Eis uma notícia interessante: a contratação do holandês Clarence Seedorf pelo Botafogo. A negociação rolava já há algum tempo – e dias atrás site ligado à torcida do Milan já dava a transferência como certa. Ela, no entanto, só se tornou oficial neste sábado. Seedorf deve ser apresentado na semana que vem e deve cumprir um período de treinos antes de estrear.
Seedorf é um veterano (36 anos) bom de bola. A carreira foi desenvolvida em clubes como Ajax, Sampdoria, Real Madrid, Inter e sobretudo Milan (uma década) e é repleta de conquistas. Seedorf dispensa apresentações, pois todo mundo que curte futebol internacional já o viu em ação, em trantas transmissões das nossas emissoras de televisão.
O que me chamou a atenção, nos contatos que tive com ele, em algumas viagens para Milão, foi a educação. Seedorf sempre agiu com gentileza, simpatia, disponibilidade – sem perder uma certa reserva. É um gentleman dentro de campo (nunca tomou um vermelho) e muito respeitado pelos companheiros e pelos adversários.
Fora também não perde a elegância. Eu o vi chegar a treinos em Milanello numa Mercedez reluzente e com motorista. Sim, senhor, está pensando o quê?! Apareceu para o trabalho numa estica de executivo. E o vi atender fãs com calma e sem esnobá-los.
Seedorf curte o Brasil, é casado com uma brasileira e fala português mais fluente do que muito jogador nativo… No ano passado, se cogitou de trazê-lo para o Corinthians, a convite do amigo Ronaldo Fenômeno. Lembro que estava em Milão e perguntei se gostaria da experiência. Disse que sim, mas que ainda não era a hora.
Agora, vai desfilar arte e picardia com a camisa do Botafogo. Que vai lhe cair muito bem.
Foi bom o clássico que Cruzeiro e São Paulo fizeram agora há pouco no Independência. Partida movimentada, com cinco gols, um pênalti perdido, fora mudanças de astral e na classificação do Brasileiro. Com os 3 a 2, o time paulista sob comando interino deu uma acalmada, enquanto os mineiros perderam pela primeira vez no torneio e passaram a liderança para o Vasco (16 pontos a 14), que bateu a Ponte Preta por 3 a 2. O Flu ganhou do Náutico por 2 a 0 e é vice, com 15.
Alta velocidade, vacilos e boas jogadas provocaram 3 gols até os 15 minutos. O São Paulo largou com Luís Fabiano, aos 11, ao aproveitar bola que veio da direita e que o estreante zagueiro Rafael Donato não conseguiu desviar. O próprio Rafael, no minuto seguinte, limpou a barra, ao empatar, de cabeça, em cobrança de escanteio. A alegria da turma da casa durou até os 15, quando Luís Fabiano passou para Lucas, que deu o corte e fez o segundo.
O São Paulo do interino Milton Cruz ganhou o meio-campo, segurou a vantagem e o Cruzeiro tentou achar brechas, sobretudo com Montillo e Tinga, mas sem sucesso. Uma ironia tricolor ocorreu antes do intervalo: Rodholfo sentiu contusão na coxa e teve de sair. Quem entrou? Sim, Paulo Miranda, o zagueiro que anda em desgraça, um dos pivôs da crise que culminou na demissão de Leão.
O segundo tempo largou no mesmo ritmo do primeiro – e com gols outra vez. O São Paulo aumentou a diferença aos 3, com Jadson, que pegou rebote de Fábio após arremate de Cortez. E Rafael Donato, olha ele de novo!, diminuiu de cabeça, aos 8, em outra bola parada. Ainda tomou uma topada que lhe abriu um corte. Colocou curativo e seguiu em frente.
A chance de o São Paulo liquidar de vez o jogo veio aos 17 minutos. Luís Fabiano cobrou pênalti sofrido por Lucas, mas Fábio fez defesa espetacular. O centroavante tricolor viu que havia pisado em um tufo de grama solto, bem ao lado da marca do pênalti, e o arremessou para fora. O juiz, zeloso pelo bem-estar do gramado, deu amarelo. Cada uma…
À medida que o tempo passava, o São Paulo segurou o freio, esperou a pressão do Cruzeiro, viu Denis trabalhar e apostou no nervosismo do Cruzeiro. Deu certo: o líder (agora vice) não teve atrevimento e calma suficientes para pelo menos empatar.
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Muricy Ramalho saiu do Morumbi quase três anos atrás, mas parece ter deixado a sombra por lá. Nenhum técnico emplacou no São Paulo nesse período – tanto que voltaram rumores de que poderia ser readmitido no clube em que foi tricampeão brasileiro. Ele mesmo se encarrega de afastar a hipótese, ao avisar que negocia renovação de contrato com o Santos por mais uma temporada.
O interesse por um treinador conhecido, “da casa”, é normal. Isso acontece com frequência e o que não faltam são exemplos de ex que retornam. Tite no Corinthians, Felipão no Palmeiras, Joel Santana no Fla são apenas alguns casos de amor retomados. Se bem que nem todos terminam bem. Mas adiante voltam e assim sucessivamente…
O que chama a atenção, no São Paulo, é a inconstância desde que Muricy foi dispensado, por pressão interna e porque consideravam que seu ciclo havia terminado porque não conseguia vingar na Libertadores. Ricardo Gomes, Paulo Cesar Carpegiani, Sérgio Baresi, Adilson Batista, Emerson Leão tentaram a sorte e se deram mal. Por isso, na roda-viva do futebol se cogitou do regresso de Muricy…
Mais do que de Muricy, o São Paulo precisa de planejamento e de diretoria que interfira menos, seja mais parceira do treinador e menos intervencionista. Nenhum “professor” fará sucesso no Morumbi, enquanto o presidente vier a público para afirmar que, se pudesse sentar no banco, aí o time voltaria a ser vencedor. Ora, por que não tenta a sorte? Ou isso foi dito em momento de euforia?
Tags: Morumbi, Muricy Ramalho, Santos, São Paulo
Treinador em geral exalta o espírito coletivo, pois futebol é conjunto, solidariedade, reciprocidade, camaradagem, etc e tal. Mas, no fundo, torce para que o talento individual resolva, sobretudo se a parada estiver dura. Por isso, com frequência faz apostas arriscadas, em substituições ou em convocações, na esperança de desatar nós. E se sente abençoado, quando a escolha dá certo.
Tite e Cesare Prandelli provaram nestes dias o gostinho da descoberta da pólvora. O brasileiro resolveu, em cima da hora, levar para Buenos Aires o novato Romarinho, autor dos gols da vitória do Corinthians no clássico de domingo com o Palmeiras. O moço ficou no banco, anteontem, em La Bombonera, à espera de oportunidade para enfrentar o temível Boca, o bicho-papão. Entrou minutos antes do encerramento, ignorou a mística do estádio, a pressão da torcida local e, na primeira bola que pegou, deu uma cavadinha e marcou o gol de empate. Gol que mantém a equipe na rota do título e iluminou Tite.
O técnico italiano foi tão peitudo quando o colega de cá, senão mais: tempos atrás, avisou que Cassano e Balotelli, dois doidos de pedra, imprevisíveis, temperamentais e encrenqueiros, teriam oportunidade de defender a Squadra Azzurra na Eurocopa. A escolha deixou torcedores e críticos com cabelos em pé. Ter um matusquela no elenco passa. Mas dois?! Era para internação.
Pois ambos estão na turma dos responsáveis, junto com Buffon e Pirlo, por levar a Itália à final da Eurocopa de 2012. Cassano se comportou taticamente muito bem, enquanto Balotelli tem feito os gols decisivos, como os dois de ontem diante da Alemanha. Há sempre o temor de que uma hora vão aprontar – até o momento têm alarmado os adversários com ousadia e autoconfiança.
O futebol vive desses heróis, das estrelas solitárias, por mais que se ressalte o caráter comunitário. A perfeição está na combinação do equilíbrio entre os setores que compõem um time e o talento. O sujeito que torna tudo diferente é imprescindível, mesmo em tempos de politicamente correto. O Santos dos anos 60 era gigante, mas se tornava monstruoso porque tinha Pelé. O mesmo ocorria com o Cruzeiro da época de Tostão, o Palmeiras de Ademir, o Flamengo de Zico e assim sucessivamente até o Barcelona atual, que tem Messi como a síntese da qualidade. O toque do gênio, mesmo que seja fugaz, fascina.
Não é por acaso que Romarinho tenha sido o jogador mais citado do Corinthians – como você pode comprovar abaixo, nesta página mesmo. Não será injusto que Balotelli esteja nas manchetes dos jornais italianos de hoje. O futebol cultua os protagonistas da hora, tão necessários quanto os atores principais no teatro ou no cinema, as primas donas na ópera, os solistas nas orquestras e nas bandas.
Tanto melhor se tiverem o respaldo dos colegas e de um sistema sólido, que lhes deem sustentação. Algo que Corinthians e Itália mostraram nos campeonatos de que são finalistas. O campeão brasileiro voltou da Argentina com a justificada esperança de proeza inédita. Ok, o ideal teria sido vencer, mas o 1 a 1 caiu bem. Só que terá de jogar mais, diante de seu público e não pode perder de vista a tradição e o currículo do adversário. A disputa permanece aberta.
Raciocínio semelhante se aplica à surpreendente Itália, que abandonou a retranca nos campos da Polônia e da Ucrânia, e com autoridade almeja o troféu. Trata-se de desafio e tanto furar o iceberg defensivo espanhol.
Ora, Romarinho e Balotelli neles!
*(Minha crônica no Estado de hoje, dia 29/6/2012.)
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A quarta-feira futebolística tinha me deixado com indigestão, depois de ver a chatice de 180 minutos de Espanha x Portugal e do jogo amarrado entre Boca x Corinthians. Fui recompensado nesta quinta, com Itália 2 x Alemanha 1. Não sei como será a final entre italianos e espanhóis, mas esta foi a melhor partida até agora da Euro-12.
A Azzurra e a Alemanha fizeram um espetáculo gostoso de se ver, um prazer pra quem curte o joguinho de bola. Houve marcação de ambos os lados, mas houve sobretudo vontade de jogar, de criar, de ir à frente. Consequência disso: movimentação do começo ao fim. Nada a ver com a sonolência que têm sido as apresentações que envolvem a Espanha.
A Alemanha teve a primeira chance com cinco minutos, em lance que Pirlo salvou a pele de Buffon e da Itália, em arremate de Khedira. Passado o susto, os italianos se assentaram e, aos poucos, impuseram o ritmo que têm apresentado na competição – incluindo a fase inicial do clássico em que empataram com os espanhóis.
A classificação da Itália começou a se tornar real aos 20 minutos, numa jogada de Cassano pelo lado esquerdo, na linha de fundo, que terminou em cabeçada certeira de Balotelli. Os alemães responderam, arriscaram, mas pararam em Buffon. Assim como Ozil e Khedira brecaram perderam o duelo no meio-campo, regido pelo maestro Pirlo.
Itália mais tranquila, mortal nos contragolpes, consolidou a proeza com um lançamento longo, que Balotelli não desperdiçou e mandou um torpedo que Neuer mal conseguiu enxergar. O maluco-beleza italiano, de origem africana, ainda tomou o amarelo por comemorar sem camisa. Foi substituído no segundo tempo por sentir cãibras.
A Alemanha sentiu o golpe, se esforçou na etapa final e só teve esforço recompensado nos descontos, em pênalti (pra mim duvidoso) cobrado por Ozil. Sem tempo para tentar o empate. Os alemães mostraram futebol digno, como haviam feito na África do Sul, e de novo caíram. Tomara que não abram mão dessa opção, em nome da eficiência. Será um golpe para quem aprecia o jogo bem jogado.
E a Itália? Bem, a Itália honrou a tradição de ser movida a crises e escândalos. Foi assim em 82 e em 2006, quando conquistou os títulos mundiais. Vinha de escândalo de loteria e jogos arranjados. Agora, a história parece que se repete. Vai se repetir também no desfecho? Talvez.
Não sou supersticioso, não sei se você é. Mas a bola do Viatri que bateu no travessão, aos 45 minutos do segundo tempo, tem cheiro de lance de time campeão. Não, não o Boca Juniors desta vez. Mas o Corinthians! Sim, senhor, isso foi sorte de quem está com os astros a iluminar seu caminho.
Não ficou convencido com o primeiro parágrafo? Então, digo mais. O Romarinho entrou aos 37 minutos da etapa final e na primeira bola que pega dá uma cavadinha na frente do grandalhão Orion e empata o jogo num momento em que começava a bater angústia nos corintianos. Isso não é indício de que, agora, ninguém vai segurar a pressão no Pacaembu, na semana que vem? Olha que é…
Um grande jogo? Não. Seguiu o script que se imaginou desde que, dias atrás, os dois se classificaram. O Corinthians não se arriscou, o Boca se enroscou na boa marcação brasileira, criou poucas oportunidades e só despertou no segundo tempo, quando partiu pra cima, chutou mais e ficou em vantagem com o gol de Roncaglia, após desvio de Santiago Silva. No lance, Chicão ainda botou a mão na bola, que resultaria em pênalti e em expulsão. Para sorte do Corinthians, a bola entrou e o juiz desconsiderou a falta.
Parecia decidido o destino da primeira parte da decisão. Só parecia. Até que Tite resolveu tirar Danilo e colocar Romarinho, que jornais argentinos chegaram a chamar de filho do Romário. Pois o rapaz honrou o nome do craque e nem ligou para a mística de La Bombonera, fez o gol como se estivesse disputando uma partida no interior de São Paulo, de onde ele veio.
O gol balançou o Boca, se pôde ver pelo semblante surpreso dos jogadores. Os últimos minutos foram de tensão para ambos os lados. E o Boca saiu com gosto amargo ao ver a bola final tocar no travessão e, na volta, roçar na perna de Cvitanic e foi pra fora.
Era o ato derradeiro de uma final equilibrada, em que as duas equipes souberam anular as armas rivais. O Boca bloqueou o contragolpe rápido corintiano, tanto que foram poucos os lances para Emerson, Liedson, Paulinho concluírem. Da mesma forma, Riquelme apareceu menos do que de costume, Santiago Silva e Mouche foram sempre seguidos de perto, os laterais não desceram.
O panorama para o segundo jogo não mudará muito. O Corinthians manterá seu estilo, marcará mais à frente e tentará surpreender no contra-ataque. O repertório do campeão brasileiro não é tão vasto. O Boca apostará em sua história, nos títulos já conquistados, e na eficiência como visitante. Uma disputa aberta, em que não se pode falar antecipadamente de favoritismo.
Mas para os otimistas há um detalhe a ser considerado: o Corinthians tem uma carta na manga, o Romarinho, que não é filho de Romário, mas faz gols à la Romário.
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Já tenho um time para torcer na final da Eurocopa: será Alemanha ou Itália. A Alemanha, de preferência, que tem mostrado o esquema mais solto e atrevido da competição, como já havia feito dois anos atrás na Copa do Mundo da África. Ficaria com um pouco de dúvida, se Portugal tivesse passado. Como Cristiano Ronaldo e sua turma caíram, na semifinal com a Espanha, me restam os germânicos ou mesmo os italianos como consolação.
Não nutro simpatia pelo estilo da Espanha, campeã europeia de 2008, atual campeã mundial e com possibilidade de garantir mais uma taça. É eficiente, tem seu valor e as conquistas o comprovam. Não se chega por acaso a esses estágios seguidamente. Mas, por questão de princípios, não tem futebol que me encante. Para mim, futebol foi, é e sempre será uma manifestação lúdica e artística. Não vejo isso na Fúria, que pode ganhar outra, mas não acrescenta, não inova.
O 0 a 0 com Portugal, no tempo normal e na prorrogação, foi mais uma comprovação de que a Espanha aposta no controle emocional e de bola como caminho para o sucesso. Varia o adversário, mas não muda o jeito de jogar: é tico-tico no fubá pra cá, tico-tico no fubá pra lá.
E, antes que alguém mais uma vez diga que se assemelha ao Barcelona, repito que não concordo: o time catalão toca a bola, mas parte pra cima, agride, faz gols às pencas. Sei, sei, tem o Messi, que desequilibra. A Espanha fez 8 nesta edição do campeonato europeu – quatro deles contra a Irlanda, uma espécie de café-com-leite continental.
No todo da partida, senti Portugal com muito respeito pela Espanha, mas sem temor excessivo. Os lusos eram franco-atiradores, trataram de se resguardar, pressionaram quando puderam. Cristiano teve uma chance quase no fim. Os espanhóis jogaram as fichas na autoconfiança, seguraram o jogo e se deram bem, como tem sido rotina. Só se soltaram na prorrogação, quando então sim foram com mais entusiasmo ao ataque.
E nos pênaltis tiveram mais competência do que os vizinhos e rivais ibéricos. Nesse detalhe, prevaleceu de novo o sangue-frio, como havia acontecido no domingo com italianos diante de ingleses. Ironia do destino, Cristiano Ronaldo, o astro de Portugal, não pôde bater o último pênalti, porque desnecessário, já que o placar indicava 4 a 2.
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A temporada de degolas de treinadores no Campeonato Brasileiro começa a esquentar. Emerson Leão tomou bilhete azul (essa é antiga) nesta terça-feira e, pelo jeito, o próximo a engrossar a fila é Joel Santana. O processo de fritura dele no Flamengo vai muito bem, obrigado, e aparentemente permanece no cargo até a próxima derrapada.
O ambiente na Gávea está mais carregado do que navio mercante chinês. E não é de agora. A poeira não baixou desde a saída de Ronaldinho Gaúcho, o time não acha o rumo e, como é praxe nesses momentos, tudo conspira para o desfecho habitual, ou seja, troca de comando. Com a experiência que tem, Joel já percebeu que serenidade é artigo em falta no Flamengo. Não é por acaso que ultimamente anda de crista baixa.
A derrota por 2 a 0 para o Grêmio não só interrompeu invencibilidade no Brasileiro (cinco jogos), como reacendeu dúvidas em torno de elenco e seu chefe. Significativa a entrevista concedido hoje por Zinho. O dirigente admitiu que, “por enquanto”, Joel é o técnico. Vago…
Zinho seguiu o discurso específico dessas ocasiões – e não disse nem sim, nem não. Mas reconheceu que se busca tranquilidade para seguir o trabalho e para não ver o time afastar-se precocemente da briga pelo título de 2012. Mas a impressão que fica é a de que, a cada dia que passa, o ex-astro rubro-negro se dá mais conta da enrascada em que se meteu ao aceitar convite feito pela presidente Patrícia Amorim.
Outro ponto curioso na conversa de Zinho com jornalistas foi a revelação de que são necessários pelo menos “quatro reforços”. Como assim? Não se formou elenco no começo do ano? Não houve planejamento? O campeonato ainda engatinha e se pensa numa reformulação do time? Isso é planejamento?
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A notícia surgiu no final da manhã desta terça-feira, dia 26 de junho: Emerson Leão não é mais treinador do São Paulo. A rigor, a informação é velha – ou, digamos, trata-se apenas de atualização de fato ocorrido quase dois meses atrás. O treinador caiu em 2 de maio, quando a diretoria o obrigou a tirar da equipe o zagueiro Paulo Miranda. Dali em diante, jamais recuperou confiança, nem dele mesmo, nem da diretoria, nem do elenco.
O episódio foi emblemático. O grupo estava concentrado para jogar com a Ponte Preta, pela Copa do Brasil, com Paulo Miranda escalado entre os titulares. Sem mais nem menos, foi tirado até do banco. Mais tarde, já no campo, se soube que a decisão havia partido da cartolagem, insatisfeita com o desempenho do rapaz.
A intervenção deixou Leão constrangido – e isso ficou evidente nas declarações dele. Só que, ao contrário de outros tempos, não pegou o boné e foi embora. Ao contrário, tentou controlar-se, para dar a impressão de que iria superar o golpe. Tanto que, dias depois, supostamente com o aval dos patrões, voltou a escalar Paulo Miranda.
Aquele era gesto de reafirmação. Na prática, inútil. Leão não foi mais o mesmo, murchou. E não há pior situação para o gestor do que ser desautorizado por chefia superior. Os subordinados percebem a fragilidade, perdem o respeito, não acreditam mais no encarregado imediato. Isso em qualquer emprego – quanto mais no futebol, meio difícil de lidar.
Leão viveu quase dois meses de agonia no cargo, e não foi dispensado por causa do fiasco diante do Coritiba nem da derrota para a Lusa no fim de semana. Ele errou ao não ir embora naquele ocasião; personagem rodado no futebol, não precisava passar por humilhações.
Erro maior, porém, foi dos dirigentes. Se no caso Paulo Miranda optaram por intervenção, com noção clara dos desdobramentos, então deveriam ter agido na sequência. Era dispensar Leão e chamar substituto imediatamente após o jogo com a Ponte.
Não aceito o argumento de que o momento não era adequado porque o time disputava a Copa do Brasil. Ora, participava da competição com um técnico desmoralizado pelos próprios dirigentes. Se o estrago começou a ser feito, então que fossem até o final. Não sei se isso garantiria o São Paulo na final, mas pouparia desgaste geral, como aconteceu.
O pessoal do meio diz que Leão costuma ser profissional “datado”, com tempo de validade. Ou seja: serve para situações de emergência, depois naturalmente se deteriora a relação com diretoria ou atletas. Não sei se isso é verdade ou apenas maledicência. De qualquer modo, a esta altura da vida, talvez fosse bom Leão avaliar esse tipo de conceito e ver que prejuízos provoca em sua imagem.
E está na hora de o São Paulo encontrar um rumo, perdido desde que Muricy Ramalho saiu do Morumbi, com três títulos nacionais enfileirados.
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