Inacreditável o que acontece com o Flamengo. O clube com maior torcida do Brasil, com irrefutável apelo popular, superexposto na mídia e com história de sucesso, estreia logo mais no Brasileiro e não consegue fechar patrocínio à sua altura. Em vez de ter uma logomarca forte estampada em sua camisa, parte para o loteamento do uniforme, essa praga recente do futebol brasileiro, e arrecada uns trocados no varejo. Como é possível isso?!
É constrangedora a dificuldade rubro-negra para encontrar uma empresa disposta a fazer parceria publicitária. O bom senso e a lógica indicam que um dos mantos sagrados mais importantes do futebol mundial teria apelo suficiente para fazer investidores se estapearem para o privilégio de aparecerem nele. No entanto, o que se vê é uma penúria danada para arranjar pequenos anúncios, quase como classificados de jornal, para preencher espaços.
Alega-se que os valores propostos não satisfazem as exigências do clube, ou que há percentuais altos a serem pagos para intermediários. As duas explicações são preocupantes. Mesmo em época de crise econômica – o que não é o caso aqui no Brasil –, os grandes anunciantes não se recusam a colocar dinheiro em negócios rentáveis. E o Flamengo, até prova em contrário, significa retorno garantido.
Segundo aspecto: como imaginar que uma empresa como essa tenha a necessidade de recorrer ao auxílio de mediadores para obter seu patrocínio? Flamenguistas de peso não faltam no mercado para emprestar seu talento nessa tarefa. Onde se escondem? Ou não têm espaço para colaborar no clube? A palavra é dos dirigentes.
Enquanto isso, a saída é tornar a camisa poluída, para amealhar um dinheiro aqui, outro ali, para despesas mais imediatas. Grana insuficiente, por exemplo, para quitar a dívida com Ronaldinho, seu nome mais caro. E dá-lhe, também, dependência da verba da televisão.
E pensar que se trata de Flamengo e não de um desconhecido e amador time de fundo de quintal…
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Você vai acompanhar hoje a final da Copa dos Campeões da Europa? Se curte futebol, arrumará um espaço na agenda e reservará parte do sábado para ver o que aprontarão Bayern e Chelsea, em Munique. Vale a pena, a festa costuma ser boa e com doses de emoção. Pra mim não há favorito, mas os alemães têm a vantagem de jogarem em casa. Isso pode contar.
Seja qual for o campeão, será legítimo e merecido. Não houve polêmica a cercar a trajetória de nenhum dos dois pretendentes ao orelhudo troféu. Desta vez, não se pode dizer que este ou aquele foi protegido, que a arbitragem favoreceu e coisas do gênero. Ganharam o direito de ir ao capítulo decisivo por méritos dentro de campo.
Já se discutiu muito a respeito da semifinal. Dei minha opinião, aqui no blog, na coluna no Estadão e na ESPN. Não escondo que, para minhas convicções, preferia ver o Barcelona outra vez na reta de chegada. Pelo futebol tecnicamente (quase) impecável e pela beleza, o time catalão é o que mais me encantou nos últimos anos. Me fez viajar no tempo e recordar de época em que se via, por aqui, qualidade semelhante.
Mas esbarrou em ferrolho do Chelsea, perdeu uma e empatou outra. Enfim, faltou-lhe aquela centelha de fantasia e eficiência que cintilou em outros momentos. Uma pena para Messi e seus acólitos. Porém, em nenhum instante isso tirou o valor do Chelsea. Só o considero menos glamouroso do que o Barça – e aí não vai demérito para ninguém.
O Real também despontava como forte candidato, pelo que fez na temporada. José Mourinho montou uma equipe agressiva, goleadora. Que, no entanto, não superou o entusiasmo do Bayern, com quem fez dois jogos muito equilibrados. O time bávaro pode não ser também tão charmoso quanto o espanhol, mas tem técnica. Em minha opinião, até melhor que o Chelsea.
Os dois finalistas sofreram baixas, o que nivela ainda mais o tira-teima deste sábado. Não se deve desprezar o currículo do Bayern, em sua nona final – ganhou quatro e perdeu outras tantas. O Chelsea, que tenta se estabelecer entre os grandes do continente, vai à segunda decisão (caiu em 2008 diante do Manchester United).
Jogo pra ver – e depois de olho no Brasileirão.
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O estádio de Munique amanhã será centro de atenção internacional, ao hospedar o duelo entre Bayern e Chelsea, na final da Copa dos Campeões da Uefa, o mais badalado torneio de futebol que existe por aí, fora o próprio Mundial. Não há a menor dúvida de que será espetáculo bonito, bem organizado. Um programão, que vou ver pela tevê e aplaudir.
Mas reservarei adrenalina e emoção em porções generosas para a largada do Campeonato Brasileiro, hoje com o pontapé inicial na tensa Série B e neste sábado com três jogos da Série A. Essas partidas fazem minha cabeça, mexem comigo. E assim se repetirá até dezembro, como ocorre pontualmente desde que fui fisgado por esporte tão fascinante em algum momento perdido no tempo.
Como é que é?! Acha que estou maluco por admitir que a bolinha daqui desperta paixão maior do que a bolona dos gringos? Pois digo que é isso mesmo. Pelo menos pra mim. Admiro a estrutura dos europeus, reconheço que têm clubes poderosos e que se valem inteligentemente da qualidade de artistas importados da América Latina. Já nos últimos suspiros dos anos 1970, defendia aqui no Estado a necessidade de a seção de Esportes (então, ainda não tínhamos um caderno) dar espaço maior para o futebol internacional. Sobretudo da Itália, que na época era a meca dos boleiros em busca de fama e grana. Portanto, não sou xenófobo nem tenho nada contra a globalização do joguinho de bola.
Mas meu coração continua fiel às equipes de cá. Nem ligo se alguém considerar nacionalista esta postura – acharia mais simpático classificá-la de bairrista. Tenho a respaldá-la um gênio que sabia das coisas. Leon Tolstoi era russo, viveu em grande parte do século 19, tinha ligação profunda com o país dele e se tornou um dos maiores nomes da literatura ao abordar temas domésticos. O autor do monumental Guerra e Paz legou frases de primeira – uma que corre mundo até hoje dizia: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia.”
Com interpretação livre do que afirmou o pai de Anna Karenina, a gente tende a crescer o olho para o que tem no vizinho e esquece de belezas que estão ao nosso alcance. Assim é no futebol. Consideramos os campeonatos estrangeiros, quaisquer sejam eles, a oitava maravilha da natureza. São sempre melhores, mesmo que não sejam… Já me conformei com a existência por estas bandas de brazucas a torcer por Milan, Manchester, Real, Barcelona. São multinacionais. Mas, se bobear, temos fãs-clubes dos Fulham, Lecce, Sochaux, Villarreal, Shakhtar da vida. Dose pra mamute.
Pois a minha aldeia é formada pelo São Paulo e sua obsessão de chegar ao hepta, pelo Corinthians e o desejo de igualar os seis títulos tricolores, pelo Santos e sua moçada de ouro, pelo Palmeiras e o sonho de retornar aos dias de glória, pelo Bahia e sua torcida eternamente otimista, pelo Internacional e o tetra que persegue desde a campanha invicta de 1979. Estou ansioso para ver o que Lusa, Ponte Preta, Atlético-GO, Sport, Figueirense, Coritiba poderão aprontar, ou como alguns tentarão salvar-se. O Flu é forte e o Fla, imprevisível, assim como o Botafogo. E assim por diante.
Não espero o maior espetáculo da Terra, nem sou tonto de achar que nosso futebol retomou patamar técnico de décadas atrás. Mas há mudanças em curso, dinheiro tem entrado (no caso da tevê de forma perigosamente desproporcional) e clubes ousados retêm as estrelas. Mesmo que houvesse pindaíba total, nada se iguala ao prazer de ver meu time em campo. É time brasileiro. E o seu?
*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, 18/5/2012.)
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Espero que os desdobramentos não sejam terríveis, mas Santos e Fluminense cometeram erro grave, nesta quinta-feira, nos duelos contra argentinos. Ambos perderam por 1 a 0 – para Velez Sarsfield e Boca, respectivamente – no primeiro duelo das quartas de final e fazem em casa o jogo de volta. Mas pressionados, porque jamais se pode vacilar contra os hermanos.
E tanto um quanto outro escorregaram. O Fluminense jogou mais cedo e, pelos 20 minutos iniciais, deu a impressão de que não se abalaria com o sufoco em La Bombonera. A moçada de Abel Braga foi pra cima, encarou o temível Boca de igual para igual, incomodou o goleiro Orion e teve até chance muito boa com Jean. Parecia que os demolidores de brasileiros seriam enquadrados sem muita cerimônia, como ocorreu na fase de grupos.
Sensação falsa. Com o tempo, o Boca baixou o entusiasmo tricolor, colocou a bola no chão, aproximou-se da área e deu trabalho para Diego Cavalieri. O goleiro foi um dos melhores em campo. Bem diferente de Carlinhos, que cometeu duas bobagens seguidas, mereceu o vermelho e deixou o time com um a menos aos 33 minutos do primeiro tempo.
Jogar com 11 contra o Boca já é complicado; com 10, a tarefa redobra. Os argentinos mandaram na etapa final, criaram oportunidades, cansaram Diego e chegaram ao gol da vitória com Mouche, aos 6 minutos. O Flu sentiu, também, a ausência dos contundidos Deco e Fred, numa noite em que Rafael Sóbis e Rafael Moura negaram fogo. Brasileiros reclamaram da arbitragem, mas devem tratar de jogar mais bola na volta para superar a desvantagem.
Bola também o Santos ficou a dever no duelo com o Velez Sarsfield, para fechar a noite e a primeira perna desta fase da Libertadores. Houve equilíbrio no primeiro tempo, mesmo com Neymar e Ganso bem marcados, e apesar do gol, marcado por Obolo, em descuido geral, da zaga e de Rafael, que ficou em dúvida se saía ou não para tentar a defesa pelo alto.
Os argentinos foram mais eficientes na etapa final – e o Santos tem de agradecer aos céus por não ter tomado outros gols. E também a Rafael, que fez defesas difíceis. Embora com força máxima, o tricampeão paulista percebeu o quanto depende de suas duas estrelas principais. Quando a dupla Neymar/Ganso está apagada ou bem vigiada, a criatividade cai a níveis baixíssimos.
Tem a volta, na Vila ou no Pacaembu, e tomara que represente o retorno do futebol envolvente de quem ainda se mantém como candidato ao quarto título continental. Mas o torcedor santista pode preparar doses adicionais de calmante, pois esse time argentino é chato. Escrevi isso dias atrás e teve quem duvidou…
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O empate de 0 a 0 no primeiro duelo brasileiro nas quartas de final desta edição da Taça Libertadores não surpreendeu. Vasco e Corinthians de certa forma seguiram o roteiro que se imaginava para confrontos em que o equilíbrio seria a marca registrada. Pra piorar, a chuva castigou o gramado de São Januário e tornou qualquer vacilo mais perigoso. Então, como ninguém se arriscou além da conta, as emoções decisivas ficaram para quarta-feira que vem, no clássico marcado para o Pacaembu.
O Corinthians não inovou em sua maneira de jogar. Ou melhor, mudou um pouco, já que Alex no primeiro tempo ficou um pouco mais no meio, como referência no ataque. Já Danilo e Emerson, assim como Jorge Henrique, se ocuparam em ajudar Ralf e Paulinho na marcação. Em resumo, Tite não escondeu que preferia sua equipe fechadinha, forte na defesa e eficiente nos contragolpes. Que no primeiro tempo praticamente não surgiram. Fernando Prass assistiu ao jogo.
O Vasco não foi muito mais atrevido. Juninho e Rômulo tiveram função tática importante, ao segurar Ralf e Paulinho, e largaram para Diego Souza, Éder Luís e Alecsandro a responsabilidade de incomodar Cássio. O trio também pouco apareceu na primeira parte do duelo. Ou seja, também foram barrados pelos fieis marcadores alvinegros. Resultado disso tudo? Um primeiro tempo insosso, para quem esperava jogadas especiais, pela qualidade e experiência de muitos que estavam em campo.
Ficou evidente que prevaleceu o medo recíproco de tomar gol. Temor em parte afastado na etapa final, melhor, mais movimentada e com chances para ambos os lados. A melhor para o Vasco foi aos 9, com lançamento de Diego Souza que pegou Éder Luís livre; o atacante entrou na área e chutou fraquinho. A mais perigoso para o Corinthians surgiu aos 14, em cabeçada de Jorge Henrique que Prass defendeu com os pés.
Aos 25 minutos, o lance com mais adrenalina: Alecsandro cabeceou para o gol, mas não valeu, por impedimento. Lanche muito difícil, que provocou constatações diferentes dos tira-teimas de emissoras que transmitem a competição continental. Para um, foi legal; para o outro, impedimento. Se até a tecnologia não chega a uma conclusão precisa, não há como condenar o olhar humano do bandeirinha.
A cautela prevaleceu nos minutos finais – e os jogadores se convenceram que, assim como no início, não valia a pena ir à frente com tudo. Todos confiam na habilidade, na tática e na sorte para a volta. Por isso, clássico no máximo nota 6.
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O Atlético-PR ficou duas vezes em vantagem, no jogo disputado com o Palmeiras, na noite desta quarta-feira, em Curitiba. E cedeu em ambas. O empate por 2 a 2, no jogo de abertura das quartas de final da Copa do Brasil, foi bom para o time paulista e transfere para o paranaense a responsabilidade no duelo de volta, na semana que vem em São Paulo. A rapaziada de Felipão se garante até com igualdade por 1 a 1. Vitória serve para qualquer lado.
O jogo foi movimentado, quente (apesar do tempo frio), com arbitragem confusa do catarinense Paulo Henrique Bezerra e com várias momentos de emoção. O Palmeiras falhou seguidamente na marcação, na primeira parte da etapa inicial, e deixou o Atlético-PR descer com frequência para o ataque. A consequência foi o gol de Bruno Mineiro aos 16.
O alviverde percebeu que a tática de manter-se atrás seria inútil, arriscou e empatou com bonito gol de Barcos aos 21. Mal teve tempo para comemorar e aos 23 Edigar Junio deixou o Atlético-PR de novo em vantagem, mas em jogada que começou com lançamento para Guerron em impedimento. Os palmeirenses reclamaram, sem merecer a atenção do juiz.
Como chiaram também com empurrão que Cicinho teria sofrido na área, na tentativa de pegar rebote de bola que bateu no travessão, depois de cobrança de Marcos Assunção. O Atlético desperdiçou, com Liguera, a chance de ir para o intervalo com 3 a 1, pois o uruguaio perdeu chance praticamente na cara do goleiro Bruno.
O jogo teve panorama diferente na segunda fase, quando Felipão resolveu tirar João Vítor e Mazinho e colocou Luan e Maikon Leite. Os dois que entraram fizeram o time tornar-se mais leve e ágil. O Atlético sentiu a pressão, naturalmente se encolheu e tomou o empate definitivo, em chute forte de Maikon Leite. Pouco antes, o Palmeiras tinha mandado outra bola na trave.
A torcida paranaense reclamou com o técnico Carrasco (expulso por empurrar Valdivia numa reposição de bola), por perceber que o Atlético-PR poderia ter vencido. Os fãs do Palmeiras notaram o óbvio: com menos volantes, e com Valdivia inspirado, fica mais vibrante e ousado.
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As quartas de final da Taça Libertadores vão pegar fogo. Há pelo menos três confrontos quentes: Vasco x Corinthians, Santos x Velez Sarsfield e Fluminense x Boca. O outro, Universidad de Chile x Libertad, é menos charmoso. Dos quatro, porém, o que me chama mais a atenção é o clássico brasileiro. Justamente por ser entre times daqui.
Vasco e Corinthians farão tira-teima e tanto. No ano passado, ambos chegaram à última rodada do Brasileiro como os únicos em condições de fazer a festa do título. O Corinthians se deu melhor, você lembra. Mas o Vasco fechou a temporada com saldo positivo, pois tinha levantado a Copa do Brasil e fez bonito também na Sul-Americana.
Vejo muita semelhança nos dois. Principalmente no que se refere a jogadores experientes. Um e outro têm gente capaz de decidir. Não dá pra desprezar a criatividade de Felipe, Juninho Pernambucano e Diego Souza. Nem a mobilidade de Danilo, Alex, Emerson. Fora outros coadjuvantes de peso.
Arriscar palpite é uma casca de banana daquelas, quando jogam equipes do mesmo país e com história rica com a dos dois. O que pode pesar em favor do Corinthians é a eficiência do sistema defensivo. Já faz tempo que essa é característica marcante da equipe. Repare que nem sempre tem espetáculo, é comum o placar de 1 a 0. O Corinthians é avarento no quesito “gol”. Mas também é complicado ser vazado.
O jogo de amanhã vai ser ótimo sinalizador do caminho para essa disputa que vai colocar um brasileiro na semifinal. O Vasco sabe que precisa de um placar que lhe permita folga na volta em São Paulo. E, se não tem a defesa estável como a corintiana (e Dedé continua a fazer falta), tem mais “fantasia” no ataque.
Besteira, mesmo, é essa história de guerra entre torcidas. Não faz sentido isso de matar e morrer por causa de futebol. Quantos ainda vão perder a vida até entenderem a inutilidade dessa guerrilha?
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Paulo Roberto Falcão é nome de peso e importante no futebol brasileiro. Como jogador, foi um meio-campo muito acima da média; classificá-lo como craque não seria exagero. Como comentarista, teve trajetória serena. Como técnico, o início parecia promissor, ao assumir a seleção em 1990, mas depois desandou, treinou alguns times aqui e ali, hibernou na profissão por quase duas décadas, até retornar no ano passado no Internacional.
A passagem pelo clube do coração, em Porto Alegre, foi breve – após os primeiros insucessos a diretoria o dispensou. E mais um ano se passou até desembarcar em Salvador para o desafio de dirigir o Bahia. Chegou discretamente e, alguns meses depois, fez a festa de campeão baiano, com um ataque arrasador e que pôs fim a jejum de 11 anos.
Falcão inicia em alta a semana de preparação para a estreia no Campeonato Brasileiro, em que o Bahia não pretende ser apenas coadjuvante. A taça doméstica dá moral à equipe e a seu condutor, e ambos precisavam dessa injeção de adrenalina. O Bahia, por ser clube de massa e que por muito tempo andou por baixo. Falcão, por defender propostas atrevidas, por ser um fidalgo e também porque sua capacidade como treinador gerou interrogações.
O Bahia pode não jogar o fino da bola, como seu “professor” fazia nos tempos em que desfilava pelos gramados. Mas mostra mais serenidade, melhorou o toque de bola e passa esperança para seu torcedor. Falcão também cedeu um pouco, digamos assim, ao trocar o perfil de lorde inglês (continua impecável nos trajes), por comportamento mais vibrante à beira do campo. Tão empolgado que foi expulso nas últimas duas partidas da equipe. Pelo menos, está mostrando sangue quente…
Enfim, eis o título de campeão baiano teve efeito duplamente positivo. Que faça bem para a instituição e para o Rei de Roma, que muitos agora ensaiam chamar de Rei da Bahia. Deferência que Falcão, com tato e prudência, rechaça. Por enquanto, por enquanto…
Tags: Bahia, Campeonato Baiano, Campeonato Brasileiro, Paulo Roberto Falcão
Dia das Mães é especial por definição. Mas este aqui passou da conta. Começou pela manhã, com o título do Manchester City nos descontos, e o monte de despedidas na Itália: Del Piero, Inzaghi, Nesta, Gattuso… E continuou com as decisões estaduais.
Estou zonzo de tanto zapear aqui e ali, para acompanhar na medida do possível o que rolou pelo Brasil. Gastei um jogo de pilhas palito do controle remoto. Mas valeu a pena seguir emoção em diversos estádios e ver a injeção de ânimo que a taça doméstica representa para aqueles que a levaram para casa.
Um desses times certamente é o Atlético-MG. O Galo ficou de crista meio baixa, com a eliminação na Copa do Brasil, nos confrontos com o Goiás. Já se ensaiava crise e tinha quem apostasse na saída de Cuca. O rumo seria definido no duelo com o América, neste domingo, com o peso do1 a1 de sete dias atrás.
Mas não houve perigo nenhum. O Galo praticamente desatou o nó no primeiro tempo, com os gols de Serginho (aproveitou rebote no travessão) e Bernard aos 39. O próprio Bernard fez o terceiro aos 31 do segundo tempo, também depois de rebatida no poste. O Galo conquistou o título invicto e a diretoria disse que Cuca continua. Está na hora de voltar a ser ator principal no Campeonato Brasileiro…
Em Pernambuco. Emocionante a proeza também do Santa Cruz, que bateu o Sport por3 a2 na Ilha do Retiro. Jogo corrido, tenso, placar aberto até o finalzinho. Branquinho aos 12 fez1 a0 para o Santa e Moacir empatou aos 13. Só que Dênis Marques colocou o Santa Cruz em vantagem de novo, aos 39, e Luciano Henrique aumentou a diferença aos 29 da etapa final. Edcarlos aos 38 diminuiu e incendiou o público. Mas não deu para o Sport, que viu o rival festejar o bicampeonato e ainda perdeu o técnico Mazzola Júnior, que entregou o cargo. Justamente na semana de estreia no campeonato nacional.
No Paraná. O futebol paranaense também tem tricampeão. O Coritiba levantou a taça com os5 a4 nos pênaltis sobre o Atlético-PR, depois do0 a0 no tempo normal e2 a2 na semana passada. Clássico amarrado, com poucas chances de gol e raros momentos em que os goleiros foram exigidos. Mas Vanderlei, do Coritiba, teve seu episódio de glória, ao defender a cobrança de Guerron (o quarto a chutar) e assim garantiu a vantagem que ajudou o Coritiba a levantar a taça. O Coxa é outro que entra embalado na Série A.
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O segundo clássico da decisão do Campeonato Carioca foi, na prática, um ensaio para os dois novos jogos que o Fluminense fará contra o Boca Juniors, pelas quartas de final da Taça Libertadores. Depois dos4 a1 da semana passada, só com muita fé para acreditar em reação estupenda do Botafogo. A conta era favorável demais aos tricolores e ficou ainda maior com o1 a0 e a conquista do estadual.
O Botafogo entrou com duas toneladas de peso nas costas. Primeiro, foi a castanhada de uma semana atrás e a obrigação de fazer pelo menos3 a0. Depois, os2 a1 para o Vitória, que o tiraram do caminho da inédita conquista na Copa do Brasil. Tropeçadas doídas em poucos dias, difícil de ignorar.
Mesmo assim, até que tentou a reviravolta e foi à frente. Bastou metade de primeiro tempo para perceber que a façanha ficaria para outra ocasião. O Fluminense soube segurar bem qualquer resquício de ânimo do adversário, para não correr risco nenhum. E esse foi seu maior mérito, num campo pesado e com compromisso internacional pela frente.
Para aumentar a cautela, Deco sentiu dores, saiu e deixa no ar outra interrogação. Já tem a baixa certa do Fred. Complicado perder outro jogador essencial ao esquema do Abel. Por isso, o Flu não acelerou, apostou no tempo (e no placar) que lhe era favorável e se acalmou de vez com o gol de Rafael Moura aos 17 minutos. Ali acabou a decisão.
Costumo dizer na televisão que não gosto de argentinos. Pura provocação e dor de cotovelo. Eles são ótimos, sabem jogar bola como poucos e, no caso do Boca Juniors, impõem respeito e até metem medo com merecimento. Ainda assim, dá para acreditar na possibilidade de o Flu chegar às semifinais.
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