A lista que Mano Menezes divulgou nesta sexta-feira para o jogo com a Argentina segue o padrão daquelas elaboradas para os três jogos anteriores sob seu comando. A renovação ainda dá o tom, em relação ao grupo que esteve na Copa do Mundo da África. Na contramão dessa tendência está a presença de Ronaldinho Gaúcho – mas aí se trata de exceção e tentativa de resgatar um astro que durante algum tempo andou no desvio. Uma aposta interessante e que Ronaldinho tenha excelente retorno. O futebol agradece também o resgate de Neymar.
O que me deixa encafifado é o número de jogadores que defendem times domésticos presentes nessa relação. São oito, ou pouco mais de um terço dos 23 chamados para a viagem para o Catar. Poderiam ser mais, e não veria problema nenhum, dependendo da época do amistoso. A esta altura do ano, representam desfalques em demasia para seus clubes, empenhados em disputa acirrada no Campeonato Brasileiro e na Copa Sul-Americana. E o calendário é o maior entrave. Na Europa, se faz uma pausa. Por aqui, a bola rola solta…
A alegação é a de que se tentou desfalcar as equipes nacionais da forma menos invasiva possível. Esse argumento pode ser sensato, mas não funciona. Os elencos dos times destas bandas são muito mais pobres do que os seus similares dos grandes europeus. O Corinthians, por exemplo, terá muito a sofrer com a cessão de Elias e Jucilei. Ambos serão submetidos a esforço adicional no momento em que o time tenta arrancar para o título da Série A.
O raciocínio se aplica aos demais. O Atlético-MG está empenhado na luta para fugir do rebaixamento e sonha com a Sul-Americana. Réver é uma das referências na zaga. O Grêmio precisa de Douglas em sua tentativa de ir para a Libertadores do ano que vem. O Botafogo também conta com Jefferson em sua campanha pelo torneio continental.
A seleção é importante, para quem a considera expressão da pátria de chuteiras. Sobretudo agora que se prepara para ser anfitriã da Copa de 2014. Jogar contra a Argentina é um acontecimento especial. Mas a vida dos clubes diz mais de perto ao coração dos torcedores. Uma forma pequena e imediatista de pensar? Talvez. Porém, o amor pelo time fala mais alto.
Nas últimas duas partidas, Valdivia foi apenas figurante e saiu de campo. No clássico com o Corinthians, no domingo, entrou na segunda etapa e não aguentou 20 minutos. No duelo com o Atlético-MG, nesta quarta-feira, começou como titular e também ficou pouco tempo. Em ambas as ocasiões, teve produção baixa, provocou substituições prematuras e, acima de tudo, deu a sensação de que algo estranho está a lhe acontecer.
O primeiro mal-estar mais evidente veio a público após a derrota no dérbi paulista. Luiz Felipe Scolari irritou-se com perguntas de repórteres, que apontavam divergências na comissão técnica em torno do meia chileno. O treinador disse que não havia nada de errado, pois Valdivia sentia “desconforto” muscular ocasionado por fibrose. Em sua avaliação, o astro tinha condições de atuar e não corria risco de ver agravada sua contusão.
Ficou no ar a dúvida quanto ao aproveitamento de Valdivia no confronto com o Atlético pelas quartas de final da Copa Sul-Americana. Havia indícios de que seria poupado para o Brasileiro. De certa forma, surpreendeu sua confirmação no time que iniciou o jogo. Três, quatro piques depois, novamente levou a mão à coxa, em sinal evidente de que não conseguiria correr. Em vez de ser solução, o investimento mais caro do clube no ano é um ponto de interrogação. Algo não vai bem nos bastidores do Palmeiras. Nem todos falam a mesma língua e Felipão mais uma vez saiu bravo da entrevista.
Empate razoável. O 1 a 1 em Minas não foi ruim, mas mostrou que o Palmeiras continua a ter limitações. Não é uma equipe confiável, embora tenha melhorado bem em relação àquela de semanas atrás. Diante de um mistão do Atlético, o time paulista teve dificuldade para criar e lhe falta um “maestro” no meio-campo. Só não voltou para casa com derrota porque o goleiro Deola fez pelo menos três defesas de cinema.
Os palmeirenses alegam prejuízo em decisões do árbitro Marcelo de Lima Henrique. O juiz acertou ao ver pênalti sobre Lincoln, mas errou ao não notar o impedimento. Foi corrigido pelo auxiliar e voltou atrás. A alegação de Felipão e seus jogadores é a de que o bandeirinha não havia dando impedimento na hora e que só chamou o juiz por interferência externa. O juiz também despertou irritação ao confirmar pênalti de Márcio Araújo sobre Obina, que resultou no gol de empate. Lance, de fato, duvidoso, mas Márcio Araújo tem precedente em fazer falta desnecessária dentro da área.
O Palmeiras vai à semifinal se ganhar, no dia 10, ou se houver empate por 0 a 0. Placar igual leva a decisão à disputa de pênaltis. Empate de 2 a 2 pra cima é do Galo.
O título deste “post” é exagerado e tem de ser interpretado com fairplay. O Flamengo foi um pedregulho daqueles no caminho do Corinthians no ano do centenário, nos duelos que travaram na Libertadores. Adriano, no Rio (1 a 0), e Vagner Love em São Paulo (2 a 1) foram os responsáveis pela eliminação alvinegra no torneio que se tornou uma obsessão no Parque São Jorge. Por isso, no duelo que travam hoje à noite no Engenhão pode haver gosto de revanche.
Mas não é nada disso. Esse sentimento de revide felizmente está ultrapassado. Fica mais em reações de torcedores e, se bem trabalhado, pode servir apenas como motivação adicional para os jogadores. De certa forma é o que fez Tite. O treinador recém-chegado admitiu na terça-feira que o trauma da desclassificação na competição sul-americana não passou e que os atletas levarão em conta aquele sentimento de frustração. Discurso bonito, só pra inspirar sua equipe a dedicar-se, a doar-se um pouco mais no clássico das multidões.
O “troco” já ocorreu no primeiro turno, com a vitória por 1 a 0, no Pacaembu, gol de Elias, dois meses e meio atrás. Os dois times vivem agora momentos distintos. O Corinthians voltou a fincar os dois pés na briga pelo título – está no cangote de Fluminense e Cruzeiro. Uma vitória nesta noite vai recolocá-lo na ponta, mesmo que retorne a seu posto ao final da rodada, no sábado. Não importa que a liderança seja passageira. Vale para os corintianos a certeza de que a fase de turbulência passou. E isso é o que pesará no Engenhão, não suposta mágoa.
O Flamengo tem razões de sobra para superar-se. Estava em baixa, quando Vanderlei Luxemburgo chegou. A parceria fez bem para ambos, porque o treinador também andava escanteado, após a saída do Atlético-MG. Nos 12 pontos que disputou sob a nova batuta, o campeão brasileiro de 2009 ganhou 8. Ainda não está fora do perigo da degola – tem 38 pontos e frequenta a zona da pasmaceira. Por isso, é fundamental ganhar hoje.
O Corinthians repete em princípio a formação que deu certo diante do Palmeiras – e é praticamente força total. Com direito à terceira presença consecutiva de Ronaldo. O Flamengo aposta em Val Baiano, o centroavante desprezado que se reencontrou com Luxemburgo. Está com jeito de que essa partida vai dar samba? Eu acho que sim.
Nas minhas incursões pelo twitter, cada vez que faço alguma referência a Neymar percebo que muita gente o rejeita. Sobretudo depois do episódio que resultou na saída de Dorival Júnior. Neste domingo, tive a sensação reconfirmada. Foi só colocar no microblog que o jovem atacante havia perdido pênalti contra o Grêmio Prudente para receber uma avalanche de respostas. A maioria a detoná-lo. “Bem feito”, “mascarado”, “pseudocraque”, “invenção da imprensa” são apenas exemplos das qualificações negativas que viajaram na internet.
Achei que se tratava de má vontade e respondi para alguns dos meus seguidores. Depois, ao ler que foi a sexta cobrança que desperdiçou no ano, entendi um pouco o porquê das reclamações. Vi o lance e, justiça seja feita, não houve firula no chute, como ocorreu em outros momentos. Neymar bateu firme, forte, no alto; a bola pegou no travessão. Estava já 3 a 2 para o lanterna do campeonato e a falha deixou o rapaz abatido. Tanto que, dali em diante, teve raros momentos de qualidade. O Santos estava com dois jogadores a mais, com a expulsão de Leonardo e Flávio Boaventura, e havia tempo para recuperar-se e ganhar.
Neymar tem potencial para desenvolver-se, disso não se pode duvidar. Considero precipitadas as previsões que dão como passageiro seu brilho e o veem cair na vala dos jogadores comuns daqui a algum tempo. Não há indícios que levem a essa conclusão pessimista. Para mim, há nisso certa dose de dor de cotovelo e uma pitada de maldade, de quem se compraz ao ver deslizes de personagens que se destacam. Ainda mais que nesta rodada usou a camisa número 70, em homenagem ao aniversário de Pelé.
De qualquer modo, Neymar precisa aprimorar-se nos pênaltis. Não pode considerar-se um especialista no tema – estão aí os erros para provar que lhe falta pontaria. A melhor forma de afastar críticas e até o risco de perder a condição de batedor oficial é treinar. Treinar muito, treinar obsessivamente. A repetição fará com que perca vícios e acentue qualidades. Não é humilhação praticar cobranças de pênaltis. E será gesto de humildade se passar, temporariamente, a incumbência para outro companheiro.
Mas, independentemente do erro de Neymar, não se pode admitir a virada que o Santos levou na Vila Belmiro de um rival que está com pé e meio na Série B. Com 2 a 0, o time de Marcelo Martelotte repetiu seu maior pecado na temporada – o de achar que estava resolvida a questão. Parou de jogar, viu a arrancada do Grêmio Prudente e perdeu talvez sua última chance de continuar na luta pelo título. A vitória o levaria a 51 pontos – a três, portanto, dos líderes Cruzeiro e Fluminense e só dois atrás do Corinthians. Derrota intragável.
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O dérbi paulista manteve a tradição de reabilitar o time que vivia momento conturbado. O Corinthians, embora estivesse com mais pontos (50 a 44), atravessava período de turbulência, com sete jogos sem vencer, troca de treinadores e pressão da torcida. O Palmeiras, fora da briga pelo título, sustentava sete jogos de invencibilidade no Brasileiro e classificação na Sul-Americana. As diferenças, as oscilações foram para o espaço e, com a vitória de 1 a 0, o Corinthians está mais vivo do que nunca na briga pelo título de 2010.
Nada melhor para o ego do que bater rival histórico. E certamente foi com moral em alta que os corintianos deixaram o gramado do Pacaembu no final da tarde deste domingo. Não vi um clássico espetacular, daqueles de honrar a história dos dois times. No entanto, valeu pelo espírito de luta alvinegro, pela mudança de astral. O resultado, combinado com os outros, indica final de temporada inesquecível. Mais do que nunca a luta está aberta, mesmo limitada ao trio Cruzeiro, Fluminense e Corinthians. Os demais são figurantes a partir de agora.
O Corinthians tratou de dar as cartas desde o início. Elias lascou bronca no Heber Roberto Lopes logo na primeira dividida com Kléber e, pelo jeito, ganhou a parada. Durante o jogo, falou um monte para o juiz, sem advertência. Em compensação, jogou muito futebol. Elias foi a alma de sua equipe e mandou no meio-campo, junto com Ralf, Jucilei e Bruno César. Os quatro bloquearam o Palmeiras, que se comprtou como time pequeno, com medo de apanhar.
O gol do Bruno César, aos 23 minutos, surgiu com naturalidade e confirmou a superioridade corintiana. Se forçasse a barra, poderia ter feito mais. Só que, depois disso, o time do estreante Tite também recuou e deu espaço para o Palmeiras. A partida ficou equilibrada até o fim. Valdivia entrou no segundo tempo, ficou pouco mais de 20 minutos em campo, saiu de novo por sentir dores na coxa e escancarou a dependência que a equipe tem dele.
Sem o chileno, o Palmeiras fica órfão de criação no meio-campo. A bola chegava na frente só na base do bumba-meu-boi. Kléber, bem marcado, quase não apareceu. Aliás, não foi um bom dia para atacantes. Iarley e Ronaldo também não se destacaram. Dérbi é isso mesmo: o Corinthians renasceu e o Palmeiras tem de se concentrar na Sul-Americana, para salvar o ano. Pra seu azar, pega o embalado Atlético no meio da semana.
Domingo tem Corinthians x Palmeiras, clássico com nove décadas de história rica. Nem parece. Já é começo de noite de quinta-feira e nada se alterou na rotina da cidade. Não há expectativa no ar, falta adrenalina, não se fala nem de fila para compra de ingressos pro dérbi no Pacaembu. A multidão que se viu nos portões do estádio municipal nestes dias foi para conseguir bilhetes para os shows do sexagenário, genial e inoxidável Paul McCartney. (A propósito: entrei bem e fiquei sem entradas, mas não me submeti a pagar ágio disfarçado em “taxa de conveniência” de 20%.)
Estariam os torcedores desencantados com suas equipes? Teria perdido força o duelo tradicional? Tornou-se banal? Mudou o foco? O encontro de Palmeiras e Corinthians fala mais a gerações que curtem o Paul, por exemplo, do que a Shakira? As perguntas fazem sentido e mais algumas deve haver.
Uma pista importante para entender por que o glamour dos duelos regionais virou fumaça veio de Porto Alegre, e de quem até alguns anos atrás vivia dentro de campo o clima de rivalidades insuperáveis. Renato Gaúcho colocou o dedo na ferida, em entrevista na terça-feira. O ex-atacante admitiu que sente falta do clima de provocação, entendida aqui como gozação, brincadeira ou forma de promover o espetáculo. “Não há mais apostas, não há mais jogadores que façam declarações fortes”, lamentou o atual técnico do Grêmio, que depois de amanhã jogará com o Internacional.
Renato deu uma cutucada nos atletas e em seus assessores, nas pessoas que cuidam da imagem deles. Há excesso de preocupação com o politicamente correto, com o medo de ferir suscetibilidades. Como os jogadores não criam raízes com os clubes – noves fora as exceções de praxe -, não se sentem à vontade para espicaçar os rivais. Devem imaginar que não vale a pena comprar ‘briga’, mesmo que momentânea, passageira, ligeira. Afinal, amanhã se mandam para a Europa e depois de amanhã podem estar de volta, e justo no ‘inimigo’ de hoje.
Não vale alegar que não há condições para desafios como aqueles que César Maluco, Dadá Maravilha, Túlio Maravilha lançavam. É a violência daqui, as organizadas de lá, a criminalidade acolá. Não sou bobo de achar que se pode reviver o ambiente de antanho. Nem se trata disso. Mas é possível estimular o lado lúdico do futebol, que não morreu, ainda. Não é pecado apostar que vai usar a camisa alheia, se seu time perder. Dá para tirar sarro do colega, do cunhado, do chefe.
Estou aqui a pedir alegria, mas não é fácil ter panorama festivo, porque nos faltam talentos e vocação para tanto. Há sisudez de mais e gaiatice de menos no esporte. Todos se levam a sério, não pode isso, não pode aquilo. A espontaneidade é combatida como peste. Nós mesmo, da imprensa, vigiamos os craques, para ver se não dão maus exemplos, se seguem à risca as normas de bom comportamento. E enfraquecemos o futebol. Caramba, domingo tem Corinthians x Palmeiras! A cidade deve parar. Vai ver eu é que parei no tempo…
Insensato coração. Por falar em tempo. Carrego uma incoerência na vida. Nunca fui torcedor do Santos, se assim considerarmos o sujeito que vibra, chora, discute, toma sol e chuva, fica sem sono por sua equipe. Mas já perdi a conta de quantas vezes vibrei, me emocionei, discuti e tomei sol, chuva ou sereno por causa do glorioso alvinegro praiano. E por quê? Para seguir Pelé e seus súditos. Tive o privilégio de acompanhar, na adolescência, a maturidade da carreira do Rei. E fazia questão de vê-lo em ação: nos duelos contra meu clube e, quando podia, em jogos contra os outros.
Por Pelé frequentei arquibancadas e, sem perceber, lá estava a comportar-me como santista, sem ser santista. Pelé e Santos (havia também Gilmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pepe…) para mim sempre simbolizarão o Futebol. Não há como não admirá-los, mesmo que meu time de coração tenha outro símbolo. Só mesmo a arte mágica do setentão Pelé para provocar esta irrevogável contradição. E não sou exceção..
Vida longa ao Rei!
(Minha crônica publicada no Estadão de hoje, 22 de outubro de 2010)
Vi a maior parte da entrevista de Neymar, nesta quinta-feira, e não gostei. O rapaz ficou um mês e meio sem falar com a imprensa e, quando abriu a boca, foi uma decepção. Fiquei frustrado porque não vi o jovem espontâneo de outras ocasiões, de riso fácil, de frases sem efeito e ocas, mas adequadas para sua idade. Em vez disso, um projeto de ídolo pouco à vontade com as normas de comportamento que certamente lhe passaram nesse período de recolhimento.
Li que o Santos cuida mais de perto da imagem dele, com profissionais de publicidade e de comunicação. Além disso, contratou fonoaudiólogo para melhor sua dicção e psicólogo para arejar-lhe a cuca. A direção do clube ficou assustada com a repercussão que tiveram seus pitis e o desentendimento que resultou na demissão do técnico Dorival Júnior. Os cartolas não querem ver virar vidro a joia que estão a lapidar.
Está bem, o mundo do futebol hoje é assim: aparece um talento aparentemente acima da média e na hora deve ser cercado de cuidados. Porque tem potencial para transformar-se numa mina de ouro, numa grife, numa marca registrada. Ganhará fama e fortuna, mas vira robô, boneco, perde humanidade. Tende a viver num mundo irreal, asséptico. Sem direito a falhas, sem espaço para contradições, sem variação de humor.
O Neymar que revi nesta quinta-feira me passou a impressão de que ainda resiste – pelo sorriso sem graça, pelo pouco à-vontade. Mas acho que essa resistência não vai durar muito. Que pena. Logo teremos um ídolo plastificado, que rezará a cartilha dos lugares-comuns e da futilidade. Deus queira que eu me engane. Amém.

A Internazionle ensaiou surra histórica em cima do Tottenham, nesta quarta-feira, em Milão, ao fazer 4 a 0 em 35 minutos de jogo, pela terceira rodada do Grupo A da Copa dos Campeões. O massacre afinal não se consumou porque o time italiano diminuiu o ritmo no segundo tempo e por causa de Gareth Bale. O defensor galês, 21 anos completados em julho, fez os três gols dos ingleses e evitou vexame no Giuseppe Meazza. Foi o herói para seus torcedores, assim como o camaronês Eto’o mais uma vez encantou os tifosi, com os dois gols e as assistências dos outros.
A farra da Inter se desenhou na verdade em 14 minutos, quando saíram os três primeiros gols. O argentino Javier Zanetti fez o primeiro, aos 4 minutos, e Eto’o aumentou aos 9, em cobrança de pênalti cometido pelo goleiro Gomes, que recebeu cartão vermelho. A campeã europeia jogava bem e, com um a mais, passou a mandar no jogo. Stankovic, em bela jogada, fez o terceiro, aos 14. Eto’o ainda aumentou aos 35, fora a saraivada de chutes a gol. A Inter era uma máquina, desenhava uma apresentação de antologia.
Tudo muito bonito e adequado para a Inter abrasileirada, com Maicon, Lúcio, Julio Cesar, Philipe Coutinho como titulares. Então, veio a segunda fase e a Inter ficou na base do toca pra lá e pra cá, à espera de que naturalmente surgissem mais gols. Mas tirou o pé do acelerador, segura do resultado. Tanto que não se abalou com o primeiro gol de Bale, aos 27 minutos, numa bela arrancada. Os italianos mantiveram o ritmo mais cadenciado e só foram se abalar aos 45 e aos 46 com outros dois gols de Bale. A sorte da Inter foi o juiz Damir Skomina apitar o final do jogo aos 47. A Inter lidera com 7 pontos, contra 4 do Tottenham.
Rafael Benitez se preparava para curtir a terceira goleada desde sua chegada à Itália – as outras foram por 4 a 0 contra Bari (Série A) e Werder Bremen (Copa dos Campeões). No fim das contas, saiu de campo preocupado com a queda acentuada no poder de marcação da equipe. Um ponto para discussões, antes do jogo de domingo contra a Sampdoria, pela oitava rodada do Campeonato Italiano. Com 14 pontos, a pentacampeã Inter divide o segundo lugar com o Milan. A Lazio, com 16, está na ponta.
O resultado de Real Madrid x Milan não é o que me chamou a atenção no duelo de gigantes do futebol. A vitória espanhola por 2 a 0 foi normal – e poderia ter sido mais folgada até. Significativa, pra mim, foi a reação do torcedor local no momento em que Robinho substituiu Ronaldinho Gaúcho aos 27 minutos do segundo tempo. O atacante mal pisou no gramado do Santiago Bernabéu, na noite desta terça-feira, e recebeu uma das maiores vaias de sua carreira. E dá-lhe vaias toda vez em que pegou na bola.
A gente pode considerar normal a atitude negativa do “madridista”. Afinal, qualquer torcedor, em qualquer lugar do mundo, transforma jogador em ídolo, quando está em seu clube, e o vê como inimigo assim que vestir outra camisa. Mas não é esse o caso do fã do Real, que recebeu com carinho Seedorf, que também já vestiu a camsia branca, hoje é do Milan e deixou saudade.
Além disso, em muitas oportunidades, o hincha merengue mostrou jogo de cintura, cortesia, mesmo com rivais. Lembro de umas temporadas atrás, num sábado à noite, em que Ronaldinho comandou o Barcelona, numa vitória antológica em Madri. No final do clássico, com toda a rivalidade que existe entre os dois times e as duas cidades, a torcida aplaudiu o gaúcho de pé. Reconhecimento ao artista.
O madrileno foi duro com Robinho, porque não perdoou sua passagem sem brilho pelo clube e pela forma como se transferiu para o Manchester City, antes de ir para Milão. O “rei das pedaladas” nunca incorporou o espírito do Real, decepcionou quem esperava vê-lo como um dos pontos de referência do elenco e saiu desgastado. No City também não emplacou e encontrou no Milan a oportunidade de se reciclar. As vaias no Bernabéu devem ser levadas em conta por Robinho, servem de alerta e sinalizam o que lhe pode esperar também dos italianos, se não “suar a camisa” rossonera.
O jogo em si foi bom pelo primeiro tempo, sobretudo pelos dois gols espanhóis, quase na sequência, marcados por Cristiano Ronaldo e Özil. O Real envolveu o Milan, não lhe deu espaços e se mostrou sólido, como costumam ser times treinados pelo mascarado e eficiente José Mourinho. No segundo, o Real diminuiu o ritmo e os milaneses continuaram a ter dificuldades. Ibrahimovic e Pato apareceram pouco, assim como o goleiro campeão do mundo Casillas, que fez uma ou outra defesa, para aquecer-se.
Sem chover no molhado, o Real desponta como o forte candidato ao título europeu. Já tem nove e, do jeito que se desenha a competição, o décimo está a caminho.
A Confederação Sul-Americana de Futebol, mais popularmente conhecida pela alcunha de Conmebol, gosta de uma confusão. Tempos atrás, causou o maior bafafá por aqui, ao anunciar que o Brasil teria quatro vagas na Libertadores da América do ano que vem, fora a do Inter, já garantido como atual campeão. Como a CBF por tradição garante um lugar para o campeão da Copa do Brasil (no caso deste ano é o Santos), restariam então 3 vagas em disputa no Brasileiro e não as quatro dos últimos anos.
Foi chiadeira total e a Conmebol disse que os brasileiros contariam com mais um representante na Libertadores de 2011 desde que fosse o vencedor da atual edição da Copa Sul-Americana, da qual participam Palmeiras, Goiás, Avaí e Atlético-MG. A explicação não convenceu e houve pressão para que a CBF “recuperasse” a quarta vaga. Por isso, de uma hora para outra o G4 virou G3.
No final da tarde desta segunda-feira, a Conmebol anunciou que devolvia ao Brasil uma vaga na Libertadores de 2011. A decisão mereceu nota oficial da CBF, que viu nesse gesto prestígio dos dirigentes nacionais e coesão da cartolagem em âmbito internacional. Volta-se, portanto, a ter o G4 no Brasileiro – e o beneficiado, hoje, será o Atlético-PR, 46 pontos e atrás de Cruzeiro, Fluminense e Corinthians (os que iriam para a Libertadores), além dos já garantidos Santos e Internacional.
Mas há um porém – e sempre aparece um porém. Se um dos quatro brasileiros ainda na luta pela Copa Sul-Americana de 2010 conquistar o título, ficará com a vaga na Libertadores de 2011, conforme o regulamento da competição e promessa da Conmebol. Com isso, “roubará” a quarta vaga devolvida ao Campeonato Brasileiro. Ou seja, o G4 que dias atrás virou G3 e voltou a ser G4 hoje pode virar de novo G3, se um brasileiro ganhar a Sul-Americana. Entendeu?
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2011
2010