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Você gosta de futebol? Muito bem. Então, é obrigatório assistir, sempre que possível, a jogos do Santos. Valem pelo time, que tem qualidade acima da média. Valem, sobretudo, por Neymar e Ganso. Os dois moços compensam o sacrifício de ir ao estádio ou de pagar para ver. Já escrevi a respeito disso, mas também vale a repetição.

Neymar outra vez roubou a cena, nos 4 a 2 sobre o Guarani, no capítulo de encerramento do Campeonato Paulista. Não foi a atuação mais exuberante dele. Mas, ainda assim, mostrou que está em nível superior aos demais. Deslocou-se, driblou, assustou os rivais, marcou dois gols – o segundo e o terceiro – e teve participação nos principais lances. Alan Kardec completou com o primeiro e o quarto.

A partida tinha tudo para ser mera formalidade, cumprimento de tabela, já que o caminho para o tri estava escancarado desde a semana passada, com os 3 a 0. Engano. O Santos fez 1 a 0 com Alan Kardec com 1 minuto e levou o troco aos 4 com Fabinho. Aos 8, Paulo César de Oliveira viu pênalti em bola que bateu no braço de Bruno Paes e Neymar cobrou com uma bomba no ângulo esquerdo do gol.

Pensa que acabou? Que nada. O Guarani foi à frente e empatou aos 16 com Bruno Mendes. Um corre-corre de tirar o fôlego. Os campineiros não tinham nada a perder e fizeram o certo, ou seja, pressionaram, se lançaram ao ataque e apostaram em erros santistas. Também se expuseram aos contragolpes.

O Santos foi mais cauteloso na etapa final, mostrou-se mais atento e controlou o jogo, com trocas de passe eficientes. E deixou para o talento de Neymar e Ganso resolver a parada. Deu a lógica: Neymar fez o terceiro aos 25, em linda jogada, e Ganso participou do lance do gol de Alan Kardec, para fechar a conta aos 46.

Título mais do que merecido. Agora, força total na busca pela quarta estrela na Libertadores. Dá para o santista ter essa pretensão.

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13.maio.2012 11:46:46

Razão e emoção*

Hoje haverá decisões de Estaduais pelo Brasil afora, como você pode conferir nesta página mesmo. Basta dar uma passeada nos textos abaixo da crônica e constatar como há expectativa em todo canto. Dia, portanto, de torcedores fazerem festa, comemorarem mais uma taça doméstica. Domingo, também, de fãs que amargarão a decepção do título que escapou, do momento de glória que se perdeu. De tristeza. Enfim, outra data especial para quem foi fisgado desde a infância pelo fascinante jogo de bola e dele jamais conseguiu, nem quer, livrar-se.

A reação dos fãs todos conhecemos – radical, como deve ser toda paixão. Mas, e a dos atletas, os atores principais desse teatro, que mexem com emoção, sonho e fantasia de milhões de pessoas? Irão ao êxtase, com a eventual conquista? Chorarão junto com seus seguidores, na hipótese da derrota?

Pode ser preconceito de minha parte – e rezo para fugir de prevenções e julgamentos precipitados. Mas boto fé na primeira alternativa, pois a euforia com objetivo alcançado vem fácil. E não me surpreenderá se vir conformismo, para não dizer indiferença, após tropeço fatal.

Por que faço essa divagação? Porque estou com duas imagens fortes na cabeça, desde o meio da semana. Não sei se você acompanhou a final da Liga Europa, disputada na quarta-feira em Bucareste, entre o Atlético de Madrid e o Athletic Bilbao, um tira-teima espanhol. Os madrilenhos venceram (3 a 0, com autoridade) e levantaram o troféu. Assim que soou o apito final, fixei atenção nos perdedores. Vários rapazes do time basco desabaram, desconsolados, enquanto outros choravam sem pudor. Os rostos estampavam dor imensa pela queda.

Algum coração mais racional talvez alegue que foi atitude exagerada, não era para tanto. Discordo. O choro daqueles homens transbordou dignidade, amor-próprio, identificação com o clube, respeito à camisa e sobretudo solidariedade com o torcedor de Bilbao. As lágrimas resgataram uma série de valores primordiais, que se dissiparam num mundo prático e com calendário carregado, que abafa atitudes simples ao propor novo desafio já no final de semana seguinte. Uma roda-viva estonteante.

Imaginei-me no lugar dos simpatizantes do Athletic e senti orgulho. Com o pranto, os jogadores dividiram com o público o carinho pela agremiação. E se mostraram conscientes do golpe profundo que, naquela partida, proporcionaram aos que os incentivaram nas arquibancadas ou em casa. Depois, sim, vida que segue. Porém, com cabeça erguida e com a alma lavada pelo lamento.

O outro episódio marcante ocorreu na mesma quarta-feira, mas à noite. O Botafogo caiu na Copa do Brasil, ao falhar diante do Vitória (1 a 2), no duelo no Engenhão. Desilusão que se somava àquela de três dias antes, com os 4 a 1 para o Flu, na primeira parte da final do Carioca.

Loco Abreu, um dos poucos botafoguenses que falaram, tratou de diminuir o impacto negativo da desclassificação. Num exercício de autocontrole e, para provar que a tragédia não fora tão devastadora, lembrou que Copa do Brasil, pênaltis, campeonatos há todos os anos. Irreversível, comparou, tinha sido a morte do avô, que partira para sempre, num caminho sem volta. Ainda frisou que se deveria separar esporte e vida. Bem contido.

A postura de Loco Abreu é a de milhares que vivem do futebol, que apelam para a “cabeça erguida” após desencanto. Não detectei mercenarismo nem pouco caso nesse distanciamento com a “galera”. Mas escassez de sensibilidade, ou a tal da razão.

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 13/5/2012.)

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Passei um tempo do sábado a ler material a respeito da nova aventura de Zinho. O ex-jogador e até dia destes comentarista de tevê aceitou o desafio de dirigir o futebol do Flamengo, a convite da presidente Patrícia Amorim. É mais um ídolo para o qual o rubro-negro apela, na tentativa de ajustar-se. Vai dar certo? Não sei – e sou um tanto cético.

Zinho é bacana, respeitado e admirado no meio. Como atleta tem currículo impecável e vencedor – no Flamengo, no Palmeiras, no Grêmio, na seleção, no exterior. A carreira foi longa, daquelas que chegam até o sujeito dobrar os 40 anos. Conseguiu isso por se cuidar – atleta responsável. Enfim, exemplo e tem o que contar e mostrar aos jovens profissionais.

Essas qualidades o qualificam para a função? Sim, claro. Mas não garantem de antemão sucesso. Se fosse apenas para lidar com egos, com as manhas e com as espertezas e fraquezas de boleiros, tenho certeza de que Zinho conseguiria tirar de letra. O trabalho, porém, não se limita a colocar em prática o que aprendeu em anos e anos de gramados e concentrações.

Zinho terá de lidar com pressões, jogos de interesses, choques de personalidades. O Flamengo é enorme, uma nação – e com isso os conflitos são permanentes e devastadores. Júnior, alguns anos atrás, e Zico mais recentemente são dois exemplos de ícones flamenguistas engolidos por atitudes nem um pouco enobrecedoras. Resistiram por pouco tempo, antes de jogar a toalha.

Tomara Zinho tenha mais sorte e jogo de cintura, para dobrar desconfianças e interferências. É bem diferente de enfrentar botinadas de zagueiros, xingamentos de torcedores. Se passar por essa prova, abrirá caminho para tornar-se referência na profissão. Caso contrário, não demora muito e a televisão resgatará um aprendiz de comentarista. (Vinha bem, no canal pago. Ainda um tanto tímido, mas com potencial para deslanchar.)

 

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Lista de seleção brasileira que se preze tem de dar pano pra manga e provocar discussões. Aí, sim, são das boas, como manda a tradição. Desta vez, mais do que contestar nomes, a relação dos 23 convocados por Mano Menezes, no final da manhã, nos leva a uma constatação óbvia: o tal “projeto olímpico” é cascata, papo furado, nunca existiu. O que não é novidade, pois ocorreu o mesmo em gestões anteriores.

O treinador pescou aqui e ali jovens espalhados pelo mundo, com idade protocolar para participar dos Jogos – abaixo de 23 anos. A eles acrescentou seis acima dessa faixa etária (Daniel Alves, David Luiz, Jefferson, Thiago Silva, Marcelo e Hulk), dos quais três irão para Londres. Um grupo que jamais treinou junto fará quatro amistosos entre o final do mês e início de junho, se dissolve, se reúne mais adiante e…. seja o que Deus quiser!

O Brasil jamais prepara como deve um time de futebol para brigar pelo ouro olímpico. A preocupação se restringe à equipe principal – e assim mesmo com dificuldades e erros frequentes. O time olímpico fica relegado a segundo plano. Houve ocasiões em que se optou por escolher um clube como base (caso do Inter de Porto Alegre, em 1984) e mandá-lo, com alguns enxertos, como representante nacional. Ou mais comumente se escolhiam rapazes, promessas, candidatos a astros, sem maiores cobranças e iam ganhar experiência.

Nos últmos Jogos, porém, nem isso foi possível. Os convocados, embora jovens,  já ocupavam lugar de destaque em times estrangeiros e, em muitos casos, também serviam à seleção brasileira principal. Por isso, como tinham muitos compromissos ao longo da temporada, eram chamados em cima da hora e formavam uma espécie de catadão de luxo. Voltavam com uma ou outra medalha, de prata ou bronze.

Será assim mais uma vez. Mano levará para a Inglaterra um grupo de qualidade – ok, dá para rebater vários nomes – que tentará transformar em conjunto nos amistosos com Dinamarca, EUA, México e Argentina. Pouco tempo. Depois, rezará para que o entrosamento ocorra à medida que o torneio olímpico acontecer, já que na primeira fase pegará molezas como Egito, Bielo-rússia e Nova Zelândia.

Quer dizer, outra vez se aposta no talento, na sorte, no improviso. Pode até vir o ouro, não é perspectiva inimaginável. Se isso acontecer, não se diga que foi consequência de planejamento. Porque de planejamento estamos a zero. Muito menos se fale que foi reflexo da nova administração da CBF. Porque, tenho certeza, aparecerá puxa-saco para fazer tal afirmação.

PS1. O Santos que fique com as barbas de molho com o sonho do tetra na Libertadores, pois cederá Rafael, Ganso e Neymar numa fase de absoluta definição na competição continental. Fosse Luís Alvaro de Oliveira entraria em ação imediatamente.

PS2. Alexandre Pato?! O rapaz é bom, mas não joga! Só frequenta enfermarias. Mistérios…

PS3. Imaginar Ronaldinho Gaúcho nessa lista?! Nem com todo respeito que merece a história (antiga, não a recente) dele. Carta fora do baralho.

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11.maio.2012 12:27:48

A grande família*

No começo da madrugada de ontem, ocorreu episódio curioso. O Palmeiras havia acabado de golear o Paraná por 4 a 0, pela Copa do Brasil, e garantira classificação para as quartas de final. Daí vem o Felipão para a entrevista, no estádio de Barueri, e, em vez de exaltar a proeza da equipe, desce a lenha na diretoria do clube, por não contratar reforços de peso nem admitir em público que falta dinheiro. Não deu outra, na hora comecei a cantarolar o tema de A grande família: “Esta família é muito unida e também muito ouriçada. Brigam por qualquer razão e acabam pedindo perdão…”

É isso. O Palestra parece o seriado de sucesso da Globo – ou, para os mais antigos, é uma Família Trapo permanente, em que não faltam Zelonis e Golias a se enroscarem em discussões e trapalhadas. Pois, se pode imaginar outro lugar que não seja o Palmeiras, em que se comemora uma vitória importante com lavagem de roupa suja? Não conheço.

Felipão anda bravo, porque despencou sobre os ombros dele a bronca pelo fiasco de Fernandão, Ricardo Bueno, Tinga, Gerlei e outros menos votados que vieram e saíram do Parque Antártica sem deixar saudades. Sob a alegação de que os indicou ou todos contaram com seu aval. O que não deixa de ser verdade, pois o treinador participa do planejamento e da montagem do elenco.

Como também fazem parte desse processo o presidente, o diretor, o gerente de futebol e assessores afins. Quer dizer, não prevalece a vontade de um, seja técnico, seja cartola ou aspone. A chiadeira, no momento de alegria, foi a forma que Scolari encontrou para passar o recado claro de que não segura sozinho essa bucha. Ele entendeu que era melhor soltar o verbo em alta do que após derrota. Na segunda hipótese, a reação soaria como justificativa oportunista.

Felipão alegou também que tem mais identificação com o clube do que vários diretores. Só não deu nome aos bois. Quer saber? Não exagera. Desde que retornou, há quase dois anos, se meteu em muita confusão por não concordar com a inércia oficial. Partiu para a ação, porque outros ciscaram e fingiram que não era com eles. Cometeu bobagens, não duvido disso. Mas bobagens que sobraram pra ele porque quem deveria resolver tirou o corpo fora na hora H.

O desdobramento é óbvio: Felipão gasta energia em atividades extracurriculares, ao invés de concentrar-se na escolha da melhor estratégia para a equipe. E, por mais prestígio e carisma que tenha, o desgaste se torna inevitável.

A saída, então, é dar um pontapé nos fundilhos dele – epa, pareço o Valcke! – e chamar outro treinador? Não creio. Essa é solução simplista. O Palmeiras teve uma resma de ‘professores’ nos últimos anos – de promessas a monstros sagrados – e só acumulou frustrações, exceto o Paulista de 2008.

O problema é fora, nos bastidores. Trata-se de mudar mentalidade. A musiquinha do seriado diz “pirraça pai, pirraça mãe, pirraça filha…” Isso é engraçado na ficção, e com os atores de primeira linha da Globo. Num clube com história rica, e hoje carente, representa atraso de vida. Os cartolas, não sei; mas a torcida sofre.

Briga boa. Corinthians x Vasco será duelo empolgante nas quartas de final da Libertadores. Em 2011, chegaram à última rodada do Brasileiro em condições de ficar com o título; agora, é o tira-teima. O fato de se conhecerem ajuda e atrapalha a estratégia de cada um, pois não há segredos. Além disso, têm jogadores decisivos. Prognóstico difícil, se bem que o Corinthians mostra mais estabilidade.

*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, 11/5/2012.)

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Vitórias são importantes, sempre e em quaisquer circunstâncias. Mas há triunfos especiais. Os 2 a 1 sobre o Internacional, de virada, provavelmente eram o grande estímulo que o Fluminense precisava para crescer na Taça Libertadores. Ao eliminar um rival que conquistou duas vezes a competição foi uma prova de força que o tricolor deve usar para os duelos contra o Boca Juniors, rival nas quartas e ao já enfrentou na fase de grupos.

O segundo clássico entre brasileiros foi emocionante e tenso, sobretudo no primeiro tempo, quando surgiram os gols. O Inter apostava na possibilidade de marcar, para impedir a decisão por pênaltis e para colocar enorme pressão sobre os donos de casa. E conseguiu, aos 13, com Leandro Damião.

Não deu nem tempo de espalhar preocupação, porque dois minutos depois Thiago Neves levanta a bola na área, Fred pula junto com Leandro Euzébio e o zagueiro consegue o empate. O jogo ficou mais quente, o Inter um pouco assustado e tentando sair em contra-ataques. Teve uma chance com Oscar.

O equilíbrio foi desfeito no último lance da primeira fase. Outra vez, quase do mesmo lugar, Thiago Neves cobrou falta. A bola viajou, passeou sobre os zagueiros colorados e encontrou a cabeça de Fred: gol. Virada em momento psicológico oportuno.

O Inter tomou a iniciativa no segundo tempo, mas foi pouco eficiente. Dorival Junior trocou Datolo por Jajá aos 15 minutos e aos 35 colocou Jô no lugar de Tinga, tudo em nome de velocidade e pressão. O Flu perdeu Fred aos 25, por sentir contusão, e segurou o nervosismo. Foi  com Thiago Neves que teve a melhor chance, em cobrança de falta que tocou a trave esquerda.

O Fluminense se mantém na corrida por taça inédita – e embalado.  Pode  animar-se ainda mais com a conquista do título estadual do Rio. Bela fase.

 

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A Libertadores virou obsessão dos times brasileiros, como se fosse o suprassumo do futebol. Tá certo. O torneio é bacana, tradicional e charmoso. Mas tem horas em que parece festival de várzea, porque conta com uns times ruins de lascar. Como o Bolívar, que levou de 8 a 0 do Santos, na noite desta quinta-feira, na Vila Belmiro.

O time boliviano não tem nível nem para participar do Desafio ao Galo. Aliás, nem seria convidado; caso contrário, iria deslustrar a história do futebol, digamos, informal. Só não apanhou de mais, porque o Santos tirou o pé, brincou e desperdiçou oportunidades como se fosse treino. Se Neymar, Ganso e sua turma levassem a brincadeira a sério até o final, o Bolívar demoraria uns três dias para subir o morro e voltar para casa.

O Santos precisava fazer 1 a 0, para seguir adiante e descontar a derrota por 2 a 1 sofrida na altitude de La Paz. (Por isso, não dá pra desprezar, quando jogadores se queixam por atuar nos 3 mil e tantos metros da cidade.) Esse objetivo foi alcançado com apenas 5 minutos, com o gol marcado por Elano, um chute de fora da área, com efeito e que enganou o goleiro Arguello.

O gol foi suficiente para assustar os bolivianos. Que ficaram mais preocupados aos 22, com o gol de Neymar em cobrança de pênalti. Ganso, que reinava no meio-campo, deixou a marca dele, com um gol de letra aos 27. Teve mais: Alan Kardec aos 30 e Neymar, com a colaboração de Valverde, aos 36 minutos.

Por pouco não foi como nos desafios de criança, na base do vira 5, acaba 10. O Santos esteve perto disso, com os gols de Elano aos 5, Ganso (cobrança de falta) aos 7 e Borges aos 15. Houve mais tentativas, Arguello, apesar de tudo, defendeu algumas bolas, e dali em diante ficou evidente a preocupação santista de poupar-se para o segundo jogo com o Guarani.

Bom, poupar-se para o que não sei, pois no Paulista a conversa também está liquidada. O negócio mesmo é ficar de olho nos duelos com o Velez, nas quartas de final. Esse, sim, será rival encardido, chato, daqueles que darão trabalho. Se passar, ninguém segura o Santos rumo ao tetra.

 

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Você pensa que técnico vai pro espaço apenas no Brasil? Está enganado. Os europeus, tão incensados, já há algum tempo derrubaram o mito de que mantêm treinadores por períodos significativos. A Roma dá o exemplo mais recente para desmentir essa antiga imagem.

Menos de um ano atrás, o espanhol Luis Enrique desembarcou na capital da Itália com a missão de transformar a Roma numa espécie de Barcelona do calcio. O técnico chegou com referência importante, pois cuidava dos juvenis do badalado clube catalão. E não escondeu de ninguém que a intenção era revolucionar o futebol local. Os torcedores que aguardassem.

O respaldo vinha também da nova cúpula da Roma, negociada para um grupo comandado pelo norte-americano Thomas DiBenedetto, de origens italianas. O gringo ficou encantado com o desafio de Luis Enrique e deixou que seus representantes ‘domésticos’ cuidassem de tudo.

A aventura terminou nesta quinta-feira, 337 dias depois de o espanhol ter assinado contrato por duas temporadas. Luis Enrique reuniu jogadores e comissão técnica, após o treino da manhã, e avisou a todo mundo que estava deixando o barco. A despedida ocorre no domingo, na visita ao Cesena, na última rodada do Campeonato Italiano. Fala-se que Vincenzo Montella, ex-jogador romanista, pode ser o sucessor.

A passagem foi breve e frustrante. Luis Enrique não deu cara ao time, acumulou decepções (como as duas derrotas por 2 a 1 para a superrrival Lazio), levou várias surras (4 a 0 para Juventus, 4 a 1 para a Atalanta, 4 a 2 para Lecce e Cagliari), não disputou título nenhum e não se classificou nem para a próxima Liga Europa. Diante disso, admitiu que não se sentia mais à vontade para continuar. Ah, claro, também alegou que mulher e filho não se adaptaram a Roma.

O que isso significa? Duas coisas: 1 – é preciso parar com a história de vender a ideia de que qualquer time pode virar um Barcelona. A fórmula original não surgiu do nada nem deu certo por acaso. 2 –  ”Projeto” é a palavra mais oca e sem sentido no futebol.

Arrivederci!

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A história é velha, mas sempre dá o que pensar. Vagner Mancini demitiu-se do cargo de técnico do Cruzeiro minutos depois da eliminação na Copa do Brasil. A derrota em casa para o Atlético-PR foi a gota d’água para a saída, depois de sete meses de clube. O presidente Gilvan Tavares estava ao lado e ouviu a breve explicação do profissional que pegou o boné. Até aí, tudo se passou conforme manda o figurino nessas ocasiões.

O que me chamou a atenção veio em seguida. Mancini não queria da entrevista, mas cedeu à insistência dos repórteres, respondeu a duas perguntas e ficou mais um tempo na sala de imprensa para ouvir o que o cartola tinha a dizer. Tavares admitiu que vinha sendo pressionado, por manter o demissionário, e deixou escapar que o clube já negociava com “alguns nomes” para reposição. Epa!

Eis o ponto: o Cruzeiro tinha um técnico em atividade normal, pelo menos na aparência, mas paralelamente entrava em contato com este ou com aquele para sondar se topava o emprego. Quer dizer, enquanto ouvia palavras de conforto – sei lá, algo como “Confiamos em você” –, Mancini era fritado em fogo nada brando. Achava que tinha respaldo de gente que apostava em “projeto” e, pelas costas, estava sendo empurrado para a boca do forno.

Não quero discutir se o trabalho do Mancini era satisfatório. Estava na média, e dentro de limitações atuais do Cruzeiro, mas não vem ao caso. A questão é a seguinte: é correto fingir que tudo vai bem e manobrar para a queda do treinador? Não se trata de hipocrisia?

O episódio revela pela enésima vez como faltam confiança e respeito na relação entre treinador e clube – e isso é recíproco. Um e outro sabem, desde o início, que a parceria será marcada em geral por meias palavras, olhar enviesado e cobranças. São raros os dirigentes que seguram o rojão, quando o time oscila, e a solução mais óbvia é dispensar o técnico.

Fala-se que é da vida. Ok. Por isso, também, não se chamar um treinador de mercenário, se ele abandona o time durante uma competição por ter recebido oferta melhor. Como provavelmente ocorrerá com aquele que vier a ser contratado para o lugar de Mancini. E assim o círculo vicioso jamais se romperá. E ainda falam em profissionalismo, planejamento e outros blablablás sem conteúdo…

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O Palmeiras é um mistério difícil de ser decifrado. Quando deveria comemorar uma vitória tranquila, expõe as feridas e as discordâncias internas. Foi o que aconteceu na noite desta quarta-feira.

Poucos minutos depois da goleada de 4 a 0 sobre o Paraná e a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil, Felipão soltou os cachorros sobre a diretoria por causa de contratações. O treinador mais uma vez se mostrou magoado pela falta de reforços de bom nível e sugeriu que dirigentes deveriam vir a público e explicar para os torcedores que não há dinheiro para contratação. Em vez disso, deixam para ele a responsabilidade por indicar atletas de baixo custo e que não deram certo, casos de Gerlei, Ricardo Bueno, Fernandão e outros.

A reação de Felipão se encaixa bem num antigo ditado popular: “Em casa em que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão.” O Palmeiras faz tempo que não tem uma política agressiva de marketing e vive com dinheiro contadinho. Por extensão, não contrata jogadores de peso e, em consequência, não ganha títulos. Sem conquistas, arrecada menos… e assim o círculo vicioso se autoalimenta e o clube não sai do lugar. Ou melhor, perde terreno.

Junte-se a isso uma diretoria fraca, omissa em episódios importantes, e um treinador que faz tempo perdeu a paciência, e o resultado é esse saco de gatos em que se transformou o Palmeiras. Que pode até chegar à final da Copa do Brasil – o que considero difícil, neste momento –, mas que não se destaca por harmonia. Êta agremiação complicada!

O jogo. Dentro de campo, a tarefa foi tranquila. Sustos só no início, quando o Paraná tentou aproveitar contra-ataques e teve uma chance com Douglas Tanque. Mas o primeiro gol, de Mazinho aos 25 minutos, esfriou o adversário e o Palmeiras não se sentiu mais ameaçado. Bobagem, mesmo, só a de Henrique, que se desentendeu com o Tanque e ambos foram expulsos.

No segundo tempo, Felipão tirou Barcos e colocou Roman, para recompor a zaga, e confiou nos lançamentos de Marcos Assunção e na movimentação de Mazinho. Deu certo: um passou, o outro completou para o gol, aos 6 minutos. Missão cumprida, que teve ainda os gols de Valdivia aos 16 e Maikon Leite aos 27 só para virar festa para o torcedor.

O desafio será maior, na próxima fase, pois pega o Atlético, outro paranaense e que vem embalada por desclassificar (e deixar em crise) o Cruzeiro.

 

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