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04.maio.2012 12:59:36

Sossega, Leão!*

Regra básica na relação de trabalho é a delegação de poder. O dono da empresa repassa autonomia e obrigações para diretores, que fazem o mesmo com os gestores, que têm idêntico comportamento com chefes de seção, e assim sucessivamente, até chegar à base. A cadeia de ações, fundada também em confiança, faz a corporação funcionar. É o popular cada um na sua. Quando ocorre ruptura na engrenagem, acaba a harmonia e o ambiente na “firma” tende a piorar.

 

A cartolagem do São Paulo acaba de dar um pontapé nessa estrutura, ao obrigar Emerson Leão a afastar Paulo Miranda da equipe. Os dirigentes não gostaram do desempenho do zagueiro, na derrota para o Santos, na semifinal do Paulista, e concluíram que a alternativa era tirá-lo do time. Chamaram o técnico, às vésperas do jogo de anteontem com a Ponte Preta, pela Copa do Brasil, e garantem que o convenceram a aceitar as ponderações, conforme entrevista que você vê na capa do caderno de hoje.

Uma sequência de erros. A imposição manda para o lixo o discurso que tão garbosamente se ostenta no Morumbi, de que se trata de um clube “diferente”, em que decisões são tomadas em conjunto e com base em perspectivas profissionais, modernas e o blablabá manjado. A interferência nivelou o tricampeão mundial a uma agremiação estudantil, em que as trocas de peças são feitas ao sabor dos humores de quem está no comando.

Ao agir assim, a cúpula são-paulina deu espaço para interpretações negativas. A primeira é a de que precisava de um bode expiatório para a eliminação no Estadual. Paulo Miranda errou ao cometer pênalti com dois minutos e não teve jogo de cintura para segurar Neymar no segundo gol. Algum ilustre deve ter ponderado que tirar o atleta acalmaria a torcida e mostraria direção atuante.

Só que não avaliou a reação do elenco. Os demais jogadores viram o companheiro largar a concentração e agora se sentem ameaçados, desprotegidos, com a ligeira desconfiança de que a fritura generalizada pode ocorrer a qualquer momento. Quais critérios serão utilizados para concluir que este ou aquele deva ser punido? Por que não o goleiro Dênis, que falhou no terceiro gol? Ou Jadson, que sumiu no meio-campo? Ou mesmo Piris, que levou um baile de Neymar? Ou Luís Fabiano, ausente por suspensão? Se procuravam “vilões”, estes havia de sobra; bastava escolher um.

Tão grave quanto a inquietação no grupo é o recado repassado para Leão. Ao intervir sem meios-termos no trabalho que é específico do treinador, o São Paulo mostrou que já não confia nos métodos desse funcionário graduado. Caso contrário, ficaria quieto e não iria empurrar-lhe goela abaixo a “geladeira” para Paulo Miranda.

A autoridade de Leão foi pro espaço. Pois quem garante que medidas semelhantes não venham a ser usadas sempre que um cartola assim entender, mesmo que não seja sua incumbência? O estrago está feito e não é difícil intuir o desfecho da história.

De olho no apito. Tite reclamou com tanta veemência do colombiano que apitou a partida com o Emelec que deixou em segundo plano o fato de seu time não ter jogado bem, embora tenha voltado do Equador com o empate de 0 a 0. Em vez de chiar com sua senhoria, deveria ter passado um pito em Jorge Henrique, que quis ser o esperto de sempre e levou vermelho com razão. Por tabela, já se coloca pressão em quem vier apitar o segundo jogo, na semana que vem, no Pacaembu. Basta um pouco da bola que sabe jogar e o Corinthians passa fácil.

*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 4/5/2012.)

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Com menos de quatro meses de atividades em 2012, o Palmeiras faz uma liquidação de outono/inverno. Está no noticiário que o clube abrirá mão ou já liberou jogadores como Tinga, Chico, Pedro Carmona, Ricardo Bueno, Fernandão. Nenhum ficará para a disputa do restante da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro.

Em compensação, há busca por atletas que custem menos… Na prática, é a volta da política do bom e barato, de tão triste memória, implantada por Mustafá Contursi e que resultou em queda para a Série B em 2002.

A lista dos que saem do Palestra Itália é alentada, e chama a atenção por vir no meio da temporada. Até recentemente, grandes transformações ocorriam no fim do ano, após um balanço do que as equipes haviam produzido. Uma ou outra mudança funciona como ajuste e é aceitável. Mas cinco baixas são sinal de falha no planejamento palmeirense.

Não há no grupo que está limpando armário no CT da Barra Funda um jogador extraordinário. Não se pode dizer que o Palmeiras vê escapar um craque que lhe fará falta mais adiante. Isso poderia servir de atenuante e justificar a medida. Ao mesmo tempo, mostra a contradição na hora das apostas.

Ricardo Bueno, por exemplo, foi exigência de Felipão, que bateu o pé no ano passado para tê-lo, quando Pierre foi para o Atlético-MG. E, sem preconceito ou má vontade, jogou bolinha bem murcha. Fernandão apareceu com pinta de goleador e caiu na simpatia do torcedor ao fazer um gol no dérbi com o Corinthians. Depois, sumiu. Tinga, Chico e Pedro Carmona compuseram elenco.

E aí está o xis da questão: o Palmeiras tem muito jogador para compor elenco, nada além disso. Ou para encher linguiça, pra ficar no popular. E, de encher linguiça em encher linguiça, o time não vai para lugar nenhum. Só enche a paciência (para ser educado) do torcedor.

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Para quem gosta do futebol de resultados, o Corinthians fez o certo, na noite desta quarta-feira, ao segurar o empate por 0 a 0 com o Emelec, no Equador, pelas oitavas de final da Taça Libertadores. Para quem gosta de futebol bonito, o campeão brasileiro poderia ter mostrado muito mais ousadia. De qualquer forma, traz a decisão para casa, na próxima semana, e segue adiante com vitória simples. Só não pode ficar no empate com gols – daí cai fora. O que acho bem difícil que ocorra.

Tite disse na véspera que preferia perder, desde que sua equipe marcasse, do que ficar no 0 a 0. Se for assim, ele também volta para São Paulo decepcionado. Mas não muito,  já que armou o time para não se expor e se possível sair em contra-ataques. Que, na prática, foram poucos. Raros os lances de perigo alvinegro – as melhores tentativas surgiram com Emerson Sheik. Willian pouco apareceu até ser substituído por Alex.

A escolha tática deu certo no primeiro tempo, com poucas oportunidades também para o Emelec, que se viu impedido de explorar as bolas pelo alto, pois os armadores equatorianos foram vigiados de perto pelos corintianos. O Corinthians soube segurar a pressão, teve posse de bola. Só não soube o que fazer com ela, pois preferiu “cozinhar o galo” do que lançar-se à frente.

O segundo tempo foi mais movimentado  e teve as jogadas mais importantes – de bola no travessão mandada por Valencia a boas defesas do goleiro Cássio, o escolhido para o lugar do escanteado Júlio César. O rapaz, do alto de seu 1m95, mostrou segurança, nas bolas por cima e em dois arremates por baixo. Retorna com a certeza de que continuará no gol. O melhor momento do Corinthians veio no finalzinho, com Paulinho, que desviou de cabeça, para fora,  cruzamento da direita.

A pisada na bola foi para Jorge Henrique. O jogador mais catimbeiro do Corinthians desta vez provou de seu veneno. Na etapa inicial, levou amarelo, por irritar-se com entrada de equatoriano e reclamou que o árbitro era fraco e caseiro. Aos sete da etapa final, brecou arrancada do Emelec, tomou o segundo amarelo e, por extensão, o vermelho. Às vezes, o malandro quebra a cara. Se bem que Tite saiu soltando os cachorros contra a arbitragem.

 

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Tem hora que penso ser impossível os cartolas fazerem mais trapalhadas. E me surpreendo com a capacidade de superação deles. Estão aí a Federação Paulista de Futebol e os clubes finalistas pra me desmentirem. O Guarani disse que pretendia fazer em Campinas a primeira partida com o Santos, pelas finais do Campeonato Paulista, e jogaria a segunda na Vila, ou onde o adversário determinasse. Mas, em reunião na FPF, na tarde desta quarta-feira, aceitou o Morumbi como palco para os dois tira-teimas. Fez cara de contrariedade, pero no mucho.

A alegação é de que o campo do São Paulo oferece mais conforto e segurança para os times e para os torcedores. Haverá menos riscos do que se fossem disputados jogos no Brinco de Ouro e na Vila Belmiro. Puxa, que gesto bacana da FPF de preocupar-se com esses aspectos fundamentais. Mas por que só agora? Por que não tem essa preocupação constantemente? E por que o Morumbi e não o Pacaembu?

As ponderações são desmentidas pela própria entidade. Só para ficar na história recente, Santos e Corinthians decidiram o Paulista em 2009 e 2011, com duelos na Vila e no Pacaembu em ambas as ocasiões. E se tratava de duas das maiores torcidas do Estado. Em 2008, o Palmeiras jogou com a Ponte em Campinas e no Palestra Itália. Então podia?

Por que naquelas ocasiões foi respeitada a vontade dos clubes e agora não? Será que há mais riscos em Santos x Guarani do que em Santos x Corinthians? Ou será que naquelas oportunidades os dirigentes falaram mais alto e fizeram prevalecer seus pontos de vista?

Para não parecer má vontade com a FPF, me ocorre ainda outra hipótese, mas carregada de hipocrisia. Será que agora tem dirigente jogando para o público e agindo de outra maneira nos bastidores? Luis Alvaro Ribeiro ficou satisfeito e não escondia intenção de atuar na capital pela perspectiva de arrecadar mais. Marcelo Mingone disse que tentou levar o primeiro jogo para o Brinco de Ouro, mas se mostrou ‘conformado’ com a decisão. Será que foi convencido pelo fato de que o Guarani dividirá a renda dos jogos?

Só sei que o torcedor de Campinas sai prejudicado, porque terá de deslocar-se para São Paulo duas vezes. O do Santos muito menos, já que há parte expressiva de sua torcida concentrada na cidade. Uma pena, porque o Brinco já foi palco de decisões importantes, como os Brasileiros de 78 contra o Palmeiras e de 86 diante do São Paulo, e o Paulista de 1988, contra o Corinthians.

Será que agora a diretoria bugrina preferiu ser mais pragmática? Por isso, foi dobrada pela vontade da FPF?

 

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“Buffone”, em italiano, significa palhaço. O que não é o caso de Buffon, em nenhum sentido. O goleiro da Juventus é um dos mais premiados na posição, campeão do mundo, símbolo do clube e outras badalações. Mas nesta quarta-feira teve seu momento trapalhão.

Faltavam cinco minutos para o encerramento do jogo com o Lecce, em Turim, a vitória por 1 a 0 estava no papo para a Juventus, líder e invicta em 36 rodadas. Daí, numa bola fácil, atrasada, Buffon saiu distraído, dominou mal e perdeu a dividida para Bertolacci. O jogador do Lecce até se assutou com o presente, mas tocou para o gol e garantiu o empate para equipe que luta para fugir do rebaixamento. O Lecce  teve Cuadrado expulso aos 9 minutos da etapa final.

O resultado gelou o publico no estádio juventino, manteve a equipe local em primeiro na classificação, só que agora com 78 pontos, um à frente do Milan, que bateu a Atalanta por 2 a 0 (Robinho fez o segundo). Restam duas rodadas para o encerramento de uma das mais equilibradas temporadas do calcio nos últimos anos. A decisão pode ocorrer só no dia 13, no encerramento do torneio.

A besteira de Buffon é mais uma para a coleção recente de lances bisonhos dos goleiros em momentos decisivos. Por aqui, tivemos Júlio César (Corinthians), Deola (Palmeiras), Dênis (São Paulo) aprontando em jogadas fundamentais. Os dois primeiros dançaram, o são-paulino fez crescer o ponto de interrogação que há na cabeça de Leão e dos dirigentes.

Buffon também pode sentir reflexos negativos? Não, este tem crédito de sobra com a torcida. Mas sempre é chato dar mancada desse tamanho, em reta final de campeonato. Goleiro sofre – mas também faz sofrer.

 

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O Corinthians joga logo mais contra o Emelec, no Equador, atento aos riscos do mata-mata na Libertadores e de olho no ataque. Tite optou por Emerson e Willian na frente, com a missão de fazer gols que facilitem a vida do time no confronto de volta, na semana que vem, no Pacaembu. Liedson nem viajou; ficou por aqui para “aprimorar a forma” e ser utilizado mais adiante.

O miolo do ataque virou um problema para o campeão brasileiro. E não é de agora. Começou quando Ronaldo virou apenas lenda, antes mesmo de parar, e se acentuou com o declínio de Liedson. O Levezinho desembarcou muito bem no Parque São Jorge, fez gols que compensaram o ocaso do Fenômeno e foi importante na campanha vitoriosa da Série A de 2011.

Na atual temporada, porém, os gols rareiam – foram três até agora em jogos oficiais. Uma secura que ficou em segundo plano pela liderança na fase de classificação do Campeonato Paulista. Mas que se mostrou preocupante com a eliminação diante da Ponte Preta, nas quartas de final. Aquele tropeço determinou primeiro o afastamento de Júlio César, pelos gols que tomou. Depois, o de Liedson, pelos gols que não marcou.

A opção seria Adriano. Na verdade, ele havia sido contratado, um ano atrás, para compensar a aposentadoria de Ronaldo e para revezar com Liedson, 34 anos. Contusão, demora na recuperação e por fim a ruptura (com direito a dispensa por justa causa) atropelaram os planos de Tite. Restou mesmo Liedson, em má fase.

O treinador garante que o afastamento é temporário, que Liedson continua nos planos e que será útil ainda nesta etapa da Libertadores. Pode ser. Apesar disso, há no clube interrogação a respeito da continuidade da colaboração com o atacante, cujo contrato terminaem julho. Aintenção é renovar até o fim do ano, com o que aparentemente não concorda o jogador. O rumo do Corinthians na competição vai determinar também o caminho a seguir na conversa.

Por enquanto, a aposta é Willian. Que já se mostrou boa alternativa, mas não a ideal. Como também não é Emerson. O Sheik completa o trabalho na frente, sem ser goleador. O Corinthians tem vaga para centroavante. Interessados, favor procurar a gerência.

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O Flamengo rebolou um bocado pra contratar Ronaldinho Gaúcho, no início do ano passado. Apostou pesado, em leilão do qual participou também o Grêmio, e cedeu aos desejos dos representantes do jogador. Quando ganhou a corrida, imaginou que lucraria com o craque – com títulos em campo e com dinheiro de publicidade.

Não aconteceu nem uma coisa nem outra. O Flamengo com Ronaldinho não deu salto de qualidade – ou não foi melhor do que nos últimos anos. E, tão grave quanto a secura de taças, tem sido a escassez de dinheiro. A imagem do astro hoje não “vende”, como um tempo atrás.

O mercado publicitário deve ter lá suas razões para acreditar que não se trata de garoto propaganda eficiente. Por isso, não houve campanhas em mídia nem patrocínio na camisa.  A direção rubro-negra imaginou que o Gaúcho representasse um ganho como Ronaldo no Corinthians. Um tiro n’água daqueles…

Para complicar, falta dinheiro para pagar o que foi estipulado. O acordo com a Traffic, que bancaria parte dos salários, foi pro espaço, e o Flamengo tem de arcar com tudo. Resultado disso: deve ao jogador, segundo o empresário Roberto Assis, quatro meses de vencimentos. Se os cálculos que há em sites for correto, são 4,8 milhões de reais em atraso. Dinheiro pra burro.

Não sei se a soma é essa, se é mais ou se é menos. Sei que o concordado e assinado tem de ser respeitado. Podem ser 100 reais ou 10 milhões. Pagar salários é sagrado, é fundamental na relação entre empregador e empregado. Ah, mas alguém pode alegar que Ronaldinho não dá retorno. É outro papo, que não justifica atraso nos salários. Nunca.

Ah, mas é exagero pagar tudo isso. Também é questão a ser estudada. Os cartolas prometem os tubos para qualquer jogador e exageram quando se trata de estrelas consagradas. Depois, no fim do mês, começa a bater desespero. Então, que façam planejamento sensato, que sejam fiscalizados pelos Conselhos – e que cumpram o combinado e aprendam a lição.

Se o clube não estiver satisfeito com o desempenho do jogador (e, particularmente, acho frustrante a passagem dele na Gávea), tem um caminho a seguir: chamá-lo, cobrá-lo e, se for o caso, romper o contrato e arcar com as cláusulas rescisórias. Só não vale dar cano no pagamento.

Até quando vai a parceria? Não sei. Mas, infelizmente, não é vitoriosa. Por culpa de ambas as partes.

 

 

 

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Falou-se muito em duelo Neymar x Lucas, na semifinal deste domingo entre Santos e São Paulo. Foi apenas um desejo, uma força de expressão. Na prática, não teve tira-teima, porque no Morumbi brilhou apenas Neymar. O rapaz não só fez os gols de seu time, na vitória por 3 a 1, como ainda driblou, deu passes, abriu espaços, desconcertou adversários e provocou a expulsão de Cícero.

Neymar foi a chave do sucesso santista. É evidente que não jogou sozinho, mas as ações dele desnorteiam, por ser rápido, inteligente, imprevísivel. A estrela do camisa 11 começou a brilhar com 3 minutos, ao cobrar o pênalti que Alan Kardec havia sofrido de Paulo Miranda. A batida veio alta, forte, sem chance para Dênis.

O goleiro, aliás, viria a ser uma das vítimas de Neymar, ao levar o segundo gol (um chute de esquerda aos 31 minutos do primeiro tempo) e principalmente o terceiro, aos 32 minutos da fase final. No lance fatídico, Neymar recebeu na entrada da área, ajeito, chutou e Dênis espalmou fraco, para dentro do gol. O lance que liquidou o jogo, minutos depois de Willian José ter diminuído.

Uma partida, apesar de tudo, equilibrada. Pode parecer heresia, mas o São Paulo não se entregou, não foi presa fácil. Mesmo depois do primeiro gol, partiu pra cima, teve bolas na trave (uma com Paulo Miranda e outra com Willian José), criou chances. Tomou outro abalo com o segundo gol, e ainda assim insistiu, diminuiu no segundo tempo (com Willian José) e só jogou a toalha mesmo após o terceiro gol, e da forma como veio.

Na primeira parte do confronto, o São Paulo tentou tirar espaços de Neymar com a “cola” de Ivan Piris. O paraguaio, porém, levou um baile tão feio que saiu no intervalo para a entrada de Rodrigo Caio. Leão também tentou deixar o time mais agressivo ao tirar Jadson (passou batido enquanto esteve em campo) e colocar Fernandinho, mais rápido. A última cartada foi colocar Osvaldo na vaga de Casemiro, na metade do segundo tempo. Houve pressão, que esbarrou em marcação correta do Santos.

O Santos chega à quarta final consecutiva do torneio doméstico. Não é por acaso, mas como consequência de investimentos acertados, sobretudo na revelação e na manutenção de talentos como Neymar e Ganso. Uma dupla que tanta gente quer ver fora do Brasil e que, no entanto, faz a diferença na Vila Belmiro.

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29.abril.2012 11:39:15

A vez dos satélites*

Se perguntar pra você qual duelo chama a atenção no clássico entre São Paulo e Santos, tenho certeza de que responderá Lucas x Neymar. Essa é muito fácil, está na ponta da língua, porque os dois moços merecem e evoluem. Mas, se apresentar a mesma questão no caso do dérbi de Campinas, o que me dirá? Coçará a cabeça, fará uma pausa antes de largar o palpite. Pois eu digo aqui que nos pés de Fumagalli, do Guarani, e Renato Cajá, da Ponte Preta, podem sair jogadas e gols que apontarão um dos finalistas do Campeonato Paulista deste ano.

O que foi?! Estranhou? Considera absurdas as comparações? Não acho. Cada um lança mão dos recursos que tem. Os dois grandes se dão o luxo de ir a campo com rapazes ótimos, badalados, na mira de estrangeiros. Sorte de tricolores e santistas de sustentarem profissionais de gabarito em seus elencos. E que os mantenham ainda por bom tempo.

Os rivais de Campinas são primos pobres nessa disputa, azarões que atropelaram Corinthians e Palmeiras, ambos por 3 a 2 e sem contestação. A lógica indicava uma fase semifinal apenas com o quarteto parada dura, a nata do futebol doméstico. Considerações a respeito do regulamento esdrúxulo à parte, alvinegros e palestrinos foram incompetentes no fim de semana e lhes resta agora lutar em outras frentes – Libertadores e Copa do Brasil, por sinal bacanas.

A presença de uma equipe do Interior na decisão serve de alento para quem entra na competição com a sensação de que desempenhará papel de coadjuvante. Diria, mais apropriadamente, de sparring ou de suporte para os bichos-papões. Os representantes do futebol caipira – com todo carinho, ressalte-se – se especializaram em ser sacos de pancadas, se satisfazem em evitar vexames constrangedores e em arrecadar uns cobres ao receberem os maiorais em casa.

De vez em quando, há exceções – e em 2012 por coincidência a deferência coube aos dois campineiros de longa história local. Que não são as usinas de revelar talentos de décadas atrás e que, assim como a maioria dos clubes com menos dinheiro, recorrem a boleiros rodados e em fase final de carreira.

A experiência às vezes dá certo, para clube e jogador. Marcos Assunção que o diga: quando voltou do exterior, depois de jogar na Roma, no Betis, no Al Ahli, se encaixou no Grêmio Prudente, fez um bom Paulista-2010 e se mandou para o Palmeiras. Hoje, é o astro da companhia.

O mesmo acontece com os camisas 10 de Campinas. Fumagalli tem 34 anos, dá para abrir uma loja de material esportivo só com as camisas que já vestiu – de Ferroviária a Corinthians, de Tokyo Verdy a Santos, de Vasco a Guarani, passando ainda por Marília, Fortaleza, Seoul, Santo André e tantos outros. Renato Cajá, 27 anos, também tem passaporte futebolístico com muitos carimbos: Mogi Mirim, Juventude, Grêmio, Botafogo-RJ, Guangzou (China) e por aí vai.

Por uma conjunção feliz, hoje a dupla virou referência do dérbi e deve aproveitar a oportunidade para sobressair. Ao lado deles estarão jovens como Bruno Mendes (17 anos e tem bugrino que vê nele um novo Careca), ou os zagueiros Neto (Guarani, claro) e Ferron (Ponte), que logo podem dar saltos maiores na carreira.

Claro que o glamour se concentrará no Morumbi – e tanto faz se der Santos ou São Paulo. Ali será apenas a confirmação de prognósticos otimistas iniciais. Mas há charme e tanto no confronto Guarani x Ponte e nas artimanhas de Fumagalli e Cajá, prova de que astros menores também podem brilhar. Em paz, por favor!

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, dia 29/4/2012.)

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O sonho de muito cidadão é chegar aos 40 no auge da profissão e cheio da grana. Pois Pep Guardiola atingiu esse objetivo, aos 41, completadosem janeiro. Otreinador mais badalado do futebol internacional, nos últimos anos, confirmou hoje que sai do comando do Barcelona, depois de quatro temporadas. Ele alegou desgaste e parte para novos desafios na profissão – no caso, por opção e não por dispensa.

Guardiola tem consciência de que é uma pérola solta no mercado. Convites normalmente não faltam para técnicos medianos – imagine para um sujeito que conquistou 13 títulos em tão pouco tempo! Está com a vida feita e vai para onde quiser. Tem condições de dar-se ao luxo de escolher entre ofertas milionárias. Os endinheirados que brincam de donos de equipes vão correr atrás dessa grife.

Pode-se alegar que Guardiola fez fama e fortuna porque contou com uma geração extraordinária no Barça. É verdade. Se tivesse cabeças de bagre a sua disposição talvez ainda estivesse gramando em busca de espaço. Mas é igualmente justo frisar que ele amalgamou os talentos, encontrou uma fórmula quase imbatível – sei, sei, o Chelsea desmente a afirmação – e transformou a equipe catalã num espetáculo fora do comum.

Guardiola surpreendeu, quando assumiu, ao dispensar Ronaldinho Gaúcho, então símbolo de um Barcelona que já ensaiava esse estilo baseado no toque de bola. Pareceu uma heresia – e, mais tarde, se provou atitude das mais acertadas e saneadoras. O Barça ganhou irreverência, mas dentro de campo, e eficiência. Os títulos espanhois, europeus e mundiais confirmaram a precisão do tino do treinador.

Já vi, em blogs e em outras mídias, a sugestão de Guardiola para treinar a seleção brasileira. Fosse algumas décadas atrás, consideraria uma heresia, um desrespeito à tradição dos colegas brasileiros. Hoje em dia, com a globalização da bola cada vez mais intensa, provocaria um ou outro olhar enviesado.E muita aprovação. Porque imediatamente se associa Guardiola a jogo bonito e eficiente.

Se fosse os argentinos, aceitaria a sugestão que li de meu amigo e colega de Estadão, o Wagner Vilaron: contratava o espanhol, porque ele certamente sabe como poucos como fazer Lionel Messi ser o astro da companhia.

Mas, se quer mostrar que é bom mesmo, tenho um desafio: vem pra cá dirigir uns times complicados (preciso dizer quais?), que há muito tentam reencontrar o caminho da glória. Se desse jeito neles, então mereceria caminhões de dinheiro, estátua e beatificação. E depois voltava para o Barcelona, onde certamente tem portas escancaradas.

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