Recentemente, analisando um livro que retratava diversos aspectos da personalidade humana, chamou-me a atenção a diferença estabelecida entre personalidade e caráter. O autor, de modo atrativo, mostrava ser a personalidade resultado de aspectos genéticos, sociológicos e até mesmo educacionais. Sendo assim, os brasileiros somos um povo alegre, flexível, acolhedor, mas também indisciplinado e guiados mais pela emoção do que pela razão. Isso talvez não aconteça com os germânicos… Os ingleses são conhecidos por sua fleuma e os italianos por sua extroversão e rompantes acalorados. E os exemplos se seguem. A influência pode também vir dos pais. O famoso ditado “Super mãe = infra filho” revela-se, por tantos exemplos que presenciei, ser uma realidade. Pais preguiçosos e egocentrados geram filhos “bolha”. Mas tudo isso não é regra matemática. A “matéria bruta” de cada indivíduo humano é fruto dessa imensa combinação. Sendo assim, há pessoas naturalmente tímidas, ou com maior tendências egoístas, o extrovertido, o inseguro, o teimoso, o generoso, o imaturo, e assim por diante.
Mas caráter é algo diferente. Ele é fruto do esforço, do empenho em cultivar os traços positivos que todos temos (felizmente) unido, simultaneamente, ao desejo de também erradicar os traços apagados, pouco interessantes, até torcidos, que todo ser humano possui (infelizmente). O resultado deste trabalho é o homem de caráter. É o homem acabado, completo (para se dizer de alguma forma) que se torna uma obra de arte, onde cada um se transforma em artista de sua própria existência. Se acaso alguém dissesse “Eu sou assim, são coisas do meu caráter” poderíamos esclarecer “Não, isso não são coisas do teu caráter, são coisas da tua falta de caráter!”.
No momento em que dava voltas a esses conceitos, deparei-me com uma série de entrevistas bastante originais pela realizadas, de modo divertido e descontraído, pela medici.tv. Grandes nomes da música revelam parte de sua personalidade. Mesmo sendo os vídeos em inglês (bastante acessível), o idioma não é impeditivo. Há muitas outras linguagens – incluindo a corporal – que revelam um pouco do interior de cada um deles. Para ser mais produtivo nesta análise, dividi os videos em quatro categorias: o piano, a regência, o violoncelo e o violino. Espero, assim, mostrar que estereótipos do estilo “Os pianistas são assim…”, “Os violoncelistas são assim…” não são bem vindos. Cada um é cada um. Nomes como Martha Argerich – a diva do piano – e o russo Yevgeny Kissin (que estará se apresentando em uma série de recitais este ano no Brasil), o violinista americano Joshua Bell, o violoncelista Mischa Maisky e o regente Daniel Harding, entre oturos, fazem esta descontraída, porém real, exposição pessoal. Tudo muito intrigante! Aproveitem!
Caros amigos, depois de alguns emails e telefonemas que recebi sobre o post Carmen, de Bizet: um escândalo, que se encontra abaixo deste, como pianista, sinto-me no dever de dividir com vocês a transcrição desta obra para piano, elaborada pelo pianista russo Vladimir Horowitz. A obra apoia-se, fundamentalmente, no tema da ária Les tringles des sistres tintaient, que se encontra no post abaixo. Como sugestão, assista primeiramente o original abaixo para, depois, se embrenhar em toda a riqueza e beleza musical que Horowitz verteu nesta estarrecedora e difícil transcrição. O pianista também russo Yevgeny Kissin, que estará realizando uma série de recitais pelo Brasil em 2012, é quem interpreta. Recomendo já garantir seus ingressos!
2013
2012
2011