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Animal Reflexão

23.março.2012 11:51:28

Sobre a dieta vegetariana

[Vegetais. Fonte: Wikipedia]

É delicado falar sobre vegetarianismo num país que é o maior produtor mundial de carne. Não pretendo aqui converter ninguém, apenas filosofar um pouco sobre o assunto.

Dificilmente encontram-se opções vegetarianas em restaurantes (embora aos poucos as coisas mudem). Vê-se o vegetariano como alguém que come comidas pouco saborosas. O churrasco e a feijoada é quase que uma obrigação nacional. Se não bastasse isso, o Brasil ainda almeja tornar-se o maior produtor mundial de peixes e tem até um ministério da pesca.

Mas as coisas nem sempre são o que parecem. Por diferentes razões aumenta o número de vegetarianos no Brasil e no mundo: por questões éticas (o triste fim dos animais que vão para o abate e sabem que vão: decerto menos pessoas comeriam carne se a churrascaria ficasse ao lado do abatedouro e se vissem ali a cena de gemidos de sofrimento pela certeza da morte, sangue por todos os lados, etc.); por questões dietéticas (menos calorias no organismo); por questões cardíacas (menos colesterol), entre outras.

De fato as coisas não são o que parecem. Comida vegetariana pode ser muito gostosa. Aliás, o que há de bom num churrasco não vem da contribuição do sal? Imaginem um churrasco sem sal. O que há de bom na feijoada não é o tempero e o sal? Imaginem uma feijoada sem tempero e sal.

Uma boa comida vegetariana pode conter, conforme o gosto de cada um, coentro, cebola, alho, manjericão, hortelã, louro, sal, pimenta, azeite de oliva… Uma das receitas que mais gosto de levar ao forno é: legumes bem temperados regados com azeite de oliva e vinho branco (ou espumante).

Boa parte da cozinha oriental e italiana deixam de lado a carne. Basta pensar nos enroladinhos japoneses de arroz (sushis, que na verdade são de origem chinesa) recheados com pimentão ou pepino ou morango ou manga, enfim, pode-se usar a imaginação e os olhos para o recheio, e ao lado uma porção de molho shoyo; da bela Itália pensemos na “pasta di semola di grano duro” (massa sem ovo) ao molho de tomate com manjericão e azeitonas, nos pães que podem acompanhá-la, na famosa bruschetta semeada de manjericão e tomate em pedacinhos (dizem as boas e más línguas que a melhor bruschetta é a comida em casa…).

[Bruschetta. Fonte: Google imagens]

A tradicional salada de folhas, tomate, palmito, cebola, limão e azeite de oliva não é nada mal num dia escaldante de verão, devido à sua leveza.

Por sinal, as crianças geralmente costumam ser obrigadas pelos pais a comer carne. Mas muitas daquelas crianças educadas na dieta vegetariana não vão sentir falta de carne. Assim como há uma educacão para comer bifes (patrocinada pela indústria do abate), pode haver uma educacão para comer vegetais, de preferência “orgânicos”, isto é, sem agrotóxicos, pois o câncer que muitas pessoas desenvolvem hoje em dia é em parte originado dos alimentos com pesticida ou dos alimentos embutidos em conservante.

Posso assegurar: a dieta vegetariana faz muito bem à saúde, especialmente à pele, ao sangue; dificilmente um vegetariano precisará fazer cirurgia para a redução do estômago.

Para quem desejar tornar-se vegetariano, porém ainda é carnívoro, aconselho que o faça lentamente. Primeiro elimine a carne vermelha, espaçando e diminuindo a porção semanal; depois de eliminada, repita o mesmo em relação à carne branca; ao mesmo tempo vá acrescentando massas e vegetais bem temperados, para enfim escolher se se torna um ovo-lacto-vegetariano (que ainda ingere derivados animais como leite e queijo) ou se se torna um vegano (que evita derivados animais). Isso não é nada do outro mundo. Aliás, diz-se que metade da população indiana é vegetariana. Para quem já foi num bom restaurante indiano, aqueles temperos nos elevam ao céu!

E, claro, para acompanhar, nada melhor que um bom vinho ou espumante rosé, no verão, e um bom cabernet sauvignon, no inverno.

[Prometo que num próximo texto publico a minha receita psicodélica de legumes gratinados e o vinho que melhor se harmoniza com ela.]

comentários (4) | comente

  • A + A -
4 Comentários Comente também
  • 23/03/2012 - 14:58
    Enviado por: Maria Barbosa

    Adorei a forma bem didática , da reflexão Sobre o ser ou não ser vegetariano…!!!!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 28/03/2012 - 09:47
    Enviado por: guga romano

    Jair

    Estou com água na boca , dá para

    mandar a receita psicodélica ?

    Psicodélica esta você tirou do fundo do baú ,

    procure bem dentro do baú , quem sabe você

    encontre o Mug ! Saudações !

    responder este comentário denunciar abuso

  • 10/04/2012 - 09:24
    Enviado por: susana

    Bom dia,

    Muito instrutiva e a observação de que “entre os brasileiros o nº de vegetarianos têm crescido” só me alegra – isso é diretamente proporcional ao modo de como os vegetarianos porttan-se na sociedade- não com intolerância e arrogância aos costumes carnívoros, e sim com sabedoria e maturidade deixando um rastro de “sigam-se os bons” com modéstia e paciência.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 03/07/2012 - 23:16
    Enviado por: shayva

    Também há quem não coma carne por questão religiosa, por desapego, por não necessitar dela, por considerar uma forma de alimentação inferior e sujeita a absorção de energias pouco recomendáveis e apenas por isso. Sem prejuízo para as outras razões que são consoantes mas não principais!

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Jair Barboza

    Doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Tradutor, destacando-se a versão do alemão para o português da obra-prima de Schopenhauer, "O mundo como vontade e como representação". Defende que os animais são sujeitos de direito e devem, portanto, estar sob o pleno abrigo da lei. Atualmente é professor na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis

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