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Animal Reflexão

02.julho.2012 13:15:33

Psicologia amorosa: o que caninos e felinos nos ensinam

 [Frank Paton. "Border Collie" (1894). Fonte: Google imagens]

                                                                                                                                 

   [Frank Paton. "Quem é a mais bela?" (1887). Fonte: Google imagens]

Durante muito tempo me arrisquei a pensar, em termos psicológicos, sobre o masculino e o feminino pelo viés do cachorro e do gato, nessa ordem. Me explico. O homem e a mulher espelhariam de algum modo os comportamentos que identificamos em caninos e felinos.

Sabe-se que os cachorros são fiéis e explícitos em sua emotividade. Nunca abandonam quem lhes deu abrigo, comida, água, num comportamento que muito transmite confiança e senso de amizade inquebrantável. “Eu sempre te esperarei e te defenderei”. Por seu turno, os gatos são sutis, fiéis sim em seus sentimentos, mas têm o seu momento para cada coisa: tudo ao seu tempo. Gatos arranham quem ultrapassa os limites que colocaram, demonstrando assim uma brônzea pedagogia amorosa, pelo que, claro, devemos lhes agradecer. Mas transmitem nisso prudente senso de cuidado com tudo e com todos. “Em primeiro lugar eu e o meu espelho, no qual a imagem de todos são bem-vindas, caso sejam suficientemente cuidadosos comigo “.

Cheguei à conclusão de que essa psicologia animal com certeza ajuda na compreensão dos padrões afetivos da natureza do homem e da mulher.

Penso que os homens de fato são predominantemente caninos, pois mostram via de regra uma sentimentalidade explícita ao se apaixonarem, e isso aguça a sua capacidade de sentir ciúmes e, como os cães, demonstram um apego atávico a territórios e rápido e pronto postam-se para a briga em face dos invasores; ademais, esse automatismo emocional traduz-se em cegueira na paixão por sua (em caso heterossexual) “dona”, o que faz com que o índice de mortes passionais por eles praticadas seja bem maior que o delas, em todas as sociedades ocidentais. Já as mulheres são sutis na sua emotividade, sutis na ante-sala da conquista, ou seja, quando os varões vão, elas já estão voltando, e quando pensamos que as conquistamos, concluímos que em verdade fomos apreendidos como uma imagem em seu espelho. São capazes de amar, mas os homens desconfiam, como se desconfia do amor de um gato. Contudo, assim como os gatos, são sinceras no seu amor, pelo menos enquanto dura a eternidade deste; porém as garras da mulher! … prontas para arranhar quem ama, como um felino no meio de uma carícia que lhe fazemos.

Enfim, no meu manual de psicologia amorosa, homens são cachorros esperando no portão de casa a sua amada, mulheres são gatas esperando em frente do seu espelho o reflexo do seu amado.

comentários (4) | comente

4 Comentários Comente também
  • 05/07/2012 - 13:29
    Enviado por: Eliane SAboto

    Ajude a repercutir esta notícia. Em Campinas uma cachorrinha foi ferida por um integrante do grupo do cantor Tiaguinho. Ele machucou a cachorrinha com um rojão (explodiu dentro da boca dela).
    Uma ONG a UPA (F: 19 3294-2510) foi chamada e socorreu o animal e esta internado. Ajudem a divulgar esta noticia por favor.
    Outros contatos: César UPA (19) 9168-2034, jornalista Juliana (19) 2121-8937.

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    • 06/07/2012 - 12:56
      Enviado por: Alberto

      Pois é, Eliane, a ‘Menina’ foi agredida com uma bomba lançada por covarde. O crime teria pena de três meses a um ano de detenção, além de multa, mas duvido que se faça justiça. A mídia diz que foi uma bomba caseira. Como assim?- pergunto eu. Quem tem ou faz bombas em casa? ‘Bomba caseira’ se parece com ‘metralhadora familiar’ ou ‘revólver amigo’… Bizarrice total.

      Moro em condomínio de casas e há moradores que envenenam animais – já foram mortos 2 gatos, 1 cão, um esquilo, um coelho e um jacu. Como na região há muitos animais silvestres, tememos que gaviões e urubus (que eventualmente comeram das caracaças) venham a morrer também. Há uma família de suspeitos. Não há modo de provar nada. Apenas podemos comprovar que a crueldade do homem não conhece limite.
      Um abraço, Alberto

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  • 05/07/2012 - 17:31
    Enviado por: Alberto

    Professor,
    sua sensibilidade é absolutamente admirável.
    Obrigado por compartilhá-la conosco.
    Você viveu a emoção e a inquietação que Drummond transformou em poema.
    No caso do poeta, ele nunca se esqueceria de que havia uma pedra no meio do caminho, por quanto durasse a vida de suas retinas tão fatigadas. No seu caso, o esfumato do cão de São Leopoldo seguirá com você. E agora, conosco também.
    Quanto ao texto atual, que expõe parte de sua psicologia amorosa, é um daqueles que a gente lê e pensa: – Mas é isso que penso e jamais soube traduzir em palavras.
    Essa sua capacidade de traduzir o mundo é que te faz um de meus Mestres – independente de seus títulos acadêmicos, que você merecidamente conquistou.
    Um abraço, Alberto

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  • 07/07/2012 - 15:54
    Enviado por: Josefino

    Achei interessante essa analogia em que retrata o homem/cao de forma romantica e fielmente esperando sua amada no portao. Aparentemente na cultura Mexicana tem uma visao contraria a essa. Um homem infiel e mulherengo eh chamado de “perro” por la. Professor, gosto muito de teu Blog. Parabéns!

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Jair Barboza

    Doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Tradutor, destacando-se a versão do alemão para o português da obra-prima de Schopenhauer, "O mundo como vontade e como representação". Defende que os animais são sujeitos de direito e devem, portanto, estar sob o pleno abrigo da lei. Atualmente é professor na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis

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  • Cibele: Simplesmente verdadeiro ! Gatos são, do jeito deles, extremamente fiéis e amorosos. Várias vezes, minhas...
  • AlcinaAugusta Lapa: Parabens Jair Barboza, vc sem saber tirou-me uma dúvida: se vegetariano come peixe. Eu pensava...
  • Jair Barboza: Obrigado pelo comentário. Ao que tudo indica, vem de alguém que convive (talvez no campo) com eles....

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