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A difícil tarefa de conciliar gente e natureza nas grandes cidades

Giovana Girardi

quinta-feira 05/06/14

Pouca oferta de moradia popular empurra as pessoas para os extremos de São Paulo, onde ainda há mata. O desafio é resolver o problema sem aumentar a perda de vegetação

Ocupação Nova Palestina na beira da Guarapiranga. Crédito: Dario Oliveira / Futura Press

Conciliar moradia com proteção ao que resta de natureza nas cidades é um dos maiores dilemas atuais do ambiente urbano. É o que está por trás, por exemplo, da discussão do novo Plano Diretor de São Paulo (como mostramos na reportagem de hoje no Estadão) e é o que segue pressionando, a um ritmo indetectável por satélites, a pouca Mata Atlântica remanescente na cidade, em especial na Serra da Cantareira.

É o que levou áreas previstas para virar parques municipais a serem ocupados por sem-teto: como é o caso da região onde está a ocupação de 700 mil metros quadrados apelidada de Nova Palestina, na zona sul de São Paulo, de uma área de 300 mil m² na Vila Brasilândia, zona norte, e ainda de uma outra na Vila Silvia, de 12 mil m², para onde seria ampliado um parque que já existe na zona leste.

O plano diretor traz duas estratégias para tentar conter o avanço da cidade sobre as áreas verdes. Uma é retomar a classificação de área rural no extremo sul da cidade, em regiões de mananciais, onde vivem pelo menos 400 produtores agrícolas (esse é o número hoje cadastrado na prefeitura).

Com essa definição, eles poderão, por exemplo, pedir crédito agrícola. Em contrapartida, terão de desenvolver somente a agroecologia, sem uso de agrotóxicos que poderiam contaminar os mananciais que abastecem as represas Billings e Guarapiranga.

A aposta do vereador Nabil Bonduki (PT), relator do Plano Diretor, é que a zona rural contenha a expansão urbana ou novas ocupações. Em área rural não é possível estabelecer as chamadas ZEI (zona especial de interesse social), categoria que possibilita a construção de moradias sociais e é restrita a zona urbana.

O plano também prevê a ideia de Pagamento por Serviços Ambientais para proprietários de terra em zonas definidas como de proteção ambiental nos extremos sul e norte de São Paulo. Pela proposta, quem preservar a floresta e as matas ciliares, que protegem os mananciais, poderá ser remunerado por isso.

As ideias são boas, mas resta saber quanto de fato elas vão funcionar para conter a devastação e evitar que mais pessoas fiquem em áreas de risco.