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Madeira ilegal ‘esquentada’ vira regra, diz Greenpeace

Giovana Girardi

15 maio 2014 | 19:39

Ativistas do Greenpeace em madeireira no Pará. Crédito: Marizilda Cruppe / Greenpeace

O modelo de exploração legal de madeira da Amazônia, uma das apostas do governo para usar de modo sustentável os recursos da floresta, pode ter falhas que acabam incentivando a exploração ilegal e a degradação da floresta. Esse é o tom de uma denúncia feita nesta quinta-feira pelo Greenpeace.

A partir de uma investigação feita ao longo de dois anos sobre planos de manejo de exploração madeireira, a ONG ambientalista estimou que entre agosto de 2011 e julho de 2012, nos dois maiores estados produtores de madeira da Amazônia, Pará e Mato Grosso, respectivamente 78% e 54% da atividade do setor ocorreram de forma ilegal.

Ao longo de uma investigação de dois anos, pesquisadores do Greenpeace observaram diversos casos de falha no sistema de controle do comércio de produtos florestais. “Frequentemente, em vez de conter o crime, ele é usado para documentar a madeira produzida de forma predatória e ilegal que mais tarde será vendida a consumidores ao redor do mundo como se fosse legal. Essa madeira chega ao mercado nacional e estrangeiro, incluindo Estados Unidos e países europeus”, apontam.

Na denúncia apresentada hoje no site da campanha Chega de Madeira Ilegal foram descritos cinco estudos de caso, cada um com um tipo de fraude: inflação do número de árvores de espécies raras e do tamanho das árvores no inventário florestal; áreas autorizadas sem sinal de exploração; exploração acima do limite autorizado pelo plano de manejo; e corte de árvores protegidas por lei.

Nesta quinta ativistas do Greenpeace fizeram um protesto ocupando a madeireira Pampa Exportações Ltda, próximo a Belém (PA). Eles entraram no local e estenderam faixas com mensagens como: “Lavando madeira para fora”; “Sua madeira lavada a sério”; “Apoio: governo brasileiro” e “Crime”. Algumas delas estavam em inglês, sinalizando que boa parte dessa madeira ilegal é exportada.

Por meio de nota enviada agora há pouco, o Ibama afirmou que as autorizações para extração de madeira são concedidas pelos estados e que “todas as cinco maneiras de lavar madeira apontadas pelo Greenpeace têm a ver com os controles estaduais”.

O órgão ambiental disse também que cabem a ele as autorizações para áreas de concessão pública federal e o controle do transporte interestadual, que é realizado através do Documento de Origem de Florestal (DOF). “Este instrumento de controle vem sendo atualizado com regularidade, a exemplo da certificação digital implantada, que já está disponível e garante um ganho de segurança e transparência ao processo”, afirma a nota.

As secretarias de Meio Ambiente do Pará e do Mato Grosso não foram localizadas para comentar as alegações.