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18.abril.2014 11:56:58

Antipropaganda*

Quem acompanha futebol internacional, cada vez mais popular por aqui, está acostumado com o clima de expectativa que se cria nos dias que antecedem a abertura dos respectivos campeonatos locais. Há curiosidade em torno dos candidatos ao título, o mercado de jogadores traz novidades – muitas vezes portentosas -, são feitas projeções a respeito de publicidade, público e outras bossas. Enfim, trata-se de estimular o interesse para os noves, dez meses seguintes.

A Série A do Brasileiro começa amanhã, pelo 12.º ano consecutivo na fórmula de turno e returno, todos contra todos, fica com a taça a equipe que obtiver maior número de pontos. Regulamento sem invencionices, simples e prático. Ainda assim divide opiniões: após uma década e tanto, há os que sonham (e não são poucos) com a volta de composições híbridas, parte no esquema tradicional, parte com as eliminatórias diretas. O tema será rediscutido; isso é tão certo quanto falar do êxodo do paulistano na Semana Santa e as filas nas estradas.

Mas onde estão os bate-papos sobre o papel que cada integrante da elite vai desempenhar? Cadê as análises dos elencos? Quais as principais movimentações de compra, venda e troca? Anima saber que Emerson Sheik foi para o Botafogo ou que o Corinthians contratou Ferrugem (!), por exemplo?

Uma conferida no noticiário de jornais, sites e tevês basta para constatar que a atenção se concentra em assuntos que não contribuem para despertar a paixão do torcedor, embora infelizmente interfiram na rotina. Tivemos eleição, por assim dizer, na CBF, na qual a passagem de bastão significa o continuísmo, a perpetuação de métodos administrativos ultrapassados. O São Paulo também troca de comando, sem mudar a linha política. Antes a Lusa e depois o Icasa tentaram, na Justiça, vaga na Primeira Divisão e ameaçaram melar também a Série B. O custo dos Jogos Olímpicos do Rio ultrapassarão os de Londres. E assim por diante…

No meio desse rolo, há a ressaca das finais dos Estaduais, cinco dias atrás, mais rodada de meio de semana da Copa do Brasil e a segunda fase da Libertadores. Sobrou quase nada para a divulgação do Campeonato Brasileiro, que deveria ser a menina dos olhos do calendário, o momento aguardado com ansiedade. Não acontece isso, com o agravante de que neste ano teremos o Mundial, o que faz com que a disputa pegue no breu só no segundo semestre.

Quer dizer, retomará curso regular até dezembro, com jornadas encavaladas. E com diversos elencos alterados, porque entre julho e agosto abre-se a temporada de negócios na Europa, e os endinheirados de lá sempre vêm dar uma bisbilhotada em busca de pechinchas. Independentemente de baixas futuras, não desponta um time no qual se possa estampar o carimbo de favorito.

Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, não por acaso os remanescentes na Libertadores, têm pretensões justas. Inter sempre aparece bem cotado, até desapontar. Os paulistas e os cariocas carregam pontos de interrogação. Os demais tendem a manter-se como figurantes ou, quando muito, se conformam em não cair. E assim segue a humanidade nestas bandas.

A antipropaganda é enorme e desanima a falta de perspectiva de revolução – a única manifestação a balançar a mesmice vem do Bom Senso FC, indevidamente boicotado pelos cartolas. Mesmo assim, o danado nosso futebol me fascina. Não menosprezo o que rola de bacana pelo mundo, acompanho os grandes esquadrões. Porém, emoção, angústia e alegria são sentimentos que apenas clube daqui me provoca. Mesmo que passe outro ano sem ter nada.

Como é que é?! Marco Polo Del Nero, o ungido na CBF, em rasgo de sinceridade admitiu erro da entidade em registros de jogadores, mas deixou subentendida isenção do Figueirense no episódio da escalação de um atleta de forma irregular. Com isso, confirma o acesso para a Série A. A Lusa, em caso com diversas semelhanças, foi rebaixada.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, sexta-feira da Paixão, 18/4/2014.)

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16.abril.2014 11:14:59

Encruzilhada*

O futebol no Brasil está no mato sem cachorro – e não me refiro à assembleia que hoje aclamará Marco Polo Del Nero, sem concorrência, como novo presidente da CBF. Muito menos às ações na Justiça comum que ameaçam emperrar o início das Séries A e B de 2014. A encruzilhada com que o esporte mais popular no País topa é de raiz, de transição, sem que se saiba qual rumo tomará daqui em diante.

A dúvida atroz é a seguinte: os Estaduais definham, estão numa penúria de dar dó, morrem por inanição. Se desaparecerem, pelo menos na forma como são disputados atualmente, devem varrer do mapa muitas agremiações, pequenas porém tradicionais, além de enterrar tesouros em histórias de títulos e conquistas.

A tendência que sejam substituídos pelas competições nacionais – o Brasileiro e a Copa do Brasil. Há intenção de fortalecer os grandes duelos, porque interessam mais às emissoras de televisão e aos patrocinadores. Esses torneios, no entanto, não conseguem estimular no público rivalidades tão intensas quanto aquelas bairristas, paroquiais, de fundo de quintal. Ou seja, a rixa entre times do mesmo estado.

Por mais que a tabela da elite, por exemplo, aponte confrontos entre equipes de forte apelo popular, dificilmente veremos estádios cheios e comoção com os resultados, salvo exceções de praxe. Ainda agora provocam mais polêmicas e discussões de boteco um Corinthians x Palmeiras, um Flamengo x Vasco do que clássicos como Corinthians x Fla e Vasco x Palmeiras.

No mínimo, deveriam equivaler-se, já que estão todos em busca da hegemonia. Não é o que ocorre, independentemente do sistema de disputa. Quando havia fase de classificação e, em seguida, os confrontos de eliminação direta, lotação só nas partidas finais, aquelas decisivas. A primeira parte era um mar de lugares vazios nas arquibancadas. Nos pontos corridos, em que cada rodada tem significado único e coloca em jogo pontos imprescindíveis para o título, não mudou muito o panorama – o mais corriqueiro são espaços vagos à espera de gente que venha a ocupá-los.

Algo está muito errado, e não existem programas para quebrar esse círculo vicioso. Pipocam iniciativas, aqui e ali, com estudos universitários, com propostas do Bom Senso, com factoides promovidos por CBF ou federações, que deveriam ser as principais interessadas em encontrar soluções. Entra ano, sai ano, e ocorre esvaziamento dos estádios; no momento, espera-se que, por milagre, as praças esportivas erguidas para o Mundial atraiam freguesia só por sua beleza. Conversa fiada, porque as que estão em funcionamento só viram torcedores a espirrar pelo ladrão em ocasiões esporádicas.

Evocar as diferenças regionais como chamariz não funciona. No máximo, a estratégia se revelará positiva em casos isolados. Por mais que se tente um tira-teima amplo, o Brasil não é como a Alemanha, a Itália, a Espanha, a Inglaterra, a França. Esses países, juntos, não dão metade do nosso. A dimensão territorial pesa – e como! Em todos os sentidos: nos costumes, no antagonismo, nos deslocamentos.

Na Itália, tifosi do Napoli (no sul) levam pouco mais de duas horas de carro, ou uma hora e pouco de trem rápido, para percorrerem os 226 km que os ligam a Roma (no centro). Simpatizantes do Grêmio (no sul)terão de fazer 1.350 km, se quiserem ver o time deles enfrentar o Cruzeiro (no centro). Complicado, não?

O desafio maior talvez se concentre em estimular o torcedor a ir ao estádio, seja lá qual for o campeonato, só pelo prazer de ver seus ídolos em ação. Não importa se o time esteja na rota da taça, no meio da tabela ou na boca do precipício. A tese, levantada pelo colega Leo Bertozzi, da ESPN, faz sentido. Não adianta decretar o fim dos Estaduais e dar moral para os Nacionais, se não se reconquistar o público, se ele não entender que vale a pena sair de casa para um bom programa de lazer.

Enquanto isso não ocorrer, na maioria dos casos estádios semidesertos serão símbolo de indiferença.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, quarta-feira, 16/4/2014.)

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O título do Ituano foi pra lá de merecido, o jogo decisivo teve catimba, divididas duras, jogadas feias pra chuchu, lance polêmico no gol do Santos, um pouco mais de futebol no segundo tempo e o campeão só saiu depois de muitos pênaltis. Ao Santos, restou o consolo de ter chegado em seis finais consecutivas, com três conquistas e três vices. Vamos falar de tudo isso.

Mas o que me fez saltar da cadeira foi uma cena rápida, assim que terminou o jogo. O goleiro Vagner defendeu a cobrança de Neto, transformou-se no herói da conquista e ficou tão entusiasmado com a proeza que não soltou a bola nem após o apito. Teve colega que quis arrancar-lhe o troféu das mãos. Em vão. O moço dizia: “É minha!” Para ele, a gorduchinha era valiosa tanto quanto a taça oficial que o time receberia em seguida. Igual nada, maior. Afinal, ao aninhá-la garantiu o clube no topo do Paulistão. Justo, portanto, que a levasse pra casa.

Daí, no meio das entrevistas ainda no campo, no calor da hora, com adrenalina a mil e emoção à flor da pele, aparece um sujeito e toma a bola de Vagner sem direito a apelos. O rapaz ficou com uma cara de tristeza que deu dó. O estraga-prazeres investiu-se da autoridade de representante da Federação Paulista de Futebol e, zeloso guardião do material da entidade, tratou de recolhê-la à insignificância dos objetos velhos. Por norma, não seria reutilizada em jogos de ponta. Sei lá, poderia ser repassada para agremiações inferiores ou ser doada para instituição de caridade. O certo é que não entraria mais ação em jogos da elite.

Ou seja, voltaria a ser apenas mais uma esfera de couro (não é bem couro, mas a imagem é poética), semelhante a tantas fabricadas em série. Só que não é igual, tem significado especial, incomparável para a turma do Ituano e, mais especificamente, para o Vagner. Se ela tivesse beijado a rede, talvez não ocorresse a explosão de alegria. Mas, no momento em que brecou no corpo do goleiro, virou símbolo do sonho realizado, de glória, de graça alcançada.

Aquela bola não poderia consumir-se em qualquer campinho da vida. Não seria correto terminar esfacelada, arranhada, atirada num contêiner de recicláveis. Merece lugar de destaque, no mínimo na casa do Vagner, que vai olhar para ela com encanto a vida toda. Que levassem a medalha dele embora – e goleiro costuma ter azar danado para medalha a que tem direito parar em bolsos alheios -, mas não deviam ter-lhe tirado a bola do colo. Injustiça!

Quase invadi a telinha para dizer muitas e bravas para o homenzinho. Ele ficou sem graça, porém não quis arriscar-se a ouvir bronca do patrão. Na tentativa de emendar a crueldade, garantiu a Vagner que lhe entregaria a bola no vestiário. Ufa, e assim o fez! Mas fica a dúvida: é a mesma e não outra das tantas que, durante o jogo, entraram e saíram de campo com a falta de identidade das bolas de hoje em dia? Pois houve época em que bola do jogo era única, tinha caráter, temperamento. Só merecia substituição se murchasse ou se furasse. E a bola de ontem, a do pênalti derradeiro, era inigualável. Tomara que o Vagner tenha levado a bola certa. Garanto que vai colocá-la num pedestal, quem sabe ao lado da imagem do santo de devoção. Abençoada bola.

Bola que apanhou durante o jogo. O primeiro tempo foi sofrível, com o Ituano a preocupar-se em segurar a todo custo a vantagem do 1 a 0 de domingo passado. E dá-lhe catimba. O jogo não fluiu, raras as ocasiões de emoção e perigo, Vagner e Aranha apareceram pouco. O Santos ainda saltou na frente, com pênalti sofrido e aproveitado por Cícero, impedido no lance. (E, pra mim, dividida dura e normal de Alemão.)

A segunda parte foi digerível, porque o Ituano optou por jogar, adiantou-se, incomodou a defesa alvinegra, arriscou-se. Os santistas sentiram a pressão e, como no duelo anterior, encontraram enorme dificuldade para impor o ritmo agressivo da maior parte da competição. Viu-se conformado a tirar a sorte nos pênaltis. E quebrou a cara. Festa em Itu.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, segunda-feira, 14/4/2014.)

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O Santos fez campanha belíssima na fase de classificação do Campeonato Paulista. Foi o melhor, teve o ataque mais arrasador, mereceu chegar na frente dos demais. Também garantiu presença na final sem contestação. Mas, justamente na hora H, falhou. Nos dois confrontos com o Ituano, não soube como livrar-se de marcação forte, errou demais, esteve muito aquém de sua possibilidade. Em uma palavra, decepcionou.

A conquista do Ituano, nos pênaltis, não teve nenhum reparo a ser feito. Como franco-atirador, entrou sem nada a perder. E se deu bem. Ganhou pela aplicação dos jogadores, pela forma como Doriva armou o time e pelo equilíbrio nas cobranças.

Tudo certo? Não, pelo menos para Osvaldo de Oliveira. O técnico do Santos não se conteve e reclamou do regulamento, depois de encerrada a competição. Na avaliação dele, o time não teve vantagem pelo fato de apresentar campanha superior à dos demais. E também por não jogar pelo menos uma das partidas na Vila Belmiro.

Concordo que o regulamento deveria ser outro, que ao Santos bastaria devolver o 1 a 0 da ida e ficar com o título. Mas foi o que os dirigentes­ ­­- incluídos os santistas – assinaram na assembleia geral que definiu o sistema de disputa. Eles deveriam ter levantado a lebre naquele momento. Uma das funções de quem participa desse tipo de encontro é analisar o que lhes é proposto e apontar eventuais falhas. Ninguém fez.

Nem Osvaldo. O treinador poderia ter marcado posição na primeira roda – ou antes do início do torneio. Daí, independentemente de quem se classificasse para a final, ele teria registrado seu descontentamento. Chiar agora soa como desculpa esfarrapada para a decepção final – e não passa disso.

O Santos negou fogo em dois jogos, não teve ousadia e inteligência para se livrar do Ituano. O correto seria Osvaldo admitir isso – faria bem para ele e para o grupo que dirige.

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13.abril.2014 11:59:31

Finais inglórios*

O domingo promete, com decisões estaduais pra todo canto. O começo da noite será de festas com rojões, voltas olímpicas e taças. Mas a semana embicou na reta final com duas histórias duras da rotina do futebol. A Lusa jogou a toalha, na luta contra a CBF, e engole a punição de disputar a Série B nacional de 2014, mesmo a contragosto e com a sensação de injustiça. E Adriano, que um dia acreditou na história de que fosse uma espécie de imperador, viu encerrada a passagem-relâmpago pelo Atlético-PR e está de novo à procura de quem aposte em seus gols, cada vez mais raros e peças de acervo histórico.

A Lusa tentou, mas não suportou o tranco ao topar com a mão pesada dos donos da bola, que em nenhum momento admitiram a hipótese de contrariar o tribunal esportivo. O jogo bruto de bastidores a empurrou para o limbo da Segundona, com a perda de pontos como consequência da escalação irregular de Héverton, na rodada final do Brasileiro de 2013. Houve esboço de guerra de liminares na justiça comum, mas o clube paulistano viu a corda romper-se de seu lado com muita facilidade. O fôlego foi curto, como o poder lusitano de argumentação e persuasão.

A capitulação veio com a declaração do presidente Ilídio Lico de que não via saída e a alternativa única era a de regressar para a divisão de acesso. Não deu maiores detalhes a respeito do humilhante recuo. Da mesma forma, não convenceu a tentativa de morde e assopra da nota oficial, em que a Lusa diz que jogará a Série B, mas continuará a debater-se até o fim por seus direitos. Isso e nada é a mesma coisa.

O conformismo não fecha o episódio; apenas empurra a poeira para baixo do tapete e evita dor de cabeça para a CBF e parceiros. Há questões sem resposta. Por que a Lusa acionou a marcha à ré, depois de triunfos iniciais? Por que a direção atual não cobrou explicações de Manuel da Lupa, o presidente na época da confusão? Se o Ministério Público de São Paulo, que entrou no caso pra valer e viu fortes indícios de irregularidades, não foi cobrado? Por que não se esclarece se houve apenas erro grosseiro na escalação do atleta ou má fé? Alguém, ou alguma agremiação, foi beneficiado com a patetada?

A polêmica foi enorme desde a metade de dezembro, as teorias de conspiração brotaram aqui, ali e acolá, indícios de mutreta despontaram. Até Héverton saiu da Lusa, foi para o Pará, anunciou a aposentadoria, voltou atrás. A troco de quê? E a celeuma morre assim, ingloriamente, como se nada de estranho tivesse acontecido? Uma pedra em tudo e vida que segue? E o torcedor da Portuguesa fica com cara de quê?

Por falar em torcida: o que dizer aos atleticanos que confiaram no canto da sereia de que Adriano finalmente estava recuperado e seria a estrela da companhia na Libertadores, na Copa do Brasil e no Brasileiro de 2014? O moço passou meses a preparar o enésimo retorno, postou fotos em que aparecia fininho, como demonstração de força de vontade. Otimistas o viam como a salvação da lavoura para o comando do ataque da seleção na Copa! E, de quebra, fez um gol, um gol!, na partida que marcou a eliminação do Furacão no torneio continental.

Daí, veio o de sempre: faltou a treinos, foi visto belo e faceiro na noite de Curitiba, para em seguida receber o muito obrigado, passar bem e até logo. Adriano infelizmente é página virada, sombra do centroavante rompedor e de chute potente. Não é o primeiro caso de promessa que tem um brilhareco e se encaminha para final de carreira opaco, triste. A vida nos cobra pelas opções que fazemos.

Quem leva? Um dos hinos do Santos diz que é ele quem “dá a bola”, no sentido de estar por cima, impor-se como vencedor. Então, está na hora de justificar a fama, no segundo duelo com o Ituano pelo título paulista. Na primeira parte, o Galo cantou no Pacaembu, ganhou com garbo e empurrou o ônus da reação para o rival famoso. Não creio que os santistas repitam atuação apagada, mas vão dançar miúdo para sair da enrascada.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, domingo, 13/4/2014.)

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11.abril.2014 12:05:36

Comparação amarga*

A Uefa Champions League, ou a Copa dos Campeões como era tradicionalmente conhecida antes de agigantar-se, teve etapa com duelos intensos nesta semana. Tão imponentes que mandaram para o espaço tubarões da bola como Barcelona e Manchester United. A Copa Libertadores, nos mesmos dias, igualmente apresentou rodada decisiva, que desembocou na desclassificação de brasileiros como Atlético-PR, Fla e Botafogo.

Por causa do fuso horário, os jogos na Europa terminaram antes do início dos combates desta linda e sofrida América. Como muita gente acompanhou o que rolou no lado de cima do Equador (além das tevês a cabo, a Globo também entrou no circuito e ampliou o público), foi inevitável comparar, na sequência, o que aconteceu na banda de cá. E, claro, com desvantagem em todos os sentidos – da qualidade dos elencos à organização dos eventos – para as antigas colônias.

Alguns aspectos podem ser cotejados, seguidos e copiados. A segurança nos estádios, por exemplo. Não há justificativa, hoje em dia, para considerar normais, corriqueiros e folclóricos incidentes que coloquem em risco integridade de torcedores, jogadores e comissões técnicas. Atirar rojões e objetos no campo são coisas da Idade da Pedra da bola. Assim como brigas entre atletas são gestos de neandertais. Há muito a Conmebol deveria ter agido com seriedade, e não só no faz de conta, para combater atitudes desleais, antidesportivas, covardes e chinfrins.

O paralelo injusto se refere ao nível das disputas. Não há equivalência entre os clubes daqui e os de lá, o que não impede de sul-americanos eventualmente se darem bem em tira-teimas com europeus. (Corinthians x Chelsea de 2012, um exemplo que nos é muito caro e simpático). Se você, caro leitor, contra-argumentar que exceções ocorrem, vou concordar, para não estender a polêmica. Mas o foco é outro.

Sul-americanos e europeus vivem realidades distantes, mundos opostos, no que se refere à administração esportiva e à capacidade de investimento. Por extensão, ao retorno técnico e financeiro. A região de onde vieram nossos senhores de antanho historicamente sempre teve maior poder econômico – no futebol, bem entendido, para não ampliarmos o universo da abordagem.

Desde que me conheço por gente (e já tem um belo tempinho…), Milan, Real Madrid, Barcelona, Inter, Juventus, Atlético de Madrid, Benfica, Porto e daí por diante foram importadores de talento. Com dinheiro farto, não se cansam de garimpar pérolas brasileiras, argentinas, uruguaias, peruanas, colombianas. E, de umas décadas pará cá, também acham joias africanas, muitas das quais das possessões de outrora.

Com a liberalização das fronteiras na Europa, até timecos de Terceira Divisão viraram legiões estrangeiras. Os grandes se transformaram em multinacionais multirraciais, com interesses e seguidores no mundo todo. Repare como ingleses e espanhóis invadiram o mercado asiático. Note como, mesmo no nosso “país do futebol”, cresce o número de seguidores de City, Barça, Liverpool, United e similares.

O negócio tem potencial de expansão tão forte que aguçou a cobiça de bilionários dos mais variados cantos, dos EUA à Rússia, da Islândia à Tailândia. Está cheio de magnata que não sabe o que é uma bola, mas botou grana preta pra comprar time europeu e contratar gente de peso.

Para facilitar os projetos hegemônicos, há a precariedade das agremiações da zona “descoberta” por Américo Vespúcio. Com singulares exceções, vivem na pindaíba, ou com orçamentos apertados. Então, pulam de alegria ao receber ofertas europeias e não ensebam para entrar em acordo. Vivem da venda de talentos e, por mistérios insondáveis, não tiram o pé da lama e o pires da mão.

O desdobramento é manjado: enfraquecimento das equipes, campeonatos tecnicamente frágeis, plateias reduzidas, consumidor insatisfeito, que prefere torcer à distância por europeus do que ver de perto seus patrícios. O círculo vicioso se eterniza.

 *(Minha crônica publicada no Estado de hoje, sexta-feira, 11/4/2014.)

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09.abril.2014 11:52:10

Nas mãos de Deus*

Se a seleção vai conquistar o título, só saberemos no começo da noite de 13 de julho, desde que a moçada de Felipão esteja classificada para a decisão. Mas o Brasil já garantiu, de goleada, a taça de lata de sede campeã em atraso na preparação para o torneio. Escrevi aqui tempo atrás: tão logo soe o apito final, a Fifa levanta acampamento, sacode a poeira, leva para a Suíça as burras cheias de grana e, se puder, nunca mais coloca os pés por aqui.

Não passa dia sem que surja notícia de que alguma obra emperrou. Parece até gozação. A mais recente refere-se, de novo, ao Itaquerão, campo do Corinthians que saiu do papel justamente para tornar-se palco da abertura do Mundial. A empresa responsável pela instalação das arquibancadas móveis, nas laterais do estádio, admite que o trabalho pode ficar pronto apenas em junho, pouco antes da cerimônia inaugural. O motivo para o replanejamento? A interdição ocorrida após a morte de mais um operário, na última semana de março.

O acidente é triste por definição, infelizmente comum na construção civil no Brasil, nem por isso normal, como se expressou equivocadamente Pelé. Mas, independentemente disso, a esta altura a praça esportiva deveria estar pronta, testada e aprovada. Não há esforço de marketing, conversa floreada de assessorias de comunicação ou inócuos pronunciamentos oficiais de cartolas, executivos e políticos que mascarem a realidade: a programação para o evento é uma grande esculhambação.

Andrés Sanchez, pai do projeto, que teve como padrinhos e avalistas o ex da CBF e o ex-presidente Lula, promete que Corinthians x Flamengo, pelo Brasileiro, será disputado na nova casa, no fim do mês. Diz isso como se fosse a coisa mais natural do mundo e vitória épica. E, de quebra, finge que desdenha a ajuda de fora, ao lembrar que a Fifa insistiu para que fosse o local da festa de abertura do Mundial. Claro que há quem compre essa ideia.

Se considerarmos que a arena (apelido moderno para campo de futebol) não existia, de fato é um avanço, a realização de um sonho alvinegro legítimo. Se levarmos em conta que teve empurrão danado para servir de pontapé inicial para o Mundial, se marcou passo. Pois deveria estar em funcionamento no mínimo desde junho de 2013, para a disputa da Copa das Confederações.

Com ou sem embromação, o Itaquerão será entregue para uso em cima da hora, sem o tempo necessário para corrigir eventuais falhas, nada improváveis diante dos atropelos durante a construção. Por isso, melhor apelar para a recomendação um tanto conformista das comadres do Bom Retiro, bairro de origem do Corinthians: “Agora, está tudo nas mãos de Deus.” Amém e mais uma para Ele se preocupar…

Nos tribunais. A Justiça existe para resolver pendências. Ainda bem. Melhor seria se houvesse sempre lisura e entendimento nas disputas entre os homens. Incluído o futebol. E o esporte mais popular do país tem capítulos importantes transferidos dos gramados para as salas de tribunais.

No momento, são dois de maior relevância: CBF e Lusa discutem, em Brasília, qual o foro correto para julgar a pendência do rebaixamento no Brasileiro de 2013. O time paulista quer São Paulo, a entidade dona da bola prefere o Rio de Janeiro.

O Superior Tribunal de Justiça, também em Brasília, definiu ontem que o Sport é o campeão nacional de 1987, e assim frustrou pedido do Flamengo, vencedor da Copa União e que se considerava o único campeão. O veredicto muda a lista oficial de campeões da CBF, mas não extingue o imaginário popular, que dá o Fla e o Sport como vencedores. Na pior das hipóteses, haverá sempre um asterisco para indicar por que existe essa polêmica eterna.

Tricolor em ação. O São Paulo vive em recomeços. Passada a ressaca do Paulistão, recebe o CSA na tentativa de manter-se na rota por título inédito, o da Copa do Brasil. É favorito, mas não boto a mão no fogo.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, quarta-feira, 9/4/2014.)

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24.março.2014 13:40:26

Pequenas e grandes proezas*

O mundo, com sua vastidão, não passa de povoado, dizem os italianos. Não importa se o sujeito more em Roma, Madri, São Paulo, Nova York ou na mais remota e minúscula aldeia perdida entre as montanhas. Os sentimentos, grandes ou pequenos, se tornam idênticos, têm o mesmo peso e valor para o habitante local. O universo é o que está à nossa volta.

Essa constatação da sabedoria popular se aplica a qualquer atividade humana – incluído o futebol. Por exemplo: por aqui, e certamente por dezenas de países que curtem o joguinho de bola, se falou e se acompanhou com atenção o duelo entre Real Madrid e Barcelona. As duas equipes viraram multinacionais do esporte, com as legiões de astros domésticos e estrangeiros. Por isso, há muito extrapolaram as fronteiras da Espanha e natural que tenham seguidores na Groenlândia, na Terra do Fogo, na Tasmânia.

Também vi o jogo, a maior parte dele – mas só depois de encerrado o clássico Santos x Palmeiras. Reuniu o que se espera de espetáculo memorável: casa cheia, gols à vontade, pênaltis, reclamações contra a arbitragem, expulsão, virada, derrota do time da casa e um gringo, dos rivais, a brilhar – no caso Messi com três dos quatro gols do Barça. Valeu o ingresso para quem esteve lá e para quem curtiu pela televisão.

Não há como fugir da realidade: os torneios internacionais fincaram raiz também no Brasil, antes conhecido como a terra do futebol, e juro que ouvi gritos na hora dos gols, dos dois lados. Fora os comentários acirrados nas redes sociais: quem a favor, quem contra Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar. Coisa quente, de Fla-Flu, de Gre-Nal.

O resultado foi magnífico para os catalães, que voltam a sonhar com a possibilidade de título. A queda do Real foi comemorada ainda pela turma do Atlético de Madrid, pelas diferenças paroquiais e por mantê-lo também na corrida pela hegemonia nacional. Competição aberta e que promete na reta final.

Grande proeza do Barcelona. Agora, porém, chego à segunda parte. Fora o duelo em si, variado, estrelado, produto de globalização, fiquei de olho mesmo em Neymar, queria ver como se sairia nesse desafio. E por quê? Porque, como brasileiro, ele me interessava mais. Com a proximidade do Mundial, desejo vê-lo em forma, torço para que brilhe. Messi e Cristiano são brilhantes, mas estrangeiros, não jogarão na seleção (podem ser ameaças pra ela, sei). Só que não são do nosso pedaço. Olhar crítico para eles, claro. No entanto, sem veemência, de parca emoção.

E Neymar não esteve lá essas coisas, mais uma vez. Parece deslocado, ao ser largado na direita, não arranca como se espera. Perdeu divididas, errou passes. Ainda assim, teve participação decisiva ao sofrer o pênalti que provocou a expulsão de Sergio Ramos, propiciou gol de Messi e influiu no resultado. Depois, foi substituído. Neymar é caso a ser abordado numa próxima crônica.

Madridistas a esta hora devem chorar pitangas pelo tropeço, por supostos erros do apito. Os barcelonistas vibram. Uma tragédia incomensurável para uns, uma euforia estratosférica para outros. Normal, da vida.

Mas, meu caro amigo, seria menor ou menos válida a satisfação do torcedor do Grêmio, que também teve um jogador a alcançar tripleta? (Recuso-me a escrever hat-trick, é cisma minha.) Barcos marcou todos nos 3 a 0 sobre o Juventude e caiu nos braços da galera. O corintiano não deve exultar com os três de Romarinho, nos 3 a 0 sobre o Sorocaba? Ou os santistas devem ficar mudos, porque o time deles bateu o Palmeiras por 2 a 1 fechou como o melhor da primeira fase do Paulistão?

Como?! Não há comparação entre o que ocorreu no Bernabéu e nestas bandas?! Se nos ativermos à qualidade de futebol, não. Nem sou tonto de dizer o contrário. À maneira de Mano Menezes, “com milhões na mão para contratar é fácil”. Se nos fixarmos na emoção – e isso que vale -, Messi, Barcos, Romarinho animaram o domingo dos fãs dos respectivos clubes. Fizeram a parte deles. Anonimato e sucesso são relativos.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, segunda, 24/3/2014.)

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23.março.2014 15:26:27

Heróis da resistência*

O bafafá provocado pela depredação do escritório do Palmeiras que vende ingressos para os associados do projeto “Avanti” me levou a uma constatação preocupante. Como gosto de ler comentários nos sites, sempre que há uma notícia polêmica, não perdi a oportunidade de conferir também o que a rapaziada disse a respeito desse episódio embaraçoso. Me deparei com o de sempre: gente que defendia a direção, outros que atacavam o suposto privilégio concedido para quem se filiou à promoção.

Enfim, seria a lenga-lenga costumeira, se não fossem duas ou três intervenções fora do padrão. Com termos diferentes, diziam mais ou menos o seguinte: o presidente Paulo Nobre não entende nada de arquibancada. Porque, se soubesse o que se passa naquele espaço, não confiaria a “torcedores comuns” a tarefa de representar os palestrinos na Vila Belmiro.

Sempre de acordo com os autointitulados especialistas no assunto, incautos que imaginam descer para a Baixada com o carro próprio, encostar nas redondezas do estádio e entrar em busca do lugar que reservaram vão quebrar a cara. Não é assim que as coisas funcionam no reduto alvinegro.

A barra é pesada e, se estiverem presentes 700 ingênuos (a parte que coube ao Palmeiras nos bilhetes), não será tropa suficiente para segurar o rojão. Ou seja, se faz necessária tropa de choque para garantir a voz alviverde.

Rapaz, que peculiar visão do significado das tribunas populares, que durante décadas funcionavam como lugar democrático, aberto para todos os tipos de fãs de futebol. Agora, se transformaram em territórios a resguardar, guetos em que apenas os mais fortes e bem preparados podem ocupar, como heróis da resistência no campo rival.

Chato, pior de tudo, que essa loucura faz sentido. Não concordo com tal comportamento, pra qualquer cidadão com cabeça no lugar se trata de insanidade enxergar cenário de batalhas onde deveriam conviver emoção e alegria. Mas conseguiram distorcer tanto a finalidade de ir ao campo que, infelizmente, desmiolados agem como pracinhas enviados para a guerra.

Daí não se pode esperar, de fato, que o sujeito bote a camisa do time, curta um guaraná ou um cachorro-quente, coma um pernil na esquina e desfrute do domingo para um passeio no litoral. Então, em vez de vermos carreatas descendo a serra, com bonés, buzinas, bandeiras, notamos ônibus de uniformizadas como se fossem comboios militares escoltados por batedores para evitar confrontos antes do tempo.

Meu amigo, endoidecemos!

Quem é melhor? 1. Torço por tempo quente pra valer, e disputas vibrantes, no gramado da Vila. Santos e Palmeiras apresentaram até agora futebol que foge ao lugar-comum do Paulista. Não são equipes brilhantes. No entanto, compensam com equilíbrio entre defesa e ataque (sobretudo no caso da turma de Gilson Kleina) e velocidade, ousadia e gols, no que se refere ao grupo de Osvaldo de Oliveira. O Santos tem um ataque arrasador, com 37 gols, disparado na frente.

Kleina aos poucos molda o meio-campo, com França, Bruno César e Valdivia atuando mais juntos. Osvaldo conta com o entrosamento crescente de Cícero, Gabriel, Geuvânio, Thiago Ribeiro, Leandro Damião. E faz mistério em torno de Arouca.

Sempre se pode esperar joguinho bacana entre esses dois fidalgos adversários. A história os respalda. Agora, o Santos (33 pontos) e Palmeiras (35) decidem quem leva vantagem para as próximas fases.

Quem é melhor? 2. Os espanhóis se regalam hoje com outro Real x Barcelona, clássico mundial de primeiríssima grandeza. Vitória do Real joga o Barça na lona na corrida pelo título doméstico. E o duelo esperado, pra variar, fica entre Cristiano Ronaldo e Messi. O português está em esplêndida fase, joga demais. Mas, caramba, quem me cativa é o argentino. Esse moço tem fascínio que não se explica,mas se sente.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, domingo, 23/3/2014.)

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21.março.2014 14:22:25

Obrigado, capitão*

Não sei se alguma vez Hideraldo Luiz Bellini teve consciência do que representou o gesto de erguer sobre a cabeça a Jules Rimet, após a final da Copa de 1958. A atitude simples e espontânea teve significado que foi além da comemoração da primeira das cinco conquistas da seleção brasileira. O capitão levantava a autoestima nacional, cabisbaixa desde a derrota para o Uruguai, na maldita decisão de oito anos antes. Ele mostrava ao mundo que, enfim, uma grande escola era premiada, reconhecida, e fazia os adversários se dobrarem a seus pés.

Bellini foi o símbolo de uma nova era no futebol. O porte elegante, altivo, a panca de xerife revelavam que o Brasil não se conformava mais com o papel de coadjuvante no esporte que já domesticara como poucos. Dali em diante falaria grosso, ditaria moda. Também se consolidaria a imagem de grandeza, destreza e eficiência de nossos artistas. Começava ciclo de ouro.

O Brasil vivia mudanças internas importantes. Na política, terminava de maneira trágica a Era Vargas, com o suicídio do presidente em 1954. Juscelino Kubitschek construía Brasília e dava o pontapé inicial na indústria automobilística. Eram os tempos da Bossa Nova. A tevê engatinhava, com a criação da Tupi. O futebol revelava o gênio de Garrincha e a majestade de Pelé.

Por essas coincidências lindas do destino, coube a Bellini a honra de mostrar como o astral do povo se modificava. E, dentro de campo, com quanta dignidade e magia. Um time que tinha Gylmar, Djalma Santos, Nilton Santos, Didi, Zito, Garrincha, Vavá, Pelé, Zagallo, Pepe, dentre outros, era de se tirar o chapéu. Para acompanhar como uma sinfônica; solistas de primeira.

Pois os heróis aos poucos cumpriram tarefa por aqui e debandaram para outra dimensão. Turma tão afinada, que uma parte resolveu ir junta. Em poucos meses, foram bater bola nas nuvens Gylmar, De Sordi, Nilton Santos, Djalma Santos e agora Bellini.

Foram em paz. Obrigado, capitão Bellini. Eternamente. Comemore com seus amigos as alegrias que nos deram. Não se esqueçam da gente e, por favor, mostrem a anjos, arcanjos e querubins como já fomos bons de bola!

Vespeiro agitado. Paulo Nobre comprou briga ao negar-se a manter privilégios para determinados setores da torcida do Palmeiras na compra de ingressos. O dirigente resolveu investir no “Avanti”, projeto moderno, lúcido e economicamente viável, que recorre à fidelização do público. O sujeito paga um tanto por mês e tem direito a adquirir bilhetes por preços reduzidos. É a tendência, no momento, para manter o caixa em relativo equilíbrio e colocar plateias razoáveis nos estádios.

Esse movimento simples mexeu com quem sempre se considerou diferente, especial, ou mais palestrino do que qualquer outro. Turma que tinha a carga de entradas que lhe conviesse, sem sacrifício e para azar dos demais. Danou-se! O cartola virou inimigo para certos segmentos, que, na falta de melhor argumento, apelam para a linguagem de que dispõem para persuasão: violência, força bruta.

Isso explica a atitude das pessoas que quebraram a sala reservada ao atendimento dos sócios “Avanti”, na tarde de ontem. Não há acusação formal contra ninguém ou grupo. Apenas indícios, claro. O episódio revela quanto caminho há para percorrer para modificar o futebol no Brasil. Nobre atiçou vespeiro ao romper com prática distorcida, retrógrada, mas vista como normal por tanto ser aplicada. Por medo, por conveniência, por conivência.

O presidente apenas teve a coragem de mostrar um dos pontos que empacam o futebol, uma das válvulas por onde o lucro escorre pelo ladrão. O freguês, digamos assim, sem atendimento cortês, que se percebe prejudicado, se afasta e dá lugar aos aproveitadores, aos chupins desse meio. Só espero que não recue.

Os agressores, se forem identificados, não devem temer consequências. Basta alegar que agiram por amor excessivo. Serão inocentados.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, sexta-feira, 21/3/2014.)

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