados. Apesar de pegado e duro no primeiro tempo, com sete cartões amarelos, o Galo foi superior, criou as melhores oportunidades e ficou em vantagem, com o gol de Jô.
Não mudou o panorama na etapa final. Quer dizer, até melhorou para o Atlético, com a expulsão de Bruno Rodrigou aos 9, depois de levar o segundo amarelo. O Cruzeiro ensaiou reagir, mas não teve como; ao contrário, ao se abrir, dava espaço para contragolpes do Atlético. E a tarefa foi liquidada com gols de Tardelli e Marcos Rocha.
Até o juiz sentiu o peso do Atlético. Luis Flávio de Oliveira passou o bastão para o reserva, dez minutos antes do final, por contusão na coxa. Perdeu os derradeiros momentos de mais uma exibição da equipe que, no momento, regala o público com o futebol mais divertido e contundente do país.
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O São Paulo está sem rumo dentro de campo e com autocrítica destrambelhada nos bastidores. Jogadores e comissão técnica não dão conta do recado nas competições de que participam, como mostram as duas eliminações em quatro dias e o futebol oscilante da equipe. A cartolagem reforça a sensação de destempero com atitudes impregnadas de soberba e doses de galhofa fora de hora. Em resumo, está uma esculhambação.
A coisa não vai bem desde cima. Na tarde do segundo jogo com o Atlético, o presidente Juvenal Juvêncio deu longa entrevista ao repórter André Philal. No estilo pirotécnico e na linguagem rococó que o distinguem, destilou ironia pra todo lado. O objetivo, claro, era o de mostrar que o clube que comanda não compactua com acertos antidesportivos, é pautado por lisura e fair-play, e que paga preço salgado por essa postura. Enfim, pintou retrato de uma agremiação composta por cavalheiros. Aquela negócio do difereeeen-txe! de que se gaba. Pode ser, não discuto o caráter de ninguém.
Mas, de tanto deixar o falatório escoar pelo ladrão, o dirigente caiu em armadilha. Pra cutucar os colegas mineiros, referiu-se ao estádio Independência como uma arapuca, por ser acanhado e supostamente intimidar os adversários. Ficou no ar que a artimanha de não jogar no Mineirão seria forma de pensar pequeno. Pois se esqueceu de emendar, mais tarde, que a ratoeira foi tão bem montada que o time dele não viu a cor da bola, levou de 4 a 1, fora o baile, e saiu da Libertadores murchinho, calado e com o lombo dolorido. O Atlético-MG passeou diante de oponente tão estrelado na competição.
Em vez de vislumbrar inveja e supostas armações, o longevo dirigente poderia voltar-se para si próprio e para o tipo de administração que vinga atualmente no Morumbi. A começar por mudanças de estatuto que lhe permitiram estender o tempo de permanência no poder e sufocam a oposição. Antes, o rodízio frequente na presidência tinha o verniz de processo democrático e de renovação constante no clube.
Agora, não. Fica a impressão de que, assim como outras associações, o São Paulo também é uma espécie de capitania hereditária na qual a sucessão ocorre por direito divino ou régio. Erro que levou pesos pesados (Vasco e Palmeiras, por exemplo) a regredirem e perder espaço. Ambos não conseguem se recuperar de anos de absolutismo de personagens de triste memória. O tricolor armou arapuca semelhante e caiu nela.
As consequências se estendem para o gramado – e atingem o torcedor. O sujeito que está nas arquibancadas ou não liga para a política interna ou, o que é mais comum, não tem acesso às disputas de grupos e facções. (Falo dos fãs comuns, não daqueles que têm interesses.) Pois esse cara que veste a camisa, que se esgoela e se escabela, quer ver bons resultados, concentra a atenção na turma que faz a bola correr. E nisso tem acumulado decepções.
O São Paulo gastou uma dinheirama e não montou elenco competitivo e homogêneo. Escrevi algumas vezes que não o considerava frágil – mas, depois de seguidos sustos e fiascos, tendo a rever minha opinião. Difícil encontrar justificativa para seis derrotas, três vitórias e um empate na Libertadores (com os jogos da fase preliminar). Mal se formou, já terá de passar por reforma.
Para não ficar em análise imediatista, com base em episódios recentes e ainda quentes, um recuo na folhinha amplia a crise de identidade tricolor. Depois dos títulos nacionais de 2006/07/08, minguaram as conquistas. A única foi a Sul-Americana de 2012, com a final inacabada com o Tigre. Se quiser aliviar, se pode alegar que ciclos de glórias e apertos fazem parte da história dos grandes times. Meia-verdade.
O São Paulo ficou duas décadas (1989/2008)em evidência e se tornou dos mais premiados clubes brasileiros. Cultivou a imagem de eficiência e vanguarda. Mas estagnou e precisa de mudanças – do topo à base, se pretende de novo ser diferente, de fato e não só no papo.
*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 10/5/2013.)
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Escrevi em minha coluna no Estadão de quarta-feira que a cobra iria fumar no Independência. Bastava saber de qual lado. A resposta veio clara, sonora, inquestionável, nos 4 a 1 do Atlético sobre o São Paulo. “Fora o baile”, como se dizia no meu querido Bom Retiro, bairro paulistano onde nasci e me criei.
Ronaldinho Gaúcho e sua turma desmontaram um adversário que já havia sido chacoalhado com os 2 a 1 de virada na semana passada no Morumbi. Um São Paulo torto, remendado, a partir da escalação, na qual apareceu Douglas com função de meia, de volante, de atacante. Enfim, não se sabe direito com qual função.
O time de Cuca não deu em momento algum espaço para o São Paulo pensar, criar, ousar, muito menos sonhar com a reação. Se, em nome da tradição tricolor, se esperava pelo menos atrevimento, na prática não houve sequer cócegas no Galo. O que se viu, do começo ao fim, foi um passeio de uma equipe superior, autoconfiante e equilibrada.
O Atlético criou chances, ainda no primeiro tempo, de ter placar folgado. Mandou bola na trave, com Ronaldinho Gaúcho, e assustou com Bernard e Diego Tardelli. Ficou na vantagem do 1 a 0, gol de Jô – e praticamente liquidou a tarefa antes do intervalo. O São Paulo foi batido para os vestiários. Era visível a cara de desânimo dos jogadores.
Desânimo que virou pesadelo na etapa final, quando vieram mais dois gols de Jô (ou Jôvandowski, como falaram alguns torcedores gozadores) e outro de Tardelli. O São Paulo descontou com Luis Fabiano, só pra não ficar no zero.
O Atlético segue como um dos fortes candidatos ao título desta temporada – conquista inédita, esperada. O São Paulo precisa ser remontado para o Brasileiro. Mas, acima de tudo, é preciso que dirigentes saiam do pedestal. O presidente Juvenal Juvencio afirmou, antes do jogo, que o Independência era uma arapuca. Era, sim. Tão bem feita que o time dele não viu a cor da bola.
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Há expressões populares de ironia simples e definidora. Essa do título da crônica de hoje vem de longe, salvo engano da época do embarque da Força Expedicionária Brasileira para a Itália, quando se dizia que era mais fácil uma cobra fumar do que o país entrar na guerra. Dali em diante, passou a significar que o clima sempre esquenta quando dois adversários se topam. Ou seja, o bicho vai pegar…
E está com jeito de jogo bom e animado este Atlético-MG x São Paulo, programado para o Independência. Ambos se enfrentaram três vezes na edição atual da Libertadores, com vantagem para os mineiros: 2 a 1 na ida, na fase de grupos, e 2 a 1 de virada na semana passada, no Morumbi. O São Paulo fez 2 a 0 na última rodada da etapa anterior do torneio.
Monotonia não houve nos clássicos prévios – por isso, é justo imaginar-se no mínimo a repetição de duelo com ritmo forte para a noite. Nem há como ser diferente, pelas características das equipes e pelas circunstâncias da partida. O Atlético joga solto, é atrevido e criativo. Não foi por acaso o melhor participante da primeira parte da competição, e conta com jogadores com poder de definição. O São Paulo, mesmo com baixas significativas, volta e meia se arrisca a ir pra cima e pressionar, embora nem sempre consiga sustentar a cadência por muito tempo.
Sobretudo, é decisão em Belo Horizonte. Não há meio-termo, um dos dois cairá fora do caminho do título; portanto, nem tem como levar em banho-maria. A bola está com o Atlético, que anda em paz consigo e com a torcida. Fato. O conjunto montado por Cuca repete a harmonia do Corinthians de 2012, com o requinte de contar com Ronaldinho. Mas não só o gaúcho: também desequilibram Diego Tardelli, Jô e Bernard, ainda um tanto retraído por contusão no ombro, mas que joga muito. Defesa e restante do meio de campo são seguros e experientes. Dá gosto de acompanhar o Galo.
Não se comete exagero ao se detectar o melhor Atlético dos últimos anos. Time com cara de campeão – ou, no mínimo, com perfil de quem vai longe, sem tremer. Até agora não tem decepcionado, apesar de prognósticos reservados após a derrota para o São Paulo. Se supôs que entraria abalado para o novo tira-teima, diante do mesmo rival, nesta fase de eliminação direta. Ganhou e está com um pé nas quartas.
Também vale fazer justiça ao São Paulo: a turma de Ney Franco começou a toda, ficou logo em vantagem (com Jadson) e só Ademilson (que substituiu Aloísio) desperdiçou duas chances benditas. O espetáculo que poderia desembocar em goleada pro pessoal da casa deu uma guinada brusca com a expulsão sonsa de Lúcio, antes do intervalo. O zagueiro xerife lascou pernada pra desmembrar o Bernard – e espanou o Tricolor. Se o Atlético forçasse a barra, a desgraça seria maior.
Dano irreparável? Condenação irreversível? Não creio. Por respeito, constatação e sensatez, é leviano cravar que o São Paulo foi pro espaço. Ninguém perde de véspera – exceto se cair em alguma maracutaia de bastidor. Não é o caso dos dois.
O São Paulo precisa valer-se do repertório e da tarimba de Rogério Ceni – não só nas defesas (só não vale adiantar-se nos pênaltis), mas nas bolas paradas também. Além de Denilson, Jadson, Ganso e de Luis Fabiano, que retorna depois de suspensão. Os dois últimos ficaram em dívida, pelos erros nas penalidades no domingo. Fica a dúvida em torno de Osvaldo, ultimamente o mais eficiente, veloz e ousado da equipe.
Complicada a missão são-paulina, porque lhe pesam sobre os ombros a desconfiança da torcida, as oscilações, as baixas provocadas por contusões, a cobrança interna dos dirigentes. E, principalmente, porque terá diante de si um obstáculo de grosso calibre. Não pode entrar derrotado – na hipótese menos vibrante, tem de acreditar na devolução dos 2 a 1 e nos pênaltis (ai, ai!). Certo é que a cobra vai fumar a partir das 22h. Pra qual lado? Sei lá, ô meu! Trem doido demais, sô!
*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 8/5/2013.)
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Quem teve coragem de ver do começo ao fim, sem cochilar, acompanhou na tarde deste domingo um São Paulo x Corinthians que poderia ser definido como Falta de apetite x Vontade de não comer. Os dois rivais, que costumam fazer clássicos interessantes, desta vez foram protagonistas de um dos jogos mais chatos do ano. O 0 a 0 foi placar e nota.
Esperava mais de duas equipes que entraram em campo com a necessidade de mostrar reação. No meio da semana, ambas caíram nos jogos de ida da Libertadores e deveriam usar o Estadual como laboratório (ou etapa) para reerguer-se. Como estavam com força máxima, a tendência era a de presentear o público com emoção, tensão, gols.
Ilusão. Com muito boa vontade, o que houve foi adrenalina a mais em algumas divididas ríspidas e um pouco de catimba. Jogadas bem elaboradas, chances de gol, tabelas, dribles e demais pormenores andaram distante do estádio. Nem São Paulo nem Corinthians se deram o trabalho de arrancar aplausos, suspiros das torcidas. Nem vaias.
O São Paulo, para mostrar que a fase está complicada, ainda perdeu Osvaldo, que ultimamente tem sido um dos melhores do elenco. Com menos de dez minutos, saiu de campo por contusão e preocupa já para o tira-teima com o Atlético-MG em BH. Quando a maré está contra, fica difícil mesmo remar.
Se no primeiro tempo ainda houve algumas tentativas agudas, no segundo elas praticamente desapareceram. E, a partir dos 20 e poucos minutos, os dois times preferiram não arriscar um milímetro, e empurraram tudo para os pênaltis.
Daí, deu Corinthians. E nem cabe a reclamação tricolor de que o juiz foi rigoroso ao mandar volta o pênalti cobrado por Pato (o último da série) e que Rogério Ceni defendeu. Sou a favor do goleiro nos pênaltis, e não me incomodo nada com um pouco de catimba e um passo à frente. Mas Rogério se adiantou muuiiito. Não dava para passar batido. Na repetição, Pato marcou e colocou o Corinthians na final.
A turma de Tite continua sua incrível trajetória de finais e busca de títulos: Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores, Mundial. O São Paulo concentra-se agora na Libertadores, em que tem tarefa complicadíssima, a de sair da desvantagem por 2 a 1.
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Os clássicos entre Corinthians e São Paulo têm sido dos mais atraentes dos últimos anos. Independentemente da competição, na maior parte das vezes em que se encontram acontece algo extraordinário, para fugir da rotina. Ou uma surra daquelas para um dos lados, ou gol histórico de goleiro, ou polêmica apimentada. Tira-teimas que dão o que falar.
Para não fugir à regra, o domingo reserva mais uma etapa de rivalidade salutar – só perde a graça na cabeça dos desmiolados que veem futebol como guerra e não como divertimento. O programa de hoje vale vaga para a final do Paulista. Mesmo que fosse só para cumprir tabela, salvo engano, seria divertimento garantido.
Além de definir quem permanece na luta por título estadual – o São Paulo não festeja desde 2005, o Corinthians, desde 2009 -, o jogo serve como parâmetro para medir a capacidade de reação, num momento delicado. Ambos perderam no meio de semana, na abertura das oitavas de final da Taça Libertadores, e por isso entram em campo pressionados a dar sinal de vida.
Por mais que se diga que um torneio não tem nada a ver com o outro, impossível dissociar o caminho regional daquele continental. Estão ligados, e é normal que assim seja. Embora, em muitas ocasiões, equipes pareçam ter duas personalidades, uma reencarnação esportiva de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, os personagens de O Médico e o Monstro. Doideira mas acontece, assim como tem jogador que arrebenta nos clubes e some na seleção. Ou vice-versa.
E, por esse aspecto, o fardo do São Paulo parece mais pesado. A relação com os fãs tem oscilado: num momento, transmite confiança incondicional, como na vitória sobre o Atlético na última rodada da fase de classificação ou como nos primeiros 30 minutos da partida de quinta-feira. Em seguida, há episódios angustiantes, como no 1 a 0 apertado, suado (e com gol contra) diante do Penapolense, há uma semana, nas quartas de final paroquial, ou como nos dois terços restantes da refrega com o Galo na Libertadores.
Nunca se sabe ao certo qual São Paulo subirá para o campo. Daí a apreensão do torcedor, que fica na dúvida a respeito do que o espera. Entra em cena também a escassez de conquistas de vulto nas temporadas recentes (a Sul-Americana de 2012 e só), um incômodo para quem ficou muito bem acostumado com troféus a rodo no último quarto de século. E, para complicar, a situação na Libertadores é complicada com os 2 a 1 levados em casa.
Ney Franco tem consciência da sinuca em que se meteu com os jogadores e, na bucha, avisou que não é hora de poupar ninguém. Vai à luta com o que tem de melhor, incluído Luis Fabiano. Mas terá de administrar um caso delicado: como se comportará a torcida com Lúcio? O pessoal saiu bravo com o zagueiro pela expulsão estulta. Sensato, agora, seria abaixar a poeira.
Com o que escrevi, significa que o Corinthians está com o burro na sombra? Não. A cobrança é débil, pois a Fiel ainda curte o a felicidade provocada por Libertadores e Mundial do ano passado. As façanhas extraordinárias levam o público ao êxtase, como se nada houvesse a reparar.
Bacana – quem não quer levitar com proezas do time? Só que mesmo os mais apaixonados uma hora despertam dos devaneios, se perceberem que o encanto pode romper-se. Em princípio, cair fora da briga pelo cetro paulista não tumultuará o ambiente. Com certo desdém, se pode dizer; “Ah, temos um monte.”
E, se for despachado pelo Boca, dentro de dez dias? Não haverá quebra-quebra, mas retornarão incertezas. Diante disso, o melhor então é correr e muito. Serve para os dois.
Que prestígio! A segunda parte de São Paulo x Atlético na Libertadores, agora em BH, terá de novo árbitros de fora. No Morumbi, foram paraguaios; no Independência, uruguaios. O pedido de apitadores gringos foi mineiro, corroborado pela CBF. Belo sinal de confiança na capacidade dos juízes do país da Copa.
*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 5/5/2013.)
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A noite de quinta-feira estava com pinta de tornar-se memorável para o São Paulo, no primeiro duelo com o Atlético-MG pelas oitavas de final da Taça Libertadores. Talvez se torne mesmo inesquecível, mas com tristeza. Depois de início avassalador e o gol de vantagem, o time paulista cedeu espaço, teve Lúcio expulso, viu o rival mineiro crescer, empatar, virar e ficar em excelente situação para o duelo de volta, na semana que vem.
O clássico brasileiro desta fase do torneio continental teve momentos muito distintos. O começo foi exuberante para o São Paulo. Com velocidade, trocas de passes rápidas, deslocamentos e forte marcação, o time de Ney Franco sufocou o Atlético. Em 20 minutos, criou três excelentes oportunidades – aproveitou só uma, com Jadson. Perdeu outras duas com Ademilson, na cara do gol.
Ganso e Jadson ditaram o ritmo da partida, comandaram o São Paulo e, com os demais, deu a impressão de que tudo estaria liquidado ainda no primeiro tempo. Ilusão de outono, passageira. O Atlético custou, mas se assentou em campo, segurou o ânimo tricolor, também tocou a bola e aos poucos avançou.
Quando caminhava para o equilíbrio, o Galo ainda foi beneficiado por uma atitude impensada de Lúcio. O zagueiro deu uma entrada doida em Bernard, levou o segundo amarelo (o primeiro foi por reclamação) e, por extensão, o vermelho. O São Paulo sentiu o golpe, tanto que levou o empate pouco depois, com Ronaldinho Gaúcho.
O Atlético foi inteligente no segundo tempo. Voltou sem pressa nenhuma e, mais do que nunca, tocou a bola pra cá e pra lá, para testar os nervos do São Paulo. Com isso, deixou o anfitrião sem ação, acuado. O segundo gol, com Diego Tardelli, veio naturalmente. A diferença só não foi maior, porque o Atlético não forçou.
A melhor equipe da fase anterior da Libertadores tem tudo para avançar. Só uma reação estupenda do São Paulo para reverter um quadro favorável demais para os mineiros. E o ouvido de Lúcio deve estar ardendo até agora.
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O Atlético garantiu, nos últimos dias, que não permitiria o avanço do São Paulo para as oitavas de final da Taça Libertadores. Justamente porque seria o adversário a enfrentar na largada da etapa de eliminatórias diretas, com todos os riscos que isso implica. Melhor, portanto, livrar-se logo de qualquer ameaça.
Mas, na prática, o melhor time da competição na fase de grupos, não fez nada para evitar o duelo verde-amarelo nas próximas semanas. Ronaldinho Gaúcho e companheiros estiveram muito aquém das cinco rodadas anteriores e sucumbiram diante de um rival pressionado, determinado e animado pela torcida. Resultado: 2 a 0, a classificação tricolor e, o que é pior, um obstáculo e tanto para o Galo.
O São Paulo fez o que a torcida imaginava, sonhava e pedia: jogou com garra e vontade, sobretudo no segundo tempo do duelo desta quarta-feira. No primeiro tempo, enroscou nos problemas de sempre, quer dizer, dificuldade para armar jogadas e para chutar a gol. Tanto que Vítor praticamente não foi incomodado.
O Atlético, já com a campanha mais eficiente garantida, tratou de não forçar o ritmo. O empate manteria a invencibilidade e também afastaria o São Paulo da briga. E esse foi o erro da rapaziada de Cuca. Na etapa final, os são-paulinos foram mais atrevidos, se mandaram para a frente e passaram a acreditar na classificação com o pênalti transformado em gol por Rogério Ceni.
O Atlético esboçou reação, mas restou preso a certo desinteresse próprio e à empolgação do São Paulo. Por isso, o segundo gol (Ademilson aos 37) foi consequência dessas posturas diferentes. Para fechar a noite de milagres, o Arsenal bateu o The Strongest e, por tabela, beneficiou o time brasileiro.
O São Paulo ressurgiu – e isso é mau sinal para os adversários. Pode virar fogo de palha, se o Atlético voltar a ser o “galo vingador” de antes. Serão belos clássicos.
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No Bom Retiro dos tempos de cadeiras na calçada, para bate-papo de fim de tarde e atualizar notícias do bairro, as comadres e os nonnos costumavam dizer, com gravidade, sempre que alguém precisava alcançar um objetivo complicado: “Ajuda-te, que Deus te ajuda.” Não era preciso acrescentar uma vírgula, pois todos entendiam a mensagem.
Lembrei-me da sabedoria rústica dos imigrantes ao olhar o tamanho do desafio do São Paulo, na noite de hoje, no clássico com o Atlético Mineiro, no Morumbi. A turma do Ney Franco está em saia mais justa do que a das moças de salão de automóvel e se enfiou numa sinuca de bico de deixar aflito o Carne Frita, lendário rei do pano verde. Não só tem de ganhar do melhor time da primeira fase da Libertadores como torcer por combinação que o favoreça no duelo palpitante entre Arsenal e The Strongest, essas potências sul-americanas.
Vi muito tricolor disposto a garantir velas e orações para santos de devoção, a começar pelo patrono do clube e enveredar por Santo Expedito, São Judas… Há romarias previstas para Aparecida, desde que seja obtida a vaga para as oitavas de final. A fé faz bem, no mínimo por manter esperança quando tudo parece perdido. E consola nas frustrações. Portanto, nada contra recorrer à ajuda divina – o pessoal lá de cima gosta de futebol.
Mas não adianta deixar tudo nas mãos de Deus e do padre Cícero. É preciso que o São Paulo cumpra a parte que lhe compete e que não soube executar na maioria das cinco rodadas anteriores. O time se enroscou e está por um fio ao perder as três partidas como visitante e, de quebra, empatar com os argentinos em casa. Campanha decepcionante para um elenco de boa qualidade. A desgraça não se tornou irreversível por antecipação, porque o Atlético-MG disparou, surrou todo mundo e assim equilibrou a corrida pelo segundo lugar.
O São Paulo pode entrar em campo de mãos dada, orar no centro do campo e usar fitinha do Senhor do Bonfim. Só que tem de jogar bola – muita -, com uma vontade inédita até agora na temporada. Nada de vir com a conversa mole de que a calma é fundamental, de que as coisas vêm no momento certo. A hora é de adrenalina, suor, empenho, para contagiar atletas e se espalhar pelas arquibancadas. O torcedor deu a contribuição, com mais de 40 mil ingressos vendidos, e espera o sinal do campo.
Não há fórmula mágica para derrubar rival em fase esplêndida. Há alternativas a serem tentadas. Uma delas é neutralizar Ronaldinho Gaúcho, do qual surgem as principais jogadas da equipe. Com isso, teoricamente, ficam em dificuldade Jô e Diego Tardelli. Outra é segurar as descidas dos laterais, além de cuidado obsessivo em bolas paradas e preparadas para as cabeçadas certeiras do zagueiro Réver.
Simples, não? De maneira nenhuma. A sintonia faz fluir o jogo do Atlético. De sobra, existem jogadores que executam funções táticas à perfeição e sem alarde, como Pierre, volante ignorado pelo Palmeiras tempos atrás e que ressurgiu em Minas.
O São Paulo terá ainda de superar ausência de Jadson e Luis Fabiano, fora soluções de última hora que Ney ainda procura. Noite pra rezar brava.
Novidade 1. Presidentes de Federações, reunidos ontem no Rio, aprovaram por unanimidade as contas da CBF em 2012. Que voto de confiança!
Novidade 2. Consórcio liderado por empresa de Eike Batista apresenta proposta superior à do concorrente para administrar o Maracanã. Puxa.
*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 17/4/2013.)
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O futebol e a vida dão cada volta que vou te contar! Até outro dia o Palmeiras era motivo de esculhambação, pois parecia mais o exército de Brancaleone do que time profissional. Ainda mais depois da surra de 6 a 2 para o Mirassol. Agora, volta a ficar na boca do povo pela reação e pela vitória emocionante por 1 a 0 sobre o Libertad, resultado que o colocou nas oitavas da Libertadores com uma rodada de antecedência. Até rivais domésticos reconheceram os brios da rapaziada de Gilson Kleina.
A reviravolta do momento eleva o Palestra a exemplo de superação para Fluminense, Grêmio e São Paulo, os brasileiros que tentam garantir-se na segunda fase do torneio continental. Os dois primeiros dependem apenas de si. Já a turma tricolor (4 pontos) está numa sinuca de bico: precisa bater o Atlético-MG (15), por dois gols de diferença, e torcer para que o The Strongest (6) não ganhe do Arsenal (4). Ou que os argentinos não goleiem os bolivianos. Eita situação danada de complicada!
Como desgraças costumam vir em pencas, há baixas confirmadas. Luis Fabiano continua a amargar suspensão por ter falado palavras feias para o juiz depois de jogo com o Arsenal. Só volta nas quartas, se a equipe passar. Jadson cumpre gancho por acúmulo de cartões amarelos e Maicon está contundido. Fora surpresas de última hora. (Isola!)
Não está fácil para o são-paulino manter o otimismo. Mas é necessário que acredite e que crie uma corrente com os jogadores, à maneira do que aconteceu na quinta-feira à noite no Pacaembu. Não se pode jogar a toalha por antecipação. Fosse assim, nem entraria em campo, já deixava o lugar para os gringos e se recolhia ao Campeonato Paulista, onde vai muito bem, obrigado, e lidera.
O desafio tem o tamanho da América. O Atlético-MG mostrou estilo arrasador nas cinco rodadas iniciais, não deu bola para nenhum dos adversários, venceu todas com autoridade e com sobras. Já é o melhor da etapa de grupos. E, de quebra, se jogar a pá de cal sobre o São Paulo, livra-se de um concorrente de peso, com o qual pode cruzar já no início do mata-mata. Veja a ironia do destino.
As adversidades existem, porém a hora é de torná-las estimulantes em vez de encolher-se diante delas. O elenco de Ney Franco tem qualidade, apesar dos desfalques. As decepções se acumularam até aqui, tá certo, os 4 pontinhos miseráveis jogam isso na cara. Mas nem sempre o time jogou mal. A derrapada imperdoável, e que descompensou a balança, foi o empate com o Arsenal (1 a 1) no Morumbi. Aquele foi de arrepiar.
O setor mais instável é a defesa. Ney testou diversas formações, que se mostram eficientes por um tempo, para depois desandar. Uma alternativa é usar três zagueiros para parar a blitz ofensiva que Ronaldinho Gaúcho parece divertir-se a comandar. O meio-campo perde em criatividade com a ausência de Jadson. No entanto, eis a oportunidade para Ganso tomar a batuta e se mostrar maestro da orquestra. Talento ele tem. Aloísio e Osvaldo vão ter de botar a língua para fora lá na frente.
Caminho espinhento pra chuchu. Ney Franco fará bem se, nos treinos e preleções, lembrar aos moços que há três títulos da Libertadores e três Mundiais no currículo do São Paulo contra nenhum dos mineiros. A camisa, portanto, pesa e a tradição conta. A história pode entrar em campo, na forma de encorajamento. E, acima de tudo, é necessário encarar cada dividida, cada jogada, como se fossem as últimas. Correr, suar. Às vezes, dá certo. Taí o Palmeiras para confirmar.
*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 14/4/2013.)
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