Antero Greco - Estadao.com.br
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Vá lá que a seleção brasileira está em reconstrução, que o objetivo é 2014, que há tempo de sobra para armar um time forte e equilibrado. Mas que é chato não ganhar de adversário de peso, isso é. Na quarta vez em que se depara com um rival de tradição, a equipe de Mano Menezes se enrosca de novo. Havia perdido de Argentina e França, tinha empatado com a Holanda e agora cai diante da Alemanha, por 3 a 2, no amistoso disputado em Stuttgart.

Perder amistoso não é pecado mortal, sobretudo se o adversário também tiver currículo de respeito – caso dos alemães, três vezes campeões do mundo e quatro vezes vice. Mas não ganhar uma é sinal de que algo não vai bem. Em períodos semelhantes a este, de reformulação e transição, o Brasil obteve vitórias, senão expressivas pelo menos reconfortantes. Agora, não. A seleção tem perdido jogos e Mano vai perdendo moral com a torcida.

Mais preocupante foi a maneira como ocorreu a derrapada contra a Alemanha. Os anfitriões deram um cansaço enorme na turma da amarelinha, nos primeiros 20 minutos, com toque de bola rápido, presença constante nas proximidades da área e um ou outro chute a gol. Como disse durante a Copa da África, parecia que a Alemanha era o Brasil e vice-versa.

As poucas finalizações alemãs salvaram a seleção de vexame ainda no primeiro tempo. O meio-campo dos gringos ganhou quase todas e deixou Ramires, Ralf e Fernandinho apavorados. Aliás, sem desmerecer ninguém, porque não se trata de pernas de pau, é meio-campo que não bota medo. Não tem um jogador a impor respeito em adversários.

Mano surpreendeu ao manter Ganso no banco e colocar Fernandinho em seu lugar. A intenção era fechar o meio e arrancar contra-ataques rápidos, com Robinho, Neymar e Pato. Quando o Brasil se achou e equilibrou a partida, a tática até que funcionou e o trio de frente apareceu bastante na área alemã e deu trabalho para o goleiro Neuer. Isso fez com que o primeiro tempo terminasse no 0 a 0, já sem o show de bola inicial do pessoal da casa.

Os gols e os erros ficaram todos para a etapa final. A Alemanha saiu na frente com pênalti duvidoso cobrado por Schweinsteiger aos 15 minutos e aumentou com belo gol de Gotze aos 21 em falha do miolo da zaga. Robinho diminuiu com pênalti (em cima de Daniel Alves, que pra mim não existiu) aos 26, mas tomou o terceiro, com Schurrle aos 34, depois de uma bobeada gigante de André Santos. Ali acabou a partida - e o gol de Neymar, aos 47, serviu só para deixar o placar menos pesado.

A seleção pecou por falta de criatividade no meio-campo (Ganso entrou só no segundo tempo, no lugar de Fernandinho), deixou-se envolver com facilidade pelo bom toque de bola alemão e teve o sistema defensivo muito exposto. Neymar e Pato ficaram aquém do que se esperava. E vem mais pedreira, com dois jogos com a Argentina em setembro. Acho que, neste momento, Mano e seus rapazes bem que preferiam algumas ‘babas’ para ganhar moral.

Como escrevi, após a desclassificação na Copa América, agora acabou a fase de namoro de torcida com Mano Menezes. Um ano se passou e está na hora de começar a mostrar time mais consistente. E com um pouco menos de experiências e convocações de jogadores de tudo quanto é lugar.

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Se pudessem, Santos e Corinthians adiariam mais uma vez o clássico desta noite na Vila Belmiro. A hora não é das mais agradáveis para nenhum dos dois para um duelo importante. O Santos patina na classificação, está na parte de baixo e não terá Ganso e Neymar. O Corinthians deixou escapar a liderança no final de semana e não conta com Ralf (na seleção), com Jorge Henrique (suspenso) e com Júlio César e Liedson (se recuperam de contusão).

Lembro que duas semanas atrás, quando Mano Menezes divulgou a lista de convocados para o jogo com a Alemanha, santistas e corintianos ensaiaram novo pedido de adiamento. Ficaram só na intenção, porque perceberam que ouviriam um belo de um “não”. A CBF não iria mudar de novo a data, sobretudo porque tem a televisão na parada.

Na época, escrevi aqui que foi vacilo dos clubes, sobretudo do Santos. Quando houve a primeira troca de datas, ninguém na Vila se deu conta de que em 10 de agosto haveria jogo da seleção, marcado desde o ano passado. O mais importante, então, era ter folga para disputar a decisão da Taça Liberadores. A conta chegou agora.

A esta altura do campeonato quem tem mais a perder é o Corinthians. O time do Tite vinha embalado, começou a derrapar, viu o Flamengo ultrapassar e não será surpresa, por exemplo, se arrancar no máximo um empate. O Santos ronda a zona de rebaixamento, porém é temporário. Com o elenco completo sai fácil dessa situação e pode terminar o campeonato em situação folgada. Só não boto fé em disputa do título brasileiro. Vai cuidar logo do Mundial.

Mesmo ‘fora de hora’, o clássico tem aspectos interessantes. Estou curioso para ver se Elano reage à fase instável, se Borges continua a ser a solução para o meio do ataque santista, se Alex se firma como titular do Corinthians, se Emerson enfim acerta. E há também o retorno de Alessandro, depois de muitas semanas fora. Sem contar que há quase 100 anos de rivalidade em campo.

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Durante a Copa da África, escrevi algumas vezes que o mundo estava de cabeça pra baixo. Porque o Brasil jogava à maneira antiga da Alemanha (futebol mecânico e chato), enquanto os alemães atuavam à moda brasileira (com estilo rápido, de dribles e para o ataque). Ou seja: escolas tradicionais invertiam seu jeito de apresentar-se. No fim das contas, ambas quebraram a cara, mas a Alemanha foi mais divertida.

As duas seleções voltam a enfrentar-se nesta quarta-feira, depois de seis anos. Salvo engano, a última vez em que cruzaram seus caminhos foi na semifinal da Copa das Confederações, em 2005, em Nuremberg. Naquela tarde, Kaká, Adriano, Robinho e Ronaldinho Gaúcho, ainda sob a batuta de Carlos Alberto Parreira, deram show, venceram por 3 a 2 e se classificaram para a final, contra a Argentina. O Brasil ganhou o torneio que antecedeu o Mundial de 2006 e consolidou o “quadrado mágico”.

Aquela formação forte, com Ronaldo na vaga de Adriano, prometia ser sensação no ano seguinte. Foi bem até as quartas de final, ao ser demolida pelo talento enorme de Zinedine Zidane. O esquema parou no lixo, não faltou espinafradas para aquele grupo e a experiência não se repetiu sob o comando de Dunga. Não houve quarteto fantástico em 2010. Houve é muita sisudez, cara feia e futebol idem.

Agora também não há nenhum quadrado, triângulo, trapézio, retângulo ou seja lá qual figura geométrica. Na verdade, ainda não existe uma nova seleção brasileira. Mano Menezes está a remontá-la, com a promessa de fazê-la jogar mais de acordo com sua tradição e características. Ótima intenção, bonito discurso. Na prática, nada disso, exceto o começo animador, no amistoso com os EUA em agosto de 2010.

Mano na prática procura o time ideal. Não foi aquele da Copa América. Há vagas em todos os setores – até no gol, em que Julio Cesar não parece mais unanimidade. Mesmo decepcionante, o torneio na Argentina pode servir de marco para o surgimento de um time mais forte e consistente. Só não acho que vamos vê-lo agora na Alemanha. Porque, por mais que se diga o contrário, amistoso sempre é amistoso.

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O São Paulo é uma incógnita neste Campeonato Brasileiro. Numa mesma partida, consegue apertar e ser pressionado, acelera e emperra, leva sustos, passa sufoco e se livra do mal maior, às vezes com vitórias no final. Esse roteiro atordoante foi seguido na noite deste domingo, com os2 a1 de virada sobre o Avaí, em Florianópolis.

O time de Adilson Batista viveu fortes emoções na Ressacada. Sobretudo no segundo tempo, quando ficou perto de cair na armadilha do rival ao levar gol de William aos 15 minutos. Livrou-se da saia-justa com os gols de Cícero. Com esse resultado, tem 31 pontos e continua grudadinho em Flamengo e Corinthians, que estão à sua frente.

Vi altos e baixos no São Paulo. Inegável que teve domínio de bola e sofreu menos pressão do que o Corinthians, por exemplo, que uma semana atrás se deu mal como visitante. Mas a aparente superioridade não se confirmou em jogadas de perigo. Lucas esteve aquém do que normalmente mostra, Dagoberto ficou mais distante da área e Felipe teve pouco trabalho no gol do Avaí.

O São Paulo só reagiu depois de ser chacoalhado. Isso é comum, mas incomoda. O Avaí notou  a oscilação tricolor, encheu-se de coragem e foi pra cima no segundo tempo. Conseguiu a vantagem, acreditou na possibilidade de festejar o terceiro triunfo em seguida e dormiu no ponto, primeiro no escanteio que deu origem ao empate e depois na arrancada que culminou com o segundo gol de Cícero. Erros que o mantiveram na zona de descenso.

Os resultados deste fim de semana animam o São Paulo e provam que o campeonato está mais aberto do que nunca. O Corinthians empatou, o Flamengo só bateu o Coritiba no fim, o Vasco tomou uma sova do Botafogo (que tem 25 pontos e sobe), o Palmeiras amargou empate com o Grêmio. Quer dizer, neste momento não há indícios de que alguém vá disparar, com fazia crer o Corinthians no início.

 

 

 

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O torcedor corintiano deve esquecer o time que acumulou nove vitórias e um empate nas dez rodadas iniciais. Aquele conjunto compacto e com eficiência acima da média já não existe. Em seu lugar, há uma equipe muito boa, embora comum, e que continua na busca pelo título brasileiro de 2011. Ainda depende apenas de si para reaver a liderança, perdida com os resultados deste fim de semana – Fla 1 x Coritiba 0 e o empate por 1 a 1 com o Atlético-PR.

O Corinthians que se apresentou em Curitiba foi discreto, nada exuberante e também longe de ser fraco ou medíocre. Combateu, correu, pressionou, criou. Como fazem todos, com maior ou menor aproveitamento. Tite apostou na maioria dos jogadores que tem utilizado, com duas novidades: Danilo no gol, no lugar de Renan, e com Alex desde o início, em vez de recorrer a Emerson. No mais, não mudou nada.

Com essa formação, tentou superar o Atlético, que havia vencido seus dois jogos anteriores. Teve dificuldade no primeiro tempo e ainda foi para o intervalo em desvantagem, com o gol de pênalti marcado por Cleber Santana aos 35 minutos. De pênalti, também, veio o empate, com Alex aos 2 da etapa final. O meia foi bem e, salvo surpresa, a tendência é firmar-se como titular. Em pouco tempo, deve ser um dos pontos de referência da equipe.

Mas o Corinthians não passou muito disso, mesmo com pressão e volume de jogo mais intenso em quase todo o segundo tempo. (Renan fez duas defesas e ainda houve uma bola de Danilo na trave.) E com Emerson lugar de Jorge Henrique. O ‘Sheick’ tende a transformar-se apenas em opção, quando Liedson voltar e assim que Adriano puder ser aproveitado. Emerson se movimenta, cava espaço, mas falha em jogadas de área.

O teste contra outro time na zona de rebaixamento foi importante para desmistificar o Corinthians da largada, o que pode ser bom para ele mesmo. Assim, baixa um pouco a bola e firma os pés no chão. Mas também não deixa de causar certa preocupação: o que deveria ser sequência excepcional foi apenas razoável: derrota para o Avaí (3 a 2), vitória suada sobre o América-MG (2 a 1) e empate com o Atlético-PR (1 a 1). Fica a advertência.

 

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Time que pretenda brigar por título precisa ter, acima de tudo, bom futebol. Sei, é o óbvio, mas não custa lembrar. Como qualidade adicional, é necessária eficiência, para conquistar pontos. E, de quebra, uma pitada de sorte vai muito bem, ajuda que é uma beleza.

Pois o Flamengo reúne, neste momento, essas características todas. O futebol é consistente, talvez o mais competitivo da Série A, ao lado de Corinthians, Vasco e, mesmo com oscilações, São Paulo. Coleciona bons resultados – ainda o único invicto, com 9 vitórias e 6 empates. E conta com ventos favoráveis, que o levam a fazer decisivo aos 44 minutos do segundo tempo.

Esse Fla com aura de vencedor foi visto no começo da noite no Engenhão, no 1 a 0 diante do Coritiba. Não foi a melhor apresentação do novo líder do Brasileiro – longe disso. A equipe de Wanderlei Luxemburgo teve dificuldade diante de boa marcação do rival paranaense, falhou em passes e posse de bola, não criou tantas oportunidades. Ainda assim, se superou, como manda o figurino de quem quer fazer a festa no final da competição.

 Luxemburgo está tranquilo com o trabalho da defesa, não tem muito do que se queixar do meio-campo. O ataque dá suas vaciladas, tem seus altos e baixos. Deivid, ainda uma vez, se enroscou, perdeu oportunidade clara para marcar e foi substituído. Na alteração, o Fla retomou o rumo certo. Jael entrou aos 36 minutos, mandou uma bola na trave e aos 44 decidiu, ao aproveitar jogada de Ronaldinho Gaúcho (mais uma vez bem).

Quem achava o Fla apenas fogo de palha, certamente deve estar chamuscado.

 

 

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Não foi ruim o desempenho do Palmeiras, no empate por 0 a 0 com o Grêmio, no início da noite deste sábado, no Canindé. O time de Felipão dominou o jogo, criou mais oportunidades, esbarrou em forte marcação do rival, mas pecou num aspecto, o mesmo de sempre: ressente-se de um artilheiro, de um atacante que empurre as bolas para o gol. Esse jogador não é Kleber, nem Maikon Leite, nem Dinei, nem mesmo Luan, fora desta vez.

A postura dos dois times foi clara, desde o início. O Palmeiras tomava iniciativa, para manter o aproveitamento total como mandante no campo da Lusa. O Grêmio, com Celso Roth de novo como estreante, se segurou, pois acumulava sequencia de quatro rodadas sem vitória. No máximo, o tricolor gaúcho saía em alguns contra-ataques, poucos e com raras chances de gol.

Maikon Leite e Kleber se esforçaram, tentaram deslocar-se e abrir espaços. Mas não arrematavam, não aproveitavam passes que vinham de Valdivia (com boa atuação) ou dos lançamentos longos e cobranças de faltas e escanteios de Marcos Assunção. Felipão tirou Maikon Leite e colocou Dinei – não fez muita diferença. O ataque do Palmeiras não funcionou.

Se há equilíbrio no sistema defensivo – e isso nem é de agora –, falta um finalizador. Felipão sabe disso, imaginou pudesse ser Wellinton Paulista, que nem esquentou lugar e já retorna ao Cruzeiro. Enquanto isso, com 27 pontos, vê seu time distanciar-se da ponta e, devagar, corre o risco de virar coadjuvante também em 2011. O Grêmio, com 15 pontos, está na parte de baixo da classificação, mas comemorou o empate fora de casa. Pouco para um clube acostumado a brigar por títulos.

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Estava demorando pra voltar a conversa de Ganso ser tirado do Santos e ir para outro clube, de preferência o Corinthians, antes de se mandar para o exterior. A história mais encardida do ano na verdade não acabou. E foi retomada em reportagem deste sábado no Estadão, assinada por Wagner Vilaron. Nela, se fala que a DIS, que mantém parceria conflituosa com os santistas, se irritou com a negativa de venda de Neymar, pois vislumbrava possibilidade de lucro nessa transação. (Sei lá em que a empresa ganharia…)

Pois bem, como represália a DIS estaria disposta a mandar Ganso, sua principal joia (tem 45% dos tais direitos federativos), para fora da Vila Belmiro. Como o preço da liberação para o exterior está em torno de R$ 115 milhões – portanto, bem salgado –, a saída seria pagar o valor da multa para transação doméstica (R$ 66 milhões) e depois ver o que acontece.

Nisso, aparece o Corinthians, que há tempos cresceu o olho em cima do rapaz e jamais escondeu intenção de vê-lo em seu elenco. O clube de Andrés Sanchez hospedaria, digamos assim, o camisa 10 o tempo suficiente para que a DIS decidisse para onde o despacharia, tão logo recebesse oferta mais compensadora. O Corinthians só não quer complicação com Santos, justiça e afins. Quer o craque, sem stress adicional. E também não se incomoda com eventual imagem de oportunismo.

Esse episódio, como os anteriores a envolver Ganso, está mal contado. Parece-me claro que a DIS procura motivos para ruptura, pois tem um enorme capital parado, uma vez que não sai negociação com o meia. Não interessa mais tê-lo preso ao clube. O negócio é fazer dinheiro, pois personagens como Ganso precisam circular, na lógica dos investidores do futebol.

Incrível como não passa período mais longo de calmaria em torno de Ganso. Neste ano, se falou muito, mas muito menos, das jogadas dele com a gloriosa camisa santista do que de suas insatisfações ou das rusgas de bastidores. Isso só prejudica a imagem do rapaz. Mas nem sei se alguém se liga nisso. A vida, para certos setores, não passa de business.

Além disso, se aposta na memória fraca para driblar a ira dos torcedores. Lembram de Robinho? Fez de tudo para ir embora do Santos e cinco anos mais tarde voltou como ídolo. Portanto, qual o problema de repetir o filme?

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Vida de goleiro é complicada. Basta uma falha e quem era candidato a herói vira vilão rapidinho. A promessa de craque de ontem cai no esquecimento num instante. Por causa de um ou dois frangos. O ‘número 1’ de qualquer time é o sujeito que tem direito a menos margem de erro. A tropeçada dele aparece mais do que a barbeiragem do zagueiro, a furada do atacante, a perda de bola do meio-campista.

Goleiro vive em duelo eterno com o azar.

Taí o Renan que não me deixa mentir. O jovem veio cheio de esperança para o Corinthians, depois de aparecer como um dos destaques do Avaí já no ano passado. Fechou o gol a ponto de ser lembrado por Mano Menezes para a seleção. Para pegar experiência, pois tem 20 anos e está em “idade olímpica”.

Ascensão rápida, e tudo azul em sua vida, sem nenhum trocadilho com o Avaí. Chegou no Parque São Jorge com pinta de que, após a adaptação de praxe, herdaria a vaga aberta desde a saída de Dida – mais de uma década atrás. Era questão de tempo.

Primeiro erro de cálculo, porque Júlio César começou a pegar até pensamento. A chance apareceu com a contusao do titular, algumas rodadas atrás. Renan entrou com o time invicto e ganhando de todo mundo. Pimba, tomou uma lambada, com a derrota por 1 a 0 para o Cruzeiro – num golaço, é verdade, mas que contou sua colaboração.

Depois, veio o jogo com o… Avaí, em Florianópolis. Nova escorregada, 3 a 2, também com falha dele. No meio da semana, já cabreiro, entrou contra o América e vacilou no gol de empate. Por sorte, veio a vitória por 2 a 1. A torcida torceu o nariz, o garoto-prodígio, o sucessor de Ronaldo Giovanelli, foi olhado com desconfiança.

Resultado? Tite nesta sexta-feira, decidiu “preservar” Renan e convocou Danilo, até pouco tempo atrás o quarto goleiro, para o jogo de domingo com o Atlético-PR. Opção delicada: se mantivesse Renan e viesse novo resultado ruim, iria queimá-lo de vez. Mas, e ao tirá-lo, também não há risco de queimar o filme dele? O tempo vai dizer.

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O São Paulo tem andado com nervos à flor da pele. Demitiu treinador, depois de cinco vitórias e três derrotas consecutivas. Daí, trouxe substituto, que recebeu as primeiras vaias já na estreia, com empate de 2 a 2 com o Atlético-GO em casa. Voltou a ouvir críticas, depois dos 2 a 0 para o Vasco, no final de semana, também como mandante.

Nesta quinta-feira, finalmente um pouco de tranqüilidade para Adilson Batista e sua turma. O tricolor bateu o Bahia por 3 a 0, foi à nona vitória no Campeonato Brasileiro – uma a menos do que o Corinthians – e retomou o terceiro lugar, com 28 pontos. O resultado fez o torneio embolar na parte de cima, já que o líder tem 31 (com 13 jogos) e o Flamengo está com 30.

Vitória fácil? Só depois do segundo gol. Até abrir o marcador, aos 28 minutos da etapa inicial, o São Paulo teve dificuldade com a marcação baiana. A tarefa ficou mais suave com o pênalti cobrado por Rogério Ceni, que chegou a 102 gols nas contas dele e do clube e 100 nos cálculos da Fifa. (Fico com as estatísticas do goleiro.)

O Bahia pressionou, tentou o empate nos contra-ataques, mas se complicou com o golaço de Dagoberto aos 44 minutos. O São Paulo nem se abalou, quando teve o paraguaio Piris expulso aos 10 do segundo tempo. Manteve a toada e ainda chegou ao terceiro, numa roubada de bola de Lucas no meio-campo. O rapaz arrancou para a área e bateu na saída de Marcelo Lomba.

Gostei da postura do São Paulo, mesmo com problemas, sobretudo na zaga. Teve calma para fazer o resultado, não se enervou com a marcação rival, nem perdeu a cabeça ao ficar com um a menos. Por falar nisso, Piris precisa ir com mais calma. Chegou cheio de vontade, mas tem de mostrar que é bom, como ele mesmo apregoa, jogando firme, na bola, não na canela do rival.

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