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Quem Faz

GIOVANA GIRARDI é repórter de ambiente do caderno Metrópole. Escreve sobre o assunto e também sobre ciência há mais de 12 anos. Já trabalhou em revista, internet, jornal, e sempre que pode deixa a redação para ver gente, bicho e se enfiar no meio do mato para fazer matéria.
quinta-feira 17/10/13

Mega biodiversa, Amazônia tem paisagem homogênea

Igapó ao longo do rio Jaú, no Parque Nacional do Jaú, na região central da Amazônia brasileira. Crédito: Hans ter Steege

[caption id="attachment_169" align="aligncenter" width="600"] Igapó ao longo do rio Jaú, no Parque Nacional do Jaú, na região central da Amazônia brasileira (@ Hans ter Steege)[/caption] Atualizada às 20h40 A floresta mais biodiversa do mundo apresenta uma paisagem homogênea. É o que descobriu uma força-tarefa que reuniu mais de cem pesquisadores em torno de algumas perguntas aparentemente simples, mas que até então não tinham resposta: Quantas árvores existem na Amazônia? De que espécies? E ...

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terça-feira 15/10/13

Crise atual e futura dos oceanos

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[caption id="attachment_156" align="alignleft" width="300"] Comerciantes esperam pescadores em Mbour, Dakaar. A provisão de alimentos obteve 33 pontos no Índice de Saúde do Oceano. Crédito: Kieran Kelleher[/caption] Dois estudos divulgados hoje mostram um presente e um futuro sombrios para os oceanos. O estado atual, de acordo com a atualização do Índice de Saúde do Oceano (OHI, na sigla em inglês) é crítico, com capacidade muito baixa de fornecer alimentos e de aproveitar os ...

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terça-feira 15/10/13

Matéria sobre cacau vence prêmio de reportagem sobre Mata Atlântica

Assunto: Guapuruvu; Local: Gandu, BA; Data: 11/2008; Autor:Palê Zuppani

Antes tarde do que nunca, compartilho abaixo a reportagem “Cacau tenta renascer com lema de protetor da Mata Atlântica”, que publiquei em julho do ano passado no Estadão. A autocitação mais de um ano depois tem motivo. A matéria ficou com o 1.º lugar na categoria Jornal Impresso do Prêmio de Reportagem sobre a Mata Atlântica, que é oferecido pela Aliança para a Conservação da Mata Atlântica, uma parceria ...

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quarta-feira 02/10/13

Insetos meteorologistas

Besouro foi um dos insetos que mudou o comportamento na iminência de uma chuva. Crédito: Divulgação

Legenda: Besouro foi um dos insetos que mudou o comportamento na iminência de uma chuva (crédito: Divulgação)

Esqueça a mocinha do tempo. Quer saber se vai chover, observe o comportamento dos insetos. Pode demorar um pouco para entender a lógica, mas é batata: se eles pararem de namorar, é porque vem chuva por aí.

A descoberta foi feita por um grupo de pesquisadores brasileiros e canadenses que publica o trabalho na edição desta quinta da revista PLoS One. A pesquisa com todo o jeitão de Ig Nobel — a paródia do Nobel que destaca estudos “que primeiro fazem rir e depois pensar” – testou a ideia de que os animais, na natureza, sabem quando o tempo vai mudar.

Trabalhando com três ordens distintas de insetos (besouros, pulgões e mariposas), os cientistas observaram que eles modificam seu comportamento de acasalamento quando ocorre uma alteração na pressão atmosférica — um sinal iminente de chuva ou ventania que meteorologistas  conhecem há bastante tempo. A equipe, liderada pelo entomólogo José Maurício Simões Bento, da Esalq/USP, observou que, se a pressão cai, os bichos param tudo o que estão fazendo, provavelmente para buscar algum lugar para se esconder.

A mudança foi observada tanto em condições naturais quanto em um experimento controlado. No primeiro caso, conta Bento, os pesquisadores ficavam acompanhando as condições atmosféricas do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e, quando a pressão caía ou subia, eles observavam os insetos. Os testes também eram repetidos em condição de pressão estável, para controle.

Usando um “olfatômetro”, instrumento que mede a resposta de insetos a odores, os pesquisadores viram que machos de besouro da espécie Diabrotica speciosa expostos a feromônios das fêmeas mostravam menos movimentos e interesse sexual quando a pressão caía.

Em outro grupo, viram que mesmo em contato com as fêmeas, machos não se esforçavam muito na côrte, e mesmo no acasalamento eram mais rapidinhos, sob pressão atmosférica em queda, o que pode ser explicado como um senso de morte iminente. Para o pesquisador, a perda do interesse antes de uma tempestade pode ser uma adaptação evolutiva que reduz a probabilidade de se ferir ou morrer.

Também foi avaliado o comportamento das fêmas em atrair os machos. E tanto para as mariposas quanto para os pulgões, houve redução do chamado e, por consequência do acasalamento, quando a pressão mudava.

A prova definitiva veio com o experimento controlado. Na Universidade de Western Ontario, no Canadá, os pesquisadores conseguiram repetir os experimentos dentro de uma câmara barométrica, onde era possível controlar a pressão, e os resultados foram semelhantes.

“O fato de três espécies tão distintas terem apresentado essa mudança no comportamento sexual diante de alterações na pressão do ar nos permite generalizar e dizer que todos insetos têm essa capacidade de detectar a alteração e responder a um potencial mau tempo”, afirma Bento. “Como estavam em laboratório, os nossos insetos só ficavam parados, mas na natureza, ao perceber que o tempo vai virar, eles se escondem e conseguem sobreviver às condições adversas.”

Ele diz acreditar que esse comportamento pode ocorrer em vertebrados e que a metodologia desenvolvida com a câmara barométrica pode servir para que o experimento seja replicado com outras espécies.

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