Duas palavrinhas aos caros amigos que me honram com suas visitas ao blog e que, ao longo do ano, deixaram mais de 14 mil comentários e proporcionaram em torno de 800 mil acessos. Agradeço a todos a atenção, o carinho, os elogios, as observações, as correções, as espinafradas também. Todos são bem-vindos.
Como disse desde o primeiro post, este espaço é para troca de ideias e energia, para reflexão, para conhecimento, para polêmicas. E para gozações, ora essa!, que sem elas o futebol perde a graça. Ofensas, não, pois não levam a nada e só nos diminuem. Me divirto com os debates, aprendo com eles e me sinto estimulado a continuar.
Mas, para tanto, sempre é bom fazer uma pausa. Assim a bateria recarrega e volto à carga com tudo em 2012. Em princípio, no dia 10 de janeiro. Mas, como o mundo não para e o vício de escrever é forte, não descarto “aparições extraordinárias”, mesmo neste período de repouso… Se houver fato forte, haverá comentário extra.
Desejo a todos feliz Natal e, para os que creem, que o Menino nos ilumine. Excessos, nestes dias, que sejam de alegria e generosidade. Paz.
Antero Greco
Tags: Natal
Paulo Henrique Ganso é muito bom jogador, desejado por rivais do Santos de toda parte e na mira de estrangeiros. (Pelo menos, antes das contusões e períodos de afastamento.) Mas se destacou em 2011 mais por estar no centro de polêmicas, ou por contusões, do que por aquilo que apresentou em campo. A rigor, seu melhor – diria único – momento na temporada foi na reta decisiva da Libertadores da América. Antes e depois disso passou quase em branco.
Eis que o ano está próximo do fim e Ganso volta ao noticiário. De que maneira? Outra vez por questão financeira. A discussão, agora, gira em torno dos 10% dos direitos econômicos (o apelido moderno para passe) que lhe pertencem. Na Japão, ele disse que havia vendido a quota para a DIS, parceira há tempos em rota de colisão com o Santos. Na volta, afirmou que não era bem assim e que o clube tem prioridade para a compra. O prazo é de dez dias.
Pronto, fica no ar novamente a possibilidade de ir embora. Ganhar mais é direito de qualquer profissional. Eu gostaria de receber muito mais, e imagino que você que me lê pensa o mesmo em seu emprego. Portanto, que ninguém interprete como crítica essa pretensão, legítima para todo trabalhador. E não faço a mínima insinuação de mercenarismo. Isso é bobagem.
O que me deixa com a pulga atrás da orelha é a recorrência desse tipo de discussão entre Ganso, seu staff e o Santos. Foram vários os momentos de atrito, que fazem entrever a intenção de fazer com que ele vá embora da Vila. Parece que não há interesse de que fique no clube tempo suficiente para afastar dúvidas em torno de sua condição física. Nem para que volte a brilhar como viga mestra da equipe. Daí se usa o salário como forma de pressão.
É justo o desejo de sentir-se valorizado. Ainda mais por ver Neymar em ascensão. (E não vamos discutir aqui o Mundial de Clubes.) Mas há uma diferença. Neymar não parou o ano todo, jogou em seleções e no Santos, provocou mais uma batalha entre Barcelona e Real Madrid. Ganso, não. Ganso ficou mais à sombra, no limbo. Não teve como valorizar-se.
Tomo o Ganso como bom rapaz, e talentoso demais. Inteligente também, e ambicioso como devem ser os jovens. Temo, no entanto, que sua imagem se desgaste por causa de gente que não entra em campo, que não lida com a torcida, não está sob o alvo da mídia, mas que tem um poder de decisão enorme. Ou, no mínimo, o influencia – e não sei se da melhor maneira.
O ano está acabando, a gente corre atrás dos últimos presentinhos que faltam, dá um pulo no supermercado à procura de pernil, peru, tender (chester, não, por favor!!), panettone e nozes, assunta o preço de vinho e cobiça uma dessas engenhocas eletrônicas novas. O futebol está em recesso por aqui – na Inglaterra não, mas não conta, porque lá são meio lelés mesmo… Em resumo, baixamos a guarda no esporte e no máximo damos espiada no “mercado da bola”.
Por isso, passou meio batida entrevista de Gilberto Kassab ao Estadão. O prefeito de São Paulo disse, dentre outras coisas, que pretende auxiliar alguns clubes da capital, depois da força (e tanto!) que deu ao Corinthians para tornar viável o Itaquerão. Para adoçar aqueles que ficaram com bico deste tamanho com as isenções fiscais para o estádio alvinegro, o alcaide acena com alguns benefícios. Em outras palavras, pode facilitar a vida de São Paulo, Palmeiras e Lusa.
Kassab garantiu que tem um grupo de estudos analisando o que pode ser feito para essa turma. Gosto do termo “grupo de estudos”, passa a sensação de um punhado de sábios reunidos em torno de projetos, planilhas e pareceres técnicos. E, desses encontros, sairão propostas extraordinárias, que mudarão a vida dos clubes e seus seguidores.
Posso enganar-me, mas esse tipo de declaração tem contorno bem político. O ano que vem tem eleições, Kassab criou partido novo, pretende cavar seu espaço e não é de bom tom desgastar-se com torcidas, sejam elas quais forem. Se, na teoria, ganhou simpatia de corintianos, também em tese deixou descontentes os outros. Então, o melhor é fazer média.
E como? Sem embaçar os planos. Ao São Paulo prometeu ajuda na reforma do Morumbi e na construção de um hotel. Ao Palmeiras, acena com colaboração na construção da Arena Palestra (aliás, o que houve de exigências para liberar as obras foi um espanto!). Para a Lusa, talvez, promova algum desconto no aluguel do terreno no Canindé. Ou seja, um afago aqui, outro ali. E todo mundo agora se cala.
Muito bem. Mas fica a pergunta: se a prefeitura deixar de arrecadar com esses clubes, quem vai pagar a conta para equilibrar as finanças municipais? Você tem alguma pista? Eu tenho, e pago todo mês religiosa e pontualmente.
Tags: Corinthians, Gilberto Kassab, Lusa, Palmeiras, São Paulo
A folhinha segue o curso normal do tempo e indica que estamos na época de Natal, com espírito de confraternização a pairar por aí. Mas parece Semana Santa, ou melhor, sábado de Aleluia. Desde domingo, o que não falta é malhação de Judas – no caso o Santos. Mais especificamente Muricy Ramalho e Neymar. Ambos viraram alvos preferidos da ira popular pela roda de bobinho em Yokohama que terminou com… não preciso repetir o placar; você sabe quanto foi.
O Barcelona humilhou o Santos de tal forma que é compreensível, justo e natural que o torcedor solte o verbo, distribua rabos de arraia para compensar a frustração. No calor da hora, mal terminada a sessão de tortura esportiva imposta por Messi e seus acólitos, desceram os impropérios. Fizeram bem à saúde.
Descontadas as reações imediatas de decepção de santistas e simpatizantes, sobraram as gozações – muitas, previsíveis e necessárias. Saudáveis também, porque o futebol vive de rivalidade. Mas houve exageros. Sem falso moralismo, chocaram xingamentos dirigidos sobretudo a Neymar. (Para Muricy foram os tradicionais que todo treinador ouve.) Analfabeto, mal-educado, amarelão, grosso, presunçoso, mascarado, ridículo são as definições mais leves e publicáveis que se esparramaram pelos fóruns de debates nas tais mídias sociais.
Os desabafos ensinam. No caso do Neymar revelam quanto há de inveja, ciúme e olho gordo à solta. Não se faz crítica ao desempenho, sob o ponto de vista esportivo, tático. Ou mesmo psicológico, se me permitem esta observação de botequim. A lavada santista serviu para muita gente constatar que o jovem astro não passa de fraude, mentira. Houve quem tenha detectado esquema da imprensa ao exaltar Neymar, para obter audiência ou para satisfazer a jogo de interesses de clube e empresários…
Uma partida desastrosa do Santos e está decretada a falência da carreira de Neymar! Não tem lógica esse tipo de sentença. Pensando bem, até faz sentido, pois o sucesso incomoda. Pode reparar em seu emprego, por exemplo: basta alguém se destacar ou receber promoção para ser alvo de maledicência. Subiu porque é puxa-saco, está no esquema da chefia, é patronal. Raramente se diz que evoluiu por méritos. Medimos nossas desilusões pelo brilho alheio. Para amenizá-las, o remédio é torcer contra o outro. A vida tem atitudes pequenas.
Neymar não é Messi, como Maradona não foi Pelé (e ambos são gigantes da bola até hoje). Claro que há excessos na avaliação positiva do moço. Porém, são admissíveis. Em primeiro lugar, porque ele é bom de bola. (Você que não é santista não queria Neymar em seu time?) Em segundo, porque o futebol precisa de hipérboles. O futebol tem espaço para emoção! A emoção que afaga e a que espinafra. Mas emoção, apenas, não a maldade, o desejo de ruína.
Há três dias, também, noto clamor pelo “retorno às origens” do futebol brasileiro. O que seria isso? O resgate do drible, do toque de bola, do jogo vistoso. A redescoberta do valor do craque. Assino embaixo tudo isso. Ao mesmo tempo, a grande contradição, e sempre com o foco em Neymar: ele só crescerá se for para a Europa… E tome o círculo vicioso em funcionamento: queremos que nosso futebol evolua, mas sugerimos que nossas joias continuem a ser lapidadas pelos europeus e não em casa. Essa fica para pensar no Natal…
Foram 170 crônicas em 2011, que tiveram como pretensioso fio condutor o louvor à vida, à alegria, à alma leve. Uma pausa e até a volta, em 15 de janeiro. Que o Menino nos guie.
*(Minha crônica, a última do ano, no Estado de hoje, dia 21/12/11.)
Tags: Coluna Antero Greco, Muricy Ramalho, Neymar, Santos
José Mourinho é dos técnicos mais competentes que há. Mostrou isso no Porto, no Chelsea, na Inter e agora no Real Madrid. É também polêmico, autossuficiente, arrogante. Não perde ocasião para cutucar rivais diretos. Foi assim em todo lugar por onde passou. É sobretudo na Espanha, por ter virado freguês de carteirinha do Barcelona. Sempre que possível, lança alguma dúvida em torno de vitórias e conquistas dos catalães.
A mais recente do Mourinho, distribuída por agências de notícias, é o comentário a respeito de mais um título mundial do Barça. O português cumprimentou os adversários, com as palavras de praxe, mas ressaltou que importa mais ganhar A Copa dos Campeoes do que um torneio com duas “partidinhas”. Referia-se, claro, aos jogos com Al Saad e Santos.
Vá lá que o Barcelona passeou contra esses concorrentes. Talvez tenha suado a camisa um pouco mais contra o Al Saad do que contra os brasileiros. Daí a Mourinho dizer que se trata de joguinhos sem importância vai a distância da inveja, da dor de cotovelo.
Há quem não suporte ver o sucesso alheio, por causa da prepotência. Mourinho é brilhante, mas se diminui com esse tipo de comportamento. Não me agrada quem queira ressaltar suas qualidades por meio de diminuição do trabalho dos outros. O Barcelona ganhou uma Uefa Champions League para ter o direito de ir ao Japão. Não foi como convidado ou intruso.
É bom lembrar, também, que na véspera do embarque para o Oriente, o Barcelona fez uma visitinha a Madri e, no campo ‘inimigo’, fez 3 a 1. Num Real Madrid que, nos últimos tempos, com exceção da Copa do Rei, virou presa fácil para os catalães. Que transformaram vários desses clássicos espanhóis em “partidinhas”, tão a fragilidade do outro lado.
E agora, Mourinho? Dessa forma, um treinador estupendo vira caricatura de si mesmo.
Tags: Barcelona, José Mourinho, Mundial de Clubes, Real Madrid
O Santos sonhou com o terceiro título mundial e acordou com uma realidade mais dura que o pior dos pesadelos: surra de 4 a 0 para o Barcelona, fora o baile, como se dizia no meu Bom Retiro de antigamente. O supertime espanhol deu mais um show, uma aula de futebol, uma exibição antológica. Conseguiu transformar mais uma disputa importante em tarefa fácil.
Messi e seus súditos jogam tanto que qualquer adversário parece timeco de churrasco de fim de semana. Time formado depois de festival de picanha, maminha e farofa, com todo mundo de pança cheia e tanque repleto de cerveja. Ou seja: mal se consegue ver a cor da bola, quando aquele exército de azul e grená começa a tocar pra lá e pra cá.
Caramba, tem coisa errada aí: o Barça não joga com 11, mas com uns 18, 19. É bom que os rivais e os árbitros comecem a prestar atenção nisso. Tem algum truque que não foi possível descobrir ainda: cada vez que um coitado adversário pega na bola tem 3, 4 barcelonistas em cima. E, quando roubam a bola, aparecem mais uns 6 ou 7 no ataque. Aí tem mágica!
A mágica do Barcelona se traduz em entrega, desdobramento, múltiplas funções da maior parte dos titulares. E, claro, da qualidade deles. Não há um jogador grosso na orquestra dirigida por Pep Guardiola. Não tem um perna de pau, um botinudo, um cabeça de bagre. E, para completar, ainda tem Messi! Daí vira covardia. O argentino joga demais, desequilibra, encanta, hipnotiza os marcadores. Dá o ritmo ao time.
Pois foi Messi que iniciou a demolição do Santos com o gol aos 17 minutos. A equipe de Muricy Ramalho, toda preocupada em marcar, repetiu o erro dos que pretendem parar o Barça dessa forma. Resultado: encolheu-se, deu espaço e levou o primeiro. Sentiu o baque, a ponto de sete minutos mais tarde tomar o segundo, com Xavi.
Daí o que era natural virou moleza. O Barcelona aumentou o percentual de posse de bola (chegou a 76% contra 24%), toca daqui, toca dali e fez o terceiro com Fábregas aos 45. O Santos tentou reagir no segundo, teve algumas arrancadas, deu um calorzinho nos catalães, mas ainda levou o quarto, também de Messi, fora duas bolas na trave.
Resumo: o Barcelona é demais. E ainda há quem o considere “monótono”. Ah, faça-me o favor…
Tags: Barcelona, Messi, Mundial de Clubes, Muricy Ramalho, Neymar, Pep Guardiola, Santos
Romário começou vacilante, no que se refere a Copa do Mundo no Brasil. Depois, como nos tempos de goleador, ganhou ritmo de jogo e passou a pegar pesado com a cartolagem. Suas cobranças destoaram do tom oficialista que, aos poucos, se espalha pelo país e se impregna em todos os setores. Com língua afiada, o deputado ganhou mais simpatia, já que o cabeça da organização tem enorme rejeição popular.
Romário nesta sexta-feira reuniu-se, no Rio, por duas horas com o dono da bola e com Ronaldo, convocado recentemente para ser a cara light do evento. Saiu com discurso mais suave, admitiu que a presença do Fenômeno será importante para garantir transparência à preparação do torneio e alegou ter ficado feliz de saber de coisas que até então desconhecia. Conversa leve. Ok, deputado.
Desconfio que, à medida que se aproximar a Copa, as vozes críticas vão minguar e serão cada vez mais esporádicas, isoladas e discriminadas.
Viva o Brasil!
Tags: Copa do Mundo 2014, Romário, Ronaldo
Durou pouco a novela da renovação de contrato de Tite com o Corinthians. Na verdade, não passou de uma minissérie de início de verão. Felizmente, para treinador e para o clube, o acerto ocorreu, pelo menos no entendimento do presidente licenciado Andrés Sanchez. Assim, desaparece o que poderia ser a dor de cabeça de fim de ano do campeão brasileiro e o planejamento para 2012 segue sem sobressaltos.
Estava na cara que haveria negócio. Não interessava para ninguém a ruptura neste momento. Nem tinha cabimento. Se Tite não saiu em episódios delicados, como o da eliminação na Libertadores, não seria agora que pegaria o boné. Tenho a impressão de que o foi mais um factóide, estimulado pelo marasmo que é o noticiário esportivo de fim de temporada.
Tite ajustou-se bem ao Corinthians em sua segunda passagem. Veio na reta final do Brasileiro de 2010, vacilou com a história da Libertadores, reaprumou-se no Paulista (chegou à decisão) e embalou no Brasileiro, com o fecho de ouro, duas semanas atrás, na conquista do penta. Teve equilíbrio e encontrou respaldo em Sanchez até quando se falava em saída iminente.
O Corinthians tem projetos atrevidos para 2012, o que é compatível com quem imagina saltos enormes, em qualidade técnica e em arrecadação. Tite faz parte da estratégia e deve ter voz ativa na composição do elenco. Espera-se que o clube mantenha a base (e que não embarque nessa de desfazer-se de Ralf), contrate e monte duas equipes. Não boto muita fé nisso, mas vale a tentativa, já que haverá de novo a Libertadores pela frente. Velha obsessão.
Espero, também, que Tite opte por time e esquema mais criativos. Ok, o Corinthians levou a taça com méritos, mas foram poucos os jogos em que encheu os olhos da torcida. Desculpem-me os pragmáticos, mas não vou assinar embaixo sempre a tese de que valem as taças, os três pontos, as “vitórias até por meio a zero”. Isso pode funcionar por um tempo, não sempre. Encaixou-se para o Corinthians 2011, porém implicou riscos até a última rodada. Melhor evitar.
Tags: Andres Sanchez, Corinthians, Tite
Ufa, não deu zebra. Desta vez não teve nenhum Mazembe para estragar festa de time brasileiro. O Santos lascou 3 a 1 no Kashiwa Reysol e agora fica sossegado à espera (muito provável) do Barcelona para decidir o título mundial. Epa, sossegado não sei bem se é o termo. Não dá para ficar tranquilo, hoje em dia, enquanto se aguarda um duelo com o time catalão. Também não dá para dormir o sono dos anjos, se erros ocorrem numa estreia.
E houve falhas na vitória sobre o time dirigido por Nelsinho Baptista. O Kashiwa é fraco, limitado. Exceto por dois ou três jogadores, aí incluídos Jorge Vagner e Leandro Domingues, o representante da casa no Mundial de Clubes não é de botar medo em rivais potentes. Teve entrega, disciplina e seriedade. Parabéns e não esperava algo diferente. Porém, lhe falta qualidade, detalhe fundamental para o sucesso. E ainda assim o Santos levou alguns sustos.
Não se trata de procurar pelo em ovo nem de estragar a alegria de quem agora vê como concreta a perspectiva da terceira estrela mundial. Nem vale muito a constatação de que naturalmente jogadores relaxam quando topam com adversário mais frágil, como foi o caso do Santos nesta quarta-feira. É atenuante, mas não tira a constatação de que esperava mais do campeão sul-americano.
A expectativa de apresentação impecável não vem por patriotada e coisas do gênero. Mas pelos jogadores que tem. Certo que o nó foi desfeito por lances individuais extraordinários – todos os gols santistas foram lindos, desde os dois primeiros (Neymar e Borges) até o de Danilo, numa cobrança de falta milimetricamente perfeita. Senti falta, no entanto, de mais jogo de conjunto. Se fosse uma orquestra, diria que houve belos solos e pouca harmonia geral.
Algumas observações: Elano decepcionou, Neymar teve momentos excelentes e decaiu no segundo tempo. Borges apareceu pouco, a zaga ficou exposta várias vezes. Arouca se desdobrou, Henrique correu, mas também cansou. Ganso ensaiou cadenciar o meio-campo e nem sempre conseguiu.
Contra o Kashiwa foi possível errar, levar um gol, uma bola na trave e ver pelo menos três vezes atacantes ficarem sozinhos com chance para marcar. Mesmo com essas cochiladas, não houve perigo evidente sequer de empate. Diante do Barcelona, mesmo pecados levinhos podem levar à condenação. Espera-se que funcione essa história de jogar de acordo com o oponente. Se for assim, então o Santos fará um jogão. Amém.
Tags: Borges, Danilo, Mundial de Clubes, Neymar, Santos
Dentro de algumas horas, o Santos inicia a aventura que pode levá-lo ao terceiro título mundial. Terceiro, sim. Antes que algum espírito de porco diga que os dois primeiros eram apenas a Taça Intercontinental, lembro que aquelas conquistas, em 1962 e 63, foram talvez mais difíceis do que eventualmente esta, se vier a ganhá-la. Os duelos de então eram na Europa e na América do Sul, havia pressão de torcida, o pau quebrava. Agora, o palco é o Japão, onde o público ganha sempre nota 10 de comportamento e boa acolhida.
Não tem como negar que Neymar e sua turma são favoritos contra o Kashiwa Reysol. O time japonês é ruim, com todo respeito que merecem seus profissionais. Vi os jogos contra Auckland e Monterrey e não deu pra ficar nem entusiasmado nem assustado. Em condições normais, sem nenhuma pegadinha do destino, nem erros absurdos, o Santos passa essa etapa preliminar e engata uma quinta para a final de domingo, muito provavelmente contra o Barça.
O perigo está na presunção. Ou o salto alto, pra ficar em linguagem popular e mais fácil. Esse é o pecado mortal que já derrubou muita gente. Não é demais lembrar a tropicada e tanto do Internacional diante do Mazembe. Não se trata de espezinhar o time gaúcho; a recordação serve apenas como advertência para o Santos. E até para o super-Barça, que amanhã também tem uma galinha morta (para seus padrões) pela frente.
O Santos tem força total – e isso significa Neymar, Ganso, Elano, Borges, Arouca em campo. Uma formação que não se viu com frequência no Brasileiro de 2011. Tivesse sido mais constante, talvez a história da competição fosse diferente. Mas esse terreno, o das hipóteses, é escorregadio e página virada. Com o que tem de melhor em ação, o alvinegro leva sem suar.
Para o bem do futebol, e digo isso sem patriotada, é fundamental que se enfrentem Santos e Barcelona. Uma forma de resgatar grandes duelos, ainda mais que há Neymar e Messi frente a frente. Fora todos os outros coadjuvantes – e cada coadjuvante de categoria! Garantia de jogo bonito, de espetáculo, de certeza de que a bola será bem tratada.
Sei que pode parecer lugar-comum, mas nesta quarta-feira o Santos é Brasil. Sou do tempo em que Pelé e seus súditos jogavam no Maracanã para decidir títulos – e não havia antipatia. Ao contrário, era uma honra receber aquela trupe. Pois então, em nome da cordialidade e do reconhecimento do futebol bem jogado, sou Santos desde criancinha. Daí domingo veremos que bicho vai dar…
Tags: Barcelna, Messi, Mundial de Clubes, Neymar, Santos
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