O Flamengo rebolou um bocado pra contratar Ronaldinho Gaúcho, no início do ano passado. Apostou pesado, em leilão do qual participou também o Grêmio, e cedeu aos desejos dos representantes do jogador. Quando ganhou a corrida, imaginou que lucraria com o craque – com títulos em campo e com dinheiro de publicidade.
Não aconteceu nem uma coisa nem outra. O Flamengo com Ronaldinho não deu salto de qualidade – ou não foi melhor do que nos últimos anos. E, tão grave quanto a secura de taças, tem sido a escassez de dinheiro. A imagem do astro hoje não “vende”, como um tempo atrás.
O mercado publicitário deve ter lá suas razões para acreditar que não se trata de garoto propaganda eficiente. Por isso, não houve campanhas em mídia nem patrocínio na camisa. A direção rubro-negra imaginou que o Gaúcho representasse um ganho como Ronaldo no Corinthians. Um tiro n’água daqueles…
Para complicar, falta dinheiro para pagar o que foi estipulado. O acordo com a Traffic, que bancaria parte dos salários, foi pro espaço, e o Flamengo tem de arcar com tudo. Resultado disso: deve ao jogador, segundo o empresário Roberto Assis, quatro meses de vencimentos. Se os cálculos que há em sites for correto, são 4,8 milhões de reais em atraso. Dinheiro pra burro.
Não sei se a soma é essa, se é mais ou se é menos. Sei que o concordado e assinado tem de ser respeitado. Podem ser 100 reais ou 10 milhões. Pagar salários é sagrado, é fundamental na relação entre empregador e empregado. Ah, mas alguém pode alegar que Ronaldinho não dá retorno. É outro papo, que não justifica atraso nos salários. Nunca.
Ah, mas é exagero pagar tudo isso. Também é questão a ser estudada. Os cartolas prometem os tubos para qualquer jogador e exageram quando se trata de estrelas consagradas. Depois, no fim do mês, começa a bater desespero. Então, que façam planejamento sensato, que sejam fiscalizados pelos Conselhos – e que cumpram o combinado e aprendam a lição.
Se o clube não estiver satisfeito com o desempenho do jogador (e, particularmente, acho frustrante a passagem dele na Gávea), tem um caminho a seguir: chamá-lo, cobrá-lo e, se for o caso, romper o contrato e arcar com as cláusulas rescisórias. Só não vale dar cano no pagamento.
Até quando vai a parceria? Não sei. Mas, infelizmente, não é vitoriosa. Por culpa de ambas as partes.
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Falou-se muito em duelo Neymar x Lucas, na semifinal deste domingo entre Santos e São Paulo. Foi apenas um desejo, uma força de expressão. Na prática, não teve tira-teima, porque no Morumbi brilhou apenas Neymar. O rapaz não só fez os gols de seu time, na vitória por 3 a 1, como ainda driblou, deu passes, abriu espaços, desconcertou adversários e provocou a expulsão de Cícero.
Neymar foi a chave do sucesso santista. É evidente que não jogou sozinho, mas as ações dele desnorteiam, por ser rápido, inteligente, imprevísivel. A estrela do camisa 11 começou a brilhar com 3 minutos, ao cobrar o pênalti que Alan Kardec havia sofrido de Paulo Miranda. A batida veio alta, forte, sem chance para Dênis.
O goleiro, aliás, viria a ser uma das vítimas de Neymar, ao levar o segundo gol (um chute de esquerda aos 31 minutos do primeiro tempo) e principalmente o terceiro, aos 32 minutos da fase final. No lance fatídico, Neymar recebeu na entrada da área, ajeito, chutou e Dênis espalmou fraco, para dentro do gol. O lance que liquidou o jogo, minutos depois de Willian José ter diminuído.
Uma partida, apesar de tudo, equilibrada. Pode parecer heresia, mas o São Paulo não se entregou, não foi presa fácil. Mesmo depois do primeiro gol, partiu pra cima, teve bolas na trave (uma com Paulo Miranda e outra com Willian José), criou chances. Tomou outro abalo com o segundo gol, e ainda assim insistiu, diminuiu no segundo tempo (com Willian José) e só jogou a toalha mesmo após o terceiro gol, e da forma como veio.
Na primeira parte do confronto, o São Paulo tentou tirar espaços de Neymar com a “cola” de Ivan Piris. O paraguaio, porém, levou um baile tão feio que saiu no intervalo para a entrada de Rodrigo Caio. Leão também tentou deixar o time mais agressivo ao tirar Jadson (passou batido enquanto esteve em campo) e colocar Fernandinho, mais rápido. A última cartada foi colocar Osvaldo na vaga de Casemiro, na metade do segundo tempo. Houve pressão, que esbarrou em marcação correta do Santos.
O Santos chega à quarta final consecutiva do torneio doméstico. Não é por acaso, mas como consequência de investimentos acertados, sobretudo na revelação e na manutenção de talentos como Neymar e Ganso. Uma dupla que tanta gente quer ver fora do Brasil e que, no entanto, faz a diferença na Vila Belmiro.
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Se perguntar pra você qual duelo chama a atenção no clássico entre São Paulo e Santos, tenho certeza de que responderá Lucas x Neymar. Essa é muito fácil, está na ponta da língua, porque os dois moços merecem e evoluem. Mas, se apresentar a mesma questão no caso do dérbi de Campinas, o que me dirá? Coçará a cabeça, fará uma pausa antes de largar o palpite. Pois eu digo aqui que nos pés de Fumagalli, do Guarani, e Renato Cajá, da Ponte Preta, podem sair jogadas e gols que apontarão um dos finalistas do Campeonato Paulista deste ano.
O que foi?! Estranhou? Considera absurdas as comparações? Não acho. Cada um lança mão dos recursos que tem. Os dois grandes se dão o luxo de ir a campo com rapazes ótimos, badalados, na mira de estrangeiros. Sorte de tricolores e santistas de sustentarem profissionais de gabarito em seus elencos. E que os mantenham ainda por bom tempo.
Os rivais de Campinas são primos pobres nessa disputa, azarões que atropelaram Corinthians e Palmeiras, ambos por 3 a 2 e sem contestação. A lógica indicava uma fase semifinal apenas com o quarteto parada dura, a nata do futebol doméstico. Considerações a respeito do regulamento esdrúxulo à parte, alvinegros e palestrinos foram incompetentes no fim de semana e lhes resta agora lutar em outras frentes – Libertadores e Copa do Brasil, por sinal bacanas.
A presença de uma equipe do Interior na decisão serve de alento para quem entra na competição com a sensação de que desempenhará papel de coadjuvante. Diria, mais apropriadamente, de sparring ou de suporte para os bichos-papões. Os representantes do futebol caipira – com todo carinho, ressalte-se – se especializaram em ser sacos de pancadas, se satisfazem em evitar vexames constrangedores e em arrecadar uns cobres ao receberem os maiorais em casa.
De vez em quando, há exceções – e em 2012 por coincidência a deferência coube aos dois campineiros de longa história local. Que não são as usinas de revelar talentos de décadas atrás e que, assim como a maioria dos clubes com menos dinheiro, recorrem a boleiros rodados e em fase final de carreira.
A experiência às vezes dá certo, para clube e jogador. Marcos Assunção que o diga: quando voltou do exterior, depois de jogar na Roma, no Betis, no Al Ahli, se encaixou no Grêmio Prudente, fez um bom Paulista-2010 e se mandou para o Palmeiras. Hoje, é o astro da companhia.
O mesmo acontece com os camisas 10 de Campinas. Fumagalli tem 34 anos, dá para abrir uma loja de material esportivo só com as camisas que já vestiu – de Ferroviária a Corinthians, de Tokyo Verdy a Santos, de Vasco a Guarani, passando ainda por Marília, Fortaleza, Seoul, Santo André e tantos outros. Renato Cajá, 27 anos, também tem passaporte futebolístico com muitos carimbos: Mogi Mirim, Juventude, Grêmio, Botafogo-RJ, Guangzou (China) e por aí vai.
Por uma conjunção feliz, hoje a dupla virou referência do dérbi e deve aproveitar a oportunidade para sobressair. Ao lado deles estarão jovens como Bruno Mendes (17 anos e tem bugrino que vê nele um novo Careca), ou os zagueiros Neto (Guarani, claro) e Ferron (Ponte), que logo podem dar saltos maiores na carreira.
Claro que o glamour se concentrará no Morumbi – e tanto faz se der Santos ou São Paulo. Ali será apenas a confirmação de prognósticos otimistas iniciais. Mas há charme e tanto no confronto Guarani x Ponte e nas artimanhas de Fumagalli e Cajá, prova de que astros menores também podem brilhar. Em paz, por favor!
*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, dia 29/4/2012.)
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O sonho de muito cidadão é chegar aos 40 no auge da profissão e cheio da grana. Pois Pep Guardiola atingiu esse objetivo, aos 41, completadosem janeiro. Otreinador mais badalado do futebol internacional, nos últimos anos, confirmou hoje que sai do comando do Barcelona, depois de quatro temporadas. Ele alegou desgaste e parte para novos desafios na profissão – no caso, por opção e não por dispensa.
Guardiola tem consciência de que é uma pérola solta no mercado. Convites normalmente não faltam para técnicos medianos – imagine para um sujeito que conquistou 13 títulos em tão pouco tempo! Está com a vida feita e vai para onde quiser. Tem condições de dar-se ao luxo de escolher entre ofertas milionárias. Os endinheirados que brincam de donos de equipes vão correr atrás dessa grife.
Pode-se alegar que Guardiola fez fama e fortuna porque contou com uma geração extraordinária no Barça. É verdade. Se tivesse cabeças de bagre a sua disposição talvez ainda estivesse gramando em busca de espaço. Mas é igualmente justo frisar que ele amalgamou os talentos, encontrou uma fórmula quase imbatível – sei, sei, o Chelsea desmente a afirmação – e transformou a equipe catalã num espetáculo fora do comum.
Guardiola surpreendeu, quando assumiu, ao dispensar Ronaldinho Gaúcho, então símbolo de um Barcelona que já ensaiava esse estilo baseado no toque de bola. Pareceu uma heresia – e, mais tarde, se provou atitude das mais acertadas e saneadoras. O Barça ganhou irreverência, mas dentro de campo, e eficiência. Os títulos espanhois, europeus e mundiais confirmaram a precisão do tino do treinador.
Já vi, em blogs e em outras mídias, a sugestão de Guardiola para treinar a seleção brasileira. Fosse algumas décadas atrás, consideraria uma heresia, um desrespeito à tradição dos colegas brasileiros. Hoje em dia, com a globalização da bola cada vez mais intensa, provocaria um ou outro olhar enviesado.E muita aprovação. Porque imediatamente se associa Guardiola a jogo bonito e eficiente.
Se fosse os argentinos, aceitaria a sugestão que li de meu amigo e colega de Estadão, o Wagner Vilaron: contratava o espanhol, porque ele certamente sabe como poucos como fazer Lionel Messi ser o astro da companhia.
Mas, se quer mostrar que é bom mesmo, tenho um desafio: vem pra cá dirigir uns times complicados (preciso dizer quais?), que há muito tentam reencontrar o caminho da glória. Se desse jeito neles, então mereceria caminhões de dinheiro, estátua e beatificação. E depois voltava para o Barcelona, onde certamente tem portas escancaradas.
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Muricy Ramalho ficou aborrecido porque não viu seu apelo atendido e o Santos entrou em campo, no meio da semana,em La Paz, para jogar pela Libertadores. O consolo, se assim poderia ser considerado, era o fato de o São Paulo, seu rival de domingo na semifinal do Paulista, estaria em ação nesta quinta, em Campinas, contra a Ponte.
Nem isso tem mais: com o adiamento do duelo desta noite, tricolores e pontepretanos evitarem desgaste adicional antes de jogo decisivo. O Guarani já estava de folga, independentemente de qualquer intempérie, pois havia sido eliminado da Copa do Brasil e passa a semana inteira só a treinar para o dérbi campineiro.
Ouvi as opiniões de quem esteveem Campinas. Ogramado do Moisés Lucarelli estava encharcado, mas por volta das dez da noite não muito mais do que em outras situações semelhantes. O adiamento, porém, foi confirmado, em comum acordo entre os representantes dos dois times e com a anuência da CBF. Vão enfrentar-se nos dias 2 e 9 de maio, se não houver contratempos.
Não acreditoem armação. Jogadoresde Ponte e São Paulo estavam no estádio, prontos, aquecidos, e só à espera da ordem para jogar. A tempestade, imprevista, acabou ajudando em vez de prejudicar os planos de ambos. Se houvesse jogo, o desgaste físico seria maior, bem como o risco de alguma contusão grave. São Pedro deu uma força.
Uma constatação, porém, é óbvia: o Santos foi o único a ser dar mal. Pelo menos na teoria.
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Os antigos imperadores romanos adoravam espalhar bustos de si próprios ou estátuas de corpo ineiro pela capital, Roma, e por todos os cantos do império. Era demonstração de poder, de fascínio e forma de eternizar a passagem deles pelo trono. Mesmo que, muitas vezes, os sucessores tratassem de escondê-las, para colocar as mais novas.
Por isso, até hoje a gente tropeça em imagens de César, Nero, Augusto, Calígula, Tibério e toda aquela turma do barulho. Há milhares em lugares de destaques e outras tantas tomando pó em museus da Itália e de outros países europeus e asiáticos. Muitas com nariz quebrado, ou sem braços, sem pernas. E, pra ser sincero, parecem iguais.
A moda atravessou séculos, milênios e não é que perdura até hoje? Os donos do poder têm prazer incomensurável de admirar-se em bronze, em mármore, em cimento ou até mesmoem gesso. Oque importa é fixar o olhar vencedor, altivo, para a posteridade. Ditador, então, não resiste à tentação de mostrar a gratidão de seu povo.
No futebol também tem disso. Como pega mal o cartola propor a auto-homenagem, a saída é fazer com que espontaneamente conselheiros, correligionários ou simples bajuladores apresentem moção nesse sentido. E que, em geral, os agraciados aceitam, com singela modéstia e tomados de emoção.
Por aqui temos dois exemplos recentíssimos: o Corinthians se dispõe a erguer um busto de Andrés Sanchez, no Parque São Jorge ou no futuro estádio, como prova de carinho, reconhecimento e admiração. Ele disse que não quer, mas… Agora, para não ficar atrás, a conselho do São Paulo anuncia que fará o mesmo para Juvenal Juvêncio, que tem seu mais recente mandato contestado na Justiça. Tá certo.
Daqui a pouco, alguém vai propor busto para aquele todo-poderoso que recentemente largou tudo e se mandou antes que a vaca fosse pro brejo. Você duvida?
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O Santos não jogou bem em La Paz e não tem muito o que contestar na derrota por 2 a 1 para o Bolívar. Mas quem esteve pior foi a torcida local, com atitudes repetitivas, antigas e superadas de atirar objetos dentro de campo, na tentativa de atingir jogadores rivais. Neymar foi um dos alvos, reclamou e o juiz nada fez a não ser fechar os olhos e tocar o jogo.
Esse comportamento dos anos 1950 pra baixo ainda persiste pela região sul da América porque a Conmebol não tem coragem nem vontade de punir pra valer os clubes mandantes. A turma que há décadas está no poder ao lado de Nicolas Leoz prefere fingir que tudo vai bem, brinca de dar bronca e ainda se mete a achar que a Libertadores é uma das maravilhas do mundo, talvez maior do que a Copa dos Campeões da Europa.
Em campo, o Santos enfrentou o velho fantasma da altitude – inimigo comprovadamente mais letal do que os times bolivianos. Embora em alguns momentos tenha acelerado o ritmo, na maior parte do duelo com o Bolívar atuou com a clara intenção de voltar para casa com empate ou derrota por diferença ínfima. A aposta é impor-se na Vila Belmiro.
A estratégia levou abalo logo no segundo lance de perigo, em cobrança de falta de Campos que bateu na trave, depois nas costas de Rafael e entrou. O Santos ainda empatou, com Maranhão, depois de jogada de Neymar, e levou o segundo, na etapa final, novamente em cobrança de falta de Campos, que entrou no canto esquerdo do gol.
A conta não é complicada; basta 1 a 0 e o atual campeão segue em frente. O Bolívar mostrou-se ajustado e eficiente, sem ser brilhante. Mas não é um fantasma. Se bem que, com os favoritos que andam derrapando ultimamente no futebol, não dá para cravar barbada no confronto de volta. Mas, com jeito, vai.
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Decisão de título sempre é o máximo – e, por definição, será bacana a disputa que Bayern e Chelsea farão, no dia 19 de maio, em Munique. Mas, na edição deste ano da Copa dos Campeões, deveria ter também a disputa pelo terceiro lugar. Provavelmente, o público veria um duelo de altíssimo nível, pois reuniria Barcelona e Real Madrid, as duas melhores equipes da competição. As duas melhores, mas que falharam nas semifinais.
Os espanhóis levaram uma bordoada daquelas na autoestima. Pelos elencos, pelo retrospecto no torneio, pelo fato de os jogos de volta serem em casa, ninguém de bom senso deixaria de cravar Real e Barça com encontro marcado para a Alianz Arena. Só faltou combinar com os adversários, sem contar que futebol é esporte em que o bom senso mais tira cochilos. A desclassificação, porém, não tira méritos dessas duas grandes equipes do futebol mundial. Mas não há medalha de bronze na Uefa Champions League…
O Barça emperrou diante de um rival que não se envergonhou, seja em Londres, seja no Camp Nou, de assumir inferioridade e ficar fechadinho, para sair em contragolpes, se desse. Deu certo nas duas ocasiões e a armada do bilionário russo mais uma vez tenta entrar na galeria dos campeões europeus. O Real perdeu para um oponente que o encarou de igual para igual nos dois confrontos, que criou as mesmas chances, que pressionou e foi sufocado. Espanhóis e alemães fizeram duas exibições muito bonitas, à altura de sua tradição no torneio.
A desta quarta-feira mais emocionante até do que a de Munique, pela intensidade do começo ao fim, pela prorrogação, pelos pênaltis. O Real largou como se esperava – ofensivo, abusado, sufocante. Tanto que abriu vantagem de 2 a 0, gols de Cristiano Ronaldo. O Bayern ficou com medo? De jeito nenhum. Logo depois do 1 a 0, teve duas oportunidades para empatar. Foi premiado com o gol de Robben, em cobrança de pênalti, ainda na etapa inicial. E seguiu cutucando Casillas & Cia.
O ritmo no segundo tempo foi um pouco menor, é verdade. E a prorrogação teve raros momentos de gol, com os times esgotados e, por extensão, mais cautelosos e à espera dos pênaltis. No gran finale, falharam alguns astros, como Cristiano Ronaldo e Kaká. Em compensação, brilharam os goleiros Casillas e Neuer, com duas defesas para cada lado. Sérgio Ramos isolou a cobrança dele, o Bayern venceu por 3 a 1 nesse quesito.
Como ocorreu ontem com Messi, já despontaram hoje dúvidas em torno da capacidade de Cristiano Ronaldo. O português esteve aquém do esperado, a partir da segunda etapa, e falhou no pênalti. Mas continua a ser um jogador extraordinário e é injusto diminuir a importância dele. Kaká enfim teve sua chance. Correu, batalhou, mas errou muitos passes e perdeu a maioria das divididas. Chegou o momento de encarar o rumo a tomar na carreira.
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É espantosa a capacidade da torcida do Palmeiras de ser intolerante com seus jogadores. Em vez de estar ao lado deles, em momentos ruins, prefere pressioná-los, insultá-los, agredi-los. Os fãs mais radicais entraram numa roda viva de violência que não anula, mas só reforça e completa o trabalho lerdo e improdutivo de várias gerações de cartolas no Palestra Itália.
Vi pela tevê cenas deprimentes na chegada da delegação palmeirense em Curitiba, onde nesta quarta-feira enfrenta o Paraná pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Um grupelho vestido com camisas verdes apelava para a velha, inútil e covarde tática de xingar atletas, dirigentes e Felipão. Na visão de mundo estreita deles, em que a porrada é o melhor argumento, essa é a maneira adequada de estimular o grupo a reagir, após a eliminação no Campeonato Paulista.
Os alvos preferidos foram o treinador e Deola. O goleiro teve de ouvir coros toscos, com alguma coisa que rimava como “honre a camisa do Marcão”. Como se ele estivesse a conspurcar o nome do clube e do antecessor, que se aposentou no final do ano. Deola está marcado por ter errado no primeiro gol do Guarani, no domingo, em Campinas.
Deola carrega fardo pesado. Um tempo atrás, achei que ele cresceria, sem a sombra de Marcos. Parece que ocorre o contrário. A “memória” do ex mexe, sobretudo com a torcida, que espera ver no rapaz a ‘reencarnação’ do antigo titular.
Deola não é Marcos – e isso a torcida tem de entender. Não se pode criar uma expectativa dessa envergadura. E, o mais importante, ninguém nunca disse que Deola seria o novo Marcos, como aconteceu com Barrichello, por exemplo, eleito para ser o herdeiro de Senna. Comparações impossíveis.
O mais revoltante, no entanto, foi a insinuação de que Deola não veste com dignidade a camisa do Palmeiras. No final de 2010, ele foi insultado por torcedores por ter sido o melhor em campo, numa partida em que seu time perdeu para o Fluminense. O resultado afastava o Corinthians na briga pelo título e os fanáticos queriam que o time entregasse. Deola pegou tudo o que foi possível, numa demonstração de profissionalismo e respeito ao Palmeiras.
Provavelmente alguns desses rapazes que foram ao aeroporto pedir “honra” tenham sido os mesmos que xingaram o goleiro que naquela tarde honrou a história do clube. Hipócritas.
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Impérios caem, grandes times desabam – é da vida, faz parte do futebol. Nesta terça-feira, o Barcelona poderoso, envolvente e estonteante mais uma vez não conseguiu se desenredar de uma marcação obsessiva, não foi eficiente nem criativo. Amargou empate de 2 a 2 com o Chelsea e viu virar fumaça o sonho de mais um título europeu. Os ingleses, com sua tática de todo mundo atrás e bola pra frente quando der, estará em Munique no mês que vem.
Não se tira mérito de quem elimina o Barça. No mínimo, teve petulância, o que já é muito, quando se enfrenta uma equipe que inibe adversários com facilidade. O Chelsea entrou como franco-atirador nessa fase, já estava no lucro desde o duelo sofrido com o Napoli em casa, quando soube devolver os 3 a 1 e se garantiu na prorrogação.
Di Matteo e seus jogadores não tinham nada a perder diante do Barcelona, o favorito disparado nos prognósticos e nas casas de apostas de Londres mesmo. O lucro começou no jogo de ida, com a vitória por 1 a 0, na base do “segura atrás e seja o que Deus quiser”. E se consolidou com o empate em cima da hora, conseguido com o gol de Fernando Torres, durante muito tempo um peso morto e agora jogador decisivo. Como tem de ser um atacante.
O jogo em Barcelona foi plasticamente feio, repetitivo e monótono. Mesmo quando estava com 11 (achei excessiva a expulsão de Terry), a equipe inglesa ficou atrás e não teve pudor de mostrar qual seria a estratégia. Com um a menos, então, e com 2 a 1 no placar, foi um acinte. Ok, deu certo, para alegria de quem acha que futebol é resultado apenas. Não acho, e não será agora que modificarei meu pensamento.
O pecado mortal do Barcelona foi o de ter perdido o controle, ao levar o gol de Ramires (lindo, por sinal). Perdeu também a confiança, após o erro de Messi (mandou o pênalti no travessão). Enervou-se, mostrou insegurança pouco comum (mas a mesma do jogo anterior e do clássico de sábado com o Real Madrid), e ainda como castigo supremo tomou o segundo.
Nem tudo na vida sai como a gente quer. No cotidiano, nem sempre sobressai o melhor. Por que seria diferente no futebol? Só não vale dizer que o Barça é uma farsa ou que Messi é produto de marketing. Nem entro nessa discussão, que me soa estúpida e sinal de inveja.
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