Antero Greco - Estadao.com.br
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Parece contraditório, mas foi isso: o Corinthians conseguiu diminuir a pressão após vitória tensa sobre o Grêmio, por 3 a 2, no início da noite desta quarta-feira. O time de Tite, um dos alvos das cobranças, chegou a abrir vantagem de 3 a 1, mas jogou com dois a menos nos últimos dez minutos, após expulsões de Liedson e Edenilson. Com esse resultado, manteve também a liderança, independentemente do que fizerem os demais concorrentes.

O Corinthians sem Jorge Henrique e Willian (na reserva) foi mais incisivo no começo do jogo, explorou bem as descidas de Alessandro pelo lado direito e dessa forma chegou à vantagem inicial – e de forma polêmica. Em lançamento da direita, o zagueiro Adilson saltou com Emerson e o juiz André Luiz Castro enxergou pênalti que não existiu. Chicão cobrou e fez 1 a 0 aos 18 minutos. O árbitro posteriormente anulou, de forma acertada, duas conclusões de Emerson para o gol. Em ambas, ele estava impedido.

O Grêmio acordou depois do gol, conseguiu reagir, obrigou Júlio César a duas boas defesas, antes de chegar ao empate em cobrança de falta de Douglas a poucos minutos do intervalo.
O time gaúcho acertou a marcação e foi mais veloz na etapa final. Danilo dava sinais de cansaço e o Corinthians perdia a batalha no meio-campo.

Tite mexeu no time, tirou Danilo, colocou Jorge Henrique e se deu bem: em dois belos lances, aos 19 e aos 22, Paulinho e Ramon recolocaram o Corinthians na frente. Quando tudo parecia tranquilo, Liedson levou o segundo amarelo, o Grêmio reanimou-se e diminuiu com André Lima. Voltou a colocar pilha no clássico.

A tensão ficou maior nos últimos minutos. Por fazer cera, Edenilson também foi expulso no momento em que se preparava para ser substituído. O Grêmio tratou de pressionar, mas de forma errada, ao insistir nos cruzamentos para a área. Melhor para o Corinthians, que ficou todo atrás e se virou como pôde para garantir a vitória. O juiz, para não se complicar, deu só três minutos de acréscimo. Para desespero (justo) do Grêmio.

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Quer deixar o torcedor do Náutico apreensivo? Basta ele ver o time com mais jogadores em campo do que o adversário. Até hoje, em Recife, ninguém esquece o trauma provocado pela Batalha dos Aflitos, em 2005, quando o Grêmio venceu, pela Série B, mesmo com quatro a menos. Na noite desta terça-feira, a história se repetiu em parte: o Náutico ficou no empate de 0 a 0 com a Portuguesa mesmo com dois a mais durante todo o segundo tempo.

A luta entre o líder da divisão de acesso e o terceiro colocado tinha tudo para ser equilibrada. Lusa e Náutico fazem campanhas regulares e são candidatos à promoção. O prognóstico se confirmou, no primeiro tempo, com poucos lances de perigo e muita marcação. Tudo corria normalmente até os 44 minutos, quando Ferdinando derrubou Kieza e levou vermelho. Marcelo Cordeiro revoltou-se com o árbitro e também foi expulso.

Jorginho e os atletas da Lusa que restaram foram para os vestiários preocupados, com razão. (Vestiários modo de dizer, pois todos ficaram no gramado….) Porque sabiam que a pressão seria total no segundo tempo. O treinador do time paulista não teve dúvida: colocou todo mundo atrás, exceto Edno, que ficou sozinho no ataque e ainda com a responsabilidade de tapar, dentro do possível, o meio-campo.

Não deu outra: o Náutico se jogou no ataque, pressionou, teve domínio de bola muito superior, mas falhou num quesito básico: eficiência. Não houve qualidade nas jogadas, não houve criatividade e, até certo ponto, a Lusa não teve a vida tão dificultada. Com a vantagem numérica, a equipe pernambucana conseguiu seu melhor momento num chute de Philip que bateu no travessão. No fim, saiu de campo até sob algumas vaias e Kieza quis partir pra cima de um torcedor mais folgado.

Com esse resultado, a Lusa segurou a ponta, agora com 39 pontos, contra 35 do Náutico. A Ponte está em segundo, com 38, e avança. A Lusa, desta vez, volta para casa com sensação de dever cumprido.

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A tensão começa a pegar, no Corinthians. A liderança permanece, mas a distância folgada em relação aos demais concorrentes virou pó, pois Flamengo, São Paulo, Vasco, Botafogo e também Palmeiras estão nos calcanhares alvinegros. O título parecia barbada; agora, é uma grande incerteza. Há tensão no Parque São Jorge, cenário conhecido por qualquer torcedor.

E o que acontece em momentos como este? Acertou quem disse que a cabeça do técnico está a prêmio. É a resposta mais óbvia. Tite perde apoio no clube na mesma proporção em que o time desperdiça pontos por aí. O retrospecto das últimas nove rodadas – nove pontos apenas – pesa muito na opinião daqueles que empurram para o treinador a responsabilidade pela queda acentuada de desempenho. A saída adivinha qual é? Isso, troca de comando.

Não sou dos que supervalorizam treinadores, tampouco estou no time dos que desprezam o trabalho deles. Os ‘professores’ são importantes na estrutura de um time de futebol, acertam, erram, têm lampejos decisivos, pisam na bola, chutam o balde. Faz parte do estereótipo da profissão certa dramaticidade, um pouco de encenação. Nem sempre administram bem um grupo (como acontece com qualquer chefe), cobram, são cobrados.

Tite se encaixa nesse quadro. Não é um gênio da raça, como fazia supor o aproveitamento superior a 90% nas dez rodadas iniciais, nem um enganador, como tentam mostrar os que esperam sua saída a qualquer momento. Está na média, como o próprio Corinthians e como muitos de seus companheiros de profissão.

Não me convence a história de que “perdeu o controle do grupo”. Perdeu em que sentido? Disciplinar? Não consta que haja casos graves no elenco. Tático? O Corinthians tem esquema simples, mas funcional. Moral? Não há registro de atitudes inconvenientes do treinador. A questão é a seguinte: o time não é tão espetacular como se supunha, tomou choque de realidade a partir da derrota para o Cruzeiro, viu crescer a sombra da concorrência. De qualquer forma, se trata do técnico do líder do campeonato e não do lanterna.

Mas o medo do fracasso bateu à porta alvinegra – e esse medo leva a medidas extremadas. Talvez não seja amanhã, contra o Grêmio. Mas, salvo reviravolta (ou gente disponível no mercado), o destino de Tite está traçado, no filme mais repetido do futebol.

 

 

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Passou meio batida, por causa dos jogos de final de semana, entrevista que Joseph Blatter concedeu ao repórter Jamil Chade e publicada na edição de domingo do Estado. O presidente da Fifa disse, dentre outras coisas, que vê o Maracanã como local ideal para abertura e encerramento da Copa de 2014. Comentou de maneira vaga, como quem não quer nada, não fez dessa preferência uma resolução oficial. Mas jogou a questão no ar.

O que Blatter fala deve ser levado em conta. Afinal, ele é o mandachuva maior da bola e não dá ponto sem nó. Não entendo por que a dúvida em torno do local onde será dado o pontapé inicial do Mundial. Desde o ano passado, Fifa e aliados detonaram o Morumbi, a ponto de tirá-lo da competição seja lá para qual tipo de partida fosse. Ao mesmo tempo, trabalharam por uma arena alternativa, em São Paulo, que vem a ser o futuro estádio do Corinthians.

A Fifa aprovou o projeto paulistano de antemão, sem sequer analisá-lo, e dali em diante não faltaram negociações e concessões para que todas as exigências fossem atendidas. Até o custo do Itaquerão subiu – está em quase 800 milhões ou coisa parecida – sob a alegação de que serão feitas adequações para a festa inaugural. O governo de SP (estadual e municipal) entrou na dança, com concessões generosas, renúncia fiscal e o diabo a quatro. Tudo para não perder a oportunidade de ser anfitrião de evento tão ilustre etc e tal.

Quer dizer, foram armados dois circos – um para tirar o Morumbi da jogada, outro para a construção de novo estádio – e agora vem Blatter insinuar que o Maracanã pode ficar com as duas solenidades?! Nem sou contra e até já disse e escrevi diversas vezes que seria mais sensato (e menos oneroso para o bolso do contribuinte), se isso ocorresse. Abertura é uma chatice mesmo e o mais interessante, no caso de SP, seria receber oitavas, quartas, semifinal.

Mas, diante da possibilidade de ver toda essa encenação não dar em nada, fica a sensação de que a Fifa tira onda da nossa cara. Ou tudo não passa de mais um teatrinho, como insinua gente ligada à diretoria do Corinthians? A abertura será em SP mesmo, só que a Fifa quer ter o gostinho de fazer o anúncio oficial e não deixá-lo para o Comitê Organizador Local. Sei lá qual a verdade, mas no Bom Retiro a gente diria que nos tentam levar pra grupo.

Tem tanta coisa que não dá pra entender mesmo nessa Copa…

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Esperava mais do clássico entre Santos e São Paulo na Vila Belmiro. O campeão da Libertadores tinha duas vitórias consecutivas e o tricolor precisa vencer para talvez fechar o turno ao lado do Corinthians (como, de fato, aconteceria). No fim, foi um jogo menos empolgante, que valeu pelos dois gols bonitos – de Lucas e de Ganso.

O São Paulo outra vez foi instável, como tem acontecido com frequência – desde quando estava sob o comando de Paulo César Carpegiani. Mas teve o mérito de segurar-se bem a partir dos 28 minutos do primeiro tempo, com a expulsão de Carlinhos Paraíba. Compensou a ausência de um jogador com valentia. E ainda ficou em vantagem com o golaço de Lucas, gol de placa na casa alvinegra.

O esforço são-paulino quase foi premiado, também, com chances perdidas por Wellington e Dagoberto. O Santos só foi reagir depois da metade do segundo tempo, quando Muricy Ramalho tirou Pará e colocou Alan Kardec. Daí em diante, equilibrou, Borges teve duas oportunidades fortes para empatar. A igualdade só veio com Ganso, num lindo chute de longe. O melhor lance do meia, outra vez aquém da expectativa.

O empate emperrou o São Paulo, mas o manteve entre os melhores e bem perto de Corinthians e Flamengo. Para o Santos, serviu para deixá-lo no meio da tabela. Não vai brigar pelo título muito menos vai cair. Mas tem tudo para fazer um segundo turno bem melhor do que foi o primeiro. E preparar-se bem para o Mundial de Clubes no fim do ano.

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O Palmeiras é cheio de contradições, imprevisível e surpreendente. Nas últimas cinco rodadas, empatou quatro vezes e perdeu uma. Além disso, tinha sido eliminado na Sul-Americana no meio da semana. Daí enfrenta o líder Corinthians, leva um gol, mas consegue reagir, vira, vence por2 a1 e tem uma atuação primorosa. De quebra, mantém aberta a corrida pelo título brasileiro de 2011.

O dérbi paulista disputadoem Presidente Prudentefoi quente – e não só por causa da temperatura. A partida foi boa, longe de mostrar-se monótona. Tite havia prometido Corinthians veloz como aquele das brilhantes dez rodadas iniciais. Para tanto, colocou Emerson no lugar de Alex. O Palmeiras tomou precauções e reforçou a marcação, com Márcio Araújo na direita, Chico, Marcos Assunção e Patrick no meio.

A estratégia corintiana funcionou no gol de Emerson – gol um tanto esquisito, pois ele tentou cruzar e ninguém de verde apareceu para fazer o desvio. O Palmeiras respondeu com duas boas conclusões de Kleber. Mas perdia o meio-campo. Daí Felipão, ao ver o jogo por cima (suspenso, estava numa tribuna), mandou Murtosa colocar Fernandão no lugar de Patrik. O grandalhão estreante pegou pouco na bola, mas segurou os zagueiros.

O equilíbrio no jogo levou ao empate, com Luan, um dos melhores, senão o destaque do jogo. Ele correu, combateu na defesa, no meio-campo, armou e ainda apareceu na área, em cobrança de escanteio, para fazer1 a1. Avirada veio com Fernandão, no início da etapa final, num lançamento de Marcos Assunção: o centroavante com cara e jeito do italiano Vieri matou no peito e tocou na saída de Júlio César.

Prevaleceu, dali pra frente, a postura impecável da marcação palmeirense. As duplas de zagueiros (Henrique e Thiago Heleno) e de laterais (Márcio Araújo e Gabriel Silva), mais Chico, anularam o meio-campo e o ataque corintianos. Emerson, Liedson, Jorge Henrique (depois Morais), Danilo (Willian) sumiram. Os laterais Wallace e Ramon pouco foram vistos na frente. Paulinho em nenhum momento apareceu como ‘surpresa’.

Uma tarde para o Palmeiras comemorar. O Corinthians ainda ficou com o título de “campeão de inverno”, mas vê de longe aquele time ajustado do início da competição. Tem bons momentos, porém já não parece mais com pique para disparar.

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27.agosto.2011 13:04:07

Botar a boca no trombone

Não sei a média de idade dos que costumam ler meu blog, mas suponho que a maioria seja bem mais jovem do que eu. Quantos, por exemplo, lembram do Concurso de Resistência Orniex? Peguei vocês nessa, hein! É de carnaval das antigas, quem tiver curiosidade dê uma pesquisada no Google para saber mais…

Pois bem, minha geração cresceu com mordaça, com liberdade cerceada e cercada de ameaças por todos os lados. Não se podia esboçar qualquer reação de inconformismo que na hora crescia a sombra da Repressão. Tudo era errado, tudo era proibido. E dá-lhe borrachada. Viam-se “comunistas”, “terroristas” e “subversivos” em todo canto. Na faculdade, a gente desconfiava do colega, pois ele poderia ser um agente infiltrado. E muitos eram mesmo…

Parte importante da formação cívica foi roubada da juventude dos anos 1960, 1970, com um pezinho nos 80. Ainda assim, explorava-se a mínima brecha para protestar. Custou, mas recuperamos a normalidade democrática, nos devolveram o direito de pôr a boca no trombone. E esse é um bem sagrado que nunca mais devemos deixar que nos tomem.

Por isso, entendo como justa, adequada, sagrada até, a intenção de torcedores cobrarem, neste domingo, transparência nos custos das obras para a Copa de 2014 e de mostrarem insatisfação com os donos do poder do futebol nacional. Sem violência, é direito de todo cidadão manifestar suas ideias. Está na Constituição, é Lei, não é favor para ninguém.

Há ameaças estapafúrdias, como aquela que vinha de Santa Catarina, com proibição de cartazes ou coisas do gênero contra a cartolagem todo-poderosa. Medida derrubada pelo Ministério Público Federal, conforme noticiou ontem o Juca Kfouri. Para desespero de lambe-botas espalhados pelo país.

Portanto, exerça seu direito de soltar o verbo, não se envergonhe de mostrar o que pensa. Isso serve para todas as ocasiões, não só no caso específico do futebol.  Mas o faça com elegância, com bom humor, sem baixar o nível e sem aceitar provocações. Por mais que diga que se lixa de montão, tem gente que precisa saber que não é intocável.

 

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26.agosto.2011 14:41:49

*Coisas da vida

A gente vive a fazer associação de ideias, sem percebermos. Vou contar uma. Estava a caminhar ontem, antes do almoço, e ouvia música num desses aparelhinhos modernos com nome inglês que não passam de radinhos de pilha metidos a besta. Na Eldorado tocava antiga canção de Vinicius e Toquinho: “Tem dias que fico pensando na vida e sinceramente não vejo saída”… e por aí vai. Aquilo esteve a batucar na minha cabeça, sob um solzinho bacana. Chego em casa, ligo a tevê e vejo duas cenas curiosas: primeiro a cara de alegria do Dorival Júnior com o título do Inter na Recopa Sul-Americana. Depois, o jeito sem graça do Cristiano Ronaldo ao olhar o Messi receber de Michel Platini o prêmio de melhor jogador da Europa de 2010-11.

 Pimba! A aproximação veio na hora: música, futebol e vida se juntaram e desembocaram na constatação óbvia de que tem gente que está no lugar certo na hora certa, ou no lugar errado na hora errada. Dorival e Cristiano personificaram as duas situações que ocorrem a todo momento. Pode verificar que você conhece muitas histórias idênticas.

Dorival dançou miudinho no Atlético-MG até ser defenestrado, um tempo atrás, porque o time emperrou e não saía da parte de baixo do Brasileiro. Ou seja: saiu de BH com a equipe quase na mesma situação em que a encontrou no ano passado. Lembra? Em 2010, foi chamado para apagar incêndio, pois havia risco de rebaixamento. Deu uma revigorada no elenco, evitou o mal maior e se animou com projetos ambiciosos para a atual temporada. Nada deu certo.

Ficou alguns dias de molho e, como a toda hora cai técnico, logo apareceu convite para ajustar o Internacional. Não disputou nem meia dúzia de partidas e se deparou com o desafio de anular vantagem do Independiente na Recopa. Vitória por 3 a 1, com Leandro Damião inspiradíssimo, festa no Beira-Rio e caminho mais sereno para Dorival colocar a turma colorada no prumo no restante da Série A. Quer dizer: calhou de aceitar proposta na hora certa e assim ostenta seu primeiro troféu internacional.

E nem se pode dizer que o time mudou de maneira expressiva de quando estava sob o comando de Paulo Roberto Falcão. Talvez se mostre menos ansioso – ou há mais boa vontade da diretoria. A propósito: Falcão pegou o bonde andando na hora errada e ficou a pé. É o caso do sujeito na hora e no lugar errados. Assim como, me parece, sucede com o Cuca. A não ser que consiga reviravolta daquelas, tem tudo para quebrar a cara no Atlético-MG. Desde que chegou, foram cinco derrotas em cinco jogos. E domingo tem clássico com o Cruzeiro…

O Cristiano Ronaldo, então? Esse deve lamentar diversas vezes por dia a época em que nasceu. O português joga demais, não é fenômeno de marketing nem conversa fiada. É estiloso no visual e nas atitudes dentro de campo. Arrasou no Manchester United, é ponto de referência no Real Madrid. Merece prêmios, medalhas, distinções – o mais importante o de melhor do mundo em 2008.

De lá pra cá, o futebol dele só evoluiu, ficou vistoso e eficiente, para torná-lo sempre protagonista, como nenhum patrício seu jamais foi. Mas Cristiano não consegue emplacar prêmios, se tiver como concorrente Lionel Messi. O argentino leva todas e está com pinta de que não vai parar tão logo de colecionar comendas. Complicado, mesmo para quem é craque, dividir atenção com estrela de altíssima grandeza. Por mais que brilhe, será ofuscado pelo astro maior. Como acontecia na época de Pelé. Era um desperdício de gente boa a desfilar pelos gramados, virtuoses de primeira linha, que no entanto ficavam à sombra do solista, do Rei.

A vida tem dessas ironias. Fazer o quê? Como diz a música: “Sei lá, a vida é uma grande ilusão. Sei lá, sei lá, vida tem sempre razão”.

*(Minha coluna no Estado de hoje, dia 26/8/2011)

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O Palmeiras lutou bravamente, na noite desta quinta-feira, no clássico com o Vasco. Correu, suou, pressionou, venceu, e bem, por 3 a 1. O resultado, porém, foi insuficiente para levá-lo adiante na Copa Sul-Americana. O gol sofrido – aliás um golaço de Jumar – derrubou as pretensões da turma de Felipão. Faltou mais um. O Vasco vai em frente, por causa desse gol e dos 2 a 0 que obteve na ida, em São Januário.

Bateu na trave, mais uma vez, para o Palmeiras, que segue sua sina de coadjuvante. Antes do jogo, houve apresentação da nova/velha camisa, que lembrou os primeiros meses da parceria com a Parmalat, no início dos anos 1990. Ídolos como Edmundo e César Sampaio desfilaram pelo Pacaembu. Havia no ar, na véspera de o clube completar 97 anos, esperança de voltasse a ser protagonista, como é sua vocação histórica.

Com a bola a rolar, o Palmeiras sufocou o Vasco, com Valdivia, Luan, Maikon Leite e Kleber a rondar a área. Na base do abafo, o Palestra ficou em vantagem, com o gol de Luan, após rebatida de Fernando Prass em chute de Valdivia. O ritmo forte foi até a metade do primeiro tempo, quando o Vasco conseguiu equilibrar e se segurar.

O panorama ficou mais alviverde, no começo da etapa final, com o gol de Kleber. Àquela altura, no mínimo, a decisão da vaga iria para os pênaltis. Até que Jumar acertou o chute mais certeiro da vida dele: da intermediária, mandou um míssil no ângulo esquerdo. Marcos não teve nem coragem nem reação de mexer-se. Esfriou o estádio.

O Palmeiras passou o restante do segundo tempo à procura de espaços e de jogadas. Mas se limitou, na maior parte das vezes, aos cruzamentos para a área e às bolas paradas. Chegou ainda o terceiro gol, com falta cobrada por Marcos Assunção, mas já em cima da hora. O placar serviu apenas como consolo.

O Paulista foi, a Copa do Brasil também, a Sul-Americana idem. Resta o Brasileiro para salvar mais uma temporada frustrante. Será que dá? Tenho sérias dúvidas.

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O Santos voltou ao Brasileiro. Depois de férias prolongadas, o tricampeão da  Libertadores se reencontra no torneio nacional. A campanha está muito aquém do que se imaginava, mas já não é tão ridícula a ponto de deixá-lo no Z-4, a turma do sai de baixo. Os 2 a 1 sobre o Fluminense, na noite desta quarta-feira, são prova de que o time de Muricy Ramalho vai incomodar no returno. Não para brigar pelo título, mas para terminar no bloco principal, como lhe é de direito.

O Santos que se apresentou na Vila esteve próximo daquele conjunto seguro e confiante que conquistou a América em junho. O toque de bola foi mais eficiente e jogadores importantes renderam o suficiente para desequilibrar. Casos de Arouca e o artilheiro Borges. Incluiria nessa lista também o veterano Leo, o goleiro Rafael e Elano, que saiu machucado no segundo tempo.

Pode não ter sido um Santos a mil por hora, mas foi veloz na medida exata para envolver o Flu em diversos momentos. Por ironia, porém, ficou em vantagem em cobrança de falta, com Elano a levantar a bola pela direita e Borges mergulhou para marcar, aos 13 minutos. O empate veio de jeito semelhante: cobrança de Marquinho, aos 38, também do lado direito do ataque do Flu, e Rafael Moura sozinho entre os zagueiros para desviar de cabeça.

Como tudo aconteceu no primeiro tempo, Borges recolocou o time na frente, aos 41 minutos, num contra-ataque rápido que terminou com chute certeiro. Foi o 12.º gol dele na competição. A segunda etapa foi mais cadenciada, Abel fez algumas modificações (uma delas, Rafael Sobis, no lugar do apagado Fred), mas o máximo que conseguiu foram duas finalizações que morreram em defesas seguras de Rafael.

Esse jogo valeu pela oitava rodada e o Santos ainda tem de recuperar o clássico com o Grêmio. Dá pra pensar em percurso animado na segunda parte da Série A. O Flu precisa definir o que quer da vida, porque tem oscilado muito. Está com jeito de que não passa de figurante neste ano.

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