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Andrea Vialli

A Cinemateca Brasileira, em São Paulo, exibe nesse fim de semana a première do Festival Internacional de Filmes da Floresta, iniciativa das Nações Unidas para divulgar o Ano Internacional das Florestas, celebrado este ano.

Os vencedores foram selecionados entre mais de 160 filmes, provenientes de cerca de 30 países. Entre eles, The Queen of Trees, coprodução da Inglaterra e do Quênia que mostra o poder da figueira-sicômoro africana, grande árvore que, no entanto, depende de uma espécie microscópica de inseto para garantir sua preservação.

Conflict Tiger, de Sasha Snow, narra as relações cada vez mais conflituosas entre humanos e tigres nas florestas do extremo oriente da Rússia. Já Kingdom of the Forest explora a vida selvagem das florestas primitivas da Europa.

Lisa Samford, renomada documentarista que já dirigiu produções para os canais National Geographic e Discovery, hoje dirige o Festival e veio ao Brasil para divulgar a iniciativa. “O objetivo do projeto é ressaltar a importância das florestas, a sua relação com as pessoas e o planeta que vivemos, em um momento em que cada vez mais as florestas sofrem pressões do próprio homem”, diz.

A programação na Cinemateca Brasileira:
Sábado: Sala Cinemateca BNDES
15h30 – THE QUEEN OF TREES (52′)
16h30 – KINGDOM OF THE FOREST (50′)
17h30 – CONFLICT TIGER (64′)
19h00 – THE MAN WHO STOPPED THE DESERT (64′)

Domingo: Sala Cinemateca BNDES
14H30 – CLIMBING REDWOOD GIANTS (52′)
15h30 – MAN OF THE SOIL (NOW TEW) (7′)/ SWITCH TODAY (1′)/ THE ANCIENT FORESTS (3′)/ HOPE IN A CLIMATE CHANGE (28′)
16h30 – GREEN (48′)
17h30 – AMAZON ALIVE, PART 1: JUNGLE OF THE MIND (43′).

As sinopses podem ser consultadas no site da Cinemateca, que fica no Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, São Paulo. Os ingressos custam R$ 8.

Veja o trailer de Conflict Tiger, de Sascha Snow, coprodução de Inglaterra, Suécia e Rússia.

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O acalorado debate sobre as mudanças no Código Florestal está longe de terminar. Ainda bem. O texto aprovado na terça-feira passada na Câmara dos Deputados desagradou muita gente: as entidades científicas SBPC e ABC, ambientalistas, procuradores da República, cientistas ligados ao IPCC (o Painel da ONU sobre Mudanças Climáticas). Setores do agronegócio comemoraram a vitória na Câmara, pois o texto consolida as áreas onde a agricultura já está consolidada e permite que proprietários de terras entre 20 e 400 hectares fiquem dispensados de manter a Reserva Legal – área de vegetação nativa dentro da propriedade.

Mas se seguir para o Senado e for sancionado pela presidente Dilma Rousseff, o texto do novo Código Florestal amplia em 22 milhões de hectares (área equivalente a todo o Estado do Paraná) a possibilidade de desmatamento legal. O número faz parte dos cálculos do professor Gerd Sparovek, do Departamento de Solos da Esalq/USP. “Esta cota adicional de desmatamento legalizável pode anular completamente o efeito benéfico da compensação de Reserva Legal fora da propriedade”, diz o pesquisador.

Para chegar a esses números, Sparovek levou em consideração: 1- a possibilidade de computar, juntas, a Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente; 2 – a dispensa de Reserva Legal nas propriedades de até quatro módulos fiscais (entre 20 e 400 hectares); 3 – a possibilidade de reduzir, para fins de regularização, a exigência de Reserva Legal na Amazônia de 80% para 50%. Além do “perdão” a desmatamentos antigos, o texto aprovado na Câmara dá margem, sim, a novos desmatamentos. Nas palavras do professor Sparovek: “O Código Florestal proposto, além de abolir a necessidade de restauração daquilo que já era devido, amplia em 22 milhões de hectares a possibilidade de desmatamento legal”, explicou. A matéria, publicada na edição de domingo do Estadão, pode ser lida aqui.

Segundo o professor, a atual discussão sobre o Código Florestal não está contemplando um eixo fundamental: a modernização da agricultura e a ênfase na produtividade. “A expansão agrícola certamente é pior para a conservação e para os interesses coletivos se comparada à modernização da agricultura e seu desenvolvimento baseado no aumento da eficiência e produtividade”, diz Sparovek. O mesmo ponto foi defendido pela SPBC e ABC em estudo entregue ao relator do novo Código Florestal, deputado Aldo Rebelo. Segundo Helena Nader, presidente da SPBC, as contribuições foram solenemente ignoradas pelo relator.
Sparovek vai além: “Tornar a agricultura moderna, mais intensiva no uso da terra e produtiva – e consequentemente menos ávida por ocupar novas terras – é a bandeira que qualquer grupo deveria ter o interesse de defender.”

Para o pesquisador da Esalq, seria melhor para todos se ambientalistas, ruralistas e demais afetados pelas consequências da mudança defendessem a modernização de nossa agricultura e o aumento de sua produtividade. “Com isto seria necessário muito menos área, e a expansão naturalmente só iria para áreas muito aptas (que hoje em dia restaram muito poucas) e usaríamos por muitas décadas ainda o estoque de terras que já abrimos e usamos com pouca eficiência em muitos casos – pecuária, feijão, milho, mandioca”, diz Sparovek.

Que tal então começarmos a falar mais em produtividade?

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Ontem o Banco do Brasil anunciou que vetará o crédito agrícola a produtores de soja que tenham plantado em regiões recém-desmatadas da Amazônia. É a primeira instituição financeira a aderir à moratória da soja – pacto firmado em 2006 entre a indústria de óleos vegetais e exportadores de soja, ONGs e Ministério do Meio Ambiente para reduzir o desmatamento na Amazônia.

Com a adesão ao pacto, o banco se compromete, em primeiro lugar, a não financiar a produção de soja em áreas desmatadas no bioma amazônico após 24 de julho de 2006 – data em que o pacto foi criado. O Banco do Brasil também passará a exigir a regularidade ambiental nas propriedades rurais localizadas na Amazônia. Técnicos do banco avaliarão se os fazendeiros estão cumprindo o Código Florestal. Além disso, o banco oferecerá uma linha de crédito específica para que esses proprietários recomponham suas áreas de reserva legal e de preservação permanente – como as margens de rios.

Segundo informou Álvaro Tosseto, gerente executivo de Agronegócio do BB, o monitoramento das propriedades será feita segundo uma lista de desmatadores feita pelo Grupo de Trabalho da Soja, com auxílio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelo monitoramento dos desmatamentos na Amazônia. “Buscamos com isso otimizar práticas de responsabilidade socioambiental no agronegócio. Isso agrega valor para a sociedade e para os produtores de soja, que já foram criticados por influenciar na degradação da floresta”, diz o executivo.

O Greenpeace, umas das ONGs que assina o pacto, comemorou. “Essa sinalização é importante para o produtor rural, que passa a ter incentivos para preservar parte da propriedade, como exige a lei”, diz Paulo Adário, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace. “Por outro lado, é o banco percebendo que dar crédito a desmatador é uma operação de risco”, diz.

A decisão do BB é importante porque o banco é responsável por nada menos que 65% do crédito rural ofertado no País. Está presente em mais de 5 mil municípios, até em pequenas localidades e pode induzir outras instituições financeiras a fazerem o mesmo. Como o BNDES, que financia grandes empreendimentos da pecuária, como frigoríficos – hoje a criação de gado é apontada como um dos principais vetores do desmatamento na Amazônia.

O anúncio da adesão do BB ao pacto da soja foi feita no mesmo dia em que o governo divulgou a menor taxa de desmatamento na Amazônia nos últimos anos: foram derrubados 6.451 quilômetros quadrados de floresta entre agosto de 2009 e julho de 2010. É a menor taxa da história, e 14% abaixo dos valores registrados no período anterior. Ainda assim, muito significativa. “Mas o Brasil tem conseguido mostrar que é possível conciliar aumento da produção com a redução do desmatamento”, diz Adário. “A economia vai bem, o agronegócio vai bem, e o desmatamento cai. Esse é o caminho.”

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O chef Celso Freire, de Curitiba

No prato, ingredientes orgânicos, sazonais e cultivados nas redondezas – de modo que não sejam transportados por grandes distâncias e emitam gases de efeito estufa. Carne, só de fazendas com rastreabilidade e de peixes que não estejam ameaçados de extinção. Na hora de cozinhar, aproveitamento integral dos alimentos para evitar desperdício.

Esses são alguns ingredientes da chamada gastronomia sustentável, um movimento que vem crescendo e ganhando adeptos entre chefs de renome no Brasil.

A conexão entre a comida do dia a dia e seus impactos ambientais está levando os chefs a repensarem seus cardápios. Um exemplo é o paranaense Celso Freire, que coordena, a convite da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, um movimento para popularizar a gastronomia verde, que envolve 15 restaurantes em Curitiba.

Dentro do programa Gastronomia Responsável, o chef propôs a cada um dos restaurantes convidados que elaborassem pelo menos um prato seguindo os preceitos da sustentabilidade, com preço máximo de R$ 30 – a cada prato, R$ 1 é convertido para programas de pesquisa e conservação da biodiversidade apoiados pela Fundação. A relação dos restaurantes pode ser consultada em www.gastronomiaresponsavel.com.br

“É fundamental que os restaurantes se envolvam, porque o setor impacta significativamente o ambiente, seja na geração de lixo ou no uso de matérias-primas de origem animal e vegetal”, diz Freire, um dos chefs mais premiados do País, que já comandou a cozinha da embaixada do Brasil em Londres. “Não há como não se preocupar com o fato de que há peixes que estão ameaçados de extinção, como alguns tipos de atum. Ou mesmo o palmito-juçara, também em perigo no Brasil”, diz Freire, que é dono do Guega Ristorante, em Curitiba.

Malu Nunes, diretora da Fundação O Boticário, conta que quis engajar os chefs na gastronomia sustentável porque esse meio – a comida – é uma forma de alertar as pessoas sobre a conservação da biodiversidade de forma prática, em seus cotidianos. “A biodiversidade é a base para o desenvolvimento da agricultura, da pecuária, da pesca. Preservá-la hoje significa garantir uma alimentação de qualidade hoje e no futuro”, diz.

Em São Paulo, o renomado chef Alex Atala, dos restaurantes D.O.M e Dalva e Dito, também é adepto da tendência. especialmente na busca por novos fornecedores, como comunidades ribeirinhas e pequenos produtores. “Há grande poencial de conversão do mercado gastronômico em ferramenta de conservação da natureza”, diz o chef, que participou do controverso Cook it Raw, um dos eventos mais seminais de gastronomia sustentável do mundo, que coloca chefs estrelados para cozinhar usando elementos da natureza.

Uma verdadeira volta às origens, quando a comida industrial não dominava a cena e o ritual de preparar e se alimentar tinha um sentido de comunhão com o vida, com o ambiente.

Leia mais: Gastronomia sustentável ganha adeptos no Brasil

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Muitos dos leitores já devem ter assistido aos vídeos sobre sustentabilidade produzidos pela ciberativista americana Annie Leonard, que, entre outros, fez o famoso “A História das Coisas” e também o “A História da Água Engarrafada”.

Agora Annie, cujos vídeos na internet já foram vistos por mais de 10 milhões de pessoas, nos brinda com mais um de seus petardos. “A História dos Cosméticos”, lançado na semana passada, mostra a problemática que envolve a bilionária indústria de cosméticos no mundo todo: a segurança de vários dos produtos químicos utilizados nas fórmulas do shampoo nosso de cada dia, no desodorante, no batom.

Ah, o batom…o vídeo alerta para o fato de que um singelo batomzinho pode conter níveis de chumbo acima das recomendações de segurança, o que pode causar distúrbios de comportamento e até de aprendizagem. Os dados dizem respeito particularmente ao mercado americano: há três anos, a ONG Campaign for Safe Cosmetics publicou um estudo onde denunciava que de 33 grandes marcas de batom testadas, 61% apresentavam chumbo na fórmula.

Só depois de dois anos, com a pressão dos consumidores, o Food and Drug Administration (FDA), órgão americano responsável pela segurança dos alimentos, remédios e cosméticos, se pronunciou sobre o tema, publicando uma pesquisa que revelou níveis de chumbo ainda maiores aos testados pela Campaing for Safe Cosmetics em 2007. Todas as marcas testadas pelo órgão apresentavam o elemento em suas composições. Apesar disso, o FDA afirmou não considerar a substância prejudicial à saúde por não ser ingerido pelos consumidores. Mas segundo o órgão, há um limite seguro, que não deveria passar de 0,1 ppm (partes por milhão). A maioria dos cosméticos testados ultrapassou esse teto.

A campanha continua, e o objetivo é fazer com que o FDA estabeleça um limite máximo de chumbo nos produtos de maquiagem – o pesado lobby da indústria de cosméticos, no entanto, tem travado qualquer avanço nesse sentido.

Assista o vídeo, com legendas em inglês.

<a href='‘ >The Story of Cosmetics

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Paulo Liebert/AE

Paulo Liebert/AE

Após quase 20 anos de tramitação no Congresso, o Senado aprovou, na semana passada, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Trata-se do esperado marco regulatório para a gestão do lixo no País, o que certamente nos fará avançar dos atuais lixões e aterros para novas tecnologias de tratamento dos resíduos, com a incrementação da coleta seletiva nas cidades, incineração do lixo para geração de energia elétrica, entre outras.

Mas a grande novidade que a PNRS traz é a responsabilidade compartilhada entre poder público, empresas e também consumidores na questão do lixo. Especialmente resíduos de difícil destinação, como pneus, pilhas e baterias e eletroeletrônicos. Sancionada, a lei partirá do princípio de que todos tem responsabilidades, e a regulamentação do texto mostrará qual é a parte que cabe a cada um de nós.

Vejamos o caso dos eletroeletrônicos. O Brasil vive um boom do consumo de eletroeletrônicos: nunca se vendeu tantos computadores, celulares, geladeiras. E o que fazer com os equipamentos que chegaram ao fim de sua vida útil? A maioria de nós simplesmente não sabe, e a PNRS prevê que as empresas estabeleçam sistemas de logística reversa, que é o recolhimento e a destinação adequada desses equipamentos.
Nesse ponto, a lei é avançada e tem muitos pontos em comum com as diretivas europeias para a questão, onde as empresas possuem responsabilidade pela destinação correta dos resíduos.

“Não vai ter como continuar comercializando eletroeletrônicos nesse nível de crescimento econômico sem pensar em capturar, via logística reversa, os equipamentos pós-consumo”, diz André Luiz Saraiva, diretor da Abinee, entidade que reúne os fabricantes de equipamentos eletrônicos e componentes.
Mas para que isso funcione na prática, segundo Saraiva, será preciso mais do que a lei: será preciso envolver o consumidor. “O brasileiro tem comportamentos muito específicos no que tange ao consumo de eletroeletrônicos”, diz.

Um desses comportamentos específicos diz respeito à vida útil do equipamento. Segundo a Abinee, o brasileiro faz um equipamento previsto para durar 4 anos ser utilizado por até 12 anos. E após esse período, é comum que o equipamento – a televisão, o celular, o computador – seja doado para alguém. “Essa extensão da vida útil de um produto nem sempre é positiva do ponto de vista ambiental, pois o produto antigo consome mais energia e muitas vezes seus componentes estão sem condições de serem reutilizados, de tão antigos.”
A solução, diz Saraiva, será capacitar o consumidor. “Teremos que ter educação ambiental para o consumo. Senão, a política morre na praia”, afirma.

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Geladeiras, fogões e máquinas de lavar roupa vendidos no Brasil deverão seguir normas mais rigorosas de economia de energia a partir do ano que vem. O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) está revisando os padrões de eficiência energética dos eletrodomésticos brasileiros. A revisão deverá embasar novas alíquotas de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que o governo prepara para lançar no segundo semestre. Para ganhar isenção de imposto, esses produtos, da chamada linha branca, deverão consumir menos energia do que hoje.

Atualmente os produtos são classificados em cinco classes de consumo: do A (mais eficiente) ao E (menos eficiente). Do total de geladeiras fabricadas no País, 90,5% são classificados dentro do padrão A. Entre as lavadoras de roupa, 98,7% são classificadas entre as mais eficientes em consumo de eletricidade e, no caso dos fogões, 69,4% estão entre os mais econômicos.

Com a nova proposta elaborada pelo Inmetro, apenas 5% dos fogões, 36,1% das geladeiras e 37,3% das máquinas de lavar roupa poderão ostentar o selo A. De acordo com Marcos Borges, coordenador do programa de etiquetagem do Inmetro, a revisão é necessária para fazer com que o consumidor tenha acesso a equipamentos cada vez mais eficientes.

“Hoje há um acúmulo de produtos classificados nas faixas A e B de economia de energia. Isso é bom para o consumidor, mas é preciso fazer com que a indústria desses equipamentos não se acomode aos padrões atuais”, explica Borges.

Corrida tecnológica
De acordo com Borges, a mudança na classificação, que será apresentada à indústrias, deverá estimular uma corrida tecnológica entre os fabricantes para atender aos padrões de menor consumo de energia. Os fabricantes deverão avaliar a viabilidade das mudanças. Se tudo correr conforme o cronograma planejado pelo Inmetro, os novos eletrodomésticos, mais eficientes, chegarão às lojas no segundo semestre de 2011.

“Com a nova classificação, a régua vai subir. Teremos critérios mais rígidos de economia de energia do que europeus e americanos”, diz o coordenador do Inmetro. Nos Estados Unidos, o governo tem o selo Energy Star, que abrange mais de 50 categorias de produtos, de geladeiras a computadores.

No Brasil, o selo de eficiência energética foi lançado em 1994, dentro do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), do governo federal. Desde então, os fabricantes de eletrodomésticos buscam aprimorar sua tecnologia para classificar seus produtos na faixa mais eficiente. E o consumidor também está atento: segundo pesquisa da Associação Cândido Mendes de Ensino e Pesquisa com 2.015 pessoas, 78% dos consumidores levam o selo de economia de energia em conta na tomada de decisão de compra.

A proposta de reclassificação dos eletrodomésticos de acordo com a eficiência energética deverá dar subsídios ao governo para uma redução do IPI dos eletrodomésticos. A proposta será apresentada em uma reunião entre Inmetro, representantes da indústria e o Ministério da Fazenda, marcada para agosto. Serão discutidas novas alíquotas de “IPI verde”, com base na economia de energia dos equipamentos. A expectativa da indústria é que o IPI de geladeiras, fogões e máquinas de lavar fique entre 2% e 10% do valor dos produtos (hoje é de 15% a 20%).

No ano passado a Fazenda deu isenção de IPI para os eletrodomésticos mais econômicos, como medida anticíclica para refrear a queda nas vendas da indústria. Com o fim do desconto, as vendas de produtos da linha branca chegaram a cair 20%.

Mais que um estímulo ao consumo, a tributação ‘verde’ pode trazer benefícios reais de economia de energia. Como exemplo: uma geladeira produzida hoje gasta 60% menos energia do que uma fabricada há dez anos atrás. Só será preciso pensar em medidas eficazes para recolher os equipamentos ao final de sua vida útil. Muitas geladeiras velhas estão indo parar em aterros, deixando escapar gases CFC (que agravam o efeito estufa e destroem a camada de ozônio) para a atmofera, sem maiores cuidados.

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Desde que o aquecimento global se tornou comprovadamente um fenômeno agravado pela ação humana, não faltam mecanismos e ferramentas para ‘compensar’, ‘mitigar’ ou ‘neutralizar’ nossa contribuição às mudanças climáticas. Do mercado de créditos de carbono preconizado pelo Protocolo de Kyoto, onde países ricos podem comprar títulos de emissão de CO2 reduzida dos países em desenvolvimento, até a febre das ‘neutralizações de carbono’ – espécie de autoindulgência de empresas, eventos e até pessoas físicas, que pagam para plantar árvores para reduzir a pegada ecológica de suas empreitadas.

Mas o que propõe a Optimum Population Trust, organização filantrópica britânica, é uma compensação de carbono não por meio do plantio de árvores, mas pelo incentivo ao controle da natalidade e educação sexual junto a populações menos favorecidas. O argumento é racional – afinal, com menos gente no mundo, é possível rumar em direção ao que a OPT chama de ‘população sustentável’ – que, grosso modo, não deveria passar de 5,1 bilhões de habitantes.

A entidade lançou a já controversa ferramenta PopOffset, onde o cidadão pode compensar suas emissões de carbono ao ajudar a população mundial a crescer em níveis mais moderados. Com uma calculadora online, você pode fazer o cálculo do quanto quer reduzir suas emissões de gases estufa e reverter sua pegada ecológica em recursos para projetos de planejamento familiar que a OPT apoia em países em desenvolvimento. No site, qualquer pessoa pode calcular quanto deve pagar para compensar suas emissões – a reportagem da revista Página 22, especializada em sustentabilidade, fez uma simulação, que pode ser lida aqui.

O principal argumento do PopOffset é que a população do mundo não pode continuar crescendo indiscriminadamente. Além das limitações físicas e dos ecossistemas – mais gente, mais pressão sobre os recursos naturais para que as pessoas comam, se desloquem, trabalhem – existe a questão de que há pelo menos 200 milhões de mulheres em idade fértil em todo o mundo que não querem engravidar, mas ao mesmo tempo não têm acesso a métodos contraceptivos eficientes, segundo a OPT.

De toda forma, a ferramenta é polêmica e tem todo potencial para atrair a ira de entidades religiosas e de quem discorda de que a população do mundo precisa ser controlada. E mais: os críticos da ferramenta dizem que a questão não é o número de pessoas no mundo que impacta o equilíbrio do Planeta, e sim o grau de consumo de seus
habitantes. Um americano tem impacto muito maior do que um africano ou morador de Bangladesh. Esse argumento, no entanto, se desmontaria a longo prazo, pois à medida que um país enriquece, seus habitantes tendem a copiar o modelo de consumo dos países ocidentais.

A pergunta que fica é: se não se pode interferir no direito das famílias à natalidade, como supor que realmente a Terra tem condições de prover as necessidades de 9,5 bilhões de habitantes, a população estimada para 2050? Eu tendo a acreditar que é necessário ter menos gente na casa para que todos possam viver em condições dignas, bem alimentados, com educação de qualidade e uma vida razoavelmente confortável.

Ou não? Qual é sua opinião?

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Schumacher 017

Imagine um centro de estudos dedicado às ciências holísticas e sustentabilidade. Onde alunos de todas as partes do mundo são bem-vindos e uma vez matriculados, tomam parte da rotina da escola, o que inclui ajudar na cozinha, na limpeza e na jardinagem. Onde as aulas não seguem necessariamente o formato professor-fala-aluno-escuta e podem ter formatos dinâmicos: no meio da natureza ou até mesmo no bar.

Esse lugar existe, e atende pelo nome de Schumacher College. Fica em um edificio que data do século XII na pequena cidade de Totnes, no sul da Inglaterra, distante três horas de trem de Londres. Fundado pelo indiano Satish Kumar, o Schumacher vem atraindo alunos de todos os cantos do mundo pela sua proposta atual e ao mesmo tempo com tempero bem alternativo.

Os grandes temas da atualidade são discutidos com a pegada da economia ecológica, escola de pensamento que estuda as relações entre os fundamentos econômicos e os limites dos ecossistemas. O próprio nome da escola é uma homenagem ao economista alemão Ernst Friedrich Schumacher, ou simplesmente E.F. Schumacher, autor do livro Small is Beautiful - no Brasil, traduzido como O Negócio é Ser Pequeno – uma das bíblias da corrrente da economia ecológica. Nomes conhecidos como James Lovelock e Fritjof Capra são professores visitantes.

No Schumacher College, é possível fazer cursos rápidos (que podem durar de um final de semana a quatro semanas) ou um mestrado em Ciências Holísticas. Em janeiro de 2008, desembarquei lá para fazer um curso cujo tema era: A Terra sobreviverá ao Capitalismo?
Na turma, haviam colegas brasileiros, europeus, japoneses, israelenses, americanos, de todas as faixas etárias e profissões.

A experiência no Schumacher ampliou minha visão sobre sustentabilidade. Aprendi mais sobre corrente da economia ecológica, assunto que já foi tema de matérias que fiz para o Estadão. Entre elas, a teoria de que é preciso frear o crescimento para dar um respiro às espécies do planeta. Polêmico? Vocês não viram as discussões que surgiam nas aulas. Felizmente, todas terminavam bem, invariavelmente no pub da escola – afinal, estávamos em solo britânico. É bom frisar: a cerveja servida era orgânica, de excelente qualidade.

A preocupação com a diminuição da pegada ecológica da instituição permeia cada detalhe do dia do dia-a-dia. A comida é vegetariana e dá preferência a produtos cultivados na região, uma forma de estimular a economia local. Os resíduos são cuidadosamente separados: o orgânico é compostado dentro da própria escola, e o inorgânico segue para reciclagem.

E, sim, ao final do curso, saí de lá com a certeza de que a Terra sobreviverá ao capitalismo. Se a gente quiser que seja assim.

Quem quiser mais informações pode visitar o site da escola: www.schumachercollege.org.uk O próximo curso é Liderança em tempos de caos – Explorando a nova e a antiga sabedoria, e custa £ 975.

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upcycling

O que fazer com embalagens de salgadinhos, isopor, roupas e sapatos fora de uso, restos de tecido, fitas cassete e todos os resíduos que não são valorizados pelas empresas que fazem reciclagem? Upcycle!

Upcycling é o termo usado para a reinserção, nos processos produtivos, de materiais que teriam como único destino o lixo, para criar novos produtos. É transformar algo que está no fim de sua vida útil em algo novo, de maior valor, sem precisar passar pelos processos físicos ou químicos da reciclagem. O material é usado tal como ele é.

A proposta ecologicamente correta e de custos reduzidos (afinal, a matéria prima vem do que se tornaria lixo) já está virando uma oportunidade de negócios lucrativa. Recém-chegada ao Brasil, a empresa americana TerraCycle enxergou esse potencial e cria acessórios confeccionados com embalagens que iriam para o lixo. De embalagens usadas de salgadinhos, difíceis de reciclar porque não têm valor econômico, são feitas bolsas, mochilas, estojos, cadernos, guarda-chuvas. Em sete meses de atividades no Brasil, a empresa já conseguiu utilizar 200 mil embalagens que iriam para o lixo. Mais informações aqui.

O upciclying também é prato cheio para gente criativa. Que o diga o jovem designer holandês Patrick Schuur, que, entre outras coisas, criou um armário revestido por mais de 900 fitas cassete (veja foto).

Farejadora de tendências e modismos por natureza, a indústria da moda também está atenta ao upcycling. Em recente viagem à Londres, não pude deixar de reparar em pontos de coleta de roupas e sapatos como os da foto acima, lado a lado com os contêineres para lixo reciclável. Descobri que são empresas, como a LMB, que coletam roupas e sapatos que as pessoas não querem mais e as reinserem no processo produtivo – menos de 10% vai, efetivamente, para o lixo. No Brasil, marcas como a Cavalera e Osklen já estão aderindo ao conceito.

As vantagens do processo de upcycling incluem reduzir a quantidade de entulho que vai para aterros ou que acabaria descartada de maneira incorreta, nas ruas, nos rios. Além disso, o processo substitui o uso de matérias primas ‘virgens’ na criação de novos produtos, evitando outros tipos de poluição causados pela atividade industrial.

E você, já praticou o upcycling?

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