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Pressão sobre a Mata Atlântica volta a crescer e desmatamento sobe 9% no ano passado

Giovana Girardi

terça-feira 27/05/14

Depois de mais de uma década de quedas constantes, o desmatamento na Mata Atlântica volta a preocupar. Pelo segundo ano consecutivo, o Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado nesta terça, mostra um aumento da perda da vegetação. No período de 2012 a 2013, foram perdidos 23.948 hectares (ha), ou 239 km2 de remanescentes [...]

Efeito formiga. Concentração urbana em área de vegetação da Mata Atlântica, próximo ao mar, na praia de Toque Toque Pequeno. Crédito: Reginaldo Pupo / Estadão

Depois de mais de uma década de quedas constantes, o desmatamento na Mata Atlântica volta a preocupar. Pelo segundo ano consecutivo, o Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado nesta terça, mostra um aumento da perda da vegetação.

No período de 2012 a 2013, foram perdidos 23.948 hectares (ha), ou 239 km2 de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica, um aumento de 9% em relação ao período anterior (2011-2012), que registrou 21.977 ha. É o maior nível desde 2008, de acordo com monitoramento feito pela SOS Mata Atlântica e pelo Inpe.

Leia a reportagem completa publicada hoje no jornal.

Pelo quinto ano consecutivo, Minas Gerais foi o campeão de desmatamento, principalmente para a conversão em carvão para as siderúrgicas. Piauí também chama a atenção, em especial por conta da pressão da soja. E o Paraná voltou a ter supressão nas florestas de araucária.

São Paulo aparece com um bom indicador – redução de 51%. Mas o número pode mascarar um problema que continua presente: o chamado “efeito formiga”. Tanto na capital quanto no litoral são cada vez mais frequentes supressões pequenas, de menos de 3 ha, que não são vistas pelos satélites, mas que aumentam a pressão sobre a mata.

É o famoso “puxadinho”, como define Flávio Jorge Ponzoni, do Inpe. “O Estado já não tem muita mata para ser derrubada. Sobrou a Serra do Mar, áreas de preservação permanente (APPs), com relevo acidentado. Mas resta esse desmatamento da expansão urbana que não aparece nas estatísticas e é muito perigoso”, complementa Márcia Hirota, da SOS Mata Atlântica.