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Andrea Vialli

A Cinemateca Brasileira, em São Paulo, exibe nesse fim de semana a première do Festival Internacional de Filmes da Floresta, iniciativa das Nações Unidas para divulgar o Ano Internacional das Florestas, celebrado este ano.

Os vencedores foram selecionados entre mais de 160 filmes, provenientes de cerca de 30 países. Entre eles, The Queen of Trees, coprodução da Inglaterra e do Quênia que mostra o poder da figueira-sicômoro africana, grande árvore que, no entanto, depende de uma espécie microscópica de inseto para garantir sua preservação.

Conflict Tiger, de Sasha Snow, narra as relações cada vez mais conflituosas entre humanos e tigres nas florestas do extremo oriente da Rússia. Já Kingdom of the Forest explora a vida selvagem das florestas primitivas da Europa.

Lisa Samford, renomada documentarista que já dirigiu produções para os canais National Geographic e Discovery, hoje dirige o Festival e veio ao Brasil para divulgar a iniciativa. “O objetivo do projeto é ressaltar a importância das florestas, a sua relação com as pessoas e o planeta que vivemos, em um momento em que cada vez mais as florestas sofrem pressões do próprio homem”, diz.

A programação na Cinemateca Brasileira:
Sábado: Sala Cinemateca BNDES
15h30 – THE QUEEN OF TREES (52′)
16h30 – KINGDOM OF THE FOREST (50′)
17h30 – CONFLICT TIGER (64′)
19h00 – THE MAN WHO STOPPED THE DESERT (64′)

Domingo: Sala Cinemateca BNDES
14H30 – CLIMBING REDWOOD GIANTS (52′)
15h30 – MAN OF THE SOIL (NOW TEW) (7′)/ SWITCH TODAY (1′)/ THE ANCIENT FORESTS (3′)/ HOPE IN A CLIMATE CHANGE (28′)
16h30 – GREEN (48′)
17h30 – AMAZON ALIVE, PART 1: JUNGLE OF THE MIND (43′).

As sinopses podem ser consultadas no site da Cinemateca, que fica no Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, São Paulo. Os ingressos custam R$ 8.

Veja o trailer de Conflict Tiger, de Sascha Snow, coprodução de Inglaterra, Suécia e Rússia.

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O acalorado debate sobre as mudanças no Código Florestal está longe de terminar. Ainda bem. O texto aprovado na terça-feira passada na Câmara dos Deputados desagradou muita gente: as entidades científicas SBPC e ABC, ambientalistas, procuradores da República, cientistas ligados ao IPCC (o Painel da ONU sobre Mudanças Climáticas). Setores do agronegócio comemoraram a vitória na Câmara, pois o texto consolida as áreas onde a agricultura já está consolidada e permite que proprietários de terras entre 20 e 400 hectares fiquem dispensados de manter a Reserva Legal – área de vegetação nativa dentro da propriedade.

Mas se seguir para o Senado e for sancionado pela presidente Dilma Rousseff, o texto do novo Código Florestal amplia em 22 milhões de hectares (área equivalente a todo o Estado do Paraná) a possibilidade de desmatamento legal. O número faz parte dos cálculos do professor Gerd Sparovek, do Departamento de Solos da Esalq/USP. “Esta cota adicional de desmatamento legalizável pode anular completamente o efeito benéfico da compensação de Reserva Legal fora da propriedade”, diz o pesquisador.

Para chegar a esses números, Sparovek levou em consideração: 1- a possibilidade de computar, juntas, a Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente; 2 – a dispensa de Reserva Legal nas propriedades de até quatro módulos fiscais (entre 20 e 400 hectares); 3 – a possibilidade de reduzir, para fins de regularização, a exigência de Reserva Legal na Amazônia de 80% para 50%. Além do “perdão” a desmatamentos antigos, o texto aprovado na Câmara dá margem, sim, a novos desmatamentos. Nas palavras do professor Sparovek: “O Código Florestal proposto, além de abolir a necessidade de restauração daquilo que já era devido, amplia em 22 milhões de hectares a possibilidade de desmatamento legal”, explicou. A matéria, publicada na edição de domingo do Estadão, pode ser lida aqui.

Segundo o professor, a atual discussão sobre o Código Florestal não está contemplando um eixo fundamental: a modernização da agricultura e a ênfase na produtividade. “A expansão agrícola certamente é pior para a conservação e para os interesses coletivos se comparada à modernização da agricultura e seu desenvolvimento baseado no aumento da eficiência e produtividade”, diz Sparovek. O mesmo ponto foi defendido pela SPBC e ABC em estudo entregue ao relator do novo Código Florestal, deputado Aldo Rebelo. Segundo Helena Nader, presidente da SPBC, as contribuições foram solenemente ignoradas pelo relator.
Sparovek vai além: “Tornar a agricultura moderna, mais intensiva no uso da terra e produtiva – e consequentemente menos ávida por ocupar novas terras – é a bandeira que qualquer grupo deveria ter o interesse de defender.”

Para o pesquisador da Esalq, seria melhor para todos se ambientalistas, ruralistas e demais afetados pelas consequências da mudança defendessem a modernização de nossa agricultura e o aumento de sua produtividade. “Com isto seria necessário muito menos área, e a expansão naturalmente só iria para áreas muito aptas (que hoje em dia restaram muito poucas) e usaríamos por muitas décadas ainda o estoque de terras que já abrimos e usamos com pouca eficiência em muitos casos – pecuária, feijão, milho, mandioca”, diz Sparovek.

Que tal então começarmos a falar mais em produtividade?

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