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Andrea Vialli

30.maio.2011 00:12:43

Que tal falarmos em produtividade?

O acalorado debate sobre as mudanças no Código Florestal está longe de terminar. Ainda bem. O texto aprovado na terça-feira passada na Câmara dos Deputados desagradou muita gente: as entidades científicas SBPC e ABC, ambientalistas, procuradores da República, cientistas ligados ao IPCC (o Painel da ONU sobre Mudanças Climáticas). Setores do agronegócio comemoraram a vitória na Câmara, pois o texto consolida as áreas onde a agricultura já está consolidada e permite que proprietários de terras entre 20 e 400 hectares fiquem dispensados de manter a Reserva Legal – área de vegetação nativa dentro da propriedade.

Mas se seguir para o Senado e for sancionado pela presidente Dilma Rousseff, o texto do novo Código Florestal amplia em 22 milhões de hectares (área equivalente a todo o Estado do Paraná) a possibilidade de desmatamento legal. O número faz parte dos cálculos do professor Gerd Sparovek, do Departamento de Solos da Esalq/USP. “Esta cota adicional de desmatamento legalizável pode anular completamente o efeito benéfico da compensação de Reserva Legal fora da propriedade”, diz o pesquisador.

Para chegar a esses números, Sparovek levou em consideração: 1- a possibilidade de computar, juntas, a Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente; 2 – a dispensa de Reserva Legal nas propriedades de até quatro módulos fiscais (entre 20 e 400 hectares); 3 – a possibilidade de reduzir, para fins de regularização, a exigência de Reserva Legal na Amazônia de 80% para 50%. Além do “perdão” a desmatamentos antigos, o texto aprovado na Câmara dá margem, sim, a novos desmatamentos. Nas palavras do professor Sparovek: “O Código Florestal proposto, além de abolir a necessidade de restauração daquilo que já era devido, amplia em 22 milhões de hectares a possibilidade de desmatamento legal”, explicou. A matéria, publicada na edição de domingo do Estadão, pode ser lida aqui.

Segundo o professor, a atual discussão sobre o Código Florestal não está contemplando um eixo fundamental: a modernização da agricultura e a ênfase na produtividade. “A expansão agrícola certamente é pior para a conservação e para os interesses coletivos se comparada à modernização da agricultura e seu desenvolvimento baseado no aumento da eficiência e produtividade”, diz Sparovek. O mesmo ponto foi defendido pela SPBC e ABC em estudo entregue ao relator do novo Código Florestal, deputado Aldo Rebelo. Segundo Helena Nader, presidente da SPBC, as contribuições foram solenemente ignoradas pelo relator.
Sparovek vai além: “Tornar a agricultura moderna, mais intensiva no uso da terra e produtiva – e consequentemente menos ávida por ocupar novas terras – é a bandeira que qualquer grupo deveria ter o interesse de defender.”

Para o pesquisador da Esalq, seria melhor para todos se ambientalistas, ruralistas e demais afetados pelas consequências da mudança defendessem a modernização de nossa agricultura e o aumento de sua produtividade. “Com isto seria necessário muito menos área, e a expansão naturalmente só iria para áreas muito aptas (que hoje em dia restaram muito poucas) e usaríamos por muitas décadas ainda o estoque de terras que já abrimos e usamos com pouca eficiência em muitos casos – pecuária, feijão, milho, mandioca”, diz Sparovek.

Que tal então começarmos a falar mais em produtividade?

comentários (12) | comente

12 Comentários Comente também
  • 30/05/2011 - 12:06
    Enviado por: Antonio Augusto da Costa Carvalho

    Produtividade é a palavra chave.
    Se não me engano nos últimos trinta quarenta anos o Brasil dobrou a produtividade. Com o empenho e participação dos agricultores, pejorativamente chamados “ruralistas”, e a Embrapa, conseguiram isso e estão melhorando sempre.
    O plantio direto inventado pelos “ruralistas” gaúchos usa apenas 50% do combustível utilizado pelos outros países para produzir a mesma quantidade de alimentos. Zera a erosão por vento e chuva, mantém a umidade no solo diminuindo o risco de perdas por seca, aumenta a produtividade.
    Quanto ao Código Florestal, mesmo o novo, ainda será a legislação ambiental mais avançada do planeta.
    Os nossos cientistas e ambientalistas deveriam voltar as suas baterias para os estrangeiros e deixar os brasileiros em paz. O Brasil é uma ilha de preservação no Planeta Terra e todo o resto foi e permanece completamente devastado. Nossa preservação nunca poderá contrabalançar toda a poluição e desequilíbrio provocados pelo restante dos outros países.
    Nossa Presidenta não pode se vergar às pressões internacionais nem fazer mais promessas. Está na hora de cobrarmos promessas e exigirmos que o resto do planeta se enquadre na restauração daquilo que predaram.
    O socorro que o Brasil precisa deve ser dado em território estrangeiro, com cada um fazendo o seu dever de casa.

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    • 31/05/2011 - 21:13
      Enviado por: A.Busa

      Sr. Amntonio Augusto, seu comentário foi muito bem exposto. Poderíamos acrescentar que os BOIZINHOS, tão mal falados pelos cientistas, neste período aumentaram a PRODUTIVIDADE em mais de cinco vezes ( com melhoria de genética, sanidade e nutrição) na mesma área. Segundo a própria Embrapa, estes bois,retém bem mais carbono, até mesmo que área equivalente de floresta “madura”. Convém lembrar ainda, que a maioria das pesquisas citadas pelos ecologistas, são referentes a agricultura em países que, nada tem a ver com o Brasil. Temos clima mais quente, biologia de solo infinitamente superior, muito mais energia solar, proveniente pela maior insolação e pouco frio. Poucos Sparovek da vida, tem especialização atualizada em agricultura moderna de países tropicais e ou sub tropicais. A ciência e a produção agropecuária, merecem um ritmo equivalente de evolução, ou seja extremamente rápida e evolutiva. E nem citamos a melhoria ocasionada pelos transgênicos (OGM), hoje reconhecida também pela União Européia, que a combateu tanto em anos anteriores. Enfim não podemos esconder a cabeça, como fazem as Avestruzes, e deixar de lembrar que nos próximos 20 a 30 anos, precisamos mais que dobrar a quantidade de alimentos, sob pena de termos milhões de mortos por fome ou mal nutridos. Este aumento, só se dará, nos países em que a tecnologia for usada em larga escala, pois precisa-se produzir mais, melhor e mais barato.

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    • 01/06/2011 - 09:05
      Enviado por: B'Hengler

      A agricultura brasileira é a mais produtiva, mais eficiente e mais sustentável do planeta, só que o agricultor ficou fazendo o serviço dentro da porteira e deixou a sociedade desinformada sobre os ganhos produtivos e sustentáveis que ele desenvolvia…

      Aí, hoje, está refém da mídia que “acha” que sabe de tudo!!! O cara mora em São Paulo, um esgoto a céu aberto, não faz a menor idéia do que é produção e suas necessidades, não acredita que seu emprego lá no centro urbano depende dos setores primários (ou porque dos subsídios nos países desenvolvidos única e exclusivamente para setores primários???), e tenta dar um tiro no pé sem precedentes na história deste planeta…

      O Brasil possui 69% de suas florestas preservadas, enquanto a Europa tem 0,3%… O “devastado sul brasileiro” possui 48% de remanescentes florestais e nenhum agricultor está legal perante a lei… Que tipo de lei é essa??? Falar em produção debaixo de florestas!!! Se fizermos isso teremos que matar mais de 6 bilhões de pessoas deste planeta!!! Nem Adolf Hittler tentou matar tantas pessoas!!! Porque o GreenPeace está no Brasil??? Teria que estar na Europa…

      Talvez porque o nome certo é GreenPeace para os países desenvolvidos e GreenMisery para nós!!! A mídia fica surda, cega e muda para 50 mil agricultores que vão à Brasília, mas sempre vê 10 manifestantes do GreenMisery onde quer que estejam…

      Acho que faltou um artigo neste novo código, que era péssimo e vai ficar ruim, faltou enquadrar a “MENTIRA AMBIENTAL” na mídia… A desinformação e a mentira deslavada com intuito de confundir a opinião pública deveriam ser punidas como CRIME CONTRA A SOBERANIA NACIONAL…

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    • 02/06/2011 - 23:11
      Enviado por: Rodrigo

      Caro Antonio
      Esse tal ganho de produtividade parece não ter inibido a destruição quem vem ocorrendo também na Amazônia e no cerrado. É só você olhas as imagens Landsat disponíveis no site do INPE para conferir como o boi, soja e algodão alteraram o que chamamos hoje de Arco do Desmatamento na Amazônia. Veja como Rondônia ficou bonito depois dos projetos de colonização, atividade madeireira e garimpo, e nem por isso houve melhora da qualidade vida de seus habitantes (sobretudo a violência).

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    • 05/06/2011 - 16:08
      Enviado por: Augusto Carvalho

      Prezado Rodolfo
      Primeiramente a produtividade é amiga da preservação.
      Quando se consegue produzir mais na mesma área não se precisa desmatar para crescer.
      Quanto a melhora da qualidade de vida, o aumento da produtividade reduziu o preço da cesta básica a menos do que a metade do que custava há vinte anos.
      A violência é fruto dos urbanos e não do rurícolas.
      Deve-se levar em consideraçao que hoje existem muitos projetos de exploração sustentável da floresta em funcionamento e com bons resultados, o que significa progresso na preservação. Trinta anos atrás não existia nenhum projeto desses.
      Sou contra desmatamentos não sustentáveis.
      Já nas cidades a poluição a devastação do entorno só aumentaram nos últimos 30/50/70/…anos. Onde estão e estavam os ambientalistas? Você já viu as fotos do INPE de qualquer cidade brasileira? Já comparou os índices de violência nas capitais e cidades do interior?
      Saudações

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    • 06/06/2011 - 16:42
      Enviado por: Antonio Augusto da Costa Carvalho

      Prezado Rodolfo
      Primeiramente a produtividade é amiga da preservação.
      Quando se consegue produzir mais na mesma área não se precisa desmatar para crescer.
      Quanto a melhora da qualidade de vida, o aumento da produtividade reduziu o preço da cesta básica a menos do que a metade do que custava há vinte anos.
      A violência é fruto dos urbanos e não dos rurícolas.
      Deve-se levar em consideração que hoje existem muitos projetos de exploração sustentável da floresta em funcionamento e com bons resultados, o que significa progresso na preservação. Trinta anos atrás não existia nenhum projeto desses.
      Sou contra desmatamentos não sustentáveis.
      Já nas cidades a poluição a devastação do entorno só aumentaram nos últimos 30/50/70/… anos. Onde estão e estavam os ambientalistas? Você já viu as fotos do INPE de qualquer cidade brasileira? Já comparou os índices de violências nas capitais e cidades do interior?
      Saudações

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  • 30/05/2011 - 14:01
    Enviado por: Rafael Cruz

    Andrea,
    Parabéns pela matéria (e pelo post, esmiuçando o número do prof. Gerd).
    Vale destacar a profunda diferença entre pecuária e agricultura. Claro que há muito a se investir em ganho de produtividade agrícola (sobretudo para os agricultores familiares), mas o grande vilão (ou grande “filão”, para quem ver aí boas oportunidades de negócio) é a pecuária.
    Na Amazônia, a produtividade gira em torno de 0,7 cabeça por hectare. No Brasil, são 200 milhões de hectares com boi (quase 1/4 do território nacional), contra 65 com grãos.
    Abs

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  • 30/05/2011 - 21:53
    Enviado por: Marcos Custodio

    Andrea
    Falar em produtividade agricola é algo comum os produtores. O Brasil tem indices de produtividade em algumas áreas (como cana e soja, por exemplo) que estão entre as melhores do mundo.
    O que não fica claro ainda é como iremos ter produtividade socioambiental também dentro das florestas e com nossas florestas.
    Temos um patrimonio riquissimo é não sabemos o que fazer com ele.
    Para mim a grande questão da discussão que está atrelada no novo codigo e qual o tipo de Brasil queremos construir verdadeiramente. No qual seja possível encontrar consensos para o desenvolvimento sociobioagricolasustentavel.
    Até agora, não temos nada que possa realmente ser uma opção viável, apenas muito bate-boca crítcas e pouquissimas alternativas realmente viavéis.

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  • 31/05/2011 - 18:44
    Enviado por: JOSE REIS COSTA

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  • 01/06/2011 - 12:29
    Enviado por: Antonio Augusto da Costa Carvalho

    Escândalo
    Os ambientalistas (urbanos) não aceitam para as cidades as leis ambientais.
    Além disso estão conspirando para que os agricultores consignem parte das suas propriedades para a preservação do meio ambiente universal.
    Tudo por conta deles (agricultores). Desapropriação sem indenização e com obrigação de zelo e manutenção.
    Experimenta tirar 20% do terreno de uma indústria, fazê-los averbar a área, registrar em cartório e reflorestá-la com espécies nativas. 50% do terreno de um banco ou comércio. Restaurar as matas ciliares convertidas em marginais, e as nascentes soterradas para a urbanização.
    O novo código Florestal significa uma anistia a todos os urbanos.
    Se se olhar o mapa mundi, veremos o Brasil como ilha de preservação enquanto que 90% restantes, predaram e não aceitam restaurar nada. Nós não vamos aguentar sustentar sozinhos o equilíbrio do meio ambiente global. É preciso começarmos a exigir desses outros, que nos atacam, que façam a sua parte na restauração do equilíbrio.
    Soberania

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  • 08/06/2011 - 21:57
    Enviado por: Santos

    Certeiro o comentário do Antonio.

    Enquanto estamos discutindo – legitimamente, claro – a preservação de florestas lá na amazônia, as metrópoles estão condenadas ao colapso ambiental. Esqueceram que é nas cidades que vive a maioria da população. Só em São Paulo, Rio, Baixada Santista, vale do Paraíba e Campinas são algo em torno de 35 milhões de seres asfixiados diariamente pela falta de áreas verdes permeando o tecido urbano.

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  • 20/06/2011 - 14:15
    Enviado por: Paulo Cesar

    Penso que a coisa toda parte de uma base frágil. O Sr. Aldo REbelo entende de manejo agrícola e outros quetais como eu entendo de fórmula 1. Essa , sempre, é a questão central. O governo e os partidos colocam , na relatoria de assuntos importantes, pessoas sem nenhum conhecimento daquilo. São, portanto, utilizados e também utilizam o poder temporário para o negócio de poderes, distribuição de lucros futuros, ajuste de interesses sob comissão, etc. Então, o código florestal brasileiro, qualquer que seja, não terá sido examinado por alguém que entende e é imparcial. Daí, nas reuniões de que já participei, ver que ele não sabe responder nada que não esteja no texto. Quem fez o texto é um mistério. É o Brasil.

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