Adriano foi personagem de muitos comentários meus, aqui no blog, na coluna no Estadão e na ESPN. Alguns elogiosos, por méritos dele, e vários infelizmente negativos, por pisadas na bola. Mas agora já deu: se transformou em tema desgastado e está a um passo de se tornar página virada no futebol. Poderá ser assunto em outros setores mais mundanos; no esporte, pouco provável.
Não gosto de falso moralismo e defendo o direito de cada fazer as escolhas que preferir para tocar a vida. Podemos interferir um pouco, se formos chamados para tal. Adriano atrai a atenção por ser personagem público, por ser boleiro que teve fama relativa – aquém do que ele imagina, menor também do que poderia ter alcançado.
O mais correto, neste momento, é tratá-lo como ex-jogador. Há dois anos e meio, se comporta como quem não se interessa mais pela carreira. Desde a saída do Flamengo, na metade de 2010, não lhe aconteceu nada de importante dentro de campo. Foi um fiasco imperial na Roma, uma fiel nulidade no Corinthians e sequer aconteceu na nova tentativa na Gávea.
Adriano está à deriva, não se dá conta disso e aparentemente não há quem possa ajudá-lo. O Flamengo achou que poderia resgatá-lo, como peça importante para a equipe e para projeto político. Não deu certo no plano esportivo e influiu negativamente nos bastidores. O acordo com ele só serviu para atrapalhar mais a atribulada administração atual, serviu de munição grátis para a oposição a Patrícia Amorim. O clube e a presidente não precisavam disso.
Adriano se sente tão acima do bem e do mal que se antecipou Fla ao anunciar que voltaria apenas em 2013. Seria como se você dissesse para o patrão que sairia de férias pelo tempo que quisesse e só retomaria o trabalho quando bem lhe aprouvesse. Não faz sentido, certo? Pois Adriano perdeu parâmetros, parece que acreditou mesmo na história de ser um Imperador. Pobre moço.
Esse roteiro que Adriano segue não é novidade no futebol. Ao contrário, se trata de história recorrente. Só não digo que é banal porque, por trás desse personagem público, há um ser humano que carece de rumo, que precisa de ajuda e não tem consciência disso. Só espero que possa encontrar o caminho melhor para si e ser feliz, onde for – no futebol (?), na comunidade dele, entre amigos, entre parentes.
Na verdade, é uma bela promessa de astro que se apaga.
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Depois de quatro dias, Adriano voltou a treinar nesta terça-feira. Mas sentiu dores nas costas, passou por avaliação médica e agora não se sabe quando reestreará no Flamengo. Não há previsão. Imagina-se, talvez, quem sabe?, dentro de um mês. Mas dentro de um mês é novembro. O campeonato e o contrato terminam em dezembro. Quanto jogará, se jogar?
Na verdade, médico, fisioterapeuta, dirigentes, cozinheiro, massagista, roupeiro, segurança, aspone… ninguém no clube arrisca um prognóstico a respeito do dia em que o moço estará de novo em campo. Todos os prazos anteriores foram revistos, porque sempre aparece um imprevisto, uma falta, uma dorzinha aqui, outra ali.
A cabeça de Adriano continua confusa, assim como a de quem aceitou o risco de dar-lhe a enésima oportunidade numa carreira outrora promissora. Ele não sabe mais se quer continuar ou não. Ele não consegue decidir se opta por curtir a vida, da maneira que lhe aprouver, ou se ainda se submete a uma rotina que claramente lhe pesa demais.
Entendo a situação de Zinho, embora só até certo ponto. Ele tem pouca experiência como cartola, mas extensa vivência no futebol. Sabia do enrosco que era aceitar o cargo de diretor de futebol do Flamengo. Sabia da interrogação em que se metia ao chamar Adriano de volta.
Está naquele dilema: se libero o rapaz, admito o erro; se não o libero, tenho de aguentar o rojão. Por isso, conversa, desconversa, ameaça, recua. E no fundo torce para final feliz. Torcida que todos temos (todos que gostamos de futebol). Mas será que vai? Tenho dúvidas.
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Caro leitor, bom dia. Você é viciado em notícia. Não há como negar, as evidências são indesmentíveis. Caso contrário, não estaria a navegar a esta hora, no ócio do fim de semana. Não se preocupe, pois esse é costume saudável e imprescindível. Também o cultivo há décadas, com a agravante de que vivo disso desde os 19 anos, quando era cabeludo, barbudo e magricela.
Consumir notícias de esporte, então, é hábito que nos fisga antes mesmo de aprendermos o bê-á-bá. Mas, não sei se já se deu conta, há informações que se repetem tanto, e com tal regularidade, que temos a impressão de que são as mesmas. Parecem erros de impressão ou preguiça do jornalista. Não são.
Veja esta. Luis Rosan, competente fisioterapeuta, agora cuida de Ganso, a mais recente contratação do São Paulo. E que não custou baratinho. Pois bem. Depois de avaliar o jovem talento, constatou que a contusão sofrida na coxa esquerda, em 29 de agosto, ainda no Santos, tem extensão maior do que se imaginava. A recuperação, em princípio prevista para quatro semanas, não tem data certa para concretizar-se. Conclusão: a estreia pode ocorrer só em 2013. Ganso fora de combate lhe soa novidade?
Adriano continua a treinar com afinco, no Flamengo, casa para a qual retornou, após o fiasco no Corinthians. Ao assinar contrato, um mês atrás, se previa a reaparição para os primeiros dias de outubro. O prazo foi esticado pelos especialistas que o seguem de perto, por precaução e para que esteja no auge da forma. Pediram mais um mês. Já leu algo semelhante em outra ocasião?
Quase esquecia de outra do São Paulo. Luis Fabiano desfalca a equipe neste final de semana e salta o jogo da quarta-feira contra a Argentina. O motivo? Não está curado de estiramento na coxa esquerda, afetada na primeira parte do tal de superduelo com os hermanos no dia 19, em Goiânia. O que lhe parece?
Uma semana atrás, PMs resolveram parar um ônibus da Gaviões da Fiel, em Barra do Piraí, e dar uma conferida no que transportava. Além do grupo de 45 empolgados rapazes que iam para o Rio ver o Corinthians jogar com o Botafogo, acharam barras de ferro, pedras, pedaços de pau.
Material inapropriado para apoiar a equipe, claro. Razão pela qual os moços foram para a delegacia. O Ministério Público os proibiu de pisar em terras fluminenses paramentados com os símbolos da agremiação. Passou-lhe pela cabeça de ter lido por aí algo do gênero?
Mano Menezes chamou um punhado de jogadores para portentosas pelejas contra Iraque e Japão, dentro de alguns dias, em campos europeus. Neymar faz parte do elenco – e neste ano desfalcou o Santos até mais do que Valdivia ficou fora do Palmeiras! Alguma surpresa na convocação do astro e na qualidade dos adversários?
A Mercedes anunciou Lewis Hamilton como piloto para 2013, o que significa portas abertas para a saída de Michael Schumacher. O alemão heptacampeão do mundo diz que pensa em aposentar-se de fato. De novo?!
Por falar em repetição: Carlos Nuzman é candidato a outra reeleição no Comitê Olímpico Brasileiro. É a quarta ou quinta, sei lá. Se se mantiver no cargo até 2016, serão 21 anos de poder! Isso é que é democracia.
Não que sirva de consolo, mas você não fica com impressão de repeteco ao deparar-se com notícias sobre escândalos políticos, corrupção, crises internacionais, futilidades com celebridades? Eu também. Mesmo assim, ler notícias é bom demais.
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O noticiário do futebol é divertido ou revoltante. A reação, positiva ou desalentada, depende do estado de espírito do cidadão na hora em que recebe a informação. A mesma novidade pode provocar riso ou desespero; mas, de qualquer forma, sobressai pela bizarrice.
Atualize as últimas de algumas equipes nacionais pra ver se concorda com essa tese ou se ela soa estapafúrdia. O passeio pode começar pela Gávea. O Flamengo, dias atrás, mais uma vez acertou contrato com Adriano. O clube veio com o papo de que confiava na recuperação do talento revelado em casa. No discurso de apresentação, o moço disse que só tinha de provar algo para ele mesmo e para os que lhe querem bem. Etc.
Não estreou, nem há data marcada para tanto, e já ganhou notoriedade pelo motivo habitual: faltou a um treino para esticar a folga com os amigos. Recebeu advertência, prometeu que não haverá outra pisada de bola e os cartolas aparentemente ficaram satisfeitos.
É caso para rir ou para chorar?
O Palmeiras volta a chafurdar na lama e, aos poucos, desliza para a Série B. Ou, no mínimo, vê avolumar-se o pesadelo do descenso vivido em 2002. Num movimento de desespero, anuncia o retorno de Leandro, esforçado lateral-esquerdo que integrava o elenco campeão paulista de 2008. O rapaz, 33 anos, andava meio desacorçoado, por falta de propostas, e enquanto treinava no América do Rio pensava na possibilidade de pendurar as chuteiras. Sentia que o fim da carreira era fato consumado. Um anjo da guarda fez com que lhe caísse do céu a proposta palestrina. Quer dizer, o tempo dirá se foi anjo da guarda ou amigo da onça.
É para levar na flauta ou na corneta?
O Corinthians embarcou para Florianópolis com mistão para pegar o encalacrado Figueirense. A novidade no grupo escolhido por Tite é o meia-atacante Chen Zhi-Zhao. Sim, ele mesmo, o chinesinho Zizao, contratado por empréstimo no Ano Novo e que até hoje o mais perto que esteve de debutar foi ao sentar-se no banco em duas ocasiões. Chegou como estratégia do setor de marketing alvinegro e até agora… nada.
É plá dá lisada ou plá cholá?
Tem mais. Passou meio batido, mas o Botafogo abriu as portas para Túlio Maravilha finalizar o projeto de alcançar o milésimo gol – segundo estatísticas de responsabilidade dele próprio. O atacante, 43 anos e milhões de quilômetros rodados pelos gramados, escamoteia a aposentadoria para igualar proeza rara, no Brasil reconhecida para Pelé e Romário (este já com muito boa vontade…)
Pelas contas, faltam menos de dez gols, e Túlio disputará jogos contra equipes menores para aumentar a coleção. Acenar-se a possibilidade de atuar no time de cima, quando chegar aos hipotéticos 999, e carimbar o número 1000 no Engenhão. Tem cabimento o clube prestar-se a isso?
É para gargalhada ou para pranto?
A seleção está por aqui, para portentosos amistosos, contra África do Sul e China, que vieram nos visitar. Os treinos são em Cotia, no viveiro de talentos do São Paulo, e tudo parece correr bem. A rapaziada de Mano Menezes exercita-se com alegria e disposição, e flutua num mundo à parte. Vários atletas vestirão a amarelinha, enquanto suas equipes terão duelos difíceis pelo Brasileiro (que não para) no meio e no fim de semana.
Nessa, você ri ou chora?
Para fechar a conversa: Cristiano Ronaldo ficou amuado no Real ao descobrir-se somente o 10.º mais bem pago do mundo, com rendimentos anuais de 10,2 mi. Tadinho do gajo.
Essa… só rindo mesmo.
*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 5/9/2012.)
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Adriano é dessas pessoas abençoadas pela sorte. A origem, as influências, os amigos, o meio em que cresceu, as dificuldades familiares – tudo parecia conspirar para que tivesse destino comum, e inglório, de milhões de brasileiros. No entanto, o futebol o fez destacar-se na multidão de anônimos, o transformou em celebridade, deu-lhe visibilidade, fama, dinheiro.
Mas a todo momento Adriano coloca à prova a paciência das forças que o protegem, diverte-se com o destino. Nem vale a pena listar aqui as passagens conturbadas, na vida e na carreira, que acumula desde os primeiros chutes na bola, há mais de uma década no próprio Flamengo. Talentos, gols e confusões se confundem em sua biografia.
Quem curte futebol sabe das histórias em que se envolveu, na Itália, no Brasil, e sobretudo no Rio, junto de seu pessoal. Episódios de depressão, sumiços, falta a treinos, rescisão de contratos, contusões e até de uma aposentadoria surpreendente e interrompida meses depois, para recomeçar tudo de novo, fazem parte do histórico desse homem de 30 anos…
Adriano voltou ao noticiário, nesta segunda-feira, e pelos motivos mais corriqueiros: faltou a um treino do Flamengo. Uma semana depois de ter a enésima chance de retomar a carreira e de prometer empenho, seriedade, compromisso, etc etc etc.
Em princípio, não se sabia o motivo da ausência. Mais tarde, tudo ficou esclarecido: perdeu a hora porque estava com amigos, na Vila Cruzeiro, o único lugar em que realmente parece sentir-se à vontade, em casa, no ninho. Sem medo, sem freios.
Ok, representamos muito na vida, engolimos sapo, convivemos até com pessoas com quem não nos damos. Tudo em nome da sobrevivência, do pão de cada dia. Afinal, cada um sabe onde e como aperta o calo. São frequentes os episódios em que, de uma hora para outra, se dá um bico nisso e se vai em busca de liberdade. Liberdade que nem sempre se encontra.
Adriano é mortal, como todos nós. E como qualquer um tem seus dilemas, problemas, angústias, alegrias, dores. Com uma diferença: nasceu com um dom que lhe permite ter facilidades e privilégios que poucos conseguem na vida. Mas está sempre a desprezar isso. Desfruta o lado bom da fama (contratos altos, paparicação, baladas…) e desdenha das obrigações (treinos, concentrações, horários mais regrados, rotina de viagens e jogos…)
Houve um momento, apenas, em que pareceu libertar-se: quando largou a Inter e disse que não jogaria mais futebol. Talvez fosse a hora de ser valente e assumir de vez que não quer mais nada com a profissão. Assim, quem sabe?, conseguirá desfrutar melhor o que acumulou. Sem dramas de consciência, sem cobranças de dirigentes, torcedores e imprensa. Porém, precisa de alguém que de fato o ajudasse a descobrir-se, a cuidar-se, a exorcizar os fantasmas interiores.
Mas parece difícil largar tudo sem traumas. E o pior é que tem um perfil trágico que até assusta. Que os anjos continuem a protegê-lo, porque ele já largou de proteger-se faz tempo.
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Tenho medo de atitudes preconceituosas e de certezas absolutas. As duas são reações negativas e assustadoras. Por isso, prefiro manter a mente aberta e cultivo a dúvida como forma de chegar ao conhecimento.
Estas frases introdutórias servem apenas para dizer que prefiro manter cautela a respeito do retorno de Adriano ao Flamengo. Clube e jogador resolveram fazer acordo curto, com algum risco, para verem no que vai dar. Um e outro mantêm enorme ponto de interrogação, apesar do otimismo (nada exagerado) nas declarações após acerto.
O time, porque conhece o histórico do novo funcionário. Sabe da qualidade do futebol dele e dos problemas que costuma trazer. O atleta, pelo tempo de afastamento dos gramados e porque tem alguma noção da desconfiança que disseminou em torno de si.
Adriano tem identificação com o Flamengo – isso é bom, mas não dá certeza a ninguém de que a parceria será produtiva como em2009. Arigor faz dois anos que não joga, justamente desde que saiu da Gávea, na metade de 2010 para aventurar-se na Roma. Na terceira passagem pela Itália, foi fracasso rotundo e saiu de lá queimadíssimo.
Em seguida, fez nova incursãoem São Paulo, dessa vez no Corinthians, sob a bênção do amigo Ronaldo. O saldo: uma contusão, vários meses de recuperação, ausências a sessões de fisioterapia, um gol importante (contra o Atlético-MG), mais desencontros e a demissão por justa causa. Saiu do Parque São Jorge sem deixar saudade.
Depois, houve mais uma operação, longa parada, fisioterapia, sumiço e agora o reaparecimento. A previsão é a de que demore mais um mês para entrar em forma – e o aproveitamento ocorrerá a partir da metade de setembro. Serão dois meses e meio para mostrar serviço, fazer gols e ter contrato estendido para 2013.
Depende dele, sempre dele. O Flamengo mostrou que está desesperado em busca de reconciliação com a torcida. Apela para um jogador que conta com simpatia do público. A prática dará a resposta.
Uma dúvida final: Adriano, Vagner Love, Liedson, Deivid. Não é muito centroavante para um time só?
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O Corinthians joga logo mais contra o Emelec, no Equador, atento aos riscos do mata-mata na Libertadores e de olho no ataque. Tite optou por Emerson e Willian na frente, com a missão de fazer gols que facilitem a vida do time no confronto de volta, na semana que vem, no Pacaembu. Liedson nem viajou; ficou por aqui para “aprimorar a forma” e ser utilizado mais adiante.
O miolo do ataque virou um problema para o campeão brasileiro. E não é de agora. Começou quando Ronaldo virou apenas lenda, antes mesmo de parar, e se acentuou com o declínio de Liedson. O Levezinho desembarcou muito bem no Parque São Jorge, fez gols que compensaram o ocaso do Fenômeno e foi importante na campanha vitoriosa da Série A de 2011.
Na atual temporada, porém, os gols rareiam – foram três até agora em jogos oficiais. Uma secura que ficou em segundo plano pela liderança na fase de classificação do Campeonato Paulista. Mas que se mostrou preocupante com a eliminação diante da Ponte Preta, nas quartas de final. Aquele tropeço determinou primeiro o afastamento de Júlio César, pelos gols que tomou. Depois, o de Liedson, pelos gols que não marcou.
A opção seria Adriano. Na verdade, ele havia sido contratado, um ano atrás, para compensar a aposentadoria de Ronaldo e para revezar com Liedson, 34 anos. Contusão, demora na recuperação e por fim a ruptura (com direito a dispensa por justa causa) atropelaram os planos de Tite. Restou mesmo Liedson, em má fase.
O treinador garante que o afastamento é temporário, que Liedson continua nos planos e que será útil ainda nesta etapa da Libertadores. Pode ser. Apesar disso, há no clube interrogação a respeito da continuidade da colaboração com o atacante, cujo contrato terminaem julho. Aintenção é renovar até o fim do ano, com o que aparentemente não concorda o jogador. O rumo do Corinthians na competição vai determinar também o caminho a seguir na conversa.
Por enquanto, a aposta é Willian. Que já se mostrou boa alternativa, mas não a ideal. Como também não é Emerson. O Sheik completa o trabalho na frente, sem ser goleador. O Corinthians tem vaga para centroavante. Interessados, favor procurar a gerência.
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Você já notou como têm aumentado os furos n’água de vários clubes importantes ao repatriar jogadores que atuavam no Exterior? Equipes daqui se esforçam para trazer de volta profissionais que despontaram com potencial e logo bateram asas. Investem uma grana considerável, ficam na expectativa e se frustram com retorno baixo.
Os casos de apostas esvaziadas se acumularam de uns tempos para cá. A maior foi Adriano. Ele andava em baixa na Roma e o Corinthians tentou resgatá-lo. Mal chegou se contundiu e passou longos mesesem recuperação. Naverdade, jamais foi o mesmo, até ser dispensado por justa causa. Não deixou saudades no Parque São Jorge.
Luís Fabiano era objeto de desejo do São Paulo, que não esqueceu a passagem anterior do artilheiro. Fez de tudo para arrancá-lo da Espanha. O Fabigol está no Morumbi há um ano e, nesse período, lutou contra seguidas contusões. Não voltou a ser o de antes, aquele atacante que mereceu até a condição de titular do Brasil na Copa da África.
O Palmeiras tem dois casos lapidares: Valdivia e Wesley. O chileno abreviou a aventura nas Arábias e, desde que regressou, passa mais tempo na enfermaria do queem campo. OWesleyé caso extremo de ironia do destino: ficou meses treinando no clube, foi alvo até de campanha de marketing e uma “vaquinha” que não andou. Jogou poucas partidas, estourou o joelho e só deve retornar à ativa no ano que vem.
O Grêmio concentrou esperança em Kléber, aquele que saiu do Palmeiras brigado com a diretoria e com Felipão. Mal se adaptava ao Sul, também se machucou com gravidade. O Fluminense vislumbrou em Deco o cérebro do meio-campo e ficou feliz quando soube que ele fechava seu ciclo europeu. O rapaz veio para as Laranjeiras e demorou para se firmar, já que andou muito no estaleiro.
O Flamengo fez o impossível para contar com Ronaldinho, entrou atéem leilão. Ogaúcho não se contundiu, como vários dos casos que citei, mas tem apenas lampejos do craque genial de tempos atrás. Não é, nem de longe, o astro que brilhou no Barcelona. Assim como Elano faz tempo que não mostra, no Santos, o estilo eficiente que o consagrou na Vila mesmo e depois na Europa.
Lembrei desses episódios recentes. Mas certamente você tem histórias semelhantes em seu clube. Por isso, fica a dúvida: a queda de rendimento, as contusões são terríveis coincidências ou esses jovens retornam ao Brasil esgotados?
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Não faz tanto tempo assim Kaká, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Adriano eram exaltados como os astros em torno dos quais a seleção embicaria no caminho glorioso para o hexa no Mundial de 2006. O quarteto (ou quadrado) mágico despontou na Copa das Confederações, em 2005 na Alemanha mesmo – com Robinho no lugar do Fenômeno -, e morreu no ano seguinte, em Frankfurt, na derrota para a França. O grupo jamais se livrou do carimbo e ainda hoje chama a atenção, nem sempre por motivos magníficos.
Ronaldo foi o primeiro a sair de cena, pelo menos dentro de campo. A reta final não teve exuberância; a rigor, se limitou a seis meses eficientes no Corinthians de 2009 até a decisão de aposentar-se, rotundo e todo dolorido, após a eliminação na fase preliminar da Libertadores do ano passado. Mas continua em evidência, agora como empresário e cartola, e curte a vida de celebridade em rodas mundanas, como escreveriam colunistas sociais de eras glamourosas.
Os outros três ilusionistas da bola – quatro, vai, pois se pode incluir o Robinho no bolo – continuam em suas peregrinações por gramados e, não raro, enfermarias mundo afora. Nenhum curte período de alta, há quem se esforce por jogar o prestígio no lixo e há quem lute para não juntar-se logo a Ronaldo.
O mais aplicado é Kaká, que no dia 22 vai superar a barreira dos 30. Não é de agora que se empenha para recuperar a forma e driblar desconfianças em torno de sua integridade física. Antes da Copa de 2010, já apanhava mais de pubalgia do que de zagueiros rivais e não dava sossego para médicos e fisioterapeutas. Teve de operar-se, aguentou interrogações generalizadas e enfim parece renascer.
Nos últimos meses José Mourinho passou a escalá-lo com frequência, no Real, e não se arrepende. Kaká se solta, não faz a equipe diminuir ritmo, recobrou confiança nos chutes, anteontem mandou bola na trave e fez um golaço contra o Apoel, na Copa dos Campeões. Não é pretensão descabida ele sonhar com a possibilidade de vestir novamente a amarelinha. Depende de Mano.
Boa vontade do técnico da seleção não falta para Ronaldinho – e, pelo balançar do bonde, é dos poucos que ainda acreditam na magia do ex-melhor do mundo. O Gaúcho, 32 anos, esbanja vitalidade em diversas atividades, tem hora que tem fôlego e alegria de menino. Nas benditas quatro linhas, porém, se comporta como veterano desiludido com a bola. Conheço coroa de 60 que, em peladas de fim de semana, corre mais do que ele.
O Flamengo entrou num leilão maluco, há mais de um ano, para tê-lo como solista da companhia. Paga (e pagará) conta altíssima. O retorno do investimento permanece baixo, Ronaldinho não engata sequência eficaz e a equipe está a centímetros da desclassificação na Libertadores. A gente sempre fica na torcida do despertar do gênio, só que a cada dia toma corpo o embaraçoso ocaso da estrela.
A sombra da aposentadoria ronda Adriano, 30 anos completados em fevereiro. O moço que acreditou na conversa de que era “Imperador” vive a dar trombadas na carreira, foi despejado do Corinthians e tenta recomeçar pelo Flamengo. Os médicos do clube hoje prometem falar a respeito dos exames a que o submeteram. Será que há espaço para ele, no tumultuado ambiente da Gávea?
Robinho, 28, perambula pelo limbo. No Milan, alterna momentos bacanas e de sombra; tem sido preterido nas últimas chamadas da seleção.
Caramba, são todos moços e talentosos. Não deveriam estar próximos da irreversível reta de declínio.
*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 6/4/2012.)
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Pode ser cisma, mas fico com pé atrás ao ver jogador referir-se a técnico ou a dirigente como pai. Em geral, o imaginário laço de parentesco é invocado após algum desentendimento de rotina. Primeiro, atleta e chefe se estranham e a temperatura sobe. Feitas as pazes, vira um tal de afago pra cá, beijinho pra lá, “esse rapaz é como um filho”, “fulano de tal sempre foi pra mim um segundo pai”. Uma falsidade só. Pai e mãe temos apenas um.
Bom relacionamento é imprescindível num ambiente de trabalho. Isso não significa que se deva para sempre infantilizar um profissional – o que ocorre com frequência, quando se trata de boleiro. Parece que os que se dedicam a essa atividade demoram mais para amadurecer emocionalmente, embora ainda bem jovens se tornem populares.
Muitas vezes, o sujeito chega ao fim da carreira barbado, quase grisalho, com menos cabelo e mais barriga, com cicatrizes e filhos, mas tratado como menino recém-iniciado no métier. Uma distorção que só faz mal. Jogador precisa de atenção e compreensão, como qualquer trabalhador em qualquer circunstância. Isso é básico. Não tem cabimento ser visto eternamente como um moleque traquinas. A benevolência abre espaço também para que não tenham respeitados seus direitos. Não é por acaso que garotões tomam calotes de papais simpáticos e picaretas.
O Adriano vem a calhar como exemplo desse comportamento ambíguo. Desde que despontou nas categorias de base do Flamengo, há mais de uma década, passou incontáveis vezes por situações delicadas. A cada pisada de bola, vinham um puxãozinho de orelhas e um mimo. Uma observação do tipo “tem seus problemas, mas é craque e jovem”. Uma hora vai emendar-se.
O tempo passou, Adriano virou balzaquiano e não tem emenda. Sua trajetória inclui gols em proporção menor ao de seu cartaz e à coleção de episódios chatos na Inter, no Parma, na Fiorentina, no São Paulo, na Roma e agora no Corinthians, que anteontem o dispensou depois de um ano, oito jogos, dois gols e R$ 4 milhões. Com exceção de um bom momento na Inter, outro no Fla em 2009 e períodos de alta esporádica na seleção, o moço que acreditou no apelido de Imperador não justifica a fama de craque. Bom jogador, nada além.
Para amenizar as mancadas de Adriano, se faz alusão a seus fantasmas interiores, a suas atribulações. Ok, carinho é bom e todos gostamos. Assim como todos temos nossos entraves, problemas, limitações e traumas a superar. Mas o centroavante que passou pelo Parque São Jorge como se estivesse numa colônia de férias, ou num exílio forçado, não é um incapacitado, não foi enganado por cartolas.
Ao contrário, veio em baixa da Itália e assinou contrato de estrela no auge. Com a recomendação e a bênção de seu amigo Ronaldo, que agora ensaia levá-lo de volta para o Flamengo, onde papai Joel Santana estaria à sua espera de braços abertos. Adriano certamente marcará gols, passará a impressão de que deu a volta por cima e será incensado pela imprensa oba-oba – a mesma que viu no ex-presidente da CBF um prodígio de administrador. Até cair de novo em tentação? Espero que não, mas sem convicção.
Por falar em certeza, gostaria de apostar em Ronaldo no Comitê da Copa, mas não me convenço. O Fenômeno dos gramados virou empresário ligado ao futebol (e a outras áreas) com velocidade espantosa. Pode ser excessiva rigidez ética de minha parte, porém considero incompatíveis e excludentes a função pública e a privada.
*(Esta crônica está na primeira edição do Estado de quarta, dia 14/3/2012, com o título de ‘Pai só tem um’, mas foi substituída por outra, sobre Neymar.)
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