Antero Greco - Estadao.com.br

Antero Greco

Depois da derrota na semana passada, o torcedor do Santos tinha certeza de que a partida final do Campeonato Paulista teria desfecho feliz e significaria o tetra. Ficou só na vontade. O time foi um fiasco, não passou de empate por 1 a 1 e facilitou a missão do Corinthians, campeão estadual pela 27.ª vez. Um recorde local.

A maior parte do público alvinegro que foi à Vila Belmiro, na tarde deste domingo, saiu com a pulga atrás da orelha. Depois de ver o Santos ser presa fácil, ficou a cismar o que esperar no Brasileiro, principalmente se Neymar for embora. A equipe não é nem sombra daquela dos anos anteriores, mesmo que tenha chegado à final.

As trocas de passes rápidas, os dribles eficientes, as chances de gol andam em falta para o lado santista. E, para complicar mais, Neymar outra vez esteve aquém do que pode fazer. Sozinho, muitas vezes ele desequilibrou em favor do time. Mas, quando está mal, afunda com os demais. Como ocorreu no segundo duelo com o Corinthians.

Bem marcado, poucas vezes pegou na bola para construir lance de gol – e de gols o Santos precisava muito. Até ficou em vantagem, com a belíssima conclusão de Cícero. Porém, mal teve tempo para comemorar e sofreuo empate, com Danilo. E travou, engasgou, emperrou, afundou. Ainda no primeiro tempo, só não levou a virada porque duas bolas estouraram na trave.

No segundo, o panorama não mudou. O Santos teve uma oportunidade, com André, e nada mais. Nada mesmo que pudesse sequer arrancar aplausos da torcida. O Corinthians, com o ponto garantido, já faria a festa. Por isso, se permitiu esperar o adversário vir pra cima – o que não ocorreu. Embora, não precisasse foi quem esteve mais próximo do gol, e desperdiçou outras chances, com Romarinho e Pato.

O Santos precisa reciclar-se, e bem. Com esse grupo, e da forma com tem jogado, não permite prever sucesso na Série A. O Corinthians, sem ser brilhante, pelo menos deu um chega pra lá na frustração da eliminação na Libertadores e pode pensar em recompor-se para voltar à competição continental no ano que vem.

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Só se fala do frango do Bruno, no primeiro gol que o Palmeiras sofreu no jogo com o Tijuana. Aquele lance constrangedor teria decretado a derrota por 2 a 1 e consequentemente a eliminação na Libertadores. Meia verdade.

A falha do goleiro surpreendeu os 30 e tantos mil palmeirenses que estiveram no Pacaembu, na noite desta terça-feira, além dos milhões que acompanharam o jogo pela televisão. Mas não foi ali que o Palestra deu adeus ao sonho de seguir adiante na competição continental.

O Palmeiras caiu fora por suas limitações, conhecidas do torcedor e mascaradas, em apresentações recentes, pelo empenho fervoroso dos jogadores. Marcou sobretudo a garra na vitória contra o Libertad, na fase anterior, e que garantiu sobrevida à equipe.

No todo, porém, o grupo que Gilson Kleina tem nas mãos é fraco. Há quem diga que é o possível, para o momento, e que o objetivo é reestruturar-se durante a Série B nacional, subir e retomar a reação no ano que vem, por coincidência o do centenário de fundação.
Outra meia-verdade.

O Palmeiras, mesmo rebaixado em 2012, teve no mínimo seis meses para planejar a participação na Libertadores. Perdeu tempo, emperrou na inatividade da diretoria anterior e empacou no discurso da atual, que alega dificuldades financeiras. Jogou no lixo o presente que veio na metade do ano passado com a conquista da Copa do Brasil.

Se ficou no lucro, ao superar a etapa de grupos, poderia obter ganho maior nas oitavas de final. Fale-se o que quiser, mas o Tijuana é desses cometinhas que de vez em quando aparecem no futebol. Fazem um certo barulho, têm um brilhareco e desaparecem.

O time mexicano não é nenhuma maravilha, como ficou comprovado no 0 a 0 no México e na derrota que havia sofrido para o Corinthians por aqui meses atrás. O Palmeiras poderia seguir adiante, se tivesse estofo para tanto, se tivesse equilíbrio, se tivesse qualidade nos jogadores. Não digo caráter, porque os atletas foram dignos. Falo em habilidade, poder de decisão, autocontrole e coisas do gênero.

O peruzaço de Bruno seria compensado, se o time fosse bom, se confiasse no próprio taco. Se tivesse ataque, se não precisasse recorrer a um zagueiro (Henrique) para tentar desequilibrar na frente. Se tivesse um homem de referência para fazer gols.

Mas o Palmeiras revelou, no aperto, como neste momento lhe falta alma vencedora. Já foi eliminado do Paulista, deu adeus à Libertadores e aguarda a Série B. Fortes emoções virão até dezembro.

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Jerôme Valcke é um sujeito chato – todo mundo já conhece a fama dele. Vira e mexe o secretário geral da Fifa aparece por aqui pra dar pitaco sobre alguma obra para a Copa. Isso quando não esculacha lá da Suíça mesmo. Incomoda, e tem de fazer esse papel.

A mais recente de Valcke foi a ameaça de tirar de São Paulo o jogo de abertura em 2014, por causa dos atrasos na construção do estádio do Corinthians. Ele diz que não há problema algum em fazer mudanças na estrutura da competição, se for necessário. O complexo deveria ser entregue em dezembro, mas agora o clube diz que só ficará pronto em fevereiro do ano que vem por causa das arquibancadas adicionais para a Copa.

O Corinthians resolveu peitar a Fifa em nota oficial no site. Disse que está fazendo tudo dentro do previsto e lembra que o estádio “para os corintianos” é de 48 mil lugares. Só foi ampliado para atender o desejo de se fazer aqui o jogo inaugural. E em todo pouco polido diz que, se a Fifa fizer questão de mudar o lugar, que fique “à vontade”.

Há blefe dos dois lados. A Fifa não tira o pontapé inicial do Mundial da maior cidade do país. E o Corinthians sabe que sua casa própria só sai agora por causa da Copa – e dos acertos políticos do ex-presidente Andrés Sanchez com o ex da CBF e da simpatia, digamos assim, do ex-presidente Lula, que deu uma mãozinha.

O Corinthians obteve, a toque de caixa, a aprovação de seu projeto, depois de a Fifa ensebar, por interferência do ex da CBF, todos os planos apresentados pelo São Paulo. Era um jogo de cena. Foi um presentão, mesmo que o clube venha a pagar os empréstimos (e espero que o faça, porque é dinheiro público).

Não cabe agora essa postura. Sanchez já deu a entender que é um favor que o Corinthians presta à Copa ao ceder sua casa para a abertura. Foi justamente o contrário: o clube recebeu uma dádiva do amigo que hoje em dia vive em Miami. E a quem deve ser eternamente grato.

No fim, haverá entendimento e, se for necessário, aumentam as verbas para tocar o negócio mais rapidamente. Mas, se a Fifa tiver mesmo de mudar de lugar, será bem feito. Quem sabe da próxima vez escolhe melhor determinados parceiros.

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Dias atrás, exaltei aqui o comportamento de Seedorf. O veterano holandês veio pro Brasil pra jogar, divertir-se e brilhar. Conseguiu tudo isso com o título estadual obtido pelo Botafogo. Com elegância e autoridade. Pois agora temos outro exemplo de atleta que parece vinho dos bons e fica melhor à medida que passa o tempo. Não há segredo: é Alex, 35 anos e muita história no futebol.

O meia de futebol requintado e com pontaria calibrada  retornou para o Coritiba, depois rodar o mundo e brilhar em diversos lugares para mostrar que continua a evoluir. Na casa de origem, encaixou-se à perfeição e foi um dos líderes na conquista do Campeonato Paranaense. A coroação veio com os dois gols nos3 a1 de virada sobre o Atlético-PR, na tarde deste domingo.

O Atlético saiu na frente, com Hernani aos 5 minutos do primeiro tempo, no segundo duelo pela final. Mas Alex provou, na prática, que craque aparece para decidir. E foi o que fez, com os gols aos 29 e aos 40 minutos. A reação, antes do intervalo, era necessária para manter a confiança no título.

Alex por pouco não deixou outra vez a marca de sua liderança, ao mandar bola no travessão na segunda etapa. Mas regeu o meio-campo alviverde até o momento de levantar a taça, depois de Geraldo fechar a conta aos 46 minutos. Não por acaso foi dos mais aclamados pelos torcedores, que sabem reconhecer os ídolos de verdade.

 

 

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O Atlético-MG tem jogado o fino da bola. É preciso reconhecer que a rapaziada de Cuca sobra diante de adversários, domésticos, nacionais e internacionais. Na Libertadores, atropelou o São Paulo duas vezes e fica à espera de rival para as quartas de final. No Mineiro, está a um passo do título, após os 3 a 0 de hoje sobre o Cruzeiro.

O clássico no Independência foi mais uma demonstração do requinte com que Ronaldinho Gaúcho e companhia desfilam pelos gramados. Apesar de pegado e duro no primeiro tempo, com sete cartões amarelos, o Galo foi superior, criou as melhores oportunidades e ficou em vantagem, com o gol de Jô.

Não mudou o panorama na etapa final. Quer dizer, até melhorou para o Atlético, com a expulsão de Bruno Rodrigou aos 9, depois de levar o segundo amarelo. O Cruzeiro ensaiou reagir, mas não teve como; ao contrário, ao se abrir, dava espaço para contragolpes do Atlético. E a tarefa foi liquidada com gols de Tardelli e Marcos Rocha.

Até o juiz sentiu o peso do Atlético. Luis Flávio de Oliveira passou o bastão para o reserva, dez minutos antes do final, por contusão na coxa. Perdeu os derradeiros momentos de mais uma exibição da equipe que, no momento, regala o público com o futebol mais divertido e contundente do país.

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O Santos pode agradecer ao céu, aos protetores e a todas as mamães. O sonho do tetra paulista esteve perto do fim, na tarde deste domingo, e ainda no primeiro tempo do duelo com o Corinthians. Neymar e companheiros não viram a cor da bola, flertaram com uma surra memorável e no final das contas devem se dar por satisfeitos com a derrota por apenas 2 a 1. Com isso, têm esperanças para o próximo domingo.

A primeira parte das quatro que compõem a decisão do estadual foi um passeio corintiano. Sem inventar, e com alguns deslocamentos de função, Tite conseguiu devolver ao time a consistência e a regularidade dos melhores momentos do ano passado. Ralf e Paulinho estiveram impecáveis na marcação, enquanto Romarinho, Danilo e Emerson fechavam espaços, ao mesmo em que encostavam em Guerrero.

O Santos ficou acuado e se ressentiu de desempenho apagado de Marcos Assunção e Miralles. Ambos pareciam nem ter entrado em campo. Como consequência, Neymar ficava isolado, escanteado na frente. Para sorte do Corinthians, que pressionou, teve muitos escanteios a favor, até chegar à vantagem, com Paulinho. Diferença que só não ficou maior antes do intervalo, porque Paulinho mandou uma bola no travessão.

A goleada se desenhou no primeiro tempo e fugiu no segundo. Muricy acordou, ao tirar os pesos mortos Assunção e Miralles, para colocar Felipe Anderson e André. A dupla tornou o time mais leve, o Santos reequilibrou o jogo e também deu trabalho para Cássio. Havia, enfim, uma partida e não só uma exibição unilateral.

O Corinthians ainda ampliou a vantagem, com Paulo André, se bem que tomava mais cuidado com a defesa. O Santos não perdeu o pé, diminuiu com Durval e recuperou a esperança de definir em casa. Mesmo com um Corinthians mais estável no momento, não se pode cravar que o troféu vá para o Parque São Jorge.

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10.maio.2013 20:00:34

Arapuca são-paulina*

O São Paulo está sem rumo dentro de campo e com autocrítica destrambelhada nos bastidores. Jogadores e comissão técnica não dão conta do recado nas competições de que participam, como mostram as duas eliminações em quatro dias e o futebol oscilante da equipe. A cartolagem reforça a sensação de destempero com atitudes impregnadas de soberba e doses de galhofa fora de hora. Em resumo, está uma esculhambação.

A coisa não vai bem desde cima. Na tarde do segundo jogo com o Atlético, o presidente Juvenal Juvêncio deu longa entrevista ao repórter André Philal. No estilo pirotécnico e na linguagem rococó que o distinguem, destilou ironia pra todo lado. O objetivo, claro, era o de mostrar que o clube que comanda não compactua com acertos antidesportivos, é pautado por lisura e fair-play, e que paga preço salgado por essa postura. Enfim, pintou retrato de uma agremiação composta por cavalheiros. Aquela negócio do difereeeen-txe! de que se gaba. Pode ser, não discuto o caráter de ninguém.

Mas, de tanto deixar o falatório escoar pelo ladrão, o dirigente caiu em armadilha. Pra cutucar os colegas mineiros, referiu-se ao estádio Independência como uma arapuca, por ser acanhado e supostamente intimidar os adversários. Ficou no ar que a artimanha de não jogar no Mineirão seria forma de pensar pequeno. Pois se esqueceu de emendar, mais tarde, que a ratoeira foi tão bem montada que o time dele não viu a cor da bola, levou de 4 a 1, fora o baile, e saiu da Libertadores murchinho, calado e com o lombo dolorido. O Atlético-MG passeou diante de oponente tão estrelado na competição.

Em vez de vislumbrar inveja e supostas armações, o longevo dirigente poderia voltar-se para si próprio e para o tipo de administração que vinga atualmente no Morumbi. A começar por mudanças de estatuto que lhe permitiram estender o tempo de permanência no poder e sufocam a oposição. Antes, o rodízio frequente na presidência tinha o verniz de processo democrático e de renovação constante no clube.

Agora, não. Fica a impressão de que, assim como outras associações, o São Paulo também é uma espécie de capitania hereditária na qual a sucessão ocorre por direito divino ou régio. Erro que levou pesos pesados (Vasco e Palmeiras, por exemplo) a regredirem e perder espaço. Ambos não conseguem se recuperar de anos de absolutismo de personagens de triste memória. O tricolor armou arapuca semelhante e caiu nela.

As consequências se estendem para o gramado – e atingem o torcedor. O sujeito que está nas arquibancadas ou não liga para a política interna ou, o que é mais comum, não tem acesso às disputas de grupos e facções. (Falo dos fãs comuns, não daqueles que têm interesses.) Pois esse cara que veste a camisa, que se esgoela e se escabela, quer ver bons resultados, concentra a atenção na turma que faz a bola correr. E nisso tem acumulado decepções.

O São Paulo gastou uma dinheirama e não montou elenco competitivo e homogêneo. Escrevi algumas vezes que não o considerava frágil – mas, depois de seguidos sustos e fiascos, tendo a rever minha opinião. Difícil encontrar justificativa para seis derrotas, três vitórias e um empate na Libertadores (com os jogos da fase preliminar). Mal se formou, já terá de passar por reforma.

Para não ficar em análise imediatista, com base em episódios recentes e ainda quentes, um recuo na folhinha amplia a crise de identidade tricolor. Depois dos títulos nacionais de 2006/07/08, minguaram as conquistas. A única foi a Sul-Americana de 2012, com a final inacabada com o Tigre. Se quiser aliviar, se pode alegar que ciclos de glórias e apertos fazem parte da história dos grandes times. Meia-verdade.

O São Paulo ficou duas décadas (1989/2008)em evidência e se tornou dos mais premiados clubes brasileiros. Cultivou a imagem de eficiência e vanguarda. Mas estagnou e precisa de mudanças – do topo à base, se pretende de novo ser diferente, de fato e não só no papo.

*(Minha crônica no Estado de hoje,  sexta-feira, dia 10/5/2013.)

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Escrevi em minha coluna no Estadão de quarta-feira que a cobra iria fumar no Independência. Bastava saber de qual lado. A resposta veio clara, sonora, inquestionável, nos 4 a 1 do Atlético sobre o São Paulo. “Fora o baile”, como se dizia no meu querido Bom Retiro, bairro paulistano onde nasci e me criei.

Ronaldinho Gaúcho e sua turma desmontaram um adversário que já havia sido chacoalhado com os 2 a 1 de virada na semana passada no Morumbi. Um São Paulo torto, remendado, a partir da escalação, na qual apareceu Douglas com função de meia, de volante, de atacante. Enfim, não se sabe direito com qual função.

O time de Cuca não deu em momento algum espaço para o São Paulo pensar, criar, ousar, muito menos sonhar com a reação. Se, em nome da tradição tricolor, se esperava pelo menos atrevimento, na prática não houve sequer cócegas no Galo. O que se viu, do começo ao fim, foi um passeio de uma equipe superior, autoconfiante e equilibrada.

O Atlético criou chances, ainda no primeiro tempo, de ter placar folgado. Mandou bola na trave, com Ronaldinho Gaúcho, e assustou com Bernard e Diego Tardelli. Ficou na vantagem do 1 a 0, gol de Jô – e praticamente liquidou a tarefa antes do intervalo. O São Paulo foi batido para os vestiários. Era visível a cara de desânimo dos jogadores.

Desânimo que virou pesadelo na etapa final, quando vieram mais dois gols de Jô (ou Jôvandowski, como falaram alguns torcedores gozadores) e outro de Tardelli. O São Paulo descontou com Luis Fabiano, só pra não ficar no zero.

O Atlético segue como um dos fortes candidatos ao título desta temporada – conquista inédita, esperada. O São Paulo precisa ser remontado para o Brasileiro. Mas, acima de tudo, é preciso que dirigentes saiam do pedestal. O presidente Juvenal Juvencio afirmou, antes do jogo, que o Independência era uma arapuca. Era, sim. Tão bem feita que o time dele não viu a cor da bola.

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08.maio.2013 12:34:07

A cobra vai fumar. Qual*

Há expressões populares de ironia simples e definidora. Essa do título da crônica de hoje vem de longe, salvo engano da época do embarque da Força Expedicionária Brasileira para a Itália, quando se dizia que era mais fácil uma cobra fumar do que o país entrar na guerra. Dali em diante, passou a significar que o clima sempre esquenta quando dois adversários se topam. Ou seja, o bicho vai pegar…

E está com jeito de jogo bom e animado este Atlético-MG x São Paulo, programado para o Independência. Ambos se enfrentaram três vezes na edição atual da Libertadores, com vantagem para os mineiros: 2 a 1 na ida, na fase de grupos, e 2 a 1 de virada na semana passada, no Morumbi. O São Paulo fez 2 a 0 na última rodada da etapa anterior do torneio.

Monotonia não houve nos clássicos prévios – por isso, é justo imaginar-se no mínimo a repetição de duelo com ritmo forte para a noite. Nem há como ser diferente, pelas características das equipes e pelas circunstâncias da partida. O Atlético joga solto, é atrevido e criativo. Não foi por acaso o melhor participante da primeira parte da competição, e conta com jogadores com poder de definição. O São Paulo, mesmo com baixas significativas, volta e meia se arrisca a ir pra cima e pressionar, embora nem sempre consiga sustentar a cadência por muito tempo.

Sobretudo, é decisão em Belo Horizonte. Não há meio-termo, um dos dois cairá fora do caminho do título; portanto, nem tem como levar em banho-maria. A bola está com o Atlético, que anda em paz consigo e com a torcida. Fato. O conjunto montado por Cuca repete a harmonia do Corinthians de 2012, com o requinte de contar com Ronaldinho. Mas não só o gaúcho: também desequilibram Diego Tardelli, Jô e Bernard, ainda um tanto retraído por contusão no ombro, mas que joga muito. Defesa e restante do meio de campo são seguros e experientes. Dá gosto de acompanhar o Galo.

Não se comete exagero ao se detectar o melhor Atlético dos últimos anos. Time com cara de campeão – ou, no mínimo, com perfil de quem vai longe, sem tremer. Até agora não tem decepcionado, apesar de prognósticos reservados após a derrota para o São Paulo. Se supôs que entraria abalado para o novo tira-teima, diante do mesmo rival, nesta fase de eliminação direta. Ganhou e está com um pé nas quartas.

Também vale fazer justiça ao São Paulo: a turma de Ney Franco começou a toda, ficou logo em vantagem (com Jadson) e só Ademilson (que substituiu Aloísio) desperdiçou duas chances benditas. O espetáculo que poderia desembocar em goleada pro pessoal da casa deu uma guinada brusca com a expulsão sonsa de Lúcio, antes do intervalo. O zagueiro xerife lascou pernada pra desmembrar o Bernard – e espanou o Tricolor. Se o Atlético forçasse a barra, a desgraça seria maior.

Dano irreparável? Condenação irreversível? Não creio. Por respeito, constatação e sensatez, é leviano cravar que o São Paulo foi pro espaço. Ninguém perde de véspera – exceto se cair em alguma maracutaia de bastidor. Não é o caso dos dois.

O São Paulo precisa valer-se do repertório e da tarimba de Rogério Ceni – não só nas defesas (só não vale adiantar-se nos pênaltis), mas nas bolas paradas também. Além de Denilson, Jadson, Ganso e de Luis Fabiano, que retorna depois de suspensão. Os dois últimos ficaram em dívida, pelos erros nas penalidades no domingo. Fica a dúvida em torno de Osvaldo, ultimamente o mais eficiente, veloz e ousado da equipe.

Complicada a missão são-paulina, porque lhe pesam sobre os ombros a desconfiança da torcida, as oscilações, as baixas provocadas por contusões, a cobrança interna dos dirigentes. E, principalmente, porque terá diante de si um obstáculo de grosso calibre. Não pode entrar derrotado – na hipótese menos vibrante, tem de acreditar na devolução dos 2 a 1 e nos pênaltis (ai, ai!). Certo é que a cobra vai fumar a partir das 22h. Pra qual lado? Sei lá, ô meu! Trem doido demais, sô!

*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 8/5/2013.)

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A festa do Botafogo campeão carioca foi bacana. Osvaldo de Oliveira e rapaziada mereceram o título, sem necessidade dos dois jogos da decisão, ao venceram com brilho os dois turnos da competição – o segundo, sobretudo, só com vitórias. Souberam aproveitar da fragilidade de Vasco e Fla, além do desinteresse do Flu, e se deram bem.

Mas o que me chamou a atenção foi a animação de Clarence Seedorf. O holandês desembarcou por aqui, no meio do ano passado, para o que parecia uma aventura maluca, tentativa descontraída de curtir a fase final de brilhante carreira. Não faltou quem duvidasse que o moço aproveitaria o convite do Botafogo para aproveitar melhor o sol do Rio, cidade com a qual tem forte ligação, pois é casado com uma carioca.

Já no Brasileiro de 2012, Seedorf, 36 anos e muita rodagem, mostrou que não estava para brincadeiras: foi um dos melhores do time. Em muitos momentos, sobrou, pela categoria que o tempo só fez apurar. Manteve o ritmo neste começo de temporada, ao comandar o time em campo na conquista da Taça Guanabara, Taça Rio e estadual.

Seedorf vibrou feito juvenil recém-promovido na noite deste domingo, depois da vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense, clássico no qual mandou uma bola no travessão. Participou das comemorações com os companheiros, cantou na chegada a General Severiano e chorou. Se tem coisa que me comove é marmanjo emocionado! Ainda mais quem faturou títulos europeus a torto e a direito.

O camisa 10 se comportou como amador, no melhor sentido da palavra. Exemplo bonito, lição de vida para jovens que muitas vezes se consideram no auge e logo se desinteressam pela profissão. Seja qual for a atividade que exerçam. Ele ensinou que sempre há o que aprender, o que aprimorar e o que brindar.

Seedorf mostrou que para no tempo apenas quem quer.

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  • nimbus: Parece que vc ficou frustrado com a não conquista do Santos.
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  • nimbus: Apesar de estar um pouco enfastiado de ver o Timão levantar taça, esse título foi especial. Eu não via o...
  • Daniel Parente Fernandes: É bem verdade tudo que você falou Anterão. O Santos não é mais o mesmo e Muricy não...

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