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Está difícil torcer para a seleção brasileira. Não me refiro ao fato de que ela só se apresenta no exterior e que tem, por trás, estrutura comandada por um cartola que o povo quer ver pelas costas. Falo de futebol mesmo. Cada apresentação é nova sessão de paciência, de resistência ao sono e à vontade de desligar a televisão. Como aconteceu nesta terça-feira nos dias2 a1 sobre a Bósnia.

Pra começar, a vitória é enganosa. Ela veio no finalzinho, com gol contra (Papac) e foi consequência mais de pressão desordenada do que superioridade técnica. O Brasil a rigor jogou nos dez primeiros minutos, quando ficou em vantagem com o gol de Marcelo. Depois, encolheu, mostrou os erros de outras ocasiões, cedeu o empate (com valiosa colaboração do goleiro Julio Cesar) e viu os bósnios criarem mais.

Se estatísticas valem, a seleção teve muito mais posse de bola – em “números de Barcelona”, para ficar em referência feita por Galvão Bueno. Mas o próprio dono da voz na Globo riu dessa observação, ao acrescentar que “não significou criar chances de gol”. Pois foi isso: o Brasil não criou, não acuou o rival, não o incomodou. Foi morno, como sempre, à imagem e semelhança de seu treinador.

O jogo mostrou que, salvo engano, há jogadores que têm lugar cativo, como Daniel Alves, Thiago Silva, Marcelo e Neymar. No mais, o bom senso indica que há vagas abertas, desde o gol (Julio Cesar se mantém com o nome) ao meio e ao ataque. Não se pede grupo fechado, a mais de dois anos da Copa. Mas a esta altura pelo menos uns sete nomes poderiam surgir como consenso. E não há nem isso.

Um apecto que me chamou a atenção foi a presença de Ronaldinho Gaúcho. Não dá para considerar normal um craque com a história e as glórias dele gastar a maior parte do tempo limitado a uma pequena faixa do campo, com toquinhos de lado e passes curtos. Isso qualquer jogadorzinho comum faz. A cada apresentação, ele destroi um pouco da imagem brilhante que construiu no passado.

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Vamos partir do princípio de que cada um faz o que quiser do dinheiro que lhe pertence. Você sabe como ganha sua graninha, conhece onde aperta o calo e usa seus reais como lhe apraz. Portanto, não tem de me dar nenhuma satisfação. Quem controla nosso dindim somos nós mesmos ou o Imposto de Renda, que não dorme no ponto.

Isto posto digo que jamais me verão depositar um centavo sequer, na conta de seja lá quem for, para comprar jogador de futebol. Considero uma distorsão sem tamanho participar de “vaquinha” para um time investirem contratação. Partoda máxima secular de que, se um clube está de olho num profissional, que se organize para tal. Ou com o que tiver em caixa ou com empréstimos de banco ou dos tais investidores.

O que não vale é pedir dinheiro para a torcida para tornar um negócio viável, como tentaram sem sucesso o Corinthians (no caso do Cristian) e o São Paulo (na história do Nilmar). Agora vem o Palmeiras, com essa campanha para arrecadar R$ 21 milhões pelo Wesley. Sob o rótulo de ousadia e modernidade, ou com sigla em inlgês, escondem na verdade uma tremenda cara de pau e incompetência para administrar recursos. Não daria nada nem para trazer o Messi ou o Cristiano Ronaldo. Imagina para o Wesley, bom jogador como milhares que há por aí.

Se fosse pra democratizar, por que não perguntar ao torcedor que jogador ele preferia? O clube é quem determina quem interessa e ao fã só cabe apresentar o cartão de crédito. (Se bem que, repito, não botaria a mão no bolso por isso.) O torcedor não participa de nenhuma etapa da negociação. A ele cabe apenas o papel de encher o cofrinho. Assim é fácil fazer investimentos. Basta dizer quanto precisa e o povo paga.

 Mais curioso é o retorno para os investidores amadores nessa empreitada: a recompensa será “criativa” (está no site) e jamaisem dinheiro. Porque não dizem o mesmo para os “investidores profissionais”, aqueles que compram direitos federativos até de bebês? Esses não entram em nenhuma jogada sem a certeza de que adiante recolherão o deles, com lucro. Ah, mas no caso da torcida se trata de ação benemérita. Sei…

Como disse, cada um usa suas moedas de acordo com seus gostos. Prefiro fazer doações para instituições sociais e de assistência – e há muitas sérias – do que afagar ego de cartolas e contribuir para o bolso de empresários, intermediários e quetais.

 

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Quem disse que não há novidade nos Estaduais? No Rio Grande do Sul, tem. Internacional e Grêmio, dois gigantes históricos, ficaram fora da decisão do primeiro turno do Gauchão. A Taça Piratini será decidida entre Caxias e Novo Hamburgo. Uma decepção para as maiores torcidas do Sul, mas que não deixa de ser interessante por quebrar a rotina e por servir de alerta para os dois bichos-papões. Na melhor das hipóteses, um deles disputará o título.

O Inter saiu da briga no meio da semana, ao perder para o Grêmio, que teve Vanderlei Luxemburgo a observar das arquibancadas. O profexô estreou neste domingo e saiu de campo decepcionado, já que seu time cedeu empate ao Caxias aos 40 do segundo tempo (Marcos Paulo) e quase tomou a virada aos 43. Kleber havia feito o gol do tricolor. Nos pênaltis, a derrota por 5 a 4, já que Marco Antonio errou a cobrança dele.

Dizer que o Grêmio caiu por culpa de Luxemburgo é injusto. Tão injusto quanto aplaudir o técnico, caso a equipe tivesse passado adiante. Com três treinamentos apenas, não se pode dizer que mudou a cara do time que esteve até dias atrás sob comando de Caio Júnior. Assim como não o estragou. Fica a advertência para Luxa: treinar time com forte apelo popular como o Grêmio exige eficiência. A sorte dele é que o Inter ficou fora. Mas tem o segundo turno…

O Novo Hamburgo também se garantiu com vitória, mas no tempo normal e por 3 a 2 diante do Juventude. Uma final diferente, que terá os favoritos de sempre apenas como torcedores e a imaginar o que fazer para garantir uma boquinha na segunda metade da competição. Estaduais são vistos de esguelha por muita gente, mas ainda mexem com emoção e o humor de torcedores. A turma do Sul que o diga.

 

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O clássico que Palmeiras e São Paulo fizeram em Presidente Prudente alegrou e frustrou. Os 3 a 3 foram uma festa para quem curte futebol, para quem ainda acompanha esporte como diversão. O resultado decepcionou os mais práticos, aqueles que enxergam mais defeitos do que qualidades quando surgem muitos gols. Sei mesmo que ambos tornaram menos modorrenta a tarde de domingo.

Como me incluo no primeiro grupo, digo que curti o jogo de dois times que certamente passarão para a fase de mata-mata do Campeonato Paulista. Como gosto de jogos movimentados, que não me provoquem sono, reafirmo o prazer que tive na tarde de domingo. Como sou do tempo em que futebol era bola na rede, não desgrudei o olho da telinha até o apito final, na expectativa de que um dos dois ainda marcasse mais.

A procura do gol foi um dos pontos altos. Mesmo com calor intenso, os dois times não se pouparam, não economizaram energia para o ataque. Isso explica em parte os seis gols. O Palmeiras foi melhor no primeiro tempo, que fechou com vantagem de 2 a 1 – belos gols de Daniel Carvalho (cobrança de falta) e Barcos. O tricolor descontou numa bonita arrancada pela direita que culminou com o gol de Cícero.

No segundo tempo, Leão conseguiu recuperar o meio-campo, com a entrada de Fernandinho no lugar do apagado Jadson. O São Paulo reagiu, empatou com pênalti mandrake marcado por Wilson Seneme (William José cobrou), mas levou o terceiro, de novo com Barcos. Mas foi Fernandinho, com um chute certeiro, quem empatou de vez.

O Palmeiras volta para casa com outro empate (no meio da semana ficou no 1 a 1 com o Oeste), mas certo de que encontrou em Barcos a referência no ataque. O São Paulo levou mais três gols (como no meio da semana diante do Bragantino), tem 14 sofridos até agora, mas ostenta um dos ataques mais positivos da competição, com 23 gols (dois a menos do que o Santos). O que é um alento.

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26.fevereiro.2012 12:13:05

Camisas pesadas*

Se alguém perguntar se os goleiros Bruno, Deola e Dênis são sujeitos de sorte, a resposta imediata é sim. Dois jogam no Palmeiras, o outro integra o elenco do São Paulo. Quer dizer, estão empregados em clubes importantes, têm ampla visibilidade e boas perspectivas de sucesso na profissão. Um pouco mais de reflexão não anula a reação inicial, porém pede complemento: o trio tem responsabilidade do tamanho de um transatlântico, desses que não afundam nem com trapalhadas de comandante barbeiro.

Bruno e Deola envergam camisa que pesa toneladas, assim como não é nada leve a de Dênis. Os palestrinos lutam para ver quem herda o espólio de Marcos, recentemente aposentado. O tricolor substitui Rogério Ceni, em afastamento forçado por operação. Tenta mostrar, no período de repouso do titular, que a sucessão ocorrerá sem sobressaltos.

Não queria estar na pele desses rapazes perseverantes. Em primeiro lugar, porque goleiro é das funções mais ingratas do futebol, quase solitária e que aparece nos lances decisivos. Não tem colher de chá pra ele. Só perde para bandeirinha, que ouve xingamento ao pé do ouvido, leva cusparadas e, dependendo do estádio, sai de campo encharcado por água, cerveja, refrigerante e líquidos menos nobres atirados por torcedores enfurecidos com suas decisões. Esse sofre.

Não bastasse a atividade espinhenta, a trinca está exposta a comparações perversas com os totens Marcos e Rogério Ceni. Acha que é moleza tomar o lugar de um “santo”, do maior ídolo da última década e meia de time carente de títulos? Pensa que é fácil o trabalho, mesmo temporário, de entrar em campo na vaga do capitão, artilheiro, conselheiro, auxiliar técnico informal, mito, mais de 100 gols marcados e de 1000 jogos disputados? Dá para tremer na base, não é mesmo? Não?! Não brinca, amigo.

Os três estão sob observação cerrada, as falhas tomam proporções tridimensionais, o menor vacilo soa um desastre, provoca calafrios, pânico. E, para azar deles, as derrapadas teimam em dar o ar da desgraça. Por mais que digam o contrário, em discursos parecidos e pouco convincentes no tom firme, lidam a cada partida com o olhar enviesado dos fãs. Só falta os moços se ajoelharem e, mãos postas, fazerem o apelo: “Acredite em nós!” Mas palestrinos e são-paulinos mal-acostumados exigem mais, esperam o que talvez eles não possam oferecer. E desconfio que não podem mesmo.

Bruno e Deola precisam lidar com cobrança maior, pois a saída de Marcos é definitiva. Na fase final da carreira, o 12 passava longos períodos de molho e via seus pupilos em ação. Mas a torcida nem se abalava, porque ficava sempre na expectativa da reaparição e de novas proezas do milagreiro. Agora, não. Marcos é passado, pendurou as luvas, vai virar estátua. Os rapazes terão de desdobrar-se para ganhar crédito com a massa. No momento, têm pouco – e Felipão sabe disso, tanto que estimula a concorrência. Confia-se na “escola palmeirense” de goleiros. A tradição será honrada? Tomara.

A avaliação de Dênis não é pra já, assim como não é para longo prazo. Rogério Ceni voltará no meio do ano; no entanto, a aposentadoria se aproxima. A busca por herdeiro existe no Morumbi, embora velada. Leão sugeriu a contratação de um goleiro e a diretoria recusou, pois continua atenta ao desempenho de Dênis. Sem apavorar-se, sem aplausos entusiasmados.

Como torço por renovação de qualidade, espero que os dois que jogarem hoje saiam como heróis, brilhem como os antecessores. Mas admito: é mais simpatia do que constatação.

*(Minha crônica no Estado de hoje, dia 26/2/2012.)

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A quaresma mal começou, mas o sábado foi de Aleluia para Neymar e Adriano. Os dois foram protagonistas nas vitórias de Santos e Corinthians, saíram de campo aplaudidos e mostram evolução física no Campeonato Paulista. Neymar fez dois, nos 6 a 1 sobre a Ponte Preta, e Adriano marcou no 1 a 0 do líder Corinthians diante do Botafogo.

Pela indefinição que tem cercado a passagem no Parque São Jorge, o desempenho de Adriano chamou mais a atenção. O atacante que dias atrás completou 30 anos está menos volumoso do que há algumas semanas, mostra mais resistência e fôlego (tanto que ficou em campo o tempo todo). E prevaleceram colocação e “faro de gol” no lance que decidiu o jogo, logo aos 3 minutos do duelo no Pacaembu.  Bem colocado na área, aproveitou cruzamento para marcar.

Ainda participou ativamente de outras jogadas, arriscou chutes e cabeçadas, fez papel de pivô. Mereceu os aplausos do público e não posou de autossuficiente após o jogo. Adriano reconheceu que ainda está longe do ideal. O torneio doméstico, porém, se apresenta como caminho para sua recuperação e a cartada final no Corinthians.

Em Barueri, Neymar deu mais um show, assistido pelo compadre Ganso. Ambos foram muito bem diante da Ponte. Neymar abriu e fechou a conta, com gols aos 27 do primeiro tempo e aos 32 do segundo, participou dos gols de Ganso (2 a 0 aos 33 minutos) e Edu Dracena (4 a 1 aos 13 da etapa final), sofreu várias faltas e provocou a expulsão de Cicinho e Guilherme. (A Ponte ainda teve Renato Cajá também com vermelho).

Neymar esteve mais atrevido do que nunca, até no visual, já que entrou com um cabelo ‘moicano’ mais espetado e pintado. Com a bola a rolar, atormentou a zaga campineira e viaja para a Suíça embalado para o amistoso do Brasil com a Bósnia, na terça-feira. O ano de 2012 definitivamente começou para Neymar e sua turma.

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Andrés Sanchez brigou muito com o São Paulo no período em que foi presidente do Corinthians. Agora, mudou de função. Ao passar a faixa em seu clube, ganhou o cargo de diretor de seleções da CBF. Sinal de que anda com prestígio em alta com o dono do poder a quem, dizem, substituirá num futuro não muito distante.

Mas em sua primeira atividade como responsável pelas seleções Sanchez pisou na bola. Bateu o pé, ao dizer que não iria liberar o meia Lucas para o amistoso que o São Paulo faz com o Palmeiras, no domingo, pelo Campeonato Paulista. Botou banca, falou grosso, irritou-se com críticas do técnico Emerson Leão e no fim teve de engolir o pedido tricolor. Lucas joga no domingo e embarca para a Suíça na sequência, onde na terça a seleção enfrenta a Bósnia.

Trombada desnecessária de Andrés, e justamente com um clube com o qual descaradamente não se entende. Gol contra de quem se comportou como dirigente de clube e não como diretor da entidade que controla o futebol nacional. Deveria ter sido mais político, mais polido, menos radical. Mesmo que o São Paulo tenha comido bola, sob a alegação de que a CBF dissera que só liberaria jogador de time envolvido em alguma decisão.

Entre suas atribuições está também a de mediar conflitos entre convocações e os interesses dos times. Não importa a cor da agremiação, nem contam suas preferências ou antipatias. Num momento em que o comandante da CBF tenta contornar turbulências, deveria agir como bombeiro e não como incendiário.

Tomara suas próximas atitudes sejam mais ponderadas e à altura do cargo que lhe deram de presente. E que olhe todos os clubes da mesma maneira. Só assim ganhará credibilidade. Ou será que, assim como seu padrinho e mentor, pouco lhe importa a opinião pública? Criatura igual a criador?

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23.fevereiro.2012 16:14:23

Deivid: um lance que deu dó

Você vai dizer que o Deivid é craque? Não, né? Ele está na média dos jogadores que andam por aí. Como centroavante, já fez muitos gols e errou também. Só que nunca deve ter imaginado que um golzinho perdido pudesse lhe provocar tanta dor de cabeça. Pois foi o que aconteceu por causa da falha antológica na derrota do Flamengo para o Vasco, na noite de quarta-feira.

O lance já rodou o mundo, está na boca do povo e pode ser acessado na internet, no celular, no Youtube; enfim, em toda a parafernália eletrônica que expõe nossa vida para qualquer um. A bola veio mansa pra ele mandar para o gol do Fernando Prass, ali, a meio metro da linha fatal. Era só encostar o pé e mais nada. Foi o que fez. E a danada bateu na trave.

O Deivid, os torcedores do Flamengo, do Vasco, você, eu. Está todo mundo até agora tentando avaliar o que aconteceu. Fiquei com a imressão de que teve até jogador adversário com vontade de dar um abraço de solidariedade no Deivid. Foi chato pra chuchu! Juro que deu dó dele.  Não desejo isso pro pior inimigo.

 O mais bacana é que ele não ficou posudo na hora em que lhe foram perguntar o que tinha acontecido. Todo sem jeito, admitiu o erro.  Fazer o quê? O gol fez falta. Nem por isso, ele deve ser visto como o vilão da história, o Judas ou coisa do gênero. Perdeu, pronto!

Agora, mais do que nunca, precisa recorrer ao lugar-comum: erguer a cabeça e bola pra frente. Dar um bico no constrangimento e, se puder, rir de si próprio. É a melhor forma de esvaziar o prazer dos cínicos de plantão.

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O melhor programa na televisão para quem pôde curtir momentos de ócio nestes dias aconteceu no começo da noite desta terça-feira e tem a ver com São Paulo. Não, não foi a baixaria provocada por maus perdedores no carnaval paulistano. Mas com o show proporcionado pelo Napoli, no Stadio San Paolo, ao bater o Chelsea por3 a1, de virada, pela Copa dos Campeões da Europa.

O time italiano ganhou com raça, suor, coragem e, por que não?, bom futebol. Com esse resultado, passa para as quartas de final da competição europeia até se perder por um gol de diferença, no duelo de volta, marcado para Londres, em 14 de março. Nada desprezível para uma equipe que alguns anos atrás quase desaparece e agora renasce.

A primeira parte do confronto entre Coração x Milhão foi talvez o melhor jogo da Uefa Champions League até agora. Os empolgados napolitanos, que têm time interesse, mas nem de longe contam com a grana dos ingleses, fizeram três, mas desperdiçaram pelo menos mais duas chances – uma com Lavezzi (chutou para fora, na cara de Peter Cech) e outra com Maggio (que o zagueiro salvou em cima da linha).

A partida teve momentos bem distintos: o Napoli começou empolgado, mas logo sucumbiu à boa marcação inglesa. Num lance infeliz, o zagueiro Cannavaro “espanou” a bola, na tentativa de afastá-la da área, e fez um passe lindo para Juan Mata, sozinho, mandar para o gol, ainda no primeiro tempo. A falha despertou os donos da casa, que aceleraram o ritmo e viraram antes do intervalo, com Lavezzi e Cavani.

A dupla sul-americana infernizou o Chelsea também no segundo tempo. E, numa bobeada de David Luiz, brasileiro constantemente chamado por Mano Menezes, o uruguaio Cavani serviu o argentino Lavezzi, que fez o terceiro gol. Uma festa no estádio napolitano, com direito, ao final, ao coro de 70 mil torcedores sob o som de “U surdato nnamurato” (“O soldado apaixonado”), um clássico do cancioneiro local.

O Napoli fez, mais uma vez, a alegria de uma torcida apaixonada. Forza, Napoli!

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19.fevereiro.2012 11:46:36

Pequenas alegrias*

Parece sina do homem ficar à espera do grande acontecimento, do episódio que mudará tudo e marcará a existência. Ganhar sozinho na Mega Sena acumulada, talvez. Ter aumento de fazer o queixo cair, quem sabe? Ser promovido e virar o maioral, por que não? Receber herança de um distante tio milionário, já imaginou? Nessa expectativa, a vida passa em ritmo de reco-reco e não acontece nada. Melhor fisgar bons momentos e curtir as pequenas alegrias com as quais topamos.

 Este preceito de autoajuda de boteco pode aplicar-se à torcida do Palmeiras, e não lhe fará mal. Altiva, tem andado cabisbaixa e cismada, por acúmulo de decepções. Só que nestes dias os ventos sopram com suavidade para os lados alviverdes. O time coleciona vitórias, que o deixam saborear o carnaval com os mesmos 20 pontos do Corinthians, mas na liderança nos critérios de desempate.

Não é muito, sei. Mais adiante vêm os mata-matas e o sonho corre risco de virar fumaça. Mas a maré mansa dá satisfação – e isso conta. O palestrino pode desfilar neste feriado todo garboso e não se sentirá por baixo em discussões entre uma picanha e uma linguiça. Carpe diem, curta o presente, sugeria o poeta Horácio, há dois mil anos. Os romanos de então não eram tontos (ainda).

O Palmeiras atravessa inusitada fase de calmaria e aproveita a competição doméstica para ajustar-se. A base é a mesma que não deu no couro no ano passado; há falhas, brechas, buracos a serem tapados, como Felipão se apressa em reconhecer. O elenco não dispõe de um astro que arrase defesas e atraia multidões. A torcida nem de longe enxerga, no grupo de hoje, figurinhas carimbadas como Rivaldo, Edmundo, Evair, César Sampaio, Mazinho, Zinho e outros de igual calibre que compuseram a última versão da Academia, nos anos 1990 de venerável memória.

Apesar disso, há valor nos moços que disputam o Paulista. (Não esqueça que falo de pequenos prazeres.) Artur e Juninho, por exemplo, chegaram com desenvoltura. O primeiro marcou três gols e deu susto ao se machucar nos 3 a 2 de anteontem em Guaratinguetá. O outro tem sido firme na defesa. Henrique voltou a jogar direito, como fazia antes da aventura malsucedida no exterior.

Marcos Assunção é o centro em torno do qual gravitam as principais jogadas. Os pés ficam mais calibrados quanto mais avança a idade. As torcidas (a do Palmeiras e a dos rivais) prendem a respiração quando tem falta perto da área. No mínimo, Assunção obriga o goleiro a esticar-se até não poder mais. Suas cobranças de escanteio são impecáveis.

Daniel Carvalho, com perfil menos rotundo, compensa com toque de bola de qualidade. Não faz o fã ter saudade de Valdivia, sempre na enfermaria. Márcio Araújo, o contundido Luan, são limitados e combativos, assim como o veloz Maikon Leite. O argentino Barcos está cada dia mais à vontade.

Testes complicados virão nas etapas seguintes e logo mais na Copa do Brasil. É para euforia? Melhor não. Mas devaneios não são proibidos. Muito menos as pequenas alegrias.

Bloco B Alvinegro. Tite colocou o time reserva do Corinthians na passarela do Anacleto Campanella, não se arrependeu e deu a lógica: vitória sobre o São Caetano. Chamaram a atenção Douglas e Adriano, ambos com formas arredondadas. O meia mostrou bom toque de bola e construiu a jogada do gol de Willian. O atacante se esforçou, mas está sem noção de espaço. Só não passou despercebido porque não há como ignorar alguém do porte dele. Mais paciência…

 *(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, 19/2/2012.)

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