ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

O clássico deste domingo no Pacaembu poderia ter como subtítulo “Como demolir um time em seis minutos”. Pois foi o que aconteceu. O Palmeiras dominou o primeiro tempo, criou mais chances além do 1 a 0 obtido em chute de Marcos Assunção, mas ruiu no início da etapa final. Em dois lances de bola parada, o Corinthians virou (Paulinho e Márcio Araújo contra) e comandou a partida até o final. Recuperou a liderança da competição com méritos e terminou com o último invicto.

O Palmeiras da primeira parte do clássico foi quase impecável: marcou bem, acelerou o ritmo quando tinha a bola, seu meio-campo foi atento e os atacantes se deslocavam. Barcos aos 9 minutos ficou livre na área e cabeceou para fora. Aos 17, Marcos Assunção castigou Júlio César com um fogo e Valdivia quase no final recebeu livre, driblou o goleiro e perdeu o ângulo na hora de concluir. Perfeito.

Tudo mudou na etapa final. O Corinthians voltou mais rápido e menos disposto a assistir ao adversário jogar. Bastaram duas cobranças de falta para mudar tudo. Na primeira, aos 3 minutos, a bola bateu em Márcio Araújo, depois de resvalar na cabeça de Liedson, e sobrou para Paulinho só empurrar para o gol. Três minutos depois, em nova falta, Márcio Araújo tentou antecipar-se a Liedson e tocou para o gol.

Pronto, acabou o Palmeiras. O time de Felipão repetiu as panes que o derrubaram no ano passado, não se achou mais em campo, bateu o complexo de inferioridade e o Corinthians só não fez mais porque Jorge Henrique e Liedson desperdiçaram oportunidades. O esboço de reação verde veio no final, com cobranças de Marcos Assunção – numa Henrique desviou de cabeça para fora e noutra Júlio César pegou.

Os dois times mostraram, numa situação extrema, como ainda vivem situações distintas. O Palmeiras se deixa tomar pelo pânico e não tem forças para sair de saia-justa. O Corinthians, mesmo sem encantar, se supera na vontade, na pressão; cresce na adversidade. Não é por acaso que recuperou o primeiro lugar no Paulista.

Mas agora vamos reconhecer: como festejar o futebol, se fora de campo bandos se matam em nome da paixão por um clube? Até quando isso vai acontecer, sem que se faça algo para tirar de circulação assassinos em potencial – e de fato?

Tags: , , , , , ,

Comentários (46) | comente

25.março.2012 11:06:44

Um jogo diferente*

Um dos nossos esportes favoritos é descer a lenha no Campeonato Paulista e nos estaduais em geral. Concordo que a maioria dessas competições sofre de anorexia esportiva e desencanta defensores convictos delas, dentre os quais me incluo. Já levei cada invertida por defendê-las! Mas os cartolas, em sua teimosia e autossuficiência, apostam em fórmula estapafúrdias e têm dado jeito de tornar cada vez mais difícil arranjar argumentos que lhes sejam favoráveis.

Independentemente da inanição criativa dos torneios domésticos, não dá para ostentar ar indiferente quando se trata de Corinthians x Palmeiras. Sei que, para a moçada destes tempos cibernéticos, o duelo entre Corinthians e São Paulo ganhou importância significativa. Fama justificada, por aquilo que os dois times têm conquistado nas últimas décadas. Mas, como sou da época da tevê em branco e preto, da máquina de escrever, de chamar os mais velhos de “senhor” e de levantar-se pé assim que o professor entrava na sala de aula, fico numa tremenda expectativa ao se aproximar o dérbi paulista.

(“Eu também, eu também!”, responde aqui do lado o Nilson Pasquinelli, diagramador do Estadão muito mais novo do que eu e que, mesmo assim, não troca um Palmeiras x Corinthians por nenhum outro jogo no mundo. O Nilsão não vale muito como exemplo, porque para o sangue verde dele só existem o Palestra e quem jogar contra o Timão.)

Trata-se de jogo diferente, com folclore e mitologia particulares, acompanha as modificações da cidade de São Paulo na maior parte do século passado. Tem a ver com a trajetória dos imigrantes italianos e com a classe operária. Foi assunto de literatura (se puder, leia o conto “Corinthians 2, Palestra 1″, de António de Alcântara Machado, em Novelas Paulistanas), de música, de cinema (“Dona, a senhora não sabe o que é um Palmeiras x Corinthians”, diz Lima Duarte, ‘técnico’ do Palmeiras, em um dos episódios de Boleiros, do nosso Ugo Giorgetti). Mereceu teses acadêmicas.

Importa pouco o motivo pelos quais os dois se encontram. Tanto faz se é Libertadores, Paulistão, Brasileiro, Copa do Brasil, amistoso. Para muitos milhões de corintianos e palestrinos equivale a final de Mundial. Que Barcelona, que nada! Que Manchester United, o quê! Um dos prazeres da vida é ganhar o clássico. Pergunte a um Fiel se ele esquece das embaixadinhas do Edílson na decisão do Paulista de 1999 e a confusão que arrumou com a turma verde? Veja se um palmeirense não se emociona ao recordar Marcos voando na bola chutada por Marcelinho Carioca nos pênaltis da Libertadores de 2000? Lances de antologia, momentos eternos.

Por isso, Felipão e Tite não baixam a guarda para o jogo desta tarde, que tem o Pacaembu como palco. E Palmeiras x Corinthians que se preze tem de ser no venerando e insuperável “Paulo Machado de Carvalho”. Os treinadores mandam a campo o que têm de melhor, sem esse papo de cansaço ou rodízio. Eles optam por força máxima por respeito à história do confronto e por entenderem o quanto significa a vitória. Não se joga a liderança, não está em evidência o duelo entre melhor ataque e a defesa menos vazada. Não conta muito a bela invencibilidade alviverde. Tudo isso é bacana, mas não fundamental.

O dérbi tem fascínio próprio, é mágico. Podem os dois times entrar com um bando de pernas de pau que ainda assim vão cativar. O encanto da mistura de verde, branco e preto é inexplicável. Só palmeirenses e corintianos conseguem senti-lo.

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 25/3/2012.)

Tags: , , , , , ,

Comentários (14) | comente

24.março.2012 17:45:51

O enigma Luís Fabiano

Notícia nova com cara de velha no São Paulo: Luís Fabiano não joga por causa de contusão. Agora na coxa. O centroavante foi vetado neste sábado, fica fora da partida com o Mirassol no domingo e não há previsão de retorno. Precisa passar por exames e já faz tratamento. Ele tentava engatar sequência e fez 6 gols em apresentações recentes.

Não é a primeira vez, em 2012, que Luís Fabiano baixa na enfermaria tricolor. No começo do ano, também por problema na coxa, desfalcou o time por nove partidas. Seguiu a rotina de praxe, até ser liberado com a perspectiva de finalmente não sair mais do time. O que vem tentando desde o ano passado, quando voltou ao Morumbi. Pelo jeito, ficará para depois…

A trajetória recente de “Fabigol” no São Paulo não entusiasma. Foram muitos meses de afastamento, em 2011, em consequência de operação e sequelas. Depois, emperrou em limitações físicas, acabou a temporada anterior com retrospecto discretíssimo e a esperança de que tudo seria diferente a partir de janeiro. Por enquanto, não é.

Luís Fabiano virou um enigma, um mistério, uma interrogação. Não se questiona a qualidade dele, muito menos a importância para o clube. O que tem acontecido, então, é um lamentável, porém possível, acúmulo de infortúnios? Uma onda de azar? Uma fase em que precisa de benzedeira para afastar mau olhado? Ou tem caroço embaixo desse angu?

Tags: ,

Comentários (23) | comente

Amanhã, sábado 24 de março de 2012, é uma data triste para o futebol de Campinas – ou, pior, para uma das mais importantes cidades paulistas. Ponte Preta e Guarani fazem, no Moisés Lucarelli, provavelmente o último dérbi local com divisão de torcidas. A partir do próximo encontro, seja lá em qual competição for, será permitida presença apenas de fãs do time mandante. Os rivais terão de contentar-se de seguir o jogo por rádio e eventualmente tevê.

A causa para essa medida extrema foram os constantes conflitos de torcedores das duas equipes, das mais tradicionais de São Paulo. Sempre que os times se enfrentam, há confusão. A mais recente ocorreu há uma semana, provocou a morte de um rapaz que torcia para o Bugre e foi consequência de briga por causa de jogos de Sub 15! Absurdo.

Dirigentes de Ponte e Guarani, mais PM e prefeitura de Campinas optaram pela alternativa da torcida única. O que não é novo e já ocorreu, por exemplo, na Argentina, com River x Boca Juniors. Mas é sempre medida extrema, melancólica, que não extirpa o mal, pois os torcedores podem marcar encontro após a partida. E acima de tudo é atestado de derrota do Esporte e da Sociedade.

O Estado tem de ser capaz de garantir segurança para os cidadãos – quando isso não ocorre passa recado de impotência. Uma sensação que entristece as pessoas de bem e encoraja aqueles que veem na violência a única forma de impor-se. É como se dissessem: desculpem, masnão temos como combater os vândalos. Estamos nas mãos deles.

Antes de optar por torcida única era melhor, mais eficiente e edificante, que houvesse união de forças para descobrir quem espalha terror, quem afugenta os bons torcedores dos estádios, quem mata supostamente em nome da paixão por um time. É tão difícil assim detectar onde está o mal?

 

Tags: ,

Comentários (19) | comente

O Santos firme na trilha do tetra na Taça Libertadores. O escorregão da estreia, diante do The Strongest, foi compensado com três vitórias seguidas, uma sobre Internacional e duas diante do Juan Aurich, a última na noite desta quinta-feira num Pacaembu encharcado: 2 a 0, sem dramas. O obstáculo maior foi a chuva, que provocou até interrupção de energia elétrica no intervalo e fez a torcida ir pra casa bem depois de meia-noite.

O time peruano é fraquinho de dar dó. E exemplo de como o gigantismo da Libertadores, inchada por razões comerciais, prejudica a qualidade. Em circunstância normal, não disputava nem a Série C do Brasileiro. E não vai aqui nenhum preconceito; trata-se apenas de constatação. É um time que teve um bom momento no país dele, mas sem estofo técnico para um torneio continental.

Muito menos para segurar o Santos. Foi assim no jogo de ida, foi dessa maneira no confronto de volta. O Santos deu as cartas desde o início e só não acelerou como se esperava porque com pouco mais de dez minutos desabou temporal  de molhar até pensamento. Mesmo assim, ficou em vantagem com o gol de Edu Dracena aos 15 minutos. Ao Juan Aurich restaram como alternativas fechar-se a fazer faltas. Rafael assistiu ao jogo e ficou pulando de um lado para o outro para manter-se aquecido.

O segundo tempo demorou para começar por causa da black-out parcial, em duas torres de iluminação. Quando a bola voltou a rolar, o Santos não alterou sua autoridade, tocou a bola como quis e fez o segundo com Neymar, aos 13. Sem stress, criou mais algumas chances, desperdiçou-as e tentou safar-se das botinadas de zagueiros peruanos irritados com a incapacidade para frear Neymar & Cia.

O Santos volta para a Baixada com 9 pontos e a liderança no Grupo 1.  Inter e The Strongest têm 7. A chave está fácil para os brasileiros. Ambos devem seguir adiante na competição. A dúvida é saber quem ficará em primeiro. A definição deve ocorrer no jogo entre ambos, em Porto Alegre, no dia 4 de abril.

 

Tags: , ,

Comentários (29) | comente

O Corinthians dos tempos atuais não prima pela generosidade em fazer gols. A última goleada, pra valer, ficou naqueles 5 a 0 no São Paulo no Brasileiro do ano passado. Em contrapartida, ganhar por 1 a 0, por 2 a 1, 2 a 0 tem sido rotina para Tite e sua turma. E tem dado certo. Dessa forma, levou o Brasileiro de 2011 e assim segue adiante na Taça Libertadores. Para não fugir à regra, lascou 1 a 0 no Cruz Azul, na noite desta quarta-feira, no Pacaembu. Lidera o Grupo 8, com 8 pontos.

O placar foi modesto, como de hábito, porém o campeão brasileiro jogou o suficiente para sair de campo com vitória mais folgada. Praticamente do início ao fim não foi incomodado pelos mexicanos.  Júlio César só levou um susto quase no final, ao ver uma bola na trave e na sequência se viu obrigado a desviar um chute para escanteio. No mais, poderia até conversar com a turma que fica atrás do gol.

Tite mandou pro jogo o que tem de melhor, pediu pressão e foi atendido.  O Corinthians não deu espaço para o Cruz Azul, teve o domínio de bola e decidiu o jogo aos 35 minutos, com Danilo, que desviou de cabeça bola levantada por Alex em cobrança de falta. O meia confirmou, assim, a fama de crescer e ser decisivo quando se trata da competição continental.

O Corinthians não quis passar sufoco, acelerou o ritmo na etapa final, incomodou o Cruz Azul e esbarrou no goleiro Corona, que fez boas defesas. Ainda teve a vantagem de um jogador a mais, quando Pinto foi expulso aos 26 minutos, ao cair na catimba de Emerson, que tinha entrado pouco antes, no lugar de Liedson.  Daí em diante só foi deixar o tempo passar – e aguentar o susto da bola na trave no final.

A caminhada do Corinthians nesta fase se mantém tranquila, sem sobressaltos. Como já escrevi aqui algumas vezes, a eficiência no ataque terá de aumentar a partir dos mata-matas.  Caso contrário, apostar em 1 a 0 é correr risco desnecessário.  Liedson, que anda num jejum danado, e seus companheiros, precisarão aproveitar mais as chances que aparecerem. Tite sabe disso.

 

 

Tags: , , , , ,

Comentários (28) | comente

O Inter abriu caminho para a classificação dele e do Santos para a próxima fase da Libertadores da América. O gol de Gilberto quase em cima da hora garantiu o empate de 1 a1 com o The Strongest,em La Paz, e tornou a matemática do Grupo 1 menos complicada. Agora, os gaúchos e os bolivianos têm 7 pontos, contra 6 do Santos, que nesta quinta-feira recebe o Juan Aurich no Pacaembu.

Qual é a conta, então? O Inter terá ainda pela frente o Santos em casa e o Juan Aurich fora. Se ganhar os dois, vai a 13 pontos e de quebra confirma o primeiro lugar. Para os santistas, basta ganhar dos peruanos amanhã e do The Strongest também como mandante na última rodada. Daí chega a 12 pontos e vai adiante, independentemente do que acontecer no clássico com o Internacional.

A tarefa do Inter não foi fácil, porém conseguiu fazer o que Juan Aurich e Santos anteriormente tentaram sem sucesso, pois foram derrotados na altitude. A turma de Dorival Júnior penou, faltou ar para alguns jogadores, e no entanto sobrou disposição. No primeiro tempo, apesar da dificuldade, criou pelo menos duas chances de gol.  

Na etapa final, levou um baque com o gol de Ramallo no início. A reviravolta começou com as substituições: Bolatti no lugar de Guiñazu, que não esteve bem, e de Gilberto na vaga de Dagoberto, que chegou a se sentir mal por sentir os danos provocados pelo ar rarefeito. E foi Gilberto quem aproveitou cruzamento da direita aos 43 e empatou.

O problema maior do Inter, agora, é resolver a vida de Oscar. O jovem meia foi tirado do time em cima da hora, por recomendação do Departamento Jurídico, já que o São Paulo recuperou os direitos sobre o rapaz. Esse caso ainda vai dar pano pra manga.

Tags: , , ,

Comentários (8) | comente

21.março.2012 12:10:30

Aprendiz de cartola*

Foi muito rápida a transição. Em um ano e tanto, Ronaldo deixou para trás imagem e espírito de boleiro – abdicara do físico atlético bem antes – e entrou de cabeça no mundo da cartolagem. O convívio mais estreito com os donos do poder cativou o artilheiro; os patrões agora são parceiros de negócios. O astro de ontem dá a entender que os vislumbra, num futuro nada remoto, como aliados em aventuras na política esportiva.

Ronaldo parece confortável a desempenhar o papel de dirigente – ou pelo menos já se acredita como tal. O pouco tempo como executivo do Comitê da Copa e as mudanças que ocorreram na CBF fizeram com que num instante adequasse para si a máscara de gestor. E, pelo visto, aposta em processo acelerado para levá-lo ao topo. A ponto de não descartar candidatura à presidência da entidade, conforme admitiu à Folha de S. Paulo.

A ambição de Ronaldo não é ilegítima, não se trata de delírio nem tolice. Levantar voo move a humanidade desde sempre. Com a intuição de craque, notou a brecha para enveredar firme pelo caminho do comando do futebol. Tem como inspiração Michel Platini e Franz Beckenbauer, artistas exímios dentro e fora de campo. O francês manda na Europa e pavimenta caminho para a Fifa.

A questão é: o que esperar de Ronaldo, se for aceito de fato no círculo restrito dos mandachuvas e vier a presidir a CBF? A julgar pelo que diz no momento, seria melhor idealistas tirarem o cavalo da chuva. O Fenômeno faz parte do sistema, não é contestador, não corre por fora, não emergiu como opção à mentalidade reinante. É jovem, em comparação com tantos cabelos brancos ou ralos a rodeá-lo. Mas, salvo engano, tão velho quanto eles na maneira de agir e pensar.

Ronaldo chegou ao COL para servir de anteparo a um dirigente que caía em desgraça, que escorregava ladeira abaixo sem volta. O ex-todo-poderoso apelou para o carisma do ídolo para ficar à sombra, usou-o descaradamente. Ronaldo viu as portas do poder se abrirem de uma hora para outra, apesar do padrinho nada recomendável e com rejeição popular não dedicada nem ao mais corrupto dos políticos. E, pelo menos em público, não se sente desconfortável com isso. Ao contrário, mais de uma vez ressaltou as façanhas do chefe proscrito, considera que fez um grande trabalho.

A ascensão de Ronaldo não é consequência de movimento revolucionário no esporte. Não despontou como porta-voz de seus ex-companheiros de profissão, não cativou a base. A impressão é a de que a admissão nesse universo lhe surgiu como dádiva daqueles que mandam – e continuarão a dar as cartas. Terá Ronaldo consciência disso?

Nas declarações à Folha, assim como em outras ocasiões, não manifesta desconforto por integrar o COL e também ser empresário ligado a negócios esportivos. Crê que uma atividade caminhe paralelamente à outra. No futuro, se presidir a CBF, como reagirá, numa situação em que estiverem envolvidos clubes e jogadores que tiver como clientes particulares?

Ronaldo fala genericamente em mudanças, sem especificar quais seriam. Passa de raspão em processo de fortalecimento dos clubes. Sua visão, fruto de quem construiu carreira fora do Brasil, o leva a insistir na necessidade de Neymar ir embora para ganhar projeção, em vez de usar a permanência do santista como bandeira e ponto de partida para a guinada.

Talvez Ronaldo se prepare e venha a corresponder às expectativas de quem anseia por reviravolta no nosso futebol. Por ora, é rascunho de estilo corroído que se deseja ver banido.

*(Minha crônica no Estado de hoje, dia 21/3/2012.)

Tags: , ,

Comentários (15) | comente

Ei, espera aí, vai dizer que me repito por voltar a escrever sobre o Lionel Messi? Pois vou, e não acho que seja redundante. Não tem como, é obrigatório, irresistível falar desse moço, o legítimo e inimitável fenômeno do futebol nestes anos 2000. Com 24 de idade, se tornou hoje (terça-feira, 20 de março de 2012) o maior artilheiro da história dos jogos oficiais do Barcelona, com 234 gols, os três mais recentes marcados nos 5 a 3 sobre o Granada. Superou Cesar Rodriguez, com 232 feitos no período de 1939 a 1955.

Se você reparar, o argentino estabelece em meia dúzia de temporadas o que o detentor anterior conseguiu em 16 anos! Caramba, aí é demais. Não tem como deixar de reverenciar o talento monstruoso do rapaz, que faz gols de tudo quanto é jeito: de direita, de canhota, de cabeça, de pênalti, de falta, de chaleira, de trivela, de bico, driblando dois, três, quatro, cinco adversários, com bola no meio das pernas, com cavadinha. O que se quer mais dele?! Que faça chover? Espere que logo vai chegar nisso também.

Messi é superlativo, exagerado, abusado. Por isso, uma crônica a respeito dele não pode ser bem comportada, quadradinha, sensata. Precisa também ser recheada de adjetivos e provérbios, com algumas exclamações para enfeitar!!! A magia que emana de seu corpo faz o queixo cair – de torcedores do Barça e dos rivais, que consideram uma honra levar gols dele. Se não tomarem gol, vão achar que sua equipe é muito sem importância. Até fã do Real Madrid gosta – só que não pode admitir, porque seria a rendição total e definitiva ao irresistível carrasco catalão.

Messi, três vezes em seguida o melhor do mundo, 57 gols nesta temporada, 17 nas últimas sete apresentações, agora ensaia jogar bem também na seleção da Argentina, como ocorreu em amistoso recente. Algum desavisado pode ver nessas proezas sinais de que se aproxima mesmo o fim do mundo. Não é o que diz uma lenda, ou calendário ou crença asteca, maia, inca? Não é para este ano?

Quer saber: isso tudo é uma tremenda bobagem. Messi na verdade é a negação do fim do mundo. Ou você acha que o Criador iria estragar uma de suas obras-primas justamente agora que ela embica para atingir o auge? Seria negar SUA infinita e eterna sabedoria.

Tags: ,

Comentários (102) | comente

Foi um clássico bacana esse São Paulo 3 x Santos 2, acompanhado por mais de 30 mil torcedores no Morumbi. Não será jogo para entrar na antologia do confronto, mas ficou acima da média do que se tem visto no Campeonato Paulista. Os dois times mostraram repertório para continuar candidatos ao título, ao lado de Palmeiras e Corinthians.

O nome do jogo foi Lucas. O moço andava com uma tromba enorme, dias atrás, por causa da enquadrada que levou de Emerson Leão. O treinador, em seu jeito peculiar, queria que o astro da companhia tricolor soltasse mais a bola. Lucas ficou aborrecido, num primeiro momento, depois relaxou – e o resultado veio com a exibição deste domingo. Ele decidiu o jogo, em dois lances rápidos e bonitos no segundo tempo.

O São Paulo poderia ter fechado o placar ainda na fase inicial. Esteve melhor, mais simples e objetivo. Criou muitas chances diante de um Santos cansado, porém ficou apenas no 1 a 0, gol de Casemiro que contou com o deslocamento de cabeça de Edu Dracena que matou chance de defesa para Rafael. O mesmo Dracena empatou, no começo da etapa final, quando o Santos esboçou reação.

Prevaleceu, então, o talento de Lucas. O meia-atacante puxou contragolpe forte, tocou para Luís Fabiano, que foi derrubado por Rafael. O próprio centroavante bateu para fazer 2 a 1. Neymar, em tarde de pouca inspiração, empatou e ainda esboçou a virada.

Mas Lucas, aos 41 minutos, decidiu, depois de nova descida em alta velocidade, um passe longo para Cortez e o aproveitamento do rebote na trave. Só o tira-teima mostrou que ele estava adiantado; jogadores santistas não reclamaram.

O São Paulo venceu um clássico, depois de longo jejum, assumiu a vice-liderança, e tem o ataque mais produtivo – 32 gols, como o Palmeiras. O mais notável, no entanto, é que parece enterrada de vez a trombada entre Lucas e Leão. Uma bobagem que uma boa conversa resolveria – e pelo jeito o papo foi legal.

Tags: , , , , , ,

Comentários (37) | comente

Comentários recentes

  • Thiago: Era só o que faltava o Santos se preocupar com a seleção, o Santos que paga os salários, bichos e...
  • Neco: Anero, concordo totalmente com sua opinião pois para o torcedor brasileiro seu time sempre é prioridade,...
  • Malta: SELEÇÃO BRASILEIRA NÃO PASSA DA 2ª FASE DA COPA DE 2014, COM ESSES M…….. MASCARADOS QUE ESTAR...
  • Gustavo: Acho que só faltou salientar que o Santos ainda está emprestando dois de seus jogadores mais importantes...
  • reginaldo vinhedo: ta certo o santos mesmo..pois,quem poem dinheiro no clube sao os jogadores…e outra esses...

Arquivo

Seções

Blogs do Estadão