O acalorado debate sobre as mudanças no Código Florestal está longe de terminar. Ainda bem. O texto aprovado na terça-feira passada na Câmara dos Deputados desagradou muita gente: as entidades científicas SBPC e ABC, ambientalistas, procuradores da República, cientistas ligados ao IPCC (o Painel da ONU sobre Mudanças Climáticas). Setores do agronegócio comemoraram a vitória na Câmara, pois o texto consolida as áreas onde a agricultura já está consolidada e permite que proprietários de terras entre 20 e 400 hectares fiquem dispensados de manter a Reserva Legal – área de vegetação nativa dentro da propriedade.
Mas se seguir para o Senado e for sancionado pela presidente Dilma Rousseff, o texto do novo Código Florestal amplia em 22 milhões de hectares (área equivalente a todo o Estado do Paraná) a possibilidade de desmatamento legal. O número faz parte dos cálculos do professor Gerd Sparovek, do Departamento de Solos da Esalq/USP. “Esta cota adicional de desmatamento legalizável pode anular completamente o efeito benéfico da compensação de Reserva Legal fora da propriedade”, diz o pesquisador.
Para chegar a esses números, Sparovek levou em consideração: 1- a possibilidade de computar, juntas, a Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente; 2 – a dispensa de Reserva Legal nas propriedades de até quatro módulos fiscais (entre 20 e 400 hectares); 3 – a possibilidade de reduzir, para fins de regularização, a exigência de Reserva Legal na Amazônia de 80% para 50%. Além do “perdão” a desmatamentos antigos, o texto aprovado na Câmara dá margem, sim, a novos desmatamentos. Nas palavras do professor Sparovek: “O Código Florestal proposto, além de abolir a necessidade de restauração daquilo que já era devido, amplia em 22 milhões de hectares a possibilidade de desmatamento legal”, explicou. A matéria, publicada na edição de domingo do Estadão, pode ser lida aqui.
Segundo o professor, a atual discussão sobre o Código Florestal não está contemplando um eixo fundamental: a modernização da agricultura e a ênfase na produtividade. “A expansão agrícola certamente é pior para a conservação e para os interesses coletivos se comparada à modernização da agricultura e seu desenvolvimento baseado no aumento da eficiência e produtividade”, diz Sparovek. O mesmo ponto foi defendido pela SPBC e ABC em estudo entregue ao relator do novo Código Florestal, deputado Aldo Rebelo. Segundo Helena Nader, presidente da SPBC, as contribuições foram solenemente ignoradas pelo relator.
Sparovek vai além: “Tornar a agricultura moderna, mais intensiva no uso da terra e produtiva – e consequentemente menos ávida por ocupar novas terras – é a bandeira que qualquer grupo deveria ter o interesse de defender.”
Para o pesquisador da Esalq, seria melhor para todos se ambientalistas, ruralistas e demais afetados pelas consequências da mudança defendessem a modernização de nossa agricultura e o aumento de sua produtividade. “Com isto seria necessário muito menos área, e a expansão naturalmente só iria para áreas muito aptas (que hoje em dia restaram muito poucas) e usaríamos por muitas décadas ainda o estoque de terras que já abrimos e usamos com pouca eficiência em muitos casos – pecuária, feijão, milho, mandioca”, diz Sparovek.
Que tal então começarmos a falar mais em produtividade?
Produtividade é a palavra chave.
Se não me engano nos últimos trinta quarenta anos o Brasil dobrou a produtividade. Com o empenho e participação dos agricultores, pejorativamente chamados “ruralistas”, e a Embrapa, conseguiram isso e estão melhorando sempre.
O plantio direto inventado pelos “ruralistas” gaúchos usa apenas 50% do combustível utilizado pelos outros países para produzir a mesma quantidade de alimentos. Zera a erosão por vento e chuva, mantém a umidade no solo diminuindo o risco de perdas por seca, aumenta a produtividade.
Quanto ao Código Florestal, mesmo o novo, ainda será a legislação ambiental mais avançada do planeta.
Os nossos cientistas e ambientalistas deveriam voltar as suas baterias para os estrangeiros e deixar os brasileiros em paz. O Brasil é uma ilha de preservação no Planeta Terra e todo o resto foi e permanece completamente devastado. Nossa preservação nunca poderá contrabalançar toda a poluição e desequilíbrio provocados pelo restante dos outros países.
Nossa Presidenta não pode se vergar às pressões internacionais nem fazer mais promessas. Está na hora de cobrarmos promessas e exigirmos que o resto do planeta se enquadre na restauração daquilo que predaram.
O socorro que o Brasil precisa deve ser dado em território estrangeiro, com cada um fazendo o seu dever de casa.
Sr. Amntonio Augusto, seu comentário foi muito bem exposto. Poderíamos acrescentar que os BOIZINHOS, tão mal falados pelos cientistas, neste período aumentaram a PRODUTIVIDADE em mais de cinco vezes ( com melhoria de genética, sanidade e nutrição) na mesma área. Segundo a própria Embrapa, estes bois,retém bem mais carbono, até mesmo que área equivalente de floresta “madura”. Convém lembrar ainda, que a maioria das pesquisas citadas pelos ecologistas, são referentes a agricultura em países que, nada tem a ver com o Brasil. Temos clima mais quente, biologia de solo infinitamente superior, muito mais energia solar, proveniente pela maior insolação e pouco frio. Poucos Sparovek da vida, tem especialização atualizada em agricultura moderna de países tropicais e ou sub tropicais. A ciência e a produção agropecuária, merecem um ritmo equivalente de evolução, ou seja extremamente rápida e evolutiva. E nem citamos a melhoria ocasionada pelos transgênicos (OGM), hoje reconhecida também pela União Européia, que a combateu tanto em anos anteriores. Enfim não podemos esconder a cabeça, como fazem as Avestruzes, e deixar de lembrar que nos próximos 20 a 30 anos, precisamos mais que dobrar a quantidade de alimentos, sob pena de termos milhões de mortos por fome ou mal nutridos. Este aumento, só se dará, nos países em que a tecnologia for usada em larga escala, pois precisa-se produzir mais, melhor e mais barato.
responder este comentário denunciar abusoA agricultura brasileira é a mais produtiva, mais eficiente e mais sustentável do planeta, só que o agricultor ficou fazendo o serviço dentro da porteira e deixou a sociedade desinformada sobre os ganhos produtivos e sustentáveis que ele desenvolvia…
Aí, hoje, está refém da mídia que “acha” que sabe de tudo!!! O cara mora em São Paulo, um esgoto a céu aberto, não faz a menor idéia do que é produção e suas necessidades, não acredita que seu emprego lá no centro urbano depende dos setores primários (ou porque dos subsídios nos países desenvolvidos única e exclusivamente para setores primários???), e tenta dar um tiro no pé sem precedentes na história deste planeta…
O Brasil possui 69% de suas florestas preservadas, enquanto a Europa tem 0,3%… O “devastado sul brasileiro” possui 48% de remanescentes florestais e nenhum agricultor está legal perante a lei… Que tipo de lei é essa??? Falar em produção debaixo de florestas!!! Se fizermos isso teremos que matar mais de 6 bilhões de pessoas deste planeta!!! Nem Adolf Hittler tentou matar tantas pessoas!!! Porque o GreenPeace está no Brasil??? Teria que estar na Europa…
Talvez porque o nome certo é GreenPeace para os países desenvolvidos e GreenMisery para nós!!! A mídia fica surda, cega e muda para 50 mil agricultores que vão à Brasília, mas sempre vê 10 manifestantes do GreenMisery onde quer que estejam…
Acho que faltou um artigo neste novo código, que era péssimo e vai ficar ruim, faltou enquadrar a “MENTIRA AMBIENTAL” na mídia… A desinformação e a mentira deslavada com intuito de confundir a opinião pública deveriam ser punidas como CRIME CONTRA A SOBERANIA NACIONAL…
responder este comentário denunciar abusoCaro Antonio
Esse tal ganho de produtividade parece não ter inibido a destruição quem vem ocorrendo também na Amazônia e no cerrado. É só você olhas as imagens Landsat disponíveis no site do INPE para conferir como o boi, soja e algodão alteraram o que chamamos hoje de Arco do Desmatamento na Amazônia. Veja como Rondônia ficou bonito depois dos projetos de colonização, atividade madeireira e garimpo, e nem por isso houve melhora da qualidade vida de seus habitantes (sobretudo a violência).
Prezado Rodolfo
Primeiramente a produtividade é amiga da preservação.
Quando se consegue produzir mais na mesma área não se precisa desmatar para crescer.
Quanto a melhora da qualidade de vida, o aumento da produtividade reduziu o preço da cesta básica a menos do que a metade do que custava há vinte anos.
A violência é fruto dos urbanos e não do rurícolas.
Deve-se levar em consideraçao que hoje existem muitos projetos de exploração sustentável da floresta em funcionamento e com bons resultados, o que significa progresso na preservação. Trinta anos atrás não existia nenhum projeto desses.
Sou contra desmatamentos não sustentáveis.
Já nas cidades a poluição a devastação do entorno só aumentaram nos últimos 30/50/70/…anos. Onde estão e estavam os ambientalistas? Você já viu as fotos do INPE de qualquer cidade brasileira? Já comparou os índices de violência nas capitais e cidades do interior?
Saudações
Prezado Rodolfo
Primeiramente a produtividade é amiga da preservação.
Quando se consegue produzir mais na mesma área não se precisa desmatar para crescer.
Quanto a melhora da qualidade de vida, o aumento da produtividade reduziu o preço da cesta básica a menos do que a metade do que custava há vinte anos.
A violência é fruto dos urbanos e não dos rurícolas.
Deve-se levar em consideração que hoje existem muitos projetos de exploração sustentável da floresta em funcionamento e com bons resultados, o que significa progresso na preservação. Trinta anos atrás não existia nenhum projeto desses.
Sou contra desmatamentos não sustentáveis.
Já nas cidades a poluição a devastação do entorno só aumentaram nos últimos 30/50/70/… anos. Onde estão e estavam os ambientalistas? Você já viu as fotos do INPE de qualquer cidade brasileira? Já comparou os índices de violências nas capitais e cidades do interior?
Saudações
Andrea,
Parabéns pela matéria (e pelo post, esmiuçando o número do prof. Gerd).
Vale destacar a profunda diferença entre pecuária e agricultura. Claro que há muito a se investir em ganho de produtividade agrícola (sobretudo para os agricultores familiares), mas o grande vilão (ou grande “filão”, para quem ver aí boas oportunidades de negócio) é a pecuária.
Na Amazônia, a produtividade gira em torno de 0,7 cabeça por hectare. No Brasil, são 200 milhões de hectares com boi (quase 1/4 do território nacional), contra 65 com grãos.
Abs
Andrea
Falar em produtividade agricola é algo comum os produtores. O Brasil tem indices de produtividade em algumas áreas (como cana e soja, por exemplo) que estão entre as melhores do mundo.
O que não fica claro ainda é como iremos ter produtividade socioambiental também dentro das florestas e com nossas florestas.
Temos um patrimonio riquissimo é não sabemos o que fazer com ele.
Para mim a grande questão da discussão que está atrelada no novo codigo e qual o tipo de Brasil queremos construir verdadeiramente. No qual seja possível encontrar consensos para o desenvolvimento sociobioagricolasustentavel.
Até agora, não temos nada que possa realmente ser uma opção viável, apenas muito bate-boca crítcas e pouquissimas alternativas realmente viavéis.
EXPLORAÇÃO E ENGARRAFAMENTO DE ÁGUA POTÁVEL PARA CONSUMO HUMANO
ATENÇÃO CIDADES ONDE HÁ ELEVADO TEOR DE SAL NOS POÇOS ARTESIANOS E POÇOS PROFUNDOS. Transformamos água salobra de poços artesianos e poços profundos com elevado teor de sal em ÁGUA POTÁVEL PARA O CONSUMO HUMANO. Atendemos em toda a região nordeste. Nosso e-mail: dessalinizadorcaseiro@yahoo.com.br Meu nome José Reis Costa. Fone (85) 8748.0575 e 3292.3144.
Escândalo
Os ambientalistas (urbanos) não aceitam para as cidades as leis ambientais.
Além disso estão conspirando para que os agricultores consignem parte das suas propriedades para a preservação do meio ambiente universal.
Tudo por conta deles (agricultores). Desapropriação sem indenização e com obrigação de zelo e manutenção.
Experimenta tirar 20% do terreno de uma indústria, fazê-los averbar a área, registrar em cartório e reflorestá-la com espécies nativas. 50% do terreno de um banco ou comércio. Restaurar as matas ciliares convertidas em marginais, e as nascentes soterradas para a urbanização.
O novo código Florestal significa uma anistia a todos os urbanos.
Se se olhar o mapa mundi, veremos o Brasil como ilha de preservação enquanto que 90% restantes, predaram e não aceitam restaurar nada. Nós não vamos aguentar sustentar sozinhos o equilíbrio do meio ambiente global. É preciso começarmos a exigir desses outros, que nos atacam, que façam a sua parte na restauração do equilíbrio.
Soberania
Certeiro o comentário do Antonio.
Enquanto estamos discutindo – legitimamente, claro – a preservação de florestas lá na amazônia, as metrópoles estão condenadas ao colapso ambiental. Esqueceram que é nas cidades que vive a maioria da população. Só em São Paulo, Rio, Baixada Santista, vale do Paraíba e Campinas são algo em torno de 35 milhões de seres asfixiados diariamente pela falta de áreas verdes permeando o tecido urbano.
Penso que a coisa toda parte de uma base frágil. O Sr. Aldo REbelo entende de manejo agrícola e outros quetais como eu entendo de fórmula 1. Essa , sempre, é a questão central. O governo e os partidos colocam , na relatoria de assuntos importantes, pessoas sem nenhum conhecimento daquilo. São, portanto, utilizados e também utilizam o poder temporário para o negócio de poderes, distribuição de lucros futuros, ajuste de interesses sob comissão, etc. Então, o código florestal brasileiro, qualquer que seja, não terá sido examinado por alguém que entende e é imparcial. Daí, nas reuniões de que já participei, ver que ele não sabe responder nada que não esteja no texto. Quem fez o texto é um mistério. É o Brasil.
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