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O Brasil e velhos preconceitos contra “sul-americanos”

Antero Greco

quinta-feira 26/06/14

Há clichês que a gente não consegue romper. Um deles é o de que “sul-americanos” são violentos. Para começo de conversa, essa observação embute dois preconceitos: 1 – de que os vizinhos são desleais sempre, em disputas importantes; 2 – os brasileiros não fazemos parte da América do Sul. Estaríamos em que região, então? Pois [...]

Há clichês que a gente não consegue romper. Um deles é o de que “sul-americanos” são violentos. Para começo de conversa, essa observação embute dois preconceitos: 1 – de que os vizinhos são desleais sempre, em disputas importantes; 2 – os brasileiros não fazemos parte da América do Sul. Estaríamos em que região, então?

Pois bem, ouvi há pouco a enésima referência à suposta deslealdade sul-americana, aplicada sobretudo quando tem o Brasil pela frente. Durante entrevista de Fred, alguém perguntou como enfrentar o Chile, que apela para todo tipo de recurso ilícito na tentativa de bloquear jogadas de ataque ou de intimidar adversários.

O centroavante até se saiu bem, com o papo de que a Fifa está de olho em irregularidades, como no caso de Luizito Suárez. Lembrou que leva socos e cotoveladas de zagueiros, mas arrematou ao dizer que “isso é do jogo”. Por mais esquisito que pareça, há uma espécie de código de conduta entre boleiros. Eles, lá dentro do gramado, se entendem, numa linguagem própria.

Sul-americanos catimbam, e incluo aqui os brasileiros. Os jogadores de cá não são cordeirinhos que aceitam tudo com resignação. Não se comportam como bibelôs aos quais não se pode tocar. São matreiros como os demais, dividem na força, usam de artimanhas (e de maldade, também), encenam, se jogam, enervam os outros.

Empate, portanto. Vamos parar com preconceitos inúteis – e polêmicas sem fundamento. E o que interessa é bola rolando.