A célebre Barcarola, acima interpretada pela soprano russa Anna Netrebko e a mezzo-soprano letã Elina Garanca, ilustra a cena de amor do ato III da única ópera que compôs Jacques Offenbach (1819-1880): Os contos de Hoffmann. Estranhas lendas cercam essa obra, magistralmente utilizada na célebre cena de amor do fime A Vida é Bela, de Roberto Benigni, na luta de Guido para conquistar sua principessa Dora.
Quando criança, Offenbach dormia embalado ao som de uma barcarola cantarolada por sua mãe. A música permaneceu em seu subconsciente. Quando adulto, Offenbach tomou conhecimento que o autor de tal acalanto era Rudolf Zimmer. Certo dia, em Viena, a carruagem de Offenbach atropelou um pedestre, que foi tratado pelo próprio Offenbach até sua recuperação. Tempos depois, quando este senhor visitou o famoso músico para agradecer os cuidados recebidos, encontrou-o ao piano interpretando a tal canção. O homem ficou perplexo: era Rudolf Zimmer. Após recompor-se, contou sua triste estória. No dia em que Zimmer executou a peça pela primeira vez, sua esposa falecera. Prometeu a Offenbach o manuscrito da obra, porém nunca mais voltou. Dias depois, Offenbach, procurando por Zimmer, soube que ele havia falecido na véspera, deixando-lhe os manuscritos.
O sucesso da obra ganhou o mundo. Na China, marmoristas italianos cantarolavam a obra durante a construção do palácio de Pequim. Reinava, então, na China, a cruel e despótica imperatriz Tsu-Tsi que, tendo gostado tanto da obra, exigiu que seus músicos a interpretassem. Como a adaptação aos instrumentos chineses impedia aos músicos sua interpretação, a soberana mandou executá-los. A música tirou o sono da imperatriz e o descanso do povo. Acordada, ela se dedicava a assinar sentenças de morte. Deram, então, à obra, o nome de “Dor da China”. Em 1912, após a morte de Tsu-Tsi, o novo governante Sun Yat Sen, em sua primeira lei, proibiu a execução da Barcarola sob pena de morte!
Offenbach, após terminar a obra, entregou-a ao diretor da Ópera de Paris. A cinco dias da estréia de “Les Contes D’Hoffmann”, o compositor faleceu, vítima de problema cardíaco. Após sua estréia em Paris, a ópera foi apresentada em Viena, no Ring Theater. Quando a orquestra iniciava os primeiros compassos da Barcarola, a sala incendiou-se morrendo quase 1.000 pessoas.
Destino? Acaso? Não tenho resposta.
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