ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

04.setembro.2011 11:43:59

A grande lorota*

Tem muito lero-lero no futebol. Parece que, sem uma conversa mole, ele perde a essência. A maior é quando chega técnico novo e se fala em projeto, tentativa de tornar solene ato corriqueiro de troca de comando. Dá urticária ouvir esse papo furado, que não passa de teatro mambembe, pois nenhum dos personagens acredita no que se diz. Com exceções, e bota exceção nisso!, a maioria dos “professores” estaciona um tempo no clube e leva um pé nos fundilhos tão logo acumule fileira de maus resultados. É convidado a cantar em outra freguesia, onde invariavelmente será apresentado como “o cara”, até cair ali adiante. E a roda-viva segue a girar indefinidamente.

 Só nesta semana houve três casos de saída de treinadores em clubes da Série A e dois alarmes falsos. O Atlético-PR perdeu Renato Gaúcho, o Cruzeiro mandou Joel Santana levantar o Fundo de Garantia e o Bahia disse “obrigado por tudo, passar bem” para René Simões. No Corinthians, se acenou com a possibilidade de defenestrar Tite e mesmo destino teria Abel Braga no Flu. Para alívio de ambos, suas equipes venceram. O motivo para quedas e ameaças é sempre o mesmo: o desempenho não agradava e os times escorregavam na tabela.

Convenhamos: trata-se de esculhambação danada, curso completo de falta de respeito. E uma contradição do tamanho de um bonde. Técnicos desembarcam a peso de ouro – salários de R$ 200 mil, 300 mil, 500 mil mensais parecem troco de cafezinho – com a missão de recolocar uma agremiação nos trilhos e de levá-la à glória, ao topo da classificação. Enquanto der certo, palmas e tapinhas nas costas. Começou a fazer água, bota-se o sujeito pra correr. Dispensas, na maior parte das vezes, ocorrem à noite e por telefone, de preferência o fixo para não aumentar a conta do celular.

Não se trata de demitir executivo que não atingiu metas, prática comum em empresas. Mas, tenho certeza, haveria mais critério nas escolhas dos gestores da bola. O festival de degolas acontece porque técnico não é levado a sério, noves fora as situações especiais. Os dirigentes os veem como mal necessário e não creem em sua capacidade e na importância da função. Na ótica deles, esses profissionais funcionam como motivadores de elenco. Por isso, lhes oferecem os tubos, que logo lhe são tirados.

Veja o caso do Cruzeiro. A largada em 2011 foi exuberante, sobretudo na Libertadores. Os adversários eram abatidos como moscas, a Raposa matreira despontava como candidata ao título. Até vir a eliminação. Cuca balançou, fez hora extra no Brasileiro até ver-se obrigado a limpar o armário. Recorreu-se à experiência e à verve de papai Joel Santana. Pronto, esse era o homem adequado para domar o elenco, com sua lábia e sua prancheta! O projeto durou 8 vitórias e 7 derrotas. E lá vem hoje o Cruzeiro de interino enfrentar o Palmeiras.

Quando procuraram Joel, os cartolas mineiros de fato tinham proposta de trabalho de longo prazo ou buscavam apenas apagar incêndio e oferecer resposta à torcida? Viro mico de circo, mas fico com a segunda hipótese, que serve para o Cruzeiro e para a maioria dos times, da Primeira Divisão aos catadões dos campeonatos internos das firmas. Cite sem vacilar exemplo atual no futebol brasileiro de projeto de fato em andamento sob a batuta de um treinador veterano de casa. Como é?! Não lembra? Também não me ocorre nenhum.

O desamor é recíproco, embora menos frequente. Técnico também se enche e pega o boné, como fez Renato Gaúcho sem nenhuma cerimônia. Notou que o panorama continuaria feio no Atlético-PR e saiu do olho do furacão, com a desculpa de que estava com saudade da família, instalada no Rio. Renato soltou a dica, logo ao chegar a Curitiba, pouco tempo atrás: avisou que nem desfaria as malas. Não era para menos, antes dele o clube despedira outros 4 em 2011.

Sei que é regra de ouro da selva do futebol despachar treinador aos primeiros sintomas de crise. Mas fará boa colheita aquele que tiver o peito de bancar técnico calejado e qualificado – tá certo, não são muitos – mesmo na turbulência. Esses podem gabar-se de ter projetos – e vão se dar bem.

E se? Não é delírio, mas o Brasileiro corre risco de ter novo líder hoje. Não é nenhum despautério o Coritiba em casa atravancar a vida do Corinthians (40 pontos) e o Vasco (38) bater o lanterna América-MG em Minas. Torneio maluco e emocionantes desses…

*(A minha coluna no Estado de hoje, domingo, dia 4/9/2011.)

 

Tags: , ,

Comentários (15) | comente

15 Comentários Comente também
  • 04/09/2011 - 12:33
    Enviado por: alfredão

    Anté, só um pitaco, embora o belo comentário esteja perfeito: para os técnicos que trabalham em times de ponta e ganham bem, o status quo é ótimo. Trabalham cinco, seis meses, são demitidos, recebem uma bela indenização, e em pouco tempo estão novamente empregados. Lembro do milagre, mas não tenho certeza do nome do santo, acho que era o João Avelino. Ele dizia que treinador colocava mesmo a mão na grana quando era mandado embora. Claro que para os técnicos de segundo e terceiro escalões, esmagadora maioria, a vida é muito mais difícil, dependendo do clube o mês tem muito mais do que 30 dias. Sobre o Renato Gaúcho, soube que ele foi mandado embora. O ´´pedido de demissão´´ teria sido um engana-trouxa. Aquela tática manjada de ´´preservar´´ o cara.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 04/09/2011 - 12:58
    Enviado por: Marcio

    Antero, a questão é cultural. E nossa cultura futebolística não se restringe apenas a cartolas, mas abrange também a imprensa e torcedores que ficam cornetando o técnico assim que surge uma sequência de maus resultados. Pegue o caso de Tite. Nunca ganhou Brasileirão, nem Libertadores. Só por isso, já surgem dúvidas sobre sua competência em tocar um time sob pressão contínua como é o Corinthians. A torcida só calou a boca depois da sequência extraordinária no começo do campeonato. Mas agora já quer sua cabeça.

    Veja agora o São Paulo. Repatriaram Ricardo Gomes, que fez ótimo papel com o elenco que o time então dispunha. Só que, como não ganhou torneios, a própria torcida, que durante anos acostumou-se a ver o time colecionando títulos, o humilhou, junto com os dois imbecis que comandam (um já era, o tal Leco) o tricolor. E por aí vai. Alguns técnicos têm vida mais longa em função de biografia ou currículo, caso do péssimo Felipão, que já teria sido mandado embora de qualquer dos outros times grandes da capital. É botar na ponta do lápis: não compensa. Arrogante, encrenqueiro, fala besteira 3 por 4, quebra o pau com os jogadores publicamente, oscila o tempo todo e é caro pra burro. Nos últimos 10 anos, ganhou um título na Ucrânia. OK, foi campeão mundial. E? Parreira também. Que ficou no ostracismo até ganhar Paulista e Copa do Brasil pelo Corinthians. Aí voltou à tona e à seleção 2006.

    Técnico de time grande no Brasil é isso mesmo. Sem resultados, rua. E se se chamar Celso Roth, Osvaldo de Oliveira, Caio Jr., Cuca ou Renato Gaúcho, terá de cara contra si a desconfiança de todos e jamais será considerado nada -enquanto não ganhar um título de expressão- além de um tapa-buracos. Nua, crua e dura realidade.

    Abraços

    responder este comentário denunciar abuso

    • 04/09/2011 - 13:11
      Enviado por: Oliveira

      Péssimo Felipão?

      Ele pode estar em fim de carreira. Mas chama-lo de péssimo é esquecer que o currículo dele é muito mais recheado de títulos do que toda a história de alguns clubes grandes do país.

      responder este comentário denunciar abuso
    • 04/09/2011 - 14:14
      Enviado por: GUILHERME CIMINO

      O Felipão vinha com o burro encostado, em lugares inóspitos, mas esse trabalho atual no Palmeiras é muito bom, tirando leite de pedra do elenco e da diretoria. E o conjunto da obra é indiscutível, seus trabalhos no Palmeiras, depois na seleção e em Portugal são muito elogiáveis.

      responder este comentário denunciar abuso
    • 04/09/2011 - 17:08
      Enviado por: Marcio

      O trabalho de Felipão só é bom para quem gosta de enganação. Mais de um ano depois de contratado e alguns milhões a menos para os cofres do Palmeiras, não chegou a nada e perdeu a oportunidade em todos os torneios que disputou. Vamos contar quantos foram? Jorginho vinha fazendo trabalho superior e foi mandado embora, para dar lugar a Muricy, que não fez nada. No Brasil, se privilegiam nomes em lugar de resultados. E Felipão está vivendo apenas disso: de nome. Veremos até quando.

      Muito mais inteligente seria o Palmeiras mandá-lo embora, contratar nomes em emergência dentre os técnicos e que sabem trabalhar com a base, como Dorival Jr. (que já não é mais emergente há tempos) ou um dos dois Jorginhos, e investir num trabalho de médio prazo, como fez o Coritiba, em torno de dois anos.

      Felipão já era, há tempos. Enganador, velho histérico. Só pelo exibicionismo, já deveria ter sido mandado embora há muito tempo.

      responder este comentário denunciar abuso
  • 04/09/2011 - 14:11
    Enviado por: GUILHERME CIMINO

    E sempre os mesmos nomes. É uma turminha de uns 15, 20 que sai de um clube e vai pro outro, é mandado embora aqui mas serve praquele outro ali… o Dorival saiu do Galo e acabou no Inter, muito melhor, aí o Cuca assume o Galo… acho que são os amigos dos cartolas, sabe… parece aquele jogo que tem apenas um espaço vazio e as peças ficam se movimentando… as peças…
    E o Andrade?! É, o cara jogou muito, foi campeão brasileiro e não serve pra ninguem…

    O futebol talvez ainda seja um esporte da elite, da aristocracia, como no início, ao povo apenas foi dado o direito de torcer.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 04/09/2011 - 16:43
    Enviado por: Haroldo CN

    Sai dessa Antero:
    - Neymar, R$ 130 mi, Barça;
    - Santos, rabeira, endinheirado, logo mais sai o Ganso, mais grana, e daí?

    responder este comentário denunciar abuso

  • 04/09/2011 - 18:15
    Enviado por: ANDRE DIAS

    ELEÇÃO DO MANO?
    .
    .
    .
    SELEÇÃO DO CARLOS LEITE, ISSO SIM!
    .
    .
    .
    Desde 2007, o empresário carioca Carlos Leite transformou-se em um parceiro e tanto do Corinthians.
    .
    .
    .
    Carlos Leite – No fim de 2007, após receber um telefonema de Antônio Carlos, então
    diretor técnico corinthiano e conhecido dos tempos de Juventude, Leite começou a
    negociar a transferência de Mano para o Timão.
    Após alguns meses, adquiriu 30% dos direitos econômicos do volante Elias e passou
    a agenciar a carreira do lateral-esquerdo André Santos.Fonte: oglobo.com
    .
    .
    .
    Na lista de Carlos Leite estão jogadores
    de Seleção Brasileira, como Lucas, do
    Liverpool, e o lateral-esquerdo André Santos,
    além do técnico Mano Menezes. Fonte: GloboEsporte.com
    .
    .
    .
    O empresário de Mano, Carlos Leite, ainda cuida da
    carreira de mais 4 selecionáveis, como Renato Augusto,
    Elias, Lucas Leiva e André Santos, jogadores que geralmente
    estão na lista de Mano Menezes, ou melhor, desses quatro,
    dois são titulares quase que irretocáveis.
    Fonte: GuiaFUT

    responder este comentário denunciar abuso

  • 04/09/2011 - 18:43
    Enviado por: Marcos

    O Corinthians perdeu, injustamente.

    Jogou mais que o Coritiba, criou muito mais oportunidades de gol (inclusive duas bolas na trave) e foi prejudicado pela arbitragem, claramente em dois lances: a não expulsão do coritibano que chutou o rosto de Chicão e a não marcação de pênalti sofrido por Wiliam, ensanduichado por dois adversários.

    Ainda assim, o Corinthians mantém a liderança do Brasileirão.

    Passado mais da metade do campeonato.

    Há 20 rodadas.

    Desde o início do torneio.

    E há quem fale que o Tite deva ser mandado embora?

    Porque perdeu, da maneira como perdeu, para o Coritiba em Curitiba?

    E o Vasco, que levou de 4 do America Mineiro?

    E o Flamengo do Luxemburgo, que apanhou de 3 do Bahia, em pleno Rio de Janeiro?

    O Tite deve ser mandado embora?

    Líder, desde o início, do campeonato mais equilibrado e difícil do mundo?

    E os outros 19 técnicos?

    Se não bastasse, trocar o Tite por quem?

    responder este comentário denunciar abuso

    • 04/09/2011 - 20:28
      Enviado por: marcello

      Ué, troca o Tite por qualquer um. Sai na rua e contrata alguém parado no ponto de ônibus. Ou então coloca um tijolo no lugar dele. Ou um pudim de leite. Ou um pastel de feira. Na pior das hipótses, vai dar na mesma.

      responder este comentário denunciar abuso
  • 04/09/2011 - 18:52
    Enviado por: Lucas

    Primeiramente, Antero parabéns por seus trabalhos! Todo crédito e respeito a você, my friend!
    E segundo, Marcio, já que foi falado do Felipão pense nisso: nos últimos anos passaram pelo Palmeiras, entre outros: Luxemburgo e Muricy Ramalho, dois dos mais gabaritados treinadores do País. E agora estamos com Felipão outro treinador de qualidade inquestionável! Agora, não deu e não está dando tão certo, não é mesmo? Pense que talvez o problema seja DIRETORIA!
    O que acha Antero? Marcio?
    Abraço! E força Corinthians!!

    responder este comentário denunciar abuso

    • 05/09/2011 - 08:38
      Enviado por: Marcio

      Acho que você não entendeu. Ao meu ver, a mudança no Palmeiras deveria ser estrutural. Nada de técnicos famosos, e sim investimento na base e em técnicos que estão surgindo, como Jorginho, Marcelo Oliveira e outros. Em dois anos, não tenho dúvidas, com finanças saneadas e torcedores reeducados, o Palmeiras estaria naturalmente pronto para vitórias. O outro caminho já se conhecesse e há 10 anos se insiste, sem resultados.

      responder este comentário denunciar abuso
  • 04/09/2011 - 19:08
    Enviado por: antonio carlos breder

    antero,concordo com voce em tudo.só um detalhe que gostaria de acrescentar.uma grande responsabilidade deste PROCESSO que acontece no futebol brasileiro é de parte da midia esportiva.tirando NEYMAR,GANSO,estes novos e RIVALDO e RONALDINHO já veteranos,a qualidade dos muitos jogadores beira a mediocridade.e esta midia geralmente omite a verdade para os coitados dos apaixonados e cegos torcedores.se em um jogo entre corinthians e coritiba voce inverter as camisas nao fará diferença alguma.o coitado do torcedor iludido com colocaçoes de parte da midia acha seu time muitissimo superior aos demais.quando da contrataçao do meia ALEX pelo timao encheram tanto a bola dele que acabei perdendo um amigo.na visao dele ,enubriado pelos comentarios ,parecia que estavam contratando o PELÉ.e eu na minha humilde opiniao falei prá ele que o ALEX é só mais um jogador comum que estavam trazendo a peso de ouro.ele nao gostou.endeuzam demais jogadores comuns,bons jogadores viram craques.entendo que tenham que vender o espetaculo,mas,por favor,sem tantas inverdades e abobrinhas.saudade do meu idolo joao saldanha.chamado a comentar um jogo tipo ATLETICO PR X FLAMENGO 1 turno,ele simplesmente respondeu= o jogo foi tao ruim que nao tenho nada a comentar.voce é dos poucos que tem sensatez neste empobrecido meio esportivo.fico com dó do pobre e apaixonado torcedor.por favor junte-se ao trajano para apurar estas graves denuncias contra o AMERICA.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 04/09/2011 - 20:36
    Enviado por: Sérgio Barbosa

    A importância dos técnicos tem mesmo de ser relativizada. É aceitável dispensá-los quando vem do elenco: se o líder perde autoridade, respeito e respaldo junto aos jogadores, protagonistas na história. Não defendo o “não deu liga” quando é mera desculpa e concordo que resultados, padrão de jogo e consistência vêm com o tempo, mas os técnicos têm de baixar a bola e botarem na cabeça que quem ganha o jogo não são eles.

    responder este comentário denunciar abuso

Deixe um comentário:

Comentários recentes

  • Adilson: Antero, que jogaço…o que foi aquilo? Cavanni e Lavezzi em dias de Herrera e Loco Abreu..rs.. ps:...
  • Marcelo Raggi: Muito legal isso Luiz,desculpe minha empolgação mas é que sou um apaixonado pelo calcio. Outro...
  • luiz penchiari: Raggi, um derby interessante tem em Verona, entre o Chievo Verona e o Hellas Verona (que ja’...
  • Marcelo Raggi: Obrigado pela informação Luiz,eu gosto de saber quais são os derbys na cidade Se souber de mais...
  • luiz penchiari: Raggi, tem a Juve Stabia, que joga a Série B, e fica na cidade de Castelmare di Stabia, provincia de...

Arquivo

Seções

Blogs do Estadão