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E o Chile teme a arbitragem…

Antero Greco

sexta-feira 27/06/14 12:49

Já escrevi diversas vezes, mas vale voltar ao assunto, porque ele é recorrente: o pessoal gosta de teoria de conspiração. Em Copa do Mundo, então, é prato cheio. Não tem uma em que não surja algum tipo de boato dando conta de que tal time será beneficiado, que outro “certamente” será garfado. Ou, então, que a competição foi comprada por este ou aquele.

Na véspera do jogo eliminatório entre Brasil e Chile, aqui em Belo Horizonte, eis que as forças ocultas já estariam em ação. Ao menos essa a sensação alimentada pela imprensa de lá e, de certa forma, também por integrantes da seleção dirigida por Jorge Sampaoli. O zunzum é de que a arbitragem no sábado será favorável aos donos da casa.

Claro que o tema foi abordado na entrevista de Felipão e Thiago Silva, terminada há pouco, no Mineirão. Um gringo soltou a bomba e queria saber a opinião de ambos. Quem se antecipou foi o assessor da CBF, Rodrigo Paiva, que fechou a conversa com argumento bom. “O Brasil não precisa ser anfitrião para ganhar uma Copa. Esse negócio de arbitragem é desrespeito com o público, com a Fifa, com a história da seleção brasileira.” E encerrou o assunto.

Postura adequada. Não sou sonso de botar a mão no fogo pela Fifa – aliás, por nada no mundo do futebol. Mas, daí a alimentar esse tipo de boataria, seria leviano e entrar na guerra de nervos, que deve restringir-se às equipes e não à imprensa. Os donos da bola veem com simpatia a trajetória do time local, porém só até certo ponto. Chega um estágio em que ela coloca em risco a reputação da competição que é a galinha de ovos de ouro. E de bobo Blatter e companheiros não têm nada.

O Chile tem uma equipe boa, pode derrubar o Brasil (embora eu ache difícil). Mas, como é visitante, precisa arranjar uma opção para desestabilizar rival tão poderoso. Então, nada melhor do que alegar o risco de manobras de bastidores, para justificar eventual tropeço. O melhor seria concentrar-se só na bola.