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Vamos todos às ruas festejar! Vamos soltar rojões e gritar “sou brasileiro, com muito orgulho…” A seleção enfim ganhou uma taça. Com os 2 a 0 sobre a Argentina, a equipe de Mano Menezes levou a melhor no segundo duelo do Superclássico das Américas e enriqueceu seu acervo com o Troféu Nicolas Leoz, homenagem ao profícuo e sempiterno presidente da Conmebol. Lucas e Neymar foram os heróis da noite inesquecível em Belém e entram para a história do futebol pátrio.
Ok, ironia à parte até que para alguma coisa serviu o caça-níquel com os hermanos. Não me refiro à louvação chapa-branca para o treinador, que de uma hora para outra ganha pontos e vê diminuída a desconfiança que começava a se disseminar em torno de seu trabalho. Como tem bom senso, talvez nem ele leve muito a sério essa conquista. O jogo valeu, digamos assim, para ver em ação Lucas, além dos laterais Cortês e Danilo. E também Neymar, que não foi brilhante, mas esteve longe de decepcionar.
O são-paulino mais esquentou banco do que teve chances, nas diversas convocações anteriores. Dessa vez, começou como titular e teve movimentação excelente, sobretudo quando não se limitiou a ficar na direita do ataque, na tentativa de seguir à risca determinações de Mano. De seus pés partiram as principais jogadas do time no primeiro tempo, que só não foi totalmente morno por um lance de Lucas aos 6 minutos e outro aos 38, que não se transformou em gol porque Neymar chegou meio segundo atrasado.
Na etapa final, Lucas fez um belo gol e certamente consolidou sua presença em futuras listas. Mano disse até que tem um “plano” para o rapaz até a Copa de 2014. Ou seja, está tudo dentro do planejado. Sei…
Gostei também do estreante Cortês. Sem inibição, marcou, foi à frente e pareceu muito à vontade. Danilo foi menos ao ataque, mas fez o lançamento longo para Lucas que terminou em gol. Neymar, o xodó do público, arriscou chutes de longe, encarou a marcação e aos poucos se transforma em intocável do time. Vale também uma referência a Borges, menos acionado do que no Santos, mas que não decepcionou. Decepção foram Ronaldinho e o gramado.
Pronto, para não dizer que não falo de flores, quando se trata de seleção, vi aspectos positivos. Mas não me arrepiei com a vitória sobre a Argentina, sentimento que já tive em dezenas de outras ocasiões por considerar esse confronto como o mais importante do futebol mundial.
Mas desta vez, por mais que se esforcem em vender a partida como importante, pra mim não passou de um compromisso comercial. Que, por pouco, não serve para aumentar as críticas para Mano e sua moçada. Lucas e Neymar – além de um adversário fraquinho que só – ajudaram a tornar o panorama mais ameno.
Agora, que venham os poderosos Costa Rica e México. Ninguém segura!
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Mario Fernandes é um bom lateral do Grêmio, com nome composto que lembra cantor de fado. O jovem de 21 anos tem potencial para aperfeiçoar-se – embora não seja Djalma Santos nem Carlos Alberto Torres – e ganhou destaque nestes dias por causa da seleção. Mais precisamente por ter recusado a convocação para fazer parte do elenco que hoje vai a campo na estupenda e inesquecível segunda parte do Superclássico das Américas, diante da Argentina. O moço disse que não se sentia em condições de ir para Belém, pediu desculpas e ficou a bater sua bolinha em Porto Alegre.
O gesto desencadeou polêmica e mal-estar maiores do que o possível calote da Grécia. Para alguns, Mario Fernandes é um herói com topete suficiente para peitar a CBF e levantar a bandeira da libertação. Ao virar as costas para o chamado de Mano Menezes ressaltou a irrelevância atual da amarelinha e de seus jogos caça-níqueis. Para outros, não passa de rapaz “com problemas”, de temperamento instável e carente de tratamento. Desequilibrado ou tonto, para ficar na linguagem popular.
Nem isso nem aquilo. Mario Fernandes é um moço com sonhos, angústias, dúvidas e medos como qualquer outro de sua idade. E que, ao contrário do que ocorre com a maioria, não se envergonhou de assumir a insegurança e abandonou um barco para o qual não se sentia preparado. Ou que não o encantava. Como desdobramento lógico dessa opção, abriu mão de um compromisso que não lhe traria satisfação e preferiu seguir a rotina onde se sente confortável.
Não há valentia nem crime nisso. Se fosse para arriscar um rótulo, eu tenderia a ver a negativa mais como ato de destemor e menos como indício de descompensação psicológica. Ele fez algo que nós muitas vezes desejamos e não ousamos tocar adiante. Chutou o balde que o incomodava. Sortudo.
Reflita comigo, sem vergonha de reconhecer: quantas vezes na vida engolimos sapos por receio de desagradar chefes e arcar com eventuais represálias? Quantas tarefas já cumprimos sem vontade e só por medo de perdermos o emprego? Em quantas ocasiões nos calamos, diante de amigos ou parentes, só para não nos queimarmos? Alguém terá coragem de atirar a primeira pedra?
Por que um jogador não pode falar “obrigado, passar bem” para a seleção? Qual o crime que se está a cometer? Nenhum. Criou-se a lenda de que vestir a camisa amarela equivale a servir a pátria. Como se o destino do Brasil estivesse numa partida. Pátria de chuteiras é bela imagem literária e teve seu peso. Hoje, soa anacrônica. Principalmente se levarmos em conta o tanto que a seleção se vulgarizou. Taí outro jogo estapafúrdio com os hermanos para não me desmentir. Como escrevi duas semanas atrás, transformaram duelo com história tão rica em mais um projeto comercial.
No Pará, estarão em jogo acordos de publicidade e não uma etapa necessária para ajustar o time para o Mundial de 2014. Fosse assim, estariam lá todos os atletas que Mano considera importantes no momento e não apenas aqueles que atuam por aqui. E quem garante que Mario Fernandes, embora confuso, não se tenha dado conta disso? De que foi lembrado por falta de alternativas, como a maioria de seus colegas? Se pensou assim, não errou de todo…
Usa-se o episódio, que nem inédito é, para lição de moral. Só para ficar na história recente, Mauro Silva saltou fora no aeroporto, minutos antes de embarque para a Colômbia. Serginho desdenhou a seleção em seus tempos de Milan. Zé Roberto avisou que encerrava seu ciclo após o Mundial de 2006. Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká em alguns momentos pediram férias em vez de jogar amistosos ou Copa América. Nem por isso foram menos profissionais.
Agora pegam Mario Fernandes pra Cristo? Não tem cabimento. Mano mostrou irritação ao dizer que “seleção é coisa séria”. Também acho. Por isso, considero impróprias muitas das convocações que o treinador de hoje fez – assim como vários de seus antecessores apelaram para destemperadas e inconcebíveis experiências. Seleção séria não entraria em furadas de jogar contra rivais inexpressivos nem atrapalharia a vida de times que disputam campeonatos em etapas de definição. Cadê seriedade?
Que o Mario Fernandes seja feliz com suas escolhas. E se, de fato, tiver problemas, tomara que os resolva. No mais, a vida segue sem a seleção.
*(Texto da minha coluna publicada no Estado de hoje, dia 28/9/2011.)
Tags: Coluna Antero Greco, Mano Menezes, Mario Fernandes, Seleção Brasileira
O que você espera do jogo que o Brasil faz amanhã com a Argentina em Belém? Como, não entendi? Eu não espero grande coisa. Ou melhor, só espero que não seja a monotonia e chatice de duas semanas atrás. A primeira parte do “Superclássico das Américas”, em disputa pela Taça Nicolas Leoz, foi de doer. Na verdade, se tratou de uma agressão para a história do duelo mais bacana (pra mim) do futebol mundial.
Sei que a força de convencimento da mídia é forte e, para muitos, interessa vender a ideia de que brasileiros e argentinos estarão a escrever no Mangueirão mais uma etapa dessa eterna rivalidade. Conversa fiada, papo furado, coisa pra inglês ver. Essas duas partidas fazem parte de acordos comerciais, são mais uma maneira de render dinheiro para as duas federações, e pouco acrescentam para o trabalho que Alejandro Sabella e Mano Menezes estão a desenvolver para a Copa de 2014.
O fato de os treinadores se verem privados de seus melhores jogadores já diz tudo. Se fossem encontros imprescindíveis, eles não aceitariam abrir mão das formações titulares. Como se trata de caça-níqueis, se contentam em chamar apenas atletas que atuem nos respectivos países e com isso formarem times mambembes, improvisados. A maioria dos convocados para amanhã não estará em compromissos oficiais.
Esses jogos, ainda assim, são casca de banana, porque no fim das contas sobra para os técnicos. Mano e Sabella foram criticados pelo desempenho de suas equipes no horroroso0 a0 de 15 dias atrás. Quer dizer, além de não terem a nata à disposição, precisam aguentar bronca se os times negarem fogo. Bom, eles sabem com quem lidam.
Por isso, não está errado do Mário Fernandes. Muita gente acha que o rapaz do Grêmio agiu com descontrole ao dizer “não, muito obrigado” para a seleção. Pois não penso assim, como também não o vejo como um herói ou contestador. Apenas encarou seus receios e mandou a seleção às favas. E, quem sabe, não se deu conta de que era chamado apenas para tapar buraco. Pois esses jogos não passam de quebra-galhos.
Perdi a conta das vezes em que escrevi a respeito de humilhações a que o Palmeiras é submetido em sua história recente. Parece filme repetido vir aqui, ou no jornal ou na tevê, e falar de tropeços vergonhosos de um time que tem biografia magnífica, rica e única no país. Mas que, aos longo das últimas décadas, tem sido destruída sem parar. É fiasco atrás de fiasco.
O empate por 1 a 1 com o Atlético-GO com dois a menos, na noite deste domingo, é apenas o sinal mais recente dessa queda, que qualquer palmeirense sensato e lúcido percebe, mas que passa batida por quem tem a obrigação de detê-la. Ou melhor, de evitá-la. Há muito bato na tecla de que a mentalidade no Palestra Itália parou no tempo, se calcificou, mumificou. E isso se reflete no time, que foi sem alma, sem eficiência, sem qualidade, sem coragem. E não só neste episódio de Goiânia.
Grupos perdem energia em brigas internas, buscam o poder, prestígio ou vendettas pessoais, e deixam a grandeza do Palmeiras em segundo plano. Administrações vêm e vão sem marcar por iniciativas atrevidas, inovadoras. Sem estarem à altura de uma das maiores torcidas do Brasil – e infelizmente hoje em dia alvo de piada.
A cartolagem alviverde é frágil, imobilizada e espalha mediocridade. Manda embora técnicos que brilham nos rivais (aí está Muricy), dispensa jogadores que comandam adversários (Diego Souza no Vasco), finge que nada acontece quando atletas como Valdivia e Kleber vêm a público e desafiam dirigentes. Que se calam e, portanto, admitem como verdadeiras as críticas.
A memória do noninhos que fundaram o clube, quase cem anos atrás, tem sido seguidamente desrespeitada. De que adianta erguer uma arena ultramoderna, se há o risco de não ter time para exibir-se nela? Para que ter estádio de primeira, se o elenco é de quinta? Para que um complexo esportivo de última geração? Para ser utilizado para shows? Ou para servir de extensão do estacionamento do shopping ao lado? Que destino querem dar ao Palmeiras?
O Palmeiras precisa recuperar seu lugar de sempre, que é o de liderança, destaque, vanguarda. A vocação do Palmeiras é brigar por títulos, levantar taças, revelar e consagrar craques, encantar torcedores. E não passar recibo de incompetência, ser coadjuvante ou motivo de gozação.
O Palmeiras de verdade não tem lugar para jogador meia-boca, para falsos brilhantes! Muitos até são esforçados, e daí? Não têm estofo para vestir camisa que um dia foi usada por Djalma Santos, Valdemar Carabina, Dudu, Ademir, Servílio, Luís Pereira, Rivaldo, Evair, Julinho Botelho. Como cartolas não deveriam ocupar cadeiras que uma vez foram de Ferrucio Sandoli, Delphino Facchina, Nelson Duque, Paschoal Giuliano, Arnaldo Tirone (pai).
O Palmeiras real não é esse que se vê em campo. O uniforme e o escudo até parecem os de verdade, mas são apenas cópias malfeitas, que desonram sua tradição. É enganação, usurpação. Chega de fraudes! Basta com descaso! Ou o Palmeiras dá uma chacoalhada, renasce, se impõe, ou se prepara para a degola e o fim.
O estrago que estão a fazer no Palmeiras não tem perdão.
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Diego Souza tem talento – isso não se discute. Só que às vezes foi supervalorizado e não teve estrutura para aguentar cobranças e responsabilidade. Foi assim no Palmeiras, onde aprontou poucas e boas até ser dispensado, e no Atlético-MG, com passagem sem brilho. Agora, vive fase extraordinária no Vasco, onde não é o astro da companhia.
O futebol do meia tem crescido junto com o do time, ao longo da temporada, e teve seu momento de brilho mais intenso neste domingo. Diego Souza arrasou no clássico com o Cruzeiro e fez os gols da vitória por 3 a 0. O terceiro, com direito a matada no peito, chapéu no goleiro Fábio e toque final de cabeça. Gol memorável, de placa, de craque.
Diego é um dos segredos para explicar a ascensão vascaína em 2011. Ele começou o ano em baixa, assim como o time, e se reencontrou, junto com Fernando Prass, Dedé, Rômulo, Elton e, mais tarde, com a chegada de Juninho Pernambucano. A primeira injeção de ânimo, depois de algumas surras no Estadual do Rio, veio com a conquista da Copa do Brasil. A segunda agora, com a liderança no Brasileiro, mesmo com o afastamento do técnico Ricardo Gomes.
O Vasco não é supertime, como não há nenhum na Série A nacional. Não inventa, mas joga de forma segura e soube aproveitar-se do fato de que, durante boa parte da competição, as atenções estavam voltadas para Corinthians, Flamengo e São Paulo. Sem alarde, subiu, encostou e deu o bote para a primeira colocação.
No bom duelo com o Cruzeiro, prevaleceu a confiança de um grupo que passou a acreditar em sua força. Situação inversa daquela que vive o Palestra mineiro, que se aproxima da zona de rebaixamento. Uma equipe sem tranqüilidade, mesmo que em alguns momentos tenha lampejos do futebol envolvente da primeira parte da Libertadores. Por que se perdeu?
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Rivaldo é daqueles jogadores extraordinários, boleiro à moda antiga, dos que demoram a pendurar as chuteiras e encantam mais à medida que se aproxima a aposentadoria. A maestria do pentacampeão do mundo, um fenômeno da bola, foi decisiva para fazer com que o São Paulo roubasse dois pontos do Botafogo, na tarde deste domingo, no Engenhão, e voltasse para casa com 2 a 2. Ele fez o gol do empate e quase marca o da virada.
Mas não foi apenas isso. Rivaldo foi aposta de Adilson Batista na volta do intervalo, depois de ver seu time levar um vareio do Botafogo na primeira fase e perder por 2 a 0. O veterano meia, 39 anos, entrou no lugar de Juan e ajeitou o meio-campo paulista. De seus pés saíram muitos dos melhores lances do time, na etapa final, e seus deslocamentos deixaram atônitos os marcadores do Botafogo. Rivaldo também se apresentou para cobrar faltas, escanteios, para fazer passes e apareceu na área, aos 46 minutos, para desviar de cabeça falta cobrada por Rogério Ceni. Dois minutos depois, encobriu o goleiro Renan e a bola quase entra.
O astro fez a balança pender para o lado de sua equipe e salvou o fim de semana tricolor. Fosse apenas pela primeira parte do clássico, o São Paulo mereceria perder diante de um adversário direto na briga pelo título. O Botafogo foi muito superior, dominou, ganhou o meio-campo e ainda contou com arrancadas espetaculares de Elkeson e Maicosuel que desmontaram o rival. Não foi por acaso que abriu 2 a 0, gols de Loco Abreu (o segundo, de pênalti.)
O uruguaio ainda teve chance de decidir o jogo, em lance incrível que desperdiçou no segundo tempo, e o Botafogo perdeu fôlego. O São Paulo, ao contrário, melhorou com Rivaldo – e depois com a entrada de Henrique no lugar de Marlos. Na segunda participação, o jovem campeão mundial Sub-20 diminuiu, ao aproveitar rebote do goleiro Renan. O gol, aos 21 minutos, animou o tricolor a partir para a reação, que se consolidou no fim com Rivaldo.
O Botafogo oscilou, durante o jogo, entre o primeiro e o quarto lugares, que é a posição em que ficou ao término da rodada. Com os 2 a 0 (e com empates de Corinthians e Vasco) assumia a ponta, com 47 pontos. Depois, como os outros concorrentes venceram e o São Paulo empatou, a equipe de Caio Júnior desceu para quarto, com 45 pontos. Mas com um jogo ainda por realizar (contra o Santos). Está na briga pelo título.
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Estava entusiasmado com a reação do Santos, apostei em vitória contra o Figueirense e quebrei a cara. Os 3 a 2 da noite deste sábado foram justos para o time catarinense e devem frear a escalada do campeão da América rumo ao topo. A partir de agora, é melhor que Muricy Ramalho e seus jogadores se concentrem de vez na disputa do Mundial de Clubes, no fim do ano, e usem o Brasileiro como preparação.
O Santos entrou em campo na Vila com um retrospecto recente espetacular: seis vitórias e dois empates. Era a equipe em maior ascensão na Série A – e ainda com duas partidas a menos do que a maioria dos concorrentes. Ou seja, se ganhasse de novo incomodaria o bloco principal. A euforia esfriou aos 9 minutos do primeiro tempo, com o gol de Júlio César em cobrança de falta. O Figueirense ignorou o favoritismo santista e foi pra cima.
Rafael tomou alguns sustos, mas o Santos empatou aos 24, com o artilheiro Borges. Ainda comemorava a igualdade, quando Wellington Nem aos 26 fez 2 a 1. O jogo teve ritmo bom até o final da etapa inicial e melhorou com o gol de Leo. O Santos, porém, sofreu no ataque, sem Neymar. Ficou mais do que evidente que o rapaz é o motor e cérebro da equipe.
No segundo tempo, Muriciy tentou tornar o time mais ofensivo, fez algumas mudanças – numa delas colocou Diogo no lugar de Alan Kardec para dar velocidade –, porém na prática não adiantou nada. O Figueirense se fechou e em contra-ataque conseguiu o pênalti que Júlio César transformou no gol da vitória aos 39 minutos. O Santos nem esboçou reação.
Muricy sai de campo soltando os cachorros, contra seus jogadores, por causa da desatenção (e contra repórteres, na entrevista coletiva, pelas perguntas que lhe fizeram), lamentou o desgaste do grupo e já não se mostra otimista na corrida pelo título doméstico. O Figueirense é que se deu melhor do que esperava, pois com o resultado foi a 36 pontos e passou o Santos.
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Não há bem que sempre dure nem há mal que nunca termine. Desta vez, a segunda parte do dito popular vingou para o Flamengo. Depois de dez rodadas sem vencer – cinco empates e cinco derrotas –, a equipe de Vanderlei Luxemburgo enfim ganhou, nos 2 a 1 de virada sobre o América-MG, na noite deste sábado, no Engenhão. No sufoco, na raça, com o coração na mão até o último instante. Mesmo assim, foi a 41 pontos e está no bloco principal.
O Flamengo entrou em campo pressionado, e sem Ronaldinho Gaúcho. Luxemburgo preferiu Jael no ataque e deixou David no banco. O rubro-negro teve dificuldade com a marcação do América, que aos poucos se soltou e deu trabalho para o goleiro Felipe. Como o Coelho atuava como franco-atirador, não teve medo de ir à frente à medida que o tempo passava. O prêmio veio com o pênalti que Kempes cobrou aos 29 minutos.
A desvantagem deixou o Fla descontrolado e a torcida passou a pressionar. Tanto que vaiou o time, na saída para o intervalo. Na volta, Luxemburgo havia feito três alterações: Diego Maurício no lugar de Maldonado, Thomas em substituição e Botinelli e David no posto de Jael. O time melhorou, acelerou o ritmo e o goleiro Neneca apareceu muito, com belas defesas.
O Fla também explorou descidas de Leo Moura pela direita. Numa das arrancadas, centrou a bola na medida para David empatar, aos 17 minutos. O Fla cresceu e, mais na base da raça do que na técnica, encurralou o América. Tanto fez que virou aos 44, com Diego Maurício iniciando jogada que Thiago Neves completou.
O Flamengo tirou, enfim, peso enorme, e pode preparar-se com calma para o clássico com o São Paulo, no próximo fim de semana. E, com o campeonato tão maluco, volta a ter chance de título. Desde que não fique mais dez rodadas sem vencer.
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Demorou cinco rodadas, mas o Palmeiras voltou a ganhar no Brasileiro. O time de Felipão fez 1 0 no Ceará, na noite desta quinta-feira, no Canindé e continua fora do bloco principal, já que está em sétimo lugar, com 38 pontos, 8 a menos do que o líder Vasco. Mesmo assim, o resultado faz com que volte a sonhar com vaga na Libertadores do ano que vem.
O Palmeiras venceu, mas não teve futebol muito diferente do que vinha mostrando. De novo, passou a maior parte do tempo das bolas levantadas para a área pelo Marcos Assunção, sejam lançamentos, cobranças de falta ou de escanteio. O que é pouco para quem pretende ter maiores pretensões no campeonato. Para não parecer má vontade, vale registrar que o meio-campo foi mais participativo, a defesa ficou menos exposta e o ataque apareceu mais.
A consequência da postura mais alerta foi domínio no primeiro tempo. O Palmeiras deu raras ocasiões para o contra-ataque do Ceará, criou mais chances do que em apresentações recentes, deu trabalho ao goleiro Fernando Henrique e ficou em vantagem com gol contra de Thiago Matias, aos 43 minutos. O zagueiro desviou sem intenção cabeçada de Luan, após cruzamento de Márcio Araújo (olha aí, não foi o Assunção…)
No segundo tempo, o Palmeiras diminuiu o ritmo, teve mais dificuldade para superar a marcação cearense e só incomodou duas vezes: aos 2 minutos, numa bicicleta de Kleber que passou raspando o travessão e aos 41 minutos, com Maikon Leite (tinha entrado um minuto antes no lugar de Fernandão) tocando para o gol; Eusébio salvou em cima da risca. Os dois times reclamaram de pênalti por mão na bola – e ambos tinham razão porque houve as faltas.
Não foi partida para guardar na memória. Mas o fato de voltar a vencer pode recolocar o Palmeiras no rumo. E, como ninguém se dispõe a disparar na frente… O Ceará, com 27, está na região da pasmaceira, em que nada acontece. Porém, se aproxima da zona do descenso.
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