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Que doideira: grito de campeão saiu mesmo só no fim!

Antero Greco

04 dezembro 2011 | 20:37

Durante a semana, aqui em São Paulo, o torcedor do Corinthians mostrou otimismo moderado. Claro que havia confiança no título – os números indicavam um monte de combinações que levavam para o sucesso. Mas o danado do futebol, imprevisível como é, adora mandar estatísticas para escanteio. Sem contar que o desafio derradeiro era o Palmeiras. E só quem é corintiano ou palmeirense sabe o que significa o dérbi.

Não deu outra. O temor alvinegro se revelou real desde o primeiro minuto do jogo no Pacaembu e só foi espantado quando veio o apito final no Engenhão, uns dois minutos antes da assoprada de Wilson Seneme. Corinthians e Palmeiras fizeram um duelo equilibrado, tenso, catimbado, amarrado, como acontece em decisões. O 0 a 0 foi, por um bom tempo, um nó na garganta e também ajudou a liberar com mais intensidade o grito de campeão!

O Corinthians optou por estratégia cautelosa, conservadora. Tite preferiu reforçar a marcação e não escondeu isso ao colocar Wallace, para compensar a ausência de Ralf. Felipão sabia que o rival jogaria pelo empate ou para explorar o contragolpe. Por isso, mandou seu time à frente – com as limitações que tem, mas à frente. Além disso, o meio-campo alviverde ganhou quase todas na etapa inicial. E isso fez com que apresentasse um índice altíssimo de posse de bola.

O controle do jogo, no entanto, não levou a muitos momentos de perigo. Júlio César foi incomodado algumas vezes. Deola só assistiu ao jogo. Nas arquibancadas, a apreensão cresceu com o gol de Diego Souza aos 29 minutos do confronto entre Vasco e Flamengo. Pairava no ar o medo de que o Palmeiras aprontasse. Seria uma tragédia.

A história mudou no segundo tempo, com o Corinthians a abandonar a postura defensiva e a encarar o Palmeiras com a autoridade de líder. O nervosismo aumentou e desembocou no primeiro bafafá, com a expulsão de Valdivia depois de entrada em Jorge Henrique. O chileno foi estabanado e o baixinho, malandro que só, valorizou. Jorge Henrique ainda provocaria a expulsão de João Vítor. Todo mundo sabe que ele é tinhoso, manhoso. Mas está na dele. Tonto de quem cai nas suas armadilhas.

O Palmeiras, mesmo com um a menos, não se deixou dominar e o Corinthians teve dificuldade extrema para dar chutes a gol. Deola não fez uma defesa sequer. Para Tite e sua rapaziada, importava mais segurar o empate, garantia de título, independentemente do que viesse a acontecer no Engenhão. Estratégia reforçada com o gol de empate do Flamengo. E deu certo.

O Corinthians não foi o mais brilhante dos campeões brasileiros. E isso pouco importa. Não seriam, da mesma forma, Vasco, Flamengo, Botafogo ou São Paulo. Há quem diga que o torneio não teve alto índice técnico. Não teve mesmo, o que não invalida a emoção que proporcionou. Muito menos a alegria dos pentacampeões.