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Seleção em SP. Chance para testar a tática e o público*

Antero Greco

sexta-feira 06/06/14

Paulista é meio cismado com seleção. Costuma pegar no pé dela, quando aparece por aqui, e tem prazer de mostrar-se oposição. Sei disso – de carteirinha e de arquibancada, pois não só sou paulista, como paulistano, do Bom Retiro (graças a Deus!), e já cornetei a turma canarinho. Principalmente, se não gostava do técnico e, [...]

Paulista é meio cismado com seleção. Costuma pegar no pé dela, quando aparece por aqui, e tem prazer de mostrar-se oposição. Sei disso – de carteirinha e de arquibancada, pois não só sou paulista, como paulistano, do Bom Retiro (graças a Deus!), e já cornetei a turma canarinho.

Principalmente, se não gostava do técnico e, acima de tudo, se não tivesse nenhum jogador do meu time entre os convocados. Claro, na época em que os rapazes atuavam nos clubes locais; agora, quase todos vêm de fora, esvaziam a rivalidade.

Por isso, entendo a preocupação de Felipão e colaboradores com a reação do público que deve lotar o Morumbi logo mais. Eles conhecem a impaciência e implicância bandeirantes, que são discutíveis, mas não menos legítimas do que aplausos empolgados. A turma exige pra valer, e esse aspecto, se bem trabalhado, servirá de estímulo pra equipe empenhar-se contra a Sérvia.

Felipão, paz e amor, encampou o papel de apaziguador e reconheceu essa característica um tanto ranzinza do paulista. Porém, devolveu de primeira, ao falar que está em casa, que não sente rejeição (e é verdade) e que espera contar com apoio amplo, desde que a equipe faça a parte que lhe cabe. Sem polêmica. E não é tonto de comprar briga inútil e de graça, como fez um antecessor. Você sabe quem…

Receita simples e sem mistério: se o Brasil jogar bem, será aplaudido. Se pisar na bola, aguentará os assovios e voltará para Teresópolis com ouvidos atordoados, por buzinas e vuvuzelas. Sim, senhor, tem vuvuzela dando sopa por aí. Só não deve ter bandeirinhas jogadas no campo, como aconteceu no início dos anos 2000, em partidas contra a Colômbia e o Peru pelas Eliminatórias. O perfil do frequentador das tribunas modificou-se, apesar da ranhetice (e um tanto de zoeira) no DNA.

Uma coisa é certa: Felipão terá excelente ocasião para novos ajustes na formação titular e para avaliar o humor na cidade de abertura da Copa, dentro de seis dias. (Se bem que, no Mundial, o astral será pra cima.) Só por esses detalhes, já valerá a pena ter deixado a tranquilidade da Granja Comary para enfrentar o burburinho paulistano, com trânsito complicado, metrô parado e outros contratempos adicionais. É Copa, irmão!

Há mais. A Sérvia tem qualidade superior à do Panamá, joga forte e, teoricamente, apresentará resistência superior. Com ganhos e riscos que implicam tais particularidades. O lado positivo virá, se a seleção souber se livrar da marcação brusca, se tiver equilíbrio no sistema defensivo, o que faltou em alguns momentos em Goiânia.

Oportunidade, também, para o meio-campo criar e marcar, o que nem sempre ocorreu na tarde de terça-feira. E uma prova de fogo para Fred, por ora o enigma do grupo por rendimento abaixo do esperado, em treinos e no amistoso em Goiás.

Felipão quer em campo o time para encarar a Croácia, o que não significa que não haverá mudanças ao longo da competição. Aposto que sim.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, sexta-feira, 6/6/2014.)