Foi-se o tempo do cartola amador, aquele sujeito, em geral rico, que dedicava parte de sua vida na administração do clube do coração. Salvo exceções que soam como coisas do passado, hoje os dirigentes estão no futebol para faturar, direta ou indiretamente. O esporte mais popular do mundo virou negócio, business. Rola muito dinheiro, mais do que imaginamos. Amadores são só os torcedores – e olhe lá, porque tem “torcedor” profissional faz tempo…
Nada contra alguém faturar, desde que seja de forma transparente e honesta. Isso se aplica em qualquer atividade, incluído o futebol. Mas, quando surgem indícios de que tem mutreta a rolar por aí, é mais do que justo que se fique alerta. Por isso, provoca desânimo e desconfiança essa onda de acusações de corrupção a envolver figurões da Fifa. Os mandachuvas da bola, espalhados pelo planeta, estão a patinar em mar de lama.
O mais interessante é que o maremoto partiu de dentro pra fora. As denúncias não vieram de jornalistas futriqueiros, sempre interessados em encher a paciência dos nobres barões do futebol. A confusão começou com eles mesmos, com pessoal da casa, membros dessa imensa ‘família’. Tudo por causa do poder. O árabe Mohamad Bin Hamman bagunçou o coreto, com sua candidatura de oposição repleta de diretas contra Joseph Blatter, e não se sabe direito onde isso tudo vai dar.
Hamman está fora da parada na eleição de candidato único marcada para esta quarta-feira. Mas, se houver um resquício de seriedade, desdobramentos virão por aí. Não da parte da cartolagem, pois a confraria é forte e se autoprotege. Mudanças, se ocorrerem, serão provocadas por pressão de patrocinadores, pela turma da grana alta.
Tem empresa multinacional com imagem a zelar que se mostra, pelo menos aparentemente, preocupada com associações negativas que podem ser feitas por estarem ao lado da Fifa. Se não for por lisura, no mínimo é por medo do mercado que alguns desses gigantes do capitalismo podem entrar no circuito e exigir alterações. Embora eu tenha lá minhas dúvidas…
Só por interesses maiores, digamos assim, a Fifa poderia levar uma sacudida. Caso contrário, por muito e muito tempo, tudo ficará como está. E ora bolas para o torcedor!
Tags: Fifa, Joseph Blatter
Aos amigos que me honram com visitas ao blog, um aviso, embora tardio: os ‘posts’ têm sido irregulares, nos últimos dias, porque fiz uma viagem muito rápida para Espanha e Portugal, a trabalho. O blog retomará o ritmo normal a partir do início da semana. Obrigado pela compreensão.
Sites têm destacado o erro de Jorge Larrionda no jogo em que a Alemaha despachou a Inglaterra na Copa da África. Você lembra: foi um chute de Lampard que bateu no travessão e caiu mais de meio metro pra dentro do gol. O árbitro uruguaio e seus auxiliares, no entanto, não viram nada de anormal, mandaram prosseguir a partida. Pouco depois, os alemães marcaram e os britânicos ficaram furibundos. Mancada daquelas do apitador e seus bandeirinhas.
Pois Larrionda está escalado para o jogo que o Santos faz depois de amanhã com o Cerro Porteño, pela semifinal da Taça Libertadores. Motivo de preocupação? Sim, como para qualquer arbitragem, sempre sujeita a escorregadas. Claro que o erro dele no Mundial foi constrangedor, mas de forma alguma eu iria pensar em roubalheira para prejudicar a Inglaterra. Isso é muito simplista.
Larrionda não estava comprado, até prova em contrário. E, se houvesse interesses estranhos em jogo, não seria num momento como aquele que os súditos da rainha Elizabeth seriam garfados. Não funciona mais assim. A gafe foi tão evidente, mas tão clara, que só pode ser computada mesmo a vacilo mastodôntico. Larrionda deve computar aquele episódio como o mais contransgedor de sua carreira.
Há torcedores preocupados com o fato de Larrionda ser uruguaio, assim como o Peñarol. Também não acho que ele vá agir com patriotada – é outra situação ridícula para um árbitro. De qualquer forma, se quisesse evitar o mínimo indício de suspeita, e afastar polêmicas inúteis, a Conmebol poderia escolher, para esta fase, apenas juízes de países que já não têm representantes na briga pelo título sul-americano.
Mas, assim como ocorreu no duelo entre Palmeiras x Corinthians no Campeonato Paulista (aquele jogo do Paulo César de Oliveira), os responsáveis pelo apito não voltam atrás, para não “sucumbir a pressões”. Preferem os riscos ao bom senso.
Tags: Cerro Porteño, Jorge Larrionda, Santos, Taça Libertadores
Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta. O que esses versos de Os Lusíadas têm a ver com o futebol, que nem existia (pelo menos como o conhecemos hoje) na época de Luís de Camões? Na teoria, nada. Nesta crônica, fazem sentido. Lembrei do bardo lusitano por causa do Campeonato Brasileiro. Ficou mais confusa a aproximação? Calma, e explico o porquê da comparação.
A partir deste sábado, o que se disputou até agora ou fica para trás ou passa momentaneamente para segundo plano. A maioria dos Estaduais, com seus campeões e polêmicas, viraram registro, páginas arrancadas da folhinha do calendário futebolístico. Copa do Brasil e Libertadores saem de foco de grande parte dos clubes. O olhar volta-se para o torneio da elite nacional, aquele que conta mais, a nova Musa, com pontapé inicial amanhã e que se estende até dezembro.
Os 20 melhores times de 2010 (incluídos aqui os 4 que vieram da Série B) correm mais uma vez atrás do troféu que simboliza a hegemonia doméstica. Pelo nono ano consecutivo, o campeão sairá da disputa de todos contra todos, em turno e returno. Fatura a taça quem somar maior número de pontos. Os quatro piores escorregam para o patamar de baixo. Fórmula simples, resumida em duas ou três frases, sem mistérios.
Ainda assim, não faltarão discussões em torno da eficiência do regulamento. A mais manjada é a que o considera entediante, sem graça, porque não prevê os malfadados mata-matas. Para que não pairem dúvidas, reafirmo que prefiro o formato atual, por premiar regularidade, planejamento e estratégias de longo prazo. Quem tem competência se estabeleça, dizia Toninho Cazzeguai, filósofo de bares e várzeas do Bom Retiro. O outro serve para Libertadores, Copa do Brasil, Mundial. Deixa quieto o que está bom.
O campeonato, como sempre, será dividido em duas fases, e que não se confunda com turno e returno. A primeira parte compreende período curto, de três meses, três meses e meio. Vai até o fim de agosto, quando fecha o mercado de transferências na Europa. Nossos clubes começarão com uma formação-base, mas sofrerão baixas à medida que alguns jogadores se destaquem e chamem a atenção dos endinheirados de fora.
Após a revoada de talentos, e uma ou outra volta de veterano ou sem mercado no exterior, se disputa a Série A de fato, com os elencos definidos ou definhados até o encerramento da temporada. Costumam dar-se bem as equipes que acumulam pontos antes de se verem obrigadas a ceder astros para equilibrar suas contas e engordar o saldos dos investidores, essa praga moderna que, parece, veio para ficar no futebol.
Como a tendência para mutações é inevitável, cravar favoritos desde já é exercício de futurologia e casca de banana para os críticos. Mas, como já afirmei em inúmeras ocasiões, não tenho medo de errar. Não me incluo na lista dos autossuficientes, daqueles que temem expor-se, mas preferem expor os outros.
Isto posto, sem mais delongas, englobo no rol dos candidatos participantes coroados como Santos, São Paulo, Cruzeiro, Grêmio, Inter, Flu e o fenômeno Coritiba. Não desprezaria forças como Corinthians, Atlético-MG e Flamengo, que largam na segunda fila. Palmeiras, Atlético-PR, Botafogo, Vasco, Bahia pintam como coadjuvantes. Ceará, Avaí (surpresas na Copa do Brasil), América-MG, Atlético-GO e Figueirense poria na turma de baixo. Os integrantes deste bloco podem ser, no fim das contas, os fiéis da balança.
Há risco de enganar-me? Enorme. O Brasileiro sofre do mal crônico do êxodo e consequente enfraquecimento dos times. Mesmo assim, continua a ser dos mais equilibrados do mundo. No mínimo porque, de antemão, a briga pelo título não se restringe a dois ou três. Torçam o nariz os esnobes, os que sonham com Europa: continuo a curtir o futebol daqui, vibro e sofro por equipes com nomes que me são familiares e tão charmosos quanto os badalados Real, Barcelona, Milan, Manchester. Aliás, jamais me verão na Paulista a comemorar conquistas dessas venerandas agremiações gringas. Com todo o respeito.
P.S. Gastei quase todo o espaço a falar da Série A. Mas, espera aí: a série B começa hoje, também com 20 clubes, 35% deles paulistas: Lusa, Guarani, Ponte, São Caetano, Bragantino, Americana e Grêmio Prudente, que fazem um Estadual à parte. E 35% são da região Nordeste. Vai ser bom.
*(Minha coluna do Estadão de hoje, dia 20/5/2011.)
Tags: Campeonato Brasileiro
A lista de Mano Menezes aumentou no número de convocados (são 28 em vez dos 22 ou 23 habituais), mas tem poucas surpresas para os amistosos com Holanda e Romênia, no começo de junho. Novidades, como se sabe, são Fred, Thiago Neves e Fábio, jogadores com os quais ele ainda não havia trabalhado. O trio foi chamado por seu desempenho nos clubes, tanto nos Estaduais, como em competições nacionais e internacionais.
A presença do trio significa que as experiências continuam a ocorrer, embora em menor escala. Isso de certa forma é bom. Não gosto muito quando um treinador muda demais as convocações para a seleção, sejam quais forem os motivos alegados. Na medida em que o leque está sempre muito aberto, fica mais demorado o processo de montagem do time ideal, ou aquele que mais se aproxima do que pretende.
Não diria que Mano já tenha essa equipe, depois de seis jogos apenas na seleção. Mas distribui pistas a respeito de vários de seus favoritos e mostra tendências. A principal delas é a de que haverá perfil bem alterado, para 2014, daquele que se viu em 2010. Não sobreviverão muitos do grupo levado por Dunga para a África do Sul. Vários saem de cena, por idade, e muitos por troca de mentalidade.
Na média, a mais recente convocação é boa. Não havia muito como fugir nesta ou naquela posição. Pela distribuição das vagas, dá para perceber que tem fechados, aparentemente, um setor: a defesa. São três os goleiros, quatro os laterais e quatro os zagueiros. Isso quer dizer que Julio Cesar, Daniel Alves, Thiago Silva, Lúcio e André Santos provavelmente formem como titulares.
As alternativas maiores são no meio-campo e no ataque, setores que perderão alguns para a Copa América. Salvo erro de avaliação, Lucas (Liverpool), Ramires, Elano, Lucas (São Paulo) estarão na Copa América, assim como Neymar, Robinho, Pato. No meio, portanto, Sandro, Elias, Jadson, Anderson, Henrique e Thiago Neves brigarão por mais quatro lugares, se Ganso não for mesmo chamado. Na frente, Nilmar, Fred e Leandro Damião se baterão por um lugar.
Estou cá a imaginar uma final entre Santos x Peñarol, para dar um salto no tempo e voltar para os primórdios da Taça Libertadores. Ambos foram os primeiros bicampeões da competição continental – os uruguaios em 1960 e 61, os brasileiros em 1962 e 63 – e continuam na briga na edição de 2011. E, em minha avaliação, são dois dos melhores que sobraram e abriram vantagem no primeiro duelo das quartas de final.
O Santos tem tudo para confirmar a vaga no duelo com o Once Caldas, nesta quarta-feira, no Pacaembu. Na semana passada, o bicampeão paulista teve comportamento maduro, seguro, paciente, para chegar à vitória por 1 a 0 na Colômbia. Agora, sem o desgaste adicional de viagem, pode controlar a situação e seguir para a semifinal. O rival é encardido quando joga fora de casa, mas tecnicamente é inferior ao Santos.
Para não passar susto ou topar com decepção o Santos só não pode repetir a atitude do Cruzeiro, que relaxou depois de bater o Once Caldas por 2 a 1 como visitante. O campeão mineiro achou que a questão estava resolvida e, quando se deu conta, levava 2 a 0 em Sete Lagoas e via o sonho do tricampeonato ir para o espaço.
Por isso, Muricy coloca pilha na equipe. Desde domingo, logo após a vitória sobre o Corinthians, alertou várias vezes para a necessidade de o Santos continuar “ligado”. O treinador pretende aproveitar o embalo positivo provocado pela conquista da taça local para mostrar a seus jogadores que estão em condições de saltos mais atrevidos.
Não vejo como pretensiosa a intenção santista de chegar à final. Os times que sobraram não lhe são superiores. Ok que o Santos também não é extraordinário, mas conta com jogadores que podem resolver. E um deles – Neymar – é uma grande aposta. O rapaz vive uma fase de brilho intenso e, assim como escrevi que poderia ser o destaque no Paulista, agora afirmo que pode se lançar definitivamente no mercado mundial com a eventual fatura da Libertadores.
Não é insano pensar nisso.
Fila em ziguezague na área de embarque internacional do aeroporto de Cumbica. Um mar de gente virando pra cá e pra lá, à espera de passar nos controles de bagagem de mão e de passaporte. Eis que, de repente, frente a frente, a um metro de distância, vejo Dunga, de camisa azul, calça jeans e sapato preto bico fino.
O treinador, de quem não pude chegar a menos de 20 metros de distância durante a Copa da África, aparentemente estava distraído, a conversar com um casal a sua frente. Atrevi-me a cumprimentá-lo com um singelo “Olá, Dunga, como vai?”, pois me pareceu o cúmulo da indiferença fingir que não o havia visto. Noto um átimo de vacilo, até que me balbucia, de volta, qualquer coisa como: “Tudo bem”.
Assim como ocorreu em Johannesburgo, deu-me vontade de puxar conversa com o ex-treinador da seleção, trocar ideias sobre aquele período, saber como ia sua vida, para onde iria viajar, como tem seguido o futebol. Notei, porém, que não havia espaço para tanto. Algo no olhar de Dunga me fez pressentir que seria perda de tempo insistir na abordagem, por mais prosaica que fosse.
Sei lá, pode ter sido impressão equivocada minha, resquício dos dias de convivência gélida no Mundial. Talvez ele nem saiba quem eu seja, tão raros foram os momentos em que tivemos contato, ao longo de minha carreira de cronista e da dele, como jogador, como treinador e, em breve período, como comentarista de televisão.
A fila prosseguiu no seu serpentear, vi Dunga a conversar só com as mesmas duas pessoas de antes. Não notei ninguém mais que o chamasse, seja num aceno, seja para pedir um autógrafo, seja para uma foto. De novo, posso ter cometido um erro de interpretação, pois não o vi antes de chegar à fila e não posso afirmar que tenha passado despercebido pelas pessoas no aeroporto lotado. Talvez, não.
Certo, porém, que naquele espaço pequeno da área de embarque não causou frisson, como seria de esperar de um personagem tão público. A resposta talvez esteja no fato de que não é tão popular. Por opção dele.
Tags: Dunga
O São Paulo fez feio no episódio que começou com críticas de Rivaldo a Paulo César Carpegiani e que por pouco não resultaram na saída do treinador. A diretoria, em um primeiro momento, ficou ao lado do meia, que se sentiu “humilhado” por não ter entrado no jogo em que o time foi eliminado pelo Avaí na Copa do Brasil. O presidente Juvenal Juvêncio chegou a dizer que a convivência de atleta e técnico era inviável. Foi além, ao deixar no ar que a demissão do “professor” se limitava a horas.
Nesta segunda-feira, porém, o São Paulo voltou atrás nas insinuações e anunciou que Carpegiani está mantido no cargo. Os dirigentes ainda tratam de reaproximá-lo com Rivaldo. O técnico deu um passe na direção do armistício ao desculpar-se publicamente de Rivaldo por ter sugerido que lhe faltava caráter, após o desabafo em Florianópolis.
O gesto do treinador foi elegante, como havia sido ponderada sua postura após a desclassificação na Copa do Brasil. Já não acho o mesmo do São Paulo. Juvenal Juvêncio poderia ter economizado na ironia, no desembarque da delegação, e tampouco sugerir que dispensaria Carpegiani, como aliás seria vontade de alguns de seus colaboradores. Comportamento mais sereno teria sido mais apropriado.
O incidente não parece inteiramente superado. Há quem afirme que Carpegiani só não saiu porque ficou difícil tirar Cuca do Cruzeiro campeão mineiro e porque Dorival Júnior seria investimento alto. Ou seja, o técnico se garante porque não há opções. Então, isso significa que o ambiente não está pacificado. Tudo permanece como está até a próxima discussã ou ou derrota ou desbafo?
Tags: Carpegiani, São Paulo
Na semana passada, escrevi que Falcão e Cuca estavam na berlinda, porque Inter e Cruzeiro haviam sido eliminados na Libertadores e perderam a primeira parte dos duelos das finais dos Estaduais contra adversários históricos. Pois treinadores e suas respectivas equipes deram a volta por cima e, no fim das contas, a festa foi deles. O Inter bateu o Grêmio por 3 a 2 no tempo normal e nos pênaltis, enquanto o Cruzeiro fez 2 a 0 no Atlético-MG e levou a taça.
O jogo em Porto Alegre foi emocionante, provavelmente o melhor das finais dos regionais. O Inter entrou em campo pressionado, por causa da derrapada no clássico anterior, e ainda viu sua situação piorar com o gol de Lúcio aos 15 minutos. Mas Falcão e sua turma não jogaram a toalha e viraram ainda no primeiro tempo, com Leandro Damião aos 31 e Andrezinho aos 43. D’Alessandro, de pênalti, aos 20 do segundo tempo, aumentou a diferença, diminuída por Zé Roberto aos 35.
Pelo regulamento, como ambos terminaram com saldo de gols semelhante – na semana passada o Inter havia perdido por 3 a 2, no Beira-Rio –, o tira-teima foi para os pênaltis. Os goleiros brilharam, mas Renan brilhou mais, ao defender 3 dos sete pênaltis chutados, contra 2 de Victor. Jogadores colorados comemoraram no campo do rival e Falcão pôde também saborear seu primeiro título como treinador na volta aos “bancos”. E sobretudo afastou dúvidas em torno de sua capacidade de organizar a equipe.
Cuca também não tem do que se queixar com o comportamento do Cruzeiro. Seu time foi diferente da semana passada, quando esteve apático na derrota para o Atlético. Então, ainda curtia a amargura pela eliminação na Libertadores e viu o título estadual ficar mais distante. Recuperou o terreno num jogo tenso e equilibrado, em que os gols saíram apenas na parte final, com Wallyson aos 30 e Gilberto aos 41 do segundo tempo.
Inter e Cruzeiro entram na disputa do Brasileiro, a partir do próximo final de semana, com a autoestime recuperada. E, com os títulos estaduais, mostraram que na Série A nacional também vão incomodar e entrarão para pôr a mão em mais uma taça.
Em tempo e só para constar: em posts anteriores, e na coluna no “Estadão”, eu havia apostado em Santos, Inter e Cruzeiro como campeões de seus respectivos Estados.
Deu a lógica na final do Campeonato Paulista. O título do Santos foi consequência natural do trabalho de um time mais talentoso e eficiente. O Corinthians teve o mérito de superar trauma da eliminação da Libertadores, reagiu no torneio doméstico, mas sucumbiu diante da superioridade do rival. A derrota por 2 a 1, no clássico disputado na tarde deste domingo na Vila, fez justiça à fase derradeira da competição.
O Santos teve chance de liquidar a partida no primeiro tempo, quando jogou melhor e deu pouco espaço para o Corinthians. O gol de Arouca, aos 16 minutos, foi o prêmio para a equipe que se impunha, com marcação solidária (até Zé Eduardo voltava para ajudar o sistema defensivo) e com rapidez no ataque. Neymar ainda perdeu chance extraordinária de fazer 2 a 0, antes do intervalo. Ficou em dúvida, diante de Júlio César, dei um chute no ar, à la Valdívia, e permitiu a defesa do goleiro.
O Corinthians esboçou reação na etapa final, adiantou-se e forçou o Santos a recuar. Tite ainda fez as mudanças de praxe, com William, Ramirez e Morais no lugar de Dentinho, Paulinho e Bruno César, e não conseguiu muita coisa. Pressionou, é verdade, mas chutou pouco ao gol. Um dos melhores lances veio no gol de Morais, mas quando faltavam pouco mais de cinco minutos para o encerramento e Neymar já havia feito o segundo.
O Santos se deixou pressionar, numa tática que tem utilizado ultimamente. Com eficiência, já que tomou apenas um gol em sete jogos, mas assusta o torcedor. Desta vez, deu certo de novo e o título se tornou realidade. Agora, mesmo com muitas baixas (Jonathan saiu com suspeita de distensão e Leo se queixou de dores), é candidato na Libertadores. Antes, porém, precisa livrar-se do Once Caldas, que costuma dar moleza em casa e atrapalha a vida quando é visitante.
Mas esse Santos, que nem sempre vai à frente, está amadurecido. E com cara de quem vai chegar à final do torneio sul-americano.
Tags: Campeonato Paulista, Corinthians, Santos
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