Andando pela Avenida Paulista, com pressa paulistana, dias antes do Natal, deparei-me com a capa de um livro: Great Contemporary Pianists Speak for Themselves (Grandes Pianistas contemporâneos falam por si). Parei diante da vitrine. Ao entrar na loja pude verificar que o livro recolhe 25 entrevistas com célebres pianistas: Wladimir Horowitz, Emil Gilels, Jorge Bolet, Ivo Pogorelich, Ashkenazy, Brendel, Glenn Gould, Cláudio Arrau, entre muitos outros falavam de sua arte, vida e desafios. A aquisição do volume foi imediata. Una-se a isso o fato de a entrevistadora/autora Elyse Mach ser musicista o que, segundo os próprios pianistas, facilitou enormemente o diálogo dando ao livro não somente um caráter de entrevista, mas em oportunidade de dividir impressões musicais entre quem as vivencia, aprofundando o conteúdo do diálogo: o medo pré-concerto, a exaustão pós-concerto – onde o pianista Stephen Hough o compara à síndrome pós-parto -, o como encarar e preparar passagens difíceis de uma obra (faz-se alusão à coda da Balada em fá menor de Chopin) e, o que muito me prendeu, em como trabalhar o lado fraco e forte da mão de um pianista. Talvez muitos não saibam, nós pianistas temos um grande desafio: como dar força aos dedos anular e minguinho, problemáticos quando comparados à força existente no polegar, indicador e médio.
O livro recolhe depoimentos divertidos envolvendo diversas problemáticas. O pianista André Watts, por exemplo, faz extensa explicação sobre sua dedicação de horas ao estudo e o que significa ser bem sucedido na carreira artística. Horowitz comenta sobre o início de sua carreira. Gilels comenta sobre seu primeiro recital em Odessa. E tudo isso regado por digressões da autora que, ao desenvolver suas impressões pessoais sobre o entrevistado, posiciona o leitor dentro da conversa. Enfim, um livro que se impõe como uma excelente aquisição a todos os que admiram música e, quase, como uma necessidade àqueles que sabem interpretar o instrumento.
Com introdução de Sir Georgi Solti, o livro recolhe interessantes fotos (preto e Branco) dos entrevistados. Editora Dover Books.
Gustav Leonhardt näo morreu, foi só ali buscar novos registros. Boa viagem, mestre, e obrigado.
Fabio, boa viagem para todos nós. Quem trabalha com música sempre está viajando, também no terreno das ideias. Um abraço
responder este comentário denunciar abusoTeu blog é… como eu poderia dizer… surpreendente! Encontra-se de tudo, a música sempre em primeiro foco, tanto nas curiosidades quanto no conteúdo. Vê-se que, para você, ela é uma pessoa, que existe, com quem você se relaciona. Parabéns!
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