Uma das notícias mais importantes desta quarta-feira foi o anúncio de nova cirurgia de Ganso para corrigir problema no joelho direito. O procedimento está marcado para sexta-feira e o prazo de recuperação gira em torno de duas a três semanas. A previsão é de que esteja pronto para atuar pelo menos na segunda partida da semifinal da Libertadores, caso o time passe pelo desafio do Velez, amanhã à noite, na Vila Belmiro.
O prejuízo imediato não será para o Santos, já que seu camisa 10 está escalado para pegar os argentinos nesta quinta-feira. O reflexo ocorrerá na seleção, pois ele saltará os quatro amistosos previstos para o final deste mês e primeiros dias de junho. Jogos importantes para Mano Menezes definir o grupo que levará para o torneio de futebol na Olimpíada.
A questão não é discutir se o Santos poderia adiar a nova intervenção. Mas ficou claro que o clube olhou para seu organograma, analisou o calendário e preferiu abrir mão do atleta neste momento, já que haverá uma pausa no torneio continental. Não levou em conta a seleção.
E, se querem saber minha opinião, digo que agiu bem. O Santos, assim como qualquer outra agremiação, precisa antes de mais nada saber onde aperta o seu calo, quais as dificuldades e prioridades que tem em sua rotina. Se a baixa de um talento como Ganso poderá refletir-se na seleção, por exemplo, paciência. Lamenta-se, mas não é problema dele.
Que me desculpem os nacionalistas, mas para mim os clubes são mais importantes do que seleções. Eles são a sustentação, a essência do futebol.
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A maioria das pessoas que assistiram por aqui à final da Copa dos Campeões provavelmente não tinha a mínima afinidade com Chelsea e Bayern de Munique. Mas garanto que bateu frio na barriga de muitas na hora dos pênaltis que serviram para apontar o novo dono da Europa. Não tem como fugir, até quem não gosta de futebol tende a roer unhas, ao ver um título sendo definido assim. Dá angústia danada, e difícil optar entre ficar a favor do cobrador ou do goleiro. Por solidariedade, e um tanto por espírito de porco, costumo torcer para o goleiro se sair bem.
Se houve adrenalina por causa dos gringos, imagino como será esta quarta-feira para fãs de Corinthians, Vasco, Fluminense, convocados para traçar os respectivos destinos na Taça Libertadores. Pelo menos um dos três vai para a semifinal, e não se trata de hipótese fora de propósito que o avanço ocorra por meio das benditas penalidades máximas, como diziam os narradores de rádio de outros tempos. Para que a angústia se torne real, o Flu tem de ganhar do Boca por 1 a 0, no Engenhão, enquanto Corinthians e Vasco não podem sair do 0 a 0 no Pacaembu. Daí, é rezar, fazer mandinga, promessa, fechar os olhos…
Os dois resultados são plausíveis, pelas características das equipes envolvidas nas disputas. E pelo equilíbrio mostrado na semana passada. Se bem que não cravo com convicção, pois há tendência de atrevimento maior, por ser o lance derradeiro para todos, nesta fase, e isso desemboca em maior probabilidade de que saiam gols, vários até.
Começo pelo clássico brasileiro em São Paulo. A lógica indica o Corinthians a pressionar, por obrigação, por impulso da torcida, para não ver o sonho da América mais uma vez morrer no meio do caminho. A responsabilidade maior fica para Tite e sua rapaziada. O Vasco se considera franco-atirador, e lhe basta um gol, por exemplo (1 a 1), para voltar para casa com a vaga no bolso.
O técnico corintiano sabe disso e resolveu não alterar o time em relação àquele que esteve em São Januário. A aposta recairá de novo na harmonia entre os setores. O sistema defensivo se mantém como ponto forte, com a devida proteção de Ralf e Paulinho. A criação e a conclusão estarão a cargo do quarteto de trintões formado por Alex, Danilo, Jorge Henrique e Emerson.
Tite confia neles, na mesma medida em que não sente segurança em Willian e sobretudo Liedson, antes o dono do ataque e agora afundado em névoa intensa. Não é imprescindível ter um “camisa 9″, mas quem saiba finalizar. Liedson, por coincidência, era o 9 e o goleador. De um momento para outro, definhou. E não há quem preencha esse espaço.
Significa que o Corinthians passará em branco de novo? Não necessariamente, pois pode se valer de chutes colocados de Alex, de cabeceio de Danilo, das traquinagens de Jorge e Emerson. Ou, principalmente, das aparições surpreendentes de Paulinho na área, desde que se livre da marcação, o que não aconteceu no Rio. E o Vasco de olho nos contragolpes. Mesmo assim, não vejo pênaltis como desfecho improvável para o duelo.
Paciência e obstinação – além de pontaria certeira – são imprescindíveis para o Flu. O Boca tomou gosto pela Libertadores, ganhou em casa, adora ser carrasco de brasileiros. Quadro perfeito para começo de noite de sofrimento para Almir, Marcelo, Nando e tantos tricolores que conheço.
E na Copa do Brasil? Ares de pênaltis em Coritiba x Vitória (0 a 0), maré mais mansa para São Paulo em Goiás (2 a 0 na ida) e tensão em Barueri, para Palmeiras x Atlético-PR (2 a 2).
*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 23/5/2012.)
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Sei que grande parte dos amigos que visitam meu blog é jovem. Talvez por isso, não tenham noção exata da importância de Nilton Santos. Mas, se curtem futebol, provavelmente ouviram falar dele e sabem que é considerado um dos maiores, senão o mais brilhante, lateral-esquerdo da história do futebol brasileiro. Bicampeão do mundo, não foi por acaso que ganhou o apelido de Enciclopédia, pois sabia tudo e mais um pouco.
Nilton Santos completou 87 anos na semana passada e há muito luta contra o Alzheimer, mal que corrói lentamente e faz a pessoa flanar em outra dimensão ainda em vida. O elegante craque do passado, símbolo do Botafogo e de lealdade a uma camisa, enfrenta dificuldades financeiras, conforme revelou reportagem de Silvio Barsetti, no Estadão de hoje.
Para diminuir um pouco o aperto, um amigo para o qual Nilton Santos repassou muitas de suas relíquias pessoais anunciou que levará a leilão objetos históricos do ídolo de sempre. Será uma forma de arrecadar dinheiro para dar dignidade aos dias que lhe restam. Tomara que gente de sensibilidade arremate camisas, chuteiras e outros itens. Quem sabe algum museu não se interesse.
Mas o que me levou a este breve comentário foi uma constatação: como é difícil, neste país jovem e emergente, ter uma velhice digna, com condições decentes. O sujeito dedica os anos mais produtivos ao trabalho, faz sua contribuição para a Previdência, na esperança de ter retorno razoável na fase descendente e curtir em sossego um período de calmaria.
Ilusão. Quando mais precisa, vê a renda diminuir de forma drástica e o padrão de vida degradar-se. Nilton Santos jogou bola, teve fama (e não tanto dinheiro quanto boleiros de hoje), conhecimentos e enfrenta dificuldades. Imagine um operário, um dos tantos milhões de anônimos com os quais cruzamos. Que perspectiva terá quando for ancião?
Nossa economia cresce, logo viraremos Primeiro Mundo, mas voltamos as costas para nossos velhinhos.
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Estava dando uma sapeada por sites espanhóis e me deparei com entrevista do Cristiano Ronaldo publicada nos principais jornais esportivos daquelas bandas. O português prepara-se para a disputa da Eurocopa, mas falou menos de sua seleção e mais do Real Madrid, de seu desempenho pessoal na temporada, de Barcelona, de Messi. Só não lhe pediram sugestões para acabar com o desemprego na Espanha e uma fórmula para pagar a dívida grega…
O CR7, em sua escancarada imodéstia, se concedeu nota 10 no plano individual e 9 no coletivo. O pontinho que se subtraiu foi porque faltou ao Real (e a ele, claro) o título da Copa dos Campeões. E ainda considerou bem possível enfim desbancar Messi na escolha de melhor do mundo, troféu que o argentino levou para casa nas últimas três temporadas. “Mas, como não sou o júri, não tenho certeza disso.”
Cristiano Ronaldo, em sua elevadíssima autoestima, fala o que lhe vem na telha. Por isso, provoca polêmicas e divide opiniões. Há quem o idolatre, assim como existem muitos que o rejeitam. Não me situo em nenhum dos grupos; só sei que se trata de um tremendo jogador. É dos melhores, senão o mais vibrante, boleiro português que vi em ação. (Desconto, aqui, a lenda Eusébio, considerado português, por causa da época colonialista, mas nascido em Moçambique.)
Exageros à parte, o moço não está errado no resumo e na projeção que fez. Jogou muito, na temporada recém-encerrada, em que sua equipe levou a taça de campeã. Até o último momento disputou com o Messi a liderança da artilharia. O argentino garantiu o troféu “Pichichi”, com 50 gols, quatro a mais do que Cristiano. Ambos estiveram muito acima da média dos demais.
A pretensão de ser o melhor do mundo também faz sentido e ganha força com a ausência do Barcelona na final da Copa dos Campeões. A derrapada diante do Chelsea provavelmente contará. Mas o Real Madrid também pisou na bola, diante do Bayern, com Cristiano Ronaldo e demais estrelas. Se o time tivesse chegado à decisão, o português daria alguns passos à frente do rival argentino. Ele ainda tem a seu favor a disputa da Euro-2012, que chama a atenção.
Falta mais de meio ano para a definição a respeito do destaque do futebol em 2012. Mas, salvo alguma surpresa, a briga outra vez ficará entre essas duas estrelas. Qualquer um dos dois jogaria no meu time. E no seu?
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Na minha coluna desta segunda-feira, no Estadão, eu disse que a cabeça de Leão ficou quente, depois da derrota do São Paulo para o Botafogo, mas ressalvei que “talvez, ainda”, não estivesse a prêmio. Pois acho que não é bem assim. Os sinais de fritura do treinador continuam a subir no Morumbi e a relação está desgastada.
Leão é o primeiro a não ignorar o fogo. A experiência o ensinou a detectar ruídos no trabalho. Por isso, hoje admitiu, em entrevista à rádio Estadão/ESPN, que não se surpreenderá com eventual demissão, mesmo se garantir vaga para a semifinal da Copa do Brasil. “Se eu treinasse vôlei, basquete, tênis ou outro esporte, estaria tranquila”, admitiu, ao referir-se ao índice de 75% (ou perto disso) de aproveitamento no time. “Mas, como se trata de futebol, tudo pode acontecer.”
O relacionamento com a cartolagem piorou desde que lhe foi imposto pela presidência o afastamento do zagueiro Paulo Miranda. O treinador não digeriu essa interferência, recolocou o rapaz no time, assim que teve o sinal verde, e tem cobrado publicamente a necessidade de contratações. Os4 a2 de domingo ficam como munição para os que querem vê-lo fora do São Paulo.
A diretoria não diz nem sim nem não. Fica no muito pelo contrário e talvez. Ok, para não ser injusto, o diretor de futebol Adalberto Batista garante que Leão será mantido, mesmo se a equipe sair fora da Copa do Brasil (tem vantagem de2 a0 sobre o Goiás). É preciso ver até que ponto o dirigente agiu como bombeiro, já que a semana é decisiva.
Pode ser verdade, como não devem ser deixadas de lado especulações que apontam para a ruptura. Há blogs e sites cravando que Leão logo limpa o armário.
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O torcedor mais nostálgico poderia ter dado um salto no passado, ao ver Corinthians e Fluminense, na tarde deste domingo, no Pacaembu. Não pelo número de estrelas; longe disso. Mas pela quantidade de reservas em campo. Com um pouco de imaginação, os veteranos frequentadores de arquibancadas voltariam para décadas atrás, quando havia preliminar, disputada pelos Aspirantes dos “quadros principais”.
Pois, na prática, o clássico entre o campeões de 2011 e de 2010 não passou de um rachão entre jogadores preteridos ou que pretendem ser lembrados pelos respectivos treinadores. Tite e Abel Braga não tiveram constrangimento de poupar todas as estrelas, por causa dos compromissos decisivos de meio de semana pela Taça Libertadores. Quer dizer, quase todos: Cássio, recentemente promovido a titular, foi mantido no gol do Corinthians.
Consequência dessa opção dos professores foi um jogo tecnicamente fraco, com poucos lances de emoção e forte desentrosamento. Ainda assim, Cássio e Ricardo Berna tiveram algum trabalho, nada porém que chamasse a atenção e emocionasse os 15 mil e tantos fanáticos que estiveram no Pacaembu. Não faltaram vaias no final, também mais para constar, porque as emoções estão reservadas para os duelos com Vasco e Boca Juniors.
O Fluminense venceu com gol de Leandro Euzébio, na metade do segundo tempo, e o resultado serve para animá-lo no desafio complicado contra os argentinos, que têm a vantagem de 1 a 0 obtida na semana passada. Ao Corinthians, restou a constatação de que Liedson ainda não está bem e que Douglas parece mais em forma.
Ok que seja começo de campeonato, com tempo suficiente para recuperação. Mas três pontos sempre são bem-vindos, pois podem pesar no final das contas. E, por falar em finanças: já que os clubes entregaram produto aquém do esperado (times reservas), por que não cobraram meia-entrada pra todo mundo? Seria justo e simpático.
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Não sou de jogar confete em treinadores, da mesma forma que não desço a ripa neles por qualquer derrapada dos times. Mas há momentos em que fazem as escolhas certas, dão a mexida fundamental na equipe. Como aconteceu na tarde deste domingo no Engenhão, no clássico entre Botafogo e São Paulo. Osvaldo de Oliveira trocou Loco Abreu por Herrera e se deu bem: o argentino fez três na vitória por 4 a 2.
O São Paulo foi bem na primeira parte do jogo: tocou a bola, o meio-campo estava estável, Lucas e Luís Fabiano davam trabalho para Jefferson. Não foi por acaso que ficou em vantagem, com o gol de Jadson. Os donos da casa encontravam dificuldade para criar e viam Loco Abreu dispersivo, descalibrado.
A história começou a mudar alguns minutos antes do intervalo. Mais precisamente, no momento em que Oswaldo mandou Herrera aquecer para voltar do intervalo no time. Tiro preciso. Herrera fez os gols de empate e o final, fora incomodar a zaga tricolor. O São Paulo ainda voltou a ficar na frente, com o gol de Luís Fabiano, mas desabou a partir do segundo empate (Vítor Júnior, em cobrança de falta, iniciou a virada botafoguense).
O time de Leão foi do céu ao inferno no jogo, o que não é incomum ultimamente. Largou com todo gás, envolveu o adversário, conseguiu saltar à frente duas vezes. Tudo o que se espera de um pretendente ao título. Da mesma forma, desanda de uma hora para outra, se abre no meio-campo e deixa a defesa exposta. E dá-lhe sobrecarga sobre Dênis, Douglas, Paulo Miranda, Rhodolfo e Cortez, que não são nada excepcionais.
Com erros ou não, foi o jogo mais movimentado e com lances de emoção na primeira rodada do Brasileiro. O resultado coloca interrogação sobre Leão e sua turma. E serve para de alento para Oswaldo e seus pupilos, malhados após derrapadas no Estadual e na Copa do Brasil. E deixa Loco Abreu com a pulga atrás da orelha…
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Difícil fugir da tentação de fazer comparações. Pegue nas artes, por exemplo. Toda hora vemos que tal ator é melhor do que aquele do passado, que não existe escritor como o monstro sagrado de séculos atrás, que esta banda enfim vai superar uma antiga como a maior de todos os tempos. É a necessidade de cotejar, de reavaliar conceitos e, de preferência, de encontrar novos ícones.
No esporte acontece o mesmo. Só de sucessores de Pelé já surgiram uns 120 desde a década de 1960. Da maioria a gente hoje em dia nem lembra mais o nome. Por quê? Porque em geral esses paralelismos não levam a nada – e não raro prejudicam carreiras promissoras.
A mais recente, por aqui, é a de elevar o Santos tricampeão paulista destes anos 2000 ao mesmo patamar do esquadrão que foi tri duas vezes na época de ouro da Vila Belmiro. O PVC abordou o assunto, na coluna dele de segunda-feira, e por isso não vou me estender em repeteco. Vale o que foi escrito.
Mas, se não der mesmo para fugir do ato de comparar, adianto que a formação de 60, 61, 62 – que vi em ação – é superior, e muito, mas muito mesmo, à atual. A começar pelo número 1, Gilmar, sinônimo de goleiro para diversas gerações, não só de santistas, mas de quem curte futebol. Elegante, seguro, tinha pinta, postura, temperamento e uniforme de goleiro! Camisa, calção acolchoado nos lados e meião preto. Que estampa! E quanto de liderança! O jovem Rafael que me desculpe, mas não o vejo como sucessor. Tem talento, precisa aprender e a segurar muita bola ainda.
Aliás, pra que compará-lo com Gilmar? Viu só como isso é injusto? Não faz sentido, porque só servirá para juízos de valor que tendem a pesar sobre o moço atualmente responsável por segurar a onda sob as traves santistas. Quando a gente se mete a confrontar, em vez de exaltá-lo o colocamos pra baixo. Daí para impaciência, perseguição e malhação é um passo, ou alguns frangos. Penosas que Gilmar também engoliu, mas sem embaçar-lhe a carreira porque não era comparado com nenhum antecessor.
Raciocínio semelhante vale para Neymar. O moço é bom de bola, daqueles talentos que não surgem a todo momento. Tem técnica, carisma, amadurece a cada desafio e esteve no centro deste tri doméstico. A perspectiva de crescimento se mostra extraordinária. Vai longe, apesar dos narizes torcidos dos que duvidam de sua capacidade, ou por serem do contra ou por dor de cotovelo. Você sabe, uma das atitudes tortas da vida é a de falar mal de quem faz sucesso.
Pois bem, Neymar joga muito e vai desfilar alegria pelos gramados por bastante tempo. Mas, não foram poucas as oportunidades em que já vi, na mídia, números que o comparam a Pelé – às vezes, com indisfarçável euforia em seu favor, se em algum quesito é superior ao Rei. Pra quê? Pelo prazer de ver um novo mito, como se o de ontem já não tivesse mais valor? Só pra mostrar que vivemos época de superação? Só por graça ou pirraça?
Daí Neymar não vai bem numa partida, como aconteceu no meio da semana diante do Velez Sarsfield, para parte do mundo desabar sobre a cabeça dele. Pululam, então, as críticas exageradas: farsante, pipoqueiro, fanfarrão, perna de pau e por aí vai. Tremenda injustiça, mas provocada pelo exagero também na exaltação.
Rafael precisa ser conhecido como um grande… Rafael. Neymar deve ganhar fama enorme como… Neymar. E o Santos de hoje, tomara, conquiste o mundo, como… o Santos de hoje. Sem comparações. Se possível…
*(Esta crônica foi publicada apenas na primeira edição do Estado de hoje, 20/5/2012. Depois, foi substituída por outra, sobre o Chelsea.)
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Dia desses, no SportSCenter, na ESPN Brasil, eu disse que não estranharia se logo alguém no Flamengo fosse reclamar ou da falta de ritmo de jogo ou da maratona, Ficaria por conta do gosto do freguês. Evidentemente, disse aquilo em tom de brincadeira, mas juro que com temor de que tivesse fundo de verdade. Sabia que cedo ou tarde viria à tona. Pois não é que a primeira desculpa já foi usada?! E por quem? Por Ronaldinho Gaúcho.
O astro do Flamengo, que foi poupado de treino durante a semana por problemas musculares, recorreu à explicação clássica para justificar, em parte, o 1 a 1 com o Sport, na noite deste sábado, no Recife, na abertura do Brasileiro. Ronaldinho considerou bom o empate, porque a equipe dele se ressentiu do longo tempo de inatividade, enquanto o rival esteve sempre em ação.
O Flamengo passou quase um mês sem partidas oficiais. Parada que lhe rendeu prejuízo financeiro e tanto. Em contrapartida, teve tempo de sobra para preparar-se para a Série A e largar com tudo, com o grupo zerado, com o fôlego em dia, com jogadas ensaiadas, com a cuca fresca. Atletas e treinadores não reclamam do calendário apertado? O Fla teve folga e tanto.
Daí, na estreia, joga futebol burocrático, sem criatividade, dispersivo, lento em muitos momentos. Enfim, uma bolinha pequena, muito aquém de sua capacidade. E vem Ronaldinho dizer candidamente que faltou ritmo! O que ele e companheiros fizeram essas semanas todas?! O tempo passa, mas tem lenga-lenga que não muda. Pior, tem quem acredite.
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Aprecio o futebol bonito – não abro mão disso em nenhuma circunstância. É opção de vida. Uma ideologia esportiva. Mas gosto acima de tudo do futebol assim, substantivo, sem adjetivos. Porque é dos poucos esportes que permitem que um time tecnicamente menos brilhante alcance proezas. Eis parte importante do fascínio que exerce sobre a gente.
Como ocorreu com o Chelsea neste sábado, com a conquista da Copa dos Campeões pela primeira vez. Nem tanto pelo resultado alcançado diante do Bayern, em Munique, que também não é lá nenhuma maravilha. Mas por ter superado, na etapa anterior, um rival poderoso e encantador com o Barcelona. Na ocasião, os ingleses assumiram a inferioridade técnica, jogaram como time pequeno e se deram bem. Ali foi o pulo do gato.
Pulo que Roberto Di Matteo, aprendiz de treinador, quis que seus jogadores repetissem na Allianz Arena. Foi atendido, com todos os riscos que a estratégia implicava. E com o futebol explicitamente feio, retrancado, descaradamente fechado e à espera de contragolpes. O Chelsea não teve pudor de usar a tática 5-5-0, ou 9-1-0 ou às vezes 10-0-0 para segurar o adversário, por coincidência também o dono da casa, e ver o bicho que ia dar.
Quase deu bicho-papão, quando Muller fez 1 a 0, poucos minutos antes do final. Parecia que a estratégia do medo iria para o espaço e que Di Matteo quebraria a cara. O Chelsea, então, resolveu jogar de igual para igual, como aliás tinha condição de fazer desde o início. Foi para cima, no desespero, pressionou e conseguiu o empate com Drogba. Levou tudo para a prorrogação.
De novo, houve espaço para prevalecer o bicho-papão, depois de Drogba cometer pênalti, no comecinho do tempo suplementar. Robben teve em seus pés o quinto título europeu, mas o atirou nas mãos de Petr Cech, uma das apostas de Di Matteo. Daí em diante, se desenhou o desfecho nos pênaltis. Cech fez a parte dele, com uma defesa, e a trave se encarregou de impedir outro gol alemão. Os ingleses perderam um e fizeram a festa.
Não tiro o mérito do Chelsea – ninguém chega apenas por acaso à final de um torneio como a Champions. E achei contagiante a alegria de atletas e torcedores. Só não exaltarei esse tipo de jogo, por questão de princípios. Porque cada vez que vinga o ferrolho, muitos espíritos mais frágeis aderem ao discurso de que o importante é o resultado e não o espetáculo. E, sinceramente, prefiro sempre o belo, mesmo que ele fique sem medalha.
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