ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

O melhor programa na televisão para quem pôde curtir momentos de ócio nestes dias aconteceu no começo da noite desta terça-feira e tem a ver com São Paulo. Não, não foi a baixaria provocada por maus perdedores no carnaval paulistano. Mas com o show proporcionado pelo Napoli, no Stadio San Paolo, ao bater o Chelsea por3 a1, de virada, pela Copa dos Campeões da Europa.

O time italiano ganhou com raça, suor, coragem e, por que não?, bom futebol. Com esse resultado, passa para as quartas de final da competição europeia até se perder por um gol de diferença, no duelo de volta, marcado para Londres, em 14 de março. Nada desprezível para uma equipe que alguns anos atrás quase desaparece e agora renasce.

A primeira parte do confronto entre Coração x Milhão foi talvez o melhor jogo da Uefa Champions League até agora. Os empolgados napolitanos, que têm time interesse, mas nem de longe contam com a grana dos ingleses, fizeram três, mas desperdiçaram pelo menos mais duas chances – uma com Lavezzi (chutou para fora, na cara de Peter Cech) e outra com Maggio (que o zagueiro salvou em cima da linha).

A partida teve momentos bem distintos: o Napoli começou empolgado, mas logo sucumbiu à boa marcação inglesa. Num lance infeliz, o zagueiro Cannavaro “espanou” a bola, na tentativa de afastá-la da área, e fez um passe lindo para Juan Mata, sozinho, mandar para o gol, ainda no primeiro tempo. A falha despertou os donos da casa, que aceleraram o ritmo e viraram antes do intervalo, com Lavezzi e Cavani.

A dupla sul-americana infernizou o Chelsea também no segundo tempo. E, numa bobeada de David Luiz, brasileiro constantemente chamado por Mano Menezes, o uruguaio Cavani serviu o argentino Lavezzi, que fez o terceiro gol. Uma festa no estádio napolitano, com direito, ao final, ao coro de 70 mil torcedores sob o som de “U surdato nnamurato” (“O soldado apaixonado”), um clássico do cancioneiro local.

O Napoli fez, mais uma vez, a alegria de uma torcida apaixonada. Forza, Napoli!

Tags: , , , , ,

Comentários (24) | comente

19.fevereiro.2012 11:46:36

Pequenas alegrias*

Parece sina do homem ficar à espera do grande acontecimento, do episódio que mudará tudo e marcará a existência. Ganhar sozinho na Mega Sena acumulada, talvez. Ter aumento de fazer o queixo cair, quem sabe? Ser promovido e virar o maioral, por que não? Receber herança de um distante tio milionário, já imaginou? Nessa expectativa, a vida passa em ritmo de reco-reco e não acontece nada. Melhor fisgar bons momentos e curtir as pequenas alegrias com as quais topamos.

 Este preceito de autoajuda de boteco pode aplicar-se à torcida do Palmeiras, e não lhe fará mal. Altiva, tem andado cabisbaixa e cismada, por acúmulo de decepções. Só que nestes dias os ventos sopram com suavidade para os lados alviverdes. O time coleciona vitórias, que o deixam saborear o carnaval com os mesmos 20 pontos do Corinthians, mas na liderança nos critérios de desempate.

Não é muito, sei. Mais adiante vêm os mata-matas e o sonho corre risco de virar fumaça. Mas a maré mansa dá satisfação – e isso conta. O palestrino pode desfilar neste feriado todo garboso e não se sentirá por baixo em discussões entre uma picanha e uma linguiça. Carpe diem, curta o presente, sugeria o poeta Horácio, há dois mil anos. Os romanos de então não eram tontos (ainda).

O Palmeiras atravessa inusitada fase de calmaria e aproveita a competição doméstica para ajustar-se. A base é a mesma que não deu no couro no ano passado; há falhas, brechas, buracos a serem tapados, como Felipão se apressa em reconhecer. O elenco não dispõe de um astro que arrase defesas e atraia multidões. A torcida nem de longe enxerga, no grupo de hoje, figurinhas carimbadas como Rivaldo, Edmundo, Evair, César Sampaio, Mazinho, Zinho e outros de igual calibre que compuseram a última versão da Academia, nos anos 1990 de venerável memória.

Apesar disso, há valor nos moços que disputam o Paulista. (Não esqueça que falo de pequenos prazeres.) Artur e Juninho, por exemplo, chegaram com desenvoltura. O primeiro marcou três gols e deu susto ao se machucar nos 3 a 2 de anteontem em Guaratinguetá. O outro tem sido firme na defesa. Henrique voltou a jogar direito, como fazia antes da aventura malsucedida no exterior.

Marcos Assunção é o centro em torno do qual gravitam as principais jogadas. Os pés ficam mais calibrados quanto mais avança a idade. As torcidas (a do Palmeiras e a dos rivais) prendem a respiração quando tem falta perto da área. No mínimo, Assunção obriga o goleiro a esticar-se até não poder mais. Suas cobranças de escanteio são impecáveis.

Daniel Carvalho, com perfil menos rotundo, compensa com toque de bola de qualidade. Não faz o fã ter saudade de Valdivia, sempre na enfermaria. Márcio Araújo, o contundido Luan, são limitados e combativos, assim como o veloz Maikon Leite. O argentino Barcos está cada dia mais à vontade.

Testes complicados virão nas etapas seguintes e logo mais na Copa do Brasil. É para euforia? Melhor não. Mas devaneios não são proibidos. Muito menos as pequenas alegrias.

Bloco B Alvinegro. Tite colocou o time reserva do Corinthians na passarela do Anacleto Campanella, não se arrependeu e deu a lógica: vitória sobre o São Caetano. Chamaram a atenção Douglas e Adriano, ambos com formas arredondadas. O meia mostrou bom toque de bola e construiu a jogada do gol de Willian. O atacante se esforçou, mas está sem noção de espaço. Só não passou despercebido porque não há como ignorar alguém do porte dele. Mais paciência…

 *(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, 19/2/2012.)

Tags: , , ,

Comentários (15) | comente

Tite resolveu dar descanso para os titulares, depois do empate na Venezuela, na estreia na Libertadores, e não se arrependeu. O Bloco B, ou time reserva, do Corinthians foi para a passarela do Anacleto Campanella, na tarde deste sábado de carnaval, deu conta do recado, fez 1 a 0 no São Caetano, e voltou a encostar no Palmeiras, agora ambos com 20 pontos e na ponta do Campeonato Paulista.

Os torcedores que foram ao estádio, no ABC, puderam ver em ação vários jogadores que entram com regularidade – como William, autor do gol da vitória – e diversos outros que passam mais tempo no banco, à espera de uma boquinha que não vem. Foi uma espécie de volta no tempo, quando a turma ia para campo acompanhar os jogos de Aspirantes que precediam o duelo da equipe principal.

O Corinthians mandou no jogo, do começo ao fim. Poucos os momentos em que o Azulão incomodou, ao contrário do que normalmente ocorre contra um de seus adversários preferidos. A curiosidade maior, claro, era observar Adriano em ação, depois do confinamento no Centro de Treinamento do clube e do tratamento intensivo para perda de peso.

O centroavante está menos volumoso, porém com pouca noção de espaço. Correu, abriu espaço, deu passes, arriscou chutes. O mínimo que se espera de qualquer jogador, mas bem pouco para o nome que carrega. Não chamou a atenção, só não foi discreto porque com o tamanho que tem não dá para passar sem ser notado. Aguentou até os 30 da etapa final – talvez seu recorde desde que chegou ao clube.

Acima do peso, também, está Douglas, que deveria pegar uma folguinha, depois dos dias de treino, e teve de ser escalado por falta de alternativas para Tite. Ele está também com formas arredondadas, lembrou até Neto na fase final de carreira. Assim como o antigo 10 alvinegro, mostrou a categoria no toque de bola que o Fiel estava acostumado desde a passagem anterior e construiu a jogada do gol, na hora em que estava para sair. Ficou mais alguns minutos em campo e depois, esbaforido, deu lugar para Vítor Júnior.

O Corinthians mostrou que Tite tem opções para as duas competições. E viu comprovada a previsão que todo mundo fazia: passa para a próxima fase com um pé nas costas. E até com dois jogadores mais cheinhos em ação.

Tags: , , , , ,

Comentários (13) | comente

17.fevereiro.2012 12:20:53

Vai, com jeito vai*

O poder engana e embriaga. Sobretudo quando é absoluto. Homens que controlam instituições por muitos anos perdem noção da realidade. Sem se dar conta, deixam-se absorver pela sensação de onipotência, de eternidade, e não percebem que são frágeis e efêmeros quanto o mais obscuro de seus servidores. Tudo é ilusão, escreveu o autor do Eclesiastes, um dos livros mais sábios da Bíblia. Vale a pena ler (é curtinho), independentemente de convicções religiosas.

 O principal dirigente do futebol nacional enfrenta o maior adversário: o desgaste do tempo. As duas décadas e alguns pingados de reinado doméstico começam a escorrer-lhe pelos dedos, no momento em que está em gestação sua obra-prima, a Copa no Brasil. A onda de embaraços ameaça engolir o cartola que entrou no mundo da bola sob a bênção do sogro influente, de quem sonhou seguir a trilha e mirou a Fifa como ápice.

O estrago está feito. Pouco importa se hoje, amanhã ou na Quarta-feira de Cinzas, anuncie renúncia, licença médica ou só reafirme propósito de não baixar a guarda e seguir adiante. A imagem sofreu arranhões profundos, cicatrizes que nenhuma plástica de marketing pode disfarçar. Não há bancada da bola, não há assessores especiais, não há ex-boleiros dóceis muito menos mídia maleável que consigam dar jeito. Qualquer maquiagem é quebra-galho, até enfeia.

O chefe pode continuar no cargo, porque é custoso largar o osso. Mas com a consciência de que a autoridade não será como antes. Para aumentar a angústia, sabe que aliados de ocasião estão à espreita, prontos para dar o bote no pote de ouro na primeira oportunidade. Não é por acaso que presidentes de federações articulam a escolha do sucessor, conforme o Estado publicou ontem. Essa gente não perde tempo – e, no fundo, todos se estranham e se merecem.

Os motivos para a guinada na rotina do executivo que até recentemente trocava sorrisos e afagos com governantes e parlamentares são muitos – nem todos claros. Diversos meios de comunicação levantaram, nos últimos meses, histórias mal explicadas sobre atividades da entidade que administra o futebol brasileiro. As reportagens, pelo menos na aparência, não furaram a couraça protetora do dirigente que esnoba a opinião pública, como desabafou à revista Piauí (com outros termos, lembra?).

O que houve de tão grave e misterioso para o recolhimento? O que levou um mandachuva de grosso calibre a ficar à sombra e nomear escudos como Andrés Sanchez para tratar de seleções, além de Ronaldo e Bebeto para temas ligados ao Mundial? Que indícios surgiram para provocar esse rebuliço? Que sinais recebeu que podem levá-lo ao autodesterro sob o sol de Miami?

O governo não mexe uma palha para suavizar o panorama. A presidente Dilma Rousseff já escancarou para a nação indiferença com o dirigente. Não o recebe em audiência nem apareceu a seu lado no sorteio dos grupos, no final do ano. Na ocasião fez questão de exaltar apenas Pelé, que na plateia estrategicamente se sentou entre ambos. Não quer associar seu nome e o prestígio do país a um personagem que tem irremediável rejeição do eleitorado; quer dizer, povo.

Não sei isso como vai terminar. Sei que está assim de tubarão esportivo com antenas ligadas e tiques nervosos acelerados, com medo de que possa sobrar pra eles. Se sobrar, vai ser engraçado. Olimpicamente engraçado.

Comecei a crônica com a Bíblia e termino com carnaval. Emilinha Borba não sai da minha cabeça: “Vai, com jeito vai. Senão um dia a casa cai…”

*(Minha crônica no Estado de hoje, dia 17/2/2012.) 

Tags:

Comentários (24) | comente

Ronaldo e Bebeto são homens feitos, conhecem o mundo do futebol e seus bastidores, foram profissionais de sucesso. Campeões do mundo, ricos, com portas abertas em qualquer lugar. Por isso, dói, constrange vê-los posarem ao lado do dono do poder e se portarem  como garotos-propaganda de um dirigente desgastado, que tem rejeição popular irreversível.  

Será que são tão ingênuos a ponto de acreditarem na missão que lhes foi confiada – de amenizar a desconfiança  em torno das pessoas que, de fato e na prática, tocam os projetos do Mundial? Será que lhes passa pela cabeça que serão, de verdade, executivos nessa empreitada? Caíram no canto da sereia de que receberão de mão beijada tarefa tão invejada?

Ronaldo e Bebeto são retrato da mentalidade média dos jogadores de futebol, que não confiam em sua capacidade, não apostam em sua independência, desdenham de seu carisma e se curvam aos cartolas. Mesmo acima dos dirigentes, não se desvencilham de sua influência, comportam-se como cordeiros e tentam beliscar migalhas que lhes são jogadas.

Ronaldo e Bebeto não precisavam colocar em sua biografia essa experiência que agride seus admiradores (pelo menos aqueles que têm senso crítico). Podiam elegantemente recusar a proposta e seguir suas trilhas, que são vencedoras. Ronaldo virou empresário de sucesso em apenas um ano desde que pendurou as chuteiras. Pode ganhar muito mais até do que acumulou como fenômeno dos gramados. Será que precisa do aval oficial?

Ou será que o ingênuo nessa história sou eu mesmo e estou a queimar neurônio à toa? Pode ser que no fundo era isso mesmo que eles desejavam: fazer parte da “família”, aproximar-se do poder. Mexe e remexe,  não são diferentes nem especiais. E me ocorre outra coisa: tem muita gente por aí que está apenas à espera de um aceno, para  abanar o rabo e fazer festinha para receber um biscoitinho do dono, como o totó que temos em casa.

Tags: , ,

Comentários (30) | comente

Quem me acompanha aqui, no Estadão e na ESPN, sabe que não gosto dessa conversa de que “para o Corinthians tudo é mais difícil”. Já expliquei por que esse lugar-comum não tem mais muito sentido: pelos títulos conquistados nos últimos anos, pelo crescimento contínuo, pelo estádio em construção e etc e tal. Sofrimento, portanto, é para times perdedores, para aqueles que não passam de coadjuvantes, o que não é o caso do campeão brasileiro.

Mas nesta quarta-feira o corintiano precisou ficar com o coração na mão até o último lance do jogo com o Táchira para respirar aliviado. Só quando Alex levantou a bola e Ralf desviou para empatar, aos 48 minutos do segundo tempo, o time ficou livre de estrear com derrota na Libertadores de 2012 e seguir caminho idêntico ao de Santos e Vasco. Com 1 a 1 na bagagem, a volta para São Paulo será em ritmo de carnaval.

O Corinthians começou melhor do que o rival venezuelano, acelerou o ritmo, mas não teve sequência. Brecou logo. E ainda levou um susto com o gol de Herrera, aos 20 minutos, ao aproveitar cobrança de… lateral. Chicão e Júlio César se confundiram no lance. O Táchira empolgou-se, pero no mucho, e percebeu que o melhor era controlar o jogo e ver se conseguia pregar uma peça logo de cara.

Quase conseguiu, na etapa final. Chegou a fazer o segundo gol, com Chouro, mas a arbitragem anulou. Lance duvidoso, que desencadeou protestos dentro e fora de campo. Tite mexeu no time, mas sem muito atrevimento: tirou Emerson e Liedson, que não estiveram bem, e colocou Alex e Elton. Não fez muita diferença. Mais tarde, mandou Jorge Henrique para o banco e pôs William.

Chances de gol? Poucas. O Corinthians foi à frente como pôde, sem envolver o Táchira. Tudo parecia perdido, quando houve falta salvadora e bem cobrada por Alex. O empate fora de casa não é ruim, de forma alguma. O futebol alvinegro, no entanto, não empolgou. Valeu pela emoção derradeira, mas é bom não vacilar em casa.

Tags: , , , ,

Comentários (55) | comente

Muricy Ramalho uma vez soltou uma frase que é repetida a todo momento (e acho que nem é dele): “A bola pune”. Pois foi o que aconteceu na noite desta quarta-feira em La Paz. O Santos teve muitas oportunidades para mandar o The Strongest para escanteio, saiu na frente, desperdiçou chances, cedeu empate e em cima da hora levou o gol da virada: 2 a 1, ruim para a estreia, num grupo que tem ainda outro brasileiro, o Internacional.

O campeão continental aparentemente fez o certo. Viajou para Santa Cruz de la Sierra com antecedência e chegou ao local do jogo, lá perto das nuvens, poucas horas antes da partida. Muricy mandou a campo o que tem de melhor – no meio colocou Ibson no lugar de Elano – e confiou no talento de seus jogadores. Com 9 minutos, ficou em vantagem, com Henrique, em cruzamento de Paulo Henrique Ganso.

Ótimo. Era o que se esperava para dar uma esfriada no anfitrião. Borges ainda teve oportunidade de aumentar aos 21, mas o goleiro Vaca defendeu. Os bolivianos empataram aos 33, com Cristaldo, na base da entrega e da boa vontade. Não era nada desastroso o resultado – arrancar igualdade no Hernan Siles não chega a ser constrangedor. Até a seleção brasileira já caiu na armadilha dos 3 mil e lá vai fumaça acima do nível do mar.

O segundo tempo foi uma festa para o Santos, depois de o The Strongest largar ainda na pressão. Aos poucos, o time local cedeu espaço e os contra-ataques brasileiros saíam. Em três momentos, pelo menos, os lances eram para fechar a conta. O primeiro, com Neymar chutando sem goleiro e a zaga salvando. Depois, com Elano mandando um tijolo no travessão, na entrada da área, aos 26 minutos. Mais adiante com Alan Kardec escorregando na frente de Vaca, sozinho, e sem aproveitar cruzamento de Neymar.

Esse tipo de moleza muitas vezes tem final conhecido. Não deu outra: o The Strongest pressionou, colecionou escanteios, arriscou chutes (Pablo Escobar deve estar com as duas pernas doloridas de tanto testar Rafael) e obteve a vitória em escanteio aos 46, que Ramalho mandou para o gol. Sinal amarelo para o Santos já na largada.

Tags: , ,

Comentários (16) | comente

Estava aqui pensando: os times brasileiros que entram mais incomodados para a Libertadores deste ano são Fluminense e Corinthians. Por serem os únicos do sexteto que não têm o título. Vasco e Flamengo já beliscaram uma vez, o Inter tem duas taças e o Santos, três. Claro que, quanto mais conquistas houver, tanto melhor. Mas esse quarteto não tem a espada na cabeça.

A pressão sobre Flu e Corinthians se deve ainda ao fato de os rivais locais já terem feito a festa. (No caso paulista, Palmeiras e São Paulo também chegaram no topo.) Acrescento a este quadro a final que o Flu perdeu para a LDU, em casa, quatro anos atrás. O Corinthians chegou perto em 2000, mas saiu na semifinal, no tira-teima dos pênaltis com o Palmeiras.

O Flu sentiu o nervosismo na estreia, no 1 a 0 sobre o Arsenal de Sarandí. De qualquer forma, se livrou da ansiedade inicial e foi importante demais vencer, num grupo que tem o Boca, sempre temível, mesmo com o 0 a 0 de terça-feira diante do Zamora. O Flu tem elenco para fazer campanha muito boa, quem sabe semelhante àquela em que a taça bateu na trave…

O Corinthians mostra hoje à noite, na Venezuela, se amadureceu para a Libertadores. Ganhar o torneio virou obsessão muito chata e tem atrapalhado a vida do time na competição. Dá a impressão de que o alvinegro tem menos prestígio, em relação aos concorrentes domésticos, por lhe faltar esse troféu. Bobagem, porém compreensível. O crescimento corintiano, nos últimos tempos, é indesmentível e incomoda os rivais. Daí resta a gozação com a Libertadores.

Não sou adivinho, mas não é fora de propósito afirmar que o Corinthians este ano tem potencial para apresentar-se como postulante ao título. O elenco é bom, sem ter nada de extraordinário. (E alguém tem?) Tite tem alternativas para mexer na equipe, sobretudo do meio-campo para a frente. A defesa não entusiasma, em compensação não provoca calafrios.

É, portanto, um grupo ajustado e com muita gente experiente. Se não se deixar envolver por  fantasmas de tropeços anteriores, pode dar samba. A gente vai ver isso a partir de hoje, contra o Deportivo Tachira. O ano promete.

 

Tags: , ,

Comentários (30) | comente

Admito que seleção não me encanta – e já faz tempo. Expliquei os motivos inúmeras vezes. Um deles é o fato de ter virado uma entidade distante da gente, por apresentar-se quase sempre no exterior, com maioria de jogadores que trabalham longe daqui e são admirados pelos gringos. Não deixam de ser brasileiros, mas se tornou frágil a relação da “amarelinha” com o público local. Sei, quando vier a Copa tudo muda… seremos todos Brasil-sil-sil!!!

Daí não me empolgar com a convocação feita por Mano Menezes agora há pouco. É, tem lista nova para a seleção, não sabia? Para o amistoso do dia 28 com a Bósnia, na Suíça. Vai entender… O treinador chamou seus pupilos para iniciar mais uma temporada. Com a promessa de que a permanência dos moços será mais consistente. Ou seja: dá a entender que diminuirá o ritmo no rodízio de nomes. Será?

O que me chamou mais a atenção foi a presença de Ronaldinho Gaúcho. O técnico disse que se trata de coerência com o astro do Flamengo, relegado por seu antecessor e até por ele mesmo, e só resgatado no fim do ano passado. Agora, terá novas chances. Ronaldinho é o grande nome desse grupo – releve, por enquanto, Neymar. E toda seleção brasileira que se preze precisa ter estrelas, uma que seja. Sob esse aspecto dá para compreender a lógica da convocação. Só por esse.

Pelo futebol que tem mostrado, não. Ronaldinho continua a exibir lampejos do extraordinário repertório que anos atrás encantou plateias no mundo todo. Não é de agora que virou sovina em sua arte. Ela aparece de vez em quando, num lance mais bonito, num drible, num lançamento, num chute a gol. Mas é intermitente, parece um pisca-pisca.

Espera-se sempre mais de Ronaldinho, e ele nega. Num momento, parece que voltará a ser aquele jogador endiabrado da época do Barcelona. Em seguida, retoma o modorrento e displicente ritmo que incorporou há várias temporadas.  Responda, sem pensar muito, quais os recitais recentes memoráveis que ele deu? Só vem aquele jogo com o Santos, na Vila? Pois é.

O retorno de Ronaldinho é menos reconhecimento de um talento incomum ou prêmio à regularidade, e mais constatação de que carecemos de um maestro na seleção. De um camisa 10 à altura do que já foi o próprio Ronaldinho. Ganso era visto como o sucessor natural. Ainda pode ser. Mas o moço santista anda sem graça. Kaká segue trilha semelhante à de Ronaldinho, só que a instabilidade dele se deve a vários problemas físicos e ao fato de não ter se firmado no Real Madrid. Oscar, em ascensão, tem tempo para amadurecer.

(A convocação está aqui: http://migre.me/7V9N1 )

Tags: , , ,

Comentários (52) | comente

O São Paulo jogou torto, com João Felipe deslocado e massacrado na lateral direita, na ausência de um “especialista” naquele lado. O Corinthians percebeu a falha desde o primeiro minuto, concentrou ali as investidas com Fábio Santos, Danilo e Jorge Henrique, se deu bem, ganhou por1 a0, manteve a invencibilidade e divide com o Palmeiras (17 pontos) a liderança do Campeonato Paulista.

Emerson Leão só se deu conta de que havia uma avenida à disposição do Corinthians, na direita, quando João Felipe, cansado de correr e de levar bola nas costas, apelou e deu safanãoem Jorge Henrique, aos 14 minutos da etapa final. Tomou vermelho e saiu de campo mais amargurado. Só então o treinador tricolor fechou o buraco, ao colocar Wellington lá. Com dez, e com erro corrigido, o São Paulo melhorou, mas não empatou.

O clássico foi bom, diria que “inaugurou” o Campeonato Paulista. O público foi ok, mas poderia ter sido melhor. Muita gente deve ter-se assustado com o tempo na cidade, já que água não faltou pra desabar em que se atreveu a sair de casa. Gramado escorregadio e a tensão característica do duelo entre os dois rivais fizeram a partida ser nervosa.

Com menos de dez minutos, são-paulinos levaram dois amarelos (Wellington e Cícero) e o Corinthians cresceu. No primeiro tempo, Júlio César quase não teve trabalho, enquanto Denis fez duas defesas difíceis, em chutes de Danilo e Fábio Santos. E ainda ficou vendido no lance do gol decisivo – Danilo, de cabeça, em cobrança de escanteio de Jorge Henrique. Ninguém subiu com o meia.

Apesar do sufoco, o São Paulo poderia ter ido para o intervalo com empate, se Jadson não tivesse mandado para o tobogã a cobrança de pênalti que Alessandro cometeu em cima de Cortez. Pouco antes, Ralf tirou de cabeça, em cima da linha, bola que ia ao gol.

Na etapa final, Leão ousou ao fazer substituições em penca, ao mesmo tempo, com Fernandinho, Maicon e Osvaldo no lugar de Jadson, Casemiro e Willian José aos 13 minutos. Mas, assim que o trio entrou, João Felipe foi expulso. O São Paulo pressionou na raça, sem muito sucesso e sem maiores sustos para Júlio César.

O Tricolor saiu com uma certeza incômoda: continua com complexo de inferioridade diante do Corinthians.

 

Tags: , , , , ,

Comentários (81) | comente

Comentários recentes

  • luiz penchiari: Raggi, tem a Juve Stabia, que joga a Série B, e fica na cidade de Castelmare di Stabia, provincia de...
  • luiz penchiari: em tempo, a família Greco terá vindo da Magna Grécia?
  • Marcelo Raggi: Olá Antero é muito bom achar um espaço para comentar o fut italiano. Acompanho o calcio desde o...
  • Renato Sperandio: Ontém a rapaziada do Chelsea teve a idéia de como é jogar uma Libertadores. Sensacional a...
  • Rodrigo: Por isso já sou fã do Antero Greco e do PVC… Sou Palmeirense e não aguento mais jornalistas que...

Arquivo

Seções

Blogs do Estadão