O torcedor de cabeça quente acha que todo mundo torce contra seu time. Qualquer observação o deixa irritado. Entendo essa reação, porque também já pensei assim. Tem gente, por exemplo, que cisma que tenho birra com o Palmeiras, tantas as vezes em que o critico. Juro que preferia elogiar – não só o Palmeiras, mas todo mundo. Não tem como. No caso do Palestra, são poucas as ocasiões em que dá motivo para aplausos.
Veja o que aconteceu na tarde deste domingo, contra o Internacional. Quem foi ao Pacaembu assistiu à repetição de cenas mais velhas do que filmes do Charles Chaplin. (Se bem que estes eram obras-primas…) O Palmeiras apertou, foi à frente com frequência, criou e sobretudo desperdiçou chances, levou um gol e desmontou. Daí, tomar outros dois foi apenas consequência do curto-circuito de que sofre há tempos.
O Palmeiras caiu diante de um rival forte, que hoje temem Leandro Damiãoseu ponto de referência e de definição. O rapaz anda jogando muito, fez os três gols e deu desespero na defesa alviverde. Mais do que merecida a lembrança para a seleção. E ainda bem que o mercado europeu já fechou. Caso contrário, teria ido embora.
Mas o castigo maior para o Palmeiras veio por seus próprios erros e limitações. No primeiro tempo, Luan e Gabriel Silva perderam oportunidades embaixo do gol, sempre após jogada de bola parada com Marcos Assunção. No segundo, houve pressão o tempo todo, porém sem qualidade, sem técnica.
O time sentiu ausência de Valdivia (outra vez machucado) e Kleber (mais uma vez suspenso). Enquanto for dependente de dois jogadores bons, mas longe de entrarem na galeria de ídolos históricos, o Palmeiras será participante de segunda linha. E assim, pouco a pouco, vê mais um ano passar em branco…
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Louvo o esforço do Corinthians, que está a fazer tudo para que lhe escape o título brasileiro deste ano. A equipe de Tite continua em primeiro lugar (sem considerar o que fazem Grêmio x São Paulo), mas a cada rodada passa menos confiança. Ultimamente sua rotina se divide entre derrotas e empates freqüentes, além de uma ou outra vitória. Neste domingo, amargou mais um tropeço (1 a 0 para o Fluminense). Para sua sorte, Vasco e Bota também negaram fogo.
O Corinthians que foi ao Engenhão esteve muito aquém do time guerreiro e objetivo que no meio da semana bateu o Flamengo por 2 a 1, de virada. Confuso no meio-campo, indeciso na defesa e inexpressivo no ataque, levou um gol no primeiro tempo, poderia ter levado outros e não teve competência para chegar pelo menos ao empate. Só não saiu de campo mais abatido, porque soube da surra que o Botafogo levou em Curitiba e do empate do Vasco com o Figueirense. De quebra, comemorou outra derrota do Palmeiras (este já não conta).
No primeiro tempo, sobretudo, o Corinthians foi envolvido pelo Flu, que começou bem, em alta velocidade e teve duas chances em menos de 15 minutos. Na primeira, Júlio César defendeu; na outra, Chicão salvou em cima da linha. A insistência do Flu deu certo, com o gol de Fred, em cobrança de falta que desviou na barreira e tirou qualquer reação do goleiro.
Tite ficou atônito, assim como sua equipe. No intervalo, tirou Ramon e colocou Paulo André, para reforçar a marcação. Deu certo em parte, porque o Flu teve menos espaço para criar e, com o tempo, diminuiu o ritmo. Em contrapartida, o líder criou pouco e o treinador só arriscou mais depois dos 30 minutos, quando mandou Danilo entrar no lugar de Leandro Castán. Também não alterou o panorama do jogo.
O Flu optou por fechar-se e sair em contra-ataque. Opção arriscada, que só funcionou porque o ataque do Corinthians sumiu. Ainda assim, quase é castigado aos 47 minutos, numa cabeçada de Paulo André que raspou o travessão. O Corinthians abusa do vento a favor. Qualquer hora dessas a maré muda e pode ser tarde para recuperação. Já o Flu está mais vivo do que nunca. Com quatro vitórias consecutivas, não é que entrou na briga pelo bi?
Fazia tempo que não me emocionava com esporte. Pois na noite deste sábado, a rapaziada do basquete me fez vibrar e ter um momento de torcedor. A proeza desse grupo comandado pelo argentino Ruben Magnano foi extraordinária. Tirar o Brasil da fila de 16 anos sem Jogos Olímpicos é algo para lembrar-se sempre. E, o que é mais importante, se trata de grupo com potencial para papel bonito em Londres.
Acompanhei o jogo com a República Dominicana com expectativa e tensão pouco acima do normal. Desde o começo a moçada passou confiança e a certeza de que, desta vez, não iria negar fogo, como ocorreu com outras turmas, em tentativas anteriores. Na verdade, estava tranquilo desde anteontem, após a vitória sobre a Argentina. Aquele foi o resultado que colocou os brasileiros na Olimpíada. Evitar os anfitriões na semifinal deu moral para este sábado e era importante para tirar pressão.
O Brasil evitou os erros do confronto da fase de grupos, soube superar a marcação dominicana, também se esmerou em bloquear as descidas rivais e foi quase impecável nos arremessos, sobretudo de média distância. Magnano também utilizou o banco com inteligência, a ponto de o time chegar inteiro aos minutos finais e aos83 a76 definitivos.
Foi emocionante acompanhar pela televisão e ver como o astro de sempre, Wlamir Marques, se comoveu com a proeza dessa nova geração. Marcelinho Huertas, Thiago Splitter, Alex, Nezinho, Caio e todos os demais honraram a história do basquete nacional. Merecem ser recebidos com tapete vermelho, assim como o treinador que já conquistou ouro olímpico com o país dele. E azar daqueles jogadores que não acreditaram nessa equipe e roeram a corda antes da hora.
Francesco De Gregori é um compositor italiano que há décadas faz músicas que pegam na veia e no coração. Sujeito extraordinário, poeta de alta sensibilidade, infelizmente quase desconhecido por aqui. Um Chico Buarque daquelas bandas, pra você ter uma noção da importância dele. Em Cardiologia, uma de suas obras-primas mais ou menos recentes, canta dois versos estonteantes: “Há amores do passado sempre vivos na memória/Porque do amor nada se joga fora”. Isso serve para a vida e para o esporte.
Não tenho talento para falar de dor de cotovelo amorosa – essa até hoje só soube sentir. Escrever a respeito de sobressaltos do afeto é tarefa para cronistas de fina estampa, como o Loyola, o Marcelo Paiva, o Veríssimo, para citar uns bambas da casa. Mas consigo entender frustrações de torcedores com ídolos, sobretudo daqueles que vão embora e mais tarde voltam. Tentativas de reatar, no futebol assim como no cotidiano, não têm regras fixas, porém com frequência caem no vazio. Não dão mais liga.
Pegue o caso de Valdivia. O rapaz desembarcou no Palestra Itália em 2006 com boas referências do Colo-Colo, cativou o público, virou “El Mago”, foi campeão paulista. No momento em que era mais paparicado se mandou para o futebol árabe, com a desculpa de praxe: o bonde da oportunidade passava carregado de dinheiro e não queria perder a viagem. Foi, ficou um tempo no ostracismo bem pago, não aconteceu nada por lá e voltou em 2010. Regressou como o Dom Sebastião aguardado para a redenção do time. Ou como o príncipe encantado para despertar a Bela Adormecida verde.
Até agora não vingou. Em um ano, passou mais tempo na enfermaria do que em campo. Chamou mais a atenção por uma dor aqui, uma dor ali e por exames inconclusivos do que pelo futebol. Falou-se dele mais por dúvidas a respeito dos métodos de tratamento e de rusgas veladas ou nem tanto com Felipão do que por passes, dribles ousados e gols que outrora estimularam carinho da torcida e fizeram o clube lançar-se na aventura de investir alto no resgate.
Enfim, neste período apareceu pouco do Mago que estava na lembrança afetiva do palmeirense. E, como ocorre com desilusões amorosas, a mágoa deu o ar da desgraça. Não é por acaso que parte da torcida passou a pegar no pé. Ele se fechou, murchou e agora fica o impasse: vai embora de novo, e de vez, ou fica? Diz que não quer abandonar o barco, a diretoria finge que repensa, mas está doida para recuperar um pouco da dinheirama que buscou em bancos para satisfazer o desejo de tê-lo no elenco.
O exemplo de Valdivia não é único. O próprio Palmeiras viveu casos parecidos e se dividiu entre martírio e glória. Evair saiu em 1994 e voltou em 1999 mais maduro e mais útil, algo parecido com o que ocorreu com Zinho e César Sampaio, o capitão do título na Libertadores. Já com Edmundo não foi assim, em sua segunda passagem, em 2007.
Outros? Vamos lá. Zico foi incomparável, quando surgiu no Flamengo. Não era o mesmo, ao retornar da Itália, em 1985. Roberto Dinamite foi para o Barcelona, em 1980, ficou só alguns meses e voltou correndo para o aconchego do Vasco, numa união perfeita e duradoura. Raí foi soberbo na primeira etapa de sua relação com o São Paulo e nada além de razoável na segunda, até passar por cirurgia e encerrar carreira.
A gente gastaria horas de conversas aqui com casos de segunda chance que deram certo e os que resultaram em furo n’água. Uma polêmica sem fim, pois o problema é que se idealiza muito no amor e no futebol. Quando as expectativas não são correspondidas, o sentimento de perda tende a crescer e, se bobear, acaba com o que teve de bom. Machuca, a ponto de o Mago hoje sofrer rejeição – ou, no mínimo, desconfiança – de parcela de palestrinos desacorçoados.
Valdivia tuitou ontem para explicar que não é chinelinho – “Ele é chileninho”, respondeu gaiatamente o parmerista diagramador Nilson Pasquinelli – , afirma que abriu mão de uma grana alta para regressar e garante que vai calar quem duvida dele.
Vai reconquistar afeto com a intenção de ficar? Não sei. Quantos casais voltam e se separam de novo? Pode ser o caso dele com o Palmeiras. É da vida e o tempo dirá. Sei que há amores que deveriam ficar guardados para sempre na memória pelo que foram no passado. Retomar é dar murro em ponta de faca e se ferir.
O De Gregori conhece a alma humana.
*(Texto da minha coluna publicada na primeira edição do Estado de hoje, dia 9/9/2011)
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Cada vez mais gosto do Campeonato Brasileiro. Pode não ser o suprassumo da técnica, mas se mostra imbatível em emoção. As provas mais recentes de que adrenalina por aqui não faltam vieram na noite desta quinta-feira. Primeiro, com os 2 a 0 do Vasco sobre o Coritiba. Em seguida, com a espetacular virada do Corinthians em cima do Flamengo, 2 a 1, no Pacaembu lotado e o retorno à liderança isolada.
O duelo das multidões foi esptacular, porque teve empolgação e indefinição do começo ao fim. O Corinthians foi melhor, mereceu vencer, pois foi quem tomou a iniciativa, se mostrou ousado, pressionou. Enfim, jogou como quem pretendia recuperar a ponta e espantar pressão, depois de três derrotas nas últimas quatro apresentações.
O meio-campo corintiano ganhava a batalha, com Ralf e Paulinho atentos na marcação, e Alex mais adiantado,a ponto de arriscar chute e cabeçada a gol. Emerson e Liedson tratavam de encontrar espaços na defesas rubro-negra. O Flamengo ficou acuado e ainda assim obteve a vantagem, aos 28 minutos, em cobrança de escanteio de Ronaldinho que sobrou livre para Deivid apenas empurrar para ao gol.
O Corinthians não esmoreceu – e esse foi um dos aspectos principais para que chegasse à vitória. No segundo tempo, aumentou o ritmo, redobrou a carga, mandou bola no travessão em cobrança de falta de Chicão e acreditou. Ao mesmo tempo, o ex-corintiano Felipe fechava o gol, com defesas importantes e elásticas
Um incidente ajudou a mudar a história do jogo: Gustavo, em jogada isolada, deu um soco em Liedson. Para sorte dele, árbitro e auxiliares não viram. O gesto violento parece ter despertado o Levezinho, que em seguida apareceu livre na área para empatar. O gol entusiasmou o Corinthians, que manteve a blitz, premiada enfim com outro de Liedson.
A liderança foi retomada, agora com 43 pontos. Mas Vasco e São Paulo, com 41, estão na cola, e o Botafogo tem 40 (com um jogo a menos). O Flamengo perde fôlego, está com 36 pontos e, pelo jeito, começa a jogar a toalha e já fala em Libertadores. Esse é o ‘pojeto’, segundo Vanderlei Luxemburgo. Será?
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O Palmeiras é um dos times que menos perderam no Brasileiro – 4 vezes apenas em 22 rodadas, contra 3 do Flamengo. Em contrapartida, é o que mais empatou – foram 10. Por isso, com 34 pontos está em sétimo lugar na classificação, neste momento a oito do líder São Paulo. Na teoria, não está fora da briga pelo título. Na prática, tem feito tudo nesse sentido.
E o fez mais uma vez, no empate por 2 a 2 com o Atlético-PR, na noite desta quarta-feira, em Curitiba. O time de Luiz Felipe Scolari de novo não soube vencer, nem tirou vantagem do fato de ficar em dois momentos na frente e, desde os minutos finais da etapa inicial, com um jogador a mais, após a expulsão de Cleber Santana.
Para variar, o Palmeiras combateu, mas teve criatividade perto de zero. Viveu, como tem ocorrido há mais de um ano, das bolas lançadas por Marcos Assunção em cobranças de falta e escanteio. É pouco, muito pouco, para uma equipe com pretensões mais atrevidas. É monótono, previsível e enfadonho esse comportamento palestrino. Exibições com a da vitória sobre o Corinthians, três rodadas atrás, são raras. No dérbi, foi um time impecável, na marcação, na armação e no ataque. Para em seguida, voltar ao marasmo.
Foi assim contra o Furacão que passa um período de baixa, mais para brisa. O primeiro gol do Palmeiras até que não seguiu o script habitual, mas teve passe de Marcos Assunção e cruzamento de Kleber que Henrique desviou para o gol. Em vez de impor-se, o time paulista patinou literalmente no gramado escorregadio e levou o empate com Guerron, de cabeça, ao aproveitar escanteio de Marcinho que desviou na cabeça de Marcos Assunção. Pouco depois, Cleber Santana levou o segundo amarelo e o vermelho.
No segundo tempo, nova vantagem palmeirense, com Fernandão aproveitando rebote em cobrança de falta. Quando parecia que se encaminhava para a vitória, cedeu empate, em pênalti tolo cometido por Marcos que Marcinho converteu. Daí até o final foi pressão desordenada do Palmeiras e o Atlético a defender-se como possível. Em jogo tenso, cheio de faltas e cartões amarelos (10), e com resultado ruim para ambos.
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São Paulo e Botafogo cumpriram a parte deles, neste feriado de Sete de Setembro, tornaram o Campeonato Brasileiro mais embolado do que nunca e colocam pressão sobre Corinthians, Vasco e Flamengo, que entram em campo na quinta-feira. O São Paulo dorme na liderança (41 pontos), com a vitória de 2 a 1 no Atlético-MG, e o Botafogo está em segundo (40), depois de fazer 4 a 0 no Ceará, em jogo disputado no Engenhão.
O que me agradou de verdade na vitória tricolor foi a festa para Rogério Ceni. O ídolo que completou 1000 jogos pelo clube recebeu homenagens que merecia, sobretudo da parte do torcedor, já que mais de 60 mil foram ao estádio para aplaudi-lo. Ele mereceu. E o primeiro presente veio com menos de um minuto, com o gol de Lucas. Era para mostrar que a tarde seria de fato memorável, sem chance para surpresas.
Mais ou menos, porque num vacilo Rever empatou aos 10 minutos. Com isso, o jogo ficou equilibrado e assim seguiu até o intervalo. O São Paulo se garantiu com gol de Dagoberto aos 7 da etapa final. Depois, segurou o Galo, que decepcionou mais uma vez. Cuca mexeu no time, mas não consegue fazer com que deslanche. Não é à toa que está na zona de rebaixamento.
O São Paulo, na ponta e tudo mais, ainda carece de uma “cara”. Tem sido mudado constantemente – lembra até os tempos do Carpegiani – por contusões, suspensões, opções táticas e sei mais o quê. Bom, pelo menos desta vez não vacilou como anfitrião.
Quem também deu conta do recado foi o Botafogo, que chega como quem não quer nada e vai comendo pela beiradas – como fez o Vasco. O time do Caio Júnior bateu o Ceará com autoridade, embora tenha feito um gol no primeiro tempo (Herrera) e os outros três na etapa final (Herrera, Loco Abreu, Cidinho). Mas mandou na partida o tempo todo, teve bola na trave e contou com um a mais desde o finalzinho da etapa inicial, com a expulsão de Fabrício.
Líder e vic-líder nesta quinta secam os outros três perseguidores. Para eles pode ser bom empate entre Corinthians (40) e Fla (36) e uma derrota do Vasco (38) diante do Coritiba em casa. Sei lá, num torneio maluco como este, pode acontecer qualquer coisa.
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O futebol anda tão volúvel que hoje em dia vira notícia quando jogador completa 100 partidas pelo mesmo time! A marca, antes tão banal, recebe tratamento vip, de efeméride, embora possa ser alcançada em um ano e meio, sem forçar a barra e se não houver contusões. E se o cara for razoavelmente bom de bola. Coisinha de nada é motivo de festa, com direito a camisa 100. Então, como se deve reagir, se o cidadão completar 10 vezes essa soma? No mínimo, com muito rojão, confete, fanfarra, chope, tubaína, salgadinho, medalhas, placa, discurso, bandeja de prata, o diabo a quatro! E uma reverência e salva de palmas.
Pois na tarde de hoje, no 189.º aniversário da Independência do Brasil, o inoxidável Rogério Ceni vestirá pela milésima vez a camisa do São Paulo! Você já parou para pensar o que significa isso? Não é bolinho, como se dizia no Bom Retiro ao se ressaltar a excelência de uma proeza. É preciso ter regularidade acima da média e competência.
Qualidades que Rogério tem de sobra, e não se deve creditar aos deuses do futebol ou a outras bobagens esse momento único, pelo menos na história tricolor. Já vi muito atleta dedicado e longevo estabelecer limites difíceis de serem igualados. Mas poucos como ele. Raros, porque demanda tempo (só de Morumbi ele passa de duas décadas), paciência, resistência (que me lembre só sofreu uma contusão grave), autocontrole e uma tremenda autoestima.
Vestir por uma vez que seja a camisa 1 de instituição com o peso do São Paulo não é pra qualquer cristão. Usá-la em 100o oportunidades, só se tiver méritos. E Rogério tem, pra dar, vender, emprestar e ensinar. É para comemorar sem economia. São-paulino que se preze, tem de ir ao Morumbi e aplaudir de pé o maior ídolo do clube. Ele merece.
Sei que há muita gente que torce o nariz e considera Rogério Ceni esnobe, presunçoso, canastrão. Se você apertar, faltarão argumentos para desafetos explicarem a rejeição. Que eu, em minha psicologia de botequim, credito a dor de cotovelo, a implicância e a certo preconceito. Parece arrogante porque sabe usar plurais e construir frases com verbo, sujeito e predicado, e além disso foge ao padrão do “Nóis vai, nóis vorta”, “Tudo fazeremos para conquistar os três pontos”. Engraçado, né? A gente acha que boleiro tem de ser xucro e anarfa.
Não o considero um santinho. Rogério Ceni, como todo grande da posição, tem suas manias (essa de usar 01, por exemplo), tem ego inflado (goleiro sem confiança sucumbe ao primeiro frango) e nem sempre se mostra simpático. (E você, que me lê, diga lá: nunca foi intragável em algumas situações? Ora…) A gente pode não concordar com o que ele diz, mas tem opinião e não teme expô-la. Peixe ensaboado temos demais.
Na falta de pecados mortais, apela-se para falhas. “Ah, é um frangueiro”, ouve-se com frequência. Rogério já engoliu perus antológicos, assim como todos os gigantes das traves. E já fez milagres reservados são aos muito bons. De quebra, faz gols, passou de 100. “Ah, só porque ele cobra falta e pênaltis, vão dizer que é bom.” Sim, senhor, por ser ótimo nas bolas paradas, merece elogios.
A gente desce tanto a ripa ao falar de esporte, sobretudo o futebol – que dá motivos -, que fica até chato. Por isso, me alegro quando surge um tema positivo, pra cima. Como ando empenhado em mandar o baixo astral pra lá de onde Judas perdeu as botas, me junto aos que de fato curtem futebol e tiro o chapéu para Rogério Ceni.
Meus amigos, são 1000 jogos!
*(Parte principal da minha coluna no Estado de hoje, dia 7/9/2011)
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Construir estádio está na moda e é investimento que costuma dar retorno. A mais nova arena, como agora se chamam os campos de futebol, será inaugurada nesta quarta-feira, em Turim, uma das principais cidades da Itália. O dono do local é a Juventus, primeira equipe italiana a ter casa própria. As demais continuam a apresentar-se em instalações que pertencem às respectivas cidades.
O estádio juventino começou a ser construído em junho de 2009, sete meses depois de iniciada a demolição do antigo Delle Alpi. “Antigo” é modo de dizer, porque foi feito para a disputa do Mundial de 1990. A Juventus arrendou a área, obteve permissão para tocar seu projeto, encomendou estudo para escritórios famosos de arquitetura, arrumou a grana (dela mesmo) e mandou bala.
O resultado será visto no amistoso com o Notts County, da Terceira Divisão da Inglaterra, no amistoso marcado para a quinta-feira. O estádio tem lugar para 41mil torcedores sentados, além de 4 mil vagas de estacionamento, 8 restaurantes, 20 bares, museu, centro comercial e, em breve, a sede da própria Juventus. Há ainda uma área verde, como parte do acordo para revitalização do entorno.
Sabe quanto saiu tudo isso? Coisa de 105 milhões de euros, ou mais ou menos 250 milhões do nosso rico dinheirinho. Quer dizer, menos de um terço do que vai custar o Itaquerão, só para ficar num exemplo paulista. Ou da reforma do Maracanã. Ou da Fonte Nova, para falar também dos baianos.
Será que a mão de obra na Itália é mais barata do que a nossa? Será que lá tem menos impostos? Será que o preço do cimento e do aço sai mais em conta na Bota?
Vai saber. Como o custo de vida anda alto no Brasil! Você concorda?
PS. A ANSA, Agências de Notícias italiana divulgou cifras do estádio. (ANSA) – TORINO – Investimenti per 105 milioni di euro per 41.000 posti a sedere
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Você gostou da seleção no amistoso com Gana? A mim não provocou euforia. Foi mais um daqueles jogos aos quais a gente assiste sem empolgação e sem sobressaltos. Se bobear, até com um bocejo ou outro. Está bem, o Brasil ganhou, por1 a0 magrinho, tirou a zica dos últimos tropeços, baixou a poeira. Mas o que era mais importante: vencer ou agradar? Como vejo futebol como divertimento, preferia a segunda opção.
No meio da tarde, liguei a tevê e sintonizei o rádio para ouvir o competente Paulo Amigão Soares na Estadão/ESPN. Estava animado para ver em ação a formação nova, com Ganso, Ronaldinho, Neymar e Leandro Damião juntos. A expectativa morreu com menos de dez minutos, por causa da contusão de Ganso. Uma pena, para o jogo e sobretudo para o rapaz, que não tem uma temporada radiante. E chato para o Santos, que sofre desfalque.
Mano alterou o esquema, ao optar por Elias, que se juntou a Lucas Leiva e também Fernandinho na marcação. Ronaldinho e Neymar mais adiantados para completar o ataque com Leandro Damião. O time de Gana correu pra burro no começo, deu calor e pouco espaço para o Brasil. Achei que a turma de Mano passaria sufoco. O Julio Cesar chegou a dar algumas broncas em seus companheiros de zaga.
O jogo entrou num período morno, após os 20 minutos, porque os africanos tiraram um pouco o pé do acelerador. E mais morno ficou com a expulsão de Opare aos 32 minutos, por dar um pisão daqueles em Lúcio. (A equipe de Gana apelou para divididas duras, principalmente no segundo tempo.) Sem jogadas ‘mágicas’, o Brasil ficou em vantagem, com o gol de Leandro Damião pouco antes do intervalo. O centroavante do Inter foi bem.
O amistoso enveredou por uma chatice tremenda na segunda parte. O Brasil ficou na troca de passes, na bola pra cá e pra lá, na tentativa de encontrar espaço para entrar na área africana. Teve a seu favor uma infinidade de escanteios, que não deramem nada. Sónos últimos 15 minutos, criou oportunidades, e aí apareceu muito bem o goleiro Kwarasey, com três belas defesas – a última numa falta cobrada por Ronaldinho.
A presença de Ronaldinho foi o diferencial do jogo. O meia do Flamengo fez lançamentos, arrancou aplausos com seus passes precisos, o toque de bola refinado, e tirou um pouco da atenção sobre os mais jovens. Foi um retorno ok, Ronaldinho com 30% do que sabe é melhor do que a maioria que esteve em campo. Só não foi assombroso.
Aliás, faz tempo que seleção não assombra… se bem que às vezes assusta sua própria torcida. Não chegou a tanto desta vez, mas sempre espero mais do Brasil. Fazer o quê, acostumei-me a isso quase a vida toda. Fica difícil, agora, mudar.
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