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Andrea Vialli

A companhia aérea Azul e a Embraer vão realizar, no início de 2012, o primeiro voo experimental (sem passageiros) com o uso de um querosene obtido de cana-de-açúcar – um ‘etanol’ para aeronaves, que também está sendo chamado de bioquerosene. A Azul, companhia aérea do americano David Neeleman que começou a voar no final do ano passado aceitou testar o bioquerosene em um dos seus jatos da Embraer. O combustível está em fase de desenvolvimento pela Amyris, da área de biotecnologia. Também participa do projeto a General Electric (GE), fabricante de motores para jatos.

Embora o processo de certificação do novo combustível seja longo, o querosene de origem renovável poderá começar a ser produzido em escala industrial em 2013 como uma alternativa ao de origem fóssil, responsável pela alta carga de emissões de CO2 da aviação, que representa 2% das emissões de gases esfufa do mundo.

Segundo Guilherme Freire, diretor de tecnologias para meio ambiente da Embraer, a busca por combustíveis renováveis mobiliza toda a indústria de aviação diante das pressões pela redução das emissões do tráfego aéreo. As emissões do setor devem chegar a 3% em 2050.

Esta semana, a Gol também anunciou sua entrada em um projeto de pesquisa de biocombustível para aviões – o Sustainable Aviation Fuel Users Group (Safug). Esse programa reúne empresas aéreas e provedores de tecnologia, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novas fontes renováveis de combustível para aviação.

O grupo trabalha em dois projetos preliminares de pesquisa. O primeiro estuda a sustentabilidade do cultivo do pinhão manso como alternativa para geração de combustível sustentável. E outra frente de estudos é relacionada ao uso de algas, com o objetivo de certificar que seu uso atende aos critérios de sustentabilidade. O grupo também prevê estudos futuros com outros tipos de matérias-primas.

Hidrocarboneto
No caso do projeto com a cana-de-açúcar, o novo insumo não demanda alteração no projeto dos motores. Segundo a Amyris, empresa que tem entre os sócios o grupo Votorantim, a cana pode repetir na produção de querosene o mesmo porcentual de redução de CO2, entre 80% e 90%, que o etanol representa em relação à gasolina. Isso porque o plantio da gramínea sequestra carbono da atmosfera. Tecnicamente, o bioquerosene de cana é um hidrocarboneto resultante de uma das etapas da produção do etanol. Após a fermentação do caldo da cana, o material que originará o bioquerosene é separado por centrifugação em lugar da destilação.

Para os executivos do setor aéreo, a diversificação da matriz energética da aviação reduz a insegurança em relação à flutuação da cotação internacional do petróleo, já que as companhias têm entre 30 e 40% dos seus custos associados a combustível.

Com informações de Alexandre Rodrigues/AE

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O Brasil vive um boom de projetos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que são usinas com potência entre 1 e 30 megawatts (MW) e de baixo impacto ambiental. Atualmente existem mais de 1.000 projetos de pequenas usinas em análise pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Juntas, essas usinas terão capacidade de produzir 7,5 mil MW de energia. O custo relativamente baixo de se implementar PCHs, em torno de R$ 4 milhões o MW/h, aliado ao menor tempo na expedição de licenças ambientais está atraindo a atenção de fundos de investimentos e grupos internacionais.

As pequenas usinas pode responder por até 8% da matriz energética do País nas próximas quatro décadas. “O potencial conhecido hoje das PCHs chega a 25 gigawatts (GW)e corresponde à potência de duas Itaipus”, diz Geraldo Lúcio Tiago Filho, secretário executivo do Centro Nacional de Referência em PCHs (CERPCH), ligado à Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais.

Hoje existem 345 PCHs em operação, que geram 2,8 mil MW e respondem por 2,6% da energia produzida no País. Em construção, são 69, e já existem sinais de que as pequenas usinas, hoje concentradas nos estados de Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, já estejam expandindo para as regiões Norte e Centro-Oeste. “Os bons potenciais no Sul e Sudeste do Brasil já estão sendo aproveitados. A expansão se dará rumo aos estados de Goiás, Mato Grosso e sul do Amazonas”, diz Tiago Filho. Veja a matéria completa.

PCH Cocais Grande, do grupo Ersa, em Minas Gerais

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As pesquisas na área de biocombustíveis de algas, ainda incipientes no Brasil, já começam a chamar a atenção de investidores e prometem se transformar em soluções viáveis comercialmente dentro de três anos. Entre outras aplicações, as algas podem produzir biodiesel e ajudar a reduzir as emissões de CO2 de indústrias poluidoras, como termelétricas, siderúrgicas e cimenteiras.

No País, o principal expoente no setor privado dessa nova tendência é a Algae Biotecnologia, uma empresa “start-up” (iniciante) de biotecnologia, que há três anos pesquisa sistemas de produção de microalgas em laboratório. Criada pelo engenheiro agrônomo Sérgio Goldemberg, a Algae chamou a atenção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Agência Financiadora de estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Foto de Marcio Fernandes/AE

Por causa de seu caráter inovador, a empresa conseguiu um financiamento de R$ 5 milhões para pesquisa e acaba de ser adquirida pela Ecogeo, holding que atua no setor de soluções ambientais e que reúne outras cinco companhias.

“Em três anos, a tecnologia deverá estar pronta para patente e uso comercial. A primeira frente de pesquisa é eleger as melhores algas para fins de produção de biodiesel e sequestro de carbono”, diz Sérgio Goldemberg, gerente técnico da Algae Biotecnologia. A pesquisa está no sangue: Sérgio é filho do premiado físico José Goldemberg, da Universidade de São Paulo (USP).

O cultivo de microalgas, explica Sérgio, é feito em reatores dentro do laboratório. Nesses reatores, as microalgas, alimentadas por nutrientes – sendo o CO2 o principal deles -, dobram de tamanho a cada dois dias.

“Elas geram uma grande quantidade de biomassa rica em óleo, que pode ser extraído e transformado em biodiesel, pelo sistema tradicional. São mais eficientes que soja”, diz o empreendedor. Além do CO2, as algas podem ser alimentadas com outros nutrientes como resíduos agrícolas. “A vinhaça da cana-de-açúcar e os resíduos de criadouros de suínos são opções que estudamos.”

“As algas já sequestram carbono da atmosfera há muitos anos”, diz o geólogo Ernesto Moeri, presidente do Grupo Ecogeo, que adquiriu 65% do capital da Algae Biotecnologia. A aposta na empresa iniciante se justifica pelas boas perspectivas que os chamados negócios “verdes” têm no médio e longo prazo. A Ecogeo prevê integrar os cultivos de microalgas com as unidades de produção de biogás do grupo.

Nos EUA, as pesquisas com microalgas vivem um boom e são a nova aposta dos grupos de capital de risco. Até mesmo grandes petroleiras, como a Exxon Mobil, já anunciaram investimentos em biocombustíveis com algas. No Brasil, os estudos têm sido conduzidos pela Petrobrás (Cenpes), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A estatal anunciou investimentos de US$ 2,4 bilhões em biocombustíveis até 2013, sendo 20% do total em biodiesel de diferentes fontes.


Ernesto Moeri e Sérgio Goldemberg, do grupo Ecogeo, estão entusiasmados com a viabilidade comercial das microalgas

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A crise financeira, a necessidade de reduzir custos e as preocupações com sustentabilidade e com o suprimento de energia no longo prazo estão ampliado o mercado no Brasil para as empresas que realizam projetos de eficiência energética, conhecidas como escos. Em 2008, o setor faturou R$ 1,4 bilhão, um aumento de 35% em relação a 2007. Para este ano, o salto deve chegar a 70%.

As escos começaram a ganhar espaço com o apagão energético de 2001, quando o setor privado se viu às voltas com a necessidade de economizar energia. “Agora, a eficiência energética está sendo incorporada à gestão das companhias. Hoje é um movimento mais estrutural, não para remediar uma situação pontual de falta de energia”, diz Maria Cecília Amaral, diretora executiva da Abesco, a associação que reúne as empresas do setor e que realiza, na semana que vem, o sexto Congresso de Eficiência Energética, em São Paulo.

Segundo ela, o potencial de mercado para essas empresas é ainda maior, uma vez que o País perde, todo ano, R$ 17 bilhões com o desperdício de energia. Não é pouca coisa. Aumentar a eficiência pode significar menos investimentos em geração de energia – e na energia suja de termelétricas a óleo e carvão, um caminho que o governo equivocadamente começa a trilhar.

A seguradora Porto Seguro é uma das empresas que precisou economizar energia na época do apagão e que transformou a necessidade em um programa mais abrangente de eficiência energética. Em 2001, a empresa começou a fazer , com a ajuda de uma esco, a Nittoguen, o mapeamento do consumo de energia em sua sede, no bairro de Campos Elísios, em São Paulo, onde trabalham cerca de 4,5 mil pessoas.

“Descobrimos que o ar condicionado e o sistema de iluminação do prédio, que tem mais de 50 anos de construção, estavam consumindo energia demais”, conta Adriano Almeida, coordenador do setor de obras e projetos da Porto Seguro.

Uma vez detectado o problema, os passos seguintes foram modernizar as instalações elétricas, trocar os equipamentos obsoletos e, num segundo momento, expandir as reformas para os demais imóveis da empresa – 260 em todo o Brasil. O investimento de R$ 3 milhões se pagou em três anos, com uma economia de energia da ordem de 20% em relação a 2001.
“Os resultados foram surpreendentes”, diz Almeida. De 2001 até hoje, a empresa conseguiu registrar uma economia anual de 900 megawatts/ano, o equivalente à produção de uma pequena central hidrelétrica. “Quem envereda por esse caminho da eficiência energética acaba gostando.”

Já é lei
Um outro fator que tem impulsionado a atuação das escos é a lei da eficiência energética (Lei 10.295/01), que prevê que as concessionárias de energia elétrica destinem 0,5% de sua receita líquida para projetos de uso racional de energia. Grande parte desses projetos está voltada para famílias de baixa renda. São programas de troca de geladeiras antigas e de regularização de instalações elétricas em favelas e palafitas.

A MGD Engenharia, de São Paulo, é uma das escos que têm realizado projetos desse tipo, em parceria com concessionárias como Elektro e CPFL Energia. “Conseguimos regularizar 20 mil residências de baixa renda nos últimos três anos”, diz Norberto Duarte, presidente da MGD Engenharia. A empresa também realiza projetos para a indústria, e tem clientes como Vicunha Têxtil, Kaiser e Eaton. “A demanda está crescendo 30% ao ano e deve continuar nesse ritmo.”


Norberto, da MGD Engenharia, faz projetos de gestão de energia para indústrias e concessionárias. Foto de Ernesto Rodrigues/AE

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Falar de sustentabilidade na indústria automobilística é sempre uma tarefa espinhosa, pelos motivos que todos conhecemos – para serem fabricados, automóveis consomem montanhas de recursos naturais e energia, causam trânsito, emitem gases de efeito estufa, etc. E quando se fala em SUVs, os utilitários esportivos que até pouco tempo antes da crise figuravam entre os carros preferidos dos americanos, a coisa complica ainda mais.

Pois a Land Rover, marca britânica premium de utilitários esportivos, está determinada a provar que um fabricante de SUVs pode, sim, ser ‘verde’. Ou ao menos tentar. Cientes de que sustentabilidade pode agregar ainda mais valor à cobiçada marca, os executivos da companhia trataram de se aprumar nesse quesito.

Para começar, a companhia, que hoje faz parte do conglomerado indiano Tata Group, anunciou um investimento de 600 milhões de libras, nos próximos cinco anos, em tecnologias mais sustentáveis: tanto em pesquisa de combustíveis que substituam o diesel quanto em materiais mais leves, que ajudem a economizar combustível.

E, como os tempos estão mudando, a empresa anunciou ainda que vai lançar um carro “compacto”, o LRX. Não se trata, claro, de um 1.0. No caso da Land Rover, é um ‘crossover’ (misto de utilitário com sedã), que chega ao mercado em 2010 e que terá uma versão híbrida, a diesel e eletricidade.

“Definitivamente nossos novos carros terão motores mais eficientes. É por onde a indústria automotiva vai caminhar. Os clientes esperam eficiência no consumo de combustíveis, carros mais leves e tecnologias mais sustentáveis”, diz Phil Popham, presidente global da Land Rover, que esteve em São Paulo na semana passada.
Em uma entrevista sobre os negócios da companhia, ele contou, entre outras coisas, que a empresa está trabalhando para compensar as emissões de C02 do processo de fabricação dos carros (o que não é exatamente uma novidade) e também das primeiras 45 mil milhas de cada utilitário que vende (isso sim é uma nova abordagem).

Para isso, se uniu à conceituada ClimateCare, consultoria britânica especializada gestão de carbono, que tem clientes como Yahoo, Interface e Barclays, e elaborou um plano de compensação das emissões baseada em investimentos em energias renováveis em vários cantos do mundo. Desse programa surgiram parques eólicos na Turquia e na Índia, pequenas hidrelétricas no Tarjiquistão e China, plantas de biodiesel na Rússia e um projeto de fogão eficiente em Uganda, que diminui o consumo de lenha das famílias. A ideia por trás da seleção desses empreendimentos, segundo Popham, era dar um passo mais consistente do que simplesmente plantar árvores para compensar a poluição dos carros.


Presidente da Land Rover, Phil Popham, em foto de Valéria Gonçalves/AE

E os leitores, o que acham da estratégia? A indústria automobilística pode ser sustentável?

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Para se manter à frente na corrida por energias sustentáveis, o Brasil
precisa derrubar alguns mitos e fomentar as cadeias de produção de energia nuclear e eólica, além de investir na nova geração de biocombustíveis, como o etanol a celulose. Essas são algumas das conclusões do estudo “Energy Shift” (“Virada Energética”, em tradução livre), da consultoria Booz & Company, que traçou um panorama do cenário de energia no mundo até 2030.

Em termos globais, é previsto um cenário em que os combustíveis fósseis –petróleo, carvão e gás natural – perdem espaço, mas não deixam de ser importantes. Ao mesmo tempo, as pressões em relação à redução das emissões de gases de efeito estufa vão obrigar governos e empresas a combinar diferentes fontes de energia.

As chamadas fontes alternativas, como energia eólica, fotovoltaica e geotérmica, ganham espaço, e também a geração nuclear cresce, por ser livre de emissões de CO2 – apesar das polêmicas envolvendo o destino do lixo radioativo.

Inovar é preciso
O estudo observa que o Brasil está bem posicionado em relação à sua matriz energética, com 46% de fontes renováveis. Mas diz ser preciso não se acomodar com as inovações que levaram o País a essa liderança, como hidrelétricas, carros flex e etanol.

“A virada energética no Brasil terá um ritmo diferente dos países desenvolvidos, pois fomos o primeiro país a concentrar esforços em desenvolver fontes renováveis”, explica Arthur Ramos, sócio da Booz & Company no Brasil. “Mas o Brasil tem de almejar estar na linha de frente do desenvolvimento de novas tecnologias em geração de energia. É hora de virar a página e investir em inovação”, diz.”Ainda haverá espaço para os fósseis, mas também para energia eólica, fotovoltaica e gás natural, que é um combustível fóssil, mas bem menos poluente.”

Ou seja: é melhor parar de nos vangloriar de termos hidrelétricas e etanol em grande escala e começar a vislumbrar outros horizontes. E não sujar a matriz com termelétricas a óleo combustível, como já prevê o plano de energia para os próximos anos.

O estudo da Booz & Company tem como objetivo dar pistas sobre o futuro da energia, para que empresas de diferentes setores se preparem para as mudanças. “O conselho para o Brasil seria desenvolver as cadeias produtivas de energia eólica e nuclear”, diz Ramos. Entre as fontes renováveis, a eólica é a que deve alcançar maior escala em menor período de tempo, aponta a pesquisa.

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E o governo federal anunciou hoje seu ambicioso plano de construção de um milhão de moradias populares, como foi amplamente noticiado. Se o programa é factível de ser cumprido, se tem caratér eleitoreiro ou se vai ajudar a amenizar os efeitos da crise econômica, são temas que não vamos discutir aqui.

Mas uma informação saltou aos olhos e merece nossa atenção. O ministro do Meio Ambiente Carlos Minc garantiu que as casas populares serão ‘verdes’. Terão aquecimento de água por energia solar – já que o chuveiro elétrico é “o predador do consumo de energia”, nas palavras do ministro. Sua colega Dilma confirmou. “O uso de energia solar tornará os empreendimentos ambientamente sustentáveis e proporcionará redução de 30% na conta de luz da população de baixa renda”, disse a ministra presidenciável.

O governo espera que o aquecimento solar reduza as emissões de gases de efeito estufa em 830 mil toneladas. Também evitaria a necessidade de construção de uma usina hidrelétrica de 520 megawatts (MW) de potência.

Mais: a proposta é que as casas tenham também captação de água de chuva, o que seria implementado “gradualmente”, segundo Minc. E a madeira utilizada nas construções deverá ser de origem certificada, ou seja, provenientes de áreas de manejo controlado, com selo de origem.

Além disso, os empreendimentos terão de cumprir alguns requisitos para obter o licenciamento ambiental. Entre eles (não seriam óbvios?): serem construídos fora de regiões de proteção permanente; não poderão estar localizados em áreas de risco e deverão contar com infraestrutura de esgoto. Sem esses requisitos, o governo não dará a licença ambiental, alardeou Minc.

A notícia nos faz pensar: será que finalmente o governo acordou para a necessidade de se construir com menor impacto ambiental e para os benefícios de se usar de modo mais racional os recursos como água e energia? A tendência do ‘green building’ já aterrissou por aqui há pelo menos uma década, com grandes condomínios, varejo e indústria aderindo paulatinamente. A propósito, leia matéria que publicamos hoje sobre o assunto: “Novas fábricas ‘verdes’ reduzem o impacto ambiental“.

Se assim for feito, teremos motivos para comemorar: estaria o conceito da sustentabilidade finalmente sendo assimilado pela esfera pública? Ou estaria o governo só fazendo greenwash (maquiagem verde) porque isso pega bem nos tempos atuais?
Vamos aguardar.


Alguns conjuntos habitacionais já trazem painéis de aquecimento solar

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As empresas brasileiras investem menos em meio ambiente do que a média internacional. Fora do Brasil, o setor privado investe cerca de 2% do seu faturamento em tecnologias sustentáveis. No Brasil, a maioria – 54 % das empresas – aporta até 1% das receitas em tecnologias. Em 27% das empresas, o total investido oscila entre 1% e 3% das receitas.

Os dados constam do estudo “Tecnologias Sustentáveis no Brasil”, realizado pela consultoria alemã Roland Berger com dois objetivos: o de mapear o tamanho da indústria ambiental no País, que inclui setores de saneamento, controle de poluição e energia limpa, entre outros; e de avaliar o interesse das companhias brasileiras em investir nessas tecnologias. Foram ouvidas 100 companhias de todos os portes no último trimestre de 2008.

De acordo com Thomas Kunze, coordenador do estudo, existe interesse das empresas para investir em melhorias ambientais. No entanto, elas esbarram em barreiras como o alto custo das tecnologias limpas e a falta de acesso a conhecimento técnico sobre o assunto.

“Para 32,5% das empresas pesquisadas, os custos das tecnologias ambientais ainda são incompatíveis com sua realidade”, afirma Kunze. Já o acesso ao crédito é um empecilho para 17,5% das companhias. Para 39% delas, a crise financeira é um fator de adiamento dos investimentos em sustentabilidade no biênio 2009-2010.

Setor ambiental vai crescer mais que automobilístico

O segmento de tecnologias ambientais movimenta US$ 16,9 bilhões no País e tem potencial para crescer 7% ao ano ano até 2020, quando deve alcançar uma receita de de US$ 25,4 bilhões. “O setor de sustentabilidade tem potencial de expansão maior que indústrias tradicionais, como automotiva e química”, avalia Thomas Timm, vice-presidente executivo da Câmara Brasil-Alemanha, que encomendou o estudo. Segundo ele, o Brasil já possui um indústria ambiental consistente. “Mas falta avançar em áreas como saneamento, água e gestão de resíduos.”

De fato: o Brasil possui apenas 51% dos domicílios coletados à rede de esgotos. Não se trata de tratamento, e sim de coleta. Europa e América do Norte, esse índice fica acima de 90%.

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Se havia uma certa euforia e a expcetativa de que o presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama teria uma postura diferente em relação às grandes questões ambientais, o clima de otimismo se confirmou nessa segunda.

Obama escalou um time de primeira linha para cuidar das pastas de Energia, Meio ambiente e Mudanças Climáticas. O departamento de Energia fica nas mãos de Steven Chu, prêmio Nobel de Física em 1997, que atualmente está à frente do Laboratório Nacional da Universidade de Berkeley. Chu é um entusiasta das energias limpas, especialmente a solar e a geotérmica, e deve pôr em prática o plano de Obama de reerguer a economia americana com base no desenvolvimento de fontes renováveis de energia. Foi inclusive parceiro de nosso José Goldemberg em estudos no passado.

Obama também criou uma nova ocupação: o de representante especial de Energia e Mudança Climática e Temas Relacionados, que ficará a cargo de Carol Browner, ex-braço-direito de Bill Clinton e Al Gore nessa seara. Por fim, a Agência de Proteção Ambiental americana (EPA) será chefiada por Lisa Jackson, que já presidiu a entidade em Nova Jersey.

O time de Obama é dos bons. Com isso, ele dá a indicação de que, desta vez, as questões verdes não passarão em obscuras nuvens na terra do Tio Sam.

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Após a polêmica do diesel e da sua exclusão, na semana passada, do Índice de sustentabilidade da Bovespa, a Petrobras anunciou na noite de ontem, em nota, seu desligamento do Instituto Ethos. No comunicado, a empresa afirma “que vem sendo alvo de uma campanha articulada com o objetivo de atingir a imagem da companhia e questionar a seriedade e eficiência de sua administração” e acusa as organizações não-governamentais e as Secretarias de Meio Ambiente de São Paulo e Minas Gerais de engendrarem uma “campanha difamatória” contra a empresa. A íntegra está aqui.

“O grupo de pessoas que atua de forma deliberada e difamatória contra a Petrobras é composto por integrantes das Secretarias de Meio Ambiente dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Cidade de São Paulo, e de algumas organizações não-governamentais que se intitulam representantes da sociedade civil de São Paulo”, diz o comunicado.

O centro da polêmica é a redução do teor de enxofre no diesel produzido pela Petrobrás. Segundo a resolução 315/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o teor do enxofre no óleo diesel comercializado no Brasil deveria ser reduzido, a partir de janeiro de 2009, para 50 ppm (partes de enxofre por milhão). Atualmente, o diesel fornecido chega a 2.000 ppm.

Às vésperas da data estipulada pela norma, a Petrobrás não se adaptou para produzir o diesel com 50 ppm e comercializá-lo em todo o território brasileiro – mesmo tendo tecnologia para isso. A partir de janeiro, o diesel mais limpo será fornecido somente em ônibus novos que circulam em São Paulo e Rio de Janeiro. Em maio, chega aos ônibus de Fortaleza, Recife e Belém e, em agosto, a Curitiba.

O restante do diesel vendido no interior e demais capitais conterá 1.800 ppm – arranjo que foi considerado insatisfatório pelas ONGs e Secretarias do Verde.

A decisão de sair do Ethos é emblemática. A entidade, que foi responsável por disseminar o conceito de gestão com sustentabilidade entre as companhias brasileiras, entendeu o recado. A Petrobras jogou a toalha, e desistiu de tentar ser uma empresa minimamente comprometida com questões como redução da poluição e saúde pública. Agora, é só ‘business as usual’…

“Ao se desligar do Instituto Ethos, a Petrobras rompe com o compromisso de ser uma empresa socialmente responsável”, afirma Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos. “Parece que é uma tentativa de confundir o mercado. Quer desviar a questão principal e se colocar como vítima. Mas vítima do quê? A empresa é pública e precisa prestar contas”, completa Young.

A nota da Petrobras ainda pretende deixar transparecer que a Resolução Conama não obriga a nada disso que as ONGs estão dizendo, e que não é o tóxico enxofre, e sim o ozônio, o responsável pela grande poluição nas regiões metropolitanas. A tentativa da Petrobrás de virar o discurso a seu favor chega a dar vergonha.

Em resposta à Petrobras, o Ethos, em nota aos veículos de comunicação, diz que “crê que a decisão da Petrobrás de desligar-se do seu quadro de associados tem como intenção interromper o diálogo, pelo fato de o instituto estar cumprindo sua função. O Ethos, porém, jamais se prestará a ser um instrumento de marketing socioambiental das empresas.”

“O Ethos gostaria de ver a Petrobras, com toda a importância que tem em seu setor, liderando as discussões sobre energias limpas, na busca pela urgente descarbonização da economia. No entanto, a decisão da empresa parece confirmar que ela escolheu o caminho oposto. Lamentamos sua postura, pois ela reitera uma grande perda para o movimento de desenvolvimento sustentável no Brasil. Uma empresa pública, que, portanto, pertence a todos nós, deveria estar alinhada às necessidades da população. “

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