Ronaldinho e torcida do Fla, um caso de amor que esfria - Antero Greco - Estadao.com.br
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27.maio.2012 01:26:46

Ronaldinho e torcida do Fla, um caso de amor que esfria

Quase um ano e meio atrás, Ronaldinho Gaúcho era recebido com festa enorme pela torcida do Flamengo, no mesmo dia em que milhares de pessoas sofriam com dilúvio na região serrana do Rio. A presença do astro em parte serviu para suavizar aquele momento difícil da vida dos cariocas. A contratação dele, depois de cerrado leilão com o Grêmio, dava esperança ao rubro-negro de reviver grandes momentos e abria caminho para novas conquistas.

Tão pouco tempo se passou e a nova realidade nesse caso amoroso ficou explícita na noite de sábado, mais precisamente aos 30 minutos do segundo tempo do clássico com o Internacional. Após o terceiro gol colorado, Joel Santana chamou Deivid e o colocou em campo, no lugar do astro antes intocável. Enquanto se encaminhava para a lateral, Ronaldinho ouviu vaias, agudas, doídas, porque vinham não dos rivais, mas de seus fãs.

A mudança ocorreu cinco minutos depois de Ronaldinho ter emperrado um ataque do Fla, ao perder a bola e proporcionar o contragolpe do Inter e o gol de Dátolo. Uma vitória que parecia certa, quando o placar estava com 3 a 1, se transformou no mais recente episódio dessa fase conturbada do time e do ídolo. Na estreia, na semana passada, empate de 1 a 1 com o Sport.

O torcedor não perdeu a paciência com Ronaldinho. “Paciência” existe com atleta meia-boca, com aquele esforçado e limitado tecnicamente. Com esses, o máximo que se pede é um pouco de calma, de tolerância, porque uma hora vão acertar. Se acertarem…

Com Ronaldinho é diferente – e pior. O simpatizante do Fla se desencantou, pois dia a dia vê ruir a imagem de um artista da bola que se torna sombra do gigante que foi. As proezas dele só não viram lenda, não vão parecer lorota de boteco ou mentira de pescador, porque a testemunhá-las há os teipes de jogos, dribles, gols e passes que um dia enfeitiçaram plateias. Um caso de amor que se rompe. E não tem coisa mais triste do que fim de caso.

A angústia se repete ¬– a todo momento se fica numa ansiedade tremenda à espera do ressurgimento de Ronaldinho. Neste sábado, no Engenhão, parecia que ele reapareceria ao marcar, de pênalti, os 2 a 0 para o Fla e em seguida dirigir uma reverência ao público. Instintivamente passa pela cabeça: “Agora, vai”. Ilusão, que os minutos seguintes se encarregaram de desfazer.

Não é correto Ronaldinho desmantelar-se dessa maneira. Não é justo ele próprio contribuir para isso. Ele não tinha direito de fazer essa falseta com os milhões que o aplaudiram e um dia chegaram a colocá-lo num patamar frequentado, até então, apenas por Pelé, Garrincha e Maradona.

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Comentários (13) | comente

13 Comentários Comente também
  • 27/05/2012 - 01:52
    Enviado por: Pedro S.

    Ronaldinho é o triste caso de um jogador perdido na própria história, mas não apenas isso: é o símbolo maior do fim da geração do craque-que-não-erra. Seu melhor momento veio numa época em que o compartilhamento de vídeos pela internet ainda engatinhava e o futebol europeu começava a ganhar com força o restante do mundo: por muito tempo, o fato de jogar no Barcelona era sinal de que fazia por merecer o status de ídolo – e realmente o fazia, mas vamos com calma.
    Ronaldinho teve, de fato, uma fase fantástica em que brilhou com o máximo de seu potencial: 2004 e 2005. Em 2006 até brilhou, mas não foi seu melhor ano. Desde então entrou em lento e constante declínio, jamais percebido pela torcida brasileira e compensado pelo embrião do Barça moderno em que atuava. Após transferir-se para o Milan em 2008 e se lesionar diversas vezes, jamais voltou a ser o gênio que fora: lampejos, é verdade, mas parecia que a alegria de jogar bola o havia abandonado.
    Seu retorno ao Brasil, completamente desastrado, cheio de apalavramentos e pataquadas de seu irmão-empresário, deveria servir para que recuperasse o posto de insubstituível e titular absoluto da Seleção. Havia, no entanto, um problema: já não era dono do título de melhor do país. Neymar aconteceu e deixou para Ronaldinho a responsabilidade de se provar genial novamente – e ela apenas.
    Mano deu chances, Luxemburgo também. Joel dá chances. Patrícia Amorim dá chances. A mim, infelizmente, parece que não dá mais pra recuperar o tempo perdido: perdeu o gosto, perdeu o tesão em jogar bola, comer grama, brilhar de verdade. Relegou-se ao triste papel de problema a ser resolvido, e dele dificilmente sairá. Falta-lhe a gana que teve Ronaldo, as boas influências dentro de casa que tem Neymar, a sabedoria que tiveram tantos outros que superaram as dificuldades e garantiram seus lugares na história.
    Ninguém conseguiu esquecer a copa de 2006, afinal. Nem nós, nem ele. Perde a memória do esporte.

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    • 27/05/2012 - 02:45
      Enviado por: Fabio

      No barcelona o ronaldinho entrou em conflito com o eto o que na epoca queria comprometimento dele,
      guardiola se livrou do ronaldinho para nao ter problemas no grupo.

      O pior Pedro é que o gaucho nao da retorno de marketing aparece nos jornais que saiu para festinhas com 20 garotas, nao gosta de dar entrevistas, é pouco atencioso com os fans

      Fico imaginando a criança que fica na esperança de um autografo e ve o idolo passar atropelando todo mundo com 20 seguranças e fingindo estar falando no celular.

      esses caras nao tem noção do que representam e do poder da imagem deles

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    • 27/05/2012 - 10:34
      Enviado por: santista do jabaquara

      Pedro S.
      Comentario digno de elogios..
      Parabens

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    • 28/05/2012 - 09:51
      Enviado por: Adilson

      Pedro S,

      muito boa análise!

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  • 27/05/2012 - 05:36
    Enviado por: J. Andrade

    Vi o jogo ontem do Flamengo. Lamentável, mais uma vez, a atuação de Ronaldinho. Errando passes que qualquer juvenil faz. Deveria sim, ter vergonha na cara, pois não treinar, noites mal dormidas e pagode é com ele, conforme notícias que se apresentam. Está pagando o preço por isso. Ganha um salário sem qualquer proporção com a realidade e por isso deve sim ser cobrado, pois assim se espera dele. O problema é que uma rescisão de contrato, deve ter aquelas “pequenas” multas e aí já viu. O Flamengo tá quebrado financeiramente como grande parte dos clubes, então vai empurrando com a barriga Ronaldinho. Até quando? Ah, não esqueçamos que o Flamengo teve mais de 20 dias parado para uma pré temporada e nada disso foi feito. Voltou igual ou pior.

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  • 27/05/2012 - 10:42
    Enviado por: Janderson

    Pra mim fica uma dúvida: Será que a história seria diferente no Grêmio?

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  • 27/05/2012 - 11:30
    Enviado por: AlexT.

    Já escreveram aquí que os times de massa costumam enterrar jogadores destacados, o Flamengo vive fazendo isto, assim como outros de SP, MG, RS etc. Na verdade estes jogadores vem com glórias passadas para os braços de uma torcida cegamente apaixonada e acham que o velho crak ainda é o novo crak e apesar de lentos, os torcedores acabam vendo a verdade, aí querem matar o pobre ancião do futebol.

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  • 28/05/2012 - 09:48
    Enviado por: Adilson

    Pois é Antero, mas aí, pra mim é que mora a coisa..Sem dúvida a decepção é muito maior daqueles que o colocaram no patamar de Pelé, Garrincha e Maradana, e não foram poucos não…

    Ninguém desaprende a jogar bola dessa maneira, ninguém vai do céu ao inferno dessa forma. Para entender a ex-esfinge, haveria, creio eu, que se questionar a forma como Ronaldinho atingiu o céu e não o que faz permanecer nesse inferno que daqui a pouco bate a casa de uma década.

    O problema é que ele é um ilusionista , talvez o maior que já existiu no futebol…Quando chegou no topo, de fato jogando muita bola, iludiu a todos com sua super-habilidade circense, com lances plásticos e que, num curto momento de 1,5 ano de euforia o fizeram correr em campo, estufar o peito e encarar tudo mundo, fazendo o diabo com a bola (já que esse tipo de habilidade divertida, ele tem mais que Pelé)

    Quando a euforia acabou, o que vimos foi um jogador com uma estrondosa habilidade a serviço de nada, pois sua técnica é, com muita boa vontade, apenas mediana pra boa. Tecnicamente Ronaldinho é inferior a muitos jogadores que não tem 1 décimo de sua habilidade. Aí erra passe reto longo, chuta mal a gol, faz essas biozonhadas que a gente vê…

    Há 8 anos Ronaldinho joga dependendo de uma técnica que não tem, com alguns chuveiros e viradas de trança que conseguem enganar um aqui outro ali…

    Ronaldinho jamais voltará a jogar, essa é a triste constatação, pois aquele momento alucinado de euforia de 8 anos atras, foi aquele momento alucinado de euforia.

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  • 28/05/2012 - 11:34
    Enviado por: Duda

    Pior é o flamengo que mantem um cara desse no elenco, completamente descomprometido e que não da retorno nem em campo e nem financeiro ao flamengo.Deveriam vende-lo pra algum time do EUA ou China e com o salario estrondoso que ele ganha investir na base.

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  • 28/05/2012 - 13:33
    Enviado por: Wilson

    Bem feito para os Flamenguistas, Vai Corinthians.

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  • 28/05/2012 - 13:35
    Enviado por: Wilson

    Queriam tanto o Ronaldinho, Fizeram tanta festa…e ai está.
    Vai Corinthians.

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  • 28/05/2012 - 13:36
    Enviado por: Wilson

    O Flamengo pensou que em contratar o Ronaldinho, teria o mesmo retorno financeiro que o Roandlo Fenômeno deu ao Timão, chora Flamengo.

    Vai Corinthians.

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  • 28/05/2012 - 16:20
    Enviado por: Rodrigo Ferracini

    Lembro-me da crônica do Tostão analisando o retorno do Dentuço ao futebol brasileiro.

    O craque das palavras e outrora dos gramados profetizou o que vivemos hoje. Sabiamente disse que o Gaúcho não tinha o carisma do Fenômeno, que, caso não respondesse dentro de campo, diferentemente do Fenômeno no Curíntia, os urubus não hesitariam em vaiá-lo e etc.

    Quando eu soube do episódio “Assis na Loja Urubu”, mesmo sendo torcedor adversário, senti pena. Sério! No entanto, como desejo tudo de melhor para o Urubu, gostaria de manifestar a minha torcida para que o Gaúcho jogue com a camisa feiona das listras horizontais até os 40 anos, sempre como capitão e exemplo a ser seguido. E, após pendurar as chuteiras, que siga organizando noitadas na Gávea, sempre com o mestre e fiel escudeiro Assis a rodeá-lo.

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