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Desmontemos o Messi antes que seja tarde*

Antero Greco

quinta-feira 26/06/14

Meu amigo, o Brasil precisa unir-se em torno de uma causa antes do fim da Copa. Como? Não, não me refiro à seleção. Deixe ela pra lá, porque, bem ou mal, passou a primeira fase e agora pega o Chile, que assusta um pouco, claro, mas é freguês de caderneta. Dá para a rapaziada de [...]

Meu amigo, o Brasil precisa unir-se em torno de uma causa antes do fim da Copa. Como? Não, não me refiro à seleção. Deixe ela pra lá, porque, bem ou mal, passou a primeira fase e agora pega o Chile, que assusta um pouco, claro, mas é freguês de caderneta. Dá para a rapaziada de Felipão se livrar, no sábado, de Vidal, Valdivia, Vargas e outros rivais andinos e seguir adiante no caminho do hexa.

Corações e mentes dos nossos patrícios têm de ficar em sintonia contra um mal maior, aterrorizante, arrepiante. Uma praga devastadora, uma versão específica de peste bubônica. Não, também não me refiro a política, eleições, votos e temas secundários. Pare de pensar nisso, eita!

O perigo contra a hegemonia, a cultura, a autoestima nacionais anda à solta por aí – esteve ontem em Porto Alegre – e atende pelo nome de Lionel Messi, ou a “Pulga”, para parentes, amigos e agregados. O inimigo público número 1 tem aprontado das suas.

Esse moço possui folha corrida internacional. Já fez estragos em dezenas de equipes na Europa, faturou quatro vezes o título de melhor do mundo, tem sei lá quantos gols e não se cansa. É insaciável. Inferniza zagueiros incautos, destrói esquemas táticos, trata a bola com intimidade irritante. Não se pode vacilar com ele um minuto, um segundo sequer, sem o risco de sucumbir.

Você viu o que aconteceu com os nigerianos no Beira-Rio? Estavam cheios de confiança, apostavam na possibilidade de terminar na liderança da chave, até ensaiaram um calor na Argentina. Só não contavam com a astúcia de Messi, um tampinha atrevido com mania de brilhar. Dois cochilos foram suficientes para ele aprontar e levar os hermanos  adiante. Quatro gols em três jogos. E, para quem gosta de curiosidades históricas, até hoje só Jairzinho, em 1970, marcou em todas as partidas (na ocasião, foram seis).

Messi se firma como um dos protagonistas do Mundial brasileiro, logo após completar 27 anos. Está esperto, lépido, com o raciocínio mais rápido do que nunca. Esse homem é um monstro que pode estragar a festa doméstica. Ou começamos logo uma campanha para desmistificá-lo, freá-lo, desmontá-lo ou corremos risco danado de vê-lo passear pelo País e se divertir na final no Maracanã. Até mesmo contra a turma canarinha.

Vale reza brava, despacho, catiça, feitiço, promessa – tudo para segurar Messi. Ah, ia esquecendo: ele é argentino, é católico, é seguidor do papa Francisco. Daí complica mesmo: juntam-se um craque da bola e um craque da igreja… não tem jeito. O melhor, então, é fazermos reverência e reconhecermos ainda uma vez: como joga o Messi, que bom que continua aqui e tomara ocorra o duelo com Neymar, na tarde de 13 de julho, no Rio. A arte da bola é que vai vencer.

Fica, Fernandinho. Não sei o que se passa na cabeça de Felipão, mas o bom senso indica a permanência de Fernandinho contra os chilenos. Paulinho é opção de banco.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, quinta-feira, dia 26/6/2014.)